domingo, 29 de dezembro de 2013

Empresas estatais da China lucram com 1,3 trilhão de yuans

                                                    
Segundo relatório divulgado domingo (29) pelo Conselho de Estado da China, em 2013 as empresas estatais devem obter lucros em 1,3 trilhão de yuans. O valor agregado chega a 300 bilhões de yuans, com as metas realizadas.
O grupo SINOPEC, produtor de petróleo, lucrou nos primeiros 11 meses 10 bilhões de yuans, seguidos pela companhia de eletricidade Huaneng e pela companhia automotiva FAW.

O vice-diretor da Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais, Huang Shuhe, comentou que o desempenho foi positivo no contexto da complexidade da economia internacional.

Já não podemos ser calados...


Beijinho doce

sábado, 28 de dezembro de 2013

Presos palestinos vivem rotina de torturas e privações, publica o jornal brasileiro "Brasil de Fato"

                                                                            


Cadeias israelenses impõem cotidiano de horror a perseguidos políticos; dentre eles, mulheres e crianças

27/12/2013

José Coutinho Júnior
enviado especial à Palestina

“Não existe uma família palestina que não teve pelo menos uma pessoa que foi presa ou morta por Israel”. Essa frase, apesar de parecer exagerada, é dita frequentemente pelos palestinos. De acordo com eles, a prisão é também uma forma de controlar suas vidas: muitos vão para a cadeia por participarem da vida política. Até mesmo depois dos acordos de Oslo, os partidos políticos da Palestina são considerados ilegais por Israel.

Dados da Associação de Suporte aos Direitos Humanos dos Prisioneiros (Addameer) apontam que, de 1967 até hoje, 750 mil palestinos foram presos por Israel. Existem, atualmente, 5007 presos palestinos em Israel. Destes, 22 são parlamentares, 12 mulheres e 180 crianças.

As leis da Corte militar israelense, por meio da qual os palestinos são julgados, permitem manter uma pessoa presa por três meses antes que se preste queixas contra ela e levá-la ao julgamento. Depois de terminado o período de interrogatório, a pessoa pode ser acusada e julgada na Corte militar para cumprir uma pena, ou se enquadra na prisão administrativa. Na prisão administrativa, o exército, baseado em “informações secretas”, pode prender alguém por um período de um a seis meses, e essa prisão pode ser renovada indefinidamente.

“Tem pessoas que estão há mais de oito anos em  prisão administrativa, sem saber quando serão soltos ou do que tem de se defender. Essa política é usada contra todos: crianças, adultos, trabalhadores, mulheres, parlamentares”, afirmou ao Brasil de Fato Sahar Francis, diretora da Addameer.

Israel também se utiliza das prisões para barganhar com o governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Em negociações mais recentes, Israel concordou em liberar todos os 104 palestinos que ainda estavam presos antes das negociações de Oslo. Em troca, exigiu que a ANP não assinasse qualquer tratado ou convenção de direitos humanos durante os nove meses da negociação. Até hoje, apenas 25 desses presos foram soltos.

Outra forma de barganha é feita com presos que morrem enquanto cumprem a sentença na prisão. A lei israelense demanda que o corpo do preso fique na prisão até que a pena seja cumprida, a menos que o governo da ANP negocie a vinda destes corpos para o território palestino. 

Segundo Aysar Alsaif, refugiado do campo de Deheishe, “é um jeito de punir as famílias. Israel sabe da importância que os corpos dos nossos familiares tem para nós. Se o governo não negociar esses corpos, eles fi cam lá.

Às vezes, dão à família um vaso de terra e dizem que é o resto do corpo. Aqui no campo, um companheiro foi preso na primeira intifada e morreu na prisão. A família recebeu o pote, mas não sabemos se é dele, se os ossos ainda estão na prisão”, disse.

A violação aos direitos humanos é sistemática nas prisões israelenses, afirmam os entrevistados. Dentre as principais denúncias estão o uso de tortura, física e psicológica, incluindo métodos como amarrar os presos em uma posição desconfortável, privação de sono, ameaças de prisão contra familiares e isolamento. Em fevereiro deste ano, um preso palestino foi morto após ser torturado.

Mover os prisioneiros para Israel é também uma forma de controlá-los, pois isola os presos da sua comunidade, advogados e famílias. Os familiares precisam de permissão para visitar seus parentes presos, mas se há algum antecedente de prisão por parte do familiar, ele não consegue esta permissão. Segundo a Addameer, centenas de presos não recebem visitas por esse motivo. As celas têm um espaço pequeno para cada pessoa, cerca de dois metros quadrados. Geralmente 20 presos dividem uma cela, e muitos dormem no chão.

As prisões também extorquem dinheiro dos presos. Há uma loja dentro das cadeias, que vende todo tipo de produtos, como comida, cigarros, roupas, televisores, livros, a preços muito altos. Os familiares são impedidos de entrar com esses bens, sendo obrigados a comprar na loja por cerca do triplo do preço original. Do lucro gerado com es sas vendas, o sistema prisional israelense fi ca com 17%, e o resto vai para a companhia que gerencia as lojas. O atendimento à saúde é precário. Não há bom tratamento e existe uma política de adiar o atendimento.

Sahar Francis conta que “este ano um preso morreu, diagnosticado de câncer quatro meses antes e não foi tratado. Ele reclamou de dores durante anos e sempre dizia que estava doente, mas nunca fi zeram exames mais profundos, só tratavam ele com analgésicos. Apenas quatro meses antes dele morrer o mandaram para fazer exames e descobriram que ele tinha câncer”.

Todos esses abusos ocorrem porque o sistema penal israelense discrimina os prisioneiros: dependendo de sua nacionalidade, os procedimentos e penas são diferentes. “Já aconteceu de Israel prender ativistas civis internacionais, israelenses e palestinos em uma mesma manifestação contra as colônias e o muro. O tratamento é completamente diferente. O internacional é deportado ou solto, os israelenses são soltos após 24 horas, enquanto que os palestinos fi cam de quatro meses a um ano presos”, afirmou Sahar Francis . 

Ela também conta que os ativistas de direitos humanos estão sendo atacados e presos. A própria Addameer tem três de seus membros presos.“Atacaram nosso escritório em 2012, quebraram cinco computadores, roubaram nossos arquivos. É uma política que usam contra as organizações contrárias às políticas israelenses, para nos ameaçar. Não podem nos fechar legalmente, então é assim que afetam nosso trabalho”, conta Sahar Francis.

Foto: Brigada Gassan Kanafani (Com o Brasil de Fato)

MOC PRESTOU HOMENAGENS A CHICO MENDES

                                     



     Na Seringueira do Parque

Hoje, 22 de dezembro de 2013, na Seringueira do Parque Municipal de Belo Horizonte foi realizado uma homenagem à Chico Mendes .

A exploração e a destruição da natureza que causou sua morte em 1988 continua avassaladora e violenta, pois segundo relatório da Global Witness e da Comissão Pastoral da Terra, o Brasil é responsável por metade dos assassinatos de pessoas mortas enquanto investigavam ou protestavam contra atividades de exploração mineral e outros recursos naturais.

É importante observar que esta tendência estatística é sintomática da competição cada vez mais acirrada por recursos naturais escassos e a brutalidade e injustiça que vem com ela, ceifando cada vez mais vidas.

Nós, do MOC.ECO não desejamos mártires, mas o mundo com sua insanidade continua a produzi-los. Então temos obrigação de reverenciá-los.

Na sequência, o texto de autoria de Frei Prudente Nery fez parte da homenagem prestada pelo MOC.ECO. 


Em reverência aos mártires de todos os tempos... 


Afinal, o que é um mártir? Um insano que ousa brincar de Deus ou um homem de fé? Um fugitivo da vida ou um testemunho da incrível esperança de que esta vida, por sagrada que seja, não é tudo nem um derradeiro absoluto? 

A nós homens, basta-nos-ia viver, isto é: nascer e crescer, dormir e acordar, comer e beber, procriar, prolongar a vida tanto quanto possível e morrer, como o fazem os bichos? Ou não se sustenta a vida humana, diferentemente dos animais, também de sonhos e esperanças, de amor e paixões, de solidariedade e fraternidade, de mais, enfim, do que apenas do bios? 

Ou seríamos, quem sabe, apenas uma massa biológica racional, isto é, animais tão só gradualmente complexificados, mas ainda e sempre apenas bichos?

É isso? Devemos, então, usar toda a capacidade de nossa razão e a força de nossa inventividade para apenas sobrevivermos e nos mantermos na vida, um dia, cem dias, um ano, cem anos? A qualquer custo? Mesmo ao preço de trair uma causa ou delatar alguém, para salvar a própria pele? 

Ainda que às custas de perjurar a própria consciência e de abjurar a própria alma? Mas de que adianta levar adiante a vida, se perde todo o resto: a honradez, o caráter, a respeitabilidade, a grandeza humana, a dignidade, a solidária compaixão?

O que é melhor, humanamente? Fugir da morte, como um desesperado? Ou afrontar o próprio fim, na frágil esperança de que a morte não é tudo? Aceitar morrer em favor da vida, ou preservar-se provisoriamente da morte, permanecendo, porém, só e estéril, para sempre? (Jo 12, 24) 

Será isso possível? Que, às vezes, ganhar a vida é perdê-la? E perder a vida é ganhá-la? (Jo 15, 5-11) Não morreremos todos, um dia, inarredavelmente? O que seria, pois, melhor? Viver e morrer por acaso, ou viver e morrer por uma causa?

Uma decisão tão suma, solitária e sagrada que a nós importa apenas aguardar e acatar em silenciosa reverência. O Cristianismo, desde seus primeiros dias, sempre acreditou que aqueles que derramam seu sangue no testemunho da fé, da esperança e da caridade, isto é, os mártires, não são prófugos, desertores ou desprezadores, mas insígnes e intrépidos defensores da vida e, por isso mesmo, santos. 

Sua morte imerecida é verdadeiramente um sacrifício redentor... não apenas para eles mesmos (batismo de sangue). Uma loucura, aos olhos do mundo... (1Cor 1, 23). Não, porém, para aqueles que crêem, para além de todas as mortes. Para esses, a vida nunca lhes é tirada, mas, contra todas as aparências, transformada e, desfeito seu corpo mortal, ser-lhes-á dado um corpo imperecível. 

Frei Prudente Nery - OFMCap  (Com o MOC)

Saudação de fim de ano das FARC-EP aos povos do mundo

                                                                         
Desde a trincheira guerrilheira, desde a mobilização agrária e popular, desde os escritórios e as fábricas, desde os campi universitários, colégios, na clandestinidade urbana, desde a Mesa de Diálogos de Havana, enfim, desde as entranhas da Colômbia indômita da qual fazemos parte indissolúvel, nós, os comandantes e combatentes das FARC-EP, enviamos aos povos do mundo nossa revolucionária e bolivariana saudação de fim de ano.

Por imposição de um regime violento e excludente, temos a ineludível obrigação de assumir a luta armada, para fazer avançar esta justa guerra de resistência por paz com justiça social, democracia real e soberania, que se estende por mais de meio século.

Nós não fazemos a guerra pela guerra em si mesmo. Se o inimigo entende que é impossível derrotar militarmente uma guerrilha presente no coração do povo, reconhecendo o oponente político e realizando profundas reformas nas caducas estruturas, então sim, é possível falar de colocar fim no conflito armado, se abrirem as possibilidades para chegarmos a assinar um tratado de paz estável e duradouro, e assim encontraremos novas vias para solucionar os problemas e iniciar entre todos a edificação da desejada reconciliação.

A paz com dignidade é o sentimento das maiorias. Paz e Constituinte são hoje as bandeiras que convocam organizações sociais e movimentos políticos, pessoas comuns em busca de uma alternativa política para a Colômbia. Um Novo poder, uma nova Colômbia, objetivamente pode despregar suas asas desde uma Frente Ampla, que reúna nesse estratégico objetivo todos os processos e lutas, sonhos de um novo país.

Ao agradecer as mostras de solidariedade que desde os distintos cantos da terra nos chegam das organizações sociais e populares, ratificamos igualmente que elas são fonte de inspiração e estímulo, força moral que centuplica nosso esforço pela vitória da paz.

Sem dúvida, não basta que apenas nós acreditemos no fim do conflito, mas que o inimigo de classe se veja obrigado por uma grande correlação de forças favoráveis à saída política, a aceitar essa nova realidade. Isto só será alcançado com a luta e a unidade do nosso povo, e com uma ampla solidariedade internacional. Exemplos no mundo sobram para demostrar a certeza desta afirmação.

A crise do sistema capitalista é profunda e irreversível, a dispersão do setor popular contribuiu para prolongar sua agonia. É por isso que ao nos despedirmos de 2013, alentamos aos povos do mundo para não desfalecer na lucha comum contra o império e a injustiça. As condições objetivas para a superação dessa etapa histórica estão dadas. Falta que a subjetividade atui criativamente para acelerar as mudanças que nós, os oprimidos, devemos produzir. O socialismo segue sendo o destino de justiça da humanidade.

COMISSÃO INTERNACIONAL DAS FARC-EP

Montanhas da Colômbia, dezembro de 2013

http://farc-ep.co

Tradução: PCB Partido Comunista Brasileiro

ABSENTEÍSMO & TÉDIO

                                                           

O ‘jornalismo de feriado’ veio para ficar

Alberto Dines na edição 778

      
Entre as formidáveis criações da Folha de S.Paulo, a “edição de feriado” começou como desculpa envergonhada e foi tão bem aceita pelo leitorado que acabou por converter-se num modelo de negócio e paradigma jornalístico para o resto da mídia.

A ideia é genial: o público paga pelo produto inteiro, mas só recebe parte dele. E ninguém chia, acha perfeitamente natural ser lesado. Os primeiros testes nas edições de domingo ao longo de anos não produziram reações significativas. 

O leitor foi se acostumando a receber no dia mais nobre da semana (quando dispõe de tempo e disposição para a leitura) uma edição sem atualidade e, portanto, com menor qualidade embora recheada de publicidade. O jornal ganha duas vezes: cobra mais na edição dominical e oferece menos conteúdo.

Semana breve

A experiência foi replicada nos feriadões, fins de semana prolongados e logo nos recessos de fim de ano e de carnaval. Suprimem-se cadernos, páginas, colunas, atrações e o leitor (ouvinte e telespectador) até agradece pelo logro – sente-se menos culpado por deixar de saber coisas que, de outra forma, exigiriam sua intervenção.

Coisas do Brasil: o verdadeiro “custo Brasil” está neste absenteísmo federal, monumental desapego à assiduidade que uma imprensa enfadada, desmotivada, longe de corrigir e compensar, só exacerba.

Compare-se este jornalismo de lapsos, esburacado, com a opção esmerada adotada há anos pelo The Economist na quinzena festiva do fim do ano: a revista oferece prazerosa opção – uma edição dupla, substanciosa, primorosamente concebida e escrita. Um bônus que o leitor lê com mais interesse e prazer do que as duas edições normais que substitui.

Nossa indústria jornalística até hoje não conseguiu adaptar-se ao princípio da qualidade contínua, prefere a intermitência, a gangorra dos plantões. Nos fins de semana, âncoras televisivos e radiofônicos vão descansar e as atrações mais densas e qualificadas vão para o estaleiro. Isso explica os estouros e sacolejos – nem sempre justificados – para recuperar as atenções. Explica também a brevidade da nossa semana jornalística: começa terça e vai até sexta.

Ninguém é de ferro.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Mandato da Comissão Nacional da Verdade prorrogado até dezembro de 2014

                                                           

Foi publicada ontem (26/12), pela Presidência da República, no Diário Oficial da União, a medida provisória 632, que, em seu artigo 25, prorroga o mandato da Comissão Nacional da Verdade até dezembro de 2014.

A medida provisória altera o artigo 11 da Lei nº12.528.

Com a medida, a Comissão Nacional da Verdade terá até o dia 16 de dezembro de 2014 para entregar o relatório circunstanciado sobre as graves violações de direitos humanos ocorridas no país entre 1946 e 1988. O prazo anterior era 16 de maio.
                                                             
Leia a íntegra do texto:

Art. 25. A Lei nº12.528, de 18 de novembro de 2011, passa a vigorar com as seguintes alterações:

"Art. 11. A Comissão Nacional da Verdade terá prazo até 16 de dezembro de 2014, para a conclusão dos trabalhos, e deverá apresentar, ao final, relatório circunstanciado contendo as atividades realizadas, os fatos examinados, as conclusões e recomendações".

Loja de discos mais antiga de Londres é colocada à venda na internet por R$ 1 milhão

                                                                            
                                                       Marina Novaes/Opera Mundi
O comerciante de 60 anos olhará cada proposta para garantir que o comprador tem o perfil que ele deseja                                          
                                                              
Proprietário, de 60 anos, busca comprador que mantenha estilo do estabelecimento e "sonho vivo"
  
Depois de 34 anos de dedicação à loja de discos usados “On the Beat”, a mais antiga de Londres, o proprietário Tim Derbyshire quer passar para frente o seu estilo de vida. Com esse objetivo, o comerciante de 60 anos colocou o estabelecimento à venda no eBay, desde o fim de outubro até o dia 25 deste mês, pelo valor de £300 mil (cerca de R$ 1,1 milhão).

Derbyshire, porém, garante não estar em busca apenas do dinheiro para sua aposentadoria: ele quer alguém que mantenha o “sonho vivo” e, para tanto, pretende selecionar os interessados em assumir o negócio, localizado no Soho, bairro boêmio localizado no centro da capital britânica.

“Este é o meu bebê, meu filho. Eu dediquei 34 anos da minha vida a essa loja, a esses discos. Quero alguém que tenha o mesmo comprometimento que eu tive com o lugar. Seria muito triste se uma corporação comprasse (a loja) e abrisse outra coisa aqui”, disse a Opera Mundi.

Derbyshire comprou a loja em 1979, mas “On the Beat” existe desde os anos 1950, em um espaço de poucos metros quadrados na Hanway Street. Segundo o proprietário, trata-se da loja “independente” de discos de vinil mais antiga da capital britânica.

O valor de pouco mais de R$ 1 milhão inclui o contrato de aluguel do espaço por mais dez anos, além de cerca de 50 mil álbuns de clássicos do rock, jazz, soul, blues, folk, country e pop dos anos 1990. Há também alguns CDs (cerca de 5% da coleção), camisetas e fotos autografadas por artistas que já frequentaram o local, como o ex-Beatle Paul McCartney e o músico David Bowie. Entre os itens mais caros à venda estão álbuns originais (primeira edição) do The Who e Jimmy Hendrix, à venda por cerca de R$ 1.200.

O comerciante disse que optou por colocar um “estilo de vida” à venda porque, de fato, a loja não dá lucro. Apesar da alusão a “Alta Fidelidade” no anúncio online, o comerciante nunca assistiu ao filme, imortalizado nas telas por John Cusack, em 2000, nem leu o livro. “Achei que soaria bem no anúncio. De qualquer forma, todos meus amigos sempre compararam a minha vida ao filme”, admitiu.

Volta do “bolachão”

Segundo Derbyshire, apesar da queda das vendas nos anos 2000 - graças ao iPod e ao download de músicas online -, a procura por discos de vinil cresceu nos últimos anos, sendo que ele estima vender, em média, 50 LPs por dia.

“Vamos dizer assim: as vendas não são ruins, mas você não vai ficar rico com essa loja”, afirmou.

De acordo com levantamento divulgado em outubro pela BPI (British Recorded Music Industry), cerca de 550 mil LPs foram vendidos no Reino Unido na primeira metade de 2013 - o dobro das vendas de 2012 -, sendo que o número deve subir para 700 mil até o fim deste ano: a maior marca desde 2001. Entre os artistas que decidiram investir no “bolachão” recentemente estão David Bowie, Daft Punk e Artic Monkeys.

Mesmo com o cenário otimista pela frente, Derbyshire diz ter se “cansado” do estilo de vida boêmio. “Eu acordei um dia e percebi que estava cansado. Foi uma vida boa, mas quero descansar. Não sou um homem de negócios”, disse. (Com o Opera Mundi)

Xi Jinging presta homenagem a Mao Tsé-tung em simpósio promovido pelo Comitê Central do Partido Comunista da China

                                                                     
Xi  Jinping prestou homenagem ao líder comunista Mao Tsé-tung
O presidente Xi Jinping encabeçou hoje a homenagem ao líder e fundador da República Popular da China, Mao Tsé-Tung, em uma cerimônia no mausoléu localizado na Praça da Paz Celestial de Beijing, com a assistência de outros dirigentes da nação asiática.

O Partido Comunista da China (PCCh) sempre levantará a bandeira de Mao em busca da modernização da nação, disse Xi em um simpósio celebrado pelo Comitê Central dessa organização, no qual afirmou que o falecido líder foi uma grande figura na luta contra a opressão.

Ele mudou as feições da nação e conduziu o povo chinês a um novo destino, disse ainda o secretário geral do PCCh depois de recomendar uma visão histórica correta para valorizar esta figura. "Os líderes revolucionários não são deuses, mas seres humanos", sublinhou.

O também presidente da Comissão Militar Central expressou que "não se pode reverenciá-los como deuses ou negar às pessoas que pessoas reconheçam e corrijam os erros destas figuras apenas porque são grandiosas. Da mesma forma, não se pode repudiá-los ou apagá-los da história por seus erros".

No julgamento do dirigente chinês, o sucesso em circunstâncias históricas favoráveis não deve ser atribuído a indivíduos, como também não lhes deve ser atribuída a culpa pelos reveses em situações adversas. Também não podem ser usadas as condições atuais e o atual nível de desenvolvimento e entendimento "para julgar os nossos predecessores".

Não podemos esperar que nossos predecessores fizessem coisas que só poderiam ser levadas a cabo por seus sucessores, acrescentou Xi, que exortou a utilizar a "alma viva" de Mao através da busca da verdade dos fatos, da promoção de uma campanha de vínculo com as massas e de independência.

O mandatário comentou que não é fácil encontrar um caminho correto e que essa via é a que decide o destino da nação, enquanto assegurou que o socialismo com características chinesas não cai simplesmente do céu, senão do esforço e o sacrifício do Partido Comunista e do povo.
                                                                           
Mao Tsé-tung, fundador da República Popular da China
Em sua intervenção neste encontro em homenagem a Mao Tsé-Tung, Xi reafirmou que a chave para a modernização da China está no PCCh e se comprometeu com tratar com severidade "os males que prejudicam a natureza e a pureza do Partido, e acabar com qualquer tumor maligno na saúde de seus organismos".

Ao simpósio presidido por Liu Yunshan, assistiram o premier Li Kegiang, Zhang Dejiang, Yu Zhengsheng, Wang Qishan e Zhang Gaoli, todos integrantes do Comitê Permanente do Bureau Político do PCCh junto com Xi Jinping.

Nascido em 26 de dezembro de 1893, Mao Tsé-Tung morreu o 9 de setembro de 1976. (Com  a PL/Diário do Povo, de Beijing)

Luiz Carlos Prestes é homenageado em Pernambuco

                                                               
Luiz Carlos Prestes (com Olga Benário) ganhou homenagem em Pernambuco
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE) em sua Plenária Solene, evento que acontece anualmente para destacar os profissionais e personalidades, homenageou na última quarta (20/12) o líder comunista e engenheiro militar, Luiz Carlos Prestes com a Medalha do Mérito Lauro Borba, pelos serviços relevantes prestados a Nação. O Jornalista e Gestor Público Roberto Arrais recebeu a comenda como representante de Anita Leocadia Prestes, filha do líder comunista com a lendária Olga Benario, que por ocasião de indisponibilidade em sua agenda não pode comparecer ao evento.                       

Roberto Arrais recebeu pessoalmente das mãos do presidente do Crea-PE, engenheiro civil José Mário Cavalcanti a Medalha do Mérito Lauro Borba, devido ao reconhecimento pelo tempo em que serviu como Engenheiro Militar que deu o seu toque de humanidade à profissão ainda no início do Século 20. 

Segundo José Mário Cavalcanti, "era impossível não lembrar dessa fase profissional de Luiz Carlos Prestes, é com orgulho que o Crea-PE faz essa homenagem, repetindo o sucesso que foi em Brasília na 70º Semana Oficial da Engenharia e Agronomia (SOEA), quando por indicação do Crea-PE, junto com o Crea-RJ, Crea-RS colocamos o nome dessa grande personalidade para receber a homenagem que muito contribuiu para a historia do Brasil", afirmou o presidente do Crea-PE.

Roberto Arrais após receber a comenda, agradeceu a Anita Leocadia Prestes pelo gesto de solicitar que a recebesse em seu nome e falou sobre a importância daquela homenagem para a preservação da memória de Luiz Carlos Prestes, um homem completo, tanto pela solidariedade como pela capacidade de intervir e propor mudanças. 

“Prestes foi Engenheiro Militar por profissão, ainda estudante foi sempre o primeiro da turma, responsável por obras ferroviárias no Rio de Janeiro, dispunha de uma humanidade fora de série, destacando homens do seu Batalhão para cozinharem para os outros trabalhadores e alfabetizava os que não sabiam ler e escrever, e fez obras relevantes como pontes e rodovias como a de Santo Ângelo, que existe até hoje.” 

Continuou dizendo que Prestes era um engenheiro humanista e revolucionário e que também em suas outras lutas tinha muito de estrategista e de visão de comando, “ainda quando houve os acontecimentos que o impeliram a lutar contra a corrupção e a penúria que era submetido o povo, Prestes comandou uma marcha, que foi denominada de “Coluna Prestes” que  andou e cavalgou por cerca de 25.000 km pelo interior do Brasil. Ele fez o combate justo e quando não era mais possível lutar, foi para o  exílio, o que o fez voltar a trabalhar como Engenheiro no Uruguai, Argentina, Bolívia e na União Soviética, isso tudo entre os anos de 1924 e 1935”, destacou Roberto Arrais.

O engenheiro Luiz Carlos Prestes se transformou num herói do povo brasileiro, vivendo sua vida de dedicação a causa do socialismo, desde os anos 20 até o seu falecimento em 1990. Por isso o poeta Pablo Neruda afirmou num verso: “Nenhum dirigente comunista na América Latina teve uma vida tão trágica e portentosa quanto Luiz Carlos Prestes”.

Antonio Alves

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

SUBCOMANDANTE MARCOS LANÇA COMUNICADO FALTANDO POUCOS DIAS PARA O ANIVERSÁRIO DE 20 ANOS DO LEVANTE ZAPATISTA: "A LUTA SEGUIRÁ"


Principal porta-voz do EZLN sugere novas ações e faz críticas ao governo federal e ao do Estado de Chiapas, berço do grupo

Faltando poucos dias para o aniversário de 20 anos do primeiro levante zapatista, o principal porta-voz do EZLN (Exército Zapatista de Liberação Nacional) Subcomandante Marcos lançou comunicado no qual promete que a luta do grupo continuará. No texto, ele sugere novas ações, faz críticas às diferentes correntes ideológicas, à recente reforma energética aprovada pelo Congresso mexicano e questiona o governador de Chiapas pelos altos gastos públicos.
                                            
                                                                                                            Wikicommons

Principal porta-voz do EZLN sugere novas ações e faz críticas ao governo federal e ao do Estado de Chiapas, berço do grupo

Em 1º de janeiro de 1994, um grupo de indígenas encapuzados e armados liderado pelo EZLN ocupou várias cidades no Estado de Chiapas no mesmo dia em que entrava em vigor o Nafta, tratado de livre comércio assinado pelo México, Estados Unidos e Canadá, durante o governo de Carlos Salinas de Gortari.

Marcos afirma no comunicado que “para as encapuzadas e encapuzados daqui, a luta que vale não é que foi ganha ou perdida, é a que segue, e para ela se preparam calendários e geografias”.  “Não há batalhas definitivas, nem para vencedores nem para vencidos. A luta seguirá, e aqueles que agora se deleitam no triunfo verão seu mundo ser derrubado”, diz.

Publicado esta semana, o texto faz uma reflexão sobre a luta e o tratamento dados aos revolucionários mortos, dando-lhes sentidos distantes da vida que tiveram. Além disso, Marcos afirma que os zapatistas querem ser “melhores” e que aceitam quando a realidade lhes diz que não alcançaram seu objetivo, mas que mesmo assim não deixaram de “seguir lutando”.

Sobre o governador de Chiapas, Manuel Velasco, o porta-voz do EZLN assegura que, apesar de “ter apertado o cinto com um programa de austeridade”, gastou “mais de 10 milhões de dólares em uma campanha publicitária nacional que, apesar de massiva e cara, é ridícula...e ilegal”. 

Sem mencionar seu nome, diz que o “autodenominado governador”, do Partido Verde Ecologista doe México (PVEM), lançou uma campanha para promover o turismo e “põe nos turistas vendas para que não vejam os paramilitares, a miséria e o crime nas cidades chiapanecas".

Marcos também questionou todas as reformas anunciadas no México, como a energética, que prevê a privatização do petróleo, e considerou que a “desapropriação” começou há muitos anos. “A desapropriação disfarçada de reforma constitucional não se iniciou com esse governo: começou com Carlos Salinas de Gortari (1988-1994). A desapropriação agrária foi então 'coberta' pelas mesmas mentiras que agora envolvem as más faladas reformas", sublinhou.

Sobre a situação do campo mexicano, Marcos disse que este está “completamente destroçado, como se um pacote de bombas atômicas o tivesse arrasado. E isso acontece com todas as reformas. A gasolina, a energia elétrica, a educação, a injustiça, tudo será mais caro, de pior qualidade, mais escasso.” (Com Opera Mundi)

Restos mortais do militante político Arnaldo Rocha serão sepultados sexta-feira no Parque da Colina

                                                             


Os restos mortais de Arnaldo Cardoso Rocha, morto pouco antes de completar 24 anos de idade, em 15 de março de 1973, por uma equipe do Doi-Codi de São Paulo, um dos principais organismos do aparato de repressão. serão sepultados no Cemitério Parque da Colina , localizado na Rua Santarém , Nova Cintra, Belo Horizonte, sepultura -Jazigo 22-18, Jardim das Paineiras XXX na próxima sexta feira, às 9 horas.Eles foram exumados na manhã de 12 de agosto em Belo Horizonte.

A exumação foi realizada por peritos do Centro de Medicina Legal da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), coordenados pelo fisiologista Marco Aurélio Guimarães, e também por integrantes da Polícia Federal, por ordem da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos a pedido da viúva de Arnaldo, Iara Xavier Pereira, mãe do filho do militante assassinado.

A diligência, a pedido de Iara, foi acompanhada pela Comissão Nacional da Verdade e pelo Ministério Público Federal. Também compareceram a exumação integrantes do Comitê pela Verdade.
Anette Cardoso Rocha, mãe de Arnaldo
                                                                             

João de Deus Rocha pai de Arnaldo

                                                                   

domingo, 22 de dezembro de 2013

Belo Horizonte do Arraial à Metrópole

                                                            

O jornalista José Maria Rabelo lançou dia 12 seu livro mais aguardado: "Belo Horizonte Do Arraial à Metrópole 300 Anos de História".

O tempo chuvoso não me permitiu ir ao Palácio das Artes mas estou percorrendo as livrarias para adquirir seu exemplar. 

Infelizmente nestes dias de Natal não tenho tido sucesso. Primeiramente estive na Fnac, no BH Shopping.

Inutilmente.

Estive também na Leitura, do Shopping Paragem, também sem êxito.

Vou continuar insistindo...

O PCB apresenta suas teses ao XV Congresso e seu pré-candidato às eleições presidenciais de 2014, Mauro Luis Iasi


Violência contra mulher é tema de Prêmio de Jornalismo

                                                              

Estão abertas as inscrições para o “Prêmio Nacional de Jornalismo sobre Violência de Gênero”, que integra a campanha “Jornalistas dão um Ponto Final na Violência contra Mulheres e Meninas”.
O prazo encerra no dia 31 de janeiro de 2014 e contemplará reportagens produzidas a partir de 11 de dezembro de 2012.
Podem concorrer jornalistas profissionais de todo o País que devem acessar o regulamento e a ficha de inscrição no site  www.casadamulhercatarina.com.br. A ficha de inscrição preenchida pode ser enviada pela internet para o e-mail campanhapontofinalsc@gmail.com.
O evento é uma promoção da Casa Mulher Catarina, de Santa Catarina. Serão distribuídos R$ 20 mil em prêmios, em quatro categorias (mídia impressa, televisão, rádio e outras mídias).
As reportagens  devem incluir as seguintes temáticas sobre a questão da violência contra as mulheres e meninas no Brasil: Lei Maria da Penha; Violência de gênero; Ações Afirmativas de enfrentamento a violência contra mulheres e meninas; Políticas Públicas de promoção da equidade de gênero; Direitos Humanos e cidadania das mulheres e o Movimento feminista.
A campanha “Jornalistas dão um Ponto Final na Violência contra Mulheres e Meninas” tem o objetivo de incluir, promover e disseminar na categoria de jornalistas profissionais e na sociedade o debate sobre relações de gênero, em especial a violência de gênero como um problema que impacta a vida e a cidadania das mulheres.
O projeto foi encampado pela Secretaria de Política para as Mulheres do Governo Federal; Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher; Rede Feminista de Saúde; Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul; Coletivo Feminino Plural; Rede de Homens pela Equidade de Gênero; e Red de Salud de las Mujeres Latinoamericanas y del Caribe (RSMLAC).

Neste 22 de dezembro, quando do 25º aniversário da morte de Chico Mendes, reproduzimos o vídeo da TV Brasil sobre a vida e morte do ambientalista, nas asas do MOC que promoveu ato defronte à seringueira plantada quando do assassinato de Francisco Mendes no Parque Municipal

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Hobsbawm, o Marxismo e os intelectuais*

                                                   

Miguel Urbano Rodrigues


O renascimento do interesse por Marx e o marxismo é um fenómeno social e político de âmbito mundial, inseparável da consciência de que o capitalismo está condenado a desaparecer e que a única alternativa é o socialismo.


Reli há dias o último livro de Eric Hobsbawm: «Como Mudar o Mundo - Marx e o Marxismo,1840-2011».** Publicado pouco antes do seu falecimento, é uma coletânea de ensaios, conferências e artigos escritos entre 1956 e 2009.

Distancio-me como comunista de parte da obra do historiador inglês. A discordância de muitas das suas opiniões, nomeadamente a reflexão sobre o desaparecimento da União Soviética e a agressão imperialista ao povo afegão, não me impede de aconselhar a leitura de «Como Mudar o Mundo». 

O seu mérito maior é o balanço que apresenta do legado de Karl Marx e da sua profunda repercussão nos seculos XIX e XX e neste início do XXI. Tal como assinala no prefácio, «o marxismo foi durante os últimos 130 anos, um tema importante no contexto intelectual do mundo moderno e, através da mobilização de forças sociais, uma presença crucial, e em alguns períodos decisiva, na história do seculo XX».

A devastadora crise de civilização que hoje enfrentamos demonstra que o capitalismo não tem solução para os problemas da humanidade e terá de ser erradicado. Marx é, hoje como ontem, atualíssimo: ajuda a compreender o presente e abre as alamedas do futuro.

DO ENTUSIASMO À DESERÇÃO

Lenin afirmou que sem teoria revolução alguma pode vencer e ter longa vida. Enunciou uma evidência confirmada pela História.

Daí a importância dos intelectuais revolucionários como produtores e divulgadores de ideologia.
A obra de Marx, a principiar pelo Manifesto Comunista, não teria alcançado projeção mundial, cumprindo um papel insubstituível como guia para a ação revolucionária, se sucessivas gerações de intelectuais não a houvessem divulgado, transmitindo às massas uma nova compreensão da História, da economia, da política.

Mas, ao comentá-la e interpretá-la, muitos autores também a desfiguraram.

O livro de Hobsbawm contém uma informação densa e valiosa sobre a lenta divulgação de Marx ao longo da segunda metade do século XIX e das primeiras décadas do seculo XX.

Neste desambicioso artigo apenas chamarei a atenção para alguns aspetos da difusão do marxismo antes e depois da segunda guerra mundial e da influência que as posições assumidas por autores que comentaram e interpretaram Marx, deformando-lhe o pensamento, tiveram no rumo de partidos operários tradicionais e de grandes lutas sociais contemporâneas.

Nos anos 20 e 30 do seculo passado, a ascensão do fascismo na Itália e na Alemanha provocou um interesse crescente dos intelectuais pelo marxismo. Escritores como HG Wells, Anatole France, Bernard Shaw, André Malraux, Aragon, entre outros, assumiram a defesa da União Soviética e, na Europa Ocidental e nos EUA, os debates sobre a obra de Marx ganharam atualidade. 

Três prémios Nobel de Literatura, Aragon, Roger Martin du Gard e André Gide aderiram ao PCF. A ameaça fascista condicionava o futuro da Humanidade. Após a II Guerra Mundial, o interesse pelo marxismo aumentou. 

O papel decisivo da URSS na derrota do Reich nazi contribuiu muito para a adesão maciça de milhares de intelectuais aos partidos comunistas. Filósofos como Bertrand Russell e Jean Paul Sartre assumiram frontalmente a solidariedade com o povo soviético e os movimentos em defesa da Paz. Nas universidades, professores que não eram marxistas aderiram ao partido comunista.

A partir dos anos 50, houve uma autêntica enxurrada de livros e debates sobre o marxismo. Mas, como sublinha Hobsbawm, «a grande maioria dos intelectuais marxistas nesse período era constituída de marxistas recentes para os quais o próprio marxismo era coisa tão nova quanto, digamos, o jazz, o cinema e a literatura policial» tinham sido para as gerações anteriores.

O marxismo dos europeus era, porém, até à morte de Stalin, com poucas exceções, o divulgado pelas publicações da Academia das Ciências da URSS.

As interpretações alternativas da teoria marxista somente surgiram após as polémicas desencadeadas pelo XX Congresso do PCUS.

Os textos dos filósofos da Escola de Frankfurt, de Adorno, Horkheimer e Marcuse, porta-vozes do chamado «marxismo ocidental», são na época tema de apaixonados debates nos campus universitários, coincidindo com as campanhas dos grandes media contra Stalin. A palavra stalinismo, criada pela burguesia, entra no léxico politico.

Para muitos intelectuais, a URSS, na qual durante décadas viam a pátria do socialismo, o país que construíra uma sociedade símbolo do progresso e do humanismo, tornou-se, no auge de campanhas anticomunistas, a imagem da tirania e da desumanização da vida.

Os livros de Gramsci, até então pouco conhecidos fora da Itália, conhecem difusão mundial, extravasando dos meios académicos. Mas a leitura da “mensagem” da obra do autor dos «Cadernos do Carcere» difere muito, mesmo no âmbito dos Partidos Comunistas do Ocidente.

A própria teoria da Hegemonia – a dominação da cultura de uma classe sobre o conjunto da sociedade - foi submetida a múltiplas interpretações, algumas incompatíveis. Em França, na Itália, em Espanha, gramscianos entusiastas utilizaram-na para desvalorizar a luta de classes. Desvirtuado, Gramsci, um marxista original - inclusive um «leninista» na polémica opinião de Hobsbawm - foi bandeira do eurocomunismo. No Brasil e em Cuba destacados comunistas também o invocaram, distorcendo-lhe o pensamento.

Paradoxalmente, as campanhas contra a URSS e o «socialismo real» não afetaram a difusão do marxismo.
O anti- sovietismo, sobretudo apos os acontecimentos da Checoslováquia em l968, marcou a opção revisionista de influentes partidos comunistas do Ocidente, mas não impediu a expansão do marxismo em escala mundial.

A ruptura entre Moscovo e Pequim, a Revolução Cubana, a opção pelo socialismo da maioria dos movimentos de libertação africanos, a ampla difusão das teses de Frantz Fanon, a disseminação do Eurocomunismo criaram uma atmosfera de confusão ideológica.

Os estruturalistas, nomeadamente Althusser e Poulantzas, fizeram escola, semeando discípulos em dezenas de países. O primeiro foi, aliás, membro do Comité Central do Partido Francês.
Textos de Che Guevara também foram utilizados, com frequência e má-fé, por intelectuais que, deturpando-lhe o pensamento, assumindo-se como marxistas, utilizaram o eurocomunismo como alavanca de combate à União Soviética.

Dirigentes e académicos dos partidos comunistas da França e da Itália que aderiram desde o início à perestroika não hesitaram em glorificar Gorbatchov e acompanharam com entusiasmo o processo de destruição da União Soviética. Das críticas a Stalin passaram rapidamente à crítica de Lenin.
O revisionismo de alguns partidos operários evoluiu em poucos anos para posições ostensivamente anticomunistas.

Um secretário-geral do PCF, Robert Hue, saudou como acontecimento positivo a desagregação da URSS, afirmando que tudo no país da Revolução de Outubro tinha sido negativo.

A VAGA REVISIONISTA

A ofensiva revisionista precedeu, aliás, a perestroika.

As obras dos ideólogos da Escola de Frankfurt foram amplamente publicadas nos EUA e saudadas pelas «novas esquerdas» americanas como contribuição revolucionaria ao marxismo. Nas grandes universidades, os epígonos de Marcuse condenaram em bloco os partidos comunistas existentes, revisionistas ou não, qualificando-os de traidores da causa socialista.

Os livros de Marx voltaram a ser amplamente editados e debatidos. “O Capital”, entretanto, foi tratado como se fosse quase uma obra de epistemologia. Segundo Hobsbawm, “ a pesquisa e a análise do mundo real esconderam-se atrás do exame generalizado das suas estruturas e mecanismos, ou até atrás da investigação ainda mais genérica de como ele devia ser apreendido. Os teóricos eram tentados a passar de um exame dos problemas e perspetivas específicos de sociedades reais para um debate sobre a «articulação» dos «modos de produção» em geral”.

Muitos intelectuais, sobretudo os estruturalistas, esforçaram-se, na exegese da obra de Karl Marx, por opor os escritos do jovem Marx aos do Marx da maturidade. Dezenas de livros foram editados tendo por tema supostas e insanáveis contradições entre «Os Manuscritos de 1844» e «O Capital». Forjar imaginárias contradições entre Marx e Engels e opor ambos a Lenin foi outra modalidade de anticomunismo cultivada por marxólogos anti-soviéticos.

Esse cosmopolitismo marxizante somente deixou de fascinar os académicos das grandes universidades do Ocidente quando a URSS se desagregou e um capitalismo selvagem se implantou na Rússia, durante o consulado de Ieltsin.

O desaparecimento da União Soviética - uma tragédia para a Humanidade, festejada no Ocidente como vitória histórica da democracia - atuou como terramoto em partidos comunistas que já tinham optado por um reformismo transparente. Muitos dirigentes apressaram-se a renegar o marxismo. Entre os intelectuais a debandada foi imediata; alguns invocaram a revolução técnico-científica para romper com o passado de comunistas.

O marxismo foi varrido das universidades e das livrarias.

Nos EUA, Francis Fukuyama,um funcionário do Departamento de Estado, anunciou com alegria o «Fim da História», a morte do comunismo e a vitória do neoliberalismo como a ideologia para a eternidade.

PRESENÇA DE MARX

A profecia foi, porém, rapidamente desmentida.

Marx volta hoje a ser editado, lido e o seu pensamento e obra debatidos. Na Europa, na América, na Asia, na Africa, Congressos e Seminários Internacionais são promovidos para o recordar e estudar.

Em Paris Jean Salem promove na Sorbonne desde 2005 um Seminário semanal sobre «Marxismo no seculo XXI» em que participam em média 200 pessoas e que é acompanhado na Internet por dezenas de milhares.
O «Manifesto Comunista» é reeditado em dezenas de países, tal como as obras de Marx e Engels.

Como as causas que estão na origem das grandes revoluções não desapareceram e a crise do capitalismo se tornou estrutural, o renascer do interesse pelo marxismo é hoje uma realidade, não obstante a perda de influência dos partidos comunistas.

A cada ano aumenta o número de Congressos e Seminários Internacionais dedicados a Marx e à sua obra. Essas iniciativas mobilizam porém intelectuais que se situam em quadrantes ideológicos muito diferentes. Era inevitável. Emmanuel Wallerstein criou a expressão «os mil marxismos» em comentário a essa heterogeneidade.

Muitos marxianos interessam-se por Marx numa perspetiva exclusivamente académica. Ignoram a praxis.
Outros, embora afirmando a necessidade da luta contra o capitalismo e o imperialismo, concentram-se apenas em questões teóricas, distanciados de qualquer tipo de militância em organizações politicas.
Não esqueci o comentário ouvido do historiador Albert Soboul quando um comunista, professor da Universidade de São Paulo, no Brasil, expressou uma grande admiração pela contribuição do filósofo Henri Lefèbvre como eminente marxista.

«É verdade – disse - ele escreveu livros importantes. Mas creio que nunca entrou numa fábrica, temo que nunca tenha falado com um operário».

Em Encontros sobre Marx participam também marxianos, sobretudo de tendência trotskista, cujos trabalhos estão mais orientados para a crítica ao «socialismo soviético» do que propriamente para a exegese do pensamento do autor de «O Capital». Recordo o livro de uma historiadora portuguesa que, na tentativa frenética de responsabilizar Álvaro Cunhal pelo desfecho negativo da Revolução de Abril, o define como um menchevique português que teria impedido a luta revolucionária da classe operária…

Atitudes como essas não ocultam uma evidência: o renascimento do interesse por Marx e o marxismo é um fenómeno social e político de âmbito mundial, inseparável da consciência de que o capitalismo está condenado a desaparecer e que a única alternativa é o socialismo.

Reler os clássicos do marxismo, sobretudo Marx, tornou-se uma exigência das grandes lutas da humanidade contemporânea. Para preparar o futuro, como lembra Jean Salem.

*Publicado no numero 3 de «El Machete, revista de teoria y politica» do Partido Comunista do México, Outubro de 2013
**Eric Hobsbawm, «How to Change the World - Marx and Marxism, 1840-2011», London 2011

Ato em frente à seringueira plantada há 25 anos em homenagem a Chico Mendes



Brasil não melhora índices de violência contra jornalistas em 2013

                                                     
 O fotógrafo Walgney Carvalho e o jornalista Rodrigo Neto, ambos mortos em 2013 (Crédito: Reprodução/Estado de Minas)

Igor Waltz*
O Brasil deixou de figurar na lista dos cinco piores países do mundo para o exercício da profissão de jornalista, apesar de o número de ocorrências ter se mantido estável. É o que aponta o balanço anual da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), divulgado na última quarta-feira, 18 de dezembro, em Paris. De acordo com o documento, Brasil e México deixaram o “Top 5” e foram substituídos por Índia e Filipinas. Completam a lista Síria, Somália e Paquistão.
Apesar de ter saído do grupo dos cinco piores, a RSF aponta que cinco jornalistas foram assassinados no Brasil, mesmo número de 2012, enquanto no México foram dois, em comparação aos seis do ano anterior. Para a ONG, o aumento do número de conflitos em outras partes do mundo explica porque o Brasil deixou de figurar entre os países mais perigosos. A cada 10 jornalistas mortos no mundo, quatro morreram em área de conflito.
Em todo o mundo, houve um decréscimo de 20% de assassinatos de profissionais de imprensa. Foram 71 jornalistas assassinados em decorrência de seu trabalho, 17 a menos do que em 2012. Do total, 96% era de homens, 40% morreu em locais de conflito, 37% trabalhava na mídia impressa, veículo seguido pela televisão e pelo rádio (ambos com 30%) e pelos portais online (3%).
Apesar da diminuição, a organização considerou “muito elevado” o número de mortos e o comparou com os 67 casos de 2011 e os 58 de 2010. A RSF ressaltou que a queda dos assassinados coincide com um aumento dos sequestros e das agressões, ligadas a situações muito específicas, como conflitos na Síria e protestos no Brasil, no Egito, na Turquia e na Ucrânia.
Outra organização internacional, o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CJP, na sigla em inglês), com sede em Nova York, aponta dados diferentes da RSF. O CPJ afirma que o Brasil é o 5º país com o maior número de número de morte de jornalistas, com três casos confirmados: o fotógrafo Walgney Assis Carvalho, o jornalista Rodrigo Neto e o radialista Mafaldo Bezerra Goes. O País segue atrás de Síria (21), Egito (6), Paquistão (5) e Somália (4).
Em 2013, o CPJ registrou 52 casos de assassinatos de jornalistas por motivos confirmados e 26 por motivos desconhecidos, além de dois casos de morte de dois profissionais de apoio (um distribuidor e um técnico de rádio e TV). Entre os crimes de motivação confirmada, 58% foram em decorrência de coberturas na área de política, 54% na área de Direitos Humanos e 48% durante conflitos armados.
Sequestros e prisões
                                                                   
    
Policial detém fotógrafo durante protestos em Istambul. (Crédito: BIA News Desk)


A RSF aponta que em 2013 o número de sequestros aumentou 129% até chegar a 87, em relação aos 38 de 2012. Deles, 49 foram sequestrados na Síria, onde 18 repórteres internacionais e 22 locais são reféns. A organização destacou o agravamento da situação para os jornalistas na zona rebelde. O país é seguido pela Líbia, com 14 casos de sequestro.
Além dos sequestrados, 178 jornalistas estão presos no mundo, em países como China, Eritreia, Turquia, Irã e, de novo, Síria. Pequim mantém 30 jornalistas atrás das grades, sem contar os que estão nas chamadas “prisões negras”, cujo número é desconhecido, mas que contribuem para a política de “controle da informação” do regime destinada a promover a autocensura.
Dois presos a menos que na Eritreia, onde a RSF relata “condições carcerárias desumanas”, enquanto na Turquia há 27 jornalistas privados de liberdade, apesar das “tímidas reformas legislativas” e da “abertura histórica de negociações com a rebelião curda”.
Apesar das promessas reformistas do presidente iraniano recém-eleito, Hasan Rohani, o país mantém 20 jornalistas presos. Damasco, por sua vez, reduziu o ritmo de detenções de jornalistas, mas 20 continuam em prisões. Também houve aumento dos sequestros na regiões controlada pelos rebeldes.
Já o CPJ dispõe de dados diferentes dos divulgados pela RSF. A ONG diz que trinta jornalistas estrangeiros foram sequestrados na Síria desde o início do conflito no país, incluindo os americanos Austin Tice e James Foley, os franceses Didier François, Edouard Elias Nicolas Henin e Pierre Torres e os espanhóis Javier Espinosa e Ricardo Garcia Vilanova.
O Comitê destaca que houve uma queda de 232 jornalistas presos em 2012 para 211 em 2013. Antes do ano passado, o número mais alto no censo anual do CPJ foi de 185 prisões em 1996. Para a organização, a Turquia, Irã e China foram os piores carcereiros de jornalistas do mundo, nessa ordem, com um total de 107 detenções.
Em todo o mundo, 124 jornalistas foram presos por acusações contra o Estado, como subversão ou terrorismo. Estas são muito maiores que qualquer outro tipo de acusação, como difamação ou insulto, mas praticamente alinhado com a proporção de acusações contra o Estado em anos anteriores. Em 45 casos, nenhuma acusação foi divulgada. Países que apareceram no censo de 2013 após aprisionarem jornalistas em 2012 foram Jordânia, Rússia, Bangladesh, Kuwait, Macedônia, Paquistão, e República do Congo, além de Egito e Estados Unidos.
Jornalistas online representam a metade, 106, dos prisioneiros. Setenta e nove trabalhavam em impressos. Cerca de um terço dos jornalistas presos globalmente eram freelancers, uma proporção ligeiramente menor do que em anos recentes. Em 2012, 37 por cento dos presos eram freelancers.
* Com informações da EFE, France Press e CPJ.  (Com a ABI)

O tenor brasileiro Jean William a caminho do sucesso mundial

João Vicente Goulart fala sobre a restituição simbólica do mandado de João Goulart pelo Senado

Moedas, geopolítica, imobiliário, finanças...

                                            


2014: a "grande retirada" americana


"O ano de 2013 acaba com o mundo de ontem totalmente gretado; o de 2014 será impiedoso para este mundo do qual restarão apenas as suas ruínas. Mas "pode-se também construir algo de belo com as pedras que estorvam o caminho" e, neste caos, o mundo do porvir já deu os seus primeiros passos como antecipámos no GEAB nº 70 de Dezembro de 2012 . Quer se trate dos reveses económicos ou políticos dos Estados Unidos, do Japão e da União Europeia, das vitórias diplomáticas russas na Síria, Arménia ou Ucrânia, ou ainda das veleidades chinesas no mar da China Oriental, as potências de amanhã preenchem rapidamente o vazio geopolítico deixado pelas potências de ontem. 

Global Europe Anticipation Bulletin" (Com resistir.info)

PCB lança hoje de forma oficial sua pré-candidatura para presidência da República

                                                              

"Construindo o Poder Popular, por um Brasil socialista" é slogan da pré-candidatura do professor Mauro Iasi para as eleições de 2014.

O PCB – Partido Comunista Brasileiro – lança hoje, em evento político e cultural no sindicato dos petroleiros do estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), a partir das 18 horas, a pré-candidatura do professor Mauro Iasi a presidência da República.

Além da pré-candidatura, ocorrerá também a apresentação das teses para o XV Congresso do partido que ocontecerá em abril na cidade de São Paulo.

Leia aqui entrevista de Mauro Iasi dada de forma exclusiva ao Diário Liberdade.

Mauro Iasi é professor da Escola de Serviço Social da Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com diversos livros e trabalhos acadêmicos publicados, sendo que foi presidente do sindicato dos docentes dessa mesma instituição durante o período 2011-2013.

O Sindipetro-RJ fica na Avenida Passos no centro da cidade maravilhosa. Segundo os organizadores haverá transmissão online do evento a partir do site oficial do partido. (Com o Diário Liberdade)

Justiça manda mudar atestado de óbito de Alexandre Vannucchi

                                              


Pedido de retificação foi feito pela Comissão Nacional da Verdade

A 2ª Vara de Registros Públicos do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou, em sentença proferida na última segunda-feira (16) pela juíza Renata Mota Maciel Madeira Dezem, a retificação da causa da morte do estudante Alexandre Vannucchi Leme.

O pedido de retificação foi feito em 8 de outubro de 2013 pela Comissão Nacional da Verdade e assinado pelo então coordenador José Carlos Dias após requerimento dos irmãos da vítima. Em ofício encaminhado à justiça, a CNV apresentou documentos que comprovam que a morte de Vannucchi Leme foi causada por lesões decorrentes de tortura e maus tratos.

A magistrada deferiu o pedido da CNV e ordenou a retificação no atestado de óbito de Alexandre Vannucchi, para constar que a morte decorreu de lesões provocadas por tortura e maus tratos.

Alexandre Vannucchi Leme – Estudante de geologia da Universidade de São Paulo (USP) e militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), Vannucchi tinha 22 anos quando foi preso pelo DOI-CODI do II Exército, em 16 de março de 1973, por volta das 11h. No dia seguinte, às 17h, após ter sido submetido a sessões de tortura, foi encontrado morto em uma das celas do órgão de repressão.

O Estado brasileiro, na época, chegou a divulgar duas versões da causa da morte do estudante: que teria sido atropelado por um caminhão e que teria se jogado contra o caminhão, em um ato suicida. Consta no atestado de óbito que Vannucchi morreu em decorrência de "lesão traumática crânio-encefálica" causada pelo suposto atropelamento.

Apesar de identificado no laudo necroscópico, Vannucchi foi enterrado como indigente e sem caixão, coberto com terra e cal para acelerar a decomposição do corpo e apagar os vestígios de tortura.

Esta é a segunda retificação de atestado de óbito pedida pela Comissão Nacional da Verdade e deferida pela justiça de São Paulo. Em dezembro de 2012, o Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou decisão de primeira instância em pedido semelhante da CNV em relação ao jornalista Vladimir Herzog, assassinado sob tortura no Doi-Codi em 1975.

Nota Política do PCB sobre as eleições de 2014

                                                                       

O PCB tem demonstrado seu compromisso com a unidade daqueles que lutam pelo socialismo e têm enfrentado os governos de pacto conservador que se estabeleceram no Brasil para garantir a ordem burguesa.

Nesse sentido, estivemos presentes nas iniciativas unitárias dos partidos e organizações da esquerda revolucionária, nas lutas de nossa classe, nas manifestações que abalaram o país a partir de junho de 2013 e que certamente voltarão com força em 2014. 

Assim, para além dos períodos eleitorais, procuramos construir, reiteradamente, alianças que refletissem programas unitários e que pudessem, também nas disputas eleitorais, contribuir para a formação de uma frente de esquerda que atuasse em todas as formas de enfrentamento ao capital e seus agentes

Em 2006 e 2010 propusemos um processo de diálogo na esquerda que nos levasse a pontos unitários de um programa, não apenas entre os partidos legalmente registrados, mas entre os movimentos populares, os movimentos sociais e sindicais, as diferentes organizações de trabalhadores e os diferentes segmentos em luta, tentando construir não uma alternativa eleitoral ou de governo, mas uma real alternativa de poder para os trabalhadores brasileiros que vá além do calendário eleitoral.

Ainda que tenhamos avançado muito em nossas lutas, infelizmente, não tem sido possível expressar esta unidade nos momentos eleitorais como gostaríamos e para o que acreditamos ter contribuído nos últimos anos. Não lamentamos. Sabemos que se trata de uma dificuldade que tem razões conjunturais e históricas profundas e que não podem ser superadas apenas pela boa vontade das partes.

Afirmamos e defendemos que é legítimo que os partidos de esquerda lancem suas alternativas e suas propostas para que o espaço eleitoral não se torne um terreno exclusivo do bloco conservador que procura reduzir o debate eleitoral à forma de administração do capital. Os verdadeiros partidos da esquerda socialista têm o dever de fazer um contraponto de forma que a disputa eleitoral não se restrinja ao campo burguês. Têm formulações políticas e quadros à altura desta tarefa, capazes de qualificar a disputa, oferecendo alternativas de esquerda.

Entretanto, como já havíamos informado publicamente, decidimos que não participaremos mais de acertos eleitorais com vistas a coligações meramente utilitárias visando ao coeficiente eleitoral ou a simples possibilidade de eleger parlamentares sem o compromisso com um programa que unifique e represente as aspirações históricas da classe trabalhadora. 

Para nós do PCB, não se trata disso, e sim de afirmar para os trabalhadores, no enfrentamento com o campo conservador, a necessidade de uma alternativa socialista, real e efetiva para enfrentar os problemas de nosso país. Isso poderia ser realizado numa Frente de Esquerda - cenário em que apostamos e tentamos construir nacionalmente -, ou pode ser feito com várias candidaturas do campo de esquerda, cenário que nos parece mais provável.

A pluralidade de candidaturas no campo da esquerda socialista nas eleições de 2014 não pode resultar em nossa divisão nas lutas cotidianas das massas e, muito menos, na ausência de debate programático entre nós, que o processo eleitoral favorece. Pelo contrário. Como as eleições são apenas um aspecto secundário de nossas lutas, as candidaturas da esquerda socialista deverão estimular ações unitárias e debates com todas as forças deste campo, inclusive com os que defendem legitimamente o voto nulo. 

A luta ombro a ombro e a aproximação programática podem vir a contribuir para a constituição de uma verdadeira Frente de Esquerda, para além dos partidos políticos registrados, que seja uma ferramenta revolucionária e não uma mera coligação eleitoral. A frente eleitoral tem que ser expressão desta unidade de ação e do debate programático.

Por isso, saudamos e compreendemos que outras forças de esquerda busquem suas alternativas próprias na disputa eleitoral do próximo ano. De nossa parte estamos apresentando uma alternativa que, segundo pensamos, pode contribuir para qualificar este debate e para a construção de uma alternativa de poder com uma perspectiva socialista e revolucionária. Propomos à esquerda socialista e nos colocamos totalmente à disposição para construir ações comuns e fóruns de debate em todas as regiões do país, com vistas à construção de uma real alternativa de poder socialista e revolucionário.

Como as eleições são apenas uma das trincheiras, nos vemos nas lutas sociais e nas ruas, nos embates de nossa classe, terreno no qual poderemos consolidar frentes unitárias, em vários espaços de luta.

PCB (Partido Comunista Brasileiro)

Comitê Central – dezembro de 2013