domingo, 31 de dezembro de 2017

Três Canções para Lenin (Com a publicação deste filme de 1934, encerramos a série de referências ao centenário da Revolução de Outubro. José Carlos Alexandre)



sábado, 30 de dezembro de 2017

BRASIL

                                                                      
O ano em que a corrupção contra-atacou no Brasil


Período que começou com a classe política acuada chega ao fim com presidente Michel Temer e outros personagens acusados de corrupção se mantendo firmes em seus cargos. 

"Corrupção” foi a palavra que definiu o ano entre os brasileiros, segundo uma pesquisa elaborada pela consultoria Cause. O levantamento foi inspirado em uma iniciativa da Associação para a Língua Alemã, que desde 1971 seleciona um termo que melhor resume o espírito de uma época. Na Alemanha, a palavra de 2017 foi "Jamaika-Aus”, ou "fim da Jamaica”, em referência ao fracasso das negociações para a formação de um novo governo. Já entre os brasileiros "corrupção” foi a vencedora em uma consulta popular que também teve como finalistas "vergonha” e "crise”.

Corrupção, vergonha e crise parecem se encaixar bem em um ano conturbado, que começou com a expectativa de que a chamada "delação do fim do mundo” – o acordo dos executivos da poderosa empreiteira Odebrecht com a Justiça – seria o início de uma limpeza no sistema político e que agora chega ao fim com um presidente pessoalmente acusado de corrupção seguindo firme no cargo.

A classe política, que iniciou janeiro acuada, reagiu, dando forma ao plano de "estancar a sangria” com uma série de iniciativas para enfraquecer a operação Lava Jato e salvar seus membros. O presidente Temer escapou de três episódios que poderiam ter lhe custado o cargo: a votação pela Câmara de duas denúncias criminais e um julgamento na Justiça Eleitoral. No final, a habilidade política do presidente se mostrou mais forte que o peso das acusações e a persistente rejeição dos brasileiros ao seu governo.

Em maio, quando o conteúdo delação da JBS foi relevado – ofuscando as revelações da Odebrecht –, a dúvida parecia apenas quando o presidente seria afastado. Um dos assessores do presidente havia sido flagrado recebendo uma mala de dinheiro, e o próprio Temer nada fez quando o empresário Joesley Batista lhe confidenciou que estava subornando juízes.

Aos poucos, no entanto, as controvérsias sobre o generoso acordo de delação entre a JBS e a Procuradoria-Geral da República passaram a ser exploradas pelo governo e por políticos que temiam ser os próximos alvos. Temer ainda tratou de conter o esfacelamento da sua base com o velho expediente de distribuição de emendas e cargos na máquina federal. No final, o ex-procurador-geral Rodrigo Janot deixou o cargo de maneira melancólica.

Também contou a favor de Temer a falta de reação das ruas. Apesar da ampla rejeição a Temer e o contínuo apoio à Lava Jato, lideranças de movimentos não se esforçaram ou evitaram convocar manifestações populares contra o governo, como havia ocorrido no final do governo de Dilma Rousseff.

A recém-adquirida confiança de Temer nos episódios levou o governo a trocar o comando da Polícia Federal por uma figura que agradou a seu partido, o PMDB, e a nomear para a chefia da PGR a procuradora Raquel Dodge, uma adversária interna de Janot. Após assumir o cargo, o novo chefe da PF, Fernando Segóvia, chegou a minimizar o episódio envolvendo o assessor de Temer flagrado com a mala de dinheiro, nomeou como número dois um ex-candidato a deputado pelo PMDB e ainda trocou o delegado responsável por uma investigação que envolve o presidente e suspeitas de corrupção no Porto de Santos.

No Congresso, deputados e senadores que começaram o ano sob o temor da Lava Jato viram sua influência se expandir. Bancadas conservadoras arrancaram do governo generosos perdões fiscais e medidas para conter o combate ao trabalho escravo e a expansão de reservas indígenas.

Os membros do Congresso também aprovaram mecanismos para garantir sua própria sobrevivência a partir de 2018, como um superfundo bilionário de financiamento de campanhas, uma forma de contornar as restrições às doações empresariais, e que, segundo analistas deve afastar ainda mais os políticos da população. "O dinheiro vai vir fácil, incentivando uma desresponsabilização. O fundo também dificulta a renovação", afirma cientista político Kai Michael Kenkel, professor do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio e pesquisador associado do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga)

Também avançaram no Senado projetos contra a Lava Jato, como aquele que afirma pretender conter o "abuso de autoridade”, e que é acusado por promotores e juízes de querer limitar a ação da Justiça e do Ministério Público.

Temer ainda sobreviveu com poucos arranhões a outros episódios, como a prisão do seu ex-ministro Geddel Vieira Lima, apontado como o detentor de 51 milhões de reais encontrados em malas em um apartamento em Salvador. As imagens da montanha de dinheiro foram reproduzidas por jornais mundo afora.

Outras figuras do governo Temer escaparam do destino de Geddel com ajuda do presidente, como Moreira Franco (Secretaria-Geral). Acusado de cobrar propina da Odebrecht, ele foi alçado ao status de ministro e blindado com foro privilegiado em fevereiro – uma manobra que havia fracassado com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no governo Dilma Rousseff, mas que passou sem maiores problemas para Temer.

Nos últimos dias de dezembro, Temer voltou a agir para beneficiar seus aliados ao modificar as regras dos indultos (perdão ou redução da pena) que costumam ser concedidos pelos presidentes ao final do ano. Ao afrouxar as pré-condições para quem pode ser beneficiado, a medida passou a incluir dezenas de condenados por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato. Na quinta-feira (28/12), a presidente do STF, Cármen Lúcia, mandou suspender tudo, mas Temer já indicou que pretende lançar outra versão da medida.

O papel do Supremo

A reação para salvar o pescoço dos políticos contou até mesmo com uma ajuda do Supremo Tribunal Federal (STF). Se em 2016 o Supremo teve papel de destaque contra o universo político ao determinar a prisão de figuras como o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), esse protagonismo foi abandonado em 2017 com a decisão controversa que transferiu ao Congresso a prerrogativa de dar a palavra final sobre medidas que afetem os mandatos, como ordens de prisão ou de afastamento. Ao agir assim, os ministros garantiram a salvação do senador tucano Aécio Neves, outro personagem enrolado em escândalos que parecia ter chegado ao fim da linha em 2017.

"Ao recuar dessa maneira, o STF voltou ao papel tradicional de tribunal político, no pior sentido, tal como ocorreu nos anos 30 e na ditadura. A porteira foi aberta para a impunidade”, afirma Roberto Romano, professor de ética da Unicamp.

A decisão do Supremo logo passou a ser imitada por Assembleias e Câmaras municipais Brasil afora, garantindo que deputados estaduais e vereadores que estavam presos ou afastados pudessem voltar ao cargo. Após os efeitos se espalharem, uma maioria de ministros ainda tentou conter os danos do "efeito Aécio” ao apontar que a decisão só vale para o Congresso, mas um pedido de vista de um dos ministros deixou para 2018 a deliberação final.

A notória vagarosidade do STF também fez com que os processos da Lava Jato continuassem a tramitar lentamente em 2017, que marcou o início do quarto ano da Operação Lava Jato. Nenhum político com mandato foi condenado pela Corte até agora e apenas meia dúzia de uma gama que inclui quase uma centena de deputados, senadores e ministros investigados se tornaram efetivamente réus.

Condenações de personagens do mundo político acusados de corrupção neste ano só ocorreram mesmo na primeira instância da Justiça Federal. Entre as mais notáveis estão a do ex-presidente Lula (PT) e do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).

Nos últimos dias de dezembro, o ministro do Supremo Gilmar Mendes, que se notabilizou em 2017 por ordenar a soltura regular de vários personagens da política e do mundo empresarial do Rio de Janeiro suspeitos de corrupção, ainda ordenou a suspensão do emprego das conduções coercitivas (quando alguém é levado pela polícia para interrogatório), um dos expedientes comumente usados pelos investigadores da Lava Jato. Neste ano, Mendes, na condição de presidente da Justiça Eleitoral, também votou pela absolvição da chapa Dilma-Temer em junho.

Em 2018, existe a expectativa que parta dele outro voto que deve impactar o futuro da Lava Jato: a reversão da decisão que determina a prisão em segunda instância. Em 2016, um placar de 6 a 5 garantiu a medida, mas o tema deve voltar ao STF em 2018, e Mendes, que havia votado a favor, já indicou que pretende rever sua posição. Também há dúvidas se o ministro Alexandre de Moraes vai manter o voto do seu antecessor, o ministro Teori Zavaski, que morreu em um acidente aéreo em janeiro e também era favorável à medida.

(Com a Deutsche Welle)

Para Neide Pessoa e para todos os que lutam por um mundo melhor


Saúde, liberdade e luta em 2018

Juan Kalvellido/Divulgação

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Jovem pai vira celebridade online após pintar retratos das filhas


                                        

                                                

                                           

Wan Li, um homem chinês de 32 anos, se tornou uma celebridade online devido aos retratos pintou das suas duas filhas.

Os retratos a  óleo incorporam elementos de pintura tradicional chinesa, revelando uma beleza única do país oriental.

De acordo com Wan, suas filhas são muito jovens para serem modelos de pintura, então ele usou fotos como fonte de inspiração.

O jovem pai passa oito a dez horas por dia pintando, sendo que cada tela pode levar até vários meses para terminar.

Até à data concluiu um total de 15 pinturas em três anos.

"As pinturas me fazem lembrar dos primeiros tempos de vida delas e, a partir delas, posso imaginar o seu futuro", disse Wan. 

(Com o Diário do Povo)

8ª Velada Libertária


MEMÓRIA


                                              
Carlos Marighella: o negro baiano que incendiou o mundo


A história do comunista, poeta e homem solidário que deixou um legado de luta e resistência para o povo brasileiro

Jamile Araújo

Brasil de Fato | Salvador (BA), 27 de Dezembro de 2017 às 11:32

Nessa edição zero, o Brasil de Fato Bahia homenageia Carlos Marighella, um negro baiano que dedicou a vida para lutar pela liberdade e por uma nova sociedade. Um homem a frente do seu tempo, que deixou um legado de luta e resistência. No último dia 5 de dezembro completou-se 106 anos de seu nascimento.. Entrevistamos seu filho, Carlos Augusto Marighella, que contou um pouco do Marighella filho, irmão e pai amável, solidário, aluno brilhante, poeta e amante das manifestações populares.



A ORIGEM DE MARIGHELLA

Carlos Marighella era uma pessoa comum, uma pessoa do povo. A nossa família é fruto da união de um operário italiano, Augusto Marighella, que veio para Salvador e trabalhou como mecânico, e uma negra hauçá vinda de Santo Amaro, Maria Rita do Nascimento. Eles casaram em Salvador, formando uma família com oito filhos. Moravam na Baixa dos Sapateiros, na Rua Barão do Desterro, onde meu avô tinha uma oficina. Meu pai foi o filho mais velho deles.

Quando meu avô chegava de noite em casa, trazia o jornal que meu pai gostava de ler. Trazia uma vela, porque Salvador não tinha luz à noite. Meu pai dizia que aguardava ansiosamente, porque era o momento que tinha pra ler e tomar conhecimento das noticias.

UM ALUNO BRILHANTE



Vó Mocinha, uma das minhas avós "postiças", contava que, desde pequeno, meu pai demonstrou ser uma pessoa especial e inteligente. Ela dizia que quando o levava para a escola, ele ia segurando a mão dela e lendo os letreiros de ônibus, anúncios em postes, e parava na frente da banca de revistas e lia os jornais.

Essa foi a primeira grande marca de meu pai. A ponto de, na escola secundária, responder a prova de física em versos e isso foi uma coisa inusitada. A prova ficou exposta no Colégio Central, como uma homenagem ao "aluno brilhante".

“Doutor, a sério falo, me permita,

Em versos rabiscar a prova escrita.

Espelho é a superfície que produz,

Quando polida, a reflexão da luz.

Há nos espelhos a considerar

Dois casos, quando a imagem se formar.”

(Trecho da prova de Física respondida em versos em 1923)

DE ESTUDANTE DE ENGENHARIA AO PARTIDO COMUNISTA

Como estudante na Escola de Engenharia da Bahia, Marighella foi correspondente da Revista Brasileira de Matemática, uma revista cientifica que discutia problemas de matemática.

A Escola de Engenharia, recentemente, me chamou porque selecionaram os 100 engenheiros mais importantes da Escola. Marighella consta como um dos nomes mais brilhantes, por seu desempenho e suas notas. Ele foi o único desses 100 que não se formou.

Um dia lhe perguntam: “Mas Marighella por que você, com um futuro tão brilhante, abandonou essa carreira, que lhe daria muita glória?”. Ele disse: “Abandonei a carreira para me dedicar à atividade politica, porque não via honra em ser engenheiro num país em que as crianças precisam trabalhar para comer”.

O Brasil tinha mais da metade da população analfabeta. E foi isso, provavelmente, que fez Marighella ingressar no partido comunista.Ele sempre teve esse espirito libertário, essa vontade transformadora. Entrou no PCB - Partido Comunista do Brasil e saiu da Bahia para ser o “Guerrilheiro que incendiou o mundo”. E dedicou toda a sua vida a luta politica a partir daí.



DEFENSOR DA LIBERDADE E INIMIGO DA DITADURA

Em 1932, foi preso por um poema sarcástico sobre o governador Juracy Magalhães, um interventor nomeado por Getúlio. Ainda na ditadura Vargas, foi preso novamente, passando nove anos. Saiu da prisão e se elegeu deputado Constituinte. Foi eleito em 1946 e em 1947 o PCB foi cassado, com o acirramento da disputa entre EUA e URSS. Era como uma democracia de “araque”.

Então, Marighella foi para a clandestinidade até 1955, quando Juscelino foi eleito e passaram a uma semilegalidade. Nasci em 1948 e só conheci meu pai quando tinha sete anos, apesar de conviver com a família. Minha mãe não conseguia me registrar como Marighella. E a escola ficava “aporrinhando” minha mãe para mandar o documento. Fiquei até essa idade sem documento.

Veio o golpe de 64. Foi terrível para nós. Fui separado de meu pai novamente. Morava com ele no Rio de Janeiro. A polícia invadiu o apartamento que morávamos, e levou tudo, até livros e roupas. Meu pai e Clara [a esposa dele] conseguiram fugir. Ele foi preso e sua foto saiu nos jornais. Aí fui identificado como um Marighella. Fui comunicado que não poderia estudar mais na escola por ser filho de um subversivo e voltei para a Bahia.

Naquela época ser um Marighella era não poder trabalhar. Eu mesmo passei na Petrobras e fiquei um ano até que descobriram que eu era filho de Marighella e me demitiram.

Em 1969, meu pai foi assassinado em uma emboscada em um Convento em São Paulo. E muita gente dizia: “Como que ele foi ao convento, sabendo que o momento era de risco?”. Mas ele foi ao Convento porque queria tirar os padres de lá. Imaginava que estavam correndo sério risco. Ele tinha esse senso de responsabilidade e de solidariedade.

A morte dele foi comemorada pela ditadura, pois era considerado seu “inimigo nº 1”. Não pela ameaça material que representava, mas pelo exemplo. Ele foi uma pessoa que deu exemplo, se sacrificou para ser coerente com sua postura politica. Era um incentivo a luta de resistência. A ditadura temia que o exemplo se propagasse.

APRECIADOR DAS MANIFESTAÇÕES POPULARES

Apesar do estigma de subversivo e terrorista, meu pai era carinhoso, uma pessoa risonha, fazia poemas, gostava de música e carnaval. Você via na expressão dele que gostava das manifestações populares. Tem uma história do dia que foi na Mangueira e ficou extasiado com o samba. Achava impressionante um povo pobre que vivia em barracos e conseguia se reunir pra cantar e dançar. Acho que se via naquelas pessoas. Ele que veio de uma família pobre e negra.

Chegou ao Rio e viu esses mesmos pretos ali sambando, alegres. Eu acho que ele via nessa expressão de felicidade um incentivo para ele lutar. É melhor lutar com pessoas alegres do que tristes, não é? A luta era a mesma, mas ele tinha certeza que estava lutando por um povo preparado para viver a felicidade, um mundo diferente daquele que essas pessoas viviam.

O LEGADO DE MARIGHELLA

Marighella foi uma pessoa grandiosa. Ao resgatar a memória dele, estamos prestando um grande serviço. São símbolos que podem nos inspirar para realizar as transformações na sociedade, fazer do Brasil um país novo, com um novo homem e nova mulher.

A família Marighella gostaria que a casa na Baixa dos Sapateiros, que hoje está em ruínas, virasse um memorial, permitindo que todos que reconhecem e tem orgulho de Marighella tivessem esse espaço vivo.

Em um evento que debateu a importância das eleições no Brasil, uma estudante do Colégio Carlos Marighella disse que, assim como meu pai, tinha vindo de uma família negra, pobre e da periferia e que o via como uma inspiração. Ela afirmou que, seguindo os seus passos, poderia realizar os sonhos que ele não conseguiu, que também eram os sonhos dela. Isso para mim foi uma síntese do porquê devemos resgatar a memória de Marighella.

(Com o Brasil de Fato)

A reforma da previdência é palco de controvérsia...


A escravidão moderna

                                                                             
                                                                         
 Francisco Arias Fernández

Resumen Latinoamericano

É assim que as mídias e entidades internacionais descrevem um grupo de pessoas submetidas a formas de escravidão, das quais milhões de seres humanos são vítimas em todos os pontos cardeais do planeta no século XXI.

Mais de 45 milhões de pessoas hoje vivem em condições de “escravidão moderna”, servindo em embarcações de pesca devido a dívidas, sujeitas a casamentos forçados, detidas contra a vontade, como empregados domésticos ou presos em prostíbulos sob ameaça de violência.

O Global Slavery Index 2016, publicado anualmente pela organização Walk Free Foundation, na Austrália, define a escravidão como uma “situação de exploração a que uma pessoa não pode recusar devido a ameaças, violência, coerção, abuso de poder ou manipulação”.

Embora quase todos os países tenham declarado a escravidão ilegal, ela continua a existir e na Ásia há quase 35% de vítimas.

De acordo com um relatório da BBC News, grupos de direitos humanos afirmam que milhares de pessoas são obrigadas a trabalhar em barcos de pesca, onde podem ficar por anos sem mesmo poder ver a costa.

Muitas vítimas afirmam que foram enganadas por intermediários que lhes prometeram empregos em uma fábrica e depois levaram para barcos de pesca nos quais foram forçados a trabalhar. Um birmanês que escapou de seus traficantes informou que ele foi forçado a embarcar em um pequeno navio no mar aberto, onde ele tinha que pescar 20 horas por dia sem receber um pagamento.

“As pessoas disseram que quem tentou escapar teve as pernas ou as mãos quebradas, foi jogado ao mar ou morto”, disse ele à BBC.

Outra modalidade é trabalho forçado em fábricas de maconha e salões de manicure. Os números sugerem que poderia haver entre 10.000 e 13.000 vítimas da escravidão no Reino Unido provenientes de vários países da Europa Oriental, África e Ásia, incluindo crianças. Muitas vítimas são informadas de que suas famílias serão feridas se tentarem fugir.

Uma vítima tinha 16 anos quando chegou no Reino Unido na esperança de ganhar dinheiro para enviar a sua família. Em vez disso, ela foi forçada a trabalhar em uma “fábrica” ​​de maconha, uma casa onde grandes quantidades de plantas são cultivadas.

“Lembro-me de perguntar ao homem que me levou lá se podia sair porque não gostava dele, mas ele ameaçou me vencer ou me deixar morrer de fome”, disse a vítima. O jovem foi preso quando a polícia invadiu a casa e acabou sendo acusado de crimes relacionados a drogas.

Enquanto isso, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que existem cerca de 4,5 milhões de vítimas de exploração sexual forçada no mundo.

Shandra Woworuntu, uma ativista contra o tráfico de seres humanos, foi forçada à escravidão sexual nos Estados Unidos em 2001. A mulher deixou a Indonésia, com a promessa de trabalhar na indústria hoteleira daquele país, mas os intermediários que a receberam no aeroporto a entregaram aos traficantes armados, que a forçaram a realizar o trabalho sexual.

“Eles me disseram que eu devia US $ 30.000 e que eu pagaria a dívida com 100 cada vez que eu servisse a um homem”, denunciou. Finalmente ela conseguiu escapar e ajudou a localizar um bordel onde havia outras vítimas de tráfico.

Muitas crianças na Europa, Ásia, África, América Latina e Oriente Médio são forçadas por criminosos a pedir esmolas nas ruas. Uma vítima disse aos investigadores: “Mesmo que eu consiga esmolas, eles não me pagam nada. Eu tenho que dar-lhes tudo o que eu ganho. Eles me privam de comida e não consigo dormir bem. Eles não me pagam salário, isso é apenas servidão “.

Outra vítima diz: “Não posso te dizer nada porque tenho medo constante. Meu empregador me ameaçou; se seu disser algo a alguém, ele me punirá de maneira severa “.

A análise da Fundação Walk Free estima que 2,16 milhões de pessoas nos países das Américas estão em condições de escravidão moderna, associada ao comércio e exploração sexual, trabalho forçado em plantações de cana, tomate, arroz, fazendas, fábricas, varejo e no setor de construção.

Outra nova forma de escravidão é a “au pair”: pessoas – principalmente mulheres jovens – que viajam para um país diferente do seu para ajudar uma família cuidando de seus filhos. Em troca dessa ajuda, eles recebem alojamento, comida e algum dinheiro.

É uma prática comum na Europa e nos Estados Unidos. Mas, em alguns casos, a falta de legislação sobre o assunto levou a que essa ocupação se tornasse uma forma de “escravidão moderna”, segundo alguns especialistas.

A palavra “au pair” significa “em par” ou “igual a” e refere-se ao fato de que “au pairs” são tratados como um membro da família, mas um acadêmico especializado no emprego dessas pessoas no Reino Unido denuncia que a maneira como eles são recrutados e tratados parece típico do “Oeste Selvagem”. Além disso, muitos relataram maus tratos e abusos trabalhistas – que fazem fronteira com a escravidão – por famílias de acolhimento.

Embora não haja números oficiais, nota-se que pode haver cerca de 100 000 “au pair” apenas no Reino Unido, 75% dos quais moram em Londres.

O relatório aponta que uma grande parte da escravidão moderna não é visível para o público. É realizada em lares e fazendas privadas.
                                                                   
No entanto, à luz do sol emerge outra tragédia global que é o tráfico de pessoas que são vítimas de milhões de seres humanos no mundo. A própria BBC reproduziu recentemente o testemunho de um jovem africano que, tentando chegar à Europa, foi vendido três vezes aos traficantes de escravos.

Harun Ahmed é um dos milhares de jovens etíopes que, nos últimos anos, viajaram pelo Sahara para a Líbia, e daí para a Europa, em busca de uma vida melhor. Ele finalmente chegou na Alemanha, mas só depois de sobreviver após meses de tortura e fome nas mãos de três traficantes de escravos que compraram e vendiam migrantes como se fossem gado.

(Com Cubadebate/Site do PCB)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

SONETO DO DISPARATE VERMELHO


                                                               
Clóvis Campêlo

Um dia, pintei-me de vermelho
só para negar ao mundo
o seu azul mais profundo,
do qual não quis ser o espelho.

Também neguei o poeta
que pintara os seus sapatos
no mesmo tom insensato,
na sua matriz predileta.

Prossegui no disparate
de uma nova fantasia,
iniciando o embate,

dessa nova alegoria,
e nesse novo arremate,
reinventando a poesia.

Recife, 2011

(Com o Pravda.Ru)

Retrospectiva 2017, pela DW

América Latina: o pêndulo desloca-se para a direita


                                                                      
James Petras

Um importante ponto de situação da evolução política na América Latina. Obviamente controverso, como seria inevitável face a um conjunto tão complexo de processos, tendências, comportamentos das classes em confronto e sua expressão no plano social e político, activa intervenção e ingerência imperialista. Um interessante confronto, também, com a entrevista da embaixadora Claudia Salerno Caldera que publicámos em 23.12.2017

Introdução

É evidente que na América Latina o pêndulo se deslocou nos últimos anos para a direita. Desta observação surgem numerosas perguntas. ¿De que tipo de direita estamos a falar? ¿Por que prospera? ¿São sustentáveis os regimes direitistas? ¿Quem são os seus aliados e os seus adversários internacionais? Uma vez no poder, ¿como lhes têm corrido as coisas e quais são os critérios porque se mede o seu êxito ou o seu fracasso?

Embora a esquerda esteja em retrocesso, retêm o poder em alguns estados. Surgem perguntas como: ¿Quais são as características da esquerda actual? ¿Porque se mantêm alguns regimes enquanto outros estão em decadência ou foram derrotados? ¿Poderá a esquerda recuperar a sua influência? ¿Que condições são necessárias para isso? ¿Que programa deve elaborar para atrair o eleitorado?

Começamos por examinar o carácter e as políticas da direita e da esquerda e para onde se dirigem, para concluir analisando as dinâmicas dos seus programas, alianças e perspectivas futuras.

A direita radical: O rosto do poder

A pretensão dos regimes de direita é por em marcha mudanças estruturais: querem reordenar a natureza do Estado, as relações sociais e económicas, a política exterior e as alianças económicas. Regimes de direita radical governam no Brasil, Argentina, México, Colômbia, Peru, Paraguai, Guatemala, Honduras e Chile.

Os regimes de extrema-direita lançaram-se a mudanças bruscas alguns países, enquanto em outros as vão incorporando gradualmente. As transformações sofridas por Brasil e Argentina são exemplos de mudanças extremadamente regressivas destinadas a inverter a distribuição da renda, as relações de propriedade, as alianças internacionais e as estratégias militares. 

O objectivo é redistribuir os rendimentos de maneira ascendente, voltar a concentrar a riqueza e a propriedade no extremo superior da pirâmide social e em elementos externos ao país, e colar-se à doutrina imperial. Estes regimes estão dirigidos por governantes que falam abertamente a favor dos investidores nacionais e estrangeiros mais poderosos e são generosos na adjudicação de subsídios e recursos públicos: praticam uma espécie de “populismo para plutocratas”.

A chegada ao poder e a consolidação de regimes de extrema-direita em Argentina e Brasil baseou-se em varias intervenções decisivas, que combinam eleições e violência, purgas e cooptações, propaganda nos meios de comunicação de massas e profunda corrupção.

Mauricio Macri contou com o apoio dos principais media convencionais, encabeçados pelo grupo do diário Clarín, bem como pela imprensa financeira internacional (Financial Times, Wall Street Journal). Os especuladores de Wall Street e o aparelho político de Washington no estrangeiro subsidiaram a sua campanha eleitoral.

Macri, a sua família, os seus amigalhaços e os seus cúmplices financeiros transferiram recursos públicos para contas privadas. Os caciques políticos de províncias e as suas actividades clientelares uniram-se aos sectores endinheirados de Buenos Aires para assegurar o voto na capital. 

Uma vez eleito, o regime de Macri transferiu 5.000 milhões de dólares para o conhecido especulador de Wall Street, Paul Singer, assinando um crédito multimilionário, com altas taxas de juro; multiplicou por seis o imposto sobre alguns serviços; privatizou o petróleo, o gás e terrenos públicos; e despediu dezenas de milhares de funcionários.

Macri organizou uma purga política e a detenção de dirigentes da oposição, incluindo a antiga presidenta Cristina Fernández Kirchner. Vários activistas das províncias foram encarcerados ou inclusivamente assassinados.

Macri exemplifica a figura do triunfador segundo a perspectiva de Wall Street, Washington e da elite empresarial portenha. Os salários dos trabalhadores argentinos reduziram-se. As empresas de serviços garantiram os maiores lucros da história. Os banqueiros duplicaram o índice de lucros. Os importadores converteram-se em milionários. Os rendimentos da agro-indústria dispararam ao serem reduzidos os seus impostos. Mas para as pequenas e médias empresas argentinas, o regime de Macri foi um autêntico desastre. 

Milhares delas faliram devido ao elevado custo de alguns serviços e à feroz competição das importações chinesas baratas. Para além da queda dos salários, o desemprego e o subemprego duplicaram e o índice de pobreza extrema triplicou.

A economia luta para se manter à tona. O financiamento da dívida não conseguiu promover o crescimento, a produtividade, a inovação e as exportações. O investimento estrangeiro foi favorecido, conseguiu pingues benefícios e envia os seus lucros para fora do país. A promessa de prosperidade apenas beneficiou um quarto da população.

Para debilitar o descontentamento público fruto destas medidas, o regime silenciou as vozes dos meios de comunicação independentes, deu rédea solta aos bandos de rufias que actuam contra os críticos e cooptou os chefes sindicais maleáveis para quebrar as greves.
Os protestos públicos e as greves multiplicaram-se, mas o governo fez orelhas moucas e multiplicou a repressão. Os líderes populares e os activistas foram estigmatizados por jornalistas a soldo financiados pelo governo.
                                                        
A menos que se produza um grande levantamento social ou um colapso económico, Macri aproveitará a fragmentação da oposição para assegurar a reeleição que lhe permita seguir actuando como um gângster de Wall Street. Macri está disposto a assinar novas bases militares e acordos de livre comércio com os EUA bem como a incrementar a colaboração com a sinistra polícia secreta de Israel, a Mossad.

O Brasil pôs em prática as mesmas políticas direitistas de Macri. Depois de se apossar do poder mediante uma operação de destituição fraudulenta, o grande vigarista Michel Temer procedeu de imediato ao desmantelamento da totalidade do sector público, a congelar os salários por vinte anos e a ampliar a idade de reforma entre mais cinco e dez anos. Temer esteve à cabeça de um milhar de eleitos corruptos no saque multimilionário da empresa estatal de petróleo e de múltiplos grandes projectos de infra-estruturas.

Golpes, corrupção e abusos ficaram ocultos por um sistema que garante a impunidade dos congressistas, até que alguns promotores públicos independentes investigaram, acusaram e meteram na prisão várias dezenas de políticos, mas sem chegar a Temer. Apesar de contar com 95 por cento de desaprovação popular, o presidente Temer mantém-se no cargo com o apoio absoluto de Wall Street, do Pentágono e dos banqueiros de São Paulo.

Por outro lado, no México, o narco-estado assassino, continuam-se alternando no poder os dois partidos ladrões, o PRI e o PAN. Milhares de milhões de dólares obtidos de forma ilícita por banqueiros e empresas mineiras canadenses e estado-unidenses continuam viajando para paraísos fiscais para a sua conveniente lavagem. Os fabricantes mexicanos e internacionais amassaram imensos lucros que exportam para contas no estrangeiro e paraísos fiscais . 

O país superou o seu triste record de evasão de impostos aa mesmo tempo que ampliava as suas “zonas de livre comércio”, sinónimo de salários baixos e impostos reduzidos para as empresas. Milhões de mexicanos cruzaram a fronteira para fugir do capitalismo mafioso e depredador. O fluxo de centenas de milhões de dólares de lucros propriedade de multinacionais canadenses e estado-unidenses são o resultado do “intercambio desigual” de capital estado-unidense e mão de obra mexicana, que se mantém em vigor graças ao fraudulento sistema eleitoral mexicano.

Pelo menos em duas ocasiões bem documentadas, as eleições presidenciais de 1988 e 2006, os candidatos de esquerda Cuahtemoc Cárdenas e Manuel López Obrador ganharam com suficiente margem sobre os seus competidores, e viram como posteriormente uma contagem fraudulenta dos votos lhes roubava o seu triunfo.

No Peru, os regimes extractivistas de direita têm alternado entre a ditadura sangrenta de Fujimori e regimes eleitorais corruptos. O que se mantém sem mudanças na política peruana é a entrega dos recursos minerais do país ao capital estrangeiro, a persistente corrupção e a exploração brutal dos recursos naturais por parte de corporações mineiras dos EUA e Canadá, em regiões habitadas por comunidades indígenas.

A extrema-direita expulsou do poder os governos de centro-esquerda eleitos de Fernando Lugo, no Paraguai (2008-2012) e Manuel Celaya em Honduras (2006-2009), com o apoio activo e a aprovação do Departamento de Estado dos EUA. Os seus narco-presidentes exercem agora o poder mediante a repressão contra os movimentos populares e o assassínio de dezenas de camponeses e activistas urbanos. Este ano, uma eleição toscamente amanhada em Honduras assegurou a continuidade do regime corrupto e das bases militares estado-unidenses.

A difusão da extrema-direita desde a América Central e México até ao Cone Sul está a preparar o terreno para a reimplantação de alianças militares com os Estados Unidos e acordos comerciais regionais.

O ascenso da extrema-direita garante as privatizações mais lucrativas e os maiores lucros para os créditos outorgados por bancos estrangeiros. A extrema-direita está preparada para esmagar o descontentamento popular e os desafios eleitorais por meio da violência. Permite, quando muito, que umas poucas elites com pretensões nacionalistas se vão alternando no poder para apresentar uma fachada de democracia eleitoral.

A viragem do centro-esquerda para o centro-direita

O deslocamento político no sentido da extrema-direita estendeu-se como uma onda, e os governos nominais de centro-esquerda deslocaram-se para o centro-direita.

O exemplo mais claro oferece-o o Uruguai governado pelo Frente Amplio de Tabare Vázquez, e o Equador, com a recente eleição de Lenin Moreno, da Alianza País. Em ambos os casos o terreno já tinha sido preparado ao reconciliarem-se estes partidos com os oligarcas dos partidos tradicionais direitistas.

Os anteriores governos de centro-esquerda de Rafael Correa, no Equador, e José Mújica no Uruguai conseguiram fomentar o investimento público e as reformas sociais, usando uma retórica de esquerda e capitalizando para financiar as suas reformas o aumento global de preços e a elevada procura das exportações agro-minerais. Com a queda dos preços mundiais e a exposição pública dos casos de corrupção, os recém-eleitos partidos de centro-esquerda nomearam candidatos de centro-direita que converteram as campanhas anticorrupção em veículos para a adopção de políticas económicas neoliberais.

Os novos presidentes de centro-direita marginalizaram os sectores mais à esquerda dos seus respectivos partidos. No caso de Equador, o partido fraccionou-se e o novo presidente aproveitou para mudar as suas alianças internacionais afastando-se da esquerda (Bolívia e Venezuela) e aproximando-se dos Estados Unidos e da extrema direita, ao mesmo tempo que abandonava o legado do seu predecessor quanto a programas sociais populares.

Com a queda de preços dos produtos de exportação, os regimes de centro-direita ofereceram generosos subsídios aos investidores estrangeiros em agricultura e silvicultura no Uruguai e aos proprietários de minas e exportadores no Equador.

Os recém-convertidos regimes de centro-direita aproximaram-se dos seus homónimos já instalados no Chile e uniram-se ao Acordo Transpacífico de Cooperação Económica (TPP), com as nações asiáticas, Estados Unidos e a União Europeia.

O centro-direita tem tentado manipular a retórica social dos anteriores governos de centro-esquerda com o fim de reter o eleitorado popular ao mesmo tempo que se assegurava do apoio das elites empresariais.

A esquerda desloca-se para o centro-esquerda

O governo de Evo Morales em Bolívia tem demonstrado uma capacidade excepcional para manter o crescimento, assegurar a reeleição e neutralizar a la oposição combinando uma política exterior de esquerda radical com uma economia mista público-privada de carácter moderado. Apesar de a Bolívia condenar o imperialismo estado-unidense, as principais multinacionais do petróleo, do gás, dos metais e do lítio realizaram fortes investimentos no país. Evo Morales moderou a sua postura ideológica passando do socialismo revolucionário a uma versão local de democracia liberal.

Ao adoptar a economia mista, Evo Morales conseguiu neutralizar qualquer hostilidade aberta por parte dos Estados Unidos e dos novos governos de extrema-direita da região.

Mantendo a sua independência política, a Bolívia integrou as suas exportações com os regimes neoliberais da região. Os programas económicos moderados do seu presidente, a diversificação das exportações minerais, a responsabilidade fiscal, as graduais reformas sociais e o apoio de movimentos sociais bem organizados permitiram a estabilidade política e a continuidade social, apesar da volatilidade dos preços das matérias primas.

Os governos de esquerda da Venezuela, com Hugo Chávez e Nicolás Maduro seguiram, com duras consequências, um curso divergente. Totalmente dependente dos preços internacionais do petróleo, a Venezuela procedeu ao financiamento de generosos programas assistenciais, no âmbito interno e no exterior. Sob a liderança do presidente Chávez, a Venezuela adoptou uma consequente política anti-imperialista e opôs-se ao acordo de livre comércio promovido pelos EUA (ALCA) com uma alternativa anti-imperialista, a Alianza Bolivariana para las Américas (ALBA).

Os programas sociais progressistas e as ajudas económicas aos aliados estrangeiros, sem dedicar recursos a diversificar a economia e os mercados nem incrementar a produção, assentavam nos rendimentos elevados constantes procedentes de um único e volátil produto de exportação: el petróleo.

Ao contrário da Bolívia de Evo Morales, que edificou o seu poder com o apoio de uma base popular organizada, disciplinada e com consciência de classe, a Venezuela contava com uma aliança eleitoral amorfa composta por habitantes dos subúrbios humildes, trânsfugas dos partidos tradicionais corruptos (de todo o espectro) e oportunistas en busca de um lugar e de beneficios. A educação política reduzia-se a palavras de ordem para entoar em coro, vivas ao presidente e à distribuição de bens de consumo.

Os tecnocratas e políticos venezuelanos afins ao regime ocupavam posições muito lucrativas, sobretudo no sector petroleiro, e não tinham que prestar contas ante comissões de trabalhadores ou auditorias públicas competentes. A corrupção era generalizada e milhares de milhões de dólares procedentes da riqueza petroleira foram roubados. 

Este saque era tolerado pelo fluxo constante de petrodólares motivado pelos elevados preços históricos e o auge da procura. Tudo isso conduziu a um estranho cenário em que o governo falava de socialismo e financiava enormes programas sociais enquanto os principais bancos, a distribuição de alimentos, a importação e os transportes eram controlados por oligarcas hostis ao regime que embolsavam enormes lucros enquanto engendravam a escassez de produtos e promoviam a inflação. 

Apesar de todos estes problemas, os votantes venezolanos avalizaram o governo numa serie de vitórias eleitorais, sem se voltarem para os agentes dos EUA ou os políticos da oligarquia. Esta dinâmica de triunfos levou o regime a pensar que o modelo socialista bolivariano era irrevogável.

A precipitada queda dos preços do petróleo, da procura global e dos rendimentos procedentes das exportações levou a um retrocesso das importações e do consumo. Ao contrário da Bolívia, as reservas de divisas minguaram, o saque rampante de milhares de milhões surgiu finalmente à luz e a oposição direitista apoiada pelos EUA recorreu à “acção directa” violenta e à sabotagem, ao mesmo tempo que açambarcava alimentos, bens essenciais de consumo e medicamentos. 

A escassez deu lugar a um mercado negro generalizado. A corrupção do sector público e o controlo que a oposição hostil exerce sobre a banca privada, o sector mineiro e industrial paralisou, com o apoio dos Estados Unidos, a economia. A economia entrou em queda livre e o apoio eleitoral debilitou-se. Apesar dos graves problemas do regime, a maioria de votantes de rendimento baixo compreendeu que as suas probabilidades de sobreviver sob a oposição oligárquica apoiada pelos EUA seriam ainda piores, e a assediada esquerda continuou a ganhar as eleições regionais e municipais celebradas durante 2017.

A vulnerabilidade económica da Venezuela e o índice de crescimento negativo provocaram um aumento da dívida pública. A hostilidade dos regimes de extrema-direita da região e as sanções económicas ditadas por Washington acentuaram a escassez de alimentos e o desemprego.

A Bolívia, pelo contrário, conseguiu derrotar as tentativas de golpe de Estado promovidas pelas elites locais e pelos EUA entre 2008 e 2010. A oligarquia regional de Santa Cruz teve que decidir entre compartilhar os seus lucros e a estabilidade social selando pactos sociais (com trabalhadores e camponeses, a capital e o Estado) com o governo de Morales ou fazer frente a uma aliança do governo e do movimento sindical dispostos a expropriar as suas possessões. As elites optaram pela colaboração económica mantendo uma discreta oposição eleitoral.
                                                                               
Conclusão

A esquerda perdeu quase todo o poder estatal. É provável que a oposição à extrema-direita siga em aumento dado o grave e inflexível ataque que estão sofrendo os rendimentos e as pensões; o aumento do custo de vida; as graves reduções nos programas sociais e os ataques ao emprego no sector público e no privado. A extrema-direita tem varias opções e nenhuma delas oferece concessões à esquerda. Fizeram a escolha de reforçar as medidas policiais (a “solução Macri”); tentam fragmentar a oposição negociando com líderes sindicais e políticos oportunistas; e substituem os governantes caídos em desgraça por novas caras que continuem as suas mesmas políticas (a solução brasileira).

Os antigos partidos, movimentos e dirigentes revolucionários de esquerda evoluíram no sentido da política eleitoral, dos protestos e da acção sindical. De momento, não representam uma alternativa política a nível nacional.

O centro-esquerda, especialmente em Brasil e Equador, está numa posição forte e conta com líderes dinâmicos (Lula Da Silva e Correa) mas tem que se enfrentar com acusações falsas promovidas por promotores públicos direitistas que pretendem excluí-los da contenda eleitoral. A menos que os reformistas de centro-esquerda tomem parte em acções de massas prolongadas e de grande escala, a extrema-direita conseguirá debilitar a sua recuperação política.

O Estado imperial dos EUA recuperado temporariamente regimes fantoches, aliados militares e recursos e mercados económicos. A China e a União Europeia aproveitam-se das óptimas condições económicas que os regimes de extrema-direita lhes oferecem. O programa militar estado-unidense conseguido neutralizar a oposição radical em Colômbia e o regime de Trump impôs novas sanções a Cuba e Venezuela.

Mas a celebração triunfalista do regime de Trump é prematura: não conseguiu nenhuma vitória estratégica decisiva, apesar dos progressos a curto prazo conseguidos em México, Brasil e Argentina. Não obstante, as grandes fugas de lucros, transferências de propriedades a investidores estrangeiros, taxas fiscais favoráveis, baixas taxas alfandegárias e as políticas de comércio não geraram ainda novas infra-estruturas produtivas, crescimento sustentável nem asseguraram as bases económicas. 

A maximização dos lucros e a negligência nos investimentos em produtividade e inovação para promover a procura e os mercados internos provocaram a bancarrota de milhares de pequenos e médios comerciantes e industriais locais. Isto traduziu-se num aumento do desemprego crónico e do emprego de má qualidade. A marginalização e a polarização social estão a crescer à falta de liderança política. Essas condições provocaram levantamentos “espontâneos” na Argentina em 2001, no Equador em 2000 e na Bolívia em 2005.

Pode suceder que a extrema-direita no poder não provoque uma rebelião da extrema-esquerda, mas as suas políticas seguramente irão socavar a estabilidade e a continuidade dos regimes actuais. No mínimo, podem fazer surgir certa versão do centro-esquerda que restaure os regimes de bem-estar e emprego actualmente desmantelados.

Entretanto, a extrema direita continuará pressionando com o seu plano perverso que combina um profundo retrocesso do bem-estar social, a degradação da soberania nacional e o estancamento económico com uma formidável maximização dos lucros.

Artigo original: https://petras.lahaine.org/latin-america-the-pendulum-swings-to/.

(Com odiario.info)

Alicia beija o tempo (Alícia Alonso esteve em BH, apresentando-se no Palácio das Artes e visitando os principais jornais. José Carlos Alexandre)

                                                          
Em 21 de dezembro, a prima ballerina assoluta completou 97 anos de vida

Miguel Cabrera(*)

ALICIA — nossa Alicia — porque ela, em sua Ilha, não precisa de patronímico, chega ao seu 97º aniversário natalício, cercada do carinho, a admiração e o respeito não só de seus compatriotas, mas de toda a legião de fãs que conquistou nos quatro cantos do mundo.

Nascida em 21 de dezembro de 1920, na casa formada pelo tenente veterinário Antonio Martinez Arredondo e a costureira Ernestina del Hoyo, no modesto bairro Pogolotti, de Marianao, em Havana, fez sua estreia como dançarina na Escola de Balé da Sociedade Pró-Arte Musical, de Havana, em 29 de dezembro de 1931, iniciando assim uma corrida como dançarina que marcou um recorde, finalizando 64 anos depois, em 28 de novembro de 1995, no Teatro Massini, em Faenza, Itália, convertida na volátil Farfalla.

Sua órbita estelar não teve limites quanto a paralelos ou meridianos terrestres, quando ele conseguiu representar-nos em 61 países dos cinco continentes e ser uma figura brilhante desde os primeiros dias das comédias musicais do Broadway, até grupos posteriores que ela integrou de forma estável, como o American Ballet Caravan; o Ballet Theatre de Nova York, o Ballet Russo de Montecarlo e o Balé de Washington, nos Estados Unidos e muitos outros no resto do mundo, como estrela convidada.

Sua força técnica, «que tinha 20 anos de antecedência aos padrões do tempo», bem como sua dutilidade estilística, levou-a a interpretar um repertório incrível de 134 títulos, 82 deles em todo o mundo, resultado do trabalho dos mais importantes coreógrafos da tradição romântico-clássica do século XIX, como Jean Dauberval, Jean Coralli, Jules Perrot, Marius Petipa e Lev Ivanov e de 62 dos mais importantes criadores do século XX, entre eles Mikhail Fokine, Eugene Loríng, Anton Dolin, George Balanchine, Antony Tudor, Agnes de Mille, Jerome Robbins, Alberto Alonso e Alberto Méndez, apenas para mencionar os exemplos mais relevantes.

«Desfrutei muito de tudo aquilo que eu dancei, gostei muito, tem sido muito importante para mim, mas Giselle tem um lugar especial na minha vida como dançarina e como ser humano. Foi um forte desafio depois de um longo e difícil descanso. Mas eu venci. Um dançarino, se é um artista real, quando vem ao palco deve estar disposto a dar tudo o que há nele ou morrer no palco», disse ela em uma ocasião.

Embaixadora da República de Cuba, de Boa Vontade e da Dança Mundial para a Unesco, seu desempenho artístico-cultural foi reconhecido em sua terra natal e no resto do mundo com as mais altas distinções, demonstrada nos 222 prêmios nacionais e 264 prêmios internacionais conferidos em 37 países.

Incansável em sua longa luta, ela continua sendo, como bem a definiu Juan Marinello: «Um ímpeto tenaz, frenético e heróico, disparado contra a doença e contra o tempo, rumo à perfeição incansável».

Dançarina, coreógrafa, diretora, representante e defensora da cultura de sua pátria, hoje desafia os obstáculos do tempo, removendo a névoa de sua mente, determinada em não se deixar vencer. Há poucos dias, ao concluir um Conselho de Direção no Ballet Nacional de Cuba, uma instituição que ela guiou com firmeza por 69 anos, levantando a copa com a qual fez um brinde de homenagem ao aniversário de alguns colaboradores próximos, ela nos perguntou: «que coisa é ser velho?».

Nessa frase ela nos resumiu sua chave vital e sua definição mais fiel.

(*) Historiador do Balé Nacional de Cuba

(Com o Granma)

RESSURREIÇÃO

Erick Olivera/La Jiribilla

Andando para trás

Adán Iglesias/Juventud Rebelde

Brasil tem 11,8 milhões de adultos analfabetos


                                   
Dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, de 2016, do IBGE, contabilizam em 11,8 milhões os brasileiros adultos analfabetos. Destes, 14,8% estão no Nordeste, contra 3,6 no Sul. os negros chegam a 9,9%; os brancos são 4,2%. Desse total, a maioria tem 50 anos ou mais. A pesquisa revelou, ainda, que 51% da população com mais de 25 anos tem apenas o ensino fundamental.

Conforme a matéria de O Globo, de 22 de dezembro de 2017, os números mostram que o Brasil não cumpriu uma das metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação, que determinava a redução do analfabetismo a 6,5% até 2015, e sua erradicação até 2024.

Os números são, essencialmente, o resultado do papel restrito demandado à Educação pelo desenvolvimento capitalista brasileiro, que, no caso geral, necessiita de um número relativamente pequeno de trabalhadores mais qualificados e de muitos trabalhadores pouco qualificados. 

Pela natureza do Estado brasileiro, que representa os interesses das grandes empresas e dos ricos, não há vontade política para se promover os investimentos necessários no sistema educacional, seja em instalações, material e equipamentos, salários dos professores e demais profissionais, alimentação e bolsas para os estudantes e outras medidas.

Contribuem em muito, também, para esse quadro a enorme desigualdade existente no país – que recai mais fortemente sobre os negros e obriga boa parte da população jovem a deixar a escola para trabalhar desde cedo – e a falta de estruturas de seguridade social, que obriga a muitos jovens – principalmente do sexo feminino – a largar os estudos para cuidar de irmãos mais novos ou dos pais ou avós idosos.

O acesso e a garantia da permanência de todos os jovens em idade escolar no sistema educacional, até a Universidade, é um direito de todos e um dever do Estado. É uma conquista dos trabalhadores que data da Revolução Francesa e se consagrou nos países que viveram experiências de construção socialista no século XX.

Qualquer projeto de desenvolvimento que não parta da Educação pública e gratuita integral para todos e não a tenha como objetivo central será um projeto limitado e parcial, que não contemplará os anseios de justiça e igualdade social. É hora de unir a classe trabalhadora para a garantia desse e de outros elementos-chave para o desenvolvimento, como a saúde pública, a moradia e a previdência universais.

(Com o site do PCB)

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Hasta siempre, Comandante

Jorge César Saenz/La Jiribilla


Médicos formados em Cuba se espalham pelo mundo


Sete de outubro de 1963. Uma data para a história do movimento operário. Era o "Massacre de Ipatinga". (Reconstrução com a colaboração de Jurandir Persichini, membro da Comissão da Verdade. O semanário "Novos Rumos", que tinha representação em BH, enviou ao local o professor Gilgal Gonçalves que fez uma página a respeito. Repercutindo o fato a direção do jornal enviou a Ipatinga o jornalista Élio Gáspari para nova reportagem. José Carlos Alexandre)

                                                                       
                                                     Contagem dos corpos (na época).
                                

IPATINGA-MG – Considerado por uma grande maioria que era da época e ainda está vivo, como um dos momentos mais tristes da história do Vale do Aço, o confronto de policiais militares com trabalhadores da Usiminas e que ficou conhecido como  "o Massacre de Ipatinga" completa nessa quarta-feira (7/10/15) 52 anos. 

Em 7 de outubro de 1963, trabalhadores da Usiminas protestavam contra as más condições de trabalho e pelas inúmeras humilhações que diziam sofrer no chão da fábrica. Segundo a História, 19 policiais militares estavam em cima de um caminhão e abriram fogo contra os funcionários. Ainda segundo o relato oficial, 8 pessoas morreram, entre elas uma criança de colo na época que deu nome ao "Hospital Municipal de Ipatinga Eliane Martins", e 79 ficaram feridas. Porém, quem esteve no confronto afirma que muitos corpos desapareceram naquele dia e não foram contabilizados.

O assunto virou tabu. Traz sobre si uma ideia de revolta e mistério, recheada por divergências que vão desde a definição dos culpados até a quantidade de vítimas. Mas em uma coisa todos concordam: houve um fato grave que mudou os rumos da cidade e principalmente a relação entre a que seria a maior empresa da região e seus colaboradores. 

Aliás, a cidade mãe era Coronel Fabriciano, que aproximadamente 6 meses depois da tragédia, em 29/04/1964 é que foi emancipado o lugarejo que chamava-se "Pouso de Águas Limpas" ou simplesmente "Distrito de Barra Alegre" o qual denominou-se o município de Ipatinga.

Em 2013, a Comissão Nacional da Verdade esteve em Ipatinga para discutir o que realmente aconteceu naquele fatídico dia. 50 anos depois, novas evidências sobre o número de mortos e desaparecidos foram levantadas. Os dados oficiais foram contestados. Não seriam apenas 8 pessoas mortas e 79 feridas, pois documentos e relatos de testemunhas teriam apontado que foram mortos, no mínimo, 32 trabalhadores.
                                                              
                                                        Audiência Pública "Massacre Ipatinga"

Geraldo dos Reis Ribeiro, presidente do sindicato organizou uma reunião no dia anterior. Mais do que testemunha, ele foi parte integrante dessa história que chega aos 52 anos e se mantém cheia de mistérios e abre espaço para que o imaginário popular comece a se confundir com a realidade dos fatos. Com o passar dos tempos, certamente as duas versões se confundirão.
                                                                     
Durante a audiência pública da Comissão da Verdade em Ipatinga um momento histórico, Cley Vilian Sathler era o motorista do caminhão que levava os soldados e a metralhadora. No dia seguinte, quando ia buscar comida para os militares, o veiculo foi destruído pelos operários, em vingança pelas mortes dos colegas. O motorista reencontra, após 50 anos, um dos operários que destruiu o caminhão, Jurandir Persichini Cunha, hoje membro da Comissão da Verdade.

                                                                 
                     Na época a notícia do Massacre de Ipatinga, foi anunciada nos grandes jornais do país.


Relembrando

O grupo de Iniciação ao Teatro do Oprimido, dirigido pela atriz Claudiane Dias, prepara uma intervenção artística para relembrar os 52 anos do Massacre de Ipatinga. A atividade acontece nesta quarta-feira, 07 de outubro, às 15h, no Monumento do Massacre de Ipatinga, em frente ao Camelódromo, no Centro. O objetivo é resgatar a história do episódio relacionando-o com as opressões sofridas pela classe trabalhadora e pelos excluídos na atualidade.


Curta, www.fb.com/atvdopovo


Leia mais: http://atvdopovo.wmx.net.br/news/massacre-de-ipatinga-completa-52-anos-em-7-de-outubro/

A mudança do clima

Falco/Juventud Rebelde


O menino Jesus é quem presenteia...


Os carros auto-dirigidos farão mais mal do que bem?


Um futuro contendo carros sem motoristas pode ser mais seguro, de acordo com os proponentes. No entanto, os críticos apontam para a perda potencial de emprego que a automação de transporte pode implicar.

A tecnologia ainda está em sua infância, mas continuará a se desenvolver nos próximos anos.

"De acordo com o governo britânico, carros sem motorista poderiam criar até 30 mil empregos no Reino Unido", disse Laurence Lee, do Al Jazeera, relato de Coventry em Londres.

"O número soa bem até ouvir que nesta parte do país, a automação pode custar até 300 mil empregos".

Para o Reino Unido , a possibilidade de uma automação aumentada traz memórias de uma época em que as fábricas de automóveis fecharam em massa por causa da concorrência estrangeira.

"É bastante claro que governos como o da Grã-Bretanha precisam de uma estratégia de trabalho para a automação", afirmou.

Apesar desta previsão de trabalho sombrio, os proponentes de carros sem motorista acham que a tecnologia será um salto para a frente que mudará a maneira como viajamos e tornamos muito mais seguro.

Segundo eles, pode haver um futuro em que a propriedade do carro é limitada e as pessoas se deslocam do pod sem motorista para o vagem sem motorista.

"Os sistemas de monotrilho perto dos aeroportos são sem motorista, e as pessoas usam esses bastante felizes", disse Tom Sorell, professor da Universidade de Warwick, à Al Jazeera.

"Enquanto as velocidades forem bastante baixas, provavelmente é uma proposta segura".


RELÓGIO: os robôs são inteligentes, mas eles vão assumir todos os nossos empregos?
Alguns até dizem que as pessoas poderão dormir ou trabalhar no seu veículo, enquanto o motorista automático cuida do que acontece na estrada.

Segundo os críticos, no entanto, a automação pode levar à perda de milhões de empregos, especialmente no setor de transporte.

E alguns não têm tanta certeza de que ainda é seguro ainda não serem completamente motorizados, pelo menos não nas áreas urbanas.

"É um ambiente extremamente ocupado e complexo com muitas distrações potenciais, como pessoas de repente cruzando a rua. Provavelmente é muito complexo", disse Neville Stanton, professor da Universidade de Southampton, a Al Jazeera.

O rápido progresso da tecnologia significa que os motoristas, comerciais ou privados, provavelmente serão obsoletos mais cedo ou mais tarde.

E, embora a promessa de estradas mais seguras soa atraente, porque os carros automatizados são menos propensos a erros, muitos temem que a perda de empregos seja um desastre em uma escala diferente.

(Com a Al Jazeera)

Na Áustria um "milagre de Natal"

                                                                    
Dezenas de milhares de toneladas de escombros deixaram isolado um vale do Tirol. Pouco antes do desastre, famílias passavam pelo local, a caminho da Missa do Galo. Perigo perdura, pois há novas rupturas nas encostas.

O desabamento de uma encosta na Áustria, na véspera de Natal (24/12), praticamente isolou do resto do mundo cerca de 150 moradores de um vale no Tirol, que estão impossibilitados de deixar suas aldeias. O local do desastre foi o município de Vals, pouco menos de 40 quilômetros ao sul de Innsbruck.

Fotos aéreas mostram um gigantesco cone negro de rochas e terra, que rolou por uma escarpa abaixo, caindo próximo a algumas casas e soterrando a estrada de acesso ao vale, numa extensão de até 150 metros. Segundo as primeiras estimativas, são várias dezenas de milhares de toneladas de escombros.

Não houve vítimas, porém algumas famílias escaparam por pouco de uma catástrofe, como lembrou o governador do Tirol, Günther Platter, que visitou Vals nesta segunda-feira. "Pouco antes do desastre, várias crianças e seus pais haviam passado pelo local, a caminho da Missa do Galo, isso poderia ter acabado numa tragédia", disso o político. "Pode parecer kitsch, mas foi um milagre de Natal."

A montanha ainda se move

Segundo geólogos, a montanha continua em movimento. Sobrevoando o local, eles identificaram diversas rupturas nas encostas. Por isso, as autoridades ampliaram por diversas vezes a área interditada, e a polícia removeu cerca de 40 pessoas de nove casas.

Embora a formação montanhosa fosse considerada perigosa, o deslizamento veio de forma inesperada. "Ninguém considerava a situação tão extrema", comentou o geólogo responsável, Gunther Heissel. "Isso mostrou que ainda há rochedos ameaçando se romper. O perigo está longe de ter acabado."

O desastre ocorreu pouco antes das 18h00 (15h00 em Brasília) de 24 de dezembro. "O som foi como de um terremoto", contou na televisão o secretário municipal de Vals, Josef Gatt. "A casa toda tremeu. Corremos para a varanda, e vimos uma nuvem de poeira gigantesca: foi assustador."

Como os habitantes dos vilarejos haviam se abastecido para o Natal, no momento não há problemas com mantimentos, mas, se necessário, é possível o fornecimento por helicópteros. Escavadeiras estiveram em grande atividade durante todo o feriado (na Áustria o 26 de dezembro é segundo dia de Natal), e na quarta-feira deverá estar aberta uma estrada de emergência do outro lado do vale.

O vale de Vals, nos Pré-Alpes de Tux, é uma reserva natural. Como consta do website da região, turistas o frequentam sobretudo no verão, para escaladas e alpinismo. No inverno, são também disponibilizados alguns meios de transporte, pistas e outras instalações para esquiadores principiantes.

(Com a Deutsche Welle)