terça-feira, 30 de abril de 2013

Anita Leocádia Prestes em Feira de Santana e em Salvador


1º de MAIO: DIA DE LUTA

                                                 

A regressão social avança no Brasil

O dia-a-dia dos trabalhadores brasileiros continua difícil – e com tendência a piorar. Mesmo que numa ou outra área tenha ocorrido alguma melhora, a vida dos proletários e camponeses em nosso país permanece muito dura no conjunto. Uma parte do nosso povo sofre com o desemprego, que atinge principalmente a juventude, ou com emprego precário. Os salários são baixos e estão arrochados por mecanismos que impedem um aumento real em seu valor.

O desemprego, entre outras coisas, condena a juventude trabalhadora a perder a perspectiva de uma vida digna, levando-a, em determinadas regiões, a ser alvo do tráfico de drogas, como consumidores e “trabalhadores” desta lucrativa empresa. Esse fenômeno liga-se a crescente violência social, num processo em que a repressão vai atingir justamente esses grupos, jamais incomodando aqueles que mais lucram com o tráfico.

Está colocado para todos aqueles que sofrem e se indignam com essa situação o desafio de reorganizar um forte movimento operário e popular, capaz de barrar o processo de regressão social que vivemos e conquistar mudanças que signifiquem melhora efetiva para nossas vidas.

É preciso avançar na luta operária e popular contra a intensificação da exploração e a regressão social, a precarização do trabalho, os baixos salários, as longas jornadas, o crescimento do trabalho análogo à escravidão mesmo em áreas urbanas, a deterioração dos serviços públicos, como saúde, educação, transporte coletivo, falta de moradias. 

Nossa luta é pelo aumento real nos salários; pela redução de jornada de trabalho para 35 horas semanais, sem redução de salários; pelo emprego com direitos a todos aqueles que têm condições de trabalhar, na cidade e no campo; pelo fim do trabalho análogo à escravidão. É pelo investimento maciço nos sistemas públicos de educação, saúde, transporte, cultura e lazer. Os trabalhadores merecem. O Brasil tem potencial suficiente para todos terem vida digna.

Nesse 1º de maio de 2013 prestamos nossa homenagem aos operários que trabalharam nas obras da reforma do Maracanã. Eles simbolizam a luta do povo carioca contra a exploração e pela melhoria das condições de vida e trabalho.

Os trabalhadores que reformaram o Maracanã, obra ainda inacabada, fizeram bem o seu trabalho, mesmo em condições adversas. Deixaram o estádio em condições para a realização de jogos da Copa das Confederações no Rio de Janeiro. Mas a que preço? Quase R$ 883 milhões para fazer a reforma do estádio, fora as obras no entorno. 

Com esse dinheiro daria para construir um estádio igual ao que foi palco da abertura da Copa de 2010, na Coréia do Sul. Dinheiro que poderia ser investido nas áreas sociais, como a melhoria da educação e da saúde públicas, que estão sucateadas. Com esse dinheiro daria para construir 14 hospitais de 150 leitos, cada um com capacidade de atendimento ambulatorial de 3.500 pacientes por ano. Ou seja, criação de capacidade física para 2.100 novos leitos e 4,2 milhões de atendimentos ambulatoriais por ano, na cidade do Rio.

Quem ganhou com as obras? As empreiteiras Delta, Odebrecht e Andrade Gutierrez ganharam rios de dinheiro, lucros altíssimos. E dinheiro para pagar salários decentes para os operários? Aí não tem. O salário é uma miséria. Um dos mais baixos em comparação com outras grandes empreiteiras. 

Diante dessa situação os trabalhadores fizeram várias greves. Em 2011 uma greve durou quase 20 dias. Conquistaram aumentos salariais, melhorias nas condições de trabalho e direito à assistência médica. Não fosse pela greve, as coisas estariam muito piores. As mobilizações e greves mostraram a força da união dos trabalhadores e que só a organização e a luta podem melhorar as condições de trabalho e vida do povo. Os trabalhadores nas obras da reforma do Maracanã mostraram o caminho. A saída é a luta!

Outra questão importante: os trabalhadores e o povo assistirão a Copa? Não, poucas pessoas poderão assistir aos jogos. O Maracanã, quando foi inaugurado em 1950 tinha lugar para mais de 120 mil torcedores nas arquibancadas, nas cadeiras e na geral. Em 1969, nas eliminatórias para a Copa de 1970, o jogo Brasil 1 e Paraguai 0, registrou o público pagante recorde de 183 mil. 

Agora, após a atual reforma, serão cerca de 78 mil. E o mais grave é que os ingressos são caríssimos. Resultado: os trabalhadores e o povão vão ficar do lado de fora do Maracanã. No jogo de teste, na reinauguração do Maracanã, para assistir uma “pelada” de veteranos, os trabalhadores foram convidados, entrada grátis. Mas, alegria do povo, futebol de verdade, nos jogos da Copa, no Maraca não!

A privatização do Maracanã

Nas três reformas do Maracanã feitas nos últimos 15 anos, o dinheiro público investido foi de R$ 1,73 bilhão, em valores atualizados. O consórcio que “ganhou” a concessão por 35 anos, com a participação da Odebrecht e o grupo de Eike Batista, pagará um aluguel ao Estado de R$ 7 milhões por ano, R$ 231 bilhões em 35 anos. E tem uma previsão de lucro, ao término da concessão, de R$ 2,94 bilhões, mesmo com gastos em reformas adicionais de R$ 469 milhões. Uma vergonha! O Maracanã, símbolo de nossa cidade, está sendo leiloado a preço de banana.

Mas não é só o Maraca: em nome da Copa e das Olimpíadas, o governo do estado e a prefeitura do Rio estão vendendo a nossa cidade. Saúde, Educação, Moradia, Cultura, Meio Ambiente, Transporte e outros direitos estão sendo reduzidos a negócios lucrativos. O Aterro do Flamengo, outro símbolo, corre o risco de parar nas mãos de Eike Batista, assim como o Maracanã. As OS dominam cada vez mais a saúde e a educação. (...) Enquanto isso, teatros municipais vão fechando as portas.
Em todo o país não é muito diferente. Vivemos hoje uma onda de privatizações e de apoio irrestrito às ações de empreiteiras e outras grandes empresas. No norte do estado do Rio, trabalhadores são expulsos de suas casas e sofrem com os impactos socioambientais do Porto do Açu. O governo federal lamentavelmente comanda a venda de portos, aeroportos e de setores estratégicos das telecomunicações.

Resgatando a história do 1º de Maio de luta

O dia 1º de Maio é o Dia Internacional do Trabalhador. Um dia de combate do proletariado contra a exploração capitalista. Um dia de resgate da luta dos operários de Chicago, cidade que se torna o centro das greves, que começaram em 1º de maio de 1866, pela jornada de trabalho de 8 horas nos Estados Unidos. 

A greve e as manifestações em Chicago são violentamente reprimidas pela polícia e por seguranças das fábricas. Centenas de manifestantes são assassinadas, dentre elas mulheres e crianças. Manifestações de rua proibidas. As sedes dos sindicatos e dos jornais proletários incendiadas. Os líderes operários são perseguidos durante meses. 

Oito operários são presos e julgados sem direito à defesa, “os 8 de Chicago”. No início de outubro a sentença da justiça burguesa condena à morte, por enforcamento Engel, Fisher, Lingg, Parsons e Spies. Fielden e Schwab são condenados à prisão perpétua. Neeb é condenado a 15 anos de trabalhos forçados. Lingg morre na prisão devido aos maus tratos. Em 11 de novembro de 1866 Engel, Fisher, Parsons e Spies são enforcados. Cerca de seis mil operários carregam os corpos de seus mártires pelas ruas de Chicago.

O congresso de fundação da II internacional, realizado em Paris, em 11 de junho de 1889, por iniciativa dos operários norte-americanos, declarou o 1º de Maio como o Dia Internacional do Proletariado.

Em 1894 são deflagradas grandes manifestações pela melhoria das condições de vida e trabalho da classe operária e é conquistada a jornada de 8 horas de trabalho. É revogada a sentença e anunciada a inocência dos Oito de Chicago. O 1º de Maio é consagrado como o Dia Internacional do Trabalhador, da luta proletária contra a opressão e exploração capitalista.

A Organização Comunista Arma da Crítica/RJ apoia e convoca para o 1º de maio, organizado por várias entidades e organizações.
CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA CIDADE, DOS BENS E SERVIÇOS PÚBLICOS
4ª FEIRA, 1º DE MAIO, ÀS 10H
CONCENTRAÇÃO NA PRAÇA AFONSO PENA, TIJUCA
PASSEATA ATÉ O COMPLEXO DO MARACANÃ
Proletários de todos os países, uni-vos!
1º de Maio de 2013
Organização Comunista Arma da Crítica/RJ e CeCAC
Rua Haddock Lobo, 408 / 101 – Tijuca - Rio de Janeiro/RJ
Telefone: (21) 2524-6042 e (21) 8892-5202
E-mails: o.c.armadacritica@terra.com.br; o.c.armadacritica.rj@gmail.com; cecac@terra.com.br

PRIMEIRO DE MAIO- CONFEDERAÇÃO GERAL DOS TRABALHADORES PORTUGUESES

Apesar de críticas, Tarso Genro assina convênio com empresa militar israelense


                                     

Implantação de polo aeroespacial no Rio Grande do Sul é justificativa para acordo polêmico

    
À frente de uma delegação de autoridades regionais e empresários, o governador gaúcho chegou ao Oriente Médio para uma inédita rodada de negócios junto à Autoridade Palestina e a Israel. Trouxe na sua pasta, ao desembarcar na capital israelense dia 26 de abril, alguns projetos de impacto.


Mikhail Frunze/Opera Mundi

A primeira etapa do périplo de Tarso Genro e convidados foi em Ramalah. Assinou convênios para importar tecnologia palestina em cultivo de oliveiras e agricultura familiar. Ofereceu, em contrapartida, assistência para microcrédito, saúde da família e desenvolvimento de projetos agroindustriais.

A atividade mais esperada de sua primeira agenda, contudo, foi a doação de 11,5 mil toneladas de arroz para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), compradas pelo governo federal junto aos estoques reguladores pertencente ao Rio Grande do Sul e que serão entregues ao longo dos próximos doze meses.

Mas foi o programa do outro lado da chamada Linha Verde que provocou rebuliço entre palestinos e israelenses críticos ao governo de Tel Aviv. Na tarde desta segunda-feira, dia 29 de abril, o chefe do Palácio Piratini assinou protocolo com a Elbit, companhia militar de Israel, para parceria no polo aeroespacial gaúcho. O empreendimento deverá ser a segunda base nacional para lançamento de satélites.

Várias entidades (entre as quais, Stop the wall e Coalition of Women for Peace) entregaram uma carta ao governador reclamando da iniciativa, que também constrangeu lideranças da AP. A Elbit, afinal, é denunciada por sua colaboração na construção do muro que segrega os territórios palestinos, além de fornecer equipamentos de segurança para colônias judaicas consideradas ilegais pelas Nações Unidas. Principal corporação bélica israelense, há estimativas de que fature dois milhões de dólares ao dia com os contratos que detêm nessas atividades.

A gravidade das denúncias contra essa companhia já provocou reação de países europeus, incomodados com o desrespeito às resoluções internacionais. O governo norueguês, por exemplo, obrigou seus fundos públicos a venderem todas as ações da Elbit que tinham em carteira. Processos semelhantes estão em curso na Alemanha e na Holanda. A propósito, os três exemplos são de administrações controladas por partidos de direita.

O governador Tarso Genro, em entrevista exclusiva a Opera Mundi, momentos depois de colocar sua assinatura no criticado compromisso com a empresa, refutou as restrições apresentadas. “Se isso é um problema, não é do Rio Grande, mas do governo brasileiro”, afirmou. “A colaboração na área de defesa é uma pauta nacional.”

A Elbit, segundo informou, já é sócia da Embraer em uma empresa de capital misto, que está renovando tecnologia dos aviões Bandeirantes, utilizados pela Força Aérea Brasileira. “Nosso estado tem o dever de estabelecer relações com quaisquer empresas em função de seu projeto regional de desenvolvimento”, justifica.

Tampouco hesita quando confrontado pelo registro de que a Elbit está envolvida com iniciativas consideradas ilegais pela comunidade internacional. “Os Estados Unidos também violaram resoluções da ONU, na guerra do Iraque. Nem por isso as empresas norte-americanas envolvidas nessa ação deixaram de ser parceiras”, defende-se. “Não é possível fazer opções tecnológicas, nacionais ou regionais, com base nesse critério.”
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Mas não haveria uma questão ética envolvida nessa polêmica? Não seria uma contradição condenar a política expansionista de Israel e abrir espaço para a maior corporação privada envolvida na ocupação ilegal dos territórios palestinos? “A ética nas relações comerciais mundiais é definida a partir do interesse nacional”, refuta Genro. “Se esse raciocínio valesse, o Brasil não deveria se relacionar com qualquer empresa ou banco do mundo capitalista, pois todas essas companhias estão alinhadas aos interesses tanto econômicos quanto militares de seus países.”

As reclamações talvez subam de tom nos próximos dias, inclusive dentro do Brasil, onde a repercussão é polêmica. A combinação entre arroz e Elbit parece ser indigesta entre os que discordam do estrangulamento da autonomia palestina. Ainda mais por estar envolvido o patrono do Fórum Social Mundial, considerado por muitos um tradicional defensor da causa do povo de Arafat.(Com Opera Mundi)

O Fórum de São Paulo e a esquerda latino-americana


                                              
EMIR SADER (*)

DESDE sua primeira reunião, em 1990, em São Paulo, o Fórum dos partidos de esquerda da América Latina – que levou o nome da cidade onde fez sua primeira reunião – o Fórum de São Paulo passou por diferentes etapas, até esta reunião em Caracas, de forma paralela à trajetória da esquerda latino-americana.

   1990 foi o ano do lançamento do Consenso de Washington, expressão programática do neoliberalismo e do seu “pensamento único”. Sentiam-se suficientemente seguros e vitoriosos, para que as forças neoliberais buscassem codificar seu triunfo em normas obrigatórias “para qualquer governo sério”.

  Na própria América Latina encontraram eco na direita radical de Pinochet, na socialdemocracia chilena, brasileira, venezuelana, passando pelos nacionalismos peronista na Argentina e do PRI mexicano.

  As forças de esquerda, no plano social, político e ideológico, se encontravam na defensiva, resistindo à avalanche neoliberal, que detinha a hegemonia no continente e o governo de praticamente todos os países. O Fórum de São Paulo era um espaço de resistência, de denúncia, mas também de formulação de alternativas.

  A situação mudou de uma década para a outra, quando o campo popular passou da defensiva à disputa de alternativas, ao embates eleitorais para conquistas governos e construir concretamente alternativas pós-neoliberais.

  Quando faz esta sua reunião em Caracas, o Fórum de São Paulo encara outra fase da esquerda latino-americana. Basta dizer que estão presentes vários partidos que estão nos governos dos seus países há já mais de dez anos – como no caso da PSUV da Venezuela -, ou quase isso – como o PT do Brasil, a Frente Ampla do Uruguai, o MAS da Bolivia, a Aliança País do Equador.

  Entre outras preocupações, se coloca o problema do papel dos partidos diante dos processos pós-neoliberais. Os grandes protagonistas desses processos são governos de aliança, sob a direção de partidos de esquerda. O papel dos partidos de esquerda é, antes de tudo, defender os interesses da esquerda em alianças de centro-esquerda, para garantir a aprofundar as posições da esquerda – as posições antineoliberais e anticapitalistas. Fazê-lo é não apenas lutar contra as sobrevivências do neoliberalismo – o poder do capital financeiro, do agronegócio, da mídia privada, entre outros -, mas articular o posneoliberalismo com o anticapitapitalismo e a construção de um modelo alternativo na América Latina.

  Esta reunião do Fórum de São Paulo se faz no marco das eleições presidenciais da Venezuela, quando Hugo Chávez deve conquistar um novo mandato e consolidar a segunda década de governos neoliberais no continente. E, ao mesmo tempo, quando governos neoliberais enfrentam várias dificuldades, entre elas os conflitos em torno das necessidades incontornáveis de desenvolvimento econômico e o equilíbrio meioambiental.

  Não há solução ótima, geral, que aponte para a resolução de todos os conflitos e casos particulares. É uma das funções essenciais da atualidade que os intelectuais e os dirigentes políticos e sociais construam os espaços de debate entre os governos e os movimentos sociais – indígenas, camponeses, ecológicos – para a solução concreta, política, negociada, de cada um dos conflitos. E, ao mesmo tempo, organizar as formas de pesquisa teórica, analítica, e enfoque mais geral, mais além dos dilemas concretos, de modelos alternativos que compatibilizem, mesmo sob fortes tensões teóricas e políticas e necessidades constante de sempre renovadas formas de sínteses concretas entre o desenvolvimento econômico e a proteção do meio ambiente.

  O Fórum de São Paulo é um dos lugares em condições de assumir essa tarefa, como contribuição essencial ao avanço dos governos pós-neoliberais na direção do anticapitalismo e do socialismo.

 (*) Emir Sader, sociólogo e cientista político brasileiro, é secretário executivo do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso)  (Ciom o Granma)

É A IMPRENSA-EMPRESA, ESTÚPIDO!

                                         
                                                  
Robert Parry, Consortium News


A imprensa-empresa nos EUA jamais foi “liberal” [no Brasil, a imprensa-empresa jamais foi, sequer, “de centro”: sempre foi da direita udenista mais fascista; depois passou a ser tucana-uspeana à moda Sorbonne & Chicago; ultimamente, já é sionista, Opus-Deizista e Danuza-Leão-sista, sempre fascista]. Na melhor das hipóteses, pode-se dizer que houve períodos, em passado não muito distante, quando as grandes empresas-imprensa faziam melhor serviço, ao apresentar os fatos. E havia alguma imprensa “underground” que publicava algum material que a grande imprensa-empresa evitava.

Assim, houve jornalistas que revelaram os horrores da segregação racial nos anos 1950s e 1960s; correspondentes de guerra expuseram parte da cruel violência da Guerra do Vietnã no final dos anos 1960s; algumas grandes empresas-jornais desafiaram o governo dos EUA e publicaram a história real, vazada, daquela guerra, em 1971; o Washington Post revelou uma parte (embora evidentemente não todos) dos crimes políticos de Richard Nixon em 1972-74; e o New York Times liderou a divulgação de uma parte da imunda história da CIA em meados dos anos 1970s.

Apesar de esse trabalho com certeza ofender a Direita e muitas alas do Establishment, todas aquelas matérias tiveram um elemento comum: todas eram histórias verdadeiras. Nesse sentido, não eram nem “liberais”, nem “conservadoras”, nem “centristas”. Eram jornalismo simplesmente acurado, bem feito – e contribuíram para trazer à vida outras instituições democráticas dos EUA, dos protestos nas ruas a pressão, pelos tribunais, contra quem chantageava e pressionava, com lobbies,  funcionários do Estado.

Essa ressurgência da democracia participativa era o que os entrincheirados no poder mais temiam, fosse no sul segregacionista ou nos salões de painéis de carvalho nas paredes dos bancos de Wall Street e grandes empresas. E eles organizaram uma poderosa contra-ação, para simultaneamente (a) impedir novas ‘revelações’ (provavelmente mais ameaçadoras a cada dia) de crimes e erros e vícios, e (b) para reassumir o controle dos canais de informação que influenciam o modo como o povo norte-americano vê o mundo.

Naquele contexto, uma das estratégias mais efetivas de propaganda sempre foi apresentar o jornalismo decente como “de esquerda” e desqualificar os jornalistas decentes como “antiamericanos”. Assim, muitos norte-americanos passariam a duvidar de qualquer informação de boa qualidade; ao mesmo tempo em que passariam a descartar a informação acurada, acusada de ter “viés político”.

Como jornalista empregado da Associated Press e da revista Newsweek nos anos 1980s, conheci várias dessas táticas de jogo duro, quando cobria o governo Reagan, e o governo Reagan tentava manipular a percepção dos cidadãos, inflando o mais possível inúmeras “ameaças externas” (de Manágua a Moscou) e demonizando alguns grupos nacionais (das “rainhas do bem-estar social” aos sindicatos em geral).

Os homens de Reagan referiam-se às suas principais metas como “chutar para bem longe a Síndrome do Vietnã”, quer dizer: apagar, na população dos EUA, qualquer resistência a qualquer movimento para nos arrastar, todos, outra vez, para guerras em países longínquos, empurrados por mentiras.

A guerra nas ondas do éter

A chave para o sucesso sempre foi conseguir controlar a maior quantidade possível de veículos de mídia noticiosa – fosse pela propriedade, nesse caso com empresas cujos proprietários fossem da Direita ativa; ou com pressão sobre os executivos dos veículos de notícias para que adotassem postura mais “patriótica”; ou por intimidação direta contra qualquer um que não se alinhasse.

As táticas deram certo, funcionaram como feitiço. Foram ajudadas por uma mudança na Esquerda, que vendeu ou fechou e, no geral, desistiu, de vários dos veículos da imprensa “underground” da era Vietnã, para concentrar-se “no local”, em questões locais: “pensar globalmente e agir localmente”, dizia a palavra-de-ordem daquele momento.

Essa combinação de fatores deu à Direita e aos conservadores do Establishment domínio completo sobre a imprensa de notícias. Como um exército que controlasse os céus, a Direita e os conservadores passaram a poder fazer o que bem entendessem, para detonar qualquer um que se interpusesse, fosse político, jornalista ou cidadão. Nenhum ser humano atento mais ao fato que à versão nunca mais estaria a salvo, na noite escura que desceu sobre o jornalismo-empresa.

O sucesso da Direita pode ser aferido em diferentes momentos do processo: quando os Republicanos conseguiram esconder o escândalo dos “Contra” do Irã, em 1987 e quando o presidente George H.W. Bush disse, depois de destruir o já destroçado exército iraquiano, em 1991: “chutamos para bem longe, de uma vez por todas, a Síndrome do Vietnã”.

A realidade da imprensa-empresa de notícias – que só fez ampliar-se durante os anos 1990s e no início do novo século – já era, então, que a Direita podia inventar qualquer tema de propaganda, convertê-lo em noticiário e ter certeza de que milhões de norte-americanos engoliriam qualquer coisa. Assim, o presidente George W. Bush conseguiu inventar mentiras para invadir o Iraque em 2003 e os jornais, proprietários e jornalistas das empresas-imprensa não apenas nada fizeram para estabelecer a verdade como, até, o ajudaram a mentir.

Vez ou outra algumas vozes emergiam na Internet e em alguns veículos de baixa circulação e audiência, para desmentir as mentiras de Bush sobre a guerra do Iraque; mas não era difícil para a grande empresa-imprensa desqualificá-los ou ignorá-los. Foi preciso que se acumulasssem os erros e fracassos de Bush na Guerra do Iraque e outras crises locais e internacionais, para que, afinal, aquela potentíssima máquina de propaganda da direita começasse a engripar.

Mas a dinâmica geral nunca mudou. Sim, a rede MSNBC – depois de fracassar na tentativa de posicionar-se tão à extrema direita quanto a rede Fox News – moveu-se um pouco à esquerda, chegou quase ao centro, e conseguiu algum sucesso de audiência com interpretações “liberais” da política doméstica (mas sem jamais desafiar abertamente e seriamente o que o Establishment mandava dizer sobre política externa).

Há também alguns sites na Internet que desafiam a sabedoria convencional e apoiam ativamente o intervencionismo dos EUA em vários pontos do mundo, mas mal sobrevivem, do ponto de vista financeiro, e tem alcance limitado na população em geral.

Comprar as empresas, para escrever as notícias

Agora, tudo leva a crer que, nos próximos anos, a Direita norte-americana consolidará sua dominação sobre a imprensa-empresa de notícias. Em futuro próximo, algumas das mais conhecidas e influentes redes regionais de noticiário poderão já estar sob controle direto de ideólogos ativos da extrema direita nos EUA, como Rupert Murdoch ou os Irmãos Koch.

As Koch Industries, gigante de petróleo e gás, de propriedade privada, que oferece todos os recursos necessários para que Charles e David Koch financiem fartamente inúmeros think tanks libertaristas e organizações do movimento Tea Party, começam a testar a mão em ofertas para comprarem oito veículos regionais da Tribune Company, incluídos aí o Los Angeles Times, o Baltimore Sun, o Orlando Sentinel, o Hartford Courant e o Chicago Tribune, como se lê em matéria publicada no New York Times domingo passado.

Se comprarem os veículos do grupo Tribune, os Irmãos Koch Brothers ter-se-ão presenteado, eles mesmos, com mais uma importante plataforma para distribuir propaganda de extrema direita e fazer da vida política (e, provavelmente, também privada) dos adversários políticos, um perfeito inferno. Lembro, dos meus dias de repórter, cobrindo o Capitólio, do que todos os jornalistas sabiam: nada assusta mais um deputado ou senador, que a oposição obcecada do jornal regional de sua base eleitoral.

Outro que também deve apresentar-se para esse negócio, ou para comprar, pelo menos, o Los Angeles Times, é o magnata sionista Rupert Murdoch, que já é proprietário da rede Fox News e de poderosos jornais diários no Reino Unido e nos EUA, dentre os quais o Wall Street Journal.

Do outro lado, concorrendo com esses pesos-pesados, há empresários um pouco mais liberais, de olho no Los Angeles Times, mas não se sabe se têm condições de competir com as gordas carteiras dos Irmãos Koch e Murdoch. O  New York Times diz que as Indústrias Koch podem ter grande vantagem no negócio, porque comprariam, de uma vez, os oito jornais do grupo.

Alguns, no campo da Esquerda, zombam da ideia de investir na indústria “dinossauro” do jornalismo impresso e questionam o interesse, para a Esquerda, de contar com – que fosse! – pelo menos alguns desses títulos de prestígio no jornalismo dos EUA. Não há dúvidas de que, sim, muitos daqueles jornais estão em decadência, em quase todos os casos por erros de administração, de política empresarial e pela volatilidade dos dólares da publicidade.

Mas ainda são vozes influentes, que falam às populações das áreas metropolitanas interessadas em saber sobre o mundo. Os jornais também definem a pauta de discussão das TV locais e de muitos blogueiros, sobretudo dos blogueiros jornalistas. O Baltimore Sun, por exemplo, produziu a mais importante peça de jornalismo sobre os crimes contra direitos humanos no governo Reagan, na América Central; e publicou inúmeros importantes furos de bom jornalismo sobre espionagem praticada pelo governo Bush contra cidadãos norte-americanos.

É verdade, sim, que vários dos grandes jornais desgraçaram-se, eles mesmo, nas últimas décadas, como o Los Angeles Times e a vergonhosa campanha que moveu contra o jornalista Gary Webb, depois que ele trouxe à tona o escândalo de “Contras” e cocaína, do governo Reagan, no final dos anos 1990s.

Mas páginas de Internet – mesmo as páginas, como esse nosso Consortiumnews.com que tem declarado e forte interesse em fazer jornalismo investigativo – vivem sob a pressão da falta de recursos financeiros e de material humano para produzir esse tipo de projetos de investigação, que são caros, pelo menos com alguma regularidade.

Se não se organizarem maiores investimentos, de cidadãos e empresas honestas – seja na Velha Mídia impressa ou na Nova Mídia eletrônica, para que se produza jornalismo de melhor qualidade –, os EUA continuarão a navegar para o fundo do poço, num mundo de ficção, interesses escusos, paranoia de Direita e fatos falsificados. E isso é grave risco para todo o planeta. (Com Pátria Latina)

45 anos do 1º de Maio na Praça da Sé


                                                  



Sábado Resistente debate protesto contra ato oficial da ditadura e protagonismo do militante Marcos Antonio Braz de Carvalho, o Marquito, da ALN, no enfrentamento com o regime no dia do trabalhador


O próximo Sábado Resistente, 4 de maio, será dedicado ao debate dos 45 anos do 1º de Maio de 1968 na Praça da Sé, quando sindicalistas combativos e militantes da resistência à ditadura presentes à comemoração oficial comandada pelo governador Roberto de Abreu Sodré, da Arena (Aliança Renovadora Nacional), transformaram o ato de propaganda do regime em protesto contra o arrocho salarial.

Um desses militantes era Marcos Antonio Braz de Carvalho, o Marquito, que se tornaria um dos mais destacados líderes da ALN (Ação Libertadora Nacional). Ele cortou os fios do sistema de som quando Abreu Sodré começou a falar, dando início aos protestos dos manifestantes. A polícia reprimiu a manifestação ao perceber que ela fugira ao controle dos organizadores ligados ao governo.

Fotografado pelo Deops (Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo) naquele 1º de Maio, Marquito entrou para a clandestinidade e mergulhou na luta armada. É ele quem aparece na fotografia aicma, identificado como o número "2". Até a sua morte, participou de numerosas ações de recolhimento de fundos para financiar a ALN.

Primeiro comandante do GTA (Grupo Tático Armado) da ALN, escolhido por Carlos Marighella, ele foi morto em janeiro de 1969 pela equipe policial chefiada pelo investigador Raul Nogueira Lima, o Raul Careca – integrante do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) e denunciado como torturador. A necropsia revelou que Marquito recebeu tiros nas costas. Em 2004, a Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do Ministério da Justiça, julgou que o guerrilheiro foi executado pelos policiais.

Durante o Sábado Resistente será distribuída cartilha sobre o militante da ALN Marcos Antonio Braz de Carvalho, o Marquito, produzida pelo Núcleo de Preservação da Memória Política.

Data

4 de maio

Programação

14h: Boas vindas

Katia Felipini (Coordenadora do Memorial da Resistência de São  Paulo)
Coordenação – Maurice Politi (diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política)

14h15 – 16h: Palestras

José Ibrahim (Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, em 1968, e líder da greve da Cobrasma – a primeira após o golpe civil e militar de 1964)
Itobi Alves Corrêa (Advogado, ex-militante da ALN)
Raphael Martinelli (Líder ferroviário, dirigente do CGT (Comando Geral dos Trabalhadores) e presidente do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo)

16h – 16h30

Debate com o público

16h30 – 17h30

Lançamento do livro “Memórias da Resistência”, organizado por Marco Escrivão, Tito Flávio Bellini e Pedro Russo (Compacta Editora Ltda., 2012)
Local
Memorial da Resistência de São Paulo
(Largo General Osório, 66 – Luz Auditório Vitae – 5º andar)

Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Mineradora de Eike tem prejuízo de R$ 55,2 milhões

                                 
                                         

Venda de minério de ferro recuou 28% ante o trimestre anterior

A MMX, mineradora do empresário Eike Batista, encerrou o primeiro trimestre de 2013 com prejuízo líquido de R$ 55,2 milhões, segundo dados divulgados pela empresa nesta segunda-feira (29). No mesmo período de 2012, a empresa registrara lucro de R$ 49,3 milhões.

Apesar das perdas, o resultado ficou acima do obtido no 4º trimestre do ano passado. De outubro a dezembro de 2012, a MMX teve prejuízo de R$ 348,7 milhões.

A receita líquida da companhia entre janeiro e março ficou em R$ 236,9 milhões, uma alta de 49% na comparação com os R$ 159,2 milhões dos três primeiros meses de 2012.

No primeiro trimestre, a produção de minério de ferro foi de 1,5 milhão de toneladas, uma queda de 7% frente ao trimestre anterior, e de 1% em relação ao mesmo período de 2012. A produção do sistema Sudeste da MMX sofreu o impacto negativo das chuvas, em janeiro, em Minas Gerais, informou a empresa em relatório.

O sistema Sudeste da MMX produziu 1,3 milhão de toneladas de janeiro a março, com alta de 7% na comparação anual. O outro polo de produção da empresa, o sistema Corumbá, produziu 242 mil toneladas, com queda de 27% sobre o mesmo período de 2012.

Já as vendas ficaram em 1,4 milhão de toneladas, um recuo de 28% na comparação com os três meses anteriores, e de 2% ante o primeiro trimestre do ano passado.
As exportações passaram de 23% do total de vendas no quarto trimestre para 71%. (Com o G1)

Funcionários param o Banco do Brasil nesta terça

                                                            
 

Sindicatos filiados à Contraf-CUT e do Comando Nacional dos Bancários chamaram greve de 24 horas no BB para esta terça-feira (30). Os funcionários do banco estão parando para protestar contra o novo Plano de Funções e exigir a abertura de negociações sobre este tema. A direção do banco implantou o novo plano de maneira unilateral e desmarcou reunião em que os sindicatos iriam apresentar as suas reivindicações de mudança no novo plano. 

O funcionalismo está descontente com a redução salarial imposta para as novas Funções Gratificadas de 6 horas e com o novo valor do Adicional de Função Gratificada, definido pelo banco em 10% do valor do VR da função. Os comissionados de 8 horas também ficaram revoltados com o novo valor estabelecido para o Adicional de Função de Confiança e só aderiram ao novo plano porque o banco colocou a faca no pescoço de cada um, ameaçando descomissionar quem não aderisse. 

O funcionalismo também percebeu que o critério de remuneração do novo Plano de Funções transformou o VR para cada cargo de piso em teto, reduzindo as verbas de ajuste para cada aumento no salário que o funcionário tiver. A intenção do banco é reduzir despesas com a folha de pagamento - esta foi a maneira que o banco encontrou para não incorporar de vez no salário do comissionado conquistas como o adicional de mérito e outras verbas, impedindo que o funcionário ultrapasse o valor do VR correspondente a seu cargo.

Em vez de diálogo, ataques e truculência 

A direção do BB, em vez de dialogar e negociar com os representantes dos trabalhadores, tem abusado de boletins pessoais dirigidos aos funcionários para atacar os sindicatos da Contraf-CUT e do Comando, que juntos representam 95% dos bancários de todo o Brasil através da Convenção Coletiva de Trabalho - CCT. Este ataque do patrão mostra que os sindicalistas estão no caminho certo, criticando, questionando, reivindicando, organizando os trabalhadores e incomodando os dirigentes da empresa.

No último boletim pessoal, a direção do banco mandou um diretor reafirmar que não negocia o Plano de Funções, mostrando total falta de respeito com os funcionários, que estão descontentes com o modelo do plano de funções e a maneira como foi implantado. Não reconhecem também que transformaram a vida dos bancários num inferno, com tanta pressão por metas, ameaças, torpedos, telefonemas estúpidos e outras formas de assédio moral.

O banco ressuscitou outro tema, a PLR, criticando o fato de existir uma parcela fixa paga a todo mundo, independente do salário. Como todos sabem, a PLR é composta de uma parcela fixa e outra proporcional ao salário modal de cada cargo. A parcela fixa é uniforme para todos. Foi criada para favorecer os salários mais baixos. A direção do banco nunca concordou com esta forma de distribuição, porque sempre quis pagar menos a quem ganha menos para sobrar mais para a cúpula do banco, principalmente para eles próprios.

Nos últimos anos o banco reduziu o valor da parcela fixa e propôs zerá-la na campanha salarial de 2012. Diante desta proposta indecente, os negociadores da Contraf-CUT exigiram escrever no Acordo Coletivo o valor da parcela fixa, de no mínimo R$ 495. O banco aceitou escrever o valor, mas não a palavra "mínimo", para poder dar o troco no semestre seguinte, como de fato aconteceu. 

(Com a Contraf/Sindicato dos Bancários de BH)

Apontamento desde Boston (*)


                                                
António Santos

Nos EUA, o termo «terrorismo» transformou-se num balão de normatividade que, no fundo, serve apenas para distinguir axiologicamente a violência institucional de algumas outras. Uma hora antes do atentado, um drone assassinava «por erro» 30 pessoas numa festa de casamento no Afeganistão. Não só Obama não considerou esta matança como «terrorismo» como praticamente nenhum jornal estado-unidense a referiu.

Muita tinta já correu sobre o atentado que no passado dia 15 de Abril sacudiu Boston, a cidade onde vivo e de onde vos escrevo: duas bombas de fabrico caseiro explodiram na linha de chegada da maratona anual da cidade, causando três mortos e 183 feridos, duas dúzias dos quais graves.

Uma das bombas estalou a uns escassos 10 metros do Consulado de Portugal, que por ser feriado se encontrava encerrado. Maria João, funcionária do Consulado, tinha combinado com a filha de dez anos assistir à chegada dos atletas no preciso lugar onde explodiu a bomba. «À última da hora decidi não ir» explicou-me, «mas ainda não consegui falar com os amigos que estavam lá». Muitos não tiveram a mesma sorte: Carlos Arredondo, dirigente do movimento pela paz e lutador incansável pelos direitos dos imigrantes, perdeu o filho mais velho na guerra do Iraque.

Quando os soldados lhe deram a notícia, regou uma carrinha com gasolina e tentou imolar-se pelo fogo. Um ano depois, o seu filho mais novo suicidou-se, incapaz de ultrapassar a morte do irmão. E no passado dia 15, Carlos foi projectado pelas explosões. «Apesar de ferido, agi instintivamente» contou-me, a propósito da fotografia em que presta auxílio a um homem de cadeira de rodas. Carlos foi parte de uma impressionante dinâmica de generosidade que se levantou nos minutos após os ataques: depois de cruzarem a meta, muitos corredores continuaram a correr até ao hospital mais próximo para doarem sangue.

Com a cidade ocupada pelo exército e pela polícia, Obama anunciou que este se tratava do primeiro ataque terrorista em solo americano desde o 11 de Setembro. Mas por que não consideraram «terroristas» ataques anteriores? Não é terrorismo quando um neonazi entra num templo sikh e massacra sete pessoas, como aconteceu no ano passado?

Aqui nos EUA, o termo «terrorismo» transformou-se num balão de normatividade que, no fundo, serve apenas para distinguir axiologicamente a violência institucional de algumas outras. Uma hora antes do atentado, um drone assassinava «por erro» 30 pessoas numa festa de casamento no Afeganistão. 

Não só Obama não considerou esta matança como «terrorismo» como praticamente nenhum jornal estado-unidense a referiu. Não por economia de espaço, seguramente, já que os media norte-americanos encontraram tempo e lugar para especular que o suspeito seria saudita, negro, islâmico ou falante de árabe. Simplesmente porque na axiologia do terrorismo vs. os bons da fita, as lágrimas de um estado-unidense valem muito mais do que as lágrimas de um afegão.

Mas assim sendo, deveria considerar-se a actuação dos media como o primeiro ataque terrorista em solo americano desde as bombas de Boston: a especulação racista sobre a identidade dos criminosos impôs o medo e a suspeita a milhares de árabes e muçulmanos de toda a cidade, causando casos como o de uma médica que foi espancada por usar véu. Erik Rush, famoso pivô do canal de televisão FoxNews, foi mais longe e apelou aos seus compatriotas para «matarem todos os muçulmanos». Nada disto foi considerado terrorismo.

No dia seguinte, o FBI relevou a identidade dos suspeitos. O embaraço que se abateu sobre os media foi de pouca dura: não eram nem negros, nem sauditas, nem falavam árabe: urgia redefinir a islamofobia.

A comunicação social descobriu que os suspeitos eram imigrantes russos das províncias do Daguestão e da Chechénia e confirmou que eram islâmicos. A caça às bruxas estava de novo em marcha. Célere e taxativo, o senador do Iowa Chuck Grassley culpou a imigração e a facilidade com que «os terroristas entram no país», a comunidade chechena nos EUA foi obrigada a repetidos pedidos de desculpa e os noticiários muniram-se de «especialistas» na Chechénia, no Islão e em imigração russa para explicar os ataques.

Mas quando Adam Lanza foi identificado como o atirador de Newtown, nenhum jornalista alvitrou a necessidade de especialistas em cultura branca suburbana para compreender as suas acções. Depois do tiroteio de Aurora, nenhum pivô convidou especialistas em luteranismo para explicar o massacre de James Holmes. 

Aparentemente, quando o responsável pela violência provém da cultura dominante, essa cultura não é interrogada para compreender acções individuais. Nesse caso, a discussão centra-se nos seus defeitos individuais: doenças mentais; questões do foro emocional, etc. Mas quando o criminoso pertence a uma minoria como a comunidade chechena ou o Islão, esse indivíduo é automaticamente representativo de todo um colectivo e a sua cultura é constituída arguida.

(*) Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2056, 24.4.2013 (Com o diario.info)

Enquanto Dilma torcia no Maracanã, a PM torcia o pescoço de manifestantes do lado de fora...

                                                   
                                
Jornal A Nova Democracia — Na noite de ontem, cerca de 400 pessoas fizeram um protesto durante a partida de futebol que marcou a reabertura do estádio jornalista Mário Filho, o Maracanã, no Rio de Janeiro. Os manifestantes se mobilizaram contra a privatização do tradicional complexo esportivo e os demais impactos dos megaeventos na vida do povo pobre, como a militarização de favelas e a remoção arbitrária de bairros pobres. Participaram do ato, alunos e parentes de alunos da Escola Friedenreich, indígenas da Aldeia Maracanã, atletas e parentes de atletas que treinavam no Estádio de Atletismo Célio de Barros e no Parque Aquático Júlio Delamare, além de diversas pessoas atingidas pelas megaconstruções promovidas pelo gerenciamento Dilma/Cabral/Paes.

Em um determinado momento da manifestação, sem nenhum motivo visível, PMs começaram a jogar bombas indiscriminadamente contra as pessoas que participavam do ato. Entre elas estavam mulheres e várias crianças que estudam no Colégio Municipal Friedenreich. A escola é parte do Complexo Maracanã e ficou entre as dez melhores escolas públicas do Estado do 1° ao 5° ano de ensino, segundo as notas do Ideb (Instituto de Desevolvimento da Educação Básica) de 2011.

Depois de dar uma demonstração da crescente violência do Estado contra os movimentos sociais, PMs prenderam vários manifestantes. Até mesmo um de nossos jornalistas permaneceu por vinte minutos detido acusado de "ser manifestante", apesar de estar identificado e com o seu equipamento na mão. Os presos foram levados para a 18ª DP e liberados depois de prestarem depoimento. Eles responderão pelos crimes de agressão e desacato a autoridade.

Enquanto Dilma torcia no Maracanã, a PM torcia o pescoço de manifestantes do lado de fora...estas cenas eu não vi na TV ontem! Parabéns ao Patrick Granja e o jornal A Nova Democracia: falou Carlos Latuff. Publicado em 18/04/2013, (Com o Site do PCB)

Portugal 2013, o direito à rebelião


                                                
 Miguel Urbano Rodrigues


O desemprego galopante, a miséria de centenas de milhares de famílias, numa sociedade onde a fome já é uma realidade, a convergência de uma multiplicidade de sofrimentos numa angústia colectiva anunciam a proximidade de uma situação de ruptura, num desembocar da indignação das massas.
A Assembleia da Republica, no dia 25 de Abril, tornou-se cenário de um espetáculo que foi ofensa ao povo português. 

Para comemorar a data, Cavaco Silva e a presidente da Assembleia pronunciaram ali discursos que foram exercícios de hipocrisia. 

Assunção Esteves, numa fala ridícula, com pretensões académicas e literárias, ao evocar a jornada de Abril fez a apologia da liberdade e da democracia para ligar ambas ao momento que se vive hoje em Portugal. Na contra-revolução identifica progresso, continuidade do processo libertador. 

Cavaco Silva excedeu-a no cinismo. Em tom grandiloquente abriu com uma ode a Abril para fechar, sob os aplausos frenéticos das bancadas do PSD e do CDS, com a justificação e a defesa da política do governo. Fez recordar, pelo farisaísmo, discursos de Salazar. 

No final, de cravo ao peito, os coveiros de Abril, cantaram Grândola Vila Morena. 

Numa manhã de pesadelo, o anfiteatro do palácio que faz de Parlamento foi transformado em palco de um teatro de absurdo. 

Horas depois, nas ruas de Lisboa, descendo a Avenida da Liberdade, uma multidão representativa do povo português respondeu à farsa reacionária, exigindo a demissão da camarilha que oprime e desgoverna o país. 

O protesto das massas não terá por ora força para varrer do poder Passos e seus ministros. 

Utilizando os mecanismos de um sistema institucional controlado pela classe dominante, o primeiro-ministro prepara-se mesmo para anunciar e aplicar novas medidas contra os trabalhadores. 

Elas configuram mais um desafio ao povo. Mas o desemprego galopante, a miséria de centenas de milhares de famílias, numa sociedade onde a fome já é uma realidade, a convergência de uma multiplicidade de sofrimentos numa angústia coletiva anunciam a proximidade de uma situação de ruptura, num desembocar da indignação das massas. 

A história ensina que na vida dos povos vítimas de uma opressão intolerável, as grandes lutas fermentam por tempo variável ate que eles se levantam em explosões sociais vitoriosas. Então exercem o direito de resistência e à rebelião – direito que é antiquíssimo e consta do artigo 2º da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão promulgada pela Revolução Francesa de 1789. É o direito à resistência contra a opressão económica e social , direito que, após os horrores da segunda guerra mundial, foi incluído na Declaração Universal dos Direitos do Homem (artigos 22 a 25). A Constituição da Republica Portuguesa menciona-o no artigo 21, um direito que o PSD e o CDS, em sucessivas revisões, não conseguiram eliminar da nossa Lei Fundamental. 

Repito: a opressão económica e social ultrapassou em Portugal os níveis do suportável. Mas no país não existem ainda as condições subjectivas para o exercício pleno e eficaz do direito à resistência. 

Contribuir para a sua criação é hoje um dever dos comunistas. A manifestação do Primeiro de Maio dará continuidade ao protesto do 25 de Abril. Expressará, certamente, a indignação popular numa atmosfera de combatividade crescente das massas. Será um avanço. 

Em grandes momentos da nossa Histõria o exercício do direito à resistência desembocou na rebelião popular. Isso aconteceu nas revoluções de 1383 e 1640. E no levantamento nacional de 25 de Abril de 1974. 

Serpa, 28 de Abril de 2013 

Ver também: 

A Revolução de 1383-85 , pelo Gen. Vasco Gonçalves 

O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=2847 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

domingo, 28 de abril de 2013

Quem matou Jango ?


                                            

O Conversa Afiada oferece à Comissão da ½ Verdade subsídios para apurar quem matou Jango e, quem sabe ?, JK e Lacerda, membros da Frente Ampla contra os militares (devidamente anistiados pelo Supremo Tribunal Federal):


Discurso do Joao Vicente Goulart na Comissão de Anistia, dia 18 de março, em Porto Alegre

Membros ilustres da Comissão Nacional da Verdade,
Senhores e Senhoras presentes,

Eu quero ler um requerimento que estamos entregando nesta data à comissão,
mas antes quero consignar algumas palavras.

A VERDADE tem o poder de nos convencer mesmo sem provas.
Eu, minha família e outras pessoas que estiveram no exílio,
Quando escutamos a confissão do agente uruguaio Mario Neira Barreiro
acreditamos no esquema que nos foi relatado,
apesar da história incluir diversos ingredientes desconhecidos e surpreendentes.

Várias aspectos das revelações deste criminoso foram confirmadas depois da entrevista à TV Senado
e por esta razão tomamos uma iniciativa contundente.

Pedimos em novembro do ano de 2007, que o Procurador Geral da República  determinasse a abertura de um inquérito para investigar as circunstâncias da morte de Jango diante da desclassificação de documentos secretos pelo governo brasileiro e pelo Departamento de Estado norte americano que davam foros de credibilidade ao relato do agente uruguaio Mario Neira Barreiro.

Estamos em 2013, e o Ministério Público Federal parece tão surdo quanto à carreata de inocentes uteis que até hoje ignora que apoiou a violação da jovem Soberania e traiu a República.

Conseguimos desarquivar o inquérito do túmulo do descaso, e irá  acontecer uma perícia com a análise dos restos mortais de Jango, mas o resultado pode ser inconclusivo.

Segundo o relato do agente uruguaio, a retenção do corpo na fronteira por quase 48 horas objetivava dissipar as evidências do envenenamento em caso de autópsia no Brasil.

Não sabemos se a tecnologia de hoje pode detectar o envenenamento, o remédio descrito pelo uruguaio composto de 3 componentes difere da lista básica de venenos utilizados pelos marionetes da CIA.
Mas esta perícia não é único meio de esclarecer a VERDADE.

Hoje estou aqui seguindo exemplo do pai.

Jango durante todos os anos de exílio,
12 anos no exterior,
Nunca deixou de sentir necessidade de voltar e ajudar a resgatar seu país do destino macabro
ditado pelo golpe de 01 de abril de 1964.

Meu pai nunca deixou de ter esperança.

Uma Esperança tão louca como aquela senhora  de Mario Quintana
que se joga do edifício e  que o povo encontra incólume na calçada :
outra vez uma menina,
Dotada dos olhos verdes da esperança...

A Esperança nunca morre, mas Jango morreu.
Começou a morrer em 01 de abril de 1964,
Quando viu aquela outra menina,
A Soberania,
Virgem vestal e filha da república,
Ser violada em praça pública por traidores, vendilhões  e estrangeiros.

Hoje sabemos que o crime feito premeditado.

O acervo da CPI do Ibade de 1963 mostra que 85% da imprensa e dos meios de comunicação brasileiros  foram comprados para mascarar esta infâmia com o poder da propaganda.

Violaram a jovem Soberania em nome de Deus, da Pátria e Da Família;

Absurdos dos absurdos, este crime foi confessado em entrevista à TV Globo dada pelo embaixador norte americano que veio ao Brasil vender sua biografia.

E não ouvi uma palavra nem do presidente que estava saindo do cargo e nenhuma do que estava assumindo a liderança do nosso país... violaram a jovem Soberania em praça pública e quase 40 anos depois ninguém mexeu um dedo para protestar contra um dos criminosos se gabar da façanha!

Hoje, existe uma farta documentação comprovando o premeditado desmonte da ordem jurídica interna brasileira!

O crime cometido contra nossa soberania é continuado e engloba o assassinato de Jango.

As circunstâncias da morte de Jango sempre foram suspeitas.
Não houve autópsia.
Houve resistência em trasladar o corpo da Argentina para o Brasil.

Mas 30 anos depois um homem resolveu denunciar o crime.
Um homem me disse pessoalmente que monitorava as escutas ambientais e telefônicas de Jango.
Um homem que estava lá.
Um homem que sabia que eu bati o carro do meu pai e levei para consertar em segredo.
Este homem confessou o assassinato premeditado de Jango.

Ora, todo crime tem uma motivação.
Jango foi uma das vítimas de um amplo programa de expurgo politico por meio de assassinatos seletivos.

Por que?

A explicação mais razoável é a que ouvi do meu advogado Trajano Ribeiro - Ter os militares no poder não interessava mais a quem patrocinou os golpes militares na América latina. Os militares por ofício são nacionalistas. No Brasil estavam colocando uma estatal em cada setor estratégico e arranjaram uma usina nuclear. A solução? O retorno dos civis corruptíveis ao poder. O problema? A ampla gama de líderes nacionalistas que retornariam defendendo a Soberania.

Jango foi assassinado porque era capaz de fazer um acordo até com o Lacerda para salvar a jovem Soberania!

Atentem! A menina Esperança tem o poder da fênix e é capaz de renascer das cinzas,
Mas o resgate da jovem Soberania violada exige um longo esforço para encontrar a cura.

O fato é que nossa jovem Soberania permanece na UTI, coberta de feridas que não se curam.

A cura começa com o resgate da VERDADE.

Verdade que acredito ser o objetivo dessa Comissão!

A Verdade permite o diagnóstico e o tratamento da doença.

Verdade que nos mostra que a jovem Soberania carrega chagas abertas, fétidas e infeccionadas, causadas pela violência, pelo envenenamento, pela tortura e pelo assassinato de seus filhos.

 A verdade é que nossa  República perdeu uma guerra e ainda não enterramos os nossos mortos.

Jango foi enterrado pelo povo de São Borja, mas não teve luto oficial!

Como anunciei antes,
quero ler o requerimento que preparamos e vamos a entregar a esta comissão,
porque  guardo em a Esperança, aquela senhora louca que se joga do ultimo andar e sempre renasce criança.

Venho a esta comissão, em nome de todos aqueles que foram sacrificados na ara da tortura e da tirania,
 exigir que cubram a nudez da violação da nossa soberania com o manto de respeito.

Este manto de respeito tem que ser tecido com o exercício pleno da cidadania que acredita nas fundações de uma República Soberana e no Estado Democrático de Direito sujeito à LEGALIDADE .

Venho pedir a vocês que persigam e encontrem a VERDADE.
Divulguem a verdade e além de ver renascer a esperança,
Possamos prestar as homenagens e o respeitos às vítimas da tirania e aos nossos mortos e
Assim, resgatar alguma dignidade a nossa jovem Soberania...   

 João Vicente Fontella Goulart (Com o Instituto João Goulart)

Morreu a tartaruga egípcia da época de Napoleão


                                                 

Uma tartaruga egípcia que era adulta quando Napoleão invadiu Egito no século XVIII, acaba de falecer com a idade de 270 anos no zoológico de Gizé, um distrito próximo ao Cairo.

Ainda que não existam depoimentos de que a defunta tenha sido apresentada de maneira formal ao Pequeno Corso, a verdade é que também foi testemunha do segundo reinado dos mamelucos, da construção e inauguração do Canal de Suez, da assinatura do tratado de paz egípcio-israelense e os mais de 30 anos do regime de mão de ferro do ex-presidente Hosni Mubarak, obrigado a renunciar por uma revolta popular em 2011.

Um comunicado da instituição refere que o quelônio foi doado pelo  rei Farouk I, um senhor grosso ao que poucos recordam, que se fez notório em seu momento por sua admiração desmedida às estrelas de Hollywood e como deixava dezenas de milhares de dólares da época nos cassinos da Europa.

O maior logro de seu reinado foi comer 600 ostras em uma semana.

Seu reinado terminou com a revolução dos oficiais jovens em julho de 1952, liderada pelos coronéis Gamal Abdel Nasser e Mohamed Naguib.

A comunicação abstém-se de precisar as causas do falecimento, ainda que seja provável que tenha sido de decepção dado o péssimo estado das instalações do zoológico que lhe servia de residência.

A morte da tartaruga provocou uma onda de comentários nas redes sociais, a maioria dos quais observavam que o reptil sobreviveu épocas muito turbulentas ao longo de sua vida, mas foi incapaz de suportar os atuais distúrbios que mantêm este país dividido em partidários e opositores do presidente islâmico Mohamed Morsi. (Com a PL)

Em Moscou "áreas de protestos"


                                                       
                                                                                          Tass
Seguindo o modelo do Hyde Park londrino, que abriga uma área onde os cidadãos podem protestar sobre qualquer tópico desde 1872, as autoridades da capital russa resolveram lançar um projeto semelhante. A partir deste mês, estão sendo criados espaços para a realização de manifestações públicas com até 2 mil participantes, sem a necessidade de autorização prévia.
As autoridades públicas de Moscou dizem que não haverá restrições em relação aos temas abordados nas manifestações. Por isso, estão preparadas para presenciar movimentos de ativistas LGBT e nacionalistas, desde que os grupos não violem as leis municipais ou federais. 

A existência de dois espaços permanentes na cidade, no parques Górki e Sokolniki,também vai facilitar a vida dos funcionários públicos que eram obrigados a efetuar longas negociações com a oposição para definir o local toda vez que era planejado um ato público.

“No verão, frequentam o parque de 10 mil até 100 mil pessoas todos os dias. É um espaço público aberto absolutamente a todos”, justifica a administração do parque Górki. 

Os interessados em realizar as suas manifestações em um desses espaços devem preencher os formulários à disposição nos sites dos parques ou entregar um pedido por escrito para a direção do parque, num período de 15 a 3 dias antes do protesto. Cada uma das áreas de protesto comporta até 2 mil pessoas e as manifestações podem ser realizadas das 7h00 às 22h00. (Com a Gazeta Russa)

LUIZ CARLOS PRESTES


Xi Jinping cumprimenta trabalhadores por seu dia


                                                  
O presidente chinês Xi Jinping cumprimentou neste domingo os trabalhadores e pediu trabalho duro para promover o renascimento do país.

Xi fez o discurso em um encontro com os vencedores do título de "Trabalhadores Modelo" no escritório da Federação dos Sindicatos da China, antes do Dia Internacional dos Trabalhadores, festejado dia 1º de maio.

Ele disse desejar que a classe trabalhadora dê o exemplo na realização do sonho coletivo do país, de renascimento nacional.

A classe trabalhadora sempre liderou a China, sendo a fundação mais confiável e firme do Partido Comunista da China e também a principal força para a construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos, de acordo com o presidente.

Os altos funcionários do Partido e do governo devem aprender com os trabalhadores modelo e prevenir firmemente a burocracia e a extravagância, exigiu o presidente. (Com a CRI)

sábado, 27 de abril de 2013

O PESO DO MUNDO

Falco/Juventud Rebelde

Chapa Prudente de Morais ganha a eleição na ABI


                                                               
Com 188 votos válidos, a Chapa Prudente de Morais venceu a eleição na ABI, realizada nesta sexta-feira, dia 26 de abril. Maurício Azêdo e Tarcísio Holanda concorreram à reeleição para os cargos de presidente e vice-presidente da entidade. Cerca de 200 associados participaram do pleito, superando o quórum de 134 votantes totalizados na eleição transcorrida em 27 de abril de 2012.

A Chapa Prudente de Morais foi construída em torno da defesa das liberdades de expressão e de imprensa e dos direitos humanos. Entre os projetos apresentados pelo grupo estão a continuidade da campanha de ampliação do quadro social e reintegração dos sócios afastados; melhoria e ampliação dos serviços prestados aos sócios, sobretudo no campo da assistência médica; aperfeiçoamento dos serviços culturais e promoção de oportunidades de lazer e de confraternização dos sócios; reativação do Centro de Memória do Jornalismo e da Vida Contemporânea, e criação do Currículo Coletivo dos Jornalistas Brasileiros, para que a memória dos profissionais de imprensa ganhe registro fiel.

Após o anúncio do resultado, o presidente reeleito Maurício Azêdo agradeceu a participação em peso do corpo social e aplaudiu o resultado do pleito.

— A votação de hoje constituiu uma resposta rigorosa do quadro social à campanha de calúnia e difamação feita contra nossa entidade por um bando de associados liderado pelo senhor Domingos Meireles. Tal resultado mostra que essa campanha não criou raízes no corpo social, que elevou em 50% a sua participação na votação em relação às eleições passadas, evidenciando que, no que depender de seus associados, a ABI continuará como entidade forte e vigorosa, em defesa da liberdade de expressão, da liberdade de criação e dos direitos humanos, causas que constituem o centro da atuação da diretoria que tenho a honra de presidir e que agora é contemplada com o voto livre e consciente.

Foram eleitos Fichel Davit Chargel para diretor administrativo; Sérgio Caldieri para diretor financeiro; Ilma Martins da Silva para Diretora de Assistência Social; Henrique Miranda Sá Neto para diretor de Arte e Cultura e Alcyr Cavalcanti para diretor de Jornalismo.

O Conselho Consultivo será formado pelos seguintes nomes: Ancelmo Góis, Aziz Ahmed, Chico Caruso, Miro Teixeira, Nilson Lage, Teixeira Heizer e Villas-Bôas Corrêa.

Para o Conselho Fiscal da entidade foram eleitos Adail José de Paula, Dulce Tupy Caldas, Geraldo Pereira dos Santos, Jarbas Domingos Vaz, Jorge Saldanha de Araújo, Lóris Baena Cunha e Manolo Epelbaum.

Integram o Conselho Deliberativo: Efetivos – André Moreau Louzeiro, Benício Medeiros, Bernardo Cabral, Carlos Alberto Marques Rodrigues, Dulce Tupy Caldas, Fernando Foch, Germano de Oliveira Gonçalves, João Máximo, Marcelo Tognozzi, Milton Temer, Maria Ignez Duque Estrada Bastos, Mário Augusto Jakobskind, Sérgio Cabral, Sérgio Caldieri e Zilmar Borges Basílio. Suplentes – Antônio Calegari, Aluízio Maranhão, Carlos de Sá Bezerra, Daniel Mazola, Gilson Monteiro, Ilma Martins da Silva, José Cristino Costa, Luiz Carlos Azêdo, Manoel Pacheco, Marceu Vieira, Miro Lopes, Moacir Lacerda, Paulo Gomes Netto, Vilson Romeno e Yacy Nunes.

Greve de fome atinge 100 presos em Guantánamo


                                                        
Dos 166 presos que estão na penitenciária militar norte-americana de Guantánamo, 100 já estão em greve de fome como parte de um protesto que começou há quase três meses para chamar a atenção sobre as condições da prisão, informou neste sábado (27/04) um porta-voz da base naval.

O número oficial foi anunciado por e-mail pelo porta-voz da base localizada em território cubano, Samuel House, e representa um aumento notável em relação ao divulgado na segunda-feira passada, quando o Pentágono reconhecia que um total de 84 presos tinham se somado ao protesto.

Várias organizações internacionais, como a ONG Center for Constitutional Rights, afirmam há dias que o número de presos em greve de fome é de pelo menos 130, mas o Pentágono rejeitou até agora essa estimativa. O porta-voz disse ainda que 20 dos detentos em greve são alimentados à força através de tubos com nutrientes líquidos, e que cinco deles estão no hospital.

Um advogado defensor de vários presos em Guantánamo, Carlos Warner, declarou na última terça-feira (23/04) à Agência Efe que metade dos que entraram em greve de fome está sendo forçada a comer. A greve começou no dia 6 de fevereiro em protesto pelas "duras condições disciplinares" nas quais vivem os presos nas instalações da base naval americana, e desde então se somaram a ela cada vez mais réus, a maioria detida no Campo 6, o maior do complexo.

Há duas semanas, as autoridades militares decidiram separar os presos do módulo 6 em celas individuais, o que acabou com um confronto entre os guardas e os presos, que "ofereceram resistência com armas improvisadas", informou o centro penitenciário. Os presos pedem às autoridades que lhes permitam entregar seus exemplares do Corão e receber outros porque, segundo eles, os atuais foram inspecionados de maneira inadequada em fevereiro. Segundo os advogados, essa concessão acabaria com a greve de maneira imediata.

Os guardas da prisão costumam fazer rondas de rotina nas celas em busca de objetos escondidos com os quais os detentos possam ferir carcereiros ou outros presos, mas são proibidos de tocar os exemplares do Corão, e normalmente são linguistas muçulmanos os que têm permissão para fazer buscas no livro sagrado do Islã.

A senadora democrata Dianne Feinstein, presidente do Comitê de Inteligência do Senado, pediu  quinta-feira à Casa Branca que seja retomado o processo de transferência dos 86 detentos de Guantánamo que já receberam o sinal verde para serem libertados. "O fato de que muitos tenham passado mais de uma década em Guantánamo e acreditem que ainda não há fim à vista para eles é uma razão para os crescentes problemas e das cada vez mais comuns greves de fome", afirmou Feinstein em carta ao conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Tom Donilon.

Até agora, o governo norte-americano citou obstáculos diplomáticos para repatriação ou transferência a outros países e a oposição do Congresso dos EUA à possibilidade de que os detentos pisem em território dos EUA como motivos para a estagnação do processo de transferência e fechamento da prisão. (Com Opera Mundi)

René González está em Cuba


                                                   
René González, um dos cinco cubanos condenados injustamente nos Estados Unidos, se encontra emvisita privada e familiar a Cuba informam hoje meios nacionais. René permanece retido em território estadunidense durante três anos de liberdade supervisionada, apesar de ter cumprido sua condenação, e depois do falecimento de seu pai, Cándido González, solicitou permissão ante o Corte para o Distrito Sul da Flórida para acompanhar a sua família.(Com Cubaebate/PL)