sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Niterói suspende greve, que durou 59 dias


Os profissionais de educação do município de Niterói, reunidos em assembleia no dia 28 de setembro, deliberaram pela suspensão da greve, com a manutenção do estado de greve e a não reposição dos dias parados.

Eis o calendário aprovado:

05/10 - Eleições de representantes por escola;

13/10 - 1ª reunião de representantes de escolas no DCE, às 9h;

15/10 – Concentração na Praça da República, às 10h - em frente à Câmara dos Vereadores.

Postado por LUTA PELA EDUCAÇÃO em 30 setembro 2011 às 18:40

Criação do Conselho de Direitos Humanos é vetada na PBH


Seminário Municipal de Direitos Humanos na Prefeitura de Palmas
Foi publicado nesta terça-feira, 27, no Diário Oficial do Município (DOM) o veto do Executivo à Proposição de Lei 182/11, originária do Projeto de Lei 623/09 que prevê a criação do Conselho Municipal de Direitos Humanos.

O vereador Adriano Ventura, autor da matéria, afirma que a aprovação seria um avanço importante na elaboração de políticas públicas e promoção dos direitos humanos na esfera municipal.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A China deu os primeiros passos para a criação de uma estação espacial ao lançar a cápsula não tripulada Tiangong 1

O primeiro módulo foi lançado do centro do país e vai desenvolver técnicas para a construção de um laboratório, que até 2020, deve ser ampliado em uma estação espacial.

A China mantém um ambicioso programa espacial, que inclui planos de uma missão à Lua.

Conforme previsão, após o lançamento, o módulo deverá entrar em órbita a uma distância de 350 quilômetros da terra.

O Tiangong I é um protótipo da China que mede 10,4 metros de comprimento, com o diâmetro máximo de 3,35 metros. Pesa 8,5 toneladas. A vida útil prevista do aparelho é de dois anos, considerada a maior do segmento. Pode ser descrito como um laboratório simples, composto por dois compartimentos, um para guardar carga útil e outro para o trabalho e convívio de até três astronautas.

Os objetivos principais do módulo são acoplar com a espaçonave e estabelecer o laboratório espacial tripulado. A intenção é acumular experiência para formar uma estação espacial, além de fazer testes científicos e tecnológicos no espaço.

O foguete portador Longa Marcha 2-F-T1 foi o responsável pelo lançamento do módulo. Desenvolvido a partir do Longa Marcha 2-F, tem a vantagem de uma maior capacidade de tripulação e exatidão da entrada em órbita.

A China deverá lançar a aeronave Shenzhou 8 ainda este ano para acoplar com Tiangong I. (Com a BBC/Rádio Internacional da China/Google Reader/Divulgação)

Polícia investe contra professores grevistas no Ceará-Violência superior à verificada em BH



Professores da rede pública estadual do Ceará, em greve há 56 dias, foram alvo de violenta repressão da Tropa de Choque na manhã desse dia 29 de setembro, em Fortaleza. Os professores estavam acampados na Assembleia Legislativa desde a noite do dia 28 e, quando os deputados colocaram em votação um projeto do governo Cid Gomes (PSB) que destrói a carreira dos docentes da rede pública, tentaram entrar no plenário. A direção da Assembleia chamou a polícia, que atacou de forma brutal os professores.

“A Tropa de Choque partiu para cima dos professores, jogaram spray de pimenta e bateram muito, os companheiros que estavam em greve de fome apanharam muito”, relatou ao Portal do PSTU Nivânia Menezes, do Comando de Greve e membro da CSP-Conlutas. Pelo menos três professores foram detidos e há vários feridos. Segundo a imprensa local, um professor teria sofrido traumatismo craniano e permanecia internado. Imagens de TV flagraram cenas chocantes da violência policial.

Ao final da repressão, os deputados aprovaram a mensagem do governador, com apenas quatro votos contrários. Mesmo assim, os professores continuaram mobilizados. Eles permanecem nesse momento ocupando a Assembleia e três professores ainda estão em greve de fome. Os grevistas pretendem passar novamente a noite no prédio e amanhã, às 8h, ocorre nova assembleia para definir os rumos do movimento. A luta agora é também pelo veto de Cid à destruição da carreira. O governo, porém, permanece intransigente e afirma que só negocia após o fim da greve.(Com o Diário Liberdade/Portal do PSTU/Divulgação)

Homenagem a Dom Paulo Evaristo Arns é aprovada na Câmara Municipal de São Paulo


Quarta-feira, 14, dia em que Dom Paulo Evaristo Arns completou 90 anos de vida, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou o Projeto de Decreto Legislativo 53/2011, de autoria do vereador Jamil Murad (PCdoB), que dispõe sobre a outorga do Título de Salva de Prata em sua homenagem. A sessão solene acontece no próximo dia 3 de outubro, a partir das 19h, no Salão Nobre da Câmara Municipal (Viaduto Jacareí, 100 - Bela Vista)

“Seu papel de destaque na defesa dos direitos humanos e sua atuação em favor dos oprimidos e por um Brasil justo e igualitário o faz merecedor desta humilde homenagem a ser concedida por esta Casa com honraria em forma de Salva de Prata”, assinalou o vereador ao justificar a homenagem.

Dom Paulo Evaristo Arns foi nomeado bispo auxiliar de São Paulo em 1966. Desde o início ligou-se ao setor progressista da Igreja, organizando cristãos nas comunidades de base. Apoiou a criação de mais de 2 mil Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) nas periferias da metrópole.

Assumiu o cargo de arcebispo da cidade de São Paulo em 1970, a maior arquidiocese do mundo.· Nesta ocasião vendeu o Palácio Episcopal por 5 milhões de dólares e empregou o dinheiro na construção de 1.200 centros comunitários da periferia, demonstrando sua atitude em favor dos menos favorecidos.

Destacou-se como defensor dos direitos humanos durante o período da ditadura militar, quando combateu a intransigência do regime militar e agiu em favor das vítimas da repressão. Passou a ser o porta-voz dos que sofriam torturas nas prisões e aparelhos paramilitares em razão de atividades políticas.

No final dos anos 70 assumiu o projeto “Brasil Nunca Mais”, no qual foi realizada uma investigação minuciosa nos arquivos militares que comprovou a prática da tortura durante o regime militar. Também foi ele o criador da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, que atua em defesa dos direitos humanos.

Sempre esteve ao lado dos líderes sindicais nas greves, apoiou a campanha contra o desemprego, contra a carestia e o movimento pelas eleições diretas.

Sua luta em defesa dos oprimidos e pelo fim da desigualdade social lhe valeu dezenas de prêmios no mundo, sendo o primeiro brasileiro a ser indicado oficialmente para o Nobel da Paz.

Museu contará história das Lutas Camponesas no Nordeste


O município de Sapé, localizado no estado da Paraíba, ganhará um Museu Histórico das Lutas Camponesas no Nordeste. O centro de memória funcionará na casa e no terreno onde viveu João Pedro Teixeira, líder das Ligas Camponesas na Paraíba assassinado no dia 2 de abril de 1962.

Na sexta-feira passada (23), integrantes da organização não-governamental Memorial das Ligas Camponesas se reuniram com Paulo Maldos, secretário de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, para discutir o projeto do memorial.


De acordo com Luiz Damázio de Lima, presidente da ONG Memorial das Ligas Camponesas, a ideia é que Paulo Maldos "faça a ponte com Brasília para a implantação do projeto de Memorial e consiga recursos para a execução”. Segundo ele, a intenção é restaurar a casa onde morou João Pedro Teixeira e lá construir um museu com informações das lutas camponesas no Nordeste.

"Vamos fazer um museu para o resgate da história de João Pedro Teixeira e das lutas pós-João Pedro”, afirma, lembrando que 15 anos depois da morte do líder, reiniciou-se a luta por terra na região. Segundo ele, hoje, o estado da Paraíba possui cerca de 270 assentamentos.

A concretização do Museu Histórico das Lutas Camponesas está cada vez mais próxima. No início deste mês, o Governo do Estado da Paraíba publicou um decreto no Diário Oficial em que declara de utilidade pública mais 2,27 hectares de terras do Sítio Antas do Sono, no povoado de Barra de Antas, em Sapé. Em julho passado, o governo já havia declarado de utilidade pública 4,83 hectares do local.

Além do museu, Luiz Damázio comenta que a intenção é utilizar o terreno para também construir um centro de formação para os agricultores, com área para lazer, comercialização e unidades produtoras baseadas no sistema agroecológico.

A meta, segundo ele, é que pelo menos o museu esteja pronto no dia 2 de abril de 2012, data de celebração dos 50 anos do assassinato de João Pedro Teixeira. "Esse projeto é importante para os agricultores porque resgata a história de um cidadão que deu sua vida pela luta pela melhoria de vida das pessoas. A ideia é dar um rumo melhor à vida dos agricultores e fortalecer a luta deles. Esperamos que esse memorial seja um centro de referência não só no Nordeste, mas também nacional e até internacional”, comenta.

Ligas Camponesas

As Ligas Camponesas foram associações de trabalhadores rurais formadas em Pernambuco e, depois, em estados como Paraíba, Rio de Janeiro e Goiás. Iniciaram em 1955 e se estenderam até 1964 com o objetivo de lutar pela reforma agrária e pela posse de terra. Na Paraíba, destacou-se o núcleo de Sapé, com mais de 10 mil integrantes liderados por João Pedro Teixeira, que foi assassinado no dia 2 de abril de 1962. (Com O Berro)

Futebol é com Flávio Anselmo



PARAENSES VIRAM A SELEÇÃO QUE TODOS QUEREM

Irão dizer os céticos eternos: os argentinos não tiveram Lionel Messi nem os craques que atuam no estrangeiro. Porém, tiveram Montillo e Guiñazu que vivem no nosso dia-a-dia, cheios de elogios. Nós, também, não tivemos os craques lá de fora; só os que estão por aqui. E, pelo visto, a Seleção bem que poderia continuar assim. Neymar, Lucas e Ronaldinho Gaúcho ditaram as normas da verdadeira cartilha brasileira. O melhor em campo foi Cortês a grata surpresa. Diego Souza entrou bem melhor que Borges, apenas razoável até sentir cãibras. Gostei de Danilo na lateral direita, apesar de seu início meio indeciso. De Rever, superior a Dedé.

Até Mano Menezes brilhou: botou dois volantes Ralf e Rômulo na frente da zaga. Segurou mais Danilo e soltou Cortês. Lucas foi um falso armador, função que coube, na realidade, ao estilista RG-10 que botou sua melhor performance na passarela.

Os dois gols brasileiros foram obras primas de contra-ataques. No primeiro, a Argentina teve uma falta na entrada da área brasileira. Montillo chutou na barreira e Danilo iniciou o contra-ataque. Bola no Lucas, este tocou em Borges e saiu em disparada da nossa intermediária. Pela esquerda corria Neymar. Lucas não deu o passe. Correu 50 metros e na cara do goleiro Orion tirou dele- Brasil, l a 0 já no segundo tempo, melhor momento brasileiro.

Nos 2 a 0, Cortês tomou a bola do ataque argentino, na nossa intermediária e desandou. Quase na entrada da área deles fez o passe perfeito, enfiado, pra Diego Souza, que entrara no lugar de Lucas. O ex-atleticano foi ao fundo e rolou na medida pra Neymar, com leve toque, bater Orion. Brasil, 2 a 0.

Vencedor do Superclássico das Américas. Um belo troféu! O Mangueirão, de gramado ruim, foi um espetáculo à parte. Os conterrâneos de Fafá de Belém arrepiaram o Brasil na hora do Hino Nacional e tiveram a recompensa na medida exata. A Seleção da Mano Menezes, pela primeira vez, esteve ousada, alegre e comprometida com a vitória.

Por causa da experiência do primeiro jogo, eu nem pretendia ver este jogo. Ledo engano! Vi algumas coisas que o futebol brasileiro parece que esqueceu lá atrás, bem no passado. Será que voltou pra ficar?

Flávio Anselmo

Acesse meu blog

www.flavioanselmodepeitoaberto.blogspot.com
(Imagem: Ernesto Rodrigues/AE/MSN/Divulgação)

DOMINGO NO INHOTIM

Data: 9 de outubro

Preços:

Traslado (ida e volta) - R$ 20

Entrada para o museu - R$ 20 (maiores de 60 anos: R$ 10)

Visita guiada - R$10

Não inclui alimentação. O museu, localizado em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, possui lanchonetes, restaurantes, pizarias, bar e omeleteria. Aceita cartões (crédito e débito) Visa, Mastercard e American Express.

Saída:

Portaria do SJPMG (Av. Álvares Cabral, 400 – Centro –BH)

Horário: 9h

Retorno: 16 h

Pagamento do traslado: até 5 de outubro no Sindicato.

A atividade faz parte do projeto “A vida não para”, da Diretoria de Aposentados e Previdência.


Informações:

(31) 3224 5011

eventos@sjpmg.org.br

Va Pensiero, com Riccardo Muti

Vamos resgatar o projeto da Ficha Limpa



Queridos amigos do Brasil,

A Ficha Limpa faz um ano hoje-- mas seu destino ainda está ameaçado. O Supremo Tribunal Federal pode vota-la inconstitucional e os Ministros estão divididos. Entretanto, a Presidente Dilma está para escolher o 11 Minsitro que dará o voto final. Vamos fazer história transformando esse primeiro aniversário numa vitória final para varrer a corrupção para fora do Brasil. Clique abaixo para nos ajudar a entregar as 250.000 assinaturas para salvar a Ficha Limpa e encaminhe essa mensagem para todos:

Hoje a Ficha Limpa faz um ano, entretanto nossa grande vitória contra a corrupção pode ainda perder a grande batalha, a não ser que a Presidente Dilma a salve.

O Supremo Tribunal Federal está para decidir se a Ficha Limpa será legal e efetiva para 2012 ou não, mas o STF está dividido e sob a pressão de poderosos interesses daqueles que querem destruir a lei. A Presidente Dilma deve indicar um novo Ministro que irá salvar ou destruir a Ficha Limpa para sempre. Nós temos brigado e vencido cada luta em relação a Ficha Limpa. Vamos nos juntar mais uma vez e pedir para Dilma que escolha um Ministro comprometido a varrer a corrupção do país.

A Ficha Limpa está na corda bamba. Vamos juntos, mais uma vez, ter a certeza de que são as pessoas, e não políticos corruptos, que determinam o futuro do nosso sistema político. Mais de 154.000 de nós já assinaram a petição pedindo à Dilma para escolher um Ministro anti corrupção para o STF. Vamos urgentemente alcançar 250.000 antes de entregarmos essa petição ao escritório da Dilma - clique para se juntar e encaminhar esse e-mail para todos:

http://www.avaaz.org/po/rescue_ficha_limpa/?vl

No início desse mês nós entregamos aos conselheiros de Dilma uma poderosa petição com 150.000 assinaturas pedindo um Ministro anti corrupção. Logo depois do nosso encontro, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Ministro Gilberto Carvalho, disse: “Eu vou agora mesmo lá embaixo falar com a Presidente sobre essas assinaturas”. E o Ministro Jorge Hage nos assegurou que levaria nossas vozes e esperanças diretamente à Presidente.

O Procurador Geral e outros juristas afirmam que a lei anti corrupção é totalmente constitucional. Entretanto, a legalidade da Ficha Limpa tem sido questionada e o Supremo Tribunal Federal está para tomar uma decisão final nos próximo dias, assim que a Presidente substituir a Ministra Ellen Gracie que se aposentou e era uma apoiadora da Ficha Limpa. Com o STF dividido, essa escolha é crucial. Existem rumores de que há um lobby pesado de políticos “sujos” tentando acabar com a lei por meio de um Ministro anti Ficha Limpa. Vamos sobrecarregar o lobby deles com as nossas vozes pedindo por justiça.

Hoje, estamos celebrando o primeiro aniversário da Ficha Limpa. Vamos fazer tudo que pudermos para transformar esse momento de esperança numa vitória final na nossa luta para derrotar a corrupção e limpar a nossa democracia. Participe agora e diga a Dilma para tomar a decisão certa:

http://www.avaaz.org/po/rescue_ficha_limpa/?vl

Quando todos disseram que isso seria impossível, juntos, nosso poder derrotou os esforços de políticos corruptos que tentaram impedir a aprovação da Ficha Limpa no Congresso. A cada passo desse processo, nosso movimento tem respondido com paixão, criatividade, tática e pressão popular -- vamos superar essa etapa final e construir um sistema justo e limpo que proteja nossos direitos e legitime nossas aspirações por uma forte democracia no Brasil.

Com esperança e determinação,

Luis, Diego, Caroline, Morgan, Alice, Ricken and the rest of the Avaaz team

Mais informações:

Aniversário da Lei da Ficha Limpa será comemorado na Câmara (Agência Câmara)

http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/POLITICA/203298-ANIVERSARIO-DA-LEI-DA-FICHA-LIMPA-SERA-COMEMORADO-NA-CAMARA.html

Frei Gilvander na Rádio Favela

Igreja considera "imorais" atitudes de Berlusconi


Ao longo dos últimos anos, a Igreja Católica italiana, em grande parte olhou para o outro lado quando surgiram relatos de uma série de escândalos sexuais e de corrupção entre a elite italiana, muitos deles centrados em torno de primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Mas notícias recentes publicadas de uma festa na casa de Berlusconi, onde uma convidada realizou um striptease vestida como uma freira, aparentemente era mais do que a Igreja podia suportar. Esta semana, a Igreja atacou, ao emitir a sua mais forte reprimenda à classe governante da Itália, lamentando “o comportamento que não só vai contra o decoro público, mas está intrinsecamente triste e vazio”.
Os italianos, segundo a Igreja, olham “seus líderes públicos com consternação e a imagem do país no exterior tem sido perigosamente enfraquecida”, afirmou o cardeal Angelo Bagnasco, chefe da Conferência Episcopal italiana, aos seus colegas bispos nesta segunda-feira. Na terça-feira, ele pediu um “estilo de vida na posição vertical”, dizendo que o país precisava de uma “correção de hábitos”, para ajudá-lo a emergir de uma “cultura do nada”.
Embora o cardeal Bagnasco não tenha destacado o premiê Berlusconi – que está enfrentando acusações de manter relações sexuais com uma menor, julgado em quatro processos por corrupção e envolvido em um escândalo com prostitutas em festas na sua mansão – o cardeal falou de “conduta licenciosa e relacionamentos impróprios”. Assim, o religioso expôs uma classe governante mais preocupada com a auto-preservação, enquanto os italianos normais enfrentam dificuldades financeiras para fazer face às despesas do dia-a-dia.
Quarta-feira, a câmara baixa do parlamento, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil, rejeitou o voto de confiança contra o ministro da Agricultura, Saverio Romano, que está sob investigação na Sicília por supostas ligações com a Máfia. A censura pública é a resposta talvez inevitável para o público católico “que segue cada vez mais intolerante com a ostentação dos estilos de vida que são descaradamente imorais”, disse o padre Antonio Sciortino, editor-chefe do semanário católico Famiglia Cristiana.

Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Sant’Egidio, um grupo católico liberal, apoiou a crítica, argumentando que a elite política da Itália não parecem estar seriamente interessada em resolver os profundos problemas econômicos do país.

– A igreja está observando o empobrecimento gradual dos italianos ao lado de um abismo crescente entre as pessoas e a política. A Igreja está pedindo algo novo. Teme pelo futuro da Itália – disse ele.
Os italianos estão começando a entender as conseqüências da crise da dívida da zona do euro, após a edição de pesadas medidas de austeridade por parte do governo nos últimos dois meses, com o corte de serviços públicos e pensões, bem como o aumento dos impostos. No entanto, essas leis de redução dos custos do governo, bem como os cargos políticos, ainda precisam ser promulgadas, alimentando ainda mais insatisfação pública com a classe dominante. (Com o Correio do Brasil)

A crise na Grécia

ViCman/Rebelión/Divulgação

Reflexões de Fidel


Chávez, Evo e Obama

(Segunda parte e final)

(Extraído de CubaDebate)

Se nosso Prêmio Nobel se autoengana, uma coisa que ainda está a ser demonstrada, isso talvez poderia explicar as incríveis contradições de seus raciocínios e a confusão espalhada entre os ouvintes.

Não há a mais mínima ética, e nem sequer de política, em sua tentativa de justificar sua anunciada decisão de vetar qualquer resolução a favor do reconhecimento da Palestina como Estado independente e membro das Nações Unidas. Até políticos, que nada têm a ver com o pensamento socialista e lideram partidos que foram estreitos aliados de Augusto Pinochet, proclamam o direito da Palestina de ser membro da ONU.

As palavras de Barack Obama, sobre o assunto principal que hoje é discutido na Assembleia Geral dessa organização, só podem ser aplaudidas pelos canhões, os mísseis e os bombardeiros da OTAN.

O resto de seu discurso são palavras vazias, carentes de autoridade moral e de sentido. Observemos, por exemplo, quão órfãs de ideias são quando, em meio deste mundo faminto e saqueado pelas multinacionais e o consumismo dos países capitalistas desenvolvidos, Obama proclama:

"Para superar as doenças, é preciso melhorar os sistemas de saúde. Continuaremos lutando contra a Aids, a tuberculose e a malária, nos concentraremos na saúde dos adultos e crianças e é preciso detectar e lutar contra qualquer perigo biológico, como a H1N1, ou uma ameaça terrorista ou uma doença."

"As ações no âmbito da mudança climática: Devemos empregar os recursos escassos, e continuar o trabalho para construir, tendo como referência o que se fez em Copenhague e Cancun, para que as grandes economias continuem com seu compromisso. Devemos trabalhar juntos, no intuito de transformar a energia, que é o motor das economias e apoiar outros que avançam em suas economias. Esse é o compromisso para as próximas gerações, e para garantirmos que as sociedades consigam suas potencialidades devemos permitir que os cidadãos também consigam suas potencialidades."

Todo o mundo sabe que os Estados Unidos não assinaram o Protocolo de Kyoto e sabotaram todos os esforços por preservar a humanidade das terríveis consequências da mudança climática, apesar de serem o país que consome uma parte considerável e desproporcionada do combustível e dos recursos mundiais.

Deixemos constância das palavras idílicas com as quais pretendia engabelar os homens de Estado ali reunidos:

"Não há nem uma linha reta, nem um único caminho para o sucesso, viemos de diferentes culturas e temos diferentes histórias; mas não podemos esquecer que, quando nos reunimos aqui como chefes de diferentes governos, representamos os cidadãos que partilham as mesmas aspirações básicas: viver em dignidade e em liberdade; ter educação e conseguir as oportunidades; amar suas famílias, e amar e venerar seus deuses; viver em uma paz que faz com que a vida valha a pena ser vivida; a natureza de um mundo imperfeito faz com que tenhamos aprendido estas lições cada dia."

"... porque os que vieram antes que nós acreditavam que a paz é melhor que a guerra, que a paz é melhor que a repressão, e que a prosperidade é melhor que a pobreza. Essa é a mensagem que vem, não das capitais, mas sim dos povos, das pessoas, e quando foram fundados os alicerces desta instituição, Harry Truman veio e disse: As Nações Unidas, basicamente, são a expressão da natureza moral das aspirações do ser humano. Vivemos em um mundo que muda a grande velocidade, esta é uma lição que nunca devemos esquecer. A paz é difícil, mas sabemos que é possível, por isso é que juntos devemos decidir-nos para que isto seja definido pelas esperanças e não pelos temores. Juntos devemos conseguir a paz, uma paz que seja duradoura.

"Muito obrigados."

Escutar estas palavras até o fim merece algo mais que gratidão; merece um prêmio.

Como já expressei, nas primeiras horas da tarde coube proferir seu discurso ao presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Evo Morales Ayma, o qual mergulhou logo nos temas essenciais.

"... há uma clara diferença entre a cultura da vida frente à cultura da morte; há uma clara diferença entre a verdade e a falsidade, uma profunda diferença entre a paz e a guerra."

"... sinto que vai ser difícil entendermo-nos com políticas econômicas que concentram o capital em poucas mãos. Os dados demonstram que 1% da população no mundo concentra 50% das riquezas. Se há essas profundas diferenças, como poderia resolver-se a pobreza? E se não dermos cabo da pobreza, como poderia garantir-se uma paz duradoura?"

"Quando era criança, lembro perfeitamente que antes, quando se produzia uma revolta dos povos contra um sistema capitalista, contra os modelos econômicos de saque permanente de nossos recursos naturais, os líderes sindicais, os líderes políticos de tendência esquerdista eram acusados de comunistas para prendê-los; as forças sociais eram intervindas militarmente: confinamento, exílios, chacinas, perseguições, prisão, acusados de comunistas, de socialistas, de maoístas, de marxista-leninistas. Sinto que isso agora acabou, agora já não somos acusados de marxista-leninistas, mas agora têm outros instrumentos como o narcotráfico e o terrorismo... "

"... preparam intervenções quando seus presidentes, quando seus governos, quando os povos não são pró-capitalistas nem pró-imperialistas."
"... fala-se, é, de uma paz duradoura. Como pode haver uma paz duradoura com bases militares norte-americanas? Como pode haver paz duradoura com intervenções militares?"

"Para que servem estas Nações Unidas, se aqui um grupo de países decide intervenções, chacinas?"

"Se queremos que esta organização, as Nações Unidas, tenha autoridade para fazer respeitar as resoluções, temos então que começar a pensar na ideia de refundar as Nações Unidas... "

"Cada ano nas Nações Unidas decidem — quase cem por cento das nações, exceto Estados Unidos e Israel— desbloquear, acabar com o bloqueio econômico a Cuba, e quem faz respeitar isso? Naturalmente, o Conselho de Segurança jamais vai fazer respeitar essa resolução das Nações Unidas [... ] Não posso entender que em uma organização de todos os países do mundo suas resoluções não sejam respeitadas. O que são as Nações Unidas?"

"Quero dizer-lhes que a Bolívia não está de costas viradas ao reconhecimento da Palestina nas Nações Unidas. Nossa posição é que a Bolívia dá as boas-vindas a Palestina às Nações Unidas."

"Vocês sabem, amáveis ouvintes, que eu provenho do Movimento Camponês Indígena, e em nossas famílias, quando se fala de uma empresa, todo o mundo pensa que a empresa tem muito dinheiro, possui muito dinheiro, são milionários, e não conseguem entender que uma empresa peça ao Estado, que lhe empreste dinheiro para o investimento correspondente."

"Por isso digo que estes entes financeiros internacionais são os que fazem negócios mediante as empresas privadas; mas, quem é que deve pagar por isso? Justamente são os povos, os Estados."

"... A Bolívia com o Chile, temos uma demanda histórica para retornar ao mar com soberania ao Pacífico, com soberania. Por isso, a Bolívia tomou a decisão de acudir aos tribunais internacionais, para demandar uma saída útil e soberana ao oceano Pacífico.

"A Resolução 37/10 da Assembleia Geral da ONU, de 15 de novembro de 1982, estabelece que ‘acudir a um Tribunal Internacional de Justiça, para resolver litígios entre Estados, não deve ser considerado como um ato de inimizade.’

"A Bolívia se ampara no direito e na razão para acudir a um Tribunal Internacional, porque seu enclaustramento é por causa de uma guerra injusta, uma invasão. Exigir uma solução no âmbito internacional representa para a Bolívia a reparação de uma injustiça histórica.

"A Bolívia é um Estado pacífico que privilegia o diálogo com os países vizinhos, e por isso mantém abertos os canais de negociação bilateral com o Chile, sem que isso signifique abrir mão de seu direito de acudir a um Tribunal Internacional... "

"Os povos não são responsáveis pelo enclaustramento marítimo da Bolívia, os culpados são as oligarquias, as multinacionais que, como é costume, se apoderam dos recursos naturais dos povos.

"O Tratado de 1904 não trouxe nenhuma contribuição à paz nem à amizade e, em consequência, durante mais de um século, a Bolívia não possui um porto soberano."

"... na região da América se gesta outro movimento dos países da América Latina com o Caribe, eu diria uma nova OEA sem os Estados Unidos, para liberarmo-nos de certas imposições, felizmente, com a pequena experiência que temos na Unasul. [...] já não precisamos, caso houver algum conflito de países [... ] que venham de lá cima e de fora a pôr ordem."

"Ainda, quero aproveitar esta chance para falar de um tema central: a luta contra o narcotráfico. A luta contra o narcotráfico é usada pelo imperialismo norte-americano com fins netamente políticos. A DEA dos Estados Unidos na Bolívia não lutava contra o narcotráfico, controlava o narcotráfico com fins políticos. Se havia algum líder sindical, ou havia algum dirigente político antiimperialista, para isso estava a DEA: para envolvê-lo. Muitos dirigentes, muitos líderes políticos nos salvamos desse trabalho tão sujo, feito a partir do império, para envolver-nos no narcotráfico. Até agora continuam tentando."

"Na semana passada, alguns órgãos de comunicação dos Estados Unidos anunciavam que o avião da presidência estava preso, com vestígios de cocaína nos Estados Unidos. Que falsidade!, tentam confundir a população, tentam armar uma campanha suja contra o governo, inclusive contra o Estado. Porém, que é que fazem os Estados Unidos? Desqualificam a Bolívia e a Venezuela. Será que os Estados Unidos têm autoridade moral para desqualificar ou certificar os países na América do Sul ou na América Latina?, quando os Estados Unidos são o primeiro consumidor de drogas do mundo, quando os Estados Unidos são um dos produtores de maconha do mundo, primeiro produtor de maconha do mundo [...] De que autoridade dispõem para certificar o desqualificar? É mais uma forma de amedrontar ou intimidar os países, tentar fazer escarmentar os países. Contudo, a Bolívia, com muita responsabilidade, vai lutando contra o narcotráfico.

"No mesmo relatório dos Estados Unidos, isto é, do Departamento de Estado dos Estados Unidos reconhece uma redução neta da cultura de coca, que melhorou a interdição.

"Mas, onde está o mercado? O mercado é a origem do narcotráfico e o mercado está aqui. E quem vai desqualificar os Estados Unidos porque não fez diminuir o mercado?

"Na manhã, o presidente Calderón, do México, dizia que o mercado da droga continua crescendo e por que não há responsabilidades para erradicar o mercado. [... ] Travemos a luta sob uma responsabilidade compartida. [... ] Na Bolívia não temos medo, e é preciso dar cabo do segredo bancário, se queremos travar uma luta frontal contra o narcotráfico."

"... Uma das crises, à margem da crise do capitalismo, é a crise alimentar. [... ] temos uma pequena experiência na Bolívia: damos créditos aos produtores de arroz, milho, trigo e soja, com juros de zero por cento e, inclusive, eles podem pagar a dívida com seus produtos, trata-se de alimentos; ou créditos sem juros para fomentar a produção. Porém, as bancas internacionais nunca levam em conta o pequeno produtor, nunca levam em conta as associações, as cooperativas, que muito bem podem contribuir, se tiverem a chance. [...] Temos que acabar com o comércio chamado de competitividade.

"Em uma concorrência, quem vence?, o mais poderoso, o que tem maiores vantagens, sempre as multinacionais, e que acontece com o pequeno produtor?, que acontece com essa família que quer surgir com seu próprio esforço? [... ] Em uma política de competitividade seguramente nunca vamos resolver o tema da pobreza.

"Mas, finalmente, para findar esta intervenção quero dizer-lhes que a crise do capitalismo é já impagável. [...] A crise econômica do capitalismo não só é conjuntural, mas também é estrutural, e que fazem os países capitalistas ou os países imperialistas?, buscam qualquer pretexto para intervir em um país qualquer e recuperar seus recursos naturais.

"Nesta manhã, o presidente dos Estados Unidos dizia que o Iraque já foi liberado, vão se governar eles próprios. Será que os iraquianos se poderão governar, porém, o petróleo dos iraquianos nas mãos de quem está agora?

"Se congratularam, disseram, que acabou a autocracia na Líbia, agora é a democracia; pode haver democracia mas, nas mãos de quem ficará agora o petróleo da Líbia? [...] os bombardeios não eram por culpa de Gaddafi, por culpa de uns rebeldes, mas sim era buscando o petróleo da Líbia."

"... Portanto, sua crise, a crise do capitalismo, querem superá-la, querem emendá-la recuperando nossos recursos naturais, tendo como base nosso petróleo, tendo como base nosso gás, nossos recursos naturais.

"... temos uma enorme responsabilidade: defender os direitos da Mãe Terra."

"... a melhor forma de defendermos os direitos humanos, agora, é defendendo os direitos da Mãe Terra [... ] aqui temos uma enorme responsabilidade de aprovar os direitos da Mãe Terra. Recentemente, há apenas 60 anos, foi aprovada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Recentemente, há apenas 60 anos, se deram conta nas Nações Unidas que também o ser humano tem seus direitos. Depois dos direitos políticos, os direitos econômicos, os direitos dos povos indígenas, agora temos a enorme responsabilidade de defender os direitos da Mãe Terra.

"Também somos convictos de que o crescimento infinito em um planeta finito é insustentável e impossível, o limite do crescimento é a capacidade degenerativa dos ecossistemas da Terra. [... ] fazemos um apelo a [...] um novo decálogo de reivindicações sociais: em sistemas financeiros, sobre os recursos naturais, sobre os serviços básicos, sobre a produção, sobre a dignidade a soberania, e a partir dessa base começar a refundar as Nações Unidas, para que as Nações Unidas sejam a máxima instância para a solução em temas de paz, em temas de pobreza, em temas de dignidade e soberania dos povos do mundo."

"Esperamos que esta experiência vivida como presidente possa servir de algo para todos nós, como também eu venho aprender de muitos de vocês, para continuar trabalhando pela igualdade e a dignidade do povo boliviano.

"Muito obrigado."

Depois dos medulares conceitos de Evo Morales, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, ao qual permitiram falar dois dias depois, expôs os dramáticos sofrimentos dos habitantes da Palestina: "... a crasa injustiça histórica perpetrada com nosso povo, por isso se chegou ao acordo de estabelecer o Estado ds Palestina em só 22% do território da Palestina e, sobretudo, o território palestino que ocupou Israel em 1967. Tomar esse passo histórico, que aplaudiram os Estados do mundo, permitiu condescender amplamente, para conseguir uma contemporização histórica, que permitiria conseguir a paz, na terra da paz."

"[... ] Nosso povo continuará com a resistência pacífica popular à ocupação de Israel, seus assentamentos e sua política do apartheid, assim como a construção do muro de anexação racista [... ] armado com sonhos, valor, esperança e lemas, diante dos tanques, gás lacrimogêneo, buldôzeres e balas."

"... queremos estender a mão ao governo e ao povo israelense para a imposição da paz, e lhes digo: construamos juntos, de maneira urgente, um futuro para nossos filhos, no qual possam gozar de liberdade, de segurança e de prosperidade. [... ] Construamos relações de cooperação baseadas na paridade, a equidade e a amizade entre dois Estados vizinhos, Palestina e Israel, em vez de políticas de ocupação, assentamentos, guerra e eliminação do outro."

Decorreu quase meio século depois daquela brutal ocupação promovida e apoiada pelos Estados Unidos. Porém, não passa um dia sem que o muro seja erguido, monstruosos equipamentos mecânicos destruam moradias palestinas e algum jovem, e inclusive, algum adolescente palestino, seja ferido ou morto.



Quão profundas verdades continham as palavras de Evo!

Fidel Castro Ruz
26 de setembro de 2011

22h32

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Acredite nos seus sonhos!


Wall Disney muito acertadamente dizia: “Se você pode sonhar, você pode fazer!”. O mundo inteiro conhece o que foi e o que é o sonho deste grande personagem da história mundial. Vou me arvorar neste assunto, endossando o antigo chavão e convidando a todos a darem imaginação e vida aos seus sonhos. No mundo mágico, é ainda mais especial, na medida em que lidamos, o tempo todo, com as ilusões, nossas e do nosso público.
Como é gratificante vermos grandes artistas, de várias artes, e na mágica não é diferente, alcançando os píncaros da glória e do sucesso, tendo iniciado as suas carreiras de maneira tão simples e desprovida de recursos monetários. A maior explicação para isso??? Está nos sonhos. Na capacidade de mentalizar, de acreditar, de prospectar o futuro, de ser determinado em seus princípios e propósitos.

Algumas pesquisas mostram que os sonhos mais audaciosos são mais frequentemente alcançados do que os sonhos tímidos e destituídos de inspiração.

Sejamos pois, caros confrades, sonhadores com a nossa arte e com a nossa vida. Temos o privilégio de trabalhar com a “ilusão”, com a “fantasia” e com o “encantamento”. Se agregarmos a isto os nossos sonhos mais altaneiros, embasados na ética, no altruísmo e na disposição de trabalhar, o caminho estará aberto, sinalizado e pavimentado para os nossos passos...na direção do sucesso e da felicidade.

Temos que sonhar, trabalhar e, sobretudo, superar as forças negativas que rivalizam com os nossos objetivos. O que não faltará na nossa caminhada serão as opiniões pessimistas e profecias nefastas, que soarão como ameaças aos nossos ouvidos. Temos que seguirmos firmes, determinados, filtrando com qualidade os verdadeiros conselhos e aceitando as mãos amigas que também aparecerão na nossa trajetória. Estabeleça metas de curto, de médio e de longo prazo para os seus projetos e seus sonhos, afim de que você possa sempre torná-las tangíveis, factíveis e acessíveis.

Arquimedes dizia: “Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu transformarei o mundo.” Faça do seu sonho a sua alavanca e da sua disposição para o trabalho, o seu ponto de apoio.

Acredite! Pense positivamente! Nós somos o que pensamos. Se agirmos como pensamos e falamos, criaremos hábitos. Serão estes hábitos que nos levarão ao sucesso pessoal e profissional.

Finalizo citando Jean Paul Sartre que nos ensinou: “ O homem será, antes de mais nada, o que tiver projetado ser.”

Sucesso e luz!

Arnóbio Moreira Félix – Bill Morélix

http://www.magicobill.com.br/  (Texto para a Revista Magi

Trabalhadores do Ensino deram demonstração de força, apesar das pressões de todo lado. Eta categoria porreta!( a observação é minha, José Carlos Alexandre)



Diário Liberdade - Após 112 dias, mais de cinco mil professores, que contaram com apoio de estudantes, artistas, movimentos sociais e simpáticos ao movimento grevista, estiveram presentes na assembleia da categoria, realizada na parte externa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais – ALMG – e votaram pela suspensão imediata da grave para iniciar as negociações com o governo estadual encabeçado por Antonio Anastasia. No dia 8 de outubro haverá nova assembleia para avaliar o andamento das negociações.
Na segunda-feira dezenas de professores ocuparam o plenário da Assembleia estadual e cerca de 14 deles ali se acorrentaram para interromper a tramitação do projeto de lei do governo que representava um ataque aos direitos dos trabalhadores da educação, pois mantinha o regime de pagamento que não atendia o piso salarial e não distinguia os planos de carreira, nivelando por baixo a massa salarial dos profissionais de educação.
Durante a madrugada de terça-feira (27) houve ameaças por parte da Polícia Militar invadir o plenário para retirar os professores à força. Também houveram professores e simpáticos ao movimento grevista que permaneceram acampados do lado de fora da ALMG para fazer uma vigília permanente contra o ataque do governo tucano de Antonio Anastasia. O governo, de segunda-feira (26) para terça-feira, sinalizou então que negociaria com os grevistas na terça-feira pela manhã.
Na manhã da terça-feira, por volta das 11 horas da manhã, uma comissão composta por parlamentares favoráveis aos professores e representantes do governo, se reuniu durante 8 horas com os sindicalistas do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE). Após esta reunião, o sindicato apresentou a proposta do governo à assembleia dos professores.

Proposta do Governo Anastasia para os professores

Na proposta, que foi firmada pela comissão, o governo estadual exigiu a suspensão imediata da greve para negociar valores da tabela de faixas salariais a serem cumpridas entre 2012 e 2015 e reconheceu a necessidade da aplicação do piso salarial proporcional no plano de carreira dos trabalhadores de educação estaduais, isto é, a partir do piso estadual de R$ 712,00, que também seria atendido não só para os professores, mas para todos os profissionais da educação estaduais.

Assim, o Estado de Minas Gerais passaria a considerar o tempo de trabalho e a qualificação de escolaridade de seus profissionais para avaliar o salário. Além disso, o governo de Antonio Anastasia se comprometeu a suspender por quinze dias, “para debates”, a tramitação do projeto de lei que institui oficialmente os subsídios no regime de pagamento salarial, não atendendo o piso e o plano de carreira.

O sindicato, por sua vez, defendeu que dependeria do cumprimento deste compromisso do governo para que a categoria encerre a greve. Do contrário, no dia 8 de outubro, quando realizarão nova assembleia para avaliar o atendimento de suas reivindicações por parte do governo, os trabalhadores podem retomar a luta grevista pelo cumprimento do piso salarial nacional.

Ainda durante a tarde, com a abertura do processo de negociação, os professores em greve de fome foram chamados a suspender a greve de fome, que foi feita justamente para que o governo abrisse negociação. Ambos professores foram hospitalizados e liberados poucas horas depois pelo bom estado de saúde.

Chantagem tucana

O governo, que reprimiu com o desligamento de dezenas de diretores/as e de centenas de professores/as, se cumpriu a rever estas demissões e poupar os profissionais que estavam em uma lista de cerca de 280 trabalhadores que seriam punidos nesta quarta-feira (28) caso a greve continuasse.

A assembleia dos professores decide a suspensão imediata da greve

Após apresentar a proposta para os professores e professoras em assembleia, a ccordenadora do Sind-UTE, Beatriz Cerqueira, chamou para a votação da suspensão de uma hora da assembleia dos trabalhadores para que tanto os professores quanto o comando de greve pudessem avaliar as promessas do governo. Após cerca de duas horas, a assembleia foi recomposta, a proposta de suspensão imediata da greve foi aprovada por uma maioria de quase dois terços, enquanto o voto pela continuidade da greve teve pouco menos de um terço de adesões. Os professores retornarão para a salas de aula já nesta quinta-feira (29).

Durante a tarde, com a reabertura das negociações, a coordenadora do Sind-UTE determinou que dois professores, em greve de fome, suspendessem o ato, que durou 8 dias. Os dois passaram por atendimento médico e passam bem.

Estado democrático de Direito, ou Direita?

Na segunda-feira, o Supremo Tribunal Federal havia considerado a greve ilegal por decisão da ministra mineira Cármen Lúcia, respaldando a decisão do desembargador Roney Oliveira do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Como se sabe, o governo de Minas Gerais está ilegal perante a Lei Federal (Lei nº 11.738/08) que garante o Piso Salarial Nacional Profissional de 1.187,97 para 40 horas semanais dos professores. O governo estadual promoveu uma pesada investida judiciária contra os professores, realizando multas contra o sindicato e manobrando o judiciário estadual e federal contra a categoria dos profissionais da educação.

Adesão

Segundo a Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, somente 7 das 3.779 escolas estavam com as atividades totalmente paralisadas, e aproximadamente 564 continuavam com greve parcial. Ainda segundo o governo, o número de professores em greve foi de 8.111, isto é, 5,17% do total. Já para o Sind-UTE a adesão foi de 50%.

Conclusão

Com a adesão sendo comprometida pelos fura-greves, que se tornaram maioria, os grevistas, reprimidos pela polícia, pelo judiciário estadual e federal, e uma campanha permanente em toda a imprensa capitalista mineira, viram-se obrigados a aceitar os acordos da negociação. Após 112 dias em que os grevistas foram submetidos a todos estes ataques e outros mais, como espionagem e assédio por capangas do governo, o governo finalmente apresentou uma negociação rebaixada, que não atende o Piso Salarial Nacional Profissional e utilizou da chantagem da demissão de quase 300 professores grevistas para forçar os trabalhadores a aceitar, sob pena de ter vários de seus líderes e lutadores demitidos de seus postos de trabalho e o refluxo da greve se confirmar.

O Governo tucano de Anatasia certamente venceu esta batalha, mas não a guerra.

Eta categoria porreta!

Começa o Festival San Fermin


TODAS AS QUARTAS O SÃO FIRMINO BOTEQUIM DE BELO HORIZONTE SE TRANSFORMARÁ NUMA GRANDE TABERNA.


É O FESTIVAL SAN FERMIN UNA NOCHE ESPANHOLA.

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Entram em greve trabalhadores da Vilma Alimentos


Hoje (28) desde as 6h, comandados pelo Sindicato dos Trabalhadores das Industrias de Massas Alimentícias de Contagem - SINDMASSAS, os trabalhadores da empresa Vilma Alimentos situada na Cidade Industrial em Contagem, resolveram cruzar os braços, paralisando suas atividades por tempo indeterminado.
Segundo o presidente do SINDMASSAS, motivo da paralisação é que “a empresa atrasou salário em 20 dias, não vem pagando o adicional de insalubridade, corta a cesta básica quando o trabalhador falta de serviço mesmo apresentando o atestado médico, assédio moral, entre outros”.
A paralisação pode ser vista já na porta da empresa com a participação de mais de 300 trabalhadores. O sindicato informou também que até as 08:40h a diretoria da Vilma Alimentos permanecia sem negociar com o movimento.

Fidel Castro espionado por criminoso nazista, revela "Der Spiegel"



Os serviços secretos da Alemanha ocidental Bundesnachrichtendienst  (BND) usaram entre 1958 e 1962 um criminoso nazista, Walter Rauff, que na época morava no Chile, para espionar o líder cubano Fidel Castro, revela neste domingo a revista Der Spiegel.

Rauff, quem após a derrocada do Terceiro Reich fugiu de um campo de prisioneiros aliado para a Síria, primeiro, e para a América Latina depois, foi contatado, quando já estava no Chile, por outro ex-nazista, então agente do BND, para fornecer informações sobre Fidel.

A espionagem ocidental alemã por meio de seu emissário conhecia perfeitamente o papel desempenhado por Rauff durante o nazismo, de coordenador e responsável por unidades móveis de câmaras de gás, desenvolvidas por ele mesmo.

Rauff dirigiu uma unidade especial da SS, que chegou uma dispor de 20 caminhões equipados com câmaras de 1,7 metros de largura por seis metros de comprimento, que estavam conectadas ao cano de escape do veículo de modo que os presos morriam por inalação de gás. Essas câmaras foram utilizadas em campos de concentração perto de Berlim e na Polônia ocupada e também na Ucrânia, detalha a revista.

Apesar disso, o BND contatou com o criminoso nazista, com a incumbência de fornecer aos serviços de espionagem informações sobre Fidel Castro. Em troca dos serviços, Rauff percebeu 70 mil marcos alemães e foi avisado a tempo de destruir todos os seus documentos quando a Polícia o prendeu em Punta Arenas em 1962.

A Der Spiegel conseguiu essas informações de documentos recentemente desclassificados do BND. Rauff foi capturado em 1945 por tropas americanas, mas escapou de um campo de prisioneiros italiano um ano depois e, após uma temporada na Síria e depois no Equador, chegou ao Chile em meados dos anos 50, onde se estabeleceu como homem de negócios em Punta Arenas.

Em 1962 foi detido e foi julgado a partir de um pedido da justiça alemã, que o acusava de 98 mil prisioneiros durante o nazismo. O processo acabou arquivado, porque a justiça chilena considerou que os crimes haviam prescrito por ter passado mais de 15 anos. Ele morreu em 1984 no Chile, onde passou os últimos 26 anos de sua vida, parte deles protegido pelo regime de Augusto Pinochet. (Com Cubadebates)

Cem anos de Nelson Cavaquinho II




Agora em outubro, serão lembrados os 100 anos de Nelson Cavaquinho, uma das maiores expressões da nossa música, “reconhecido oficialmente como gênio” - nas palavras de José Ramos Tinhorão.
Para homenageá-lo, trazemos duas das mais significativas e inspiradas visões sobre o grande criador: um texto de Tinhorão e um documentário de Leon Hirzman. E também acrescentamos duas de suas mais conhecidas composições: “Juízo Final” e "A flor e o espinho".
O texto do pesquisador e jornalista foi escrito para sua coluna no Caderno B do Jornal do Brasil (4/1/1974), quando do lançamento do disco de Nelson e o documentário “Nelson Cavaquinho” foi filmado em 1969 por Leon Hirzman (documentário apresentado em dezembro de 2010 no CeCAC, em nossa confraternização de final de ano e como registro e homenagem ao Dia Nacional do Samba - 2 de dezembro).

A boa palavra de Nélson Cavaquinho [*]

José Ramos Tinhorão

Nos últimos anos, com a descoberta dos grandes criadores das camadas populares por parte da juventude de nível universitário, o compositor Nélson Cavaquinho passou a ser reconhecido oficialmente como gênio.

Essa fama, porém, começava a perigar porque, apesar da legenda criada em torno da figura do curioso trovador de cabelos brancos faltava uma prova em disco. É essa prova que a Odeon vem oferecer agora com o seu LP Nélson Cavaquinho (smofb-8 809), e que constitui, mais do que um documento de genialidade, uma obra de amor. Pela primeira vez em seus quarenta anos de compositor, Nélson Cavaquinho é tratado com a compreensão e o respeito que o seu rústico talento merecia - e estava precisando. Sustentado pelos arranjos discretos dos maestros Gaia e José Briamonte, que em nenhum momento pretenderam ser mais brilhantes do que o compositor, sua voz rouca e seu estranho violão desafiador de todas as escolas podem enfim mostrar que quando o talento é grande, não há fórmulas ultrapassadas. A de Nelson é o velho samba lírico, construído sobre rasteiras e vigorosas experiências vitais, resultadas de toda uma existência aberta às sugestões da frustração e da incerteza, mas também da coragem e da poesia.

Logo na primeira faixa do disco (samba Juízo Final em parceria com Élcio Soares), o compositor oferece uma prova disso quando canta - com um otimismo que situa simbolicamente o povo muito acima do medo e da falta de horizontes que assustam as estruturas - "O sol há de brilhar mais uma vez/A luz há de chegar aos corações/Do mal será queimada a semente/O amor será eterno novamente". Com um profundo sentido metafísico da necessidade de viver - pois que viver é, afinal, o ofício do homem - Nélson Cavaquinho mostra que nessa tarefa é sempre preciso fazer uma escolha, e mesmo quando ela deve ser feita entre o bem e o mal, enquanto houver esperança, ninguém se perderá: "Nunca é tarde prá quem sabe esperar/O que se espera há de se alcançar/Eu plantei o bem e vou colher o que mereço/A felicidade deve ter meu endereço". (O Bem e o Mal em parceria com Guilherme de Brito). E o impressionante em Nélson Cavaquinho é que todas essas coisas são ditas musicalmente com uma extraordinária coerência: se a sua melodia é quase sempre repassada de nostalgia, o ritmo em que se apoia é invariavelmente vigoroso, como se estivesse querendo demonstrar, também em sons, que acima das incertezas da alma, ainda uma vez, está a necessidade da vida.

Essa bela lição aos pobres e angustiados compositores jovens modernos - quase todos mascarando com a busca desesperada de novidades formais, a angústia existencial da classe média - é fornecida por Nélson Cavaquinho com a áspera rouquidão de uma voz que, há quase cinquenta anos, conhece o gelo de todas as cervejas e de todos os chopes do Rio de Janeiro, bebidos entre transbordamentos de poesia e espuma, em quantas madrugadas a boemia inventou como pretexto para ouvi-lo cantar junto aos balcões dos botequins.

Para captar esse espírito que tão bem reflete a verdadeira alma do povo das cidades - e é desde a contracapa do disco magnificamente documentado do diálogo entre Nélson Cavaquinho e o jornalista Sérgio Cabral - a Odeon pode contar com o entusiasmo (e o amor) de um produtor paulista de vocação carioca: J. Botezeli conhecido como Pelão. Além de fazer o compositor gravar uma das faixas tocando o instrumento que lhe deu o apelido (Nélson toca ao cavaquinho o seu choro Caminhando, ao lado do estupendo violão de Dino), Pelão apresenta pela primeira vez em disco Guilherme de Brito, o mais constante (e verdadeiro) parceiro de Nélson Cavaquinho, o que acrescenta aos méritos do LP o caráter de um oportuno ato de justiça.

No mais, o que se tem a dizer, é que o long play da Odeon Nélson Cavaquinho, constituindo o mais importante lançamento no campo da música popular brasileira nos últimos tempos, ganhou muito em ser lançado neste entremeio de tempo em que um ano termina e outro desponta: ele vem mostrar, com a força poética e a rude e inventiva música dos sambas do maior compositor das camadas mais humildes do Rio de Janeiro, que o tempo passa, mas o gênio criativo continua.

[*] Texto publicado originalmente no Jornal do Brasil, Caderno B, Rio de Janeiro, sexta-feira, 4/1/1974, página 2; extraído do livro"Tinhorão, o legendário" (Anexo X - pgs 227 a 230), de Elizabeth Lorenzotti, Editora IMESP, São Paulo, 2010
***
(Com o CeCac)

Cem anos de Nelson Cavaquinho

Mobilização pela Construção do Parque Nacional da Serra do Gandarela


Horário: 2 outubro 2011 de 8:30 a 12:30


Local: Feira de Artesanato - Avenida Afonso Pena com Avenida Alvares Cabral

Organizado por: Movimento pela Criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela

Descrição do evento:

Participe! Ação Gandarela!

O Movimento Gandarela convida os defensores da serra para participar de uma ação: “Mobilização e coleta de assinaturas” em Pela Criação do Parque na Feira de Artesanato de Belo Horizonte.

O ICMBio/MMA(Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade / Ministério do Meio Ambiente) apresentou a proposta de “Criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela” em Setembro de 2010, a qual o movimento Gandarela apóia em vem divulgando. Conheça a proposta completa aqui!

Os participantes ajudam na preservação do Gandarela através da divulgação da serra através de folderes e coleta de assinaturas. Observando que boa parte da população de Belo Horizonte desconhece a existência do Gandarela e sua importância para Região Metropolitana.

O encontro será neste domingo ás 8h30 no centro da feira de artesanato ao lado prédio da Receita Federal - encontro da Avenida Afonso Pena com Avenida Álvares Cabral. Venha com a Camisa do Gandarela!

Caso não possa comparecer, você pode agir pela criação “Parque Nacional da Serra do Gandarela” de varias formas, click nos links abaixo:

1 - Enviando um email para autoridades responsáveis do Estado para criação do Parque.

2 - Divulgando entre seus amigos, via email e rede social.

3 - Abaixo assinado eletrônico

4 - Cadastrando na REDE PROTEÇÃO do GANDARELA

SUA PARTICIPAÇÃO FAZ DIFERENÇA!

Mais informações:

Benedito -(31) 8852-5218

Maurílio - (31) 9993-1106

Maria Teresa(Teca) - 9385-1339

Ver mais detalhes e RSVP em Águas do Gandarela:

http://www.aguasdogandarela.org/events/event/show?id=5309623%3AEvent%3A29603&xgi=438Pwe1hAee0e5&xg_source=msg_invite_event

O mundo perdeu Wangari Maathai


A professora Wangari Maathai deixou-nos mais pobres no domingo passado, aos 71 anos. A sua estada connosco deixa um legado enorme de 45 milhões de árvores, o Movimento Cinturão Verde, grandes avanços para o empoderamento das mulheres, a redução da pobreza e acesso a água potável, fazendo dela uma verdadeira heroína da humanidade, cuja memória permanecerá com a África e com o mundo para a eternidade.

Wangari Maathai nasceu em 1940 perto Nyeri no Planalto Central do Quênia. Ela foi educada no Quênia e nos EUA e foi a primeira mulher do centro/leste da África a receber um doutoramento - da Universidade de Nairobi - em 1971. Em 2002, foi eleita para o Parlamento da Quênia e subiu para a posição de ministra Adjunto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais.

 Maathai deixa sua marca entre nós como um desses iluminados seres humanos cuja capacidade de extrema inteligência, organização e tremenda energia foi combinada com uma abordagem simples, humilde e muito humana perante a vida e as pessoas e demonstrava essa maneira não-intrusiva de estar com outros seres humanos que celebra a nobreza de espírito.

Seu legado é enorme:  Prémio Nobel da Paz, ativista ambiental, ativista contra a pobreza, ativista pelos direitos das mulheres, para o empoderamento das mulheres e militante para o acesso à água potável ... o resultado é igualmente impressionante: ela foi a fundadora do Green Belt Movement (Movimento Cinturão Verde) no Quênia através do qual as mulheres em comunidades rurais plantam árvores para aumentar a sua qualidade de vida.

 Através da criação de viveiros de árvores e plantações, estas mulheres garantem maior acesso à água potável (porque as árvores criam ecossistemas que mantêm a água no solo, também combatem o desmatamento) além de fornecer mais lenha para cozinhar. Ela foi a primeira mulher africana e a primeira ambientalista a ganhar o Prêmio Nobel da Paz (2004).

Desde que foi criado, o Movimento Cinturão Verde foi responsável pelo plantio de cerca de 45 milhões de árvores na África e tem ajudado 900.000 mulheres para criar viveiros de árvores. Wangari Maathai foi patrono do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP, PNUMA em português) e foi a inspiração atrás da Campanha Um Bilião de Árvores do PNUMA, que incentiva as pessoas em todo o mundo para plantar árvores para o benefício das suas comunidades.

Nos últimos anos atuou como Mensageira da Paz das Nações Unidas e foi nomeada membro do grupo de defesa dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, instituído pela Organização das Nações Unidas para fomentar o progresso em alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio na redução da pobreza, fome e doença e aumentar o acesso à educação, empoderamento das mulheres e direitos humanos em 2015.
Lembrando-se do seu compromisso de longo prazo com a sustentabilidade ambiental e o empoderamento das mulheres, apresento a seguir alguns dos muitos elogios que recebeu:

"Sua morte é uma perda para o povo do Quênia e do mundo ... uma campeã reconhecida mundialmente pelos direitos humanos e empoderamento das mulheres" e uma "pioneira na articulação das relações entre direitos humanos, pobreza, protecção ambiental e de segurança." secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
"Ela era uma visionária que viu mais a copa das árvores, mas nunca perdeu de vista as raízes", Jan McAlpine, Director do Secretariado do Fórum sobre Florestas da ONU.

"Wangari Maathai foi uma força da natureza ... Enquanto outros usaram o seu poder e força de vida para criar danos, degradar e extrair lucro a curto prazo a partir do ambiente, ela usou o dela para traçar o seu caminho, mobilizar as comunidades e defender a conservação e o desenvolvimento sustentável". diretor executivo do PNUMA, Achim Steiner. (Com o Pravda Ru/Divulgação)

Reflexões de Fidel


Chávez, Evo e Obama

(Primeira parte)

(Extraído do Cubadebate)

INTERROMPO as tarefas que consumiam o meu tempo nestes dias, para dedicar umas palavras à singular oportunidade que o sexagésimo sexto período da Assembleia Geral das Nações Unidas oferece à ciência política.

O acontecimento anual exige de um singular esforço dos que assumem as mais altas responsabilidades políticas em muitos países. Para eles, constitui uma dura prova; para os amadores dessa arte, que não são poucos, visto que afeta vitalmente todos eles, é difícil escapar da tentação de observar o interminável, porém instrutivo espetáculo.

Existem, em primeiro lugar, um sem-número de temas complicados e conflitos de interesses. Para grande parte dos presentes é preciso tomar posição sobre fatos que constituem flagrantes violações de princípios. Por exemplo: que posição adotar sobre o genocídio da Otan na Líbia? Deseja alguém fazer constar que, sob sua direção, o governo do seu país apoiou o monstruoso crime realizado pelos Estados Unidos e seus aliados da Otan, cujos sofisticados aviões de combate, com ou sem piloto, levaram a cabo mais de vinte mil missões de ataque contra um pequeno Estado do Terceiro Mundo que possui apenas seis milhões de habitantes, alegando as mesmas razões que ontem foram utilizadas para atacar e invadir a Sérvia, Iraque, Afeganistão e hoje ameaçam de fazer o mesmo na Síria ou em qualquer outro país do mundo?

Por acaso não foi precisamente o governo do Estado anfitrião da ONU que ordenou a chacina do Vietnã, Laos e Camboja, o ataque mercenário na Baía dos Porcos, em Cuba, a invasão de São Domingos, a "Guerra Suja" na Nicarágua, a ocupação de Granada e do Panamá pelas forças militares dos Estados Unidos e o massacre de panamenhos em El Chorrillo? Quem promoveu os golpes militares e o genocídio no Chile, na Argentina e no Uruguai, que custaram milhares de mortos e desaparecidos? Não estou falando de fatos ocorridos há 500 anos, quando os espanhóis iniciaram o genocídio na América, ou há 200, quando os ianques exterminavam indígenas nos Estados Unidos ou escravizavam africanos, apesar de "todos os homens nascerem livres e iguais" como dizia a Declaração da Filadélfia. Estou falando de fatos acontecidos nas últimas décadas e que hoje estão acontecendo.

Estes fatos devem ser lembrados quando tem lugar um acontecimento da importância e do relevo da reunião que se realiza na Organização das Nações Unidas, onde se põe à prova a inteireza política e a ética dos governos.

Muitos deles representam países pequenos e pobres necessitados de apoio e de cooperação internacional, tecnologia, mercados e créditos, que as potências capitalistas desenvolvidas têm manejado a seu bel-prazer.

Apesar do monopólio descarado da mídia e dos métodos fascistas dos Estados Unidos e seus aliados para confundir e enganar a opinião mundial, a resistência dos povos cresce, e isso pode ser constatado nos debates que têm lugar nas Nações Unidas.

Muitos líderes do Terceiro Mundo, apesar dos entraves e das contradições indicadas, colocaram com valentia suas ideias. As vozes dos governos da América Latina e do Caribe já não têm o tom bajulador e vergonhoso da OEA, que caracterizou os pronunciamentos dos chefes de Estado em décadas passadas. Dois deles dirigiram-se a esse fórum; ambos, o presidente venezuelano Hugo Chávez, mistura das raças que integram o povo da Venezuela, e Evo Morales, de pura ascendência indígena milenar, colocaram seus conceitos nessa reunião, um, por meio de uma mensagem, e outro, de viva voz, contestando o discurso do presidente ianque.

A Telesul transmitiu os três pronunciamentos. Por isso soubemos, desde a noite da terça-feira 20, a mensagem do presidente Chávez, lida detidamente por Walter Martínez em seu programa Dossiê. Obama proferiu seu discurso na manhã da quarta-feira, como chefe de Estado do país anfitrião da ONU, e Evo pronunciou o seu nas primeiras horas da tarde desse mesmo dia. Para ser mais breve escolherei parágrafos essenciais de cada texto.

Chávez não pôde assistir pessoalmente à Reunião de Cúpula das Nações Unidas, após 12 anos de luta incansável, pondo sua vida em risco e afetando sua saúde e hoje luta corajosamente por sua plena recuperação. Contudo, era difícil que sua mensagem valente não abordasse o tema mais crítico da histórica reunião. Transcrevo-a quase na íntegra:

"Dirijo estas palavras à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, […] para ratificar neste dia e neste cenário, o total apoio da Venezuela ao reconhecimento do Estado palestino: o direito da Palestina de se tornar um país livre, soberano e independente. Trata-se de um ato de justiça histórica, com um povo que leva em si, desde sempre, toda a dor e o sofrimento do mundo."

"O grande filósofo francês Gilles Deleuze, […] diz com o matiz da verdade: "A causa palestina é, antes de tudo, o conjunto de injustiças que este povo padeceu e continua padecendo." E também é, atrevo-me a acrescentar, uma permanente e firme decisão de resistência que está já inscrita na memória heróica da condição humana. […] Mahmud Darwish, voz infinita da possível Palestina, fala-nos a partir do sentimento e da consciência desse amor: ‘Não precisamos da lembrança/ porque em nós está o Monte Carmelo/ e em nossas pálpebras está a erva da Galileia./ Não digas: se corrêssemos até o meu país como o rio!/ Não digas!/ Porque estamos na carne de nosso país/ e ele está em nós.’

"Contra aqueles que sustentam falazmente que o acontecido ao povo palestino não é um genocídio, o próprio Deleuze sustenta com lucidez implacável: ‘Em todos os casos se trata de fazer como se o povo palestino não apenas não deveria existir, mas que nunca tivesse existido. Quer dizer, é o zero grau do genocídio: decretar que um povo não existe; negar-lhe o direito à existência’."

"…a resolução do conflito do Oriente Médio passa, necessariamente, por fazer justiça ao povo palestino; este é o único caminho para conquistar a paz."

"Magoa e indigna que os que padeceram um dos piores genocídios da história tenham se tornado carrascos do povo palestino; magoa e indigna que a herança do Holocausto seja a Nakba. E indigna, simplesmente, que o sionismo continue fazendo uso da chantagem do antissemitismo contra os que se opõem aos seus atropelos e aos seus crimes. Israel tem instrumentado e instrumenta, com descaramento e vileza, a memória das vítimas. E o faz para agir, com total impunidade, contra a Palestina. De passagem, é bom precisar que o antissemitismo é uma miséria ocidental, europeia, da qual não participam os árabes. Não devemos esquecer, também, que é o povo semita palestino quem é alvo da limpeza étnica praticada pelo Estado colonialista israelense."

"…uma coisa é rejeitar o antissemitismo, e outra bem diferente é aceitar passivamente que a barbárie sionista imponha um regime de apartheid ao povo palestino. Do ponto de vista ético, quem rejeitar o primeiro, tem que condenar o segundo."

"… o sionismo, como visão do mundo, é absolutamente racista. As palavras de Golda Meir, em seu aterrador cinismo, são prova eloquente disso: ‘Como vamos devolver os territórios ocupados? Não há ninguém para devolvê-los. Não há tal coisa chamada palestinos. Não era, como a gente pensava, que existia um povo chamado palestino, que se considera ele próprio como palestino e que nós chegamos, os expulsamos e lhes tiramos seu país. Eles não existiam.’"

"Leia-se e releia-se esse documento que se conhece historicamente como Declaração de Balfour, do ano de 1917: o governo britânico se atribuía a faculdade de prometer aos judeus um lar nacional na Palestina, ignorando deliberadamente a presença e a vontade dos seus habitantes. É preciso acrescentar que na Terra Santa conviveram em paz, durante séculos, cristãos e muçulmanos, até que o sionismo começou a reivindicá-la como de sua inteira e exclusiva propriedade."

"Após terminar a Segunda Guerra Mundial, exacerbou-se a tragédia do povo palestino, consumando-se a expulsão de seu território e, ao mesmo tempo, da história. Em 1947, a ominosa e ilegal resolução 181 das Nações Unidas sugeriu a divisão da Palestina como um Estado judeu, um Estado árabe e uma zona sob controle internacional (Jerusalém e Belém). Foi concedido, […]56% do território ao sionismo para a constituição de seu Estado. De fato, esta resolução violava o Direito Internacional e ignorava flagrantemente a vontade das grandes maiorias árabes: o direito dos povos à autodeterminação se convertia em letra morta."

"…contra o que Israel e os Estados Unidos pretendem fazer acreditar ao mundo, através das multinacionais da comunicação, o que aconteceu e continua acontecendo na Palestina, digamo-lo junto de Said, não é um conflito religioso: é um conflito político, de cunho colonial e imperialista; não é um conflito milenar, mas sim contemporâneo; não é um conflito que nasceu no Oriente Médio, mas sim na Europa.

"Qual era e qual continua sendo o miolo do conflito?: Privilegia-se a discussão e consideração da segurança de Israel, e para nada a da Palestina. Assim pode-se verificar na história recente: basta lembrar o novo episódio de genocídio desencadeado por Israel através da operação ‘Chumbo Fundido’ em Gaza.

"A segurança da Palestina não se pode reduzir ao simples reconhecimento de um limitado governo e autocontrole policial em seus ‘enclaves’ da ribeira ocidental do Jordão e na Faixa de Gaza, deixando de fora, não apenas a criação do Estado palestino, sobre as fronteiras anteriores a 1967 e com Jerusalém oriental como sua capital, os direitos de seus nacionais e sua autodeterminação como povo, mas também a compensação e conseguinte regresso à Pátria de 50% da população palestina, que está espalhada pelo mundo inteiro, conforme estabelece a resolução 194."

"É incrível que um país (Israel) que deve sua existência a uma resolução da Assembleia Geral, possa ser tão desdenhoso das resoluções que provêm das Nações Unidas, denunciava o padre Miguel D’Escoto quando exigia o fim do massacre contra o povo de Gaza, no final de 2008 e no começo de 2009."

"É impossível ignorar a crise das Nações Unidas. Perante esta mesma Assembleia Geral sustentamos, no ano de 2005, que o modelo das Nações Unidas se tinha esgotado. O fato de que o debate sobre a questão palestina tenha sido adiado e venha sendo abertamente sabotado, é uma nova confirmação disso.

"Há uns dias, Washington vem manifestando que vetará no Conselho de Segurança o que será resolução majoritária da Assembleia Geral: o reconhecimento da Palestina como membro pleno da ONU. Junto às nações irmãs que integram a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA), na Declaração de reconhecimento do Estado palestino, lamentamos, desde já, que tão justa aspiração seja bloqueada por esta via. Como é sabido, o império, neste e noutros casos, pretende impor um duplo padrão no cenário mundial: é a dupla moral ianque que viola o direito internacional na Líbia, porém permite que Israel faça o que quiser, tornando-se assim o principal cúmplice do genocídio palestino a mãos da barbárie sionista. Lembremos umas palavras de Said que metem o dedo na chaga: ‘Devido aos interesses de Israel nos Estados Unidos, a política deste país em torno ao Oriente Médio é, portanto, israelense-cêntrica.’"

"Gostaria de findar com a voz de Mahmud Darwish em seu poema memorável: ‘Sobre esta terra tem uma coisa que merece viver: sobre esta terra está a senhora da terra, a mãe dos começos,/ a mãe dos finais. Chamava-se Palestina. Continua chamando-se Palestina./ Senhora: eu mereço, porque tu és minha dama, eu mereço viver.’"

"Continuará chamando-se Palestina: Palestina viverá e vencerá! Longa vida à Palestina livre, soberana e independente!"

"Hugo Chávez Frías"

"Presidente da República Bolivariana da Venezuela".

Quando a reunião começou, na manhã seguinte, suas palavras estavam já no coração e na mente das pessoas ali reunidas.

O líder bolivariano nunca foi inimigo do povo judeu. Como homem de particular sensibilidade, detestava profundamente o brutal crime cometido pelos nazistas contra crianças, mulheres e homens, jovens e idosos, nos campos de concentração, onde também os ciganos foram vítimas de crimes atrozes e tentativa de extermínio, que, no entanto, ninguém lembra e nunca são mencionados. Da mesma maneira, centenas de milhares de russos morreram nesses campos de extermínio, como raça inferior no conceito racial nazista.

Quando Chávez regressou ao seu país, procedente de Cuba, na noite da quinta-feira 22 de setembro, referiu-se com indignação ao discurso proferido por Barack Obama nas Nações Unidas. Poucas vezes o escutei falar com tanto desencantamento de um líder ao qual tratava com determinado respeito, como uma vítima da própria história da discriminação racial nos Estados Unidos. Nunca o considerou capaz de agir como teria feito George Bush e conservava uma lembrança respeitosa das palavras trocadas com ele na reunião de Trinidad e Tobago.

"Ontem estivemos ouvindo um conjunto de discursos, antes de ontem também, lá nas Nações Unidas, discursos precisos como o da presidenta Dilma Rousseff; discurso de alto valor ético como o do presidente Evo Morales; um discurso que poderíamos qualificar como um monumento ao cinismo, o do presidente Obama, é um monumento ao cinismo que sua própria cara delatava, sua própria cara era um poema; um homem chamando à paz. Imagine só, Obama chamando à paz, com que moral? Esse discurso do presidente Obama é um monumento histórico ao cinismo.

"Estivemos ouvindo discursos precisos, orientadores: o do presidente Lugo, o da presidenta argentina, fixando posições valentes perante o mundo."

Quando começou a reunião de Nova York, na manhã da quarta-feira 21 de setembro, o presidente dos Estados Unidos, — após as palavras da presidenta do Brasil que abriu os debates, e depois da apresentação de rigor — ocupou o pódio e começou a discursar.

"Em sete décadas, — começou dizendo ― quando a ONU impediu que houvesse uma Terceira Guerra Mundial, continuamos num mundo marcado pelos conflitos e prenhe de pobreza; quando proclamamos nosso amor pela paz e ódio pela guerra, continuam existindo convulsões no mundo que nos colocam a todos nós em perigo."

Não se sabe qual seria o momento em que segundo Obama, a ONU impediu uma Terceira Guerra Mundial.

"Assumi o cargo num momento de duas guerras para os Estados Unidos, uma guerra contra o extremismo, que nos levou à guerra; em primeiro lugar, Ossama bin Laden e sua organização Al-Qaeda continuavam livres. Hoje estabelecemos uma nova direção, no final deste ano, as operações militares no Iraque vão concluir, vamos ter relações normais com um país soberano, membro da comunidade de nações. Essa aliança será fortalecida com o fortalecimento do Iraque, da sua força de segurança, do seu governo, do seu povo e também das suas aspirações."

De que país está realmente Obama falando?

"Após porem fim à guerra no Iraque, os Estados Unidos e seus aliados começarão a transição no Afeganistão; temos um país no Afeganistão que pode assumir a responsabilidade do futuro de seu país, na medida em que o fizerem, iremos tirando nossas próprias forças e iremos construindo uma aliança solidária com o povo afegão. Não deve existir dúvida, então, de que a onda da guerra está se revertendo."

"Galguei o poder quando milhares de estadunidenses prestavam serviços no Afeganistão e no Iraque; no final deste ano esse número vai se reduzir à metade e continuará diminuindo. Isto é fundamental para a soberania, tanto do Iraque quanto do Afeganistão e é também essencial para o fortalecimento da ONU e dos Estados Unidos, quando construímos nossa própria nação; além disso, estamos saindo dali com uma posição forte. Há dez anos havia uma ferida aberta e ferros contorcidos, um coração quebrado no centro desta cidade; hoje, quando se ergue uma nova torre, simboliza a renovação de Nova York; hoje Al-Qaeda tem mais pressões do que nunca antes, sua liderança tem sido degradada, Ossama bin Laden, um homem que matou milhares de pessoas de dúzias de países, já não colocará em perigo a paz do mundo."

De quem foi aliado Bin Laden, quem realmente o treinou e armou para combater os soviéticos no Afeganistão? Não foram os socialistas, nem os revolucionários em nenhuma parte do mundo.

"Esta década foi bem difícil, […] mas hoje estamos na encruzilhada da história, com a oportunidade de nos movimentar de maneira decisiva rumo à paz; para isso, devemos voltar à sabedoria dos que criaram esta instituição. As Nações Unidas e sua Carta instam a que nos juntemos para manter a paz e a segurança internacionais."

Quem tem bases militares em todas as partes do mundo, quem é o maior exportador de armas, quem possui centenas de satélites espiões, quem investe mais de um trilhão de dólares anuais em despesas militares?

"Este ano tem sido de grandes transformações, mais nações têm avançado para manter a paz e a segurança e mais indivíduos estão reclamando seu direito de viverem em paz e em liberdade."

Depois, cita os casos do Sudão do Sul e Costa do Marfim. Não diz que no primeiro, as transnacionais ianques se lançaram sobre as reservas petroleiras desse novo país, cujo presidente nessa própria Assembleia da ONU, disse que era um recurso valioso, mas esgotável e propunha o uso racional e ótimo do mesmo.

Obama também não expressou que a paz, na Costa do Marfim foi alcançada com o apoio dos soldados colonialistas de um eminente membro da belicosa OTAN, que acaba de jogar milhares de bombas sobre a Líbia.

Menciona mais em diante a Tunísia, e atribui aos Estados Unidos o mérito do movimento popular que derrubou o governo desse país, um aliado do imperialismo.

Mais assombroso ainda, Obama pretende ignorar que os Estados Unidos foram responsáveis de que no Egito se instalasse o governo tirânico e corrupto de Hosni Mubarak que, ultrajando os princípios de Nasser, aliou-se ao imperialismo, arrebatou ao seu país dezenas de bilhões e tiranizou esse valoroso povo.

"Há um ano, ― afirma Obama ― o Egito teve um presidente durante quase 30 anos. Durante 18 dias, os olhos do mundo estavam voltados para a Praça Tahrir, onde os egípcios de todos os segmentos da sociedade, jovens, crianças, mulheres, homens, muçulmanos e cristãos, exigiram seus direitos universais. Vimos nesses manifestantes a força da não violência que nos levou de Nova Deli a Selma e vimos que a mudança chegou ao Egito e ao mundo árabe por meios pacíficos."

"Dia após dia, frente às balas e às armas, o povo líbio não renunciou a sua liberdade, e quando foi ameaçado por essa atrocidade que temos visto muito nos últimos séculos, a ONU respeitou sua Carta, o Conselho de Segurança autorizou as medidas necessárias para evitar um massacre na Líbia. A Liga Árabe exigiu esta intervenção, houve uma aliança e uma coligação para evitar o avanço das forças de Gaddafi."

"Ontem, os líderes de uma nova Líbia tomaram seu lugar aqui, conosco, e nesta semana, as Nações Unidas e os Estados Unidos estão abrindo sua nova embaixada em Trípoli."

"Eis aqui como a comunidade internacional deve funcionar, e deveria funcionar: as nações que se juntam à procura da paz e da segurança e os indivíduos que exigem seus direitos."

"Todos nós temos a responsabilidade de apoiar a nova Líbia, o novo governo líbio, que enfrenta transformar esta promessa numa bênção para todos os líbios."

"O regime de Gaddafi acabou, Gbagbo, Ben Ali, Mubarak, já não estão no poder. Osama bin Laden acabou, e a ideia de que a mudança pode chegar apenas por meio da violência foi enterrada junto com ele."

Observem a forma poética com que Obama despacha o assunto de Bin Laden, qualquer que tenha sido a responsabilidade deste antigo aliado, executado com um disparo no rosto diante de sua esposa e seus filhos e jogado no mar de um porta-aviões, ignorando costumes e tradições religiosas de mais de um bilhão de crentes e princípios jurídicos elementares estabelecidos por todos os sistemas penais. Tais métodos não conduzem nem jamais conduzirão à paz.

"Alguma coisa está acontecendo em nosso mundo, — continua referindo-se à Líbia― a maneira como as coisas têm sido é como serão no futuro. A mão da tirania terminou, os tiranos foram banidos e o povo agora tem o poder. Os jovens rejeitam a ditadura, rejeitam a mentira de que algumas raças, alguns povos, algumas etnias não merecem a democracia."

"A promessa no papel de que todos nós nascemos livres e com o mesmo direito cada vez está mais próxima de se tornar uma realidade […] A medida do sucesso é se as pessoas podem viver numa liberdade, dignidade e segurança sustentável, e a ONU e seus membros devem fazer o necessário para apoiar estas aspirações básicas, e temos mais trabalho que fazer nesse sentido."

Em seguida, arremete contra outro país muçulmano, onde, como é sabido, seus serviços de inteligência junto aos de Israel, assassinam sistematicamente os cientistas mais destacados da tecnologia militar.

A seguir, ameaça a Síria, onde a agressividade ianque pode conduzir a uma chacina muito mais espantosa do que a da Líbia: "Hoje, homens, mulheres e crianças foram assassinados e torturados pelo regime da Síria; milhares foram assassinados, muitos durante o período sagrado do Ramadã; milhares atravessaram a fronteira da Síria."

"O povo sírio demonstrou dignidade e valentia na busca de sua justiça, protestando pacificamente e morrendo pelos mesmos valores que esta instituição defende. Ora bem, a questão é simples: Vamos apoiar o povo sírio ou vamos apoiar seus opressores? A ONU aplicou já sanções aos líderes sírios. Apoiamos a transferência de poder que responda ao desejo do povo sírio, e muitos aderiram a nós neste empenho; mas pelo bem da Síria e da paz e da segurança do mundo devemos falar com uma só voz: não tem desculpa para a ação. Chegou o momento em que o Conselho de Segurança deve sancionar o regime da Síria e apoiar o povo sírio."

Por acaso ficou algum país excluído das ameaças sangrentas deste ilustre defensor da segurança e da paz internacional? Quem concedeu aos Estados Unidos tais prerrogativas?

"Na região, devemos responder aos apelos à mudança. No Iêmen, mulheres, crianças, homens se reuniram nas praças, todos os dias, com a esperança de que sua determinação e o derramamento de seu sangue conduzam a uma mudança. O povo estadunidense concorda com tais aspirações. Devemos trabalhar com os vizinhos e os parceiros no mundo para encontrar um caminho que conduza a uma transição pacífica do governo de Saleh, e que haja eleições livres e justas o mais rápido possível."

"No Barein, foram tomadas medidas para a reforma na prestação de contas. Estamos contentes com isso, porém precisa-se de muito mais. Somos amigos de Barein, e continuaremos exigindo do governo e dos opositores um diálogo significativo que chegue a mudanças pacíficas e cumpra a vontade do povo. Acreditamos que o patriotismo de Barein pode ser maior do que o sectarismo que o separa; é difícil, mas pode-se conseguir."

Não menciona em absoluto que ali se encontra uma das maiores bases militares da região e que as transnacionais ianques controlam e dispõem a seu bel-prazer das maiores reservas de petróleo e de gás da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes.

"Acreditamos que cada nação deve ter seu próprio caminho para conseguir satisfazer as aspirações dos povos. Não podemos concordar com todos aqueles que se expressam politicamente, mas sempre vamos defender os direitos universais que foram apoiados por esta Assembleia, direitos que dependem de eleições livres e justas, governos transparentes e que prestem contas, que respeitem os direitos das mulheres e das minorias, justiça igual e justa. Isso merece nosso povo. Estes são os elementos da paz que podem durar."

"…Os Estados Unidos vão continuar apoiando as nações que vão rumo à democracia com maior comércio e investimento, para que a liberdade seja seguida da oportunidade. Continuaremos nosso compromisso com os governos, mas também com a sociedade civil, os estudantes, os empresários, os partidos políticos, a imprensa, a mídia."
"Condenamos os que violam os direitos humanos e impedem que cheguem a esses países. Punimos os que violam esses direitos e sempre vamos ser como uma voz daqueles que foram silenciados."

Depois desta longa lengalenga, o insigne Prêmio Nobel entra no espinhoso tema de sua aliança com Israel que, por sinal, não figura entre os privilegiados com um dos mais modernos sistemas de armas nucleares e meios capazes de alcançar alvos distantes. Sabe perfeitamente quão arbitrária e impopular é essa política.

"Sei que nesta semana há um tema que é fundamental neste sentido, para esses direitos. É uma prova para a política externa dos Estados Unidos, quando o conflito entre Israel e os palestinos continua. Há um ano, estive neste pódio e fiz um apelo para que houvesse uma Palestina livre. Então acreditei, e ainda acredito hoje, que o povo palestino merece seu Estado, mas também disse que uma paz genuína só pode ser alcançada entre israelenses e palestinos. Um ano depois, apesar de muitos esforços dos Estados Unidos e de outros, as partes não conseguiram eliminar seus atritos. Diante desta estagnação, eu propus uma nova base de negociações; fi-lo no passado mês de maio. Essa base é clara, é conhecida por todos: os israelenses devem saber que qualquer acordo deve ter garantias para sua segurança; os palestinos devem conhecer as bases territoriais de seu Estado. Sei que muitos se sentiram decepcionados diante de tanta inércia, e eu também estive e continuo estando. A questão não é a meta, mas como atingimos essa meta."

"A paz exige de muito trabalho, a paz não vai chegar por resoluções nem declarações na ONU, se fosse tão fácil já se teria conseguido. Os israelenses e os palestinos devem se sentar, e vão viver juntos, são eles que devem encontrar uma solução viável em suas fronteiras, devem encontrar uma solução sobre Jerusalém, sobre os refugiados. A paz depende do acordo entre aqueles que devem viver juntos depois que terminarem nossos discursos, muito depois que nós votemos."

Alonga-se a seguir numa ladainha, tentando explicar o inexplicável e justificar o injustificável.

"…Sem dúvida, os palestinos viram que este assunto demorou muito, e é justamente porque acreditamos tanto nas aspirações do povo palestino que os Estados Unidos investiram tanto tempo e tanto esforço em construir um Estado palestino e negociações que possam cumprir esta meta do Estado palestino; porém é preciso compreender isto também, os Estados Unidos fizeram um compromisso com a segurança de Israel, é essencial; nossa amizade é profunda e duradoura com o Estado israelense."

"O povo judeu formou um Estado bem-sucedido e merece reconhecimento e relações normais com seus vizinhos, e os amigos dos palestinos não lhe fazem nenhum favor ao ignorar esta verdade."

"…cada um tem aspirações legítimas, e isso faz parte do que consegue a paz, algo tão difícil, e o prazo final poderá ser quebrado apenas quando cada parte aprenda a estar no lugar do outro, quando cada parte possa ver o mundo através dos olhos do outro. Isso devemos incentivá-lo, devemos promovê-lo."

Enquanto isso, os palestinos permanecem desterrados de sua própria pátria, suas casas são destruídas por monstruosos equipamentos mecânicos e um muro odioso, muito mais alto que o de Berlim, separa uns palestinos de outros. O melhor que Obama podia ter reconhecido é que os próprios cidadãos israelenses já estão fartos da dilapidação de recursos investidos no setor militar, que os priva de paz e de acesso aos meios elementares de vida. Igual do que os palestinos, eles estão sofrendo as conseqüências dessas políticas impostas pelos Estados Unidos e pelos elementos mais belicosos e reacionários do Estado sionista.

"Na medida em que enfrentamos esses conflitos e estas revoluções, devemos reconhecer e lembrar que […] a paz verdadeira depende de criar a oportunidade que faz com que valha a pena viver a vida, e para isso, devemos enfrentar inimigos comuns da humanidade: as armas nucleares, a pobreza, a ignorância e a enfermidade."

Quem entende este discurso confuso do presidente dos Estados Unidos à Assembleia Geral?

A seguir coloca sua ininteligível filosofia:

"Para fazer face à destruição mundial, devemos lutar por um mundo sem armas nucleares; nos últimos dois iniciamos esse caminho. Desde a Cúpula em Washington, muitas nações começaram a garantir seu material nuclear contra os possíveis terroristas."

Pode haver terrorismo maior do que a política agressiva e belicosa de um país cujo arsenal de armas nucleares poderia destruir várias vezes a vida humana neste planeta?

"Os Estados Unidos vão continuar trabalhando para proibir os testes de materiais nucleares e dos materiais para estas armas nucleares", continua prometendo Obama. "Começamos, então, a avançar no caminho certo. Os Estados Unidos estão comprometidos a cumprir suas obrigações; mas quando cumprimos nossas obrigações esperamos que as instituições também ajudem a limitar a expansão destas armas […] O Irã não pôde demonstrar que seu programa de armas nucleares fosse pacífico."

De novo, a lengalenga! Mas desta vez, o Irã não está sozinho; acompanha-o a República Democrática da Coreia.

"A Coreia do Norte ainda tem que tomar medidas para reduzir suas armas e reduzir sua beligerância contra o Sul. Existe um futuro de muitas oportunidades para os povos dessas nações caso seus governos cumprirem suas obrigações internacionais; mas se continuarem fora do Direito Internacional, vão sentir maiores pressões de isolamento, por isso é que nosso compromisso com a paz e a segurança exige que isto se faça assim."

Continuará amanhã.


Fidel Castro Ruz

25 de setembro de 2011

19h36