segunda-feira, 30 de maio de 2011

Alemanha começa a fechar usinas nucleares


Alemães foram às ruas contra as usinas nucleares
O governo da Alemanha aceitou o plano de recusação gradual à energia nuclear, informa a agência ITAR-TASS, se referindo à agência alemã DPP. A maioria das centrais nucleares deverão ser apagadas até 2021. Para evitar as falhas possíveis no fornecimento de energia elétrica três centrais novas irão funcionar até 2022 como máximo.
A primeira etapa supõe o apagamento de sete centrais atômicas mais antigas, construídas antes de 1980.
Após as avarias nas centrais nucleares japonesas o governo alemão decidiu em meados de março de 2011 apagar temporalmente estas sete centrais para averiguar o nível da sua correspondência às normas contemporâneas de segurança. Várias falhas foram registradas após aquela perícia. A Alemanha tem 17 centrais nucleares em total, que produzem o 23 % de toda a energia elétrica.
No entanto, cresce uma onda de protestos contra o "âtomo pacífico" na Alemanha. No sábado dezenas de milhares de manifestantes em 20 cidades desse país exigiram as autoridades de acelerar a saída da energia nuclear.(Com a Voz da Rússia/Epa/Divulgação)

Frente Nacional de Resistência Popular vira partido político em Honduras



Com a volta do ex-presidente Manuel Zelaya a Honduras, no último dia 28, a Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) confirmou a transformação da Frente em um partido político. Nos próximos dias, a FNRP iniciará o processo de coleta de assinaturas para solicitar ao Tribunal Supremo Eleitoral o reconhecimento da organização como partido apto a participar das eleições hondurenhas.
A criação do partido está respaldada pelo ponto 6 do "Acordo para a Reconciliação Nacional e Consolidação do Sistema Democrático na República de Honduras”, assinado no último dia 22 por Zelaya e o atual presidente, Porfirio Lobo.
"Velar pelo cumprimento de todas as garantias que a lei concede para que a Frente Nacional de Resistência Popular solicite sua inscrição ante o Tribunal Supremo Eleitoral e participe democraticamente nos processos políticos eleitorais de Honduras”, dispõe o documento.
Em entrevista coletiva, Zelaya disse que a FNRP se transformará em um bloco político tendo como exemplo a Frente Ampla, que governa o Uruguai desde 2005.(Com a Adital)



Amor e Revolução-Depoimento de João Vicente Goulart

O melhor do futebol, com Flávio Anselmo


Cuca está certo
ELES ESTÃO DE VOLTA COM SEUS NÚMEROS E ADVINHAÇÕES

A melhor que a invenção dos campeonatos de futebol é a criação dos estatísticos e profetas do acontecido que a internet nos deu de presente. São fantásticos. Mas tão formidáveis que passaram a acreditar nos seus poderes de bruxos sem bola de cristal. Alguns conseguem convencer a eles mesmos da capacidade que possuem em adivinhar os números da mega-sena, da Lotofácil, enfim de todos os jogos inventados pela Caixa Federal pra tomar dinheiro da gente.
Outro dia, um deles falava comigo: “acerto num jogo quase toda semana; quando não só, em algum bolão. Gasto uns 400 reais por semana e ganho pequenas fortunas no balanço mensal”.
Fingi que acreditei e saí da lotérica, afirmando ao sortudo: “ vou parar de jogar então; eu estou é queimando minha pobre grana, gastando 4 reais toda semana, sem nenhum resultado”.
Mas como viver sem estes caras na internet, pitacando sobre loterias e futebol. Garantindo que time tal será campeão, mal terminou a segunda rodada. Adivinham ainda os times do G-4 do Bem e os do G-4 do Mal.
“Querem casar algum contra meus palpites?”, perguntam. “Sem chance, dou o troco imediato. Azarado do jeito que sou se aposto no Verde, dá Azul; se aposto nos dois dá Vermelho”.
Não serei estúpido a ponto de dizer que os estatísticos não têm valor algum. Isso é burrice. A estatística é coisa histórica, preserva a evolução do mundo.
Sem eles, como eu saberia que com a vitória sobre o Avaí (3 a 1), em Floripa, o Galo acabou com o tabu de 21 anos sem vencer o time barriga-verde.
De grosso modo este tabu surge importante, mesmo porque não informa quantas vezes os dois times enfrentaram-se nesse período.
Eu não sabia, também, que desde agosto de 1990 o Galo não vencia as duas primeiras rodadas do Brasileiro.
Agora sei que em 90, o time superou o São Paulo ( 2 a 1) , na capital paulista, e na sequência o Fluminense (4 a 2) em Belo Horizonte. O Galo ainda se manteve invicto por mais 12 rodadas (4 vitórias e 8 empates). Foi campeão? Não.
Precisamos então melhorar as estatísticas: que o Galo vença as dois partidas iniciais, como fez, e que emende uma sequência de 12 todas com vitória.
E no final, o estatístico possa informar: o Atlético foi campeão do ano.
Aliás, o próximo compromisso do Galo é o São Paulo, na Arena do Jacaré, dia 8, adiado para atender à Mamãe Globo. O São Paulo também venceu os dois jogos que teve, porém a liderança está com o Galo e o Vasco.
Ambos têm 6 pontos e estão iguais em todos os itens dos critérios de desempate. O estatístico pode até afirmar, seguramente: “se o campeonato terminasse hoje, a decisão seria na moedinha. E que Cruzeiro e América não cairiam”.
Que Deus nos abençoe !!!
E proteja o professor Cuca. No sábado, na bela e fatal Rio de Janeiro, o técnico do Cruzeiro terá de montar uma equipe sem o goleiro Fábio e o volante Henrique – ambos na Seleção de Mano; Victorino, convocado pelos uruguaios.
Roger, lesionado, fica parado 15 dias. Brandão, ainda que entre em campo será desfalque. Não tem nada, nem futebol, e a torcida sonha que ele não jogue. Cuca está inclinado a deixar o o jovem Anselmo Ramon no ataque.
O técnico tá certo. Depois de perder aquele gol incrível, Anselmo não se abateu como era esperado. Fez o gol de empate e quase se transforma no herói após uma virada e um chute de esquerda rente à meta de Marcos.
Se a torcida tem alguma dúvida quanto à ausência de Fábio o melhor que faz é dar aquela força pra Rafael. No futuro, o gol azul será dele, podes crer!
Fábio, Henrique e Victorino terão o mesmo destino em suas seleções: banco de reserva. Victorino sentou-se confortavelmente e apenas viu o amistoso entre Alemanha x Uruguai, em Sinsheim, território alemão.
Mauro Fernandes reclamou da arbitragem na derrota contra o Vasco (2 a 0) por causa do pênalti cometido por Thiago Carleto, o segundo dele na competição, e do gol marcado por Rodriguinho, anulado pelo bandeira. Não falou nada de Dudu.
Rei dos cartões amarelos e vermelhos, o volante Dudu foi expulso na derrota (3 a 0) diante o Vasco. No íntimo, Fernandes achou bom, porque afinal já pensava em estrear o volante experiente Glauber, ex-Lusa, contra o Internacional em Campo Grande-MS.
Além dessa novidade, a melhor será a volta de Marcos Rocha à lateral-direita. Este menino é um conforto para o Coelho e uma dor de cotovelo para o Galo que o liberou de graça.
Alguns americanos me queixaram e perguntaram o motivo do jogo em Campo Grande contra o Internacional. O reduto é gaúcho e o estádio Morenão estará lotado de torcedores colorados.
Melhor assim, diz Marcos Salum – “combateremos à sombra da notas de 100 reais!” A questão está nos prejuízos constantes que o Coelho tem tido na Arena do Jacaré.
Com certeza, Salum não para de agradecer ao ex-Governador Aécio Neves e ao atual Antônio Anastazia que botaram Mineirão e Independência no chão sem qualquer planejamento. Beagá só ficou com o estádio Baleião

Flávio Anselmo

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Brasil vai exportar métodos de segurança para o Mercosul


Acontece, entre os dias 31 de maio e 2 de junho, o Encontro do Grupo de Trabalho Especializado (GTE) em Segurança Cidadã e a 29ª Reunião de Ministros do Interior do Mercosul e Países Associados. O Grupo de Trabalho irá discutir as propostas para o plano bianual (período de 2011 a 2012) e o quadro comparativo dos indicadores de violência e criminalidade entre os países que compõem o Mercosul. O encontro é sediado em Assunção, Paraguai.
A coordenadora do Departamento de Políticas, Programas e Projetos, Cristina Villanova (foto) representa a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) durante o Encontro. Ela irá apresentar o modelo e a metodologia do curso de policiamento comunitário praticada no Brasil e o resultado de boas práticas em segurança cidadã.
“Nos últimos três anos realizamos seminários com esse tema e com resultados em um estudo comparativo de três modelos de ações policiais: o comunitário, o orientado para a solução de problemas e o de plano quadrante. Também foi estabelecido um padrão de pesquisa de vitimização com o objetivo de realizar uma análise comparativa entre os países”, destaca Cristina. Além disso, uma das experiências a serem apresentadas pela coordenadora é a rede de atendimento de casos de violência intrafamiliar e de gênero, implantada nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam’s) em todos os estados brasileiros.
Durante o Encontro, Cristina vai mostrar esta e outras experiências brasileiras no âmbito da segurança pública, como medidas para o desarmamento, restrição ao uso de armas de fogo e idéias para a implantação de um Observatório de Segurança Cidadã.

Dez anos em Jorge Amado


Jorge Amado, o escritor brasileiro mais publicado no exterior
Dom, 29/05 - 18h

Jorge Amado

10 anos sem o escritor baiano

Em homenagem ao escritor Jorge Amado, o De Lá pra Cá deste domingo (29), às 18h, conta com a participação do cineasta Bruno Barreto, do embaixador Alberto da Costa e Silva e da diretora da Fundação Casa de Jorge Amado, Myriam Fraga. Os entrevistados revelam curiosidades da vida do autor e relembram suas obras.
Jorge Amado é um dos maiores e mais famosos escritores brasileiros de todos os tempos. Ao longo de 70 anos de carreira literária, escreveu mais de 50 livros. Foram romances, contos, novelas, crônicas, biografias, poesia e crítica. É também o autor brasileiro mais publicado em todo o mundo: foi editado em 52 países e traduzido para 49 línguas diferentes.
Entre os escritores brasileiros, Jorge Amado é também o mais adaptado para a televisão e para o cinema, inclusive produções no exterior. O sucesso, os recordes de vendas e o reconhecimento do grande público também lhe renderam críticas. Muitas vezes seu trabalho foi esnobado por alguns intelectuais que o acusaram de produzir uma literatura estereotipada, prejudicial à imagem do Brasil no exterior. Mas nada disso impediu Jorge Amado de receber honrarias e prêmios importantes, além de duas indicações para o Nobel de Literatura.

Apresentação Ancelmo Gois e Vera Barroso

Direção geral José Araripe Jr

É água para dar e vender...

LÍBIA: O LADO OCULTO DOS FATOS


(Imagem:Cubasdebates/Divulgação)
Mario Augusto Jakobskind

Na Líbia os bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) seguem implacáveis contra Tripoli, provocando mortes e feridos. A justificativa de “ação humanitária de proteção à população civil” não resiste aos fatos. Isto é, a Otan exorbitou de suas funções e a Organização das Nações Unidas (ONU) deveria ser convocada imediatamente para reavaliar o que aprovaram açodadamente. Até porque, quando foi imposta a decisão dos bombardeios no Conselho de Segurança, sem vetos, a justificativa era uma. A prática atual está sendo totalmente outra.
O governo russo, sabe-se por qual convencimento, somou-se, segundo as agências internacionais, ao grupo do clube imperial do G-8 para pedir a saída de Muammar Khadafi.
Leitores, ouvintes e telespectadores não estão tendo a oportunidade de ouvir o outro lado, porque só recebem informações de uma fonte, exatamente a responsável por bombardeios que atingem áreas civis. A Otan também tem outro objetivo, que está ficando cada vez mais claro: a de atingir mortalmente o dirigente líbio Muammar Khadafi.
Para se ter uma idéia de como os meios de comunicação nacionais geralmente só divulgam o que noticiam as agências internacionais, inclusive informações muitas vezes que não resistem a uma checagem mais consistente, na semana que passou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Liberdade de Imprensa da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) promoveu um debate com o embaixador líbio no Brasil, Salem Omar Ezubedi, justamente para ouvir o outro lado.
Nenhum órgão da grande imprensa do Rio de Janeiro compareceu, apesar de avisado. Perderam a oportunidade de não só ouvir outro lado como até mesmo questionar o embaixador. Os editores não se interessaram pelo tema, porque provavelmente não teriam elementos para se contrapor às informações apresentadas pelo representante da Líbia.
O embaixador, por exemplo, acusou frontalmente a CIA de preparar os rebeldes durante dois meses para atacar as delegacias e os quartéis de Benghazi com o objetivo de roubar armas pesadas e promover os confrontos. Ezubedi garantiu que a maioria dos opositores que moravam nos Estados Unidos tornou-se agentes da CIA. Revelou também que depois do movimento que levou Khadafi ao poder, em 1969, muitas dessas pessoas que atualmente lutam contra o governo tinham se transferido para os Estados Unidos. Voltaram agora hasteando inclusive a bandeira da monarquia.
A Líbia, que tem um regime laico, foi assediada por uma Irmandade Islâmica que queria impor ao país normas de acordo com os seus padrões, como, por exemplo, impedir, entre outras coisas, que as mulheres trabalhassem e mesmo frequentassem escolas. Membros da Al Qaeda estão ao lado dos rebeldes financiados pela CIA, segundo ainda Ezubedi.
Uma das críticas feitas ao Conselho de Segurança das ONU ao adotar a resolução da adoção de uma zona de exclusão aérea é que antes nenhum representante foi designado para verificar o que estava acontecendo verdadeiramente na Líbia. Ezubedi responsabilizou o representante da Liga Árabe por prestar informações inverídicas segundo as quais o povo estava sendo vitimado e que acabaram levando o Conselho a tomar a decisão equivocada que tomou.
A guerra civil na Líbia caminha para completar seis meses. Os bombardeios “imparciais” estão na prática tornando a situação ainda pior. A Otan já tem a avaliação segundo a qual essa forma de ação não resolverá a crise como deseja. Por isso, não será surpresa se amanhã for decidido uma ação terrestre capitaneada pelos Estados Unidos, o maior senhor da guerra.

Palavra de ordem circulando por toda a Espanha e que pode atravessar o oceano...

OS MENTIROSOS DO RÁDIO


Hermínio Prates (*)

- Recebemos centenas de telefonemas dos nossos ouvintes...

- Você acredita nisso?

Há quem acredite em duendes e também pode crer nessa frase que era repetida corriqueiramente pelas vozes que povoavam o dial nosso de cada sintonia.

A frase, quase sempre introdução de um arrazoado sobre o tamanho da audiência de um programa ou emissora de rádio, hoje já está adaptada aos novos tempos. A moda não é mais dar ênfase às ligações telefônicas e sim ao correio eletrônico, essa modernice que os analfabetos bilingües chamam de imêio. Analfabetos sim, e ao quadrado, pois se muitos mal sabem a língua pátria, ainda ousam atropelar a língua dos outros.

Antes, bem antes, todos se lembram, diziam pelos microfones que os ouvintes enviavam toneladas de cartas e até – pasme você, pasmemos nós! – telegramas. Até hoje o telegrama é um meio de comunicação caro e pouco usado, quase só sendo acionado com motivação especial: parabéns por casamentos, aniversários, as raras bodas de casais felizes, confirmação de testes, convocações para empregos, coisas solenes. Mas, segundo os homens de rádio, “os telegramas se empilham na nossa mesa para...” e aí cada um concluía a frase de acordo com o interesse do momento.

Acredite quem quiser, mas quase sempre é mentira. A menos que os missivistas estejam concorrendo a algum brinde. Aí sim, chove carta, como aconteceu quando a Rádio Itatiaia, há muitos anos, anunciou um sorteio especial e esse roedor de pequi ficou sabendo de gente que mandou dezenas, alguns até centenas de cartas, pois o prêmio seria um apartamento. Imóvel simples, é verdade, mas sempre um apartamento.

Quer mais um exemplo das mentiras que poluem o éter? Aconteceu há algum tempo: esse defensor das causas ingratas ganhava a vida nos bastidores do rádio e um dia - que não era belo nem primaveril para contrariar o lugar comum – um parceirinho de salário mirrado estava daquele jeito da vida com a safadeza de determinado apresentador de programa. É que ele fazia o que poucos desconfiavam, mas ninguém tinha certeza. Ele se dizia produtor de um programa, mas a tal “produção” consistia em inventar nomes e forjar dramalhões que eram o ponto forte do horário.

Cada tragédia seguia um roteiro básico: “meu nome é fulana de tal, moro no bairro das Pitombas, sou casada, meu marido está meio esquisito, ele sempre chegava cedo e agora só chega tarde, com cheiro de bebida; outro dia eu quis conversar com ele e fui agredida com tapas e palavrões. O que está havendo? Como posso salvar meu casamento? Será que ele tem outra? Preciso de sua ajuda, pelo amor de Deus, estou desesperada!”

Lida a “carta”, o sabe-tudo do microfone ousava uma psicanálise radiofônica; aconselhava, dizia isso e mais aquilo para engodo da audiência.

Era assim a lenga-lenga; mais ou menos o que hoje é comum nos programetes desses espertalhões que fazem da palavra de Deus uma gazua para arrombar os cofres dos humildes. Só que os pastores ameaçam com o espeto do diabo e apelam para a chantagem, recurso corriqueiro dos que sugam o dízimo dos miseráveis.

Pois o companheirinho do rádio estava na justa bronca e disposto a largar o tal conselheiro na mão, caso não recebesse os poucos cruzados do cachet. Sim, era na época do cruzado, só não me lembro se apenas cruzado ou já na espiral inflacionária do cruzado novo.

O apresentador do programa – esperto manipulador de lágrimas alheias – já está no “andar de cima”, acertando as contas com a ANATEL dos anjos, mas o forjador de tragédias está bem vivo e numa boa. Ele já não vive do mirrado salário pago pelo rádio; hoje curte o dolce far niente de uma bem remunerada assessoria.

Agora ligue o rádio e ouça:

- O computador está congestionado com tantos imêios recebidos!.. A nossa audiência é fantástica, somos líderes absolutos de audiência! Meu twiter está bombando!..

Se você ouvir algo semelhante, não se esqueça: pode até ser verdade, mas tem tudo para ser mentira.

(*) Hermínio Prates é jornalista

• herminioprates@ig.com.br

Como morreu Pablo Neruda?

   Hoje a principal notícia a agitar os chilenos é um processo apresentado à Co9rte de Apelação visando esclarecer como morreu o poeta e embaixador Pablo Neruda. O Nobel de Literatura morreu pouco depois do golpe de estado contra o presidente constitucional Salvador Allende. De acordo com os ditadores de então o poeta teria morrido de câncer na próstata, o que agora esta sendo contestado. A versão que hora circula em Santiago do Chile é que Neruda teria sido assassinado pela ditadura Augusto Pinochet.Há poucos dias o corpo do ex-presidente Salvador Allende foi exumado para que cientistas fizessem pesquisa para esclarecer também as razões de sua morte. Neruda era filiado ao Partido Comunista do Chile quando do golpe de Estado.
Filho de um operário ferroviário e de uma professora primária, nasceu em 12 de julho de 1904, na cidade de Parral (Chile). Seu nome era verdadeiro era Neftalí Ricardo Reyes Basoalto. Perdeu a mãe no momento do nascimento.
Em 1906, a família muda-se para a cidade de Temuco. Começa a estudar por volta dos sete anos no Liceu para Meninos da cidade. Ainda em fase escolar, publica seus primeiros poemas no jornal “ La Manãna”. No ano de 1920, começa a contribuir com a revista literária “Selva Austral”, já utilizando o pseudônimo de Pablo Neruda (homenagem ao poeta tcheco Jan Neruda e ao francês Paul Verlaine).
Em 1921, passa morar na cidade de Santiago do Chile e estuda pedagogia no Instituto Pedagógico da Universidade do Chile. Em 1923 publica ‘Crepusculário” e no ano seguinte “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada”, já com uma forte marca do modernismo.
No ano de 1927, começa sua carreira diplomática, após ser nomeado cônsul na Birmânia. Em seguida passa a exercer a função no Sri Lanca, Java, Singapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri. Nesta viagens, conhece diversas pessoas importantes do mundo cultural. Em Buenos Aires, conheceu Garcia Lorca, e em Barcelona Rafael Alberti.
Em 1930, casa-se com María Antonieta Hagenaar, divorciando-se em 1936. Logo após começou a viver com Delia de Carril, com quem se casou em 1946, até o divórcio em 1955. Em 1966, casou-se novamente, agora com Matilde Urrutia.
Em 1936, explode a Guerra Civil Espanhola. Comovido com a guerra e com o assassinato do amigo Garcia Lorca, compromete-se com o movimento republicano. Na França, em 1937, escreve “Espanha no coração”. Retorna neste ano para o Chile e começa a produzir textos com temáticas políticas e sociais.
No ano de 1939, é designado cônsul para a imigração espanhola em Paris e pouco tempo depois cônsul Geral do México. Neste país escreve “Canto Geral do Chile”, que é considerado um poema épico sobre as belezas naturais e sociais do continente americano.
Em 1943, é eleito senador da República. Comovido com o tratamento repressivo que era dado aos trabalhadores de minas, começa a fazer vários discursos, criticando o presidente González Videla. Passa a ser perseguido pelo governo e é exilado na Europa.
Em 1952, publica “Os versos do capitão” e dois anos depois “ As uvas e o vento”. Recebe o prêmio Stalin da Paz em 1953. Em 1965, recebe o título honoris causa da Universidade de Oxford (Inglaterra). Em outubro de 1971, recebe o Prêmio Nobel de Literatura.
Durante o governo do socialista Salvador Allende, é designado embaixador na França. Doente, retorna para o Chile em 1972. Em 23 de setembro do ano seguinte, morre de câncer de próstata na Clínica Santa Maria de Santiago (Chile). A causa-mortis agora está sendo questionada. (Com a Prensa Latina/Google/Divulgação)

domingo, 29 de maio de 2011

Carlos Drummond de Andrade

Casa arrumada é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa

entrada de luz.

Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um

cenário de novela.

Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os

móveis, afofando as almofadas...

Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:

Aqui tem vida...

Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras

e os enfeites brincam de trocar de lugar.

Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições

fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.

Sofá sem mancha?

Tapete sem fio puxado?

Mesa sem marca de copo?

Tá na cara que é casa sem festa.

E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.

Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.

Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,

passaporte e vela de aniversário, tudo junto...

Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.

A que está sempre pronta pros amigos, filhos...

Netos, pros vizinhos...

E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca

ou namora a qualquer hora do dia.

Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...

Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...

E reconhecer nela o seu lugar.

(Obrigado Magda Lopes Campbell)

Zelaya já está de volta

 O ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya voltou à Pátria. Havia sido afastado do poder por um golpe de Estado. Foi recepcionado no aeroporto de Tegucigalpa por milhares de apoiantes. O golpe havia ocorrido em últimos dias de junho de 2009. Os militares amotinaram-se a seguir ao anúncio do presidente da República de que se propunha continuar no exercício do cargo e convocar referendo sobre o assunto. O primeiro magistrado foi então detido, acusado de corrupção e a despeito das normas constitucionais levado coercivamente para Costa Rica. Seu retorno fora combinado com as novas autoridades nacionais. Espera-se que esse acontecimento permita a Honduras voltar para a Organização de Estados Americanos.Zelaya esteve exilado na embaixada brasileira em Tegucigalpa durante quatro meses. (Com a Voz da Rússia/Epa/Divulgação)

Sobre as populações faveladas e a famigerada copa do mundo! Manifesto indignado!!!

"Falar em democracia em nosso país é pura ironia, já que o que impera é a ditadura do poder econômico, das madeireiras, das empreiteiras, da construção civil, com a subserviência vil de nossos pseudos representantes, com raríssimas e honrosíssimas exceções!!!"

A cientista política Diva Moreira indignada com os políticos burgueses
"Professor Fábio,

Ando indignada com o que está acontecendo. Na sexta-feira eu me encontrei com a Mary, uma moça do movimento negro que tem família que mora no Morro das Pedras. Ela disse que tem sido oferecido até dinheiro para as pessoas não participarem de reuniões que tratem do assunto remoções e da Vila Morta!
Estive na semana passada com o Gustavo da Defensoria Pública. Ele disse que pode participar de nossas reuniões de forma mais permanente, sem precisar das formalidades de audiência pública. Basta que o coloquemos na linha.
Dirlene: imagino que as reuniões do Fórum Social Minas têm que acontecer em espaço de tempo mais curto pra gente não perder mais do que temos perdido, inclusive fechamos a semana com o assassinato do casal de extrativistas no sul do Pará!
Também falei com o Padre Mauro para voltar o mais breve possível porque ele faz falta no Morro do Papagaio!
Estou enviando este @ para pessoas de boa vontade que possam nos ajudar a construir estratégias de defesa das populações faveladas, inclusive a pessoas do movimento negro, dentro e fora do governo municipal, já que a grandíssima maioria da população de vilas e favelas é de origem africana. Também para gente da mídia, e de fora do estado!
É uma loucura o que está acontecendo! Falar em democracia em nosso país é pura ironia, já que o que impera é a ditadura do poder econômico, das madeireiras, das empreiteiras, da construção civil, com a subserviência vil de nossos pseudos representantes, com raríssimas e honrosíssimas exceções!!!
O grande sonho destas gananciosas elites urbanas era ficar livre de vilas e favelas, muitas delas localizadas em áreas nobres de BH.
Será que permitiremos a expulsão da população negra de Belo Horizonte para os bantustões da região metropolitana ou para os predinhos que os engenheiros da urbel não aceitariam morar nem durante uma semana?? Será que a nossa indignação se extinguiu e estamos mais pra Gangazumba do que pra Zumbi dos Palmares?? Será que não daremos conta de ser como Jonas e profetizar nesta maldita Babilônia?
Tristes tempos são estes! Como dizia o revolucionário alemão Bertold Brecht: Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime. Pois significa silenciar sobre tanta injustiça? ...

Abraços indignados da Diva"

(E-mail da cientista política Diva Moreira ao professor Fábio Santos, da PUC)

sábado, 28 de maio de 2011

Contribuição ao debate sobre o futuro da Casa do Jornalista

Eduardo Campos quer viabilizar nova Casa do Jornalista
Uma entidade com cabeça, corpo e membros, e não apenas um braço

Depois de muitos anos desativada ou negligenciada, a Casa do Jornalista de Minas volta a ocupar lugar de destaque na pauta da categoria, graças ao debate introduzido por sua diretoria, visando à rediscussão de seu papel e a construção de uma nova relação com a direção do Sindicato.

No centro do debate situa-se a manutenção da total subordinação da entidade ao Sindicato ou a afirmação de uma autonomia que permita que se transforme em uma organização dinâmica, moderna, sintonizada com a realidade contemporânea dos jornalistas mineiros e da sociedade civil de nosso Estado, especialmente de sua capital.

Criada em 1965, fruto de um acordo entre a então direção do Sindicato, o governador Magalhães Pinto e a Assembleia Legislativa, a Casa, enquanto espaço físico, tornou-se, a partir da década de 70, referência para os movimentos sociais e as lutas democráticas de Belo Horizonte. Enquanto entidade, contudo, limitou-se, via de regra, a desenvolver ações pontuais – ainda que importantes - voltadas para a categoria.

Seus dirigentes atuais propuseram e viabilizaram algumas mudanças em seu estatuto, de forma a que a Casa viesse a cumprir papel mais amplo. Assim, seus objetivos permanentes passaram a incorporar “a integração da categoria e de seus laços com a sociedade civil mineira”.

Tais mudanças, contudo, foram bastante limitadas, pela inexistência de consenso com a direção do SJPMG, que encara a entidade como mero “braço de apoio” ao Sindicato (Pauta nº 171, pág. 2).

Reduzir o papel da Casa a um “braço de apoio” significa impedi-la de cumprir, na plenitude e com eficácia, as funções expressas em seu estatuto, comprometendo, até mesmo, o potencial que ela tem no sentido de fortalecer o próprio Sindicato.

A diretoria do Sindicato demonstra, dessa forma, encarar a Casa como mero instrumento a serviço da reprodução das concepções políticas e ideológicas das eventuais – e muitas vezes precárias – maiorias que se formam para dirigir nossa entidade corporativa. Afinal, um braço não fala, não anda e muito menos pensa. Executa, apenas, os comandos que recebe do cérebro.

Constitui grave erro entender o Sindicato como cérebro e a Casa como braço. Afinal, são duas entidades que não podem se confundir, dada a diferença de sua natureza e do papel que cada uma tem a cumprir. Ao Sindicato cabe, antes de mais nada, defender os interesses corporativos da categoria, ainda que inserindo-os em contexto social mais amplo. À Casa, organização de cunho essencialmente cultural, compete, precipuamente, como sustenta seu estatuto, contribuir para a integração da categoria e estreitar seus laços com a sociedade.

A autonomia da Casa, qualificada como “descabida” pela diretoria do SJPMG, é condição essencial para que ela cumpra tais objetivos e construa sua identidade. O corolário desse processo será, inexoravelmente, o fortalecimento do Sindicato.

A autonomia que defendemos significa não apenas assegurar à Casa sua existência e funcionamento pleno, mas também afirmar seu caráter democrático e plural.

A Casa do Jornalista não pode ser uma simples “correia de transmissão” do pensamento circunstancialmente dominante na direção de nossa entidade sindical, que, por sua própria natureza, tende a ser mais homogênea e ideologicamente mais coesa.

A pluralidade é condição essencial para que a Casa seja uma entidade viva, dinâmica e representativa. Ela não deve ser vista como instrumento de difusão de uma ou outra concepção ideológica, mas como espaço de reflexão das diferentes visões de mundo presentes na categoria e na sociedade.

Esse é o caminho mais adequado e eficaz apara que a Casa cumpra seu objetivo de contribuir “para a construção da paz, da liberdade, da democracia, da justiça social e a promoção da liberdade de manifestação do pensamento e da comunicação, bem como de criação e de outras formas de expressão cultural” (art. 2º de seu estatuto). Deve, ao mesmo tempo, dar atenção à sua dimensão de facilitadora da formação e da reciclagem profissional dos jornalistas.

A Casa do Jornalista, enfim, deve ser vista não como um braço, mas como uma pessoa, do ponto de vista não apenas jurídico, mas também político. Como pessoa, deve ter cabeça, corpo e membros. Mais que isso: trabalhando lado a lado com o Sindicato, a Casa deve construir sua própria identidade, característica inerente a todos aqueles que, sujeitos de direitos e obrigações, possuem personalidade.

Eduardo Nunes Campos – Presidente da Casa do Jornalista de Minas

Maio de 2011

Intervenção da OTAM na Itália?

Obama parecia perplexo quando as câmeras de televisão captaram o primeiro-ministro italiano conversando com ele em uma reunião do Grupo dos Oito, na França, e fazendo uma de suas tiradas sobre os juízes que o convocaram para quatro julgamentos simultâneos. Microfones captaram Berlusconi dizendo a Obama, durante uma pausa na reunião do G8:
– Apresentamos uma reforma da justiça que é fundamental para nós. Na Itália, temos quase uma ditadura de juízes de esquerda...
Silvio Berlusconi talvez queira que Obama mande a OTAN atacar os juízes italianos...

Começa encontro de petistas em Londres


Os petistas emigrantes estão reunidos em Londres durante três dias

Começou hoje, em Londres, e vai até domingo o IV encontro dos petistas do Exterior, conhecido como Eptex, sob o tema geral Direitos Humanos e Imigração.
A direção do encontro está com a nova responsável pela Secretaria das Relações Internacionais do PT, Iole Ilíada, que sucedeu nesse posto a Valter Pomar.
A atual política brasileira de emigração que ficou sob a direção do MRE (Ministério de Relações Exteriiores) e Itamaraty, teve repercussões negativas para o PT no Exterior, pois embora a candidata petista à Presidência tenha vencido na maioria dos países, os petistas não conseguiram se impor no chamado Conselho de Representantes Brasileiros no Exterior, CRBE, dominado por uma maioria de tucanos, além de representantes de associações filantrópicas, religiosas e de prestações de serviços para emigrantes.
Entretanto, nessa análise é necessário destacar que apenas 18,5 mil pessoas participaram o processo de eleição do CRBE, quando existem 3,5 milhões de emigrantes. Daí as críticas a esse Conselho, pouco representativo, e tutelado pelo diplomatas do Itamaraty, sem independência de ação, funcionando como mera assessoria e sendo apenas órgão de interlocução entre emigrantes e governo, função existente, na verdade, só no papel.
Conta-se que teria sido o próprio Lula, talvez por influência do ex-ministro Celso Amorim, que em lugar de optar por uma representação emigrante junto ao governo, preferiu entregar ao MRE a gestão dos emigrantes. É provável que o Eptex discuta o projeto de uma Secretaria de Estado dos Emigrantes, rejeitado pelo CRBE.
Embora o senador Cristovam Buarque esteja, hoje, defendendo em Barcelona, na Espanha, seu projeto de emenda constitucional em favor de parlamentares emigrantes, tal criação sem uma Secretaria de Estado dos Emigrantes e com o atual Conselho de emigrantes seria ineficiente, pois o movimento emigrante continuaria sendo colonizado pelo Itamaraty. (Com o Correio do Brasil)

Seria ótimo que os participantes aprendessem com os britânicos como afastar ministros acusados de corrupção ou enriquecimento ilícito sem maiores delongas...

Causos da minha terra

       Symphronio Veiga


O PINTO VALENTE DO PADRE DE ITAPECERICA DE MINAS

 Um dos vigários mais famosos de Itapecerica de Minas , hoje, nome da

rua principal da cidade , tinha um pinto como mascote, o Valente.

Certo dia, o pinto Valente desapareceu, e ele achou que alguém o havia

roubado.

No dia seguinte, na missa, o vigario perguntou ?

Algum de vocês aqui tem um pinto?

Todos os homens se levantaram.

Não, não - disse o vigario - não foi isso que eu quis dizer.

O que eu quero saber é se algum de voces viu um pinto?

Todas as mulheres se levantaram...

- Não, não - repetiu o vigario... - o que eu quero saber é se algum de

voces viu um pinto que não lhes pertence.

Metade das mulheres se levantou.

Não, não - desculpou-se o vigario novamente muito atrapalhado.

-Talvez eu possa formular melhor a pergunta:

- O que eu quero saber é se algum de voces viu o meu pinto?

Todas as freiras se levantaram.

- Esqueçam, esqueçam... vamos continuar a missa!

Sou testemunha ocular. Era um guri.

Assistia à missa na igreja matriz de São Bento, poiSym?


A polícia espanhola não perdoa: bate

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Famílias ameaçadas de despejo em Itabira

            

Desde a manhã do dia 24 de maio de 2011, o povo da Comunidade Drumond – 300 famílias -, do bairro Drumond, em Itabira, MG, - que estão ameaçadas de despejo - estão acampadas na frente da prefeitura de Itabira, cidade mineira que está localizada dentro de grandes crateras produzidas pela Companhia Vale.

O poeta Carlos Drumond de Andrade, itabirano, ficou com o coração partido de dor ao constatar as indeléveis agressões provocadas pela mineradora Vale à sua terra natal. Exclamou poeticamente: “Itabira se tornou apenas um quadro na parede!” Drumond não quis mais retornar a Itabira.
Sob um frio federal dezenas de famílias estão dispostas a continuar na luta, acampadas na frente da Prefeitura de Itabira por tempo indeterminado até o prefeito João Izael resolver desapropriar área onde hoje está a Comunidade Drumond, que não está tendo mais o direito de dormir em paz, porque, a qualquer hora, a polícia pode chegar para cumprir um mandado judicial de despejo. O processo judicial que resultou em Liminar de reintegração de posse está eivado de irregularidades. Por isso outros recursos judiciais estão sendo impetrados no Tribunal de Justiça de Minas.
Ontem, dia 26/05/2011, o prefeito João Izael se reuniu com os bispos da Diocese de Itabira, Dom Odilon e dom Lara. Não aceitou que uma Comissão dos moradores e de outras organizações de apoio participasse da reunião. O prefeito cogitou assinar um documento se comprometendo em arrumar moradia para o povo em outro lugar.
Após os bispos repassarem a vaga proposta para uma Comissão da Comunidade Drumond, foi feita uma Assembleia com o povo que decidiu o seguinte:
A principal reivindicação do povo da Comunidade Drumond é que a área seja desapropriada para fins de interesse social para habitação popular. Isso é juridicamente possível e politicamente o mais justo pelos seguintes motivos:

a) A propriedade, ao ser lentamente ocupada por 300 famílias pobres, estava totalmente abandonada, ociosa e sem cumprir a função social;

b) Sobre a propriedade nunca pagaram nem um centavo de imposto (nem IPTU e nem ITR). A dívida de IPTU já supera R$750.000,00;

c) A desapropriação é menos onerosa para o poder público do que a compra, pois se desapropria pelo valor venal do imóvel, valor bem menor do que o de mercado;

d) Pode-se desapropriar pela Lei 4.132/62 com 2 anos de prazo para efetuar o pagamento. A prefeitura pode pagar com orçamento próprio e pode também reivindicar junto ao Governo Estadual recurso a partir da Secretaria de Regularização fundiária urbana e rural;

e) A prefeitura de Itabira tem o 6º maior orçamento dos municípios de Minas Gerais: 700 milhões de reais por ano. Logo, não pode alegar que não tem dinheiro;

f) Com um decreto de desapropriação do prefeito se coloca fim na discussão judicial e exorciza o fantasma do despejo, que se acontecer, poderá resultar em massacre e em uma infinidade de dor e problemas sociais muito maiores do que os ora existentes.

g) Os direitos humanos das crianças, adolescentes, das mulheres e dos idosos, enfim de todo o povo pobre que integra a Comunidade Drumond está amparado pela Constituição Federal, Estatuto da Criança e Adolescente, Estatuto do Idoso e ...
Caso o prefeito João Izael não faça a desapropriação, o melhor e mais justo, a Comunidade do Bairro Drumond, revelando abertura para negociação e diálogo, aceita sair do terreno com um compromisso assinado pelo prefeito nos seguintes termos:

a) Que a Prefeitura construa casas, e não apartamentos, para todas as famílias com renda de zero a três salários mínimos, em um local o mais próximo possível (que não seja em local longe do centro), em lotes de, no mínimo, 200 metros, e com infraestrutura de urbanização (saneamento, redes de água e energia, posto médico, escola, praças etc).

b) Que todas as famílias continuem no Bairro Drumond até a conclusão de todas as casas (não apartamentos) de forma que possam sair do Bairro Drumond e já entrarem em seguida nas novas casas.

O bispo dom Odilon, após mostrar a contraproposta, acima, informou-nos de que o prefeito não aceita assinar um compromisso nos termos pontuados pelo povo da Comunidade Drumond, em Assembleia.

Assim, evidenciou-se que o prefeito João Izael não quer assumir um compromisso sério com as 300 famílias pobres do bairro Drumond. Será porque já está comprometido com a “Família Rosa” que quer expulsar os pobres para construir no local um bairro nobre, um setor de mansões?

Slavoj Zizek: Capitalismo não é única opção da humanidade


Em um determinado momento da Primeira Guerra Mundial, em uma trincheira, um soldado alemão envia uma mensagem informando que a situação por lá “era catastrófica, mas não era grave”. Em seguida, recebeu a resposta dos aliados austríacos afirmando que a situação deles era “grave, mas não catastrófica”.
Essa anedota é contada pelo filósofo Slavoj Zizek para explicar a atual falta de equilíbrio nas discussões sobre as crises mundiais e nas possíveis alternativas para solucioná-las. “Uns acham que vivemos uma situação catastrófica, mas que não é grave. Outros que a situação é grave, mas não catastrófica”, expôs o professor nascido na Eslovênia.
Neste fim de semana, Zizek participou da conferência “Revoluções, uma política do sensível”, promovida pelo Instituto de Tecnologia Social, pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, pelo SESC-SP e pela Boitempo Editorial. Com bom humor e comentários ácidos e perspicazes, ele defendeu a importância de um debate alternativo à imposição do capitalismo como única lógica possível de organização. Também criticou a forma como as mídias e os governos pautam a discussão ambiental.
Durante o encontro, o professor explicou que a importância do trabalho filosófico está na prática de “destruição do pensamento dominante”. Ele alertou que é preciso colocar um fim à predominância da ideologia capitalista, já que a maioria das pessoas age como se não houvesse outra alternativa.
Comunismo como opção
“Os problemas que enfrentamos são comuns a todos nós, por isso o comunismo é uma alternativa. A utopia que temos hoje é acreditar que soluções isoladas é que vão resolver os problemas mundiais”, argumenta Zizek.
Para o filósofo, devemos pensar em uma forma de organização política que “esteja fora da lógica e das regras do mercado”. A República Democrática do Congo, segundo o professor, é um sintoma do capitalismo global. “É um Estado que simplesmente não funciona como Estado. Trata-se de uma série de áreas controladas por generais locais que mantêm contratos com grandes empresas internacionais”.
Ele afirma que, a todo momento, dizem que comunismo é algo impossível. “Cientistas discutem aperfeiçoamentos genéticos que podem nos dar a imortalidade. Outros falam do uso da telepatia para operar aparelhos. Não podemos deixar que nos digam que o queremos é impossível!”, diz.
Zizek cita o exemplo da China onde, segundo ele, foram proibidos livros, filmes, gibis e qualquer outra produção artística e cultural que sugira ou faça referência a realidades alternativas. “No Ocidente, não é preciso que nenhum governo proíba isso, nós encaramos a realidade como se ela só pudesse ser dessa forma”, analisa.
Capitalismo ético-social?
O capitalismo tem um enorme poder de absolver as críticas que recebe e de transformá-las em novas fontes de lucro, explica Zizek. “Hoje há uma espécie de capitalismo ‘ético-social’. Para você ficar com a consciência mais tranqüila, as grandes marcas dizem que 1% do valor do produto vai para crianças que passam fome ou para plantar mudas de árvores”, diz.
Ele esclarece que essa lógica é própria da filosofia norte-americana, que vende a ideia de que, assim, “estamos salvando o mundo”. E nos sentimos bem com isso.
Os problemas capitalistas estão sendo vistos como problemas morais, esclarece Zizek. Para ele, o problema disso é que, a partir desta visão, as pessoas comecem a acreditar que punições ou soluções morais são suficientes para resolver os problemas provocados pelo capitalismo.
“Vejam como o presidente (dos EUA, Barack) Obama tratou a questão do vazamento de petróleo no México. Um problema ambiental foi transformado em um problema legal. Discutiu-se o se a empresa teria de recompensar e de quanto seria essa multa. É ridículo tratar um caso desses como uma simples questão legal”, exemplifica.
A crise ambiental
Quando a preocupação com a degradação ambiental ganhou força, a mídia dizia que isso era coisa de comunista que estava arrumando uma desculpa para criticar o capitalismo, conta o filósofo. “Agora há um discurso mais ambíguo, os canais de comunicação dizem, por exemplo, que quando as camadas de gelo derreterem, vai ficar mais barato comprar os produtos chineses”, ironiza Zizek.
Para ele, há um “mecanismo de negação” em torno da questão ambiental. “Fala-se tanto da gravidade da natureza, de que o mundo pode acabar em um, dois anos, que isso amortiza a consciências das pessoas. Elas pensam: ‘Se eu falar muito nisso, talvez nada aconteça!’” ilustra o professor.
De acordo com Zizek, a ideia de sustentabilidade é um mito e não há “equilíbrio ideal com a natureza para o qual podemos retornar”. Uma das ideia mais difundidas é que devemos buscar pequenas soluções para o meio ambiente. “Vocês gostam de torcer no futebol, não? Quando vão ao estádio e ficam gritando e pulando, acham que isso faz o seu time vencer. A reciclagem é igual a essa torcida”, brinca Zizek.
Oriente Médio e África
Zizek aponta que as recentes manifestações no Oriente Médio e na África mostram, ao contrário do que o Ocidente afirmava, que eles são capazes de se organizar por questões que vão além do fundamentalismo ou do anti-ceticismo.
Para os padrões ocidentais, a liberdade em um país é medida, principalmente, na existência ou não de mecanismos eleitorais e no respeito aos direitos humanos. “A liberdade, como já dizia Marx, deve ser vista em como se dão as relações sociais. É preciso ver se as pessoas possuem liberdade dentro dos mecanismos sociais”.
Segundo o filósofo, o momento mais importante destas revoluções é o “dia seguinte”. “Estamos muito animados com estes recentes acontecimentos. Mas a verdadeira revolução precisa acontecer agora”.
Garantia Acme
Slavoj Zizek concluiu a palestra com a previsão de que, ainda que demore mais um tempo, o sistema global vai revelar como é frágil, apesar de aparentar ser invencível. “O capitalismo está na mesma situação do Coiote perseguindo o Papa-léguas. Ela já passou a linha do abismo, só falta ele olhar para baixo e ver que não está mais pisando no chão!”.

 Fonte: Opera Mundi

O marxismo clássico e a prática sindical

Trabalhadores italianos em greve em 1905
                       
Teones França, de São Paulo (SP)

Desde as últimas décadas do século XX, é comum escutarmos que o sindicalismo brasileiro vive uma crise que teria sido ocasionada por vários aspectos, como os efeitos das recentes transformações produtivas e do fim do chamado socialismo real sobre o mundo do trabalho e o movimento sindical. A grande maioria daqueles que analisam esse processo não incluem como um dos fatores que impulsionam essa crise os limites inerentes à própria ação sindical e a dificuldade que esta tem – e sempre teve – em associar as lutas econômicas (sindicais) às lutas políticas mais gerais. Nesse caso, um retorno às análises do marxismo clássico pode ser muito útil.
Este artigo tem por objetivo realizar esta ida ao passado e está dividido em duas partes, ambas com o intuito de destacar considerações de Marx, Engels, Lênin e Trotsky sobre a importância do movimento sindical e os limites do sindicalismo.
Desde já, é importante apontar que Marx e Engels tiveram contato com um tipo de sindicalismo diferente do que Lênin e Trotsky conheceram. Os dois primeiros fizeram parte de um período histórico em que o movimento sindical ainda não tinha se tornado de massa, onde a forma predominante de sindicalismo era a de ofício, já que, apenas durante as últimas décadas do século XIX, os sindicatos difundiram-se como expressão organizada e de massa do movimento operário. Entretanto, como destaca Alves, as afirmações de Marx a respeito do sindicalismo, em especial sobre os limites deste, devem ser generalizadas e não somente associadas a um caso particular, como o sindicalismo de ofício, por exemplo [1].
A importância do movimento sindical.
fundamentos históricos da concepção de Karl Marx e dos marxistas em geral sobre sindicatos – e seus limites – foram postos na obra do jovem Engels, A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, escrita entre 1844 e 1845 [2]. Nesse trabalho, verifica-se que, ao atestar que a concorrência não existe apenas entre os capitalistas, mas também entre os próprios trabalhadores, Engels afirmava que os sindicatos seriam os primeiros esforços dos trabalhadores para suprimir essa concorrência entre si e os via como um instrumento importante para conter a ânsia dos capitalistas :
“Se o industrial não contasse com uma oposição concentrada e maciça da parte dos seus operários, baixaria gradualmente, cada vez mais, os salários, para aumentar o seu lucro; a luta que tem de manter contra os seus concorrentes, os outros industriais, obriga-lo-ia a isso e em breve o salário atingiria o seu nível mínimo” [3].
Os sindicatos serviriam, então, como anteparo aos ataques dos industriais que não hesitariam, caso não encontrassem resistência, em vilipendiar cada vez mais a condição de vida dos trabalhadores para obter melhor situação na concorrência com outros capitalistas. A principal expressão da indignação dos proletários contra a situação imposta pelos patrões eram as greves que, apesar de não terem muito sucesso isoladamente, seriam como uma “escola de guerra” dos operários, em que esses se preparariam para o grande combate, ou seja, para a destruição da sociedade capitalista.
As primeiras considerações de Marx sobre os sindicatos encontram-se na Miséria da filosofia, em que ele procura demonstrar a falsidade do pensamento de Proudhon, que dizia serem inúteis os sindicatos e as greves por melhores salários, pois o seu êxito traria como conseqüência a inflação.
Para Marx, a luta principal a ser protagonizada pela classe operária na sociedade capitalista seria a revolução social, a partir da qual estaria colocada a possibilidade de se alcançar uma sociedade sem exploradores e explorados. Nesse sentido, a luta sindical teria “a capacidade de dar uma ‘lição moral’ aos operários, ensiná-los a agir coletivamente, de forma organizada, conscientes de seu poder enquanto classe que produz a riqueza social”. Percebe-se que a visão da luta sindical como escola, presente em Engels, também se encontrava em Marx, que entendia que por meio dessa luta os trabalhadores poderiam avançar em sua consciência de classe e chegar a constituir um partido político próprio da classe operária [4].
O papel que cabia aos sindicatos, de acordo com o pensador alemão, não era então de pouca importância. Eles serviriam para constituir os operários em classe, organizando-os, educando-os, para a tarefa maior, que seria a revolução social. No entanto, esse movimento político – associado à revolução e que Marx considerava de maior importância – não poderia ser desvinculado totalmente do movimento social, econômico, pois é a própria luta econômica, sindical, que transforma o proletariado em classe para si.
“As condições econômicas, inicialmente, transformaram a massa do país [se refere à Inglaterra] em trabalhadores [travailleurs]. A dominação do capital criou para essa massa uma situação comum, interesses comuns. Essa massa, pois, é já, ante o capital, uma classe (...) mas ainda não o é para si mesma (...). Na luta que assinalamos algumas fases, essa massa se reúne, se constitui em classe para si mesma (...). Os interesses que defende se tornam interesses de classe. Mas a luta entre classes é uma luta política” [5].
A luta sindical possibilita que a classe trabalhadora deixe de ser meramente classe em si e se transforme em classe para si na luta contra o capital e os sindicatos. Por sua vez, teria o mérito de agrupar essa massa, fazendo-a mais coesa e, logo, mais forte no embate da luta de classes.
Tanto Lênin quanto Trotsky seguiam a análise de Marx e Engels e enfatizavam o aspecto educativo dos sindicatos para a classe operária. Para o segundo, os sindicatos, assim como o partido revolucionário, eram importantes para que o proletariado compreendesse a sua missão histórica, ou seja, ser o sujeito social da revolução social – “se o proletariado, como classe, fosse capaz de compreender imediatamente sua tarefa histórica, não seriam necessários nem o partido nem os sindicatos. A revolução teria nascido, simultaneamente, com o proletariado” [6].
Lênin trazia à tona a definição de Engels a respeito das greves, “escola de guerra”, mas alertava que elas ainda não seriam a própria guerra, apenas um dos meios da luta operária por sua emancipação [7]. O revolucionário russo fazia uma bela caracterização dos efeitos devastadores de uma greve sobre a sociedade capitalista e mesmo sobre os próprios trabalhadores:
“Toda greve acarreta ao operário grande número de privações, além disso são terríveis que só podem comparar com as calamidades da guerra (...) E apesar de todas essas calamidades, os operários desprezam os que se afastam de seus companheiros e entram em conchavo com o patrão. (...) Amiúde, basta que se declare em greve uma fábrica para que imediatamente comece uma série de greves em muitas outras fábricas. Como é grande a influência moral das greves, como é contagiante a influência que exerce nos operários ver seus companheiros que, embora temporariamente, se transformam de escravos em pessoas com os mesmos direitos dos ricos! Toda greve infunde vigorosamente nos operários a idéia do socialismo: a idéia da luta de toda a classe operária por sua emancipação do jugo do capital” [8].
A luta sindical, apesar de limitada, cumpre um papel preponderante no avanço das consciências em direção ao socialismo e à solidariedade de classe. Devemos reconhecer que é impossível observar essas palavras de Lênin e não nos remetermos às greves de fins dos anos setenta no ABC paulista e toda a sua influência país afora, assim como os estragos gerados para a classe dominante brasileira naquele momento.
Limites do sindicalismo.
Apesar de concordarem sobre a importância dos sindicatos, todos os quatro autores analisados também concordam que a luta sindical tem limites e que não se pode separar a luta econômica da luta política mais geral. Engels, em seu trabalho supracitado, apontava para a pouca eficácia das greves por duas razões em especial. A primeira, pela quebra de solidariedade entre os operários, ocasionada pelos chamados “fura-greves”, promovida pela concorrência entre eles próprios; e a segunda, pela impotência das trade unions inglesas diante das crises cíclicas da economia capitalista, que geravam diminuição de salários, fechamento de fábricas, greves mais curtas até mesmo em função do esgotamento mais rápido dos fundos sindicais. A prática sindicalista se submeteria totalmente, segundo essa visão, ao movimento do capital.
As lutas dos sindicatos eram consideradas por Engels como lutas meramente defensivas, em geral lutas locais, de caráter profissional, sem um caráter político propriamente dito, que não mudariam a condição geral da classe proletária, mas apenas de operários de algumas fábricas [9]. Bem diferente para o autor eram as lutas associadas ao movimento cartista, pois esse sim era um movimento político que buscava representar os interesses de toda a classe trabalhadora.
Os limites do sindicalismo para Marx seguiam uma lógica muito próxima a de Engels. Para o primeiro esses limites estariam “postos pela sua natureza essencialmente defensiva, isto é, a luta pela elevação dos salários (ou contra a sua redução) ocorre apenas como decorrência de modificações anteriores postas pelo movimento do capital” [10].
Em Salário, preço e lucro – em que trava uma polêmica com o owenista John Weston, muito semelhante à que havia travado com Proudhon – Marx expõe de forma mais nítida as limitações da luta meramente econômica desenvolvida pelos sindicatos na sociedade capitalista:
“Os operários não devem superestimar o resultado final dessa luta [sindical] quotidiana. Não podem esquecer que lutam contra os efeitos e não contra as causas desses efeitos, que o que fazem é refrear o movimento descendente, mas não alterar o seu rumo; que aplicam paliativos e não a cura da doença (...) Em vez da palavra de ordem conservadora ‘um salário justo por um dia de trabalho justo’ devem inscrever na sua bandeira a palavra de ordem revolucionária: ‘abolição do salariado’”.
E, em outra passagem:
“Os ‘sindicatos’ atuam com utilidade como centros de resistência às usurpações do capital. Deixam em parte de atingir o seu objetivo quando utilizam a sua força de forma pouco inteligente. No entanto, deixam inteiramente de o atingir, quando se limitam a uma guerra de escaramuças, contra os efeitos do regime existentes, em vez de trabalharem, ao mesmo tempo, para a transformação e servirem-se da sua força organizada como de uma alavanca para a emancipação definitiva da classe trabalhadora, isto é, para a abolição definitiva do sistema de trabalho assalariado” [11].
As conquistas sindicais não podem iludir a classe trabalhadora a ponto desta minimizar o fato de que não houve mudanças no rumo do sistema de trabalho assalariado e que em pouco tempo essas conquistas já não serão percebidas e novas lutas deverão acontecer para buscar se obter as mesmas vitórias. A importância das organizações sindicais era destacada por Marx, como já salientamos, por impedir o avanço devastador da sanha do capital, porém, enquanto continuassem a lutar somente contra os efeitos do sistema e não efetivamente contra as suas causas, estariam caminhando em círculo e se omitiriam de apresentar uma contribuição mais relevante para a superação do trabalho assalariado.
Para enfrentar o capital, Marx considerava que os operários deveriam exercer uma “ação política geral”, fazendo uma pressão constante de fora do âmbito da relação meramente salarial, até porque na luta puramente econômica entre capital e trabalho, o primeiro tende a ser muito mais forte.
Em um mesmo sentido, Lênin enfatizava que a luta econômica não deveria ser a preocupação exclusiva do movimento operário. Para ele, era equivocado supervalorizar greves vitoriosas porque “com as associações profissionais (...) dos operários e com as greves consegue-se apenas, no melhor dos casos, alcançar condições um pouco mais vantajosas para a venda da mercadoria chamada força de trabalho”. Essas associações e as greves não podiam ajudar quando a força de trabalho não fosse procurada em virtude da crise econômica, não podiam modificar as condições que convertiam a força de trabalho numa mercadoria e que condenavam as massas trabalhadoras às mais duras privações e desemprego. O que teria o poder de mudar essa situação negativa para o proletariado, na sua visão, era “a luta revolucionária contra todo o regime social e político atual” [12].
Para o principal líder da revolução russa, aquilo que os revolucionários afirmavam para a classe operária deveria ser exatamente o oposto do que dizia a burguesia. Enquanto esta tentava iludir o proletariado para que ele centralizasse a sua atenção principal nos sindicatos, os revolucionários preocupavam-se em alertar o proletariado – classe mais avançada e a única revolucionária até as últimas conseqüências – de que não deveria se restringir aos limites econômico-salariais da luta de classes puramente, sobretudo ao aspecto do movimento sindical, mas, pelo contrário, “tratar de ampliar os limites e o conteúdo da sua luta de classe até abranger nesses limites não só todas as tarefas da atual revolução democrático-popular russa, como também as tarefas da revolução socialista que há de segui-la” [13].
Nesse sentido, acreditava que a “consciência social-democrata” – que abrangeria a necessidade da revolução socialista como uma tarefa maior, e mais importante, do que a luta sindical – só poderia chegar até os operários a partir de fora, ou seja, a partir da influência do partido revolucionário. Isso era corroborado, de acordo com Lênin, pela história de todos os países até então, que demonstrava que “pelas próprias forças, a classe operária não poderia chegar senão à consciência sindical, isto é, à convicção de que é preciso unir-se em sindicatos, conduzir a luta contra os patrões, exigir do governo essas ou aquelas leis necessárias aos operários etc.” [14].
Considerando também que o sindicato tem a sua importância, mas, devido às limitações da luta sindical, não passava de um coadjuvante na busca pela superação do trabalho assalariado – onde o partido revolucionário exerceria o papel principal –, Trotsky entendia que as associações sindicais, por seus objetivos, sua composição e o caráter de seu recrutamento, agregando todos que desejassem se organizar sindicalmente, independente da concepção política, não tinham um programa revolucionário acabado e, sendo assim, não poderiam substituir o partido.
Mesmo os sindicatos mais poderosos, na visão do autor da revolução permanente, não abarcariam mais do que vinte ou vinte e cinco por cento da classe operária, predominando, ainda nesse grupo, as camadas mais qualificadas e mais bem pagas. Com isso a maioria mais oprimida do proletariado só era arrastada para a luta episodicamente nos períodos de auge do movimento operário. Tudo isso fazia com que Trotsky concluísse que “os sindicatos não são um fim em si mesmos, são apenas meios que devem ser empregados na marcha em direção à revolução proletária” [15].
Ainda para esse autor, historicamente os sindicatos se formaram no período de surgimento e auge do capitalismo tendo por objetivo melhorar a situação material e cultural do proletariado, além de ampliar os seus direitos políticos. Na Inglaterra, por exemplo, ao longo de mais de um século de luta, muitos desses objetivos foram conquistados, o que deu aos sindicatos ingleses uma autoridade tremenda sobre os operários. No entanto, já na década de 1930 o revolucionário russo percebia que a decadência do capitalismo britânico, seguindo a mesma dinâmica do sistema capitalista mundial, havia minado as bases desse trabalho reformista dos sindicatos, pois o capitalismo só conseguia se manter rebaixando o nível de vida dos trabalhadores. Assim, os sindicatos se encontravam numa bifurcação: “podem ou bem transformar-se em organizações revolucionárias ou converter-se em auxiliares do capital na crescente exploração dos operários” [16].
Ao separar a luta econômica, e meramente sindical, da luta política mais geral, a maioria dos sindicatos, ao longo do século XX no Brasil e no mundo, deixaram de cumprir um papel, que apesar de limitado, era e é imprescindível para a luta socialista. A partir da leitura do marxismo clássico, é tarefa dos sindicalistas revolucionários atuais fazer esse balanço e encaminhar ações que procurem pôr em xeque o sistema capitalista como um todo, sem se limitar a lutar meramente contra os seus efeitos, mesmo que estes sejam bastante nefastos .

NOTAS:

1. Giovanni Alves. Limites do sindicalismo – crítica da economia política. Bauru, Projeto editorial Práxis, 2003. pp. 331 e 340.

2. Idem. p. 23.

3. F. Engels. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. Citado por Giovanni Alves. Op. Cit. p. 48.

4. Giovanni Alves. Op. Cit. pp. 231 e 293.

5. Karl Marx. Miséria da filosofia (na edição francesa). Citado por Giovanni Alves. Op. Cit. p. 126.

6. Leon Trotsky. Texto escrito em março de 1923, in: Escritos sobre sindicatos. S.P., Kairós Liv. e edit., 1978. p. 20.

7. Lênin. Texto escrito em 1899, in: Sobre os sindicatos. S.P., Liv. e Ed. Polis, 1979. p. 42.

8. Idem. p. 40.

9. Giovanni Alves. Op. Cit. p. 49.

10. Idem. p. 207.

11. Karl Marx. Salário, preço e lucro. S.P., Global Editora, 1988. pp. 85-86.

12. Lênin. Texto de junho de 1901, in: Op. Cit. p. 45.

13. Lênin. Texto de junho/julho de 1905, in: Op. Cit. p. 76.

14. Lênin. Que fazer? S.P., Hucitec, 1988. p. 24.

15. Leon Trotsky. Programa de Transição. 1ª edição, 1938. S/ ed. s/ data. pp. 13-15.

16. Leon Trotsky. Texto escrito em setembro de 1933, in: Escritos sobre sindicatos. Op. Cit. p. 79.

Personalidades israelenses exortam Europa a reconhecer Estado Palestino


Palestinos pretendem propor independência à ONU em setembro

Personalidades políticas e intelectuais de Israel enviaram uma carta a embaixadores europeus exortando seus países a apoiarem a iniciativa do presidente palestino Mahmoud Abbas de pedir, em setembro, o reconhecimento da ONU ao Estado Palestino com as fronteiras de 1967.
Entre as personalidades que assinaram a carta se encontram o ex-presidente do Parlamento israelense Avraham Burg, o ex-procurador geral da Justiça Michael Ben Yair e o ex-diretor geral do Ministério das Relações Exteriores Alon Liel.
Escritores israelenses importantes, como Ronit Matalon e Nir Baram, também assinaram a mensagem aos países europeus.
A carta foi concebida pelo movimento Solidarity (“solidariedade”, em tradução livre do inglês), que integra israelenses e palestinos que lutam juntos contra a ocupação israelense, principalmente em bairros palestinos de Jerusalem Oriental.(Com a BBCBrasil/Divulgação)

O Chery QQ no Brasil

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Não poderíamos esperar outra coisa, diz o Movimento Camponês sobre o Novo Código Florestal



                                

Em meio a polêmicas e após uma série de adiamentos, a votação do Novo Código Florestal finalmente foi realizada dia 24, na Câmara dos Deputados em Brasília, no Distrito Federal. Com a maioria dos votos, 410 a favor do Código e 63 contra, o texto segue agora para o Senado Federal, e depois para sanção presidencial.
Há a expectativa de que a presidenta Dilma Rousseff vete alguns pontos do Novo Código Florestal, caso não sofram modificações no Senado. Um destes pontos é a emenda 164, principal ponto de divergência entre governo e parlamentares.
Essa emenda estenderia aos estados o poder de decidir sobre atividades agropecuárias em áreas de preservação permanente (APPs). No entanto, o governo federal quer exclusividade para definir as atividades permitidas em APPs. O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza, afirmou que a presidente considera esta emenda "uma vergonha para o Brasil”.
Representando os pequenos agricultores, campesinos e ambientalistas, Altacir Bunde, integrante do Movimento Camponês Popular, disse que o resultado do dia  24"foi a colheita de um longo processo de concessão que o governo brasileiro tem feito à liberação dos transgênicos, no apoio ao agronegócio e a outros projetos”. "Então, não poderíamos esperar outra coisa”, resumiu.
Apesar de a presidente não concordar com alguns pontos do projeto, Altacir não tem grandes expectativas sobre alterações no novo Código, e lembra que a presidenta também está de acordo com os transgênicos e com o agronegócio.
"A resposta do governo para isso (contra o código) seria começar a fazer a Reforma Agrária e apoiar a Agroecologia. Não adianta vetar o Código e continuar apoiando projetos que visam o capital e destroem o meio ambiente”, observou. E acrescentou: "Para nós, o grande debate é sobre o que queremos além do Código Florestal. Precisamos ter outro modelo de sociedade e agricultura, um novo modelo de desenvolvimento para o campo que seja justo, respeite a vida e a biodiversidade”.
Mudanças no Código
Ambientalistas entendem que o Novo Código permite maior avanço das monoculturas em prejuízo das áreas de florestas, e afirmam que as mudanças abrem brechas para aumentar o desmatamento e podem pôr em risco ciclos naturais.
O projeto também estabelece o conceito de "Área Rural Consolidada” para todas as áreas ocupadas antes de 22 de julho de 2008. Isso significa que muitos proprietários que desmataram APPs até julho de 2008 ficariam isentos de punições deste crime ambiental. (Com a Adital)

Minha BH interior

                 


Carlos Lúcio Gontijo

 http://www.carlosluciogontijo.jor.br/

Pampulha, Praça 7, Afonso Pena e Pirulito

Tudo ali é rito de cativante fonte de prosa

Horizonte embebido em aragem de luz

Soa o sino da Igreja da Boa Viagem

Abraço floresce tal qual sina de semente

Cultivada no regaço do Parque Municipal

O bate-papo termina no chope de um bar

Balcão de boteco se transforma em beira mar

Toda Belo Horizonte cheira a Mercado Central

Mineiro é sinônimo de encontro marcado

Ressabiado como se meeiro de algum ouro fosse

Nunca se perde nem anda a esmo

Tem a si mesmo como provinciana capital

Tece arte e canta no ‘clube da esquina’ do amor

Por isso percebe em BH o seu próprio interior!

Manifestações contra a candidatura de Keiko Fujimori e em apoio a Ollanta Humala



Escritores contra Keiko
Com esperança e dignidade. Fujimori nunca mais”. Foi sob esse lema que estudantes, trabalhadores, vítimas de violência, artistas e integrantes de organizações e movimentos sociais realizaram, hoje (26), uma "Grande Mobilização” contra a candidata à presidência por Fuerza 2011, Keiko Fujimori. Faltando pouco mais de uma semana para o segundo turno das eleições peruanas, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) aparece nas pesquisas de opinião mais recentes como candidata favorita à presidência.
A manifestação teve início às 14h na Plaza Dos de Mayo. Às 15h, os manifestantes partiram em marcha para o Campo de Marte, na Avenida de la Peruanidad, onde promoveram um ato artístico-simbólico e a leitura de uma Declaração Cidadã.
A ação teve o objetivo de rechaçar a candidatura de Keiko Fujimori por representar a possibilidade de retorno de um período político marcado pela corrupção e pela violação aos direitos humanos, tal como foi a época governada por seu pai. "[...] dita opção corresponde ao ‘fujimontesinismo’, responsável por haver destruído o sistema democrático peruano, acompanhado de uma política antiterrorista que teve o grupo Colina como grupo implementador, o qual violou sistematicamente os direitos humanos”, afirma a convocatória.
Alberto Fujimori presidiu o país de 1990 a 2000. Em 2009, foi condenado a 25 anos de prisão por violações aos direitos humanos praticadas nos casos de Barrios Altos e La Cantuta, durante os anos de 1991 e 1992.
A manifestação foi convocada por: Coordenadora Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Central Geral de Trabalhadores do Peru (CGTP), Central Única de Trabalhadores (CUT), Coordenadora Nacional de Vítimas e Afetados pela Violência Política do Peru (Conavip), Movimento Cidadão Para Que Não Se Repita (MCPQNSR), entre outros movimentos e organizações sociais peruanas.
A atividade de hoje faz parte das mobilizações realizadas contra a candidata de Fuerza 2011. Nesta semana, um grupo de escritores peruanos divulgou uma carta rechaçando Keiko Fujimori. O documento – até a tarde de hoje assinado por 55 intelectuais – chama a atenção para o possível retorno da "ditadura fujimorista”.
"O regime de Alberto Fujimori marcou o período mais sinistro na história de nossos governos republicanos. Foi uma década criminosa cujas funestas consequências não devemos esquecer, relativizar, nem passar por alto. Nos últimos anos, o maior triunfo da democracia peruana foi o rechaço a essa ditadura, o processo judicial de seus líderes e o castigo legal aos inumeráveis delitos e crimes contra a humanidade que cometeu. Peru deve rechaçar mais uma vez a impunidade e reforçar sua fé em uma democracia com justiça para todos e com possibilidades de progresso dentro de uma ordem legítima”, apresentam.
Na carta, os escritores convocam a população a votar em Ollanta Humala, candidato por Gana Perú, e a observar atentamente se ele irá cumprir com a promessa de respeitar os direitos humanos e de rechaçar a criminalidade e a violência de Estado durante o governo dele. "[...] neste 5 de junho, nós, peruanos, devemos defender, através de um voto responsável e cívico, nossa dignidade, nossa liberdade e nossa democracia”, finalizam.
Pesquisas de opinião
Apesar das mobilizações de oposição a Keiko Fujimori, a filha do ex-ditador do Peru ainda segue na frente nas pesquisas de opinião de voto. Em uma enquete divulgada hoje (26) por Datum Internacional, Keiko aparece com 46,9% das intenções de voto contra 41,8% para Ollanta Humala. Brancos e nulos somam 11,3%.
A pesquisa, realizada no dia 22 de maio, ouviu 1.214 pessoas de áreas urbanas e rurais do país. De acordo com enquete, Keiko lidera as pesquisas em Lima, Callao e nas regiões norte e leste do Peru. Humala, por sua vez, destaca-se nas regiões do centro e do sul do país.
Datum ainda revela que 59,4% dos entrevistados acreditam que Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru e pai de Keiko, interfere na campanha eleitoral da filha. Por outro lado, 44% dos consultados consideram que Gana Perú está fazendo "mais guerra suja” na campanha eleitoral.
A carta dos escritores peruanos está disponível em: http://illarec-chaska.blogspot.com/
(Com informações de LaRepública.pe e Infocandidatos.com/Adital/Divulgação)