sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

COMUNA QUE PARIU! FLORIPA CANTA OS 100 ANOS DA REVOLUÇÃO RUSSA




O Comuna Que Pariu Floripa nasceu em 2015, e até agora havia saído no Carnaval de Florianópolis reproduzindo as músicas compostas pelos camaradas do Comuna do Rio de Janeiro. Esse ano, com o crescimento do Bloco e aproveitando as comemorações do centenário da Revolução Russa, o CQP-Floripa resolveu inovar e fazer seu próprio samba.

Pra essa tarefa foram convidados dois compositores radicados em Floripa, os dois Álvaros: um paulista, o Fausane; e um que, de tão carioca, leva o adjetivo no nome, o Alvinho Carioca. Os dois tem uma longa trajetória juntos, com dois cds gravados com músicas de ambos e de outros parceiros da cidade, além de tocarem e cantarem juntos no Grupo Côro de Gato. São parceiros do Comuna desde o início e já se apresentaram em diversas festas organizadas pelo PCB e seus coletivos, com títulos tão inusitados como Samba Marx ou Samba do Moncada.

O pedido do samba assustou um pouco os dois, que achavam não ter muito conhecimento sobre os fatos daquele distante 1917 pra colocar no papel. Mas depois de algumas conversas com integrantes do Bloco, o samba fluiu e conseguiu contar a história da Revolução falando de alguns dos seus personagens centrais, com um refrão que empolgaria até o camarada Lênin.

Discutir, cantar e sambar a Revolução Russa é afirmar que apesar de seus erros, essa Revolução trouxe inúmeras contribuições que perduram até hoje, desde os direitos das mulheres, até as lutas anticoloniais na África.

Num ano que será marcado por comemorações das mais diversas (em Florianópolis as comemorações começaram em outubro, com um Sarau em homenagem ao Camarada Maiakovski), acreditamos que o carnaval não poderia deixar de homenagear a maior revolução da história. Trazer pra rua (e pro nosso tão brasileiro carnaval) uma temática que parte da esquerda passou a negar após a queda do muro de Berlim é abrir mais um canal de diálogo com os trabalhadores no sentido da necessidade histórica de superação do modo de produção capitalista.

Samba Russo!!! 100 anos de revolução
Quem trabalha tem razão
Quem trabalha faz o pão
Então por que a riqueza se concentra em poucas mãos
Já tá passando da hora da rebelião

Foi na Rússia
Nos tempos do czar Nicolau
O povo trabalhava duro
E mesmo assim vivia muito mal
Fome, violência e abusos
Tirania, despotismo e outros absurdos
Sofrendo na opressão desse poder
Levando os dias sem vontade de viver

Esse povo se cansado de sofrer exploração
Nos textos de um filósofo alemão
Surgiu o despertar da consciência
Karl Marx apontou a direção
Proletários desse mundo, é tempo de união

Lideranças bolcheviques, através dos sovietes, se organizaram
Com Lenin liderando a operação
Fiel braço direito era um Leão (Trotsy!)
Junto ao povo eles marcharam
Persistentes imbatíveis
Triunfaram ao final
Deixando um valioso ensinamento
A toda humanidade
O caminho é a união

Pro mundo conviver com igualdade
Tem que ter fraternidade
Tem que haver cooperação
Viva a revolução
E a força que traz
O poder da mudança
Outros outubros virão
É a luta que faz
Termos mais esperança

Urgência para este aplicativo...

Boligán/Divulgação

Liga dos Camponeses Pobres do Brasil explica sua luta na Galiza



                                 
Na passada segunda-feira dia 20 de fevereiro decorreu na cidade de Vigo (a maior cidade da Galiza) umha palestra desenvolvida por representantes da Liga dos Camponeses Pobres brasileira, no CS Revolta. A palestra abordou a luita pola terra no Brasil de umha ótica revolucionária. Já na terça-feira, a LCP continuou a sua visita à Galiza no CS A Comuna, na Corunha.

A LCP)é um movimento camponês atuante em todo o Brasil. O seu surgimento dá-se após a batalha de Santa Elina, também conhecida como "Massacre de Corumbiara" quando parte do movimento camponês rompe com a direçom do MST conclamando os camponeses a nom se iludirem com a "reforma agrária" do governo e mobilizarem as suas forças para umha transformaçom radical no campo. 

A LCP diferencia-se das outras correntes do movimento camponês pois defende a tomada e corte imediato das terras para os camponeses e início da produçom assim que as terras som tomadas. As decisons sobre a soluçom dos problemas e encaminhamentos do dia a dia das áreas onde atua a LCP som tomadas nas Assembleias do Poder Popular.

O coletivo falou também da repressom brutal que se vem sofrendo desde há tempo, executada polas e polos latifundiários os seus grupos armados e a polícia, que tem no estado da Rondônia um foco importante. A LCP considera que todos estes ataques procuram viabilizar o maior roubo de terras deste século no Brasil. 

Já do governo de Dilma Rousseff as terras brasileiras estám cada vez em menos maos, sem que a chegada dos golpistas defensores do capitalismo imperialismo permita ter esperanças acerca de mudanças positivas nesse quesito. Houvo umha queda de novos assentamentos rurais ou de territórios indígenas e de quilombos, enquanto aumentou o investimento na agroindústria capitalista.

(Com o Diário Liberdade)

A ascensão (por Latuff)


Reflexões sobre ‘O País do Carnaval’, de Jorge Amado

                                                      

Filosofia move a primeira obra do romancista, 
escrita quando ele tinha apenas 18 anos

Haroldo Ceravolo Sereza

O próprio Jorge Amado costumava dizer que O País do Carnaval, seu primeiro romance, era um livro ruim. E, de fato, é praticamente impossível encontrar críticos ou leitores que coloquem a obra no alto de sua produção literária.

Textos analíticos publicados antes e após a sua morte confirmam a sensação de que o destino desse trabalho de estréia é, mesmo, se perder em meio ao que foi produzido posteriormente. Entre outros motivos, porque não está marcado pelos esquemas ideológicos presentes na maioria de seus romances dos anos 30 e 40, especialmente nos “romances proletários” Cacau (1933) e Suor (1934), posteriores ao início de sua militância comunista, que se dá em 1932, a partir do contato com a cearense Rachel de Queiroz.

Numa primeira leitura de O País do Carnaval, o romance parecia-me, de fato, fraco. O enredo é simples: narra a vida intelectual e sentimental de um grupo de jovens baianos que se reúne em torno de um velho cético, Pedro Ticiano, que costumava defender que “na Bahia, todo tolo se fazia poeta” e que “só os burros e cretinos conseguem a Felicidade”. A obra tem descrições de menos, diálogos incompletos, personagens que se perdem, discussões sobre o sentido da vida e a felicidade que não chegam a lugar nenhum.

Professora do curso de jornalismo da Universidade de São Paulo, Jeanne Marie Machado de Freitas chamou-me a atenção para a possível relação daquele enredo, que parecia ingênuo, com O Banquete, de Platão. Além disso, algo que não se deve considerar sempre que se lê um livro, mas que no caso era fundamental para compreendê-lo e, especialmente, para aceitar seus defeitos: o autor tinha só 18 anos.

Se Platão não é citado diretamente por Amado, a relação com a filosofia é evidente em O País do Carnaval. Pedro Ticiano afirma, por exemplo, que a insatisfação, a dúvida e o ceticismo devem ser a filosofia do homem de talento: “Sofismar sempre. Negar quando afirmarem, afirmar quando negarem.”

Nas conversas, aparecem Sócrates, Aristóteles, São Tomás, a religião, o tomismo etc. Cada um dos amigos da roda busca o seu caminho para a felicidade: o sexo, o casamento, o amor, o dinheiro, até o comunismo (José Lopes, um dos amigos, afirma, nas páginas finais do livro, que “a gente deve arranjar um princípio, um ideal, para iludir-se, pelo menos. Eu me iludo com esse negócio do comunismo. Por isso fujo de você.”).

Jorge Amado parece acreditar, então, que o caminho da dúvida, que impregna o romance, não conduz a nada, embora seja o único possível para os homens inteligentes. E personifica esse sentimento Paulo Rigger, um jovem que está chegando da França num navio que desembarca no Rio de Janeiro na véspera do carnaval.

A bordo, ele encanta-se por uma francesa, Julie, mas não chega a dormir com ela, por temer apaixonar-se. Em terra, ele a reencontra, e sonhará viver com a moça um amor tradicional, o que, evidentemente, não resiste ao primeiro funcionário de sua fazenda de cacau. Depois, sonhará com uma donzela, mas o projeto desmorona quando é informado de que a menina não é mais virgem.

Teria, assim, deixado escapar sua possibilidade de ser feliz?

Enquanto vai enfrentando esse mundo, Rigger também se frusta e reflete sobre o que é ser brasileiro. Em dado momento, afirma: “Só me senti brasileiro duas vezes. Uma no carnaval, quando sambei na rua. Outra, quando surrei Julie, depois que ela me traiu.” Não é exatamente “só”: o carnaval  o acompanha como a polca persegue Pestana, o compositor do conto Um Homem Célebre, de Machado de Assis, que sonhava compor noturnos e sonatas como Chopin e Mozart.

Há defeitos e simplismos em O País do Carnaval, mas há, especialmente, reflexão. Se não é o melhor Jorge Amado, se lhe faltam carne e certezas, estão ali os ossos que formam o esqueleto de uma obra literária de porte: observação e reflexão. Nem sempre o autor está formado o suficiente para bem recheá-lo; nem sempre o leitor está maduro o suficiente para perceber sua presença.
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O texto acima foi originalmente publicado em 12 de agosto de 2001, no jornal O Estado de S. Paulo.

(Com Opera Mundi)

Dois jornalistas baleados na Cracolândia

                                                                   
                                                                                              Reproduçãao
O repórter Dário Oliveira, profissional da Agência Código 19 Fotojornalismo, foi ferido na coxa por um projétil de arma de fogo. Outro fotógrafo freelancer, Marcelo Chello, levou um tiro na perna, na altura da coxa esquerda. O impacto da bala foi amortecido por um celular que ele carregava no bolso.

De acordo com as informações da Folha de S. Paulo e a nota da Secretaria de Segurança Pública do estado, a polícia do patrulhamento realizou abordagem na rua Helvética com a rua Dino Bueno. Na ocasião, um grupo de pessoas teria reagido com depredação e fogo, no que a polícia respondeu com bombas de efeito moral e balas de borracha. A situação transformou a região em um espaço de guerra, conforme o jornal mostrou em uma série de imagens registradas.

Dário foi levado à Santa Casa, sendo atendido no pronto socorro. O profissional passa bem e não corre risco de vida. Ainda não há previsão de alta.

No caso de Chello, o celular acabou salvando o repórter fotográfico de um acidente pior. É isso que conta a Folha ao noticiar que o profissional também foi baleado na coxa direita. O tiro atravessou a calça e o celular. O aparelho ficou destruído, mas impediu que o freelancer se machucasse.

Procurada, a SSP disse que “nenhum disparo de arma de fogo foi feito pela PM na manhã desta quinta-feira na Cracolândia”. “Seis tiros foram ouvidos pelos agentes que estavam no local. Um policial foi ferido de raspão por um disparo de arma de fogo.”

Segundo o comunicado, policiais do patrulhamento de área realizavam uma abordagem, na Rua Helvétia com a Rua Dino Bueno, quando cerca de 300 pessoas se aglomeraram e começaram a atear fogo em lixo, arremessar pedras e outros objetos contra os agentes. “A polícia agiu para conter a confusão e foi solicitado apoio da Força Tática e da GCM.”

Segundo a SSP, “um policial foi ferido de raspão por um disparo de arma de fogo e um escudo da PM também foi atingido por um projétil, ferindo o agente que o empunhava”. Outros três policiais militares do Corpo de Bombeiros ficaram feridos”. A imagem do escudo perfurado foi divulgada pela PM.

A ação

Policiais militares da Força Tática avançaram sobre usuários de drogas na Cracolândia. Segundo o SPTV, os policiais perfilados com escudos jogaram bombas de gás e dispararam balas de borracha nos usuários de droga, que revidaram com pedras e outros objetos. Eles também atearam fogo a cones, cadeiras e entulho que formavam uma barricada no meio da Rua Helvétia.

Guardas-civis que também participam da ação apagaram o fogo da barricada enquanto os usuários seguiam jogando pedras.

Por volta de 14h, um grupo de policiais que estava numa esquina fazendo contenção recuou, e houve bate-boca entre eles e frequentadores da Cracolândia. Foram feitos, então, novos disparos de bombas de efeito moral e de balas de borracha.

A secretária municipal de Desenvolvimento Social, Soninha Francine, publicou no microblog Twitter mensagem no qual critica a ação da polícia. “Inadmissível a Policia tacar bombas dentro da Tenda Helvetia. Seja qual for o fato que motivou a entrada da PM, a ação em si foi absurda”, tuitou Soninha.

Às 15h, com a situação mais tranquila, moradores da região e policiais conversaram entre si e os PMs ficaram na esquina da Helvétia com a Rio Branco.

Em nota, a Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Cidadania afirma que está apurando as denúncias de violações de direitos durante a ação.

O texto diz ainda que a equipe da Secretaria esteve no local durante a operação e colheu relatos de usuários e funcionários. Bombas de gás foram lançadas na Tenda de Braços Abertos, durante a ação.

“Qualquer denúncia a respeito do ocorrido pode ser encaminhada ao Balcão de Atendimento da Secretaria de Direitos Humanos, que aciona os órgãos competentes e acompanha o andamento do processo. O balcão fica na avenida Líbero Badaró, 119, no centro de São Paulo. A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania repudia toda e qualquer ação em que haja violação de direitos.”

O 77º Distrito Policial está registrando a ocorrência e vai investigar o caso. Dois homens foram detidos por agressão contra a tropa da PM.

(Com a ABI)

Smurfs se juntam à ONU na promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

                                                                    
                                                                                       Rádio ONU - Divulgação

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Fundação ONU acabam de lançar uma campanha com os alegres personagens de desenho animado Smurfs, visando incentivar crianças, jovens e adultos a conhecer e divulgar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) propostos pelas Nações Unidas. Segundo a iniciativa da ONU, já assumida por várias nações, os ODS devem ser implementados por todos os países do mundo até 2030.

A iniciativa, chamada "Pequenos Smurfs, Grandes Objetivos", busca promover um mundo mais alegre, pacífico e equitativo. O vídeo da campanha vai tentar inspirar as pessoas a promover a Agenda 2030, como os ODSs também são chamados, e tem entre suas metas acabar com a pobreza extrema, proteger o planeta e dar a todos a chance de viver em paz e prosperidade.

O público em geral pode se juntar à campanha pelo site http://www.smallsmurfsbiggoals.com/. A página está disponível em diversas línguas, inclusive o português. O site traz diversos vídeos com os Smurfs e um teste para crianças que começa com a pergunta: “O Que Você Acha que Faz a Vila dos Smurfs Ser um Lugar tão Feliz?” 

Entre as respostas estão: Não há pobreza nem fome, há igualdade, justiça e amizade, água limpa, ambiente saudável e emprego decente. As crianças adoram navegar pelo site com os pequenos Smurfs brincando, cantando e dançando.

Segundo o diretor do Programa de Divulgação da ONU, Maher Nasser, a indústria do entretenimento mexe com o sentimento das pessoas de todas as idades e muito especialmente com as crianças. No mês que vem, os Smurfs vão participar de um evento na sede da ONU em Nova Iorque para homenagear jovens que estejam agindo em suas comunidades para alcançar os ODSs.

Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são:

1) Erradicar a pobreza: Até o ano de 2030, a ONU pretende acabar com a pobreza extrema (pessoas que vivem com menos de 1,25 dólares por dia) em todos os países do mundo, implementando em nível nacional um sistema de proteção social.

2) Erradicar a fome: Acabar com a fome em todos os países, garantindo o acesso à comida de qualidade e nutritiva, em quantidade suficiente, principalmente para os mais vulneráveis.

3) Saúde de qualidade: A ONU pretende reduzir a mortalidade materna global para menos de 70 mortes a cada 100.000 vivos. Além disso, a medida pretende reduzir as mortes infantis, evitáveis, causadas pelo trânsito, violência ou doenças.

4) Educação de qualidade: Garantir que, tanto meninos quanto meninas tenham acesso à educação livre, equitativa e de qualidade, que proporcione uma vida melhor.

5) Igualdade de gênero: Acabar com todos os tipos de discriminação contra meninas e mulheres, garantir seus direitos e terminar com a violência contra esse grupo.

6) Água potável e saneamento: Garantir o acesso à água potável e segura para todos, além disso dar saneamento básico e higiene para todos, especialmente para os grupos mais vulneráveis.

7) Energias renováveis e acessíveis: Visa facilitar o acesso fácil e barato para energias renováveis e incentivar seu uso na matriz energética global.

8) Trabalho digno e crescimento econômico: Meta que visa incentivar o crescimento econômico dos países (pelo menos 7% do PIB ao ano) através do oferecimento de trabalho digno para as populações.

9) Indústria, inovação e infraestruturas: Visa fomentar a inovação tecnológica e o aumento da infraestrutura, principalmente nos países mais pobres, visando apoiar a população e o desenvolvimento econômico.

10) Reduzir as desigualdades: O objetivo é promover a inclusão social e econômica de todos os grupos discriminados, para alcançar a igualdade.

11) Cidades e comunidades sustentáveis: A ONU busca garantir a todos o acesso à moradia e ao transporte digno, seguro e barato, de forma sustentável.

12) Produção e consumo sustentáveis: Visa a implementação de um Plano Decenal de produção e consumo sustentáveis, com a liderança dos países mais desenvolvidos.

13) Ação climática: Busca preparar melhor os países para desastres climáticos, com o intuito de salvaguardar a vida das pessoas.

14) Proteger a vida marinha: Essa meta busca reduzir a poluição dos mares e manter o equilíbrio biológico da vida marinha.

15) Proteger a vida terrestre: Busca a recuperação e o uso sustentável dos diversos ecossistemas, buscando sempre a preservação da vida e do equilíbrio biológico.

16) Paz, justiça e instituições eficazes: Meta que pretende reduzir todas as formas de violência, dar auxílio para grupos oprimidos, reduzir as guerras e conflitos e dar justiça para todos os povos.

17) Parcerias para implementação dos objetivos: A última meta visa fortalecer a mobilização de recursos materiais e humanos pelos diversos governos colaboradores para cumprir as metas apresentadas.

(Com a Agência Brasil)

As ligações de Trump com o passado e a ressurreição da esquerda

                                          

"O presidente Trump está profundamente entranhado na estrutura do estado profundo do imperialismo americano. Apesar de ocasionais referências à não intervenção em guerras além-mar, Trump tem seguido as pegadas dos seus antecessores."


James Petras   

Um dos aspectos mais significativos do momento actual é a evidência da agudização de fracturas internas nas principais potências imperialistas, nomeadamente nos EUA e na UE. Num quadro em que emergem novos perigos, emergem e tomam a iniciativa também forças sãs, populares e democráticas. A classe dominante gerou um mundo desumano e insuportável, cujos principais dirigentes são figuras repelentes. A luta de classes intensifica-se.

Introdução

O presidente Trump está profundamente entranhado na estrutura do estado profundo do imperialismo americano. Apesar de ocasionais referências à não intervenção em guerras além-mar, Trump tem seguido as pegadas dos seus antecessores.

Enquanto neoconservadores e liberais têm levantado um alarido acerca dos laços de Trump com a Rússia, as suas “heresias” relativamente à NATO e as suas aberturas para a paz no Médio Oriente, ele tem na prática descartado o seu imperialismo “humanitário de mercado” e tem-se empenhado nas mesmas políticas belicosas da sua rival presidencial do Partido Democrata, Hillary Clinton.

Uma vez que lhe falta a ardilosa “demagogia” do ex-presidente Obama e não recobre as suas acções com apelos baratos a políticas “de identidade”, os pronunciamentos toscos e abrasivos de Trump levam jovens manifestantes às ruas em acções de massa. 

Estas manifestações são não muito discretamente apoiadas pelos principais oponentes de Trump entre os banqueiros da Wall Street, especuladores e magnatas dos mass media. Por outras palavras, o presidente Trump é um homem que abraça e segue os ícones estabelecidos e não um “revolucionário” ou mesmo um “agente de mudança”.

Prosseguiremos, discutindo a trajectória histórica que originou o regime Trump. Identificaremos políticas e compromissos anteriores que determinam a orientação presente e futura da sua administração.

Concluiremos identificando como a reacção actual pode produzir transformações futuras. Contestaremo o actual delírio catastrofista e apocalíptico e apresentaremos razões para uma perspectiva optimista do futuro. Em suma, este ensaio indicará como tendências negativas actuais podem tornar-se realisticamente positivas.

Sequências históricas

Ao longo das últimas duas décadas presidentes dos EUA desbarataram os recursos financeiros e militares do país em múltiplas guerras intermináveis e perdedoras, bem como em milhões de milhões (trillion) de dólares de dívidas comerciais e desequilíbrios orçamentais. 

Líderes dos EUA enlouqueceram provocando grandes crises financeiras globais, levando à bancarrotas os maiores bancos, destruindo pequenos possuidores de hipotecas, devastando a indústria manufactureira e criando desemprego maciço a que se seguiu o emprego precário e mal pago que levou ao colapso os padrões de vida da classe trabalhadora e dos extractos baixos da classe média.

Guerras imperiais, bail-outs (salvamentos) de milhões de milhões de dólares para os bilionários e fuga sem peias de corporações multinacionais para o exterior aprofundaram amplamente as desigualdades de classe e deram origem a acordos comerciais favorecendo a China, Alemanha e México. Dentro dos EUA, os maiores beneficiários destas crises têm sido os banqueiros, bilionários da alta tecnologia, importadores comerciais e exportadores do agro-negócio.
                                                            
Confrontados com crises sistémicas, os regimes dominantes responderam com o aprofundamento e expansão dos poderes dos presidentes dos EUA sob a forma de decretos presidenciais. Para encobrir a longa série de derrocadas, denunciantes patriotas foram encarcerados e a vigilância estilo estado-policial infiltrou-se em todas as áreas da cidadania.

Os presidentes Bush, Clinton e Obama definiram a trajectória das guerras imperiais e da pilhagem da Wall Street. A polícia estadual, as instituições militares e financeiras estão firmemente incorporadas na matriz do poder.

Centros financeiros, como Goldman Sachs, têm reiteradamente estabelecido a agenda e controlado o Departamento do Tesouro dos EUA e as agências que regulam o comércio e a banca. As “instituições permanentes” do estado permaneceram, enquanto presidentes, pouco importando de que partido, foram baralhados e descartado no “Gabinete Oval”.

O “Primeiro Negro” presidente Barack Obama prometeu paz e empreendeu sete guerras. O seu sucessor, Donald Trump, foi eleito com promessas de “não-intervenção” e imediatamente adoptou o “bastão de bombardeamento” de Obama: o minúsculo Iémen foi atacado pelas forças dos EUA; aliados da Rússia na região do Donbass da Ucrânia foram atacados com selvajaria pelos aliados de Washington em Kiev e o “mais realista” representante de Trump, Nikki Haley, adoptou uma atitude belicosa na ONU ao estilo da “Madame Intervenção Humanitária” Samantha Power, zurrando invectivas contra a Rússia.

Onde está a mudança? Trump seguiu Obama ao aumentar sanções contra a Rússia, enquanto ameaça a Coreia do Norte com aniquilação nuclear no seguimento da grande concentração militar acumulada por Obama na península coreana. Obama lançou uma guerra por procuração contra a Síria e Trump escalou a guerra aérea sobre Raqqa.

Obama cercou a China com bases militares, navios e aviões de guerra e Trump prosseguiu em passo de ganso com retórica belicista. Obama expulsou um recorde de dois milhões de trabalhadores mexicanos ao longo de oito anos; Trump seguiu-o ao prometer deportar ainda mais.

Por outras palavras, o presidente Trump juntou-se obedientemente à marcha seguindo a trajectória dos seus antecessores, bombardeando os mesmos países alvos enquanto plagia os seus maníacos discursos nas Nações Unidas.

Obama aumentou o tributo anual (ajuda) a Tel Aviv para uns entusiásticos US$3,8 mil milhões enquanto balia umas poucas críticas pro-forma acerca da expansão israelense sobre terras palestinas usurpadas; Trump propôs deslocar a Embaixada dos EUA para Jerusalém enquanto choramingava algumas das suas próprias mini-críticas aos colonatos judeus ilegais em terras roubadas aos palestinos.

O que é esmagadoramente gritante é a semelhança das políticas e estratégias de Obama e de Trump em política externa, seus meios e aliados. O que é diferente é o estilo e a retórica. Ambos os presidentes “Agentes de mudança” romperam de imediatato as mesmas falsas promessas pré-eleitorais e funcionam bem dentro dos limites das instituições permanentes do estado.

Quaisquer que sejam as diferenças que existam elas são resultado de contextos históricos contrastantes. Obama assumiu no momento do colapso do sistema financeiro e procurou regular os bancos a fim de estabilizar operações. 

Trump assumiu após a “estabilização” de um trilião de dólares de Obama e procura eliminar regulações – nas pegadas do presidente Clinton! Assim, “demasiado barulho” [para nada] sobre a “desregulação histórica” de Trump!

O “Inverno do descontentamento” sob a forma de protestos em massa contra a proibição de Trump a imigrantes e visitantes de sete países predominantemente muçulmanos segue-se directamente às “sete guerras mortais” de Obama. 

Os imigrantes e refugiados são resultados directos das invasões e ataques de Obama a estes países que levaram a assassinatos, mutilações, deslocação forçada e desgraça para milhões de “predominantemente” (mas não exclusivamente) de muçulmanos. 

As guerras de Obama criaram dezenas de milhares de “rebeldes”, insurgentes e terroristas. Os refugiados, que fogem para salvar a vida, foram amplamente excluídos dos EUA sob Obama e a maior parte tem procurado abrigo nos campos imundos e caóticos da UE.

Por terrível e ilegal que seja o encerramento da fronteira a muçulmanos decretado por Trump e por esperançosos que pareçam os protestos públicos em massa, ambos resultam da política de assassínio e agressão de quase uma década sob o presidente Obama.

Seguindo a trajectória da política - Obama derramou o sangue e Trump, no seu tosco estilo racista, tem a tarefa de “limpar os estragos”. Enquanto Obama foi agraciado com um “Prémio Nobel da Paz”, o resmungante Trump é fortemente atacado por empunhar a esfregona suja de sangue!

Trump optou por pisar o caminho do opróbrio e enfrenta a cólera do purgatório. Enquanto isso, Obama está a jogar golf, a surfar ao vento e a exibir o seu sorriso despreocupado aos escrevinhadores que o adoram nos mass media.

Enquanto Trump avança às patadas no caminho preparado por Obama, centenas de milhares de manifestantes enchem as ruas para protestar contra o “fascista”, com grande número das principais redes de mass media, dúzias de plutocratas e “intelectuais” de todos os géneros, raças e credos a retorcerem-se moralmente ultrajados! 

Fica-se confuso com o silêncio ensurdecedor destes mesmos activistas e forças quando as guerras agressivas e ataques de Obama levaram à morte e deslocação de milhões de civis, principalmente muçulmanos e principalmente mulheres – quando seus lares, festas de casamento, mercados, escolas e funerais foram bombardeados.

É assim o confusionismo americano! Dever-se-ia tentar entender as possibilidades que emergem de um sector maciço finalmente a romper seu silêncio quando o belicismo do loquaz Obama se transformou na marcha bruta de Trump para o dia do juízo final.

Perspectivas optimistas

Há muitos que desesperam mas há mais que se tornaram conscientes. Identificaremos as perspectivas optimistas e as esperanças realistas enraizadas nas actuais realidade e tendências. Realismo significa discutir desenvolvimentos contraditórios e polarizadores e portanto não aceitamos quaisquer resultados “inevitáveis”. Isto significa que resultados são “terreno contestado” onde factores subjectivos desempenham um papel importante. A interface de forças em conflito pode resultar numa espiral ascendente ou descendente – rumo a maior igualdade, soberania e libertação ou maior concentração de riqueza, poder e privilégio.

A mais retrógrada concentração de poder e riqueza encontra-se na oligárquica União Europeia de dominação alemã – uma configuração que está sob assédio por parte de forças populares. Os eleitores do Reino Unido optaram por sair da UE (Brexit). Em consequência, a Grã-Bretanha enfrenta uma ruptura com a Escócia e Gales e uma ainda maior separação da Irlanda. 

O Brexit levará a uma nova polarização quando banqueiros com base em Londres partirem para a UE e líderes do mercado livre confrontarem trabalhadores, proteccionistas e a massa crescente dos pobres. O Brexit fortalece forças nacionalistas-populistas e de esquerda na França, Polónia, Hungria e Sérvia e estilhaça a hegemonia neoliberal na Itália, Espanha, Grécia, Portugal e alhures. 

O desafio aos oligarcas da UE é que a insurgência popular intensificará a polarização social e pode trazer à tona movimentos de classe progressistas ou partidos ou movimentos autoritários-nacionalistas.

A ascensão de Trump ao poder e seus decretos executivos conduziu a uma elevada polarização dos eleitorados, aumentou a politização e a acção directa. O despertar da América aprofunda fissuras internas entre democratas com “d” minúsculo, mulheres progressistas, sindicalistas, estudantes e outros contra os oportunistas do Partido Democrata com “D” maiúsculo, especuladores, antigos belicistas Democratas, burgueses negros do Partido “D” (os líderes extraviados) e um pequeno exército de ONG’s financiadas pelas grandes empresas.

O abraço de Trump à agenda militar Obama-Clinton e da Wall Street conduzirá a uma bolha financeira, gastos militares empolados e mais guerras dispendiosas. Isto dividirá o regime dos seus apoiantes sindicais e da classe trabalhadora agora que o gabinete de Trump é composto inteiramente de bilionários, ideólogos, sionistas raivosos e militaristas (em oposição à sua promessa de nomear homens de negócios e realistas duros na negociação). Isto poderia criar uma valiosa oportunidade para a ascensão de movimentos que rejeitam a verdadeiramente feia cara do reaccionário regime de Trump.

A animosidade de Trump à NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) e a defesa do proteccionismo e da exploração financeira e de recursos minará os regimes corruptos, assassinos e narco-liberais que têm dominado o México durante os últimos 30 anos desde o tempo de Salinas.

A política anti-imigração de Trump levará mexicanos a escolherem “combater em vez de fugir” ao confrontar o caos social criado pelos narco-gangs e a polícia criminosa. Isto forçará o desenvolvimento do mercado interno e a indústria do México. O consumo e a propriedade de massa interna abarcará movimentos nacionais-populares. O cartel da droga e seus patrocinadores políticos perderão os mercados estado-unidenses e enfrentarão oposição interna.

O protecionismo de Trump limitará o fluxo ilegal de capital a partir do México, que ascendeu a US$48,3 mil milhões em 2016, ou 55% da dívida do México. A transição do México da dependência e do neocolonialismo polarizará profundamente o estado e a sociedade; o resultado será determinado pelas forças de classe.

As ameaças económicas e militares de Trump contra o Irão fortalecerão forças nacionalistas, populistas e colectivistas em relação a políticos neoliberais “reformistas” e pró ocidentais. A aliança anti-imperialista do Irão com o Iémen, Síria e Líbano consolidar-se-á contra o quarteto conduzido pelos EUA da Arábia Saudita, Israel, Grã-Bretanha e EUA.

O apoio de Trump à apropriação maciça de terra palestina por Israel e sua proibição “só judeus” contra muçulmanos e cristãos levará ao sacudir dos quislings multi-milionários da Autoridade Palestina e a ascensão de muitos mais levantamentos e intifadas.

A derrota do ISIS fortalecerá forças governamentais independentes no Iraque, Síria e Líbano, enfraquecendo a alavancagem imperial dos EUA e abrindo a porta a lutas populares democráticas e laicas.

A campanha anti-corrupção em grande escala e a longo prazo do presidente da China, Xi Jinping, levou à prisão e remoção de mais de um quarto de milhão de responsáveis e homens de negócios, incluindo bilionários e líderes de topo do Partido. 

As prisões, processos e encarceramentos reduziram o abuso do privilégio mas, mais importante, melhoraram as perspectivas para um movimento que ponha em causa as vastas desigualdades sociais. Aquilo que começou “de cima” pode provocar movimentos “a partir de baixo”. O ressuscitar de um movimento no sentido de valores socialistas pode ter um grande impacto sobre estados asiáticos vassalos dos EUA.

O apoio da Rússia a direitos democráticos no Leste da Ucrânia e a reincorporação da Crimeia através de referendo pode limitar regimes fantoches dos EUA no flanco sul da Rússia e reduzir a intervenção estado-unidense. A Rússia pode desenvolver laços pacíficos com estados europeus independentes com a ruptura na UE e a vitória eleitoral de Trump superando a ameaça de guerra nuclear do regime Obama-Clinton.

O movimento à escala mundial contra o globalismo imperialista isola a direita apoiada pelos EUA que tomou poder na América do Sul. A procura de pactos comerciais neoliberais por parte do Brasil, Argentina e Chile está na defensiva. As suas economias, especialmente na Argentina e Brasil, assistiram a um triplica do desemprego, um quadruplicar da dívida externa, crescimento de estagnado a negativo e enfrentam agora greves gerais com apoio de massa. O coaxar do neoliberalismo está a provocar lutas de classe. Isto pode derrubar a ordem pós Obama na América Latina.

Conclusão

Por todo o mundo e no interior dos países mais importantes, a ordem ultra-neoliberal do último quarto de século está em desintegração. Há um ascenso maciço de movimentos a partir de cima e de baixo, de democratas de esquerda a nacionalistas, de populistas independentes a reaccionários da “velha guarda” da direita. Emergiu um universo polarizado e fragmentado. 

O começo do fim da actual ordem imperial-globalista está a criar oportunidades para uma nova ordem democrático-colectivista dinâmica. Os oligarcas e as elites da “segurança” não cederão facilmente a exigências populares nem se afastarão. Facas serão afiadas, decretos executivos avançarão e golpes eleitorais serão encenados para tentar tomar poder. 

Os movimentos democrático-populares emergentes precisam de ultrapassar a identidade fragmentária e estabelecer líderes unificados e igualitários que possam actuar de forma decisiva e independente em relação aos líderes políticos existentes que fazem gestos progressistas dramáticos, mas falsos, enquanto procuram um retorno ao fedor e imundície do passado recente.
09/Fevereiro/2017

O original encontra-se em http://petras.lahaine.org/?p=2127

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . Tradução revista por odiario.info

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

De volta às ruas


Bancada ruralista indica e emplaca ministro da Justiça

                                                                         
                                                      Crédito da foto: Zeca Ribeiro 

O deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), membro das bancadas ruralista e evangélica, será o novo ministro da Justiça. Ele chamou atenção em 2015, ao protagonizar a luta contra as demarcações de terras indígenas: foi relator da PEC 215 na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. A PEC transfere do Executivo para o Legislativo a palavra final sobre demarcações de terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação.

Desde 1973, quando o Estatuto do Índio entrou em vigor, apenas o poder Executivo, junto aos seus órgãos técnicos, pode decidir sobre demarcações indígenas. Por isso a proposta é considerada por indigenistas e ambientalistas como uma das maiores ameaças, nos últimos anos, contra os povos tradicionais.

Quando a PEC 215 foi apresentada por Almir Sá (PPB-RR), em 2000, já era considerada inconstitucional, por ferir a separação entre os poderes da República. O substitutivo apresentado por Serraglio e aprovado em 27 de outubro de 2015 é considerado ainda mais agressivo, por inviabilizar novas demarcações e criar insegurança para as áreas já demarcadas.

Esse ponto polêmico ficou conhecido como “marco temporal”, e determina que os índios só terão direito à terra que ocupavam desde 1988. A PEC aguarda votação, atualmente, na Câmara – onde Serraglio foi eleito deputado, pela primeira vez, em 1998. Ele foi reeleito nas últimas quatro eleições.

Apoio da Frente Agropecuária

A bancada ruralista declarou abertamente apoio à indicação de Serraglio para o ministério. O grupo postou anteontem, o seguinte recado para os jornais Estadão, Valor e para a revista Globo Rural: “Deputado @serragliopmdb é o nome indicado p/ bancada ruralista p/ Ministério @JusticaGovBR“.

O grupo – composto por pelo menos 220 parlamentares – foi decisivo para o impeachment de Dilma Rousseff e chegada ao poder de Michel Temer e sua trupe de ministros ruralistas. E também apoiou a indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal.

Osmar Serraglio declarou ao Tribunal Superior Eleitoral, em 2014, um patrimônio de R$ 5,4 milhões. Os bens mais valiosos estão ligados ao mercado imobiliário. Imóveis rurais, ele declarou dois. Um de 24 hectares em Nova Prata do Iguaçu (PR), por R$ 5.966,54, e outro em Umuarama (PR), que ele possui desde 1976, por R$ 409, 20. Em 1997 o deputado possuía R$ 704 mil.

A maior doação feita legalmente para Serraglio, em 2014, foi do frigorífico JBS, com um aporte de R$ 200 mil. Da maior exportadora brasileira de açúcar e etanol, a Copersucar, o deputado recebeu R$ 100 mil.

Ao lado dos deputados Nilson Leitão (PSDB-MS), Alceu Moreira (PMDB-RS), Valdir Colatto (PMDB-RS) e Tereza Cristina (PSB-MS), Serraglio foi um dos responsáveis pela recriação, no fim de 2016, da CPI da Funai e do Incra A CPI visa amedrontar, com quebra de sigilos, entidades que apoiam a luta indigenista.

O deputado paranaense também ficou conhecido por defender o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no ano passado, ao pautar recursos que poderiam anular o processo contra seu aliado no Conselho de Ética. Quando Cunha foi finalmente preso, Serraglio lamentou: “É a queda da República!”
 
(Com o Conselho Indigenista Missionário)

Cuba advoga na ONU por pleno respeito à Carta da organização

                                                     
A Ilha caribenha defendeu, em 21 de fevereiro, o respeito à Carta das Nações Unidas, que advoga pela paz e a cooperação sobre a base da igualdade soberana dos Estados, bem como a não ingerência em seus assuntos internos.

Em uma sessão do Comitê Especial da Carta, a diplomata Tanieris Diéguez destacou o compromisso da Ilha com este documento e a importância de fortalecer o papel reitor da Assembleia Geral em sua qualidade de principal órgão normativo, de deliberação, adoção de políticas e representação da ONU.

A funcionária cubana rechaçou qualquer tentativa de reinterpretar os princípios e propósitos da Carta, encaminhada a fomentar agendas políticas de intervencionismo e ingerência, em detrimento da integridade e a soberania dos países em desenvolvimento.

Relativamente ao Comitê Especial, reconheceu seu trabalho em prol de fortalecer o papel da organização e insistiu em que deve estar aberto ao debate inclusivo e transparente das propostas com implicações para o cumprimento e a implementação da Carta, assinada em junho de 1945 em São Francisco, Estados Unidos.

Diéguez criticou ainda, no fórum, ações de alguns países destinadas a obstaculizar o trabalho do Comitê.

Cuba opõe-se às tentativas de reduzir o desempenho do Comitê e sua agenda, e alenta a as delegações de outros países a apresentar propostas substantivas e participar de forma construtiva nos debates, sublinhou a diplomata da Ilha.

(Com o Granma)

Jornalistas ficam de fora da Lei do Piso Regional do Rio

                                                             
                                                                                                  Agência O Globo

O Projeto de lei 2.344/17, que reajusta em 8% o piso regional, foi votado na última terça-feira, 21, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A norma, com efeito retroativo a 1º de janeiro, altera o salário de mais de 170 categorias de trabalhadores da iniciativa privada. Com isso, as seis faixas salariais terão valores entre R$ 1.136,53 e R$ 2.899,79. O texto segue agora para sanção do governador Luiz Fernando Pezão.

A área jornalística tentou fazer parte da lei, mas não conseguiu. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro informa que a proposta foi rejeitada por 32 votos a 21.

A emenda previa a inclusão dos jornalistas na faixa VI (Faixa Salarial), que teve reajuste aprovado em R$2.899,79 e conta com categorias como contadores, psicólogos, fisioterapeutas, sociólogo, assistentes sociais, biólogos, nutricionistas, bibliotecários e enfermeiros.

O G1 noticia que o deputado Paulo Melo (PMDB) afirmou que votou contra pois já há um acordo coletivo para o salário base dos profissionais de imprensa. “A legislação federal é clara quando diz que o piso regional só deve ser criado quando não há esse acordo.”

Autor da emenda, o deputado Paulo Ramos (PSOL) defendeu a inclusão. Segundo ele, seria importante para que os profissionais não fiquem limitados diante da classe patronal. “Esse é um direito que pode ser garantido aos jornalistas, para que de fato eles tenham a chamada liberdade de imprensa”.

O Portal Comunique-se destacou que o sindicato considera que a decisão se trata de “se curvar aos interesses das empresas jornalísticas”.

“O resultado da votação mostra que a maioria dos deputados se curvou aos interesses das empresas jornalísticas. Em plenário, a justificativa era que a inclusão dos jornalistas na lei causaria prejuízos e falências de rádios e jornais do interior do Estado. 

Vale lembrar que, em muitos casos, os donos desses veículos de comunicação são políticos e seus aliados. Ou seja, para atender a interesses corporativos e escusos, nega-se um direito básico a toda uma categoria profissional. Uma vergonha!”, escreveu a entidade.

A Campanha Salarial 2017 para jornalistas de Rádio e TV e Jornais e Revistas está em andamento e o piso salarial é uma das cláusulas que está em negociação com as empresas.

(Com a ABI)

Indígenas denunciam extração ilegal de madeira em Rondônia

                                                                
Graziele Bezerra

Índios da etnia Uru Eu Wau Wau, de Rondônia, denunciam a atuação de madeireiros e grileiros na terra indígena, que fica em Campo Novo de Rondônia, a 304 quilômetros de Porto Velho.

Segundo os indígenas, os invasores estão extraindo madeira ilegalmente e loteando a reserva. A liderança José Luís Kassupá diz que o problema se repete em diversas terras indígenas no estado.

Na última semana, cerca de 30 homens foram expulsos do local pelos índios. Dois deles chegaram a ficar em poder dos indígenas, mas já foram liberados.

Em nota a Funai informou que foi acionada, junto com a Polícia Federal, o Ibama e o ICMBio para evitar possíveis confrontos entre indígenas da Terra Indígena Uru Eu Wau Wau e invasores.

A Funai está fazendo levantamento do tamanho da área invadida naquela reserva e a quantidade de invasores que estão envolvidos no ato.

(Com a Agência Brasil)

Mais armas, mais segurança?

Moro/Rebelión

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

‘Cinquenta Tons mais Escuros ' com mais humor

                                                               

Autora E.L. James e o diretor James Foley revelam 
“negociações” para dar sequência a história de Anastasia Steele

Diz o ditado que não se mexe em time que está ganhando. Mas ele não foi seguido pelos produtores de “Cinquenta Tons de Cinza”, adaptação do primeiro livro da trilogia de E.L. James, com um orçamento estimado em US$ 40 milhões e que arrecadou mais de US$ 517 milhões no mundo inteiro.

A roteirista Kelly Marcel foi substituída por Niall Leonard, o marido da autora, uma manobra que não significou mais controle por parte dela, segundo a própria. “Todo mundo diz isso, mas não conhecem meu marido!”, afirmou. “Ele viveu com o material desde que eu comecei a escrever, em 2009, então o entendia muito”.

No segundo filme, Anastasia Steele (Dakota Johnson) e o problemático milionário Christian Grey (Jamie Dornan) reatam seu relacionamento, rompido depois de ela descobrir que o interesse do parceiro por sexo envolvendo sadismo, dominação e masoquismo ia além do que podia suportar. Os dois agora enfrentam uma série de ameaças externas, como uma ex-namorada obcecada e o emprego novo de Ana.

A diretora Sam Taylor-Johnson também saiu, o que abriu caminho para algumas mudanças implementadas por James Foley, mais conhecido por seu trabalho em séries como “House of Cards”. Ele não esconde suas críticas à primeira parte da trilogia cinematográfica.

“Queria mudar algumas coisas no design de produção, que fosse algo mais sensual, incluindo os materiais das paredes nos cenários, o carpete, as roupas”, disse. “Não dava para alterar tudo porque o apartamento de Christian Grey já era bem conhecido, então foram sutis. Mas mudamos uma escada que eu achava muito feia”.

Ele colocou a história mais no mundo real, levando os personagens para as ruas. Foley também procurou usar o humor que considera inerente ao material original. “Certas situações eram muito engraçadas”, lembrou. Isso ajudou nas famosas cenas de sexo. “Dakota e Jamie riem o tempo todo. Fiquei feliz. Imagino como deve ser fazer uma cena de sexo entre dois atores que se odeiam”, afirmou. Só para relembrar, no primeiro filme, a falta de química entre os dois foi muito criticada. Se havia, não existe mais, ou pelo menos não é mais evidente.

A visão do diretor sobre os livros acabaram transformando também as cenas de sexo. “As do primeiro filme não eram satisfatórias para mim”, disse Foley. “Os encontros sexuais eram frios, gélidos, sem emoção em ‘Cinquenta Tons de Cinza’. Eram muito sérios. Achei que, conforme duas pessoas se conhecem, amadurecem e ficam mais confortáveis na presença do outro, o humor tinha de aparecer”, contou.

O diretor afirmou ter sido fácil trabalhar com E.L. James, que atua como produtora. “Eu me senti totalmente livre para fazer o que achava certo”, lembrou. “E ela foi muito respeitosa. De vez em quando, vinha me sussurrar algo no ouvido sobre coisas favoritas dos fãs. Se fazia sentido no filme, eu incorporava. Se não, tudo bem.”

No começo do processo de “Cinquenta Tons Mais Escuros” e da última parte da trilogia, “Cinquenta Tons de Liberdade”, que foram rodados ao mesmo tempo, a escritora fez um pedido simples a Foley: “Vamos nos divertir”. E aconteceu, segundo ela. Esse também é o espírito dos livros, afinal.

“Só quero entreter. Não tenho mensagem”. A pressão de fazer o primeiro filme passou. “Agora, a cobrança é para repetir o sucesso”, garantiu James. O que significa conferir se as mudanças agradaram aos fãs. 

(Com O Tempo

Anistia Internacional alerta sobre as violações de direitos humanos no Brasil


                                                                   
                                                                           Fernando Frazão/Agência Brasil

O relatório chama a atenção para violações como os assassinatos de 47 defensores de direitos humanos no campo

Em abril de 2016, o assassinato do menino Maicon, de dois anos de idade, na favela do Acari, no Rio de janeiro, completou 20 anos. Nessas duas décadas, o pai do menino, seu José Luís da Silva, luta por Justiça.

"Dia 15 de abril agora fazem 21 anos. E eu vou para a porta do Ministério Público há 20 anos, e nunca tive resposta, nunca foi resolvido esse crime do Maicon", afirma.

No ano passado, o crime prescreveu, sem punição aos responsáveis. Esse é um dos casos de execuções extrajudiciais apresentados no capítulo referente ao Brasil do relatório anual O Estado dos Direitos Humanos no Mundo 2016-2017, divulgado pela Anistia Internacional.

Um dos pontos destacados no documento é a crise política e econômica nacional, como aponta a diretora da Anistia no Brasil, Jurema Werneck.

"Essas crises, infelizmente, bloquearam as possibilidades do país de enfrentar as graves violações de direitos humanos que a gente está sofrendo. Essas crises terminaram por ofuscar a necessidade e a capacidade do Brasil enfrentar as violações que o país vem sofrendo. 

Mas para nós, da Anistia Internacional, nenhuma crise pode ser usada como justificativa para se derrubar direitos, para se desrespeitar os direitos humanos", aponta.

O relatório chama a atenção para as violações ocorridas no Brasil, como os assassinatos de 47 defensores de direitos humanos no campo e lideranças rurais em decorrência de conflitos por terra, repressões a manifestações sociais e o elevado número de homicídios no Brasil, com 60 mil por ano.

Para a organização social, o Estado brasileiro segue falhando no papel de garantir o direito à vida ao não apresentar um plano para a redução de prevenção de assassinatos e ao ser responsável por homicídios durante ações policiais.

A assessora de Direitos Humanos da Anistia no Brasil, Renata Nader, cita algumas demandas da organização ao Estado brasileiro.

"É fundamental que as autoridades adotem, imediatamente, um plano nacional de redução de homicídios, que deve envolver uma política específica para redução de homicídios entre jovens negros, que são os principais grupos afetados; que signifique um maior controle de armas de fogo, porque a maior parte dos crimes no Brasil é cometida por armas de fogo; e que tenha medidas e metas específicas para redução dos homicídios pela polícia, porque os homicídios pela polícia têm aumentado no país e eles respondem por parte significativa dos homicídios", declara.

O relatório da Anistia Internacional apresenta ainda um panorama dos direitos humanos de outros 158 países, como a morte da ativista de direitos humanos Berta Cáceres, em Honduras; as execuções extrajudiciais nas Filipinas após a política de guerra às drogas; e o discurso de ódio durante a campanha eleitoral presidencial nos Estados Unidos.

(Com a Agência Brasil)

Olinda dá o tom no carnaval de Pernambuco a partir de quinta

                                                                          
                                                                                                    TV Brasil

A histórica cidade de Olinda abre oficialmente, nesta quinta-feira (23), um dos maiores carnavais de rua do Brasil: o pernambucano. E o carnaval local já começa com uma novidade: pela primeira vez se juntam, em um mesmo cortejo, blocos tradicionais olindenses - como Vassourinhas, Homem da Meia-Noite, Lenhadores, Escola de Samba Preto Velho e Piaba de Ouro - e uma representação do Galo da Madrugada, maior bloco carnavalesco do Recife. O desfile sai do Largo do Amparo, a partir das 16h, e termina na sede da prefeitura, onde Alceu Valença encerra com um show às 22h30.

A prefeitura de Olinda  - cidade que é patrimônio histórico e cultural da humanidade - divulgou a programação completa da festa na segunda-feira (20). Ao longo dos dias de folia, as ruas do centro histórico ficam lotadas de gente de todas as idades. E blocos grandes e pequenos, com estandartes coloridos, saem de vários pontos da cidade, desde as primeiras horas da manhã até o fim da tarde.

No sábado (25), à meia-noite, o bloco Homem da Meia-Noite começa o seu desfile. Esse deve ser o dia menos movimentado em Olinda, porque muita gente vai acompanhar o desfile do Galo da Madrugada, no Recife. E o domingo (26) é o dia em que serão exibidas as fantasias mais caprichadas no bloco Enquanto Isso, na Sala da Justiça. Na terça-feira (28), ocorre o famoso o encontro de bonecos gigantes de Olinda, que reunirá 80 deles numa concentração no Largo do Guadalupe.

Para quem realmente gosta de carnaval, a programação continua até domingo (5 de março) à tarde. Na quarta-feira de cinzas (1º ), por exemplo, saem blocos desde as 6h da manhã, como o Mungunzá de Zuza Miranda e Thaís. 

Os trabalhadores do período festivo se reúnem nesse dia, para também ter seu momento de brincadeira. O Case, bloco que sai do Varadouro às 16h, é o espaço dos músicos. Um encontro de bois também anima Olinda na Rua da Boa Hora, e o pessoal a favor da legalização da maconha desfila no Segura a Coisa que Eu Chego Já, no Amparo, à meia-noite.

Polos carnavalescos

São dez os pontos oficiais do carnaval de Olinda este ano: Polo Bajado, localizado na Vila Olímpica de Rio Doce; Polo Erasto Vasconcelos, no Sítio de Seu Reis; Polo Luiz Adolpho, no Fortim; Polo Lula Gonzaga, no Largo do Guadalupe; Polo Maestro Duda de Olinda, na Praça 12 de Março; Polo Mestre Luiz de França, no Varadouro, que reúne maracatus; Polo Selma do Coco, no Carmo; Polo Auristela Freire, em Salgadinho; Polo Saudando o Homem da Meia-Noite, no Bonsucesso; e o Polo Infantil Palhaço Chocolate, na Praça da Preguiça. Comunidades de Xambá, Rio Doce e Passarinho também montam seus polos com o apoio da prefeitura.

As atrações musicais dos polos carnavalescos são, em sua maioria, pernambucanas. Além de Alceu Valença, se apresentam bandas como Ave Sangria e Eddie, no polo Erasto Vasconcelos, e Quinteto Violado e Silvério Pessoa, no polo Luiz Adolpho. Os ritmos folclóricos também estão presentes na programação. O polo de Varadouro é voltado a maracatus, enquanto o do Carmo reúne os grupos e mestres de coco. afoxés, caboclinhos e frevo.

Todos os públicos

No carnaval de Olinda, há espaço para todos os públicos. A Rua 13 de Maio, que tradicionalmente reúne o público LGBT, virou o Corredor da Diversidade. E as pessoas com deficiência visual têm à disposição o Camarote da Acessibilidade, montado no bairro do Carmo. A prefeitura havia anunciado também um polo gospel, mas diante de críticas da comunidade evangélica, voltou atrás.

A Praça da Preguiça, no Carmo, é dedicada ao público infantil. Um espaço de proteção à criança, com 120 lugares para os pequenos, também será disponibilizado na Biblioteca Municipal, inclusive para que os trabalhadores do carnaval, como ambulantes e catadores, possam levar seus filhos.

Apesar de ter aumentado os polos carnavalescos, a prefeitura reduziu os recursos da festa à metade este ano: de R$ 6 milhões, investidos no ano passado, para R$ 3 milhões nesta edição. A fatia dos patrocinadores aumentou, de 6 milhões em 2016 para R$ 7 milhões este ano – deixando o total investido em R$ 2 milhões a menos que o da folia anterior.

Galo da Madrugada

Na capital Recife, um dos símbolos do carnaval pernambucano, o Galo da Madrugada, coloca o folião de pé depois da abertura do carnaval na sexta-feira (24). O desfile começa às 9h e termina somente às 18h30, percorrendo seis quilômetros em quatro bairros da cidade. 

São esperados cerca de 2 milhões de foliões no bloco de rua, que é divulgado como o maior do mundo.  São seis alegorias e diversos trios elétricos com artistas pernambucanos e nacionais. O bloco homenageia este ano os cantores Alceu Valença e Jota Michiles. O ícone do grupo é a escultura de 30 metros do galo, instalada na Ponte Duarte Coelho, que neste ano foi decorado com grafites.

(Com a Agência Brasil)

Raúl Castro recebeu delegação do Congresso dos Estados Unidos

                                                            
                                                                                           Estudio Revolución

Durante o encontro dialogaram sobre temas 
de interesse para ambos os países

O presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz, recebeu na tarde de terça-feira, 21 de fevereiro, uma delegação do Congresso dos Estados Unidos, liderada pelos senadores Patrick Leahy, democrata de Vermont, e Thad Cochran, republicano do Mississippi, e integrada, ainda, pelos senadores democratas Thomas Udall, do Novo México, e Michael Bennett, de Colorado, os representantes democratas James McGovern e Seth Moulton, ambos de Massachusetts, bem como o Encarregado de Negocios dos Estados Unidos em Cuba, Jeffrey DeLaurentis.

Durante o encontro conversaram sobre temas de interesse para ambos os países.

Pela parte cubana participaram o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla; o ministro do Comércio Exterior e do Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca Díaz, e a diretora-geral para os Estados Unidos, do Ministério das Relações Exteriores, Josefina Vidal Ferreiro,

Previamente, a delegação do Congresso tinha sido recebida pelos ministros Rodríguez Parrilla e Malmierca Díaz, bem como pelo titular da Agricultura, Gustavo Rodríguez Rollero.

(Com o Granma)

O presidente “bom” e o presidente “mau”

                                                 

 Manlio Dinucci
  
Com as manifestações realizadas a 21 de Janeiro, muitos cidadãos de diversos países aceitaram comportar-se como seguidores e instrumentos de uma das facções em confronto nos EUA. Entre o beatificado Obama e o demonizado Trump, a escolha a fazer não é entre nenhum deles. É a escolha pela soberania nacional, pela paz, pelo direito de cada povo decidir do seu próprio destino, liberto da ingerência e da pressão dos EUA, da NATO, do imperialismo em geral.

Quebrando lanças pelos seus amos estadunidenses, os europeus – em vez de lutar pela sua própria soberania – unem-se em coro ao concerto de críticas – nem sempre justificadas – sob a batuta das elites da margem ocidental do Atlântico. 

Invocando a «democracia», desfilam inclusivamente contra o resultado das eleições. Barack Obama foi designado «santo subito», ou seja “santo de imediato”: quando entrou na Casa Branca, em 2009, foi-lhe entregue a título preventivo o Premio Nobel da Paz pelos «seus extraordinários esforços para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos».

Isso sucedeu enquanto a sua administração preparava já em segredo, através da secretaria de Estado Hillary Clinton, a guerra que 2 anos mais tarde destruiria o Estado líbio, guerra que se estenderia depois a Síria e Iraque através dos grupos terroristas, instrumentos da estratégia dos Estados Unidos e da NATO. Donald Trump, pelo contrário, foi demonizado de imediato, inclusivamente antes de entrar na Casa Branca. Acusam-no de usurpar o posto destinado a Hillary Clinton, graças a uma operação maléfica ordenada pelo presidente russo Vladimir Putin.

As “provas” vêm da CIA, inquestionavelmente perita em matéria de infiltrações e golpes de Estado. Basta recordar as suas operações destinadas a provocar guerras contra Vietnam, Camboja, Líbano, Somália, Iraque, Jugoslávia, Afeganistão, Líbia y Síria; ou os seus golpes de Estado em Indonésia, Salvador, Brasil, Chile, Argentina e Grécia. E as suas consequências: milhões de personas encarceradas, torturadas e assassinadas; milhões de pessoas deslocadas das suas terras, convertidas em refugiados, vítimas de uma verdadeira conversão em escravos.

E sobretudo as mulheres, adolescentes e meninas submetidas a escravatura, violadas, obrigadas a exercer a prostituição. Haveria que recordar tudo isso a quem, nos Estados Unidos e na Europa, organizaram em 21 de Janeiro a Marcha das Mulheres para defender precisamente essa paridade de género conquistada em duras lutas e constantemente questionada por posições sexistas, como as que Trump expressa. Mas não é por essa razão que se aponta o dedo a Trump numa campanha sem precedente no processo de transmissão do poder na Casa Branca.

O facto é que, nesta ocasião, os perdedores se negam a reconhecer a legitimidade do presidente eleito e estão a implementar um impeachment preventivo. Donald Trump está a ser presentado como uma espécie de Manchurian Candidate que, infiltrado na Casa Branca, estaria sob o controlo de Putin, inimigo dos Estados Unidos. Os estrategas neoconservadores, artífices desta campanha, tratam desse modo de impedir uma mudança de rumo na relação dos Estados Unidos com a Rússia, que a administração Obama fez retroceder aos tempos da guerra fria.

Trump é um «trader» que, embora continue a assentar a política estado-unidense na força militar, tem intenção de abrir uma negociação com a Rússia, provavelmente para debilitar a aliança entre Moscovo e Pequim. 

Na Europa, os que temem que se produza uma diminuição da tensão com a Rússia são antes de mais os dirigentes da NATO, que ganharam importância graças à escalada militar da nova guerra fria, e os grupos que detêm o poder nos países do leste – principalmente na Ucrânia, na Polonia e nos países bálticos – que apostam na hostilidade anti-russa para obter maior apoio militar e económico de parte da NATO e da União Europeia.

Nesse contexto, não é possível deixar de mencionar, nas manifestações de 21 de Janeiro, as responsabilidades dos que transformaram a Europa na primeira línea de enfrentamento, inclusivamente nuclear, com a Rússia. Teríamos que sair à rua, certamente, mas não como súbditos estado-unidenses que rechaçam um presidente “mau” mas exigindo um “bom”, para nos libertarmos do que nos amarra aos Estados Unidos, país que – não importa quem seja o seu presidente – exerce a sua influência sobre a Europa através da NATO.

Teríamos que manifestar-nos, mas para sair dessa aliança belicista, para exigir a retirada do armamento nuclear que os Estados Unidos têm armazenado nos nossos países. Teríamos que manifestar-nos para ter o direito a opinar, como cidadãs e cidadãos, sobre as opções em matéria de política externa que, indissoluvelmente ligadas às opções económicas e políticas internas, determinam as nossas condições de vida e o nosso futuro.

Fonte: Il Manifesto, http://www.investigaction.net/es/el-presidente-bueno-y-el-presidente-malo/#sthash.rGRUnNBL.dpuf

(Com odiario.info)

Tecido da era espacial protege contra radiação de celulares e tablets

                                                                          
                                                                      Jochen Tack/Global Look Press

Lyaisan Yumaguzina e Sandra Tauk, especial para   a  Gazeta Russa

Militares das tropas de mísseis russas desenvolveram um tecido bipolar que protege as pessoas contra a radiação eletromagnética emitida por aparelhos eletrônicos. O material, antes usado para ocultar equipamento militar dos radares, é também capaz de fortalecer sistema imunológico, sugerem médicos.

Relação entre dispositivos eletrônicas e câncer ainda não foi comprovada, mas é alvo de vários estudos internacionais .

O novo tecido baseado em polímeros para blindagem capazes de esconder tecnologia militar de radares inimigos foi concebido para proteger as pessoas dos efeitos nocivos de dispositivos móveis, entre eles celulares e tablets. O material, chamado Screentex, funciona como uma cortina e absorve uma ampla gama de frequências.

“Trabalhamos com radiação eletromagnética na década de 1970. Estudamos como nos proteger desse efeito nocivo ao qual fomos submetidos durante o desenvolvimento da nave Soyuz, da espaçonave reutilizável Buran e de vários sistemas de satélites”, diz Aleksander Titomir, fundador da Screentex.

O tecido desenvolvido por cientistas e ex-militares russos, que já é comercializado nos EUA, Grécia e Leste Europeu, e tem aplicação na indústria de radiodifusão, em engenharia civil e na medicina, bem como outras áreas.

Celulares e câncer

Os efeitos de dispositivos móveis no corpo humano não foram completamente estudados, mas algumas pesquisas indicam que eles podem causar cansaço crônico, agitação e perda de memória ou atenção.

O uso incessante de telefones celulares ao longo de 10 anos pode dar origem a um tumor benigno no nervo auditivo, sugeriu o Instituto Karolinska, em Estocolmo.

“Quanto mais usamos dispositivos eletrônicos, mais rápido os recursos de defesa do corpo ficam esgotados”, afirma Oleg Grigoriev, biólogo e diretor do Centro de Segurança Eletromagnética. “Os sistemas nervoso, imunológico, endócrino e reprodutivo são mais sensíveis à radiação”, acrescenta.

Cura com limites

Depois de usar o material para tratar doenças do sistema nervoso, especialistas de várias clínicas de Moscou relataram a eficácia do Screentex.

“Alterações positivas foram observadas ao usar esse material para tratar o sistema endócrino, que afeta todas as outras funções corporais”, diz Victor Veniukov, chefe do setor médico da Clínica Insan-Med.

“Os pacientes tiveram seus indicadores hormonais equilibrados, os nós na glândula tireoide foram reduzidos, a hipertensão diminuiu, e o sono melhorou. Além disso, dores de cabeça e articulares foram eliminadas e, em geral, o sistema imunológico demonstrou fortalecimento”, continua Veniukov.

O material é seguro para os humanos, e não há de risco de intoxicação por overdose nem interfere com outros tipos de tratamento ou medicamentos.

A base do material consiste em um hidrocarboneto que, quando em contato, faz o corpo refletir sua própria radiação térmica. O processo ocorre em frequências nas quais a área afetada é restaurada. Isso explica, segundo Veniukov, por que um tecido danificado após uma operação, por exemplo, pode rapidamente se regenerar usando mantas bipolares.

“O material não é uma panaceia para doenças”, alerta Titomir. “E nem mesmo a mais forte proteção contra todas as radiações que esgotam o corpo não conseguem combater vírus ou infecções externas.”

A principal vantagem do material, segundo os responsáveis, é o fato de ser capaz de estimular os mecanismos do corpo para a autorregulação e restauração celular.

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(Com a Gazeta Russa)