quinta-feira, 31 de julho de 2014

Pela paz genocida

                                                             

O embaixador israelense em Washington, Ron Dermer, assegurou  sábado que "Israel merece o Prêmio Nobel da Paz pela contenção que estão demonstrando as Forças Armadas" em Gaza, embora o balanço de mortos na Faixa de Gaza já supere os mil, muitos deles civis. (Fonte: El Mundo)

O desprezo pelas vidas humanas dos que começam as guerras e dos que depois saem a glorificá-la assombra sempre pela indecência com que eles mentem distorcendo a realidade dos fatos. A que contenção refere este diplomata diante da tragédia desatada por Israel na Faixa de Gaza, aos olhos do mundo todo? Além disso ele se atreve a reclamar que o Estado terrorista merece "a admiração da comunidade internacional".

Sobre a terra arrasada o desmentem o número de falecidos, em sua esmagadora maioria civis, incluindo crianças, em cada um dos 20 dias da operação bélica executada, com esporádicos cessar-fogo negociados para recuperar cadáveres sob escombros, atender precariamente os feridos e aumentar o êxodo de centenas de milhares de desamparados, que deixam para trás seus lares, escolas, hospitais, mesquitas, igrejas destruídas e, sobretudo, os seus mortos.

Sem a menor dúvida os pronunciamentos desse embaixador refletem com muita nitidez o pensamento ideológico dos círculos de poder do sionismo expansionista e avassalador que se apropriou dos procedimentos hitlerianos de terra arrasada.

Após tudo isso não seria surpreendente a pretensão de conquistar um Prêmio Nobel da Paz, e que até chegara a prosperar, a teor com a tibieza ou o consentimento cúmplices dos Estados e da Europa, dispostos sem o menor pudor a culpar as vítimas antes que os vitimários, enquanto permitem que prossiga o massacre.

Mereceria, certamente, um prêmio especial pela paz genocida.(Com CubaDebate/Diário Liberdade)

Toda a emoção do porta-voz da ONU diante da tragédia em Gaza


                                                           

Porta-voz da ONU chora durante entrevista ao comentar ataque a escola em Gaza

Redação Portal IMPRENSA | 31/07/2014 14:00
  
O porta-voz da Agência das Nações Unidas de Socorro e aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Christopher Gunness, não segurou as lágrimas ao comentar um ataque à escola da entidade na Faixa de Gaza durante entrevista à al-Jazeera. 

A região, que sofre uma série de atentados por conta do conflito entre o grupo Hamas e israelenses, abriga diversas escolas da organização que refugiam palestinos. Uma delas foi atingida por um bombardeio das forças de Israel, segundo a entidade, que afirma que o atentado deixou ao menos 20 mortos e mais de cem feridos na última quarta-feira (30/7). 

De acordo com O Globo, Gunness não conseguiu se conter ao fazer um depoimento para a emissora. Mais tarde, ele disse que seus sentimentos eram "completamente insignificantes” se comparados com o de pessoas da região do conflito. 

“Eu acho que isso mostra que não somos apenas burocratas sem coração da Organização das Nações Unidas (ONU), nós temos coração, e, algumas vezes, eles quebram”, disse o porta-voz. A escola que sofreu o ataque está localizada no campo de refugiados de Jabaliya, no norte de Gaza. Ali, teriam sido disparados pelo menos três projéteis, sendo que mais de três mil pessoas estavam no local no momento do bombardeio. 

Na semana passada, outra escola já tinha sido alvo de mísseis. O ataque a Beit Hanun matou cerca de 15 palestinos. Apesar de ser apontado como o autor dos disparos, o exército israelense negou sua responsabilidade em ambas as investidas. 

As escolas se tornaram refúgio de muitos civis da região, que buscam abrigo após o Exército de Israel levantar a possibilidade de ataques em massa contra seus bairros. No momento, cerca de 200 mil palestinos estão refugiados em 83 escolas e prédios geridos pelo principal órgão de ajuda das Nações Unidas em Gaza. 

Gaza: “Eles também são nossos filhos”

                                                                                   
                                                                               Al Jazeera

Da Fundação Right Livelihood Award

Uma declaração assinada por 56 ganhadores do Right Livelihood Award, conhecido como Prêmio Nobel Alternativo, de 35 países, condena a matança de civis, muitos deles, crianças. Três desses ganhadores do Prêmio vivem e trabalham na zona de conflito. 

Como ganhadores do Right Livelihood Award, popularmente conhecido como ‘Prêmio Nobel Alternativo’, nós condenamos energicamente a matança de centenas de crianças e civis inocentes, executada em Gaza pelo exército israelense, além do indiscriminado lançamento de mísseis por parte do Hamas sobre civis de Israel, ao mesmo tempo em que lamentamos o contínuo sofrimento dos habitantes de Gaza. 

Gaza enfrenta o desabastecimento de água e eletricidade, de hospitais, médicos e médicas, ao mesmo tempo que bombas e balas matam e ferem a sociedade civil, assim como aos trabalhadores da saúde, em uma espiral de violência e desesperança. Aproximadamente 24% de todos que perderam suas vidas em gaza, como resultado dos bombardeios de Israel e seus militares, são crianças. 

Contudo, a responsabilidade por essas mortes não é somente um produto conjunto e múltiplo dos soldados de Israel, dos lutadores do Hamas e de seus governos. Outros governos também são responsáveis, tanto direto como indiretamente, através da transferência de armas, assessoria militar e de seu silêncio.    

Estes países e as Nações Unidas parecem não ter aprendido com o passado. Tanto que quanto mais cresce a violência em Gaza, mais as negociações de paz se movem a um ritmo incrivelmente lento, dificultadas por interesses particulares de países que não sofrem derramamento de sangue por este conflito.

O diálogo e as negociações não podem ser  substituídas pelo uso da força militar. A vingança só produz vingança, e o derramamento de sangue só produz mais derramamento de sangue.

Não podemos esquecer as recentes imagens de cadernos de escola destroçados nas ruas de Gaza e as vidas destroçadas das crianças que os usavam. Seus corpos sem vida esparramados em volta de seus caderno, que nunca voltarão a ser usados novamente, descrevem a trágica pintura de uma crueldade sem limite.

Ninguém tem o direito de acabar com essas vidas e, tampouco, ameaçar a vida daquelas crianças que seguem sobrevivendo. Eles também são nossos filhos.

Neste contexto, nós apoiamos com força o extraordinário trabalho, a determinação e a perseverança – em meio a explosão das bombas – do nosso colega Raji Sourani (RLA 2013, Palestina) e seus colegas do Centro Palestino de Direitos Humanos em Gaza, que estão denunciando a matança de civis inocentes e a continuidade de uma guerra suja não declarada, que vai contra os princípios da legislação humanitária internacional.

Nós também queremos expressar  nossa profunda admiração pelo trabalho de organizações de paz de Israel, como Gush Shalom (RLA 2001) e o incrível trabalho de toda a equipe médica que atua atualmente em Gaza, com representantes de nossos amigos do Médicos para os Direitos Humanos (RLA 2010), que seguem  carregando os princípios de humanidade acima de tudo, apesar de expostos às desumanas máquinas de guerra.

Como ganhadores do Right Livelihood Award, nós instamos as Nações Unidas, a União Europeia e as organizações regionais como a Liga Árabe e a Organização dos Estados Americanos (OEA), além de países de todo o mundo, a unir suas vozes, condenando estas inaceitáveis violações de direitos humanos, e requerendo um imediato cessar fogo, a suspenção do bloqueio a Gaza, bem como novas negociações de paz.

E, da mesma forma, que parem com todas as ações que perpetuam esse conflito, que dificultam uma resolução pacífica e que parem de prover com armas as partes em conflito. Se nós não atuarmos com urgência, mais crianças e pessoas inocentes vão ser assassinadas nos próximos dias, nas próximas horas, nos próximos minutos, nos próximos segundos.

Assinam:  

• Dr. Ibrahim Abouleish, Fundador de SEKEM, Egipto (RLA 2003)

• Swami Agnivesh, India (RLA 2004)

• Dr. Martin Almada, Paraguay (RLA 2002)

• Uri Avnery, Fundador de Gush Shalom, Israel (RLA 2001)

• Dipal Barua, Ex director de Grameen Shakti, actualmente en Bright Green Energy Foundation, Bangladesh (RLA 2007)

• Nnimmo Bassey, Health of Mother Earth Foundation, Nigeria (RLA 2010)

• Walden Bello, Filipinas (RLA 2003)

• Andras Biro, Hungría (RLA 2005)

• Leonardo Boff, Brasil (RLA 2001)

• Carmel Budiardjo, TAPOL, Reino Unido (RLA 1995)

• Dr. Zafrullah Chowdhury, Gonoshasthaya Kendra, Bangladesh (RLA 1992)

• Citizens’ Coalition for Economic Justice, Corea del Sur (RLA 2003)

• Dr. Tony Clarke, Director Ejecutivo de Polaris Institute, Canadá (RLA 2005)

• Comissão Pastoral da Terra (CPT), Brasil (RLA 1991)

• Prof. Dr. Anwar Fazal, Director del Right Livelihood College, Malasia (RLA 1982)

• Prof. Dr. Johan Galtung, Noruega (RLA 1987)

• Dr. Juan E. Garcés, España (RLA 1999)

• Ina May Gaskin, Estados Unidos (RLA 2011)

• Dr. Inge Genefke, Dinamarca (RLA 1988)

• Gush Shalom, Israel (RLA 2001)

• Asha Hagi, Somalia (RLA 2008)

• Dr. Monika Hauser, Fundadora de Medica Mondiale, Alemania (RLA 2008)

• Dr. Hans Herren, Fundador de Biovision Foundation, Suiza (RLA 2013)

• Dr. SM Mohamed Idris, Sahabat Alam Malaysia (RLA 1988), Consumers Association of Penang and the Third World Network, Malasia

• Obispo Erwin Kräutler, Brasil (RLA 2010)

• Dr. Katarina Kruhonja, Center for Peace, Nonviolence and Human Rights-Osijek, Croacia (RLA 1998)

• Ida Kuklina, The Committee of Soldiers' Mothers of Russia, Rusia (RLA 1996)

• Felicia Langer, Israel/Alemania (RLA 1990)

• Birsel Lemke, Turquía (RLA 2000)

• Helen Mack Chang, Fundación Myrna Mack, Guatemala (RLA 1992)

• Dr. Ruchama Marton, Fundador y Presidente de Physicians for Human Rights, Israel (RLA 2010)

• Prof Dr. h.c. (mult.) Manfred Max-Neef, Director del Instituto de Economía de la Universidad Austral de Chile, Chile (RLA 1983)

• Prof. Dr. Raúl A. Montenegro, Presidente de la Fundación para la defensa del ambiente, Argentina (RLA 2004)

• Frances Moore Lappé, Cofundadora de Small Planet Institute, Estados Unidos (RLA 1987)

• Jacqueline Moudeina, Chad (RLA 2011)

• Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), Brasil (RLA 1991)

• René Ngongo Mateso, República Democrática del Congo (RLA 2009)

• Helena Norberg-Hodge, Fundadora y Directora de International Society for Ecology & Culture, United Kingdom (RLA 1986)

• Juan Pablo Orrego, Presidente de Ecosistemas, Chile (RLA 1998)

• Medha Patkar, Narmada Bachao Andolan, India (RLA 1991)

• P K Ravindran, Kerala Sastra Sahitya Parishad, India (RLA 1996)

• Fernando Rendón, Cofundador y Director del Festival Internacional de Poesía de Medellín, Colombia (RLA 2006)

• Dra. Sima Samar, Directora de la Afghanistan Independent Human Rights Commission, Afganistán (RLA 2012)

• Dra. Vandana Shiva, Naydanya, India (RLA 1993)

• Prof. Michael Succow, Fundador de Michael Succow Foundation for Nature Conservation, Alemania, (RLA 1997)

• Suciwati, viuda de Munir, KontraS, Indonesia (RLA 2000)

• Dr. Hanumappa Sudarshan, Karuna Trust & VGKK, India (RLA 1994)

• The Kvinna Till Kvinna Foundation, Suecia (RLA 2002)

• Shrikrishna Upadhyay, Director Ejecutivo, Support Activities for Poor Producers of Nepal, Nepal (RLA 2010)

• Prof. Dr. Theo van Boven, Holanda (RLA 1985)

• Martín von Hildebrand, Fundador y Director de Fundación GAIA Amazonas, Colombia (RLA 1999)

• Dr. Paul F. Walker, Director de Environmental Security and Sustainability, Green Cross International, Estados Unidos (RLA 2013)

• Alyn Ware, Coordinador Global de Parliamentarians for Nuclear Nonproliferation and Disarmament, Nueva Zelanda/Suiza (RLA 2009)

• Chico Whitaker Ferreira, Brasil (RLA 2006)

• Alla Yaroshinskaya, Rusia (RLA 1992)

• Angie Zelter, Trident Ploughshares, Reino Unido (RLA 2001)

Juiz militar admite tortura e prisões ilegais na ditadura

                                               

       Aposentado, Nelson Guimarães atuou na Justiça Federal Militar e admitiu o que as Forças Armadas se negaram a reconhecer em junho, em resposta à CNV

O juiz aposentado Nelson Guimarães, que atuava na 2ª Auditoria da Justiça Militar Federal de São Paulo, admitiu em depoimento à CNV que havia tortura sistemática e prisões ilegais em dependências militares e policiais durante a ditadura.

O juiz admitiu também que ao constatar essas torturas, como observou nos casos da morte do sindicalista Olavo Hansen, do líder estudantil Paulo Vannuchi e de frei Tito, as autoridades à época não instauraram inquéritos para apurar esses casos, embora a Justiça Militar tivesse solicitado formalmente essa providência, segundo afirmou.

Para o coordenador da CNV, Pedro Dallari, a informação é relevante, pois as Forças Armadas, em junho deste ano, em resposta às sindicâncias solicitadas pela Comissão Nacional da Verdade em fevereiro, negaram a existência de tortura em suas dependências.

Sobre as prisões efetuadas pelos agentes da repressão no curso de investigações, disse que, "no contexto da luta armada, a prisão era um verdadeiro sequestro. Não se comunicava a Justiça como a lei exigia", afirmou Guimarães.

O juiz admitiu ainda que presos eram levados dos presídios regulares em que cumpriam pena para dependências militares, como o Doi-Codi, e delegacias, sem a necessária autorização da Justiça.

Durante o depoimento de Guimarães a CNV exibiu os depoimentos pré-gravados do ex-preso politico Arthur Scavone e da advogada Eny Moreira, integrante da Comissão da Verdade do Rio. Scavone afirmou ter visto o juiz no Doi-Codi de São Paulo uma vez, já Eny afirma que o juiz autorizou a remoção de Paulo Vannuchi do presídio onde fazia greve de fome para o Doi-Codi, onde ele foi torturado.

O juiz negou que tenha ido ao Doi-Codi, mas afirmou ter ido, por motivos profissionais, ao DOPS, a Delegacia de Ordem Política e Social, braço da Polícia Civil na repressão política. Quanto à Vannuchi, o juiz afirmou ter enviado ofício pedindo providências. O depoimento de Guimarães foi conduzido pelos membros da CNV José Carlos Dias e Rosa Cardoso, ambos advogados que atuaram perante a 2ª Auditoria da Justiça Militar Federal de São Paulo na defesa de presos políticos.

RIOCENTRO - O coronel reformado do Exército Wilson Machado, denunciado à Justiça pelo atentado do Riocentro, negou-se a prestar depoimento à Comissão Nacional da Verdade. Orientado por advogados, ele disse que não iria responder às perguntas da Comissão. Segundo Machado, ele não tem "mais nada a declarar" pois já teria prestado cinco depoimentos, três à Justiça Militar e dois ao Ministério Público.

A Comissão Nacional da Verdade entregou ao coronel o rol de 13 perguntas que pretendia fazer a ele, entre as quais uma que o indagava sobre o testemunho de Mauro César Pimentel à CNV, testemunha ocular da explosão. Pimentel viu no porta-malas do carro mais dois cilindros idênticos ao que estava no colo de Guilherme Pereira do Rosário, que explodiu, matando-o.

AGENDA

Nesta sexta-feira (1º/8), último dia do mutirão de depoimentos de agentes da repressão no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, estão previstos, a partir das 9h, os seguintes depoimentos:

- 9h - Celso Lauria, agente que atuou no Doi-Codi do Rio;

- 10h30 - Zilson Luiz Pereira da Cunha, que prestará esclarecimentos sobre graves violações de direitos humanos ocorridas no Estádio Nacional do Chile;

- 11h30 - Luciano José Marinho de Melo, que atuou no Cisa, órgão de inteligência da aeronáutica.
Os três foram convocados pela CNV e intimados regularmente pela Polícia Federal.

Após as atividades da manhã, o coordenador da CNV, Pedro Dallari, membros e assessores da Comissão concederão, após o meio-dia, uma entrevista coletiva para apresentar um balanço das duas semanas de depoimentos de agentes da repressão prestados em Brasília e no Rio de Janeiro entre 21 de julho e 1º de agosto. 

Em seguida será apresentado o sistema para recebimento de sugestões de recomendações para o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que será divulgado em 10 de dezembro de 2014.

Acusado de participação no atentando do Riocentro se nega a falar na Comissão Nacional da Verdade

                                                                                        
Coronel Wilson Machado em depoimento à CNV (Foto: Tânia Rego/ Agência Brasil)

O coronel Wilson Machado, dono do carro em que explodiu uma das bombas no atentado ao Riocentro, em 1981, compareceu nesta quinta-feira, dia 31, à Comissão Nacional da Verdade (CNV), no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, mas negou-se a responder às perguntas alegando “já ter prestado todos os esclarecimentos à Justiça.”

Pela primeira vez, 33 anos após o atentado no Riocentro, em 30 de abril de 1981, o coronel reformado Wilson Machado apareceu em público para falar sobre o caso Riocentro. Machado foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio doloso, atentado duplamente qualificado, associação criminosa armada e transporte de explosivos, porém o processo foi declarado prescrito pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que, por 2 votos a 1, não reconheceu que era crime contra a humanidade, o que o impediria de prescrever mesmo 33 anos depois.

Em 30 de abril de 1981, durante a realização de um show para comemorar o Dia do Trabalhador, no complexo do Riocentro, uma bomba explodiu no colo do sargento Guilherme do Rosário dentro do carro onde ele estava, no estacionamento do local, matando o militar na hora e deixando gravemente ferido o então capitão Wilson Machado. Na mesma noite, outra bomba foi lançada na subestação de eletricidade do complexo, com o objetivo de cortar a energia.
                                                                   
Veículo que explodiu no Riocentro / O Dia

O objetivo das explosões seria causar pânico no público de quase 20 mil pessoas e na sociedade em geral. O plano dos militares era atribuir o atentado à esquerda, para justificar outro endurecimento da ditadura. Mas, por algum erro dos militares, a explosão ocorreu no carro dos agentes.

O coronel Wilson Machado repetiu a estratégia de outros clientes do advogado Rodrigo Roca, que compareceram à comissão ao longo desta semana, mas mantiveram-se calados.

—Já prestei todos os esclarecimentos à Justiça Militar três vezes e fui julgado pelo Superior Tribunal Militar. Prestei esclarecimento ao Ministério Público duas vezes. Está tudo lá, afirmou o militar aposentado.

Membros da comissão insistiram para que ele respondesse, e afirmaram que não se tratava de um processo judicial ou de um julgamento, mas sim de ouvir a versão dele para registro histórico. Wilson Machado também não respondeu as perguntas da imprensa.

— O Riocentro não foi um atentado feito por alguns lunáticos, foi organizado pelo regime militar em um contexto em que a utilização de atentados à bomba se deu de maneira sistemática no Brasil. Foram mais de 40, e o do Riocentro seria o mais trágico de todos. O esclarecimento de quem deu as ordens é muito importante para a comissão, destacou o Coordenador da CNV, Pedro Dallari. (Com a Associação Brasileira de Imprensa)


Inesquecível “Planeta Arthur”

                                                                    

     Carlos Lúcio Gontijo (*)
                   
          Muitos são os que ocupam espaço indevido, subtraindo a oportunidade daqueles que, verdadeiramente, deveriam estar lá. Incomoda-me assistir às questões mais importantes para o crescimento da sensibilidade humana recebendo tratamento tão marcado pelo desleixo. É sempre como flechada no peito a percepção de que os ambientes culturais estão jogados ao abandono e situados na última escala dos interesses governamentais, que alegam não dispor de recursos sequer para suprir as necessidades básicas do setor cultural, sem o qual a educação, feito os trabalhos de pintura, se perde pela falta de moldura, pela ausência de sensibilização que dá sentido a todo e qualquer conhecimento adquirido.

       Nada pior que deparar com pessoas que ganham o pão de cada dia no exercício de alguma função relativa à cultura, mas que se me apresentam como se não estivessem nem aí para o que acontece com a caminhada cultural da gente de nosso Brasil. São professores mal remunerados que mergulham fundo, sem se incomodar, no ensino ruim; são bibliotecas dirigidas sem preocupação em se trabalhar pela transformação da casa de leitura em local mais atrativo e mais receptivo ao burburinho da troca de ideias que à imposição do silêncio, distanciando os leitores e quebrando o voo da arte da palavra, que tem a mente humana (e não a fria prateleira das estantes) como seu verdadeiro pouso.
        Sou amante do gesto, que é o traço maior e mais claro de nossa alma. Palavra desatrelada de ato representativamente materializado, pouco ou nada significa. Ou seja, mais vale o trabalho benéfico à sociedade realizado pelo ateu, que assim exercita o desejo do Criador, que a falsa fé do cristão à-toa.
        Eli e Cleide Menezes, avós do garoto Arthur Menezes Silva (oito anos), residentes aqui em minha Santo Antônio do Monte, custearam a edição do livro intitulado “Planeta Arthur – A guerra inesquecível”, que foi escrito e ilustrado pelo neto prodígio. Lembrei-me imediatamente de mim, pois fui o autor da capa de meus dois primeiros livros lançados em 1977, apesar de não conseguir desenhar direito nem mesmo aquelas casinhas com chaminés. Contudo, como acontece com o pequeno Arthur, havia (e há) dentro de mim a força de um dom real, ao qual tenho o dever de aprimorar sem me incomodar com as pedras no caminho. 
          Tenho procurado saborear o tempo em vez de realçar amarguras, ciente de que são os momentos de escuridão que me ensinam a valorizar a luz – e foi com o espírito embebido em claridade que vislumbrei o meu rosto nas águas límpidas das páginas tingidas pelo sonho do menino Arthur, esplêndido embrião de intelectual e cidadão sensível, futuramente capaz de exercer em plenitude o amor pelo próximo e, ao mesmo tempo, contribuir de forma decisiva para a construção de um mundo melhor e mais disposto a abrigar cada pessoa como se fosse única e nela estivesse a soma de tudo aquilo que somos coletivamente nesta esfera azul, que rodopia em espaço sideral paralelo ao inocente “Planeta Arthur”. 
          
(*) Carlos Lúcio Gontijo é poeta, escritor e jornalista
           www.carlosluciogontijo.jor.br

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A Comissão da Verdade de Minas Gerais (Covemg), em parceria com a Comissão Nacional da Verdade (CNV) realizou nos dias 29 e 30 de novembro audiência pública sobre o papel das igrejas durante a ditadura. Nela foi ouvido o bispo Michel Le Ven, francês de nascimento e brasileiro de coração

CNV colhe o depoimento de dois comandantes da Base Aérea do Galeão

                                                                   
Amanhã (31/07), o caso Riocentro e a atuação da Justiça Militar serão os temas principais

A Comissão Nacional da Verdade colheu o depoimento dos brigadeiros reformados Jorge José de Carvalho e Antônio da Motta Paes Júnior, ex-comandantes da Base Aérea do Galeão, entre os anos de 1971 e 1974. Foi na Base Aérea do Galeão que Stuart Angel (foto), filho da estilista Zuzu Angel, foi morto sob tortura em maio de 1971. O quartel foi o local de detenção de vários presos políticos.

O depoimento de Carvalho foi colhido pelo membro da CNV José Carlos Dias e assessores da Comissão. Ele comandou a Base Aérea do Galeão entre 1971 e 1972 e disse não saber se Stuart Angel foi preso lá. Segundo disse, apesar de comandante, ele exercia atividade operacional e não possuía ligações funcionais com os oficiais e agentes do Cisa, a inteligência da Aeronáutica. "O que era crime político era Cisa", afirmou.

Ao ser questionado sobre diversos oficiais do Cisa que atuaram no Galeão, Carvalho afirmou não conhecê-los. Ele também não reconheceu nomes de presos políticos detidos na base. O ex-comandante, contudo, disse conhecer o brigadeiro João Paulo Moreira Burnier, comandante do III Comando Aéreo a época, e disse querer resgatar sua memória.

"O brigadeiro pode até ignorar os fatos, mas tudo isso aconteceu no porão da casa dele", afirmou José Carlos Dias sobre o depoimento.

Enquanto a CNV terminava o depoimento de Carvalho, o brigadeiro reformado Antônio da Motta Paes Júnior, comandante da Base Aérea do Galeão entre 1973 e 1974, que não havia inicialmente confirmado sua presença, foi até o Arquivo Nacional e respondeu às perguntas formuladas pelo coordenador da CNV, Pedro Dallari.

Paes Júnior reconheceu a presença do pessoal da área de informação e segurança no Galeão e atestou que o grupo atuava de forma independente dentro da base. Ele afirmou que "recebeu instruções superiores para não intervir nas atividades do serviço de inteligência da Aeronáutica", informou Dallari.

Entre os demais agentes públicos convocados para depor pela CNV, o general Newton Cruz, que responderia sobre o caso Riocentro, e Ary Casaes, que foi comandante da Base Aérea de Santa Cruz entre 1970 e 1972, alegaram motivo de saúde para não depor perante a Comissão.

Cláudio de Almeida Aguiar não foi localizado pela PF, pois mudou-se recentemente. Irio de Paula Bastos faleceu em 09 de junho passado, segundo a Polícia Federal, responsável pela intimação dos depoentes.

Nove agentes públicos convocados e um empresário que pediu para depor para denunciar corrupção no governo militar prestaram depoimento à CNV entre 25 e 30 de julho. A semana de depoimentos no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro termina na sexta-feira, 1º de agosto.

Para amanhã (31/07), estão convocados para depor, às 10h, o coronel reformado Wilson Machado, que era capitão do Exército e dono do carro em que explodiu uma das bombas do Riocentro, a que matou seu colega na operação, o sargento Guilherme Pereira do Rosário, e o feriu gravemente. Às 15h ocorrerá o depoimento reagendado de Nelson da Silva Machado Guimarães, ex-juiz da 2ª auditoria da Justiça Militar Federal de São Paulo.

O professor Túlio Lopes e o eletricista José Francisco Neres. O primeiro é candidato a governador o segundo ( à direita), a suplente de senador. Ambos pelo PCB


Carta aos Jornalistas

                                                       
Nós, jornalistas do Município do Rio de Janeiro, temos o desafio de compreender as causas e as soluções possíveis para que haja um basta na violência que atinge a nossa categoria. A diretoria do Sindicato repudia todo e qualquer tipo de agressão, seja por parte de manifestantes ou de agentes do Estado. Agredir jornalista é um grave atentado à democracia. Sempre com a participação da categoria nos debates e deliberações, a nossa gestão, desde o início do mandato, tem pautado prioritariamente a segurança dos jornalistas no exercício livre da profissão.

Entre outras ações, realizamos audiências públicas, atos, elaboração e entrega do relatório de casos de violência a ministros de Estado e outras autoridades; denúncias internacionais; e ações no Ministério Público do Trabalho (MPT), que notificou as empresas a cumprir 16 recomendações de segurança. Essa atuação firme, por meio de fiscalização, denúncias e ações na Justiça dos precários salários, condições de trabalho e de segurança dos jornalistas, tem incomodado os nossos empregadores.

Na última quinta-feira (24/7), aconteceu mais um episódio de violência a jornalistas, durante a libertação de ativistas. O Grupo Tortura Nunca Mais e a ONG Justiça Global haviam reservado para a sexta-feira (25/7) o auditório para realização de uma coletiva de imprensa com os pais dos presos. Com a agressão da véspera, a direção do Sindicato decidiu propor que a atividade se transformasse num espaço de diálogo entre manifestantes e jornalistas, buscando evitar novas agressões e reafirmar a importância do papel do jornalista na sociedade.

Durante a coletiva, houve perguntas sobre a violência de manifestantes contra jornalistas. Pais e manifestantes se queixaram das notícias sobre as manifestações e prisões, que, segundo eles, tem criminalizado os ativistas. Em certo momento, parte dos manifestantes presentes entoou as palavras de ordem que costumam usar nas ruas: “Presos políticos, liberdade já, lutar não é crime, vocês vão nos pagar”, um protesto contra a opressão do Estado. Tanto jornalistas quanto a presidente do Sindicato, Paula Máiran, argumentaram imediatamente que nada justifica as agressões.

Os jornalistas permaneceram no Sindicato até a hora que cada equipe considerou adequada. Em momento algum, houve expulsão ou agressão a qualquer profissional. Pelo contrário, a direção garantiu que o clima de respeito e civilidade prevalecesse durante a atividade. Apesar de diversas notícias terem retratado a coletiva do modo como aconteceu, fomos surpreendidos por algumas que deturparam os fatos, como pode comprovar qualquer gravação da coletiva apresentada na íntegra. Houve forte reação da categoria.

Nossa carta reafirma o compromisso do Sindicato de agir sempre em defesa dos interesses individuais e coletivos da nossa categoria e convida os colegas para participar de plenária para o esclarecimento de dúvidas e sobre a violência que nos atinge. Será na próxima segunda-feira (4/8), às 20 horas, no Auditório João Saldanha, na sede do Sindicato. Vamos juntos construir uma ampla campanha em defesa dos jornalistas e das garantias para o livre exercício profissional a serviço da sociedade.

Diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

Pelo fim imediato da agressão israelita ao povo palestino! (Manifesto português)

                                                            

Para: Ex.mo Sr. Primeiro Ministro e Presidência da Assembleia da República

Os cidadãos abaixo-assinados exigem o fim imediato da nova agressão militar de Israel contra o povo palestino, com particular incidência contra a população da Faixa de Gaza, sujeita a bombardeamentos e sob a qual pende a ameaça de uma nova ofensiva terrestre por parte do exército israelita. 

Esta nova agressão israelita em grande escala já provocou largas dezenas de mortos, incluindo crianças, e centenas de feridos, para além da destruição sistemática de habitações e infra-estruturas palestinas. 

Lembramos a última agressão de grande escala levada a cabo por Israel contra a população palestina da Faixa de Gaza, a operação “Chumbo Fundido”, iniciada a 27 de Dezembro de 2008 e que provocou 1400 mortos e 5000 feridos, a maioria dos quais civis palestinos, mulheres e crianças, na qual Israel recorreu, inclusivamente, a armas proibidas, como o fósforo branco. 

Consideramos que não se podem esquecer as dezenas de anos de ocupação ilegal, de repressão, de usurpação e saque, de permanente humilhação, por parte de Israel, do povo palestino, de que, por exemplo, são testemunho as mais de 1500 crianças palestinas mortas pelas forças de Israel, somente após 2000. 

Condenamos a atitude cínica dos EUA que afirma uma vez mais que “Israel tem o direito de se defender” e a ambiguidade da União Europeia que, objectivamente, tomam o agressor como «vítima» e a vítima como «agressor». 

Consideramos que a escalada agressiva de Israel não pode ser desligada dos planos de domínio do Médio Oriente por parte dos EUA e seus aliados, com os quais tentam, por todos os meios, esmagar os povos que não se submetem às suas intenções e hegemonia, como aconteceu com o Iraque, a Líbia ou a Síria. 
                                                               
Expressamos a nossa solidariedade ao povo palestino, reafirmando a legitimidade da sua luta pelo direito à Paz, à Liberdade, a uma vida digna e a um Estado independente, soberano e viável – única solução duradoura para a paz na região. 

Consideramos que se exige do Governo Português, no respeito e cumprimento do artigo 7º da Constituição da República Portuguesa, o assumir do compromisso de, em todas as instâncias internacionais em que se encontra representado, advogar o fim da ocupação israelita dos territórios palestinos, condenar a agressão de Israel ao povo palestino e exigir o seu fim imediato.

Ode à Gaza

                                            

Nagham Salman


Há anos vemos Gaza resistindo à ocupação e à agressão israelense... e à covardia dos líderes árabes... Gaza é palestina de identidade e de pertença... E resiste, não porque a autoridade nela seja a do Hamas. Resiste porque é Palestina! Resiste porque o povo acredita em sua liberdade e em seu direito de existir e de viver. Gaza é forte por seu povo, por sua luta pela sobrevivência.

Um povo que respira o ar da vida rodeado do odor da morte...

Só em Gaza as crianças morrem antes que os homens, e os que sobrevivem não têm nem infância nem sonhos, enquanto seus velhos não envelhecidos choram ao lado de mulheres sem desejos.

Gaza, a cidade-faixa-rodeada que tudo sacrifica para lutar pela liberdade e contra os crimes e o terrorismo sionista...

Sinto muito, Gaza. Porque enquanto estás sitiada, os árabes estão ocupados seguindo os "tuítes" e os comentários no Facebook, as sequelas do Mundial, e os programas e telenovelas do Ramadan...

Sinto muito, Gaza, porque os líderes árabes se contentam com a denúncia e a condenação na temporada de verão sufocante...

Sinto muito, Gaza, porque a resistência contra a ocupação seja considerada terrorismo, e porque se esquece que a ocupação não se acaba sem resistência.

Sinto muito, Gaza, porque tenhamos nos acostumado à notícia da morte de teu povo...

Sinto muito, Gaza, porque não podemos sequer te prometer a paz...

Sinto muito, porque não tenhas outra opção senão resistir aos crimes, com o mar mediterrâneo atrás de ti e o inimigo em sua frente.

Sinto muito, Gaza, porque enquanto nós recolhemos os brinquedos de nossos filhos, tu recolhas os restos dos pequenos corpos dos vossos...

Te pedimos desculpas, Gaza, por estar tão sozinha defendendo a dignidade humana.

(*) Nagham Salman é especialista em Oriente Médio.

(Com o Diário Liberdade)

Sindicato de de Jornalistas Palestinos denuncia mortes de companheiros em Gaza

                                                                

Palestino chora sobre os escombros de sua casa, destruída por ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza (Crédito: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters)

O Sindicato de Jornalistas Palestinos denunciou  terça-feira, 29 de julho, que quatro comunicadores palestinos morreram nos bombardeios israelenses sobre a Faixa de Gaza e pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) a abertura de uma investigação sobre os fatos. Nesta quarta-feira, dia 30, mais um jornalista morreu em decorrência das ofensivas militares à região.

De acordo com a BBC, um jornalista local identificado como Rami Rayan também morreu no ataque. Segundo fontes palestinas, vários moradores da faixa tinham aproveitado a trégua humanitária de 4 horas anunciada por Israel para fazer compras, e o mercado estava movimentado no momento do ataque.

O sindicato palestino lamentou, por meio de um comunicado, as mortes e criticou o ataque sobre centros de imprensa em Gaza, especialmente escritórios de meios de comunicação vinculados ao movimento islamita Hamas. 

A entidade solicitou à ONU o envio de uma missão de investigação para “questionar os horríveis crimes que Israel cometeu contra os jornalistas na Faixa de Gaza”.

Esta terça-feira foi qualificada como o dia mais sangrento desde o início da ofensiva israelense sobre Gaza, há quase um mês, com cerca de 100 pessoas mortas e outras 500 feridas nos intensos ataques.

Segundo testemunhas e fontes da polícia palestina, durante a intensificação dos ataques, a aviação israelense atingiu hoje a sede da emissora de rádio do Hamas, “Al-Aqsa”, que ficou destruída, assim como instalações da televisão de mesmo nome, e um centro que abriga produtoras.

Na semana passada, o edifício que abriga rede de TV Al Jazeera e os escritórios da agência de notícias americana Associated Press (AP) também foi atacado, mas ninguém ficou ferido.

(Com informações da EFE, UOL e Portal Imprensa)

Jornalista chilena é presa em Israel por ser descendente de palestinos

                                                                       
Yasna Mussa (reprodução/Twitter), correspondente do jornal chileno El Desconcierto, foi mantida presa durante 10 horas em Israel enquanto cobria os bombardeios à Faixa de Gaza. As autoridades deram voz de prisão quando, após abrir seu passaporte, viram que a jornalista tem sobrenome árabe.

"Eles insistiam que eu estava escondendo informações e basearam a decisão de me prender nisso", declarou Yasna ao site Aeronotícias. A jornalista é descendente de palestinos e disse ter sofrido preconceito por parte das autoridades israelenses antes de ser deportada.

Uma oficial do exército chegou a dizer a Yasna, que ali ela "não tinha direitos". A jornalista afirmou ainda que outros colegas também tiveram de passar por longos interrogatórios apenas por possuir sobrenome de origem árabe. A Câmara dos Deputados do Chile encaminhou uma nota de repúdio ao governo de Israel pela discriminação sofrida pelos profissionais de imprensa. (Com o Portal Imprensa)

Prêmio Internacional de fotografia 2014 Hamdan


terça-feira, 29 de julho de 2014

Gostava tanto de você...

General Newton Cruz convocado para falar sobre o Caso Riocentro

                                           

Cinco dos oito agentes públicos convocados para depor hoje (29/07) pela Comissão Nacional da Verdade compareceram ao Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro. Quatro deles foram ouvidos pela CNV, que decidiu adiar para quinta-feira (31/07), às 15h, o depoimento de Nelson da Silva Machado Guimarães, ex-juiz da 2ª auditoria da Justiça Militar Federal de São Paulo.

Entretanto, dos quatro agentes que prestaram depoimento, apenas o ex-delegado regional de Petrópolis, Mauro Magalhães, que atuou na cidade serrana do Rio no período em que funcionava a Casa da Morte, respondeu questões dos membros da CNV. Ele afirmou que conhecia Paulo Malhães e outros agentes que atuavam em Petrópolis, que o "visitavam de vez em quando para bater papo".

Os irmãos e capitães da reserva do Exército Jacy e Jurandyr Ochsendorf e Souza e o ex-general Nilton de Albuquerque Cerqueira, orientados por seus advogados, se recusaram a responder as questões referentes às graves violações de direitos humanos a eles associadas. A alegação dos depoentes é que pessoas que prestaram depoimento à CNV teriam sido denunciadas pelo Ministério Público Federal.

Os membros da CNV presentes aos depoimentos lamentaram a decisão desses três militares, respeitaram a decisão dos agentes convocados, mas fizeram questão de fazer as perguntas a eles previstas.

A CNV questionou os irmãos Ochsendorf sobre a atuação deles na Casa da Morte e sobre a farsa do falso resgate de Rubens Paiva por guerrilheiros, montada por militares para ocultar o assassinato do deputado sob tortura, no período em que ambos trabalhavam no Doi-Codi do Rio.

Cerqueira foi indagado sobre sua participação na Operação Pajuçara, que resultou na morte de Carlos Lamarca, sobre a morte de guerrilheiros no Araguaia e sobre sua participação no caso Riocentro. A resposta deles para todas as questões foi "nada a declarar".

"A posição sistemática desses militares / servidores públicos no sentido de que não têm nada a declarar é muito ruim. É frustrante para a sociedade brasileira, extremamente prejudicial para esses próprios militares e, infelizmente, começa a afetar a imagem e a reputação do Exército e das próprias Forças Armadas de maneira geral", afirmou o coordenador da CNV, Pedro Dallari.

Além dos agentes públicos, compareceu ao Arquivo Nacional, na tarde de hoje, o empresário Humberto Costa Pinto, que foi ouvido pelo membro da CNV José Paulo Cavalcanti Filho de forma reservada.

Costa Pinto procurou a Comissão para depor sobre corrupção envolvendo órgãos e agentes da repressão que atuavam no Instituto do Açúcar e do Álcool e prejudicaram a empresa de comércio exterior de sua família. Para Cavalcanti Filho, as informações prestadas pelo empresário provam "de forma incontestável que a empresa teria sido prejudicada pelo governo militar".

Não compareceram para depor José Benedito Montenegro de Magalhães Cordeiro, que prestaria esclarecimentos sobre os desaparecimentos de Nego Fubá e Pedro Fazendeiro, integrantes das Ligas Camponesas de Sapé (PB), o ex-capitão Ailton Guimarães Jorge, que falaria sobre sua atuação no Doi-Codi do Rio e na PE da Vila Militar e o ex-PM Riscala Corbage, que falaria sobre o tempo que esteve a disposição do Doi-Codi do Rio. Os três apresentaram atestados médicos.

AGENDA – Amanhã (30/07) pela manhã, a CNV colherá o depoimento do brigadeiro Jorge José de Carvalho, que comandou a Base Aérea do Galeão entre 1971 e 1972. Ele será ouvido em sua casa, na zona sul do Rio de Janeiro, em diligência coordenada pelo membro da CNV José Carlos Dias.

Foram convocados para depor no Arquivo Nacional, no Rio, os seguintes agentes da repressão:

10h - general Newton Cruz, para falar sobre o caso Riocentro;
11h – Antônio da Motta Paes Júnior, comandante da Base Aérea do Galeão nos anos de 1973 e 74;
14h – Ary Casaes Bezerra Cavalcanti, comandante da Base Aérea de Santa Cruz entre 1970 e 72;
15h – Cláudio Almeida de Aguiar, vinculado ao Cisa, serviço de inteligência da Aeronáutica;
16h – Irio de Paula Bastos, vinculado ao Cisa, serviço de inteligência da Aeronáutica.

Dos cinco depoimentos no Arquivo Nacional, devem ocorrer apenas os dois últimos, a partir das 15h. Cruz e Cavalcanti contataram a CNV alegando que questões de saúde e idade os impedem de depor. Paes, segundo familiares, está viajando. (Com a Comissão Nacional da Verdade)

General proíbe acesso da imprensa e diz “não ter nada a declarar” à Comissão da Verdade

                                                               
                                                       Reprodução/Facebook CNV

                          Nilton Cerqueira proibiu acesso da imprensa ao seu depoimento


Redação Portal IMPRENSA | 29/07/2014 16:45
  
O general reformado Nilton de Albuquerque Cerqueira, de 84 anos, não permitiu que a imprensa acompanhasse seu depoimento na Comissão Nacional da Verdade (CNV) na manhã desta terça-feira (29/7). Na audiência, ele informou apenas que não tinha “nada a declarar”. Neste dia, um ex-sargento também seria ouvido, mas preferiu ficar em silencio na sessão. 

Segundo O Estado de S. Paulo, a expectativa era de que Cerqueira falasse sobre o episódio do Riocentro, uma vez que era comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro na época. Durante a audiência, os integrantes da Comissão fizeram dez questões que tratavam de sua participação política durante o regime e fatos que estavam em relatórios assinados pelo próprio oficial.

O ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, integrante da comissão, ainda argumentou ser "preciso rever atos históricos para reescrever a história" e que Cerqueira tinha possibilidade de apresentar sua versão. Mesmo assim, ele se manteve calado.

De acordo com a advogada criminalista Rosa Maria Cardoso da Cunha, que também integra a comissão, o general reformado só falou em duas ocasiões. Na primeira, ele pediu para que a imprensa se retirasse do local, pois segundo ele, a mídia "distorce os fatos". O militar só se manifestou novamente para dizer que achava absurda a investigação de fatos "30 anos depois".

O general disse ainda que foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) em razão do primeiro depoimento prestado à CNV. Em resposta, Rosa explicou que a ação do MPF é anterior ao depoimento.

Além de ser questionado sobre o atentado do Riocentro, o general é apontado como comandante da Operação Pajussara, quando ainda era major. A ação resultou na morte de Carlos Lamarca, um dos líderes da oposição ao regime, no sertão da Bahia, em 1971. 

Quem também compareceu para prestar depoimento nesta terça-feira foi o ex-sargento paraquedista Jacy Ochsendorf e Souza. Ele é acusado de participar em mortes no DOI-Codi do Rio e na chamada "Casa da Morte", em Petrópolis, na região serrana do Estado. Com a oportunidade de esclarecer tais questões, o ex-sargento ficou somente 15 minutos na comissão.

A imprensa novamente foi impedida de registrar imagens. Na saída do acusado, um policial federal que faz a segurança do local não permitiu que jornalistas tirassem fotos do ex-sargento. (Com o Portal Imprensa)

Não é piada, é verdade, a policia carioca, citou o filosofo Bakunin, como um dos motivadores das manifestações violentas na cidade

                                                                 
Morto em 1876, filósofo russo é citado como suspeito em inquérito no Rio de Janeiro


Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, Mikhail Bakunin, considerado um dos fundadores do anarquismo, foi classificado como um “potencial suspeito” pela polícia carioca, que investiga manifestantes e ativistas

Da Revista Forum

Reportagem publicada nesta segunda-feira (28) no jornal Folha de S. Paulo traz uma revelação no mínimo curiosa: o inquérito de mais de 2 mil páginas, produzido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que responsabiliza 23 pessoas pela organização de ações violentas em manifestações de rua, aponta o filósofo Mikhail Bakunin como um dos suspeitos. Morto em 1876, o russo é considerado um dos pais do anarquismo.

De acordo com a matéria, Bakunin foi citado por um manifestante em uma mensagem interceptada pela polícia. A partir daí, passou a ser classificado como um “potencial suspeito”. A professora Camila Jourdan, de 34 anos, uma das investigadas, menciona esse episódio para demonstrar a fragilidade do inquérito. “Do pouco que li, posso dizer que esse processo é uma obra de literatura fantástica de má qualidade”, descreve.

Essa não é a primeira vez que intelectuais já falecidos figuram em autos das autoridades brasileiras. Durante a ditadura militar, Karl Marx era um dos fichados no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), um dos principais órgãos de repressão aos movimentos políticos e sociais identificados como “subversivos”.

Jourdan ficou 13 dias presa no complexo penitenciário de Bangu, na zona oeste do Rio. Conhecida pela excelência acadêmica na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), onde coordena o programa de pós-graduação em filosofia, ela diz sido alvo de uma invenção dos investigadores. 

“Existe uma necessidade de se fabricar líderes para essas manifestações. E quem se encaixa muito bem no papel de mentora intelectual? A professora universitária. Caiu como uma luva, entendeu?”, afirma.
Para contestar o “papel de liderança” que lhe foi atribuído pela polícia, a professora se vale das teorias do filósofo francês Michael Foucault. “Foucault diz que os intelectuais descobriram que as massas não precisam deles como interlocutores. Não tenho autoridade para falar sobre a opressão de ninguém. O movimento não precisa de mim para este papel”, declara. 
FONTE: Brasil de Fato (Com Prestes a Ressurgir)

Pesquisa usa laser para 'desligar' vontade de comer

                                                                     
                          ThinkStock

Smitha Mundasad
Repórter de Saúde da BBC News

Descoberta pode contribuir para tratamento de distúrbios como obesidade e anorexia
Cientistas descobriram um aglomerado de células cerebrais que conseguem frear a vontade de comer em camundongos.

E uma boa notícia para quem tem dificuldade de evitar a porção extra: ativar esses neurônios pode parar o consumo de alimentos imediatamente, de acordo com o estudo publicado na revista Nature Neurosciences.

Segundos os cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, as células nervosas atuam como uma mesa de controle central, combinando e retransmitindo mensagens diferentes no cérebro para ajudar a reduzir a ingestão de alimentos.

Usando raios laser eles conseguiram estimular esses neurônios, levando a uma parada completa e imediata no consumo de alimentos. Os pesquisadores acreditam que a descoberta possa contribuir, no futuro, para tratamentos de obesidade e anorexia entre humanos.

"Foi incrivelmente surpreendente", disse à BBC David Anderson, principal autor do estudo. "Foi como se você apertasse um interruptor e impedisse que os animais se alimentassem."
"Foi como se você apertasse um interruptor e impedisse que os animais se alimentassem."

Os pesquisadores utilizaram produtos químicos para imitar diferentes cenários - incluindo sensações de saciedade, mal-estar, náuseas e amargura. Eles descobriram que os neurônios estavam ativos em todas as situações, o que sugere que integram a resposta a diferentes estímulos.

As células trabalhavam rapidamente quando os ratinhos tinham consumido uma refeição completa, o que indica que elas também podem desempenhar um papel importante na prevenção de excesso de alimentação.

"Estas células representam o primeiro foco bem definido que inibe a alimentação no cérebro", disse Anderson.

"É provável que células similares existam no cérebro humano. Se isto for verdade e se for possível provar que estão envolvidas na inibição do apetite das pessoas, elas poderiam proporcionar tratamento para muitas desordens alimentares."

O próximo passo, segundo os pesquisadores, seria investigar como esse aglomerado de células interage com outros centros nervosos, já conhecidos, envolvidos na ingestão de alimentos.

Os neurônios estudados na pesquisa atual estão localizados em uma região do cérebro conhecida como amígdala - uma área que também está associada a emoções como estresse e medo.

"Esta é uma contribuição muito importante", avaliou Mohammad Hajihosseini, da Universidade de East Anglia, Reino Unido, que não participou da pesquisa.

"Os pesquisadores partiram de trabalhos anteriores e encontraram outro pedaço do quebra-cabeça no circuito longo e complexo envolvido no controle do apetite no cérebro.

"Uma das próximas perguntas a responder é se esses neurônios poderiam ser um importante elo entre a alimentação e as emoções." (Com a BBCBrasil)

Plenária da CUT condena ataques israelenses

                                                                                
                                                                   Crédito: Roberto Parizott - CUT
                     Delegados e delegadas homenageiam vítimas do massacre israelense

Hussein Yousef Kawareh, de 13 anos; Bassim Salim Kawareh, de 10 anos e Mohammed Malki, de apenas 1 ano, foram alguns dos "terroristas" vítimas dos bombardeios israelenses homenageados com um minuto de silêncio pelos delegados e delegadas presentes ao ato de solidariedade à Palestina, realizado nesta terça-feira (29), em Guarulhos, durante a 14ª Plenária Nacional da Central Única dos Trabalhadores. 

De forma simbólica, os nomes das crianças foram erguidos em cartazes que lembravam os mais de mil palestinos assassinados pelos bombardeios de aviões e tanques contra a Faixa de Gaza desde o reinício dos ataques.

"Estamos aqui nos posicionando contra essa política de genocídio, contra o extermínio do povo palestino, contra o assassinato deliberado de mulheres e crianças pelo Estado de Israel", afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas, alertando para a manipulação dos conglomerados de mídia que, alinhados a Israel, tentam vender a versão do "conflito" no Oriente Médio. 

"Não há guerra ali, pois não existe qualquer equilíbrio de forças, mas uma desproporção em favor do Estado sionista, que mantém a Faixa de Gaza cercada por terra, mar e ar. Diante dos mais de mil palestinos mortos e mais de seis mil feridos e mutilados, grande parte mulheres e crianças, dos hospitais e escolas bombardeados, defendeu Vagner. "A humanidade deve interferir, porque é um direito humano que está sendo violado". 

"Segundo o chanceler de Israel, o nosso país é de quinta categoria. Ele deveria ser chamado para dar explicações. Nós exigimos que o Brasil tome posição em defesa da vida e assuma o boicote comercial e militar a Israel", disse Vagner.

Membro da executiva nacional da CUT, Antonio Lisboa reiterou que "não há guerra, mas um massacre promovido pela quarta potência militar do planeta contra uma população indefesa". "Há uma estratégia clara de extermínio de um povo", denunciou Lisboa.

Conforme o dirigente, este é o momento de a CUT fortalecer a solidariedade, levando aos locais de trabalho e às ruas a campanha para que o Brasil se incorpore à campanha internacional por Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra o Estado sionista.

 "Um brasileiro, Oswaldo Aranha, esteve à frente em 1948 da criação de Israel. Sempre defendemos o direito à existência de dois Estados, o que está sendo violado pela política implementada pelo primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu", acrescentou.

Durante o ato de solidariedade foi distribuída a cartilha "A causa Palestina", com informações sobre a origem do sionismo, a invasão e ocupação do território palestino, o nacionalismo árabe, a Guerra dos Seis Dias, a Organização pela Libertação da Palestina (OLP), o muro do apartheid e a campanha do BDS.

"Esta cartilha é um importante instrumento para ser utilizado em nossos cursos de formação e pelos professores nas salas de aula como forma de contraposição à manipulação da mídia que, em defesa de Israel, coloca sua versão como se fosse a de mocinhos contra bandidos", denunciou o presidente da Confederação Sindical Internacional, João Antonio Felício. 

A publicação cutista tem uma chave na capa, lembrou o dirigente, "como forma de protesto das famílias expulsas do seu pedaço de terra". "Eles levam a chave das suas casas na esperança de que possam retornar um dia", acrescentou.

João Felício também defendeu o boicote aos produtos fabricados em Israel como uma das maneiras para acabar com a opressão e a segregação aos palestinos. "O apartheid na África do Sul só caiu quando a campanha de boicote ganhou força e os países latino-americanos e europeus deixaram de comprar produtos fabricados no país", recordou o presidente da CSI, lembrando que Israel possui uma máquina de armas de alta tecnologia com as quais continua se sustentando. "É inadmissível que qualquer governo comercialize armas com um governo que massacra civis inocentes", disse.

Participando da mesa sobre conjuntura internacional, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães alertou que na imprensa há toda uma "mitologia" em defesa dos sionistas. "O Estado de Israel ocupa território palestino há quase 50 anos. Desde então, tal ocupação é condenada por unanimidade pela Assembleia Geral da ONU, com exceção dos Estados Unidos", acrescentou. 

O embaixador lembrou que "há um muro construído pelo governo sionista separando terras, uma prática política de destruição, de ocupação através de assentamentos, contrariando a ONU, ao mesmo tempo em que não há uma reação devida da comunidade internacional".

Durante o ato, foram exibidos dois vídeos - um curta-metragem sobre a luta dos palestinos e um clipe do artista Roger Waters, do Pink Floyd, com a música We shall overcome, em que conclama a "demolir as paredes da prisão".

ALBERTO DINES

                                                             
SONÂMBULOS

A Grande Guerra, as guerras

Alberto Dines em 29/07/2014 na edição 809

      
Impossível desligar-se da data e esquecer que a Grande Guerra começou formalmente há exatos 100 anos. Sobretudo quando os assuntos dominantes do noticiário internacional são três guerras regionais, herdeiras diretas da catástrofe euro-afro-asiática de 1914-1918. A remissão torna-se imperiosa num Observatório comprometido com o debate sobre o desempenho da imprensa.

Impossível ignorar o papel dos jornais como fomentadores do clima nacionalista, guerreiro e triunfalista produzido pelo atentado de Sarajevo  
(pronuncia-se Saraievo). Mas o espírito algo sonso e delirante daqueles Anos Elétricos foi também fabricado pelos arautos do progresso e da prosperidade – a mídia de então.

Hermann Broch (1886-1951), o visionário e cético vienense, produziu (entre outros) dois títulos que sintetizam a mentalidade daquele tempo – o ensaio “Alegre Apocalipse” e a trilogia ficcional “Os Sonâmbulos” (este também utilizado por Christopher Clark para explicar como eclodiu a guerra de 1914; Companhia das Letras, 2014).

Os avanços das ciências, da tecnologia e as facilidades oferecidas às massas criaram uma falsa sensação de certeza e inevitabilidade. A imprensa não foi propriamente belicista, ela se embalou num imenso autoengano, a primeira grande bolha da história: as evidências de progresso e prosperidade irreversíveis. Naquele clima sonambúlico imaginava-se que os grandes
impérios com suas tríplices alianças eram imperecíveis. Guerras, se houvesse, seriam breves.

A Grande Guerra foi precedida por um inédito movimento pacifista e em suas fileiras engajaram-se muitos jornalistas e intelectuais de grande prestígio. Alguns (como o jornalista-tribuno socialista francês Jean Jaurès) pagaram com a vida seu idealismo humanitário. Não é por acaso que outro vienense, o satirista Karl Kraus (1874-1936), pacifista intransigente, converteu-se no primeiro media critic de que se tem notícia.

Armas perigosas

Num mundo ainda mais informado e conectado do aquele do início do século 20, é imensa a capacidade do sistema midiático global em embarcar nas simplificações, fomentar preconceitos, equívocos e
exacerbações. Deveria ser o contrário: antes mesmo de apontar culpados por um conflito bélico é indispensável desativá-los.

Não há quem desconheça os horrores da guerra (mesmo quando o sangue é clonado com massa de tomate), mas quando uma começa ou se reacende – caso do atual enfrentamento entre Israel e o Hamas, na Faixa de Gaza – a primeira reação é tomar partido. E, ao tomar partido, transfere-se a batalha da linha de frente para a retaguarda e a guerra amplia-se, torna-se total.

Quem começou o terceiro round entre Israel e o Hamas? O sequestro e morte dos três adolescentes israelenses ou a represália contra o jovem palestino queimado vivo por fanáticos? Os quatro martírios são igualmente abomináveis, esta é a mensagem que deveria resultar do noticiário.

Cabe à mídia listar antecedentes ou causas – sobretudo a mídia digital, cada vez mais pulverizada e rasa –, mas a busca de antecedentes sem um suporte humanitário e moral costuma ser deletéria. No caso do conflito entre árabes e judeus pode-se chegar à rivalidade entre Sara, mulher do patriarca Abrahão, e a sua concubina, Agar.

Os filmes onde a guerra é retratada com fidelidade devem conter uma carga equivalente de horror. Relatos de guerras podem ser armas de guerra quando manejados pela soldadesca tacanha e burra.

Utopismo e palpitismo

Do primeiro conflito entre o Estado de Israel e os países árabes até a sangueira de hoje, o contencioso central é a partilha da antiga Palestina em dois estados decidida pela Assembleia Geral da ONU, sob a presidência do
brasileiro Oswaldo Aranha, em novembro de 1947. O governo de Israel (então liberal-trabalhista) saudou-a e a acatou prontamente. Os vizinhos não reconheceram e procuraram anulá-la.

Quatro décadas e cinco guerras depois, em Oslo, com a liderança de Yasser Arafat, os palestinos convenceram-se de que era a única solução viável e construtiva capaz de interromper a dinâmica da guerra. Hoje, a extrema direita israelense em coalizão com os fanáticos religiosos se recusa a reconhecer o Estado Palestino previsto na partilha que legitimou o Estado de Israel. Está na contramão do que deseja a Autoridade Palestina, os pacifistas dos dois lados, a esquerda judaica na diáspora, os governos dos EUA, União Europeia, América do Sul, Rússia, China, Índia e alguns países árabes.

O articulista de plantão na pág. A-6 da edição de
segunda-feira (29/7) da Folha de S.Paulo, camuflado com o uniforme de utopista, declara que Israel é uma aberração, precisa acabar, judeus e árabes devem ser obrigados a conviver num estado único. Não explica quem os obrigará. O premiê Benjamin Netanyahu agradece, também os aiatolás iranianos.

Saudações ao jornalista Ricardo Melo, o mais sério candidato ao Nobel da Guerra.

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