sábado, 31 de maio de 2014

Com 300 obras, exposição apresenta trabalhos inéditos de Oscar Niemeyer

                                                              
Do UOL, em São Paulo

A mostra traz projetos tradicionais de Niemeyer e outros raros, que permaneceram no papel 

A partir dessa quinta-feira (5) até o dia 27 de julho, o público poderá conferir a exposição "Oscar Niemeyer: Clássicos e Inéditos". São mais de 300 obras exibidas na mostra que ocupam os três andares do espaço expositivo do Itaú Cultural.

A curadoria é de Lauro Cavalcanti e a expografia é de Pedro Mendes da Rocha. A Fundação Oscar Niemeyer junto com o Itaú Unibanco realizaram a digitalização de 4.800 desenhos e croquis originais do acervo da fundação já catalogados.

A exposição é dividida em cada um dos três andares: Clássicos (1º piso), Inéditos (piso -1) e São Paulo (piso -2). São 70 projetos, sendo 51 deles inéditos e 19 construídos, disponibilizados também em formato digital para consulta do público.

Eles se desdobram em 309 plantas, desenhos e croquis originais. Também faz parte da mostra, um rolo de 16 metros de comprimento, praticamente desconhecido, desenhado por Niemeyer durante a gravação do documentário "Oscar Niemeyer - O Filho das Estrelas", dirigido por Henri Raillard em 2001.

Serviço:
Oscar Niemeyer: Clássicos e Inéditos

Quando: 5 de junho a 27 de julho de 2014, De terça-feira a sexta-feira, das 9h às 20h. Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Onde: Itaú Cultural - Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Quanto: Entrada Franca
Mais informações: http://novo.itaucultural.org.br

"Foi-se a Copa"



                                       Mariza Guerra/Artista Plástica mineira/Divulgação Fátima de Oliveira



Após invasão, hackers do grupo Anonymous vazam documentos 'secretos' do Itamaraty

                                                                           
A invasão do sistema de e-mails do Itamaraty na última semana resultou no vazamento de quase 500 documentos, classificados  como "secretos" e com potencial para incomodar o governo brasileiro. 

Governos investiga ataque, mas não confirma veracidade de documentos vazados

Segundo O Estado de S. Paulo, embora os hackers não tenham acessado o sistema interno de arquivo do ministério, conseguiram extrair análises para negociações internacionais, textos de subsídios para reuniões bilaterais que seriam usados pela presidente Dilma Rousseff, inclusive agendas com telefones de autoridades.

O Itamaraty não reconheceu a veracidade dos documentos revelados pelo grupo Anonymous, que assumiu autoria do ataque aos servidores do ministério. O embaixador Antônio Tabajara afirmou que os mesmo estão sendo apresentados em formatos que podem ter sido editados ou alterados.  Apesar disso, o material que circula na web têm, em sua maioria, o timbre do Itamaraty .

Estão na lista o  relatório preparado para o então ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, na visita do seu colega americano, o secretário de Estado John Kerry, bem como todos os documentos para as reuniões do Mercosul de 2011, 2012 e 2013, relatando as posições brasileiras em diversos. 

O Itamaraty informa que já fez um mapeamento do que teria sido vazado e não foi identificado nada altamente prejudicial aos interesses do governo. As investigações são realizadas pelo Gabinete de Segurança Institucional e a Polícia Federal.  O ataque foi feito aos servidores do Itamaraty entre os dias 19 e 27 de maio. (Com o Portal Imprensa)

As FARC-EP vencerão



50 Anos de luta revolucionária pelo socialismo

Pavel Blanco Cabrera  (*)


Cumprem-se 50 anos de luta das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo. Não há força política semelhante que tenha enfrentado o que a insurreição fariana enfrentou, como sejam as mudanças de época, a alteração da correlação de forças internacional, e a confrontação não só com a oligarquia colombiana, mas também directamente com o imperialismo e com todo o seu aparelho bélico e comunicacional, assim como com a incompreensão de algumas forças da esquerda.


Cumprem-se 50 anos de luta das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo, de pleno compromisso com a causa da Revolução e com os explorados e oprimidos da Colômbia, da América e do Mundo.

Não há força política semelhante que tenha enfrentado o que a insurreição fariana enfrentou, como sejam as mudanças de época, a alteração da correlação de forças internacional, e a confrontação não só com a oligarquia colombiana, mas também directamente com o imperialismo e com todo o seu aparelho bélico e comunicacional, assim como com a incompreensão de algumas forças da esquerda.

Em 1964, seis anos após a entrada vitoriosa do Movimento 28 de Julho em Havana, o Continente encontrava-se em ebulição porque a táctica de guerra de guerrilhas atraía milhares ao combate revolucionário e com optimismo vislumbrava-se a possibilidade de mudanças profundas e radicais em todos os países da Nossa América.

No entanto as FARC-EP, embora contemporâneas de tal onda tinham outra origem, outra táctica e outra composição social, que determina que prossigam na luta e na forma de luta abandonada por outros, que embora no seu tempo a tivessem absolutizado se unem sem decoro às novas políticas.

As FARC-EP têm a sua origem na realidade colombiana, nas contradições sócio-classistas que a exploração engendrará, a concentração da riqueza e da terra na minoria burguesa, que para manter os seus privilégios recorre à violência aberta, ao terrorismo de estado contra o povo, ao dia a dia do crime político, à posição definitiva da oligarquia para exercer o domínio.

O assassinato de Gaitán e o Bogotazo, a violência da classe dominante originaram as guerrilhas liberais, que politicamente mostravam os seus limites, e levaram Manuel Marulanda e os seus compatriotas a ligar-se ao Partido Comunista Colombiano, a assumir a ideologia marxista-leninista e a fazer um trabalho de organização política e militar sempre vinculado aos camponeses, aos trabalhadores, ao conjunto do povo trabalhador.

Nessa altura O PCC, aceitando a linha da combinação de todas as formas de luta, apoiou plenamente os camponeses em armas e destacou quadros excepcionais da JUGO e do Partido, entre eles um homem extraordinário, um proletário, de grandes dotes intelectuais e organizativos, Jacobo Arenas, que juntamente com o Comandante Manuel Marulanda forjaria várias gerações de verdadeiros comunistas, que fariam de um primeiro núcleo focalizado numa região um poderoso exército do povo que se estendeu a todo o território colombiano, e com um perfil que chama a atenção, de partido comunista, de vida orgânica onde já se notam elementos da nova sociedade, nas relações sociais, culturais, na camaradagem, nas relações homem-mulher e homem-natureza.

Objectivamente, a onda guerrilheira dos anos 60 tinha como base a juventude radicalizada e estudantil, mas o certo é que as FARC contavam nos seus primeiros anos com camponeses, homens e mulheres, trabalhadores do campo, e embora a onda guerrilheira, seguindo as teses negativas de Debray criticasse o papel do partido revolucionário e tentasse prescindir dele, os guerrilheiros marquelianos aferravam-se à vida orgânica e reconheciam a sua vanguarda no partido comunista. Enquanto a onda da guerrilha absolutizava a luta armada e qualificava como reformista quem não os seguisse, as FARC-EP enfatizavam que na política revolucionária era necessário combinar todas as formas de luta.

Na contagem que o Comandante Ernesto Guevara fazia das organizações revolucionárias, na Colômbia indicava a dirigida por Manuel Marulanda, porque as suas causas eram justas, as suas bandeiras expressavam os interesses populares e porque existiam coincidências muito fortes. O Che foi consequente e morreu agindo como pensava na Bolívia, em Outubro de 1967. Mas muitos seguidores das teses de Debray abjuraram das suas absolutizações e assim, com o passar do tempo, desqualificaram a luta armada e o direito do povo a exercê-la.

Na classificação política, quando o vento soprava a favor dos povos, pelo papel do campo socialista e da URSS, pela descolonização, pela força do movimento operário, pela vitória vietnamita, era normal que junto da URNG, o FMLN, o FSLN, o ELN e a grande diversidade de forças revolucionárias em armas se situassem as FARC-EP.

Mas quando a contra-revolução se impôs, até levar ao derrube da construção socialista na União Soviética e outros países, dando lugar a um retrocesso da luta de classes, as condições desfavoráveis, na verdade, levaram boa parte desses processos de guerrilha a negociações que acabaram na desmobilização militar.

Embora tenha havido casos de transfugismo não podemos atribuir tudo a essa razão. A história está aí com os seus acervos como lições para o presente, e quando a consultamos encontramos discursos derrotistas, viragens na estratégia, que consideraram a participação na democracia burguesa como um passo obrigatório. As FARC-EP, que sempre se bastaram nas suas condições próprias, mantiveram ao alto a bandeira revolucionária transformando-se num símbolo mundial da luta armada pelo socialismo, em condições nada fáceis, muito complexas, semeadas de dificuldades.

As FARC-EP resistiram à obscura noite contra-revolucionária e a des-ideologização

Com necessidade marquetaliana, com firmeza marxista-leninista, com têmpera comunista as FARC-EP, de maneira orgânica, ou seja com a discussão leninista militante e resoluções emanadas do colectivo, continua a luta armada, com uma eficiência cada vez mais revolucionária, com um plano estratégico para a tomada do poder. As forças da reacção e do imperialismo iniciaram uma cruzada para as exterminar.

O mais importante é que na América Latina, o imperialismo norte-americano envidou os seus esforços para conseguir a derrota militar das FARC-EP, com um investimento milionário do Plano Colômbia e de planos subsequentes de intervenção militar, mesmo directa com a presença de bases norte-americanas na região e com o apoio sem escrúpulos a criminosos como Álvaro Uribe que fez do genocídio o seu estilo pessoal de governo e legalizou a actuação dos mafiosos paramilitares.

Depois, os centros ideológicos do imperialismo, detentores do controlo absoluto dos meios de comunicação, lançaram com paixão goebeliana uma grotesca campanha de propaganda para semear na opinião pública a suspeita de um vínculo entre o narcotráfico e a revolução, criando o mito da narco-guerrilha, mito fabricado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Além disso e devido à histeria promovida por Bush após o 11 de Setembro de 2001 tentaram meter no mesmo saco o legítimo direito dos povos à luta armada e o terrorismo, inscrevendo assim as FARC-EP nas listas que os Estados Unidos e a União Europeia emitem por essa razão.

Mas surgiram mais dificuldades no cenário de solidariedade internacionalista. Por um lado muitos afogaram-se no desespero, milhares de pessoas que encontravam na solidariedade a sua forma de militância desencantaram-se pelo facto do esforço das suas vidas acabar numa relegitimação da democracia burguesa e da aceitação das regras da classe dominante, e como em alguns casos as antigas guerrilhas tornadas governo continuaram a gerir o capitalismo pela mão de algumas políticas assistencialistas. Por outro lado toda a solidariedade com a luta armada foi criminalizada, levada a julgamento e perseguida.

Somamos a isso a incompreensão, resultado da assimilação do discurso ideológico do imperialismo no sentido de absolutizar a democracia burguesa e condenar tudo o que lhe não pertença, forças políticas que dizem inserir-se na esquerda e que voltam as costas à acção revolucionária fariana, que clamam pela sua desmobilização e que hoje garantem que não há outro caminho senão depor as armas, empenhados com veemência por razões de geoestratégia progressista (a redundância discursiva é também uma das suas características).

Mas nunca houve derrota das FARC-EP nem no campo político nem no campo militar

Do ponto de vista militar foi demonstrada uma grande criatividade com a guerra de guerrilhas móveis e sua aprendizagem constante que as leva a ajustar constantemente e com êxito a sua estrutura e operacionalidade.

Do ponto de vista político, as FRAC-EP baseiam a sua solidez nos princípios comunistas do marxismo-leninismo. Cada guerrilheiro é militante do Partido, cada grupo é uma célula do Partido. Entende-se a luta armada como uma forma que deve ser completada com o trabalho popular, estudantil, do campo. De resto há mais de uma década optou-se por construir um movimento de massas, mas clandestino. Sendo as FARC-PE um partido comunista em armas, a vida de discussão política marcada pelo centralismo democrático dá ao conjunto da organização uma força indestrutível. E há uma coesão com o mundo, porque o mundo está no mesmo terreno da luta, aplicando o princípio leninista de igualdade entre os comunistas.

Assim a guerrilha fariana deu contribuições aos comunistas e revolucionários do mundo:
a) a luta pelo poder, ainda que nas condições mais adversas, como bandeira programática para os revolucionários, em período de ebulição e mistura do pós-modernismo e neo-anarquismo.

b) a reivindicação do direito inalienável dos povos à rebelião armada, o papel da violência revolucionária como elemento insubstituível de transformações profundas e radicais.

c) o seu papel objectivo na derrota da ALCA, em conjunto com a Venezuela bolivariana e Cuba.

d) a opção do carácter continental da revolução e a procura permanente da coordenação de forças revolucionárias e anti-imperialistas.

e) a coerência organizativa para juntar numa só torrente camponeses, trabalhadores, indígenas, estudantes, intelectuais, etc.

Hoje as FARC-EP encontram-se novamente, depois do Caguán, em busca de uma solução política. O heróico comandante Alfonso Cano afirmou numa entrevista, pouco antes de morrer, a sua oposição à desmobilização: reivindicava aquela que era uma posição do conjunto da guerrilha comunista, ontem e hoje.

Se há espaço para uma intervenção política aberta que não enfrente a repressão que a União Patriótica viveu, seguramente as FARC-EP prosseguirão por essa senda. Sim, na realidade há garantias e uma constituinte no horizonte. Mas se a burguesia colombiana se empenhar em continuar a torpedear o processo, a utilizá-lo estritamente como engodo eleitoral, ficará claro que são inimigos da paz.

Há sem dúvida expectativas sobre a mesa em Havana. Há vozes de «esquerda» que pressionam para o desarmamento e a desmobilização. O Partido Comunista do México não se junta a esse coro e garante respeitar a decisão do partido comunista em armas, as FARC-EP, confiando como sempre em que pela sua história e política os nossos camaradas colombianos saberão caminhar erguendo alto a bandeira levantada há 50 anos, procurando a participação e o protagonismo do povo.

Na luta por um mundo socialista, a classe trabalhadora e os povos têm nas FARC-EP e no Partido Comunista Clandestino Colombiano um destacamento seguro e um compromisso garantido.


(*) Primeiro-Secretário do Comitê Centrral do Partido Comunista do México (Com odiario.info)

Eu nunca mais vou te esquecer

Copa com poucos gols e domínio sul-americano , analisa o Goldman Sachs


                                                                       
                                                                                   Taça da Copa (Reuters)

Um brasileiro fará este gesto ao final da Copa do Mundo, segundo o banco Goldman Sachs


O banco americano Goldman Sachs analisou a história de jogos de futebol internacionais desde 1960 e chegou à conclusão que teremos uma Copa do Mundo com poucos gols por partida, domínio sul-americano e o Brasil hexacampeão.

O método usado leva em conta também o ranking mundial Elo (feito a partir dos resultados históricos de cada equipe), o número de gols marcados nos dez últimos jogos internacionais, os gols sofridos nos últimos cinco torneios internacionais, os resultados em Mundiais e o país e continente onde a competição é disputada.

"Nosso modelo não usa nenhuma informação sobre a qualidade das equipes ou jogadores individuais", explica o Goldman Sachs.

Uma análise feita pela consultoria em 2010 mostra que sua previsão pode não ser totalmente precisa, mas chega bem próximo disso.

No último Mundial, o Brasil era o grande favorito do Goldman Sachs, com 26,6% de chances, mas acabou eliminado nas quartas de final pela Holanda.

No entanto, a segunda seleção com maior probabilidade de ganhar o torneio era a Espanha, com 15,7% de chances, e que de fato levou o título. A Holanda era a terceira favorita e ficou com o vice-campeonato.

Por isso, antes de completar seu bolão para a Copa, dê uma olhada no que prevê o Goldman Sachs.
Brasil campeão - e sobre a Argentina!

O Goldman Sachs dá quase como certo que o Brasil passará da primeira fase, com 99% de chances de chegar às oitavas de final e 78,1% de sobreviver até as quartas de final.

Já nesta fatídica etapa, em que o Brasil foi eliminado nas últimas duas Copas, a probabilidade da Seleção avançar cai para 71,7%.

Mas suas chances de chegar à final são altas, de 60,3%. Na previsão do banco, a partida será com a Argentina, que será batida pelo Brasil por um respeitável 3x1.

"O Brasil tem uma performance especialmente forte em Copas do Mundo quando comparamos com partidas fora do torneio. Essa é uma razão clara do país ter ganho cinco Mundiais", diz o relatório.
O fator 'jogando em casa'(ou perto dela)

A análise mostra que 30% das Copas foram vencidas pelo país-sede. Esse índice é ainda maior, de mais de 50%, quando levados em conta só os países da elite do futebol mundial – Argentina, Brasil, Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Espanha e Uruguai.

Mas, segundo o Goldman Sachs, não é só o país-sede que leva vantagem pelo fato da Copa ser no Brasil.

Jogar no próprio continente favorece as seleções. "Nenhuma seleção da Europa ganhou uma Copa disputada nas Américas", diz o relatório.

Por isso, as chances de um país latino-americano ganhar o Mundial são de 65%.

Esse fator ainda influencia na quantidade de gols marcados pelas seleções, com o México levando a maior vantagem.
Não se fie no ranking da Fifa nem em casas de apostas

 Seleção da Alemanha (AFP)

Em segundo no ranking da Fifa, seleção alemã tem 11,4% de chances de vencer o Mundial

Em quarto lugar no ranking da Fifa, o Brasil tem a maior probabilidade de ganhar a Copa, com 48,5% de chances, e fica numa liderança folgada neste quesito, com a Argentina, sétima colocada no ranking da Fifa, em segundo lugar, com 14,1% das chances, seguida pela Alemanha – a segunda no ranking -, com 11,4%.

A primeira colocada Espanha aparece apenas em quarto lugar, com 9,8% das chances de vencer o Mundial.

"Não é surpreendente que o time de futebol mais bem sucedido da história tenha boas chances de ganhar a Copa em casa, mas a vantagem brasileira ainda assim é impressionante", diz o relatório, que destaca como as chances do Brasil ser campeão são quase duas vezes mais altas do que a média em casas de apostas, que é de 25%.

Poucos gols por partida, mas com um bom saldo final

A análise do Goldman Sachs mostra que a média de gols por partida, que ficava entre 4 e 5 na primeira metade do século 20, atualmente está entre 2 e 3.

Apesar do Goldman Sachs antever esta baixa média de gols por partida, o torneio provavelmente terá um bom saldo total - já que a consultoria não prevê uma partida sequer terminando em 0x0.
Não aposte em goleadas (a não ser com o Brasil em campo)
                                                                       
                                                         Júlio Cesar (AFP)

O goleiro Júlio César não terá trabalho na primeira do fase do torneio

Das 64 partidas da Copa, apenas três delas serão goleadas – e todas elas aplicadas pela Seleção Brasileira na primeira fase da competição.

Segundo a previsão do Goldman Sachs, o Brasil vencerá a Croácia e o México por 4x1 e Camarões por um impressionante 5x0.
Está na dúvida? Escolha um empate de 1x1

Nada menos do que 70,8% das partidas da primeira fase, ou 34 dos 48 jogos, terminarão em empate – e todos em 1x1.

Isso sem contar as oitavas de final, que prometem deixar os fãs angustiados, com metade das oito partidas decididas nos pênaltis após um empate de 1x1.

Para não ter surpresas
                                                                                   
                                                                      Jogador do Irã (AFP)

Seleção do Irã pode surpreender e passar pela primeira vez para as oitavas de final
É fácil prever o desempenho de grandes seleções como as de Espanha, Itália ou Uruguai, mas e quanto aos times sem tradição no Mundial? O que dizer de Honduras, Costa do Marfim ou Bósnia?

O relatório da Goldman Sachs analisa cada um dos times em detalhes, com estatísticas de suas participações anteriores em Copas.

Dá para saber, por exemplo, que apesar da Argélia ser um dos melhores times africanos – ficou em quarto no Mundial do continente em 2010 –, o time não tem grandes estrelas e nunca passou da primeira fase do torneio em suas quatro participações.

Ou que o Irã poderá surpreender e passar pela primeira vez para as oitavas de final, em sua quarta participação em Copas.

Mas a seleção iraniana não irá muito longe, segundo o relatório, e será eliminada pela França. Não se pode ter tudo, não é mesmo? (Com a BBCBrasil)   

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Britânicos ensinaram 'tortura psicológica' a militares brasileiros na ditadura

                                                                   


Depoimento de Paulo Malhães à integrante da Comissão da Verdade revelou participação britânica

Emily Buchanan

Repórter de Assuntos Internacionais da BBC



Documentos e depoimentos obtidos com exclusividade pela BBC revelam um lado pouco conhecido da ditadura militar brasileira – a de que autoridades da Grã-Bretanha colaboraram com generais brasileiros – inclusive ensinando técnicas "avançadas" de interrogação equivalentes a tortura. A repórter da BBC Emily Buchanan apurou a história.

Alvaro Caldas pertencia a um grupo comunista quando foi preso em 1970. Ele passou dois anos preso dentro de um quartel da polícia militar no Rio de Janeiro.

Ele foi submetido a espancamentos, choques e pendurado no "pau de arara" – amarrado de cabeça para baixo por horas
.
Ao ser solto, ele desistiu da política e passou a se dedicar ao jornalismo esportivo. Em 1973, voltou a ser preso. Caldas foi levado ao mesmo prédio, mas tudo estava diferente por lá.

"Desta vez, a cela estava limpa e esterilizada, com um cheiro nauseante. O ar condicionado era muito frio. A luz estava permanentemente acesa, então eu não tinha ideia se era dia ou noite. Eles alternavam sons muito altos e depois muito baixos. Eu não conseguia dormir de jeito nenhum."

Alvaro conta que a sensação avassaladora que sentia era medo. De tempos em tempos, alguns oficiais entravam na cela, o encapuzavam e levavam para interrogações. Ele sentia que o objetivo era desestabilizá-lo, fazendo-o confessar algum crime que não havia cometido.
Isso não era tortura física, mas sim uma pressão psicológica intensa.
"Por sorte, só passei uma semana lá. Se tivesse ficado duas semanas ou um mês, teria enlouquecido."


Formatos alternativos

Esta nova técnica de interrogação ficou conhecida como "sistema inglês". Depoimentos coletados pela Comissão Nacional da Verdade – criada pelo governo para investigar episódios ocorridos durante a Ditadura Militar – explicam o porquê.

Nas mais de 20 horas de seu depoimento, o coronel Paulo Malhães – um dos mais temidos torturadores e que morreu poucos dias depois – ganhou destaque nacional ao confessar ter torturado e mutilado diversas vítimas.

Malhães expressou grande admiração pela tortura psicológica que, para ele, era muito mais eficiente do que a força bruta, especialmente quando a tentativa era de transformar militantes de esquerda em agentes infiltrados.

"Naquelas prisões com portas fechadas, você podia mudar a temperatura, a luz, tudo dentro da prisão. A ideia veio da Inglaterra", disse ele.

Ele admitiu, em conversa em privado com a advogada e integrante da Comissão da Verdade do Rio, Nadine Borges, que viajou à Inglaterra para aprender técnicas de interrogação que não deixavam marcas físicas. Borges relatou detalhes de sua conversa com Malhães à BBC.

"A melhor coisa para ele era a tortura psicológica. Ele também esteve em outros lugares, mas disse que a Inglaterra foi o melhor lugar para aprender."

'Melhor escola'

O professor Gláucio Soares entrevistou vários generais nos anos 1990. Muitos contaram que enviaram militares à Alemanha, França, Panamá e Estados Unidos para aprender sobre interrogatórios, mas todos elogiaram a Grã-Bretanha como o melhor lugar de aprendizado.

O general Ivan de Souza Mendes teria dito a Soares: "Os americanos também ensinam, mas os ingleses é que são os mestres em ensinar como arrancar confissões sob pressão, por tortura, de todas as formas. A Inglaterra é o modelo de democracia. Eles dão cursos aos seus amigos".

O general Fiuza de Castro disse que os britânicos recomendam deixar os prisioneiros nus antes de interrogá-los, para deixá-los angustiados e deprimidos – um estado que favorece o interrogador.
As técnicas teriam sido criadas nos anos 1960 em territórios britânicos na Ásia e aperfeiçoadas contra militantes na Irlanda do Norte.

O método ficou consagrado em inglês como "Five Techniques", ou "Cinco Técnicas":

Manter a pessoa de pé contra uma parede por muitas horas
Encapuzar
Sujeitar a grandes barulhos
Impedir o sono
Pouca comida e água

Muitos dizem que essas técnicas equivalem à tortura. Em 1972, elas foram oficialmente proibidas pelo premiê Edward Heath, depois que o público tomou conhecimento que eram usadas contra os militantes irlandeses do IRA.

Mas no Brasil, os métodos de interrogatório psicológico seguiram adiante, atendendo as necessidades dos militares. O péssimo histórico de direitos humanos do Brasil estava começando a atrair publicidade negativa no mundo. Um método que não deixava marcas físicas era considerado perfeito pelos militares para extrair informações.

                                                     
Comissão da Verdade quer saber o que aconteceu com a longa lista de desaparecidos

Aparentemente, não só os militares brasileiros foram à Grã-Bretanha, mas o inverso também aconteceu. O ex-policial Claudio Guerra disse que agentes britânicos deram cursos no quartel-general da polícia militar sobre como seguir pessoas, grampear telefones e usar as celas isoladas.

Guerra disse que viu esses agentes britânicos nas ocasiões em que visitou o quartel-general para recolher corpos de vítimas que sofreram com os métodos antigos.

Correspondências

Há mais pistas sobre a relação entre militares britânicos e brasileiros no prédio dos Arquivos Nacionais, na região londrina de Kew.

Em agosto de 1972, o então embaixador britânico no Brasil, David Hunt, escreveu uma carta secreta a uma autoridade com referência aos métodos mais sofisticados usados pelos brasileiros.

Ele escreveu: "Como você sabe, eu acho, eles (os militares brasileiros) foram influenciados por sugestões e conselhos emitidos por nós; mas esta conexão não existe mais... É importante que o conhecimento deste fato fique restrito."

Na véspera de uma visita do então presidente Ernesto Geisel à Grã-Bretanha, em 1976, havia uma referência indireta à uma "reforma da tortura". Uma das cartas fala de "padrões aceitáveis de interrogatório (por exemplo, o que é permitido na Irlanda do Norte)".
                                                         
                                 Documento confidencial britânico


Um documento intitulado "Tortura no Brasil" classificado como "confidencial" fala da péssima publicidade que o Exército brasileiro estava recebendo mundialmente, e de como foram adotadas novas técnicas baseadas em métodos psicológicos.

"O Primeiro Batalhão do Rio estaria usando agora as novas técnicas, cuja introdução foi descrita por um comandante do Exército como uma página tirada da cartilha britânica."

A correspondência do ministério britânico das Relações Exteriores deixa claro que interesses comerciais eram de suma relevância e que o péssimo histórico de direitos humanos do Brasil era subestimado.

Alan Munro, que foi cônsul geral britânico no Rio nos anos 1970, disse que, pessoalmente, não tinha conhecimento da colaboração dos militares britânicos.

"Se os brasileiros estavam procurando técnicas de interrogatório usadas por autoridades britânicas, o melhor exemplo vinha dos primeiros anos da Irlanda do Norte. Isso teria sido aprendido por inciativa dos brasileiros, e no sentido de reduzir as práticas mais crueis, isso teria sido um passo no caminho certo", diz Munro.

Mas os brasileiros não veem isso como "um passo no caminho certo".

O diretor da Comissão da Verdade do Rio, Wadih Damous, disse que há anos conhece o envolvimento dos Estados Unidos no treinamento de militares do regime brasileiro, e que ficou indignado ao tomar conhecimento do papel dos britânicos.

"É sempre chocante ouvir que uma democracia que é tão importante, tão consolidada, tão velha, colaborou com a ditadura", disse Damous.

A BBC pediu uma declaração oficial ao ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha. Um porta-voz disse que "não pode fazer comentários sobre administrações passadas", mas que qualquer política atual do governo de colaboração internacional cumpre com exigências de direitos humanos estabelecidas dentro do país. (Com a BBCBrasil)

Putin quer ir à Normandia nas comemorações dos 70 anos do Dia D

                                                                               
                                                                       Foto: RIA Novosti


O presidente russo, Vladimir Putin, confirmou durante uma conversa telefônica com o presidente francês, François Hollande, sua participação nas celebrações de 6 de junho, na Normandia, por ocasião do 70º aniversário do desembarque dos aliados, relata o serviço de imprensa do Kremlin.

Segundo foi anteriormente relatado, os líderes de vários países ocidentais também participarão das festividades programadas para 6 de junho.

Vladimir Putin também afirmou a necessidade de um fim imediato da violência e derramamento de sangue no Sudeste da Ucrânia.

"Os dois líderes continuaram a trocar pontos de vista sobre o desenvolvimento da situação na Ucrânia. 

O presidente russo sublinhou a necessidade da cessação imediata da violência e derramamento de sangue, praticados pelas autoridades de Kiev, e do início de um diálogo direto entre Kiev e os representantes do Sudeste ucraniano", disse o serviço de imprensa do Kremlin.(Com a Voz da Rússia)

Marilton Borges comemora 71 anos. Festa no Godofredo...

                                       


Neste sábado o cantor e compositor Marilton Borges estará completando 71 aninhos. 

Sábado é dia de seu show no Godofredo, ao lado do seu filho Rodrigo, a partir das 21 horas. 

Marinton põe texto no Face:

"Que tal unir o útil ao agradável? 

Os músicos que estiverem de folga poderiam aparecer por lá, pois todas as canjas serão muito bem vindas!!!

Bora lá, gente..."

Conheça o jogador de futebol que ajudou a derrubar ditadura de Pinochet

                                                                 
Além de se negar a dar a mão ao ditador, Carlos Caszely participou ativamente do plebiscito contra o regime militar
      


Vanessa Martina Silva | São Paulo 

“Estávamos uniformizados. Havia um silêncio sepulcral. Eu olhava para todos como que querendo pedir socorro. De repente, a porta abre, entra um tipo com uma capa e uma touca escura. Ele começou a andar e a cumprimentar todo mundo. E neste segundo, antes de chegar até mim, fecho os olhos, coloco as mãos para trás e deixo passar o ditador sem dar a mão para mim”.

Wikicommons

Com ativa participação política, Caszely apoiou a candidatura de Michelle Bachelet em 2013

Carlos Caszely, um dos maiores ídolos do futebol chileno, ex-jogador do clube mais popular do país, o Colo-Colo, não soube das torturas e desaparecimentos forçados em seu país durante o regime militar pela televisão ou por qualquer meio jornalístico, mas através de própria mãe, Olga Garrido, que foi sequestrada e torturada pela polícia de Augusto Pinochet (1974-1990). 

O relato ficou famoso ao ser utilizado pela campanha do “não” no plebiscito realizado em 1988 para decidir se o ditador deveria seguir ou não no poder até 1991.

“Queriam que eu dissesse frases [para a campanha]”, contou durante sua participação no Seminário Ditaduras no Cone Sul 50 anos Depois, realizado em Santo André no início do mês. Ao invés disso, pediu uma câmera e um operador. “Eu os chamei para ir pela manhã até a minha casa e disse que após o depoimento da minha mãe, eu falaria”.

Na gravação, Olga conta como foi vítima de violência e desrespeito. Do seu lado, aparece um dos rostos mais conhecidos do país: o “chinês”. “Quando o ‘não’ ganhou, fiquei orgulhoso. De alguma forma, minha família ajudou a derrubar a ditadura de Pinochet”, disse Caszely.
A campanha pode ser vista aqui (a partir do minuto 3’30’’)

A primeira negativa

Na contramão do estereótipo de que jogador de futebol não se posiciona politicamente, “o rei do metro quadrado” se negou, em diversas ocasiões, a cumprimentar Pinochet. “A situação estava difícil. Fora do país nos perguntavam a respeito dos mortos e não sabíamos de nada porque as TVs e meios de comunicação falavam apenas que o Chile havia recuperado a democracia”.

Foi então que em 1974, antes do Mundial na Holanda, sua mãe foi sequestrada. Pouco tempo depois, na despedida da seleção antes da viagem para a Alemanha, Caszely se negou a cumprimentar o ditador. Não sei se fui um homem valente ao não dar a mão a Pinochet, ou se me caguei de medo de dar a mão a Pinochet”, contou.

Como consequência, “em 1977, quando me preparava para embarcar para disputar as Eliminatórias do Mundial na Argentina, recebi uma ligação dizendo que eu não iria jogar porque Pinochet estaria no Estádio Nacional e poderia ser que os torcedores começassem a gritar meu nome”. O artilheiro foi cortado e a seleção chilena não disputou o Mundial. “Foi uma das grandes tristezas de minha vida”, lembrou. Depois disso, nunca mais o general foi ao estádio ver as partidas de la Roja.

"Meu coração continuará vermelho"

Caszely voltou à seleção no Mundial da Espanha de 1982, mas a equipe não conseguiu triunfar. Até hoje o jogador é cobrado pelo pênalti perdido contra a Áustria. “Quando os jornalistas vieram até mim, para me cobrar, somente disse: ‘eu fracassei’”.

Em 1985, el chino se despediu da seleção chilena em jogo contra o Brasil. “O momento mais lindo da minha vida foi quando me retirei com aplauso do estádio no fim da minha carreira”, disse a Opera Mundi.
No mesmo ano, em uma recepção no Palácio de la Moneda, Caszely teve um novo encontro com Pinochet. De acordo com o jogador, foi a única ocasião em que cumprimentou o general.  “Eu fui de gravata vermelha. Quando Pinochet passou por mim, me disse: ‘Vou cortar a sua gravata’. E eu respondi: ‘senhor Pinochet, pode cortá-la que meu coração seguirá sendo vermelho’”.

Polêmicas

Mas, também há críticas à sua atuação política. Em 21 de novembro de 1973, ocorreu a partida mais “estúpida e tonta” que teve notícia. Isso porque a antiga União Soviética (URSS) se recusou a participar do jogo no Estádio Nacional, onde milhares de pessoas foram torturadas e mortas pelo governo de Pinochet.

Assim, os 11 jogadores chilenos tocaram a bola calmamente e o capitão, Francisco "Chamaco" Valdés, a chutou contra um gol sem goleiro. Sobre o polêmico lance, Caszely afirmou que “assim como jogamos na Rússia, que era uma ditadura de esquerda, eles teriam que vir jogar em nosso país. O futebol está acima das ditaduras e dos governos. O futebol é do povo, daquele que sofre a semana inteira e tem somente 90 minutos para se divertir”.
Veja o gol do "jogo", válido para as eliminatorias da Copa do Mundo de 1974:

Quase 30 anos após ter pendurado as chuteiras, Caszely avalia que o futebol segue sendo “uma das poucas alegrias das pessoas”. Para ele, “o entorno do futebol é complicado. Mas os problemas sociais, dos governos, não são um problema do esporte". A respeito das críticas contra o campeonato que será realizado no Brasil a partir de 12 de junho, ele contemporizou: "nos outros países em que não haverá o Mundial, temos os mesmos problemas” .

Caszely nunca escondeu sua orientação política e seu alinhamento com o governo socialista do presidente deposto Salvador Allende (1970-1973). Em 2013, apoiou a candidatura da presidente reeleita Michelle Bachelet. Para ele, os trabalhadores estão voltando para as ruas para fazer ouvir sua voz e construir um mundo muito melhor do que o que temos hoje”. (Com Opera Mundi)

Radialista assassinado em Honduras


                                      
Assassinado quarta-feira em San Juan de Opoa , em Honduras,o comunicador social e taxista Hermán Cruz Barnica, de 52 anos de idade. Barnica foi mantinha um programa na rádio Opoa , uma frequência comunitária. Alguém contratou seus serviços como taxista e seu corpo foi encontrado uma hora depois no seu carro na estrada de acesso ao município de Dulce Mombre. (Com Amigos de Los Necios)

Anita Prestes protagoniza momento histórico na UFES


                     Postagem da página do Facebook da Casa da América Latina (ES):



                                                               

Obrigado a todos que compareceram ao evento ontem. Certamente o debate de ontem foi histórico e a palestra mais lotada da história da UFES e talvez Espírito Santo. Uma lástima que ainda assim não tenha cabido todas as pessoas e muitos não puderam ver o debate. Aguardem as próximas atividades da Casa da América Latina.


Comentário de Mauro Ribeiro, via Facebook:


"Anita Prestes simplesmente reviveu a passagem de seu pai Luiz Carlos Prestes, no Espírito Santo, quando também veio falar da Coluna Prestes, no Colégio do Carmo, em 1985, onde faltou espaço pra tanta gente. Que na época, também não poupou as críticas aos traidores."


Fotos da palestra de Anita Prestes, neste 28/5/2014, no Teatro Universitário da UFES, em Vitória:

                                                                   

Comissão da Verdade apresenta laudo sobre a morte do prefeito de Balneário Camboriú

  
                                                     
  Trabalho pericial será apresentado durante audiência pública em Florianópolis

A Comissão Nacional da Verdade e a Comissão Estadual da Verdade Paulo Stuart Wright, de Santa Catarina, realizam em Florianópolis, na próxima segunda-feira, 2 de junho, às 16h, audiência pública sobre a morte do prefeito de Balneário Camboriú, Higino João Pio (foto)

, em março de 1969, enquanto estava sob a custódia da Marinha, na Escola de Aprendizes Marinheiros, na capital catarinense.

Higino Pio é o único preso político catarinense morto em uma dependência pública naquele Estado. Outros catarinenses atingidos pela repressão política morreram ou desapareceram em outros Estados do Brasil ou no exterior.

Na ocasião, o coordenador do núcleo pericial da CNV, Pedro Cunha, e os peritos da comissão Saul Martins e Roberto Niella, apresentarão laudo técnico sobre o caso no qual analisarão as circunstâncias da morte de Higino Pio.

Os peritos da CNV estiveram em Florianópolis em 30 de janeiro deste ano e realizaram uma diligência na unidade militar onde morreu Pio. Na oportunidade, os peritos da CNV puderam fotografar e fazer um levantamento do local da morte, providência que ajudou no trabalho que será apresentado na próxima segunda-feira.

O corpo de Higino Pio foi encontrado preso por uma corda ao registro do banheiro do antigo camarote do capelão. Atualmente, o local ainda funciona e é uma suíte do alojamento de oficiais.

Higino Pio foi o primeiro prefeito de Balneário Camboriú, eleito em 1965, pelo PSD, logo após a criação do município, que havia sido desmembrado de Camboriú. Em fevereiro, na quarta-feira de cinzas de 1969, ele e alguns funcionários da prefeitura foram presos por agentes da Polícia Federal e levados para a Escola de Aprendizes Marinheiros de Florianópolis. Após prestarem depoimento, todos foram soltos, exceto Higino Pio, que permaneceu incomunicável. No dia 3 de março, a família foi notificada de sua morte. A versão das autoridades foi suicídio.

Em novembro passado, a Comissão Estadual da Verdade realizou audiência pública em Itajaí sobre os efeitos da ditadura na região e colheu depoimentos sobre o caso do prefeito de Balneário Camboriú. Uma perícia do caso Higino Pio era uma reivindicação do Coletivo Catarinense de Memória, Verdade e Justiça desde a promulgação da lei que criou a Comissão Nacional da Verdade, em 2011.

Filhos e outros familiares de Higino Pio comparecerão à audiência em Florianópolis, entre eles Júlio César Pio. Políticos da região de Itajaí e de Balneário Camboriú que atuaram na época do prefeito falecido também devem comparecer ao evento.

SERVIÇO

O quê: Audiência Pública sobre o caso Higino João Pio
Quando: 2 de junho de 2014
Horário: 16h
Onde: Sala das Comissões, Assembleia Legislativa de Santa Catarina
Endereço: Rua Doutor Jorge Luz Fontes, 310, Florianópolis
Transmissão: TV Alesc

Filme e Debate Memórias do Chumbo - O Futebol nos Tempos do Condor – Brasil




O documentário “Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor - Brasil” investiga a ligação entre o futebol e a ditadura militar brasileira, implantada com o golpe de Estado de 1º de abril de 1964.

Reportagem, roteiro e produção: Lúcio de Castro
Imagens: Luís Ribeiro e Rosemberg Farias

Edição: Fábio Calamari e Alê Vallim

Narração: Luís Alberto Volpe

Arte: Stela Spironelli

Duração 52 minutos

Quinta-feira, dia 5 de junho de 2014, 18:30h

Rua Haddock Lobo, 408 /101 - Tijuca - Rio de Janeiro

Próximo ao Metrô Afonso Pena 
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Organização Comunista Arma da Crítica - OCAC/RJ e CeCAC
Telefone: (21) 98892-5202

Câmera espiã age mesmo com a tela do celular apagada

                                                                                 

O engenheiro informático Szymon Sidor, ex-trabalhador da empresa Google, desenvolveu um aplicativo para o sistema operacional Android capaz de utilizar a câmera instalada nos telefones móveis para espiar seus donos.

Sidor informou hoje em seu blog que seu programa permite tirar fotos e gravar vídeos inclusive quando a tela do dispositivo está apagada.

O sistema Android desativa a câmera quando a tela se apaga, mas o especialista encontrou um método para contornar esse processo.

Com esse objetivo seu programa utiliza uma pequena tela de pré-visualização de tão somente um pixel quadrado para manter a câmera em funcionamento.

O tamanho é tão pequeno que é invisível ao olho humano, inclusive quando se sabe em que parte da tela está, disse Sidor.

Em um vídeo colocado em seu blog, o engenheiro mostra como funciona seu programa em seu dispositivo celular Nexus 5.

O programador comentou que permitir que a câmera funcione sem nenhum tipo de indicador na barra de notificações é um descuido indesculpável que deve ser retificado pela equipe de Google para o sistema Android. (Com Prensa Latina)


A Saúde no Raio X


                      

Em ano de eleição, a saúde é apontada nas pesquisas como umas das maiores preocupações dos brasileiros e a questão é sempre debatida na campanha presidencial. Ainda assim, os problemas se arrastam há anos sem investigação dos governos e da mídia.

Caso raro, é o da reportagem de capa da Época da última semana. A matéria revela a caixa-preta das contas das intervenções cirúrgicas e as relações complexas entre empresas de seguro saúde e hospitais. As vítimas, no caso parentes e pacientes, falidos depois de arcarem com as contas hospitalares, também revelam as suas histórias.

Diante das falhas do Sistema Único de Saúde (SUS), a população é obrigada a recorrer aos planos privados controlados pela Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS), mesmo assim, não há paciente que não tenha uma reclamação na memória.

Mesmo com dimensões continentais, o país aplica em saúde apenas 9% do PIB enquanto os Estados Unidos, por exemplo, investem 17,6%. Lá há um forte movimento pela transparência, ao contrário do que ocorre aqui. (Observatório da Imprensa)

quinta-feira, 29 de maio de 2014

As 50 grandes corporações que controlam o mundo

                                                                         

El País, 5.05.2014
29.Mai.14 :: Outros autores

Um artigo do insuspeito El País com interessantes dados sobre o processo como, no quadro da crise sistémica do capitalismo em curso, as megaempresas lutam pelo domínio de sectores estratégicos e aceleram o mercado de fusões e aquisições. Ou seja, de como a crise dá lugar a um processo de ainda maior centralização e concentração do capital, de crescimento do poder global do capitalismo monopolista de Estado.


A maior crise financeira desde o crack de 1929 sacudiu fortemente o mundo empresarial nos últimos anos. Entretanto, as grandes companhias mundiais conseguiram superar a tormenta e até saíram fortalecidas. Em alguns casos, como sucede com as tecnológicas Apple e Google, estes anos de crise coincidiram com a sua expansão e agora encontram-se em situação privilegiada para empreender operações corporativas. Em finais de 2007, a empresa da maçã contava com uma capitalização em Bolsa de 118.920 milhões de euros e não entrava no ranking das 20 maiores empresas. Hoje é a maior companhia do mundo com uns 370.000 milhões, mais do triplo de há sete anos, segundo dados de Bloomberg.

As companhias tecnológicas estado-unidenses ocupam os primeiros lugares da classificação das 50 maiores empresas do mundo. Apple tem uns 115.000 milhões de euros em caixa. Quer dizer, entesoura uma imensa liquidez para empreender futuras compras corporativas.
Google é a terceira empresa da classificação com uma capitalização em Bolsa de 259.761 milhões de euros. A companhia do famoso motor de busca desdobrou recentemente o seu capital num novo tipo de acções sem direito a voto. Isto permitir-lhe-á ampliar capital no futuro sem que os actuais donos, Sergey Brin e Larry Page, que detêm mais de 55% dos direitos de voto, percam peso. Um movimento com vista a possíveis novas aquisições.

A companhia tecnológica comprou em meados de Abril a empresa de fabricação de drones Titan Aerospace, seguindo assim os passos de outra das empresas da lista, Facebook (posto 39), que tinha comprado anteriormente a britânica fabricante de drones Ascenta. A companhia fundada por Mark Zuckeberg exibiu capacidade financeira e revolucionou o sector ao comprar Whatsapp por 13.800 milhões de euros.
Entre Apple e Google situa-se a petroleira Exxon Mobil, que tem uma capitalização de 318.100 milhões de euros. Seguem-nas Microsoft, Berkshire Hathaway (a empresa dirigida pelo magnate estado-unidense Warren Buffet) e a multinacional Johnson&Johnson, que ocupa o sexto lugar.

A sétima maior empresa do mundo, GeneralElectric, anunciou esta semana a intenção de comprar a empresa francesa de energia e transportes Alstom por 12.350 milhões de euros. A sua capitalização em Bolsa ascende aos 194.260 milhões e, somada à da companhia gaulesa, ascenderia a 203.327 milhões de euros.

O sector farmacêutico também vive um processo de concentração com grandes companhias procurando crescer ainda mais através da compra de competidores. A aquisição de AstraZena por parte da Pfizer daria como resultado um gigante com uma capitalização de 218.272 milhões, a sexta maior do mundo. Por sua parte, a suíça Novartis coloca-se em décimo sexto lugar após comprar a divisão oncológica de Glaxo Smith Kline (GSK) por 10.457 milhões de euros. Para além disso, a farmacêutica canadense Valeant anunciou na semana passada a compra da estado-unidense Allergan, proprietária de Botox, numa operação avaliada em 24.786 milhões.

A China lidera a lista Forbes

A revista Forbes elabora cada ano uma lista das 200 maiores companhias do mundo. No ranking da Forbes, para além das empresas que compõem a classificação que ilustra este artigo, também se incluem companhias não cotadas em Bolsa. Por cima do resto sobressai a presença de companhias chinesas. O gigante asiático coloca cinco empresas, a maioria entidades financeiras, nos dez primeiros postos da classificação. A opacidade e as particularidades próprias daquele país dificultam a comparação com as multinacionais que ocupam o ranking das 50 maiores companhias por capitalização em Bolsa.

O banco chinês ICBC lidera a classificação da Forbes com um valor de mercado de 142.170 milhões de euros. O sector financeiro da segunda economia mundial gera não poucas dúvidas face à possibilidade de que exista no país uma bolha de crédito. Feita esta ressalva, outro banco chinês, China Construction Bank, é a segunda empresa mais valiosa do mundo. A companhia petroleira asiática PetroChina e o Bank Of China também aparecem nos primeiros postos.

Os anos de crise passaram factura às companhias espanholas, que se viram forçadas a levar a cabo processos de desinvestimento para poder ajustar os sus balanços. Entretanto, depois de anos de desalavancagem, as empresas começam hoje em dia a acumular uma tesouraria suficientemente ampla para levar a cabo operações que permitam desenvolver o seu negócio. Nenhuma empresa cotada do Ibex consegue colar-se na lista das 50 empresas mais capitalizadas do mundo, mas dentro do índice existem grandes diferenças. Apenas um punhado de cinco companhias (Santander, BBVA, Inditex, Telefónica e Iberdrola) repartem entre si 63% da capitalização do índice de referência da Bolsa espanhola (uns 460.00 milhões).

Os líderes da Bolsa espanhola
Santander

A entidade presidida por Emilio Botín ostenta o primeiro posto, com uma capitalização, segundo dados ajustados por Bloomberg, de cerca de 83.000 milhões de euros. Os níveis mais elevados registados pelo banco correspondem a princípios de 2010, momento em que o valor em Bolsa da firma roçava os 100.000 milhões. Embora o sector financeiro tenha culminado um grande processo de reestruturação, os peritos consideram que nos próximos meses as entidades poderiam ser protagonistas de novos movimentos. De momento as notícias chegam a conta-gotas. À aquisição de 8% do Banco de Shangai anunciada em finais de 2013 junta-se a oferta lançada esta semana para a aquisição de 25% das acções que ainda não controla da sua filial brasileira.

Inditex

A segunda companhia por capitalização em Bolsa do Ibex caracterizou-se por levar a cabo um crescimento orgânico, com excepção de algumas aquisições como Massimo Dutti (1991) e Stradivarius (1999). Desde então o grupo fundado por Amancio Ortega tem empregado a sua liquidez para levar a cabo novos investimentos para o desenvolvimento das suas marcas e a entrada em novos mercados, bem como para premiar a fidelidade do accionista. Segundo as contas de 2013, 66% de seu negócio é gerado na Europa (incluindo Espanha), seguido pelas vendas na Ásia (20%) e América (14%).

Telefónica

Se há uns anos a América Latina era o caldo de cultura para as operações corporativas dentro do sector das telecomunicações, nos últimos tempos a Europa tomou a dianteira. Uma prova disso é a estratégia levada a cabo pela companhia presidida por César Alierta. Depois dos esforços empreendidos pela teleco espanhola para reduzir a sua dívida, nos últimos meses o ajustamento foi completado com novas aquisições. A compra de E-Plus à KPN é um reflexo do interesse da operadora em aumentar a sua presença na Alemanha. Mas esta não foi a única aquisição. Em Setembro de 2013 a companhia tomou o controlo da italiana Telco e em inícios de Abril anunciou a aquisição da startup de cloud computing EyeOs. Com uma capitalização em Bolsa de uns 55.000 milhões, os peritos não descartam que no novo cenário de reorganização Telefónica aproveite a sua posição para protagonizar novas operações.

BBVA

A entidade presidida por Francisco González é o segundo banco espanhol por capitalização do Ibex 3. Com um valor em Bolsa de cerca de 52.000 milhões de euros, BBVA reúne as características necessárias para obter participações em firmas espanholas ou estrangeiras. Todavia, tendo em conta as últimas movimentações parece que a estratégia da entidade se fundamenta em outros pilares. Em Outubro de 2013 a entidade anunciou a venda de 5,1% do banco chinês Citic. Este desinvestimento deixou exposta a Garanti, entidade turca da qual possui 25%. O último movimento corporativo de compra de BBVA remonta a 2012, ano em que a firma adquiriu Unnim pela simbólica quantia de um euro. (Com odiario.info)

UM TABU QUE SANGRA O BRASIL

                                                                                


O Brasil perde cada vez mais dólares com as remessas de lucros e dividendos das empresas estrangeiras instaladas no país.



A isenção sobre as remessas, aprovada no governo FHC, tornou-se um desestímulo à reaplicação dos lucros em uma economia carente de investimentos.

Saul Leblon/Carta Maior

Em abril foram remetidos US$ 3,2 bi;  US$ 9 bilhões no primeiro quadrimestre de 2014.

No ano passado,  lucros, dividendos e royalties remetidos às matrizes totalizaram quase US$ 40 bilhões.

Equivale à soma dos gastos na construção das usinas de Jirau, Belo Monte, SantoAntônio e a refinaria Abreu e Lima.

Representa quase  50% do rombo externo do período, de US$ 81 bi (3,6% do PIB).

Não há problema, diz a ortodoxia. Com a  liberdade de capitais, o fluxo de investimentos diretos, e os especulativos, cobre o rombo, ou quase todo ele.

De fato, o ingresso anual de capitais na economia brasileira  oscila em torno de US$ 60 bilhões (a diferença em relação ao déficit cambial total é zerada com captações em títulos).

Parece um lago suíço. Mas não é.

As correntezas submersas das contas externas, embora muito distantes da convulsão vivida no ciclo de governo do PSDB –quando as reservas cobriam poucos meses de importações e eram tuteladas pelo FMI-  mostram uma dinâmica estrutural conflitante.

As exportações não conseguem gerar um superávit suficiente para cobrir a fatia expressiva das remessas e gastos no exterior.O declínio nos preços das commodities e a baixa competitividade das exportações industriais (associada  à expansão das importações) completam a espiral descendente dos saldos comerciais.

Em 2013 a diferença entre embarques e desembarques deixou apenas US$ 2,561 bilhões no caixa do país, pior resultado da balança comercia desde o ano 2000.

Em 2014, apesar da melhora refletida em um superávit mensal de US$ 506 milhões em abril, o acumulado no quadrimestre  ainda é negativo: menos US$ 5,5 bilhões de dólares.

Em tese, haveria aí um paradoxo: como uma economia onde o capital estrangeiro acumula lucros tão robustos e remessas tão generosas (US$ 9 bilhões entre janeiro e abril), exporta tão pouco?

Duas lógicas se superpõem na explicação do conflito aparente.

A primeira decorre da inexistência de sanções que desencorajem as remessas.

Essa atrofia reflete a evolução política do país.

Em 1952, Vargas instituiu um limite de repatriação de 10%  sobre os lucros do capital estrangeiro.

Em 20 de janeiro de 1964, Jango, certo de que estava assinando sua deposição, sancionou e especificou  barreiras às remessas no decreto  53.451.

Estava correta intuição do presidente.

O golpe de 1964  eliminou a restrição quantitativa em 1965 - os 20% anuais de retorno do capital e os 10% sobre os lucros foram substituídos  por um imposto progressivo.

O mecanismo penalizava adicionalmente remessas acima de 12% do capital médio registrado no triênio anterior. Buscava-se, teoricamente, induzir  a permanência do recurso no país  na forma reinvestimento, sujeito apenas ao imposto na fonte.

A ‘boa’ intenção da ditadura foi derrubada com a emergência do ciclo neoliberal, que eliminou o imposto suplementar em 31 de dezembro de 1991, no governo Collor.

A escalada do desmonte incluiu ainda um corte na alíquota do Imposto de Renda sobre remessas , que caiu de 25% para 15%.

Finalmente, em 1995, no governo Fernando Henrique Cardoso, a Lei 9.249 reduziu a zero  a alíquota, instituindo a isenção total de imposto sobre as remessas de lucros e dividendos.

É sugestivo que os mesmos  veículos que rasgam manchetes para a erosão de divisas na conta de turismo, silenciem diante dessa sangria gerada pelo capital estrangeiro, cujo controle é uma espécie de tabu da agenda nacional.

Embora descabido para um país que enfrenta dificuldades em gerar saldos com exportações, a verdade é que o débito acumulado pelos viajantes brasileiros nas contas externas (US$ 2,3 bilhões em abril  e US$ 8,2 bi no ano) é inferior ao fluxo das remessas do capital estrangeiro.

Mas isso não repercute. Talvez porque envolva não apenas uma diferença contábil.

A intocabilidade que cerca o capital estrangeiro sonega um debate que precisa ser feito para destravar a máquina do desenvolvimento brasileiro.

O tabu, na verdade, blinda escolhas políticas feitas nos anos 90, cujos desdobramentos explicam uma parte importante das dificuldades estruturais para a economia voltar a crescer de forma expressiva.

O regime facultado ao capital externo, associado à sofreguidão das  privatizações nos anos 90, instalou no país uma azeitada plataforma de remessas de divisas, dissociada de contrapartidas equivalentes do lado exportador. 

As privatizações dos anos 90, mas também os investimentos estrangeiros e aquisições predominantes nas últimas décadas, concentraram-se em áreas de serviços  –chamadas non-tradables, não comercializáveis no exterior.

Ou seja,  criaram-se direitos de remessas permanentessem expandir proporcionalmente o fôlego comercial da economia.

A desestruturação da taxa de câmbio, traço que se arrasta desde o Real ‘forte’, completou a base de um sistema manco para dentro e para fora.

Três muletas  se atropelam nesse tripé: exportações industriais declinantes e importações  ascendentes, devido ao câmbio valorizado, e sangria desmedida nas diversas modalidades de remessas do capital estrangeiro.

O Brasil não vive uma asfixia externa, como a da crise da dívida nos anos 70 e 80, em parte decorrente de empréstimos que, de fato, ampliariam a capacidade e a infraestrutura do sistema produtivo.

Mas está constrangido no flanco externo por um descompasso estrutural intrínseco ao regime concedido ao  capital estrangeiro.

 O pano de fundo incômodo  traz pelo menos um desdobramento positivo.

A ideia de que as condições de investimento e financiamento na economia devem estar atreladas  –inexoravelmente— ao padrão de liberação financeira dos anos 90 não se sustenta mais.

As facilidades desmedidas oferecidas ao capital estrangeiro não redundaram em um salto no patamar de investimento, tampouco agregaram um novo divisor  de competitividade, ademais de nada acrescentarem à inserção da indústria local nas cadeias de suprimento e tecnologia que dominam o capitalismo globalizado.

O insulamento regressivo não é a alternativa.

 Mas as evidências demonstram  que os protocolos destinados ao capital estrangeiro não servem para gerar os efeitos multiplicadores necessários ao aggiornamento do parque industrial e à inserção internacional da economia.  

Na verdade, a isenção concedida às remessas fez o oposto.

Incentivou o não reinvestimento de lucros, promoveu o endividamento intercompanhias (entre filial e matriz), exacerbou a consequente espiral dos juros e deslocou a ênfase do resultado operacional para a esfera financeira.

Uma conta grosseira indica que o capital estrangeiro remeteu nos últimos 11 anos cerca de US$ 240 bilhões, para um estoque de investimento da ordem de US$ 720 bi.

A relação soa favorável, não fosse a qualidade desse fluxo, boa parte, repita-se,  destinado a aquisições de plantas já existentes e prioritariamente focado em atividades não geradoras de divisas.

Não apenas isso.

O líder em remessas de lucros e dividendos nos últimos dez anos, o setor automobilístico, responsável por quase 14% da sangria desde 2003, não exibiu qualquer compromisso com o país quando se instalou a crise internacional.

À renúncia fiscal sobre as remessas veio se  sobrepor, então, novas demandas  por isenções de impostos, a título de se evitar demissões, sem que de fato se tenha assegurado a garantia do emprego ao trabalhador brasileiro.

O conjunto resgata o tema do controle de capitais como uma ferramenta oportuna, legítima e indispensável à reordenação  do desenvolvimento brasileiro.

Chegou a hora de desmascarar um tabu que sangra o Brasil. (Com Pátria Latina)