terça-feira, 31 de março de 2009

Hobsbawm e a crise mundial


Em entrevista para Martin Granovsky, no jornal argentino Página 12, o historiador britânico Eric Hobsbawm fala da crise atual e de suas possíveis implicações políticas. Para ele, o mundo está entrando em um período de depressão e os grandes riscos, diante da fragilidade da esquerda mundial, são o crescimento da xenofobia e da extrema-direita. Hobsbawm destaca o que está acontecendo na América Latina e elogia o presidente brasileiro. ''É o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil''. Em junho ele completa 92 anos. Lúcido e ativo, o historiador que escreveu Rebeldes Primitivos, A Era da Revolução e a História do Século 20, entre outros livros, aceitou falar de sua própria vida, da crise de 30, do fascismo e do antifascismo e da crise atual. Segundo ele, uma crise da economia do fundamentalismo de mercado é o que a queda do Muro de Berlim foi para a lógica soviética do socialismo.
Hobsbawm aparece na porta da embaixada da Alemanha, em Londres. São pouco mais de três da tarde na bela Belgrave Square e se enxergam as bandeiras das embaixadas por trás das copas das árvores. De óculos, chapéu na cabeça e um casaco muito pesado, cumprimenta. Tem mãos grandes e ossudas, mas não parecem as mãos de um velho. Nenhuma deformação de artrite as atacou.
Rapidamente uma pequena prova demonstra que as pernas de Hobsbawm também estão em boa forma. Com agilidade desce três degraus que levam do corrimão a calçada. Parece enxergar bem. Tem uma bengala na mão direita. Não se apóia nela, mas talvez a use como segurança, em caso de tropeçar, ou como um sensor de alerta rápido que detecta degraus, poças e, de imediato, o meio-fio da calçada. Hobsbawm é alto e magro. Uns oitenta e bicos. Não pede ajuda. O motorista do Foreign Office lhe abre a porta esquerda do jaguar preto. Entra no carro com facilidade. O carro é grande, por sorte, e cabe, mas a viagem é curta.
- Acabo de me encontrar com um historiador alemão, por isso estou na embaixada, e devo voltar – avisa. Ele chegou de visita a Londres e quis conversar com alguns de nós. Sei que vamos a Canning House. Está bem. Poucas voltas, não?
O carro dá meia volta na Belgrave Square e pára na frente de outro palacete branco de três andares, com uma varanda rodeada de colunas e a porta de madeira pesada. Por algum motivo mágico o motorista de cabelos brancos com uma mecha sobre o rosto, traje azul e sorridente como um ajudante do inspetor Morse de Oxford, já abre a porta a Hobsbawm. Entre essas construções tão parecidas, a elegância do Jaguar o assemelha a uma carruagem recém polida. O motorista sorri quando Hobsbawm desce. O professor lhe devolve a simpatia enquanto sobe com facilidade num hall obscuro. Já entrou em Canning House e à direita vê uma enorme imagem de José de San Martin. À esquerda do corredor, uma grande sala. O chá está servido. Quer dizer, o chá, os pães e uma torta. Outro quadro do mesmo tamanho que o de San Martin. É Simon Bolívar. E também é Bolívar o cavalheiro do busto sobre o aparador.Quanto chá tomaram Bolívar e San Martin antes de saírem de Londres para a América do Sul, em princípios do século 19, para cumprir seus planos de independência?
Hobsbawm pega a primeira taça e quer ser quem faz a primeira pergunta.
- Como está a Argentina? - interroga mas não muito, porque não espera e comenta – No ano passado Cristina esteve para vir a Londres para uma reunião de presidentes progressistas e pediu para me ver. Eu disse sim, mas ela não veio. Não foi sua culpa. Estava no meio do confronto com a Sociedade Rural.
Hobsbawm fala um inglês sem afetação nem os trejeitos de alguns acadêmicos do Reino Unido. Mas acaba de pronunciar “Sociedade Rural” em castellhano.
- O que aconteceu com esse conflito?
Durante a explicação, o professor inclina a cabeça, mais curioso que antes, enquanto com a mão direita seu garfo tenta cortar a torta de maçã. É uma tarefa difícil. Então se desconcentra da torta e fixa o olhar esperando, agora sim, alguma pergunta.
- O mundo está complicado – afirma ainda mantendo a iniciativa. Não quero cair em slogans, mas é indubitável que o Consenso de Washington morreu. A desregulação selvagem já não é somente má: é impossível. Há que se reorganizar o sistema financeiro internacional. Minha esperança é que os líderes do mundo se dêem conta de que não se pode renegociar a situação para voltar atrás, senão que há que se redesenhar tudo em direção ao futuro.
A Argentina experimentou várias crises, a última forte em 2001. Em 2005 o presidente Néstor Kirchner, de acordo com o governo brasileiro, que também o fez, pagou ao FMI e desvinculou a Argentina do organismo para que o país não continuasse submetido a suas condicionalidades. (Site Vermelho)

Jardim aromático em cemitério ecológico




A prefeitura de Barcelona inaugurou, no maior cemitério da cidade, um espaço em que as cinzas de defuntos cremados são usadas como adubo de um jardim de ervas aromáticas.
A ideia por trás do que as autoridades estão chamando de "o cemitério mais ecológico do mundo" é permitir que as cinzas possam ser recicladas no mesmo recinto em que famílias recordam seus entes queridos.
Cada cliente terá a opção de depositar as cinzas em uma urna biodegradável ao lado da planta ou de enterrá-las diretamente para que sirvam de adubo de uma planta aromática, escolhida entre três espécies: alfazema, alecrim e sálvia.
Ao lado de cada planta no chamado Jardim dos Aromas haverá uma placa de identificação do falecido. A família tem direito de levar algumas mudas para casa quando a erva crescer. (BBCBrasil/Divulgação)

segunda-feira, 30 de março de 2009

Cirque du Soleil em BH




Já estão à venda ingressos para a nova temporada do Cirque du Soleil em Belo Horizonte. Inicialmente só para clientes Brandesco e American Express. Os preços iram de140 a 490 reais. Ele podem ser adquiridos no endereço www.tickmaster.com.br/quidam.

Doação de livros para bibliotecas

O Viashoping Barreiro e a Fundação Municipal de Cultura de BH estarão com campanha de arrecadação de livros a partir de quarta-feira. Destinam-se às bibliotecas dos centros culturais Vila Santa Rita, Urucuia e Lindeia. O movimento integra a programação alusiva ao Dia do Livro que se comemora em 18 mde abril.

45 ANOS DO GOLPE MILITAR


Quarta-feira, 1 de abril, a TV Brasil, estará exibindo a partir das 22 horas um programa sobre os 45 anos do golpe civil-militar de 1964. Dele participaram o ex-ministro Jarbas Passarinho, o ex-deputado federal e ex-membro do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro, Marco Antonio Tavares Coelho, e o jornalista Ivo Herzog, filho de Wladimir Herzog. Ao que parece, a discussão foi bastante dura.

Tio Elias, nosso mentor

Neuber Lúcio Soares

Falar do Tio Elias fica difícil, pois todos sabem que ele era meu"contra-contra-contra-contra-parentes), visto que era casado com a irmã de minha cunhada, Maria Helena, esposa do mano Nélson. Daí esse tanto de "contra", apesar de eu ser muito em favor do nosso querido e saudoso amigo. Carlos Lúcio Gontijo, o poeta, escritor, ensaísta, comulista, contista, romancista e, por fim, jornalista, resumiu muito bem o perfil de nosso dileto amigo. aproveito apenas o ensejo de prestar uma simples homenagem ao saudoso amigo Tio Elias, que, por ironia de seu próprio destino, era mentor de todos nós, revisores, e voto de minerva nas discussões sobre nosso complicado Português/Brasileiro, que agora teimam em simplificar de forma danosa, cavando assim um fosso no qual, muito em breve, deverá ser sepultado. Não o amigo Elias, mas nassa Língua Pátria. Que o Grande Arquiteto do Universo acolha, com todo carinho e estima, o saudos amigo Elias Maboub.

Marmitas decoradas, para vencer a crise




Com o agravamento da crise econômica mundial, os japoneses passaram a investir mais em uma tradição do país - preparar uma marmita para levar ao trabalho, à escola, evento esportivo e até em encontros casuais. Com isso, aumentou também a procura por cursos que ensinam os japoneses a "enfeitar" os pratos.
Uma pesquisa realizada recentemente pela Mizkan, uma empresa fabricante de vinagre, revelou que o item mais importante levado em consideração por quem prepara as marmitas é realmente o visual. (Ewerton Tobace/BBC Brasil/Divulgação)

sábado, 28 de março de 2009

Não ao fim do bloqueio contra Cuba


O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse neste sábado que seu país nai levantará o bloqueio contra Cuba. Para Biden, ex-presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, a prioridade dos EUA é a crise econômica mundial. Sua excelência, vê-se, perdeu uma boa oportunidade de ficar caladinho...

A violência institucionalizada


"Assistimos, hoje, ao terrível espetáculo da reciclagem perversa da Doutrina de Segurança Nacional, arcabouço ideológico da ditadura militar, que forjou a figura do inimigo interno e da necessidade de sua eliminação. Se, naquela época, os inimigos internos eram todos e quaisquer opositores do regime, agora, os inimigos internos são nada menos que aqueles 2/3 os quais - devem ser contidos e eliminados. São eles, agora, de novo os principais alvos da repressão policial, da violência institucional, da tortura, do extermínio. Este é o mal político- o mal absoluto, como ousou dizer Hannah Arendt-, que só se manifesta onde e quando existem condições políticas e espaço institucional adequado: tem sido prática disseminada e rotineira a ponto se banalizar". Trecho de artigo publicado no jornal O Cometa, edição de novembro/dezembro de 2008, da professora e historiadora Heloisa Bizoca Grego, coordenadora doInstituto Helena Greco de Cidadania.

Sons da Vida, Exposição Fotográfica




Wenderson Cardoso encanta todo mundo que vai em busca de sua Exposição Fotográfica Itinerante, atualmente no Buteco do Maranhão (Av.Bias Fortes,541).Um dos destaques da mostra certamente é a embarcação que percorre o São Francisco, que o autor ciclou em Pirapora. A mostra foi inaugurada dia 2 de março e vai ficar no Buteco até o Dia do Trabalhador. (Imagem:Wanderson Cardoso/Divulgação)

Tio Elias, ensinando receitas a Deus






Fátima de Oliveira



Para mim Tio Elias Maboub sempre foi velho, com o corpo arqueado, meio curvado para frente. O andar suave como os gestos. Não a voz.Essa era forte, potente e denunciava que seus mais de 70 anos não diminuiram a fortaleza de meu mais novo companheiro de redação vindo da revisão quando o departamento acabou. Amizade recente o encontrava todas as amanhãs no Diario da Tarde.Ele revisando, dominando a tarefa e eu brigando com a vida, com as ruas, com as injustiças. Foi aí que nos encontramos.Era bom estar ao lado da suavidade de Tio Elias, perguntar como se escreve essa palavra, Tio Elias. Ele prontamente perdoava minha ignorância e ajudava. A letra bonita, bem desenhada no papel, meu companheiro de redação ensinava receitas de sua terra, o kibe de tabuleiro com queijo e muito azeite, hortelã e azeitonas . Dá vontade comer isso agora só pra sentir de novo seu carinho, seu cheiro, seu jeito doce de ser.Você dizia que eu era importante.Mas o importante era você.Quase toda semana nos encontrávamos na portaria do jornal depois que o DT fechou, ficamos sem emprego mas com conta bancaria ralinha no mesmo lugar. Coisa boa ver vc, seu sorriso, as conversas sobre nossa família. E você sempre preocupado com todos. Nã pensei que fosse embora tão depressa. Se soubesse teria dito, mais uma vez: Tio Elias gosto muito de você Sei que está céu , descansando da revisão, pois lá em cima ninguém escreve errado. (Imagem do acervo de Carlos Lúcio Gontijo)

O QUE É SER JORNALISTA


No Projeto Bate-Papo com o Autor, será lançado dia 7, às 19h30, o livro de Ricardo Noblat O que é ser jornalista.
Na sede da Academia Mineira de Letras, Rua da Bahia,1466. A programação se insere nas comemorações do centenário da AML.

Ato contra reunião do G-20 em Londres


Manifestação que reuniu dezenas de milhares de pessoas em Londres inaugurou o "circo" de protestos que a cidade espera ver armado para o encontro do G20, que será realizado na capital britânica na próxima quinta-feira.
Cerca de 35 mil pessoas, na estimativa da polícia, caminharam mais de 6 quilômetros para pedir que os líderes dos 20 países desenvolvidos e em desenvolvimento que integram o grupo priorizem as preocupações do cidadão comum ao discutir as saídas para a crise global.
Mais de 150 organizações sindicais, ambientalistas, anti-guerra, de combate à pobreza e atuantes nos mais variados aspectos sociais engrossaram a marcha batizada de "Put People First" (Coloquem as Pessoas em Primeiro Lugar, em tradução livre).
Os manifestantes pedem criação de empregos, justiça social (ou melhor distribuição de riqueza) e medidas contra o aquecimento global (por acreditarem que o atual modelo econômico leva à destruição da natureza). A imagem é do Granma online

Trinta anos da anistia política


Dia primeiro de abril, às 18h30, no Sindicato dos Jornalistas (Álvares Cabral,400), será realizado ato para lembrar a anistia política, sancionada através da lei 6.683, de 28 de agosto de 1979. Serão depoentes os advogados Antônio de Faria Lopes (ex-presidente do Sindicato dos Bancários), Edgard Amorim ( ex-deputado federal) e Cássio Gonçalves, também ex-deputado, assim como Faria. Em foco também a concretização da lei número 13448-2000, de 10 de janeiro de 2000 que Dia o Memorial de Direitos Humanos, estabelecendo-o no prédio do antigo Dops, na Avenida Afonso Pena. Também convidada para falar a historiadora e coordenadora do Instituto Helena Greco de Cidadania, Heloisa Bizoca Greco.

Produção de filme com ajuda da Internet



Que fazer para levar adiante o sonho de um curta-metragem sem dinheiro? A francesa Marie-Eve Signeyrole juntou uns amigos numa rodada de cerveja e , de conversa em conversa, surgiu a idéia: pedir dinheiro pela Internet. O custo final do curta Alice no país das maravilhas, que roda na Sérvia é de 95 mil euros. Aí somados salários e a produção técnica. Através do endereço http://www.alice-filme.fr/ , já foram arrecadados mais de 30 mil euros. O segredo é que cada ofertante passa a ser também produtor do filme. Um dos atores principais é o cineasta e escritor sérvio Emir Kusturica (imagem reproduzida de El País/Divulgação)

MABOUB, O CAVALEIRO DE DAMUR




Carlos Lúcio Gontijo




"Experimentou os prazeres proporcionados pela riqueza por intermédio da negociação de café exercida por seu pai; depois sofreu as dores da derrocada com a chegada de crise econômica que fez sucumbirem as finanças do pai"


A imensa maioria das pessoas costuma nos cobrar pedágio para que delas nos aproximemos. Precisamos nos derreter em mesuras para lhes chamar a atenção e, assim, iniciar os primeiros passos na construção de uma amizade. Todavia, com o afável e honesto Elias Maboub, não era assim. Eu o conheci na década de 70, trabalhando em departamento de revisão de jornal, num tempo em que veículo de comunicação impressa se interessava pela propagação de uma língua portuguesa/brasileira correta, auxiliando na formação da cultura linguística de seus leitores.
Elias Maboub logo me chamou atenção por seu inegável e profundo conhecimento de gramática. Libanês nascido em Damur (a 9 de fevereiro de 1924), uma cidade litorânea que não existe mais, destruída que foi por sírios e judeus que ali, em território alheio, tentavam resolver, por meio da luta armada, suas idiossincrasias movidas pelas incompreensões e desentendimentos mundanos.
Maboub veio para o Brasil com dois anos de idade seguindo seus pais e se transformou no mais autêntico e legítimo brasileiro que poderíamos (e podemos) imaginar. Experimentou os prazeres proporcionados pela riqueza por intermédio da negociação de café exercida por seu pai; depois sofreu as dores da derrocada com a chegada de crise econômica que fez sucumbirem as
finanças do pai, que pouco falava português e mal anotava os vários negócios feitos “no fiado”, sob a confiança de que receberia os créditos. Entretanto veio a débâcle, com ela o sumiço dos devedores.
O amigo Elias Maboub era detentor de extrema vocação médica, o que o levou a fazer vestibular e frequentar o curso de medicina durante dois anos, até que um dia o governo brasileiro, em acesso de arroubo nacionalista, decidiu pela expulsão de todos os alunos considerados estrangeiros das universidades, o que tanto interrompeu quanto pôs fim a seu sonho, levando-o – talvez para manter proximidade com a área médica – a trabalhar como vendedor de remédios para inúmeros laboratórios.
Pois bem, pouco tempo depois de conhecer Elias – pai extremoso e esposo exemplar – , ao qual aprendi a chamar carinhosamente de “Tio Elias”, deu-se a criação do IV Turno de Revisão no jornal Diário da Tarde, que nos deu a oportunidade de formar, não apenas um quadro de jornalistas profissionais de revisão, mas, sobretudo, uma família. Eu comandava a turma, e Elias sempre me substituía durante as minhas férias anuais. Pelo menos uma vez por semana, terminada nossa jornada de trabalho, saíamos madrugada adentro, de bar em bar: era um companheiro no violão e voz, outro no batuque e todos na cantoria regada a cerveja, conhaque, uma boa pinga, torresmo, vaca atolada, e caldo de mocotó (aos quais Elias acrescentava pimenta aos montes) – tudo banhado e embebido na luz de um mar sem fim de amizade, respeito mútuo e camaradagem.
O tempo passou. De repente, fecharam o nosso IV Turno, revisão passou a ser coisa desnecessária e supérflua, cada um de nós foi remanejado para determinado canto. E Tio Elias terminou seus mais de 50 anos de jornalista profissional de revisão como uma espécie de controlador de qualidade, lendo o jornal depois de pronto, com o objetivo de apontar erros graves, função que, apesar de todo o seu esforço, não era levada a sério, pois os erros eram repetidos numa corrente interminável.
Então chegou o dia em que Elias Maboub, depois de tantos anos de trabalho, resolveu encerrar sua labuta profissional. Dia 15 de julho, a data. Assistindo à angústia do amigo, tomei a iniciativa de lhe comprar uma caneta, mandar gravar a data e escrevi, emocionado, um cartão carinhoso. Elias me abraçou aos prantos, enquanto eu tentava consolá-lo sob a sombra da inequívoca frieza empresarial, que transforma o trabalhador em simples número.
O cavaleiro de Damur, Elias Maboub (nome que registrei em um personagem de meu romance “Lógica das Borboletas”), cavalga agora, desde 27 de março último, nas planícies do Senhor. Sinto e sempre sentirei a sua ausência física, mas perceberei sua presença espiritual em minhas noites de autógrafo às quais ele sempre prestigiava; lerei mental e invisivelmente o cartão de Natal que ele me enviava todo ano; ouvirei seu telefonema por meu aniversário. Em resumo, restou-me, como ato final, transferir o número de seu telefone para as páginas da agenda do meu coração, pois virá o tempo em que também serei peixe na rede celestial, e eu lhe ligarei: “Tielias”, estou chegando! (Elias Maboub (Acervo do autor do artigo)

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sexta-feira, 27 de março de 2009

Denise Piana, uma revelação

As noites belo-horizontinas apresentam uma grata revelação: a cantora Denise Piana. Um talento capaz de superar até Elis Regina, na interpretação de O Bêbado e o Equilibrista, por exemplo. Versátil, vai da música popular brasileira até aos clássicos da música universal. E com perfeito domínio do teclado, conjugado com uma voz suave, profundamente agradável. Tem fãs cativos, como no Espaço Buritis. O Shopping Paragem, nas vizinhanças, não sabe o que está perdendo...Contatos com a cantora podem ser feitos através dos telefones 32962373 e 99985648 ou pelo e-mail denisepiana@gmail.com. A Denise é um espetáculo!

Livro de Acrósticos em Timóteo

O médico e professor Arnóbio Moreira Félix lança hoje, entre 17 e 22h, seu Livro de Acrósticos em Timóteo, sua terra natal. O acontecimento que mobilizará a sociedade local será no Bar Amarelinho. O ortopedista também é o consagrado mágico Bill Morelix, o que faz prever que os presentes serão brindados com números sensacionais, como tem acontecido nos diversos cursos que dá pelo Estado.

quinta-feira, 26 de março de 2009

XII Encontro de Professores de Jornalismo




Professores de Jornalismo de todo o país e convidados do exterior estarão reunidos em Belo Horizonte de 17 a 19 de abril em seu XII Encontro Nacional. A abertura oficial será às 20h30m do dia 17, na Faculdade Pitágoras (Av. Prudente de Morais, 1223, Campus Cidade Jardim). Haverá conferência do prof.dr. Alfredo Eurico Vizeu Ferreira Júnior, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, seguindo-se coquetel. O tema será “O ensino de Jornalismo no Brasil e as diretrizes curriculares: idas e vindas de um processo de consolidação do Jornalismo como campo acadêmico”.
Antes, porém, de 9 às 12h30, no mesmo local, será realizado o III Encontro Nacional de Coordenadores de Cursos de Jornalismo, sobre o tema: “As novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. A coordenação estará a cargo da professora Carmen Pereira, diretora do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo/Universidade Castelo Branco, do Rio de Janeiro. De 14 às 16h o V Colóquio ANDI (Agência de Notícias da Infância e Adolescência) discutirá o tema “Infância, consumo e mídia: desafios para o Jornalismo”.
O Pré Fórum Fenaj (Federação Nacional de Jornalismo), de 16 às 18h discutirá as “Políticas de relação entre área acadêmica e movimento sindical dos jornalistas: avanços necessários para a defesa e consolidação do campo do Jornalismo. A coordenação será de Alexandre Campelo, da Fenaj.
ENSINO E REALIDADE
No sábado, dia 18, no segundo dia do XII Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, no Centro Universitário UNI-BH-Campus Lagoinha (Rua Diamantina, 567), das 8h às 10h20. O Painel 1 terá como tema: “O ensino e a realidade do Jornalismo brasileiro: impactos e influências mútuas, com os painelistas: Paulo Botão, Schröder e Álvaro Teixeira da Costa. A mediadora será a prof. Dra. Sandra Freitas, da PUC/MG.
O Painel 2 verá “A relação pesquisa e ensino de Jornalismo: o desafio da pesquisa pura e aplicada em Jornalismo na qualificação do ensino e das práticas profissionais”, tendo como painelistas: Josenildo Guerra, Carlos Eduardo Franciscato e Marcos Silva Palacios. OI mediador se4rá o prof.dr. Leonel Aguiar, da PUC/Rio e diretor-científico do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo.
Depois do almoço, de 13h30m às 18h, será realizado, no mesmo local, o VIII Ciclo Nacional de Pesquisa em Ensino de Jornalismo e, das 18h às 20h, haverá lançamento de livros e apresentação de pôsteres.
Domingo, último dia do Encontro, os trabalhos serão no Centro Universitário UNA-Campus Aimorés (Rua Aimorés, 1451, Funcionários). De 9às 12h será realizado o II Colóquio Ibero-americano de Professores de Jornalismo do FNPj, sob o tema: “O ensino de Jornalismo em seus contextos sócio-econômicos. De 13h às 1730, será realizado o VIII Ciclo Nacional de Pesquisas em Ensino de Jornalismo, e, às 18h, haverá assembléia geral ordinária. O encerramento será às 21h.(Imagem:Uma das reuniões preparatórias realizada no Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, cuidando, principalmente de divulgação e de outras providências essenciais)
Mudam-se os governos e o capitalismo permanece o mesmo: insensível, fiel defensor de seus interesses mais mesquinhos. Incapaz de

El Universal e a visita de Hillary Clinton


Assim viu o jornal El Universal, de Caracas, a visita da secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, ao México, quando reconheceu as milhares de mortes causadas na fronteira em consequencia do tráfico de drogas e de problemas com a imigração (numa imagem difundida pela Telesur):

Banco do Sul já no segundo semestre


O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, garantiu que o projeto do Banco do Sul sairá do papel e a instituição financeira começará a operar já no segundo semestre do ano.
A informação foi revelada pelo chanceler durante uma entrevista concedida ao lado de seu colega argentino, Jorge Taiana. Ambos participaram da quinta reunião da Comissão Mista Permanente Argentino-Venezuelana.Segundo Maduro, durante uma reunião ministerial realizada na segunda-feira em Caracas, da qual ele próprio participou, foram alcançados os acordos que permitirão elaborar o documento de fundação do Banco do Sul.O ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, participou do encontro, ao qual também estiveram presentes os governos de Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela.(Imagem:Telesur/Divulgação)

Obama responde perguntas pela Internet


O presidente Barack Obama inovou: respondeu hoje a perguntas feitas na véspera por internautas. Acessando a Casa Branca, através do site Whitehouse.gov, os norte-amerianos puderam escolher, na véspera, algumas perguntas a serem respondidas pelo presidente durante coletiva a jornalistas. Algumas o deixaram de certa forma embaraçado, como a que indagava se era a favor da leganização do uso da maconha. Ele riu bastante, olhando ora para o monitor, ora para os jornalistas, e respondeu ser contra...O sistema de comunicação direta com o público vai continuar, segundo divulgou a Casa Branca. (Imagem: Chuk Kennedy/Assessoria de Imprensa da Casa Branca/26/03/2009/Divulgação

Castigo: bafômetro no carro


Linha dura: motoristas condenados por dirigir embriagados na Suécia serão obrigados a instalar em seus carros uma trava especial acoplada a um bafômetro, que só permitirá dar partida no veículo se a pessoa estiver sóbria.
A nova legislação está sendo finalizada pelo Ministério dos Transportes sueco e deverá entrar em vigor a partir de janeiro de 2010.
"Sabemos que um terço dos motoristas condenados por dirigir sob o efeito de álcool são reincidentes. Por isso, as travas serão direcionadas aos motoristas que já sofreram uma condenação. É uma forma rápida e eficaz de reduzir este problema nas estradas", disse a ministra dos Transportes, Åsa Torstensson, ao canal 4 da televisão sueca.A BBCBrasil divulgou. (Imagem:Divulgação)

quarta-feira, 25 de março de 2009

Um desserviço à Nação



REFLEXÃO DE SEMANA SANTA

Na lógica anticristã do capitalismo,
socorro econômico é coisa pra rico

*Carlos Lúcio Gontijo







A realidade é que, se há gente que pode comer quatro bifes por dia, é porque um contingente imenso de pessoas não come bife algum todos os dias

As instituições públicas, bem como todas as instâncias políticas e judiciais, precisam se ver como meras prestadoras de serviço e ter a noção exata de que, quando desservem à nação, são em sua totalidade responsáveis pelo produto final apresentado ao povo. A generalização se explica e faz sentido, pois cabe ao dono dos bois, ou aos que são parte integrante da entidade pública flagrada em atitude comprometedora, nomear os colegas relapsos e até mesmo punir ou excluir os responsáveis pela mácula detectada pela sociedade. Não passa de comodismo, descompromisso, corporativismo e omissão o ato de se dizer honesto em meio ao desmando e, ao mesmo tempo, tomando-se como alva flor do lodo, exigir da população e da imprensa que apontem os corruptos.

Independentemente do setor e da área a que olharmos, podemos vislumbrar pontos obscuros e contrários à boa administração da chamada coisa pública – cada vez mais tratada como coisa de ninguém. Ainda agora, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), surge a denúncia de que a escolha de uma professora para vaga na Faculdade de Arquitetura sofreu a influência do marido, coincidentemente chefe do departamento solicitante da seleção e preenchimento da vaga.
Contudo, saindo da área da educação, que deveria nos servir de exemplo, temos o escândalo do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT) naufragado no submundo do nepotismo, por intermédio da contratação de parentes para cargos comissionados, prática vedada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A constrangedora situação liga o sinal vermelho para os trabalhadores que buscam o TRT com a finalidade de obter um julgamento competente e justo às suas quizilas trabalhistas, que necessitam ter apoio de instância judicial sem nódoa, independente e capaz de espargir respeito num país em que nos deparamos com a existência de trabalho escravo até os dias de hoje.
Ao que parece, a população brasileira não tem mesmo com quem contar. Em Minas Gerais, mais uma vez como símbolo de mau exemplo, o Tribunal de Contas do Estado (TCE), que deveria fiscalizar os balanços contábeis das prefeituras e do próprio governo mineiro, é pego chafurdando no lamaçal da submissão ao jogo da influência fisiológica e consequente engavetamento de processos.
Entretanto, se deixamos as montanhas de Minas Gerais e nos dirigimos ao Planalto Central, temos Brasília com seus dispêndios congressuais perdulários, onde a gastança às custas dos cofres públicos chega à beira do inimaginável para nós contribuintes e simples mortais da mal remunerada labuta cotidiana.
Porém, se deixamos Brasília e nos fixamos na análise da crise financeira mundial, descobrimos que a lógica do capital é agir em prol da manutenção eterna de pequenas ilhas de prosperidade extrema em detrimento de extensas e populosas periferias ardendo no fogo da pobreza e da miséria. Basta um rápido estudo do plano de resgate direcionado aos bancos norte-americanos – premiados com dinheiro dos pagadores de imposto ao governo – que abocanharam a astronômica quantia de 700 bilhões, mais os 500 bilhões que lhes haviam sido entregues, para que cheguemos à conclusão de que o fim da pobreza no mundo não figura sequer em segundo plano dos governantes e das elites dirigentes – ou seja, está completamente fora de questão!
Senão vejamos: o Planeta tem 6,7 bilhões de habitantes. Então, se tivéssemos a decisão cristã e humana de dividirmos tão-somente os 700 bilhões entre os 6,7 bilhões de pessoas que habitam a Terra, estaríamos destinando 104 milhões a cada um e teríamos o fim da falta de consumidores e, certamente, os que devem prestação de casa própria teriam plenas condições de quitá-la, colocando ponto final à propalada bancarrota provocada pela ganância dos gestores do setor financeiro.
Quimera tola e vã da nossa parte tal imaginação, pois não existe produto para o consumo de todos. Ou seja, a realidade é que, se há gente que pode comer quatro bifes por dia, é porque um contingente imenso de pessoas não come bife algum todos os dias. Enfim, a inconfessável lógica anticristã do capitalismo vigente é despender todos os esforços para se afastar da democratização da economia feito o diabo da cruz, ao passo que cuida de deixar claro que os cidadãos que não estão nas prateleiras mais altas da escala salarial são indivíduos incompetentes, preguiçosos e invejosos, pois não souberam se utilizar do leque de oportunidades que lhes foram (e são) abertas pelo deus mercado ora socorrido pela água benta dos cofres públicos abastecidos e sustentados pelo povo desprezado e sofrido. Imagem:Telesur


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Um descaso: trevo de Santa Luzia

"Lamentável a gente transitar diariamente pela BR-381 (BH-João Monlevade) e ver tanto desperdício, serviço malfeito e descaso com a comunidade – um total desrespeito ao cidadão –, como se vê no trevo de acesso a Santa Luzia: obra mal-acabada e sem sinalização adequada. Foi projetada para acabar com um cruzamento, mas criaram quatro – acidentes ocorrem ali com frequência. Próximo ao trevo existia um ponto de embarque com cobertura para passageiros nos coletivos, já extinto, o que obriga os usuários a ficarem expostos ao sol e à chuva, sob risco de atropelamento. No trecho de entrada para cidade, para quem vem de Belo Horizonte, não há sinalização, e, para sua execução, destruíram uma praça, prejudicando a comunidade local. Na pista superior, é flagrante o descaso, com sinalização precária de tambores e setas, que ameaçam desabar. As obras foram executadas pelo Exército, com previsão de entrega em um ano, mas passaram-se três. Desde o carnaval não se vê qualquer ação no local. No galpão às margens da BR-381, onde os militares se alojavam, não se vê movimento há tempos e o maquinário sumiu. Com a palavra o Ministério Público e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e deputados estaduais e federais.” (Colaboração de Antônio Carlos Francisco dos Santos)

A CHAMA DA TRANSFORMAÇÃO

Apolo Heringer Lisboa





Minhas relações com o Zé Dirceu vêem desde a época de movimento estudantil e mais tarde na fundação do PT. Arrisco aqui a fazer um comentário sem querer fechar a questão nem ser maniqueísta.

Como escreveu um meu amigo e filósofo falecido há pouco, duas coisas lhe assombravam de admiração: as estrelas no Céu e a moral dentro do seu ser. Falo do grande Neidson Rodrigues, educador. Em minha trajetória política sempre aparecia a discussão: os fins justificam os meios. De formação evangélica das antigas, ficava perturbado na ditadura militar quando a guerrilha decidiu assaltar bancos pois expropriar me chocava, mas depois aceitei como moral, até baseado em Brecht, que dizia ser todo banqueiro um assaltante de banco. E outros exemplos históricos de assaltos para financiar a revolução e a resistência anti-nazista. Acho que o Zé Dirceu “amadureceu” a idéia, e isto ficou generalizado no PT do qual saí por isso, de que se “a luta continua” e se os objetivos do “proletariado” ainda não tinham sido conquistados, mas apenas a democracia burguesa, e se a burguesia é corrupta, então por que não continuar “assaltando bancos” através do estelionato, já que a situação permitia usar de menor violência física? Assim o objetivo seria conquistado, no caso a eleição de Lula, meio para realizar as mudanças. Sem o moralismo reacionário e burguês os fins continuariam justificando os meios! Mas paradoxalmente, para garantir a eleição contra o José Serra, foram feitos acordos em Washington que resultaram na indicação de Meireles para o Banco Central; foi feita a declaração de respeito absoluto aos contratos da era antiga que queríamos mudar; entraram no valerioduto com força total e desabridamente; foi feito o compromisso com Ciro Gomes de fazer o xodó da indústria da seca que é a transposição do São Francisco que envolve bilhões para esquemas, embora muita gente ainda não tenha percebido ainda a gravidade deste projeto de Tróia. Acho que o Zé Dirceu se tornou um operador de esquema onde poder e dinheiro eram suas ferramentas e seus objetivos, mas dentro de um projeto político. Uma vez uma ex-companheira do PT me chocou ao responder uma minha desesperada interrogação sobre a falta de respeito e solidariedade interna no PT durante as disputas eleitorais com baixarias: ela disse para todos que “movimento não tem coração”! ou seja, estamos no vale-tudo. Isto realmente me impressionou muito. E era católica praticante!.


Assim, acredito que o Lula só se elegeu por que o Zé Dirceu comandou o processo eleitoral e botou a mão na lama. O processo eleitoral é um lamaçal só. O Congresso Nacional, as Assembléias e Câmaras de Vereadores, as eleições de prefeitos, governadores e presidentes fazem parte deste esquema mafioso. Com isso o PT consumou sua mudança de natureza já esboçada desde antes timidamente. Assim, o que temos que discutir é a natureza desta nossa democracia. Ela seleciona os espertalhões. Ela une a escória e no meio desta escória há gemas preciosas que acreditam ser este o único caminho e não se importam de sujar. Mas na verdade legitimam o processo e se beneficiam dele como vestais de fachada. Apesar de ser um militante político já “histórico” eu não dei conta de lidar com isto, dentro e fora do PT. Retirei-me das disputas eleitorais e dos partidos, não da luta política. Não consigo vencer as barreiras morais, como só dizer a verdade, e ser sincero com as pessoas, embora tenha meus defeitos, como ser às vezes muito duro na linguagem. Aceito e proponho discutir e fazer alianças políticas, desde que sejam transparentes e absolutamente públicas; não sou sectário; tudo precisa ser publicizado e a sociedade ter conhecimento. Na ditadura não escondíamos que estávamos invadindo os bancos e que o dinheiro era para custear a luta contra a ditadura; os seqüestros não de inocentes, mas de embaixadores das grandes potencias, para libertar presos sob tortura. Mas numa democracia formal como hoje, democracia para quem tem muito dinheiro, parlatório livre e vazio, melhor que ditadura militar estou convencido, ações de corrupção e acordos políticos secretos ao arrepio da sociedade, são, para mim inaceitáveis e merecem nosso total repúdio. Estas práticas viciam o cidadão e os torna bandidos também. A ruptura dos limites éticos são definitivos quando são escondidos da sociedade e feitos em bandos, não que a democracia atual seja merecedora de respeito ético, mas o processo de transformação social não se coaduna com tais métodos, que na verdade marginalizam a salutar participação social, coopta lideranças de má composição “genética” e semeia o descrédito nas propostas. A sociedade precisa resistir ao poder e ao dinheiro e manter nas mãos a chama da transformação e de um mundo melhor para todos.


(*) Apolo Heringer Lisboa é médico, responsáel pelo Projeto Manoelzão, da UFMG

Dia Nacional da Memória


Milhares de argentinos saíram às ruas em Buenos Aires para comemorar o 24 de março, considerado há três anos, o Dia Nacional da Memória pela Verdade e pela Justiça. O dia lembra as vítimas da ditadura militar que assolou o país de 1976 a 1983. Segundo a agência de notícias espanhola EFE, a Corte Suprema da Argentina confirmou a prisão perpétua de um dos principais carrascos da ditadura militar, Miguel Etchecolatz, o que contribuiu para dar mais disposição aos parentes e amigos das vítimas do regime opressor e a todos os que não querem que o pais esqueça jamais o terrrível período. (El País/reprodução da Internet)


No Brasil por enquanto, não há muita movimentação para que se lembre a passagem dos 30 anos da Lei da Anistia, a lei número 6.683, de 28 de agosto de 1979, assinada pelo então pesidente, general João Baptista de Figueiredo. Ao que parece, o governo do Estado está preparando um programa comemorativo, mas sem maiores detalhes. É possível que nele esteja incluída a desapropriação do prédio do antigo DOPS85, na avenida Afonso Pena, para transformá-lo no Museu da Repressão, parfa lembrar as vítimas daditadura brasileira, de 1964 a 1985, conforme, por sinal, prevê a lei 13448, de 10/01/2000m assinada pelo ex-governador Itamar Augusto Cautieiro Franco.

Marx, espetáculo musical


O Capital, a principal obra do pensamento do filósofo alemão Karl Marx, vai ser transformada em espetáculo musical na China, com estréia prevista para o ano que vem. O estudo político-econômico sobre o capitalismo deverá se transformar em uma colorida narrativa ambientada em uma empresa onde os operários estão insatisfeitos com as condições de trabalho.
Na trama, esses trabalhadores se revoltam ao descobrirem que estão sendo explorados por um chefe inescrupuloso — que só pensa em lucros. Começam, então, a entender o conceito de mais-valia e decidem agir, mas não conseguem chegar a um acordo. Alguns empregados se amotinam, outros tentam barganhar coletivamente, e um terceiro grupo resolve continuar trabalhando.
O show contará com números de dança nos moldes dos musicais da Broadway e de shows de Las Vegas. Em entrevista ao jornal Wen Hui Bao, o diretor da montagem, He Nian — que é conhecido por dirigir cenas de lutas de artes marciais — disse que o musical chinês será "descolado" e incluirá "uma banda ao vivo, danças e canto". (Site Vermelho/Picasa)

terça-feira, 24 de março de 2009

Olha aí o carrinho barato!


Vem aí o carrinho...Sim carrinho, o Tata nano, um carro bem popular, feito na Índia, próprio para quem não gosta de ter carrões e detesta motos...O modelo não possui rádio, direção hidráulica, vidros elétricos ou ar-condicionado e tem um limpador de pára-brisas em lugar de dois. Com quatro portas, ele tem menos de três metros de comprimento e 1,5 metro de largura. E o barato é o preço...Barato mesmo! Ou justo, digamos...Cerca de US$2.500...

Nestes tempos de crise internacional, o modelo está fadado a fazer sucesso não apenas na Índia, mas tamém na França, na Alemanha, na Suiça, no Japão e pode até desbarcar o Gol, o Mille e outros neste Patropi! Com ou sem incentivos fiscais...

Orquestra Musiart na Praça da Liberdade


Marcelo Gonçalves Ferreira e a Cooperativa de Arte e Música de Minas Gerais convidam para apresentação da Orquestra Musiart dia 4, às 8h, na Praça da Liberdade. A batuta será do maestro $Evandro Antônio da Silva. No repertórioda Musart, que faz parte do sistema OCEMG/SESCOP ( Organizações ligadas ao cooperativismo), Pink Floyd, Mark Mancina, Ary Barroso, Z';e Keti, Gonzaguinha/Simperatriz Leopoldinense, 14 Bis, Skank, Bee Gess, George Weiss/Bob Thiele,Aretha Frankilin, Rodrigo Mourão, Milton Nascimento e Fernando Brant, Luís Carlos Sá e Sérgio Magrão, Whiney Houston, Francesco Sartori/Lucio Quarantoto, Ray Charles/Dor Gisbson, Gloria Caynor, James Brown,Charyl Lynn K.c And de Sanshine Band, Tinna Turner, Lulu Santos e frenéticas e Tim Maria.

Cidadão Boilesen


Chaim Litewski e Palmares Produções tem a satisfação de convidá-los para as primeiras exibições públicas de "Cidadão Boilesen", documentário que revela a ligação política e econômica entre empresários e militares no combate à luta armada durante o regime militar brasileiro. Ou, como está na Internet: "Um exame do financiamento da repressão violenta à luta armada no Brasil por grandes empresários, a partir da trajetória do dinamarquês Henning Albert Boilesen (1916-1971), presidente do grupo Ultra executado pela guerrilha urbana por suas ligações com a Oban".
As sessões acontecerão no Rio, em São Paulo e Brasília nas seguintes datas e horários:UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO - RJ) - 29/03 - 20H00CINESESC (SÃO PAULO - SP) - 30/03 - 21H00CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL (BRASÍLIA - DF) - 22/04 - 20H30Visto que o festival nos permite um número limitado de convites, pedimos a todos que cheguem com pelo menos trinta minutos de antecedência à sessão. Contamos com a presença de todos!Lembramos também das reprises em todas as cidades:UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO - RJ) - 30/03 - 14H00OI FUTURO (RIO DE JANEIRO - RJ) - 31/03 - 19H30CINESESC (SÃO PAULO - SP) - 31/03 - 15H00CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL (SÃO PAULO - SP) - 05/04 - 13H00CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL (BRASÍLIA - DF) - 24/04 - 18H30Qualquer questão, por favor entrem em contato. Até breve, Produção Cidadão Boilesen.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Está grávido de gêmeos


Um transexual espanhol, que nasceu mulher e decidiu ser homem, está agora grávido de gêmeos.
Rubén Noé, de 25 anos, nascido Estefanía Corondonado, ainda mantém órgãos reprodutivos do sexo feminino .
Ele disse à imprensa espanhola que segue o desejo de ser pai - que pode ser resultante, segundo suas próprias palavras, de fato de ter sido criado em um orfanato e adotado.
O transexual disse ainda que acha seu caso "normal, porque o mundo está mudando".

CARNAVAL CULTURAL EM BH


Uma proposta muito interessante do jornalista José Maria Rabelo para incrementar o turismo em BH: um Carnaval Cultural. O artigo, na íntegra, pode ser encontrado em O Tempo de 23/03/2009:

"Pesquisas mostram que mais de 60% da população brasileira não se interessa pelo Carnaval, o que constitui um rico filão a ser explorado. Poderíamos usar a excelente infraestrutura de serviços de Belo Horizonte, com seus teatros, museus, parques, estádios e ginásios esportivos, aeroportos, a Pampulha, hotéis e restaurantes, a fim de promover aqui um evento cultural sem paralelo no país. Sua programação incluiria espetáculos teatrais, concertos, óperas, balé, shows musicais, encontros literários, além de visitas ao entorno da cidade, a exemplo da gruta da Lapinha, em Lagoa Santa; São Sebastião de Águas Claras, Inhotim, a fazenda Vale Verde, em Betim; Sabará, a serra da Piedade e mesmo Ouro Preto e Mariana, apesar de mais distantes. Tudo isso organizado de forma a satisfazer um visitante que é especialmente exigente e que dispõe de poder aquisitivo acima da média. Esse visitante assegurará, com sua presença, significativo ingresso de recursos na economia do município. Seria também uma oportunidade para que o público local se inteirasse do que de mais importante se faz no campo das artes.O Carnaval Cultural (ou qualquer nome que se lhe dê) compreenderia o período oficial da festa, mas também os dias seguintes, quando a cidade se esvazia. Seria no mínimo uma semana a ser utilizada com essas programações de alto nível".

XII Encontro de Professores de Jornalismo

Será realizado em Belo Horizonte, nos dias 17, 18 e 19 de abril, o XII Encontro Nacional de Professores de Jornalismo. Em pauta o ensino do jornalismo nas universidades: impactos na prática profissional e conquistas para a sociedade, dentre outros temas defendidos por profissionais nacionais e internacionais.
O evento será sediado por diversas instituições de ensino da capital mineira. No dia 17, o encontro ocorrerá nas Faculdades Pitágoras, no Campus da Cidade Jardim, à Avenida Prudente de Morais, na Zona Sul de BH; no dia 18, no Campus Lagoinha do Centro Universitário UNI-BH; no último dia, 19 de abril, estão programadas atividades no Centro Universitário UNA, no Campus da Praça da Liberdade, na Zona Sul.Promovido pelo Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), o encontro é uma realização do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Faculdades Pitágoras, Centro Universitário UNI-BH e Centro Universitário UNA.O encontro terá ainda outros espaços para o debate sobre a reformulação das diretrizes curriculares. Um deles é o III Encontro Nacional de Coordenadores de Curso de Jornalismo do FNPJ, na manhã do dia 17. A direção executiva do Fórum estuda a viabilidade de inserir na programação um momento de diálogo dos demais membros da comissão do MEC com professores de jornalismo presentes. Também estão na programação do XII ENPJ o Pré-Fórum Fenaj, o Colóquio Andi, um painel sobre o impacto da pesquisa em jornalismo sobre o ensino e outro sobre a influência do ensino na prática profissional e o II Colóquio Ibero-Americano de Professores de Jornalismo, com a participação de três professores estrangeiros.(veja a programação no site oficial www. XII enpj.org.br.MAIS INFORMAÇÕES: josecarlosalexandre@gmail.com /// 9612.6354

sexta-feira, 20 de março de 2009

O futuro está chegando: o carro voador




Empresa americana anunciou nesta semana o primeiro teste de um protótipo de carro voador, com uma autonomia de voo de mais de 700 km.
O protótipo Transition, com capacidade para duas pessoas e velocidade máxima de 185 km/h no ar, pode ser transformado de carro em avião em apenas 30 segundos pelo piloto, segundo a companhia Terrafugia, que desenvolveu o projeto.Movido a gasolina comum, o protótipo apresentado nesta semana em Boston, nos Estado Unidos, tem tração nas rodas dianteiras para circular nas ruas e um propulsor para o voo.
Quando está com sua configuração como carro, tem um tamanho que permite que seja guardado em uma garagem comum.
Para os responsáveis pelo projeto, ele terá o potencial para "mudar o mundo da mobilidade pessoal". "Os deslocamentos agora se tornam uma experiência integrada terra-ar sem dores de cabeça. É o que os entusiastas da aviação vêm buscando desde 1918", disse Carl Dietrich, presidente Terrafugia.
Mesmo se o protótipo for aprovado e lançado comercialmente, a experiência deverá ser para poucos. Por ser categorizado como uma aeronave esportiva leve, ele requer uma licença especial de piloto esportivo para pilotá-la. Além disso, o preço final de cada carro voador ficará em torno de US$ 200 mil (cerca de R$ 460 mil).
A empresa já abriu uma lista de espera para a compra das primeiras aeronaves produzidas, que espera colocar no mercado a partir de meados do ano que vem. Para os interessados em ter seu nome na lista de espera, a companhia exige um depósito de US$ 10 mil (cerca de R$ 23 mil). (Com a BBCBrasil)

QUE MORAL É ESSA?

A maldade humana desvirtua
as boas intenções e as orações

· Carlos Lúcio Gontijo


“Tem gente que cuida de gente/ Como quem separasse joio de trigo/ De uns é amigo, privilegia e adora/ A outros simplesmente sentencia e joga fora” (versos do poema “Divisor incomum”, do livro “O menino dos olhos maduros”).

No Brasil, os que se dizem entendidos em política são, na realidade e na maior parte das vezes, espertos defensores de seus próprios interesses; capazes de visualizar na traição e no comportamento oportunista do grupo a que pertencem um necessário ato estratégico de atuação política – e são esses mesmos senhores que trabalham, diuturnamente, para a eleição de políticos que lhes garantam a fácil proximidade com as benesses do poder alicerçado no toma-lá-dá-cá.
Nossas elites dirigentes se nos apresentam sempre predispostas a exercitar um corporativismo que ultrapassa o dia a dia, influenciando até na transcrição e registro da história dos políticos brasileiros, pois – a se levar em conta o que nos é revelado pelos livros memorialistas – tivemos um punhado de grandes governantes, verdadeiros estadistas, que se dedicaram ao bem exclusivo da comunidade brasileira. Porém, o fato inarredável é que, se tais homens existiram, isso se deu em quantidade para lá de insuficiente, uma vez que a cultura que impera no mundo político nacional é a da dilapidação e do uso indiscriminado da máquina pública em benefício próprio.
Os pobres e afastados do jogo de influência que se danem, que morram em chacinas cada vez mais comuns nas periferias distantes jogadas na miséria material pela falta de salário digno, e condenadas à pobreza intelectual pela falta de acesso democrático a ensino público de qualidade.
É incrível, mas a sociedade vem conseguindo acrescentar frequentes graus de hipocrisia em suas normas e regras comportamentais. Os abastados, por exemplo, não planejam nem almejam a constituição de um sistema prisional que possibilite a ressocialização do condenado, todavia, hipocritamente, são contra a pena de morte, fechando os olhos para as vidas ceifadas pelo amontoar de prisioneiros tratados como se não passassem de dejetos.

Defendemos a moral, mas tanto detestamos quanto tememos os moralistas – mesmo os bem-intencionados –, pois todos os movimentos pela moralidade e valorização do patrimônio sociocultural terminam usados por direitistas e políticos conservadores de plantão. Em 1964, à guisa de exemplo, saímos da oração e procissão para o golpe militar. Estamos tendentes a acreditar que a moral de um país só pode ser ferida de morte por outdoors e imagens de televisão quando seus alicerces são frágeis e o povo, em sua maioria, não teve oportunidade de frequentar boas escolas, sendo, portanto, desprovido de senso crítico que o afastasse dos “big brothers” da vida.
Que moral é essa que é atingida tão fortemente por programas de televisão de baixo conteúdo e desprovidos de quaisquer sentimentos em relação aos compromissos que os meios de comunicação deveriam ter com a população que, através de órgãos legalmente constituídos, lhes outorga a pública concessão?
É a mesma moral que aceita passiva e pacificamente a convivência com a exploração e a prostituição de menores, o trabalho escravo, a fome de pelo menos 50 milhões de brasileiros (dependentes da ração mínima do Bolsa Família), a divisão de renda anticristã, a guerra civil branca enchendo de sangue e avermelhando as ruas do País, onde a sociedade padece de falta de rumo e da existência de uma elite que não contribua para a transformação do “vinde a mim as criancinhas” em dístico da pedofilia, nem do franciscano “é dando que se recebe” em sinônimo de barganhas e favores políticos inconfessáveis.
*Carlos Lúcio Gontijo
www.carlosluciogontijo.jor.br

terça-feira, 17 de março de 2009

Casamento em Verona


A prefeitura de Verona está abrindo as portas da Casa de Julieta para casamentos, em uma tentativa de transformar a cidade na capital dos matrimônios na Itália.
A iniciativa faz parte do projeto "Sposami a Verona", algo como "Case comigo em Verona", e o preço para realizar o casamento no local é de 600 euros, para os moradores da cidade, e 1.000 euros, para os outros.
Segundo os idealizadores do projeto, a diferença de preço é para compensar os custos da emissão de documentos.
A casa - símbolo da cidade de Verona - teria pertencido à família Capello, que teria inspirado a família Capuletto na peça Romeu e Julieta, de William Shakeaspeare.
A prefeitura de Verona tomou posse do imóvel no começo do século passado e em 1935 submeteu-a a uma reforma mantendo o estilo gótico e medieval.
"O serviço deve entrar em operação dentro de 15 dias, e vamos promover a sinergia de todos os envolvidos com um casamento, do florista ao dono de hotel, passando pelos restaurantes e outras atividades que giram em torno de um matrimônio", disse à BBC Brasil o assessor da prefeitura de Verona, Daniele Poleto, um dos criadores do projeto.
Os meses entre março e setembro - o período de primavera e verão - são os mais populares para casamentos no hemisfério norte. "Mas faremos cerimônias durante o inverno também, pois o clima na cidade é muito sugestivo", acrescentou o assessor.
Dentro da casa, em estilo medieval, será realizado apenas o casamento civil, em meio a lareiras de tijolos e escadas de madeira.
A benção religiosa deverá ser feita na igreja. Na sacada, que na tragédia de Shakespeare era o local de onde Julieta se declarava para Romeu, a esposa poderá beijar o marido e jogar o buquê. A festa poderá ser feita no pátio interno do antigo sobrado e num amplo espaço no andar superior da casa.
"A casa era usada, raríssimas vezes, para exposições artísticas que tinham como tema a história de Romeu e Julieta, mas recebíamos muitos pedidos de moradores de Verona para celebrar casamentos na casa e em outros lugares nobres da cidade e em horários diferentes daqueles comuns", disse Poleto, explicando que a casa de Julieta é apenas um dos novos locais que vão ser abertos para os matrimônios.
Todos os dias, centenas de pessoas visitam a Casa de Julieta, uma das principais atrações turísticas de Verona. Elas escrevem, desenham e deixam bilhetinhos com mensagens de amor nas paredes de tijolos da fachada. Reza a lenda que quem tocar o seio esquerdo da estátua de bronze de Julieta erguida no jardim vai ter o amor correspondido.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Lista policial impedia emprego


O Fórum de Ex-Presos Políticos do Estado de São Paulo incluiu uma sigla que não aparecia com tanta frequência nas acusações de perseguição durante a ditadura militar - além dos conhecidos Dops (Departamento de Ordem Política e Social), DOI-Codi (Departamento de Operações e Informações do Exército) e SNI (Serviço Nacional de Inteligência).
dIntegrantes do grupo que luta pelas indenizações aos perseguidos e pela punição aos torturadores afirmam que a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) dispunha de uma lista, elaborada pelos órgãos de segurança, com os nomes daqueles que não podiam ser empregados nas fábricas por sua militância.
"Hoje eles negam, mas havia uma lista negra entre a Fiesp, os sindicatos patronais e a polícia. Eu não conseguia emprego. Você tinha que mostrar sempre os antecedentes a qualquer pedido de serviço. Isso barrava sua vida profissional." Luis Cardoso era metalúrgico e estava entre os agitadores de uma greve em Osasco em 1968, poucos dias antes do AI-5, o ato institucional que acabou com últimas liberdades de um regime que começou em 1964 e só terminou no ano de 1985. Para se sustentar, Cardoso teve que migrar para a construção civil e para o Mato Grosso.
Já Francisca Soares tinha um cargo de chefia em uma agência de marketing, mas, depois de meses presa e torturada na prisão onde hoje está a estação Tiradentes do metrô de São Paulo, nunca mais pôde trabalhar na área. "Entrava em uma agência e, em poucos dias, perdia o emprego. Eles tinham consultado a lista da polícia", conta a publicitária que foi integrante do POC (Partido Operário Comunista), organização atuante principalmente dentro movimento estudantil. Francisca terminou seu curso de história e trabalhou até a aposentadoria como professora dessa matéria.
"Existia uma lista que o Dops distribuiu para as empresas, para a Fiesp. Eles não gostam de admitir, mas existia. Quando houver a abertura dos arquivos do tempo da ditadura, isso vai aparecer", afirma Artur Gonçalves, que trabalhava em uma empresa marítima britânica quando foi detido no dia 15 de janeiro de 1973. O motivo da prisão foi seu emprego à noite: ele dava aulas em um curso supletivo, uma maneira encontrada para arregimentar novos seguidores para o PCB (Partido Comunista Brasileiro).
A Fiesp afirma que não há nenhum registro em seu arquivo de documento que listasse trabalhadores que não podiam ser empregados por sua atuação política durante a ditadura. "Ou o fato não existiu ou existiu de uma forma tão sigilosa que não deixou rastro. Pesquisamos nossa documentação, e não há nada", afirmou Ricardo Viveiros, assessor de imprensa da federação das indústrias. A listagem, se ainda existe fisicamente, poderia estar com as Forças Armadas, cujos papéis da época continuam intocados. O tema é aventado desde o período autoritário, mas ressurgiu com força com a acumulação de processos indenizatórios nos últimos anos.(Site Vermelho)

Danças e Folclore pelo Aruanda


O Grupo Aruanda promoverá, de 30 de março a 3 de abril, Oficina de Danças Folclóricas. As inscrições estarão abertas até o dia 27. Os participantes terão oportunidade de travar contatos com as danças folcóricas das diversas regiões do país. As aulas serão destinadas preferencialmente ao pessoal que atua na área cultural. As inscrições poderão ser feitas na sede do Aruanda, Rua Espírito Santo, 757, 2o. andar, ou pelo e-mail aruanda@grupoaruanda.com.br

Cruz Vermelha denuncia torturas


O Comitê Internacional da Cruz Vermelha constatou torturas e maus-tratos contra prisioneiros norte-americanos, sob o status jurídico de combatentes inimigos . As violações contra os direitos humanos foram cometidas contra suspeitos de terrorismo em diversas prisões secretas. O CICR, cita a Agência Central de Inteligência como autora das ilegalidades, segundo denuncia o The Washington Post. O relatório da Cruz Vermelha foi entregue ao presidente George W.Bush em 2007 e permanecia secreto até que o jornalista Mark Dannes, colaborador regular da The New York Review, tomou conhecimento do documento e foi atrás da notícia. (Com The Washington Post e Prensa Latina)

ESQUERDA VENCE EM EL SALVADOR




O ex-correspondente da Cable News Network, CNN em El Salvador, Mauricio Funes, foi eleito presidente do país. Sua eleição representa a vitória do ex-grupo guerrilheiro Frente Farabundo Martí de Liberaciól Nacional, FFMLN. O grupo abandonou a luta armada há décadas. Em suas primeiras declarações, Funes disse:"Hoje firmanos um novo acordo de paz". (Com El País e Prensa Latina)

CARPE DIEM , QUANTO ANTES


Pesquisa de cientistas americanos sugere que a capacidade mental de uma pessoa começa a deteriorar aos 27 anos, marcando o início do processo de envelhecimento.
Timothy Salthouse, da Universidade de Virgínia, descobriu que raciocínio, agilidade mental e vizualização espacial entram em declínio perto dos 30 anos de idade, depois de chegar ao auge aos 22.
Ele acredita que tratamentos que têm o objetivo de amenizar o processo de envelhecimento deveriam começar mais cedo.
O estudo, publicado na revista Neurobiology of Aging, foi feito ao longo de sete anos e incluiu duas mil pessoas saudáveis com idades de 18 e 60 anos.
Os participantes tiveram que resolver quebra-cabeças, lembrar-se de palavras e detalhes de histórias, além de identificar padrões em grupos de letras e símbolos.
Os testes são os mesmos já utilizados por médicos para procurar sinais de demência.
Em nove dos 12 testes realizados, a média de idade dos indivíduos que tiveram o melhor desempenho foi de 22 anos.
A idade em que se observou uma piora marcante no desempenho dos participantes em testes de agilidade mental, raciocínio e habilidade para resolver quebra-cabeças visuais foi 27.
Funções como a memória ficaram intactas até os 37 anos, em média, e as habilidades baseadas no acúmulo de informações, tais como desempenho em testes de vocabulário e conhecimentos gerais, aumentaram até os 60 anos de idade.
Segundo Salthouse, os resultados sugerem que "alguns aspectos do declínio da função cognitiva em adultos com boa saúde e nível de instrução começam aos 20 e poucos ou 30 e poucos anos". (Com a BBCBrasil)

domingo, 15 de março de 2009

Jornal do Vaticano lamenta excomunhão



O presidente da Academia Pontifícia para a Vida, Rino Fisichella, reprovou domingo no jornal do Vaticano o arcebispo brasileiro que excomungou a mãe e is médicos que praticaram o aborto e uma menina de nove anos gráida de gêmeos depois de ser violentada por seu padrasto.. Em um artígo publicado L'Osservatore Romano , Fisichella critica a postura do religioso brasilero José Cardoso Sobrinho e defende os médicos excomungados por praticar a cirurgia. “São os outros que merecem a excomunhão e o nosso perdão não os que a permitiram viver e a ajudaram a recuperar a esperança e a confiança", disse, dirigindo-se diretamente à menina. Para o arcebispo italiano, o caso da menina violada por seu padrasto no Nordeste do Brasil se trata de una historia de violência cotidiana que ganhou as as páginas dos jornais “somente porque o arcebispo de Olinda e Recife se precipitou em declarar a excomunhão”. (El País)

Crise não deterá o socialismo, diz Chávez



O presidente Hugo Chávez assegura que não terá crise que detenha a marcha para o socialismo, a independência e a grandeza do povo venezuelano.
Nesta semana que começa será seguramente propícia para fazer alguns anúncios, que contribuirão a fortalecer ainda mais a posição de Venezuela ante a crítica situação mundial, afirma em seu artigo dominical Las Líneas de Chávez intitulado “A Crise Perfeita”.
Acrescenta que nos últimos dias se revisaram algumas fórmulas táticas, acompanhadas de suas respectivas engrenagens estratégicas.
Hugo Rafael Ch'avez Frias baseia sua análise na reflexão do líder da Revolução cubana, Fidel Castro, publicada o passado 8 de março sob o t'itulo de “Uma reunião que valeu a pena”, sobre a conversa sustentada com o intelectual argentino Atilio Borón.
“Tenho querido trazer estas idéias e reflexões (...) para com isso motivar a todos vocês, compatriotas que me lêem, a seguir ao detalhe a evolução da chamada "crise perfeita”, que conquanto não nos tocou ainda, graças às decisões políticas e econômicas que a Revolução Bolivariana vem tomando faz vários anos, vai chegando já o momento estratégico em que seus impactos começarão a se sentir na Venezuela”
Esclareceu, no entanto, que o governo com o apoio do povo, os trabalhadores, camponeses, mulheres, estudantes, juventude, partidos revolucionários e a Força Armada Bolivariana, adotará as medidas necessárias para assegurar a continuidade dos planos de desenvolvimento nacional.Prensa Miraflores/Divulgação

Pacote de Obama é insuficiente, diz Fidel


EU lia hoje os telexes de 11 de março. Continuavam chovendo informações sobre a crise econômica internacional.
Desta vez falou o Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, conhecido economista, muito citado pela imprensa e os círculos acadêmicos. A agência de notícias francesa AFP, fala de sua declaração de ontem na cidade de São Paulo, Brasil.
"O pacote estadunidense de resgate econômico do presidente Barack Obama de mais de US$700 bilhões é ‘muito melhor do que a resposta de Bush em 2008’, porém ‘não é suficiente e a crise será pior’.
"Devemos ver as coisas em perspectiva. (O presidente George W.) Bush estava paralisado e as coisas pioravam cada dia sem que nada fizesse.
"Lembrou que ‘muitos países emergentes se converteram em vítimas inocentes da crise. A ironia é que enquanto o governo estadunidense dava lições sobre regras e instituições nos países emergentes, suas políticas eram um fracasso total’.
"Por causa disso, a crise hoje é severa no mundo todo e países como o Brasil vão sofrer a sério, sublinhou Stiglitz ao jornal que o consultou sobre a queda de 3,6% da economia brasileira no quarto trimestre do ano passado, a mais forte desde igual período de 1996, e divulgada na terça-feira.
"Além disso, alertou que apesar de que ‘existe um acordo global de não recorrer ao protecionismo’ muitos pacotes de auxílio ‘têm medidas protecionistas em sua base e os que mais sofrerão serão os países em desenvolvimento'.
A agência Reuters, informa que "Severstal, a maior siderúrgica da Rússia, anunciou quarta-feira, que tenciona eliminar entre 9 mil e 9.500 empregos nas aciarias de seu país, em resposta à fraca procura mundial, e que também faria despedimentos em suas minas de carvão e mineral de ferro.
"As siderúrgicas russas se juntaram a suas rivais de outros países no recorte de sua produção durante o quarto trimestre, ainda que até agora tivessem evitado as demissões maciças devido à natureza politicamente sensível de tal medida.
"Também se planejam reduções adicionais de empregos em suas jazidas de carvão e de mineral de ferro na Rússia’, disse Mordashov.
"Severstal diminuiu sua produção em várias plantas da Rússia, Itália e dos Estados Unidos durante os últimos meses, devido à queda na procura de aço. Em fevereiro, informou que a produção de aço cru, no quarto trimestre, caiu 48% relativamente ao período anterior.
Essa própria agência, em um telex procedente de Dar-es-Salaam, publica que:
"’A China pode guiar o mundo fora da crise econômica graças a suas saudáveis reservas internacionais, seu grande superávit comercial e seus investimentos maciços ao redor do mundo’, disse um assessor do secretário-geral das Nações Unidas.
"A China, por enquanto, tem suportado a turbulência econômica melhor do que a Europa ou os Estados Unidos, embora a queda das duas últimas economias prejudicasse muito seu setor exportador, provocando fechamentos de fábricas e perda de empregos.
"’Espero que a China possa guiar o mundo fora desta crise primeiro’, expressou Jeffrey Sachs, assessor do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em uma entrevista com Reuters na tarde da terça-feira.
"Eles não tinham uma borbulha tão grande como nos Estados Unidos ou na Europa. A China tem grandes quantidades de reservas de divisas, um grande superávit comercial, muito investimento. A China tem os meios para iniciar primeiro a recuperação. Se isso tiver êxito neste ano, então se estenderia para outras economias.
"A China, a terceira economia mundial, usualmente maneja um superávit de conta corrente, com vastas exportações e importações relativamente limitadas.
"A informação econômica publicada na quarta-feira mostrou que as exportações chinesas cambalearam em fevereiro devido a que o país sentiu todo o impacto da crise financeira global, mas a despesa de capital se acelerou com a ajuda do pacote de estímulo maciço do governo.
"O país possui cerca de 2 trilhões em reservas de divisas. Seu atual superávit de conta corrente atingiu os US$440 bilhões para o final de 2008, até 20% sobre o do ano anterior, segundo as estatísticas oficiais.
"A ONU já disse que seriam necessários US$72 bilhões para ajudar a África, uma fração daquilo que os governos da Europa e dos Estados Unidos colocaram para ressuscitar suas economias".
Para os países do Terceiro Mundo não vem esperança alguma nem de Nova Iorque nem de Washington.
Fidel Castro Ruz
12 de março de 2009

Fátima em tempo de descontração




Olha aí a jornalista e escritora Fátima de Oliveira, diretora do Sindicato dos Jornalistas, em pleno tempo de descontração

sábado, 14 de março de 2009

Policiais lutam por melhores soldos


Vinte e cinco mil policiais e guardas-civis tomaram neste sábado as ruas de Madri exigindo melhorias de salários. Foi lido um manifesto assinado pela líder do novo partido nacional, o UPyD (União Progresso e Democracia), Rosa Díez, em apoio ao ato.(Imagem:El País/EFE/Reproduçao da Internet

Super-Homem vendido por US$ 317


Um exemplar raro da primeira revista em quadrinhos do Super-Homem, impressa em 1938, foi vendida por US$ 317,2 mil em um leilão na internet.O site Comic Connect, de Nova York, que organizou o leilão, recebeu 89 lances em duas semanas.
Restaram apenas cem cópias da revista, que era vendida a US$ 0,10 quando foi lançada. Na capa está o super-herói, originário do planeta Krypton, segurando um carro sobre a cabeça.
Stephen Fishler, do Comic Connect, disse que a revista pertencia a um homem que a comprou quando tinha 12 anos de idade, por US$ 0,35, na costa Oeste dos Estados Unidos. O tesouro ficou esquecido no porão da casa da mãe até 1966. Depois de reencontrá-lo, o dono resolveu esperar que ele se valorizasse antes de vendê-lo.
O Super-Homem é tido como o primeiro super-herói a aparecer em revistas em quadrinhos, antes mesmo do Homem-Aranha e do Batman.

sexta-feira, 13 de março de 2009

MENINO DO MUNICIPAL



José Carlos Alexandre (*)

Bem cedo, levantava para pegar o “Estado de Minas”, leitura obrigatória de meus pais aos domingos. Eu passava os olhos pelas páginas do jornal, detendo-me mais na crônica ambientada na Casa Amarela,de autoria do proprietário do jornal e, depois vim a saber, de um conglomerado de jornais, rádios e TVs: Assis Chateaubriand.
Meu pai, Manassés Alexandre, lia incansavelmente até por volta do meio-dia e meia, quando almoçávamos. Deitado, ele cochilava um pouco, enquanto esperava a hora de ouvir as transmissões do futebol.
Eu, por minha vez, munido do dinheirinho que me dava, geralmente troco da compra do jornal, dirigia-me aos Cines Ouro ou Municipal, de acordo com o cartaz do cinema e do seriado que antecedia ao filme.Passava algum aperto pois toda a platéia torcia pelos mocinhos, eu, pelos índios, pelos mexicanos, pelos mais fracos...

Como o tempo passa... De meu pai resta apenas a lembrança, as fotos de seu à época famoso jazz, o Banjo de Ouro, e uma rua com seu nome estampado numa placa azul”: Rua Maestro Manassés Alexandre, no Bairro Cascalho, em Nova Lima. Neste julho comemoraremos o centenário de nascimento de Manassés Alexandre. Com uma mega-reunião familiar, bem ao gosto do maestro.
Pobre de mim. Longe estou de transforma-me num saxofonista, num clarinetista, num arranjador sem igual e num compositor ao nível do velho...
Mas ficou-me desde cedo o gosto pela leitura. Pela crônica política e/ou dos costumes, o rigor na luta pela justiça social, na defesa dos mais humildes. Ou, como diria Fedor Dostoievsky: sempre a favor dos humilhados e ofendidos.
E o gosto pelo teatro, herdado de minha mãe, apreciadora sem igual dos espetáculos da Soarte, a Sociedade Nova-limense da Arte, quase sempre emocionada até as lágrimas com a atuação de Pedro Barbosa e outros amadores que faziam lotar o mesmo Municipal, teatro e cinema de minhas infância e adolescência. Julho marca também seu centenário de nascimento: dia 4.
Oneida Custódio, diga-se, foi uma das pioneiras do feminismo. Num tempo em que as mulheres ficavam em casa, ela tornou-se uma das primeiras empregadas da Mineração Morro Velho.Trabalhando na redução, um setor que, ao que me parece, lidava diretamente com ouro, extração que era a razão de ser da Nova Lima de então. Vamos festejar também a data, juntamente com a do centenário de meu pai.
Dos dois, herdei o gosto pelas artes. Ficou-me, sobretudo, o amor ao cinema, fato que cheguei a relatar num artigo escrito numa moderníssima máquina, à beira de uma Janela no hotel muito próximo do Teatro Chinês, em plena Calçada da Fama, bem em frente à prosaica inscrição Hollywood, em Los Angeles.
Despedia-me das máquinas de escrever, a primeira delas, manuseada precariamente numa escola de datilografia mantida por um dos mais conhecidos homens públicos de Nova Lima, Adão de Pádua. Na volta ao Brasil, depois de um mês dos Estados Unidos, assusto-me com a informatização, que ainda luto para tentar dominar...
Adulto, eis que cada vez mais me envolvo nas lutas dos trabalhadores, acompanhando as assembléias que aconteciam no mesmo Municipal de minha meninice. O municipal que abrigava os primeiros programas de auditório da Rádio Itatiaia, hoje em Belo Horizonte mas nascida em Nova Lima, pelo pioneirismo de Januário Carneiro, locutor, eletricista, carregador de aparelhagens e cronista esportivo.
Um dia alguém me confiou o microfone do Sindicato, em pleno Municipal e eu não tive como recusar. Logo no Municipal... E falei de união, de salários injustos e até em esperança de dias melhores.
E tenho passado a vida lutando em favor dos trabalhadores, dos injustiçados...
Utopia? Não, nada de Thomas Morus...
O tempo passa mas a história, ao contrário do que queria fazer crer aos incautos Fukurama, não terminou. Jamais terminará, enquanto houver pelo menos uma sombra do Municipal, enquanto houver trabalhador injustiçado; jornalista fiel ao seu passado de menino sonhador, de filho de um maestro-operário; alguém para contar a história de homens e mulheres quase lendários em Nova Lima e Raposos como William Dias Gomes, Anélio Marques Guimarães, João Avenida, José Alexandre, Sebastião de Oliveira, Alcebíades Campbell, Maria Silva e tantos outros.
Como, aliás, Manassés Alexandre, hoje quase lendário músico de Nova Lima, capaz de arranjos fantásticos, deixando boquiabertas gerações de seus conterrâneos, de bailes inesquecíveis, de verdadeiras obras de arte de marcenaria. E amante do Carnaval: foi um dos fundadores do Bloco dos Sujos, segundo atesta o historiador Jesus Drumond Baptista.É bom que se diga ser um mito a história de que os mineiros deixavam o trabalho ainda empoeirados e iam para as ruas dançar o Carnaval...Nada disso! De qualquer forma, o Bloco ainda é a principal atração do Carnaval da Grande BH.

(*) José Carlos Alexandre é jornalista profissional e membro-suplente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos e ex-candidato a deputado estadual pela legenda do Partido Comunista Brasileiro,PCB, a primeira vez que o PCB, voltando à legalidade, pôde apresentar candidatos próprios, desde sua casação ilegal em 1947. Trabalhou em vários jornais do Partido, principalmente no semanário Novos Rumos , até seu fechamento pela ditadura militar em 1º. de abril de 1964. Paralelamente trabalhou em jornais como Diário da Tarde, O Barraco (da então Federação dos Trabalhadores Favelados de Minas Gerais), Estado de Minas, Minas Gerais, Folha da Manhã, O Debate e nas Revistas Trânsito &Veículos e Afinal. Foi diretor geral do Jornal União Sindical e jornalista respons'avel por jornais de entidades sindicais de BH e do interior do Estado.Foi noticiarista da Rádio Mineira e editorialista da Rádio Guarani.

Festival Cultural Clara Nunes


O Quarto Festival Cultural Clara Nunes será realizado em agosto próximo por iniciativa da Prefeitrrua de Caetanópolis. A cantora nasceu na cidade , em 1942, tendo sido registrada em Paraopeba. Ela trabalhou na Conpanha Renascença Indústria, no Bairro Renascença, em BH, antes de se tornar conhecida no Brasil todo como , como cantora, possivelmente sucessora da divina Elizeth Cardoso. O prefeito Romário Vicente Ferreira e as secretárias de Educação, Magda Maria Cesar Franco, e de Cultura, Adriana Ribeiro Andrade, estão empenhados na organização do programa das comemorações.

O GRANDE LIVRO DO JORNALISMO


Entre as novidades editoriais, O grande livro do jornalismo (Editora José Olympio), editado por Jon E. Lewis, reúne 55 dos mais emblemáticos textos jornalísticos de todos os tempos. De “Um homem é guilhotinado em Roma”, escrito por Charles Dickens em 1845, a “O relógio marcava 7h55 – precisamente o momento em que o míssil explodiu”, de Robert Fisk, sobre a eclosão da Guerra do Iraque, em 2003, reúne a elite do jornalismo e exibe uma lição de seriedade, competência e talento. O volume traz ainda reportagens assinadas por Mark Twain, Jack London, John Reed, Dorothy Parker, Elliott V. Bell, John Dos Passos, John Steinbeck, George Orwell, Relman Morin, Merriman Smith, Norman Mailer, Hunter S. Thompson, Gore Vidal e Jon Krakauer, entre outros. Tudo começou em Roma, em 59 a.C., quando as autoridades emitiam a Acta Diurna, um apanhado informativo, destinado aos cidadãos, de importantes acontecimentos sociais e políticos. “Alguns diriam que a partir de então foi tudo por água abaixo, pois o jornalismo, sejamos francos, não é considerado um trabalho de muito prestígio”, escreve Lewis na apresentação. “Às vezes é propaganda oficial, e com, demasiada freqüência, sinistro e muitíssimo improvável divertimento, tal como ‘Eu fui fruto do amor de marcianos’. (...) Existe, é claro, uma espécie absolutamente diferente de jornalismo, e é esta que nos interessa aqui. É a reportagem (...). O jornalismo deve apresentar um relato objetivo – mas de uma forma muito particular. Em outras palavras, a melhor reportagem é a verdade, nada mais que a verdade, refletida no talento lingüístico,

JOHN LENNON, A VIDA



Entre as muitas revelações contidas nesta nova biografia de John Lennon, que acaba de ser lançada pela Companhia das Letras, talvez a mais inocente seja a de que, ao contrário do que se acreditava até hoje, não foi a tia, Mimi, mas sua mãe, Julia, quem lhe deu a primeira guitarra. Bem menos inocente é a identificação correta da verdadeira musa de "Norwegian Wood", canção dos Beatles que relatava um evidente caso extraconjugal do líder da banda.Mas nem uma coisa nem outra dá a tônica à cuidadosa pesquisa realizada por Philip Norman ao longo de três anos. Longe de contentar-se com curiosidades ou mexericos, John Lennon: a vida é o relato biográfico mais completo já escrito sobre uma das personalidades mais fascinantes da segunda metade do século XX: John Winston Lennon, nascido em 9 de outubro de 1940 e tragicamente morto a tiros em 8 de dezembro de 1980, na entrada do edifício Dakota, em Nova York.Com acesso a documentos inéditos e testemunhos diretos de Yoko Ono, Sean Lennon e Paul McCartney, entre outros, Norman começa por descrever em detalhes infância e adolescência do ex-Beatle, e logo traz à tona episódios e personagens cruciais para o entendimento de uma figura tão unanimemente admirada quanto controvertida. O pai, Freddie Lennon, que o teria abandonado ainda pequeno, é uma delas, e seu lado da história ganha aqui, pela primeira vez, um relato pormenorizado. Não menos surpreendentes são os episódios jamais divulgados da vida do ex-Beatle, como a surra feroz e injustificada que, ainda em Hamburgo, Lennon teria dado em Stu Sutcliffe, mais tarde apontada como possível causa da morte prematura do amigo, em 1962.Stu e Julia, Lennon admitiria mais tarde, foram as grandes perdas de uma existência marcada em igual medida pela genialidade e pela insegurança. Na outra ponta, Yoko Ono dá testemunho sincero e único dos quase quinze anos de vida a dois, e um comovente depoimento de Sean Lennon encerra o livro. Se, como mostra Philip Norman, John carregou por toda a vida a mágoa de não ter podido conviver mais tempo com a mãe, Julia, Sean não teve melhor sorte: tinha cinco anos quando o pai foi assassinado - uma das trágicas coincidências de uma biografia tão rica quanto conturbada, apresentada aqui num texto cristalino, que alia rigor de pesquisa a qualidade literária.

Nova Lei de Imprensa

No dia 4 de março, pela primeira vez uma entidade de empresários de comunicação admitiu a necessidade de uma nova legislação para substituir a atual Lei de Imprensa. O fato inédito ocorreu na seção “Tendências/Debates”, na página 3 da Folha de São Paulo, que publicou dois artigos. Um deles foi assinado pela presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Judith Brito. O outro, assinado pelo presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. Segundo Judith Brito, "há quem considere desnecessária legislação espec;ifica para puir eventurais excessos cometidos no jornalismo. Bastariam os dispositios legais penais e civis já apolicáveis a todos os cidadãos. Ocorre que a imprensa - ou a mídia, num sentido mais amplo- é uma instância diferenciada do espaço púlico da troca de idéis e informações que caracteriza as democracias. Daí a posição da Associação de Jornais de considerar adequada uma legislação mínima para o livre exercício do jornalismo".

O presidente da Federação Nacional de Jornalista, Sérgio Murillo de Andrade, defende a revogação dos artidos considerados autoritários e inconstituinais, mas também defende a manutenção dos demais artigos, até que o Congresso Nacional "resgate sua dívida com a sociedade e vote um noo texto democrático para retrar as relaçõe da sociedade com os veículos de imprensa, em especial, os seus profissionais". Diz mais: "Faz parte da tradição juríca brasileira a elaboração de legislação específica para a imprensa. A lutap pela revogação da lei atual não pode confudir-se com as proprostas de lei nenhuma. Possobilidade que não interessa aos jornalistas e, em especial à sociedade em eral. Uma legislação assentada em bases democráticas canaliza as relações do cidadão com a imprensa, tornando-se instrumento de defesa da iberdade de imprensa e de um jornalismo ético e socialmente responsável."