sexta-feira, 31 de julho de 2015

Em Itabira a 4ª Conferência Municipal para a elaboração do Plano Decenal de Cultura

                                                                   
Minas comemora o centenário de nascimento do professor João Camilo de Oliveira Torres
Itabira sempre foi, é e será palco de importantes fatos históricos, o que a torna alvo de estudos e pesquisas que levam ao conhecimento da alma e essência do povo de Minas Gerais, com incrível potencial para as artes e a cultura. Exemplo disso está na construção e conservação do seu patrimônio cultural e artístico que inclui a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, a Biblioteca Municipal, o Museu de Itabira, a Casa do Brás, a Fazenda do Pontal, a Fonte da Água Santa, o Centro Itabirano de Artesanato, o Museu do Tropeiro, a Casa de Drummond, a Casa da Banda, a Igreja do Rosário, o Casarão Paroquial, o Casarão dos Correios, a Cachoeira de Ribeirão São José, do Macuco, a Serra dos Alves e tantas outras atrações naturais e de lazer cultural.  

É importante lembrar ainda a enorme contribuição de ilustres itabiranos na construção do acervo literário, musical, teatral, de dança, com grandes produções que contam causos e histórias das comunidades e da formação do município de Itabira, a pedra que brilha.  

A vocação cultural da cidade é inegável, patente, evidente desde que aqui ancoraram os irmãos Albernaz desbravando e descortinando a aptidão do Município para as descobertas em diversas áreas e setores produtivos que vão da diversificação econômica, com a exploração de recursos minerais à sua expansão social e cultural. 

Itabira é mundialmente conhecida e respeitada pela contribuição inestimável do Poeta Maior Carlos Drummond de Andrade, nosso mais ilustre embaixador das letras,  que deu à poesia calor e  vida em verso e prosa. A ele inegavelmente devemos a elevação do nome de nossa cidade em todos os cantos do mundo.

Inestimável também é a obra de outros literatos e em especial João Camilo de Oliveira Torres que pelo seu centenário de nascimento será lembrado e homenageado durante a realização da 4ª Conferência Municipal de Cultura de Itabira que ocorrerá nos dias 31 de julho e 1ª de agosto de 2015, no teatro da Fundação Carlos Drummond de Andrade, no horário das 8 às 18 horas, na sexta-feira, e das 9 às 13 horas, do próximo sábado.

A 4ª Conferência Municipal de Cultura tem como objetivo elaborar o Plano Decenal de Cultura com a proposta de discutir com todos os segmentos da sociedade civil as políticas públicas de cultura para o município focadas no desenvolvimento humano, social e econômico com o pleno exercício dos direitos culturais, valorizando as artes plásticas, as manifestações culturais, as diversas etnias, tradições e crenças religiosas, os espaços culturais, a literatura, o artesanato, a música, a dança, o teatro, a arquitetura, os centros históricos, enfim, todas as manifestações que registram a vida da cidade e na cidade.  

O Plano Decenal de Cultura é um marco sem precedente na trajetória cultural de Itabira, por trazer à tona a discussão em torno de eixos importantes como cultura e desenvolvimento, o sistema de financiamento público das ações culturais, fundos e incentivos fiscais, programas de fomento e incentivo à cultura, a qualificação e capacitação dos atores culturais, o sistema de formação de novos talentos e o aprimoramento técnico dos já existentes, os sistemas setoriais e de indicadores e informações culturais visando organizar estruturas próprias para o atendimento das necessidades e expansão das políticas culturais, além da produção simbólica e diversidade cultural dividida em três significativos eixos que vão das manifestações que se traduzem por diversas línguas, valores, crenças e práticas, à dimensão cidadã que parte do princípio de que os direitos culturais fazem parte dos direitos humanos na sustentação das políticas culturais, além da dimensão econômica que também gera riqueza, trabalho e a economia do conhecimento impulsionada pelos investimentos em educação e cultura.

Todo cidadão poderá e deverá participar dessas discussões, desse palco de ideias, desse pool de informações a cerca da estabilidade e continuidade das manifestações culturais de Itabira, propondo, discutindo, reinventando, impulsionando, sugerindo e incentivando a construção das políticas públicas culturais com a unânime e inconteste participação de todos no processo de estabelecimento, escolha e organização das ações mais relevantes e indispensáveis ao setor cultural.

Faça sua inscrição pelo site: snc.ita.mg.gov.br/cultura
Participe das discussões! Opine! Traga a sua contribuição!
Manifeste o seu desejo de ter uma cidade que respira cultura, que valoriza seus talentos, e que, por consequência gera diversificação econômica com arte!

Autora: Darliéte Geralda Araújo Martins
Jornalista – Conselheira de Cultura/Segmento: Literatura

O pacto militar entre Grécia e Israel

                                                  

Manlio Dinucci (*)


Não é apenas na vergonhosa capitulação face à troika que o governo Syriza-Anel manifesta a sua verdadeira natureza. A vassalagem ao imperialismo, que Tsipras já garantira na visita pré-eleitoral aos EUA, concretiza-se agora na integração plena na estratégia da NATO para a região, e na cooperação com o Estado sionista, peça-chave nos planos imperialistas de expansão e agressão.

Quando Tsipras chegou ao poder na Grécia tocaram em Israel as sinetas de alarme: o Syriza apoiava a causa palestina e podia por fim á cooperação militar da Grécia com Israel. Face à brutal repressão israelita contra os palestinos, advertia Tsipras, «não podemos permanecer passivos, pois o que sucede na outra margem do Mediterrâneo pode suceder amanhã na nossa costa».

Sete meses passados calaram-se os alarmes: Panos Kammenos, ministro de Defesa do governo Tsipras fez uma visita oficial a Telavive onde, a 19 de Julho, assinou com o homólogo israelense, Moshe Ya’alon, um importante acordo militar. Para esta decisão, Kammenos, fundador do novo partido da direita grega ANEL, escolheu precisamente o momento em que a Grécia se encontrava atenazada com o problema da dívida. 

O «acordo sobre o status das forças», comunica o ministério da Defesa grego, estabelece um quadro jurídico que permite ao pessoal militar de cada um dos países deslocar-se e permanecer no outro país, com o objectivo de participar em exercícios e actividades de cooperação». 

Um acordo idêntico a este, Israel só assinou um com os Estados Unidos. Na agenda das conversações também está incluída uma referência à «cooperação na indústria militar» e na «segurança marítima», particularmente nas jazidas de gás «offshore», que Israel, Grécia e Chipre consideram sua «zona económica exclusiva», não reconhecendo as reivindicações da Turquia.

Em cima da mesa das negociações também esteve «a questão da segurança do Médio Oriente e do Norte de África». Dando eco às declarações de Moshe Ya’alon que denuncia o Irão como «gerador de terrorismo, cuja ambição hegemónica mina a estabilidade dos outros Estados», Kamenos declarou que «também a Grécia se encontra ao alcance dos mísseis iranianos; e ainda que um só chegasse ao Mediterrâneo poderia acabar com os Estados da região».

A decisão de contactar a chefia das forças armadas israelenses tem como objectivo estabelecer uma coordenação mais estreita com as forças armadas da Grécia. Ao mesmo tempo, o chefe da marinha militar helénica, o vice-almirante Evangelos Apostolakis, assinou também com o seu homólogo israelense um acordo de cooperação, não muito explícito, sobre «serviços hidrográficos». 

O pacto militar com Israel em nome do governo de Tsipras não é apenas uma vitória pessoal de Kammenos. Ele insere-se na estratégia dos EUA/NATO e na sua ofensiva para Leste e para Sul com o objectivo de integrar mais estreitamente a Grécia na aliança Atlântica, e também de forma mais ampla numa coligação de países onde se inserem Israel, Arábia Saudita, Ucrânia e outros.

O secretário-geral da NATO, Stotenberg, declarou que o «pacote de resgate» da UE à Grécia é «importante para toda a OTAN» já que a Grécia é um «sólido aliado que investe mais de 2% em Defesa (nível só semelhante na Europa ao alcançado pela Grã-Bretanha e a Estónia).

Para a NATO é especialmente importante a base aeronaval da baía de Suda, em Creta, permanentemente usada nos últimos anos pelos EUA e outros aliados na guerra contra a Líbia e nas operações militares na Síria. Graças ao pacto da Grécia com Israel é agora utilizável, também na sua função anti-Irão.

Neste quadro estratégico, aprofundam-se as contradições entre a Grécia e Israel por um lado e a Turquia no outro. Na Turquia, a NATO mantém outras 20 bases e o comando das forças terrestres que em nome da «luta contra o EI» bombardeia os curdos do PKK (os verdadeiros combatentes anti-EI), e juntamente com os EUA prepara-se para ocupar a faixa setentrional do território sírio. Escudando-se no art.º 4º do Pacto Atlântico, que refere as ameaças à segurança e à integridade territoriais.

(*) Geógrafo e analista político

Este texto foi publicado em: http://ilmanifesto.info/il-patto-militare-grecia-israele/

Tradução de José Paulo Gascão

Drone gigante levará internet para locais remotos

                                                            
                      Drone ficará no ar por três meses e levará internet para locais remotos


O Facebook finalizou a construção de um drone gigante que garantirá acesso à internet a lugares remotos, que não têm estrutura de telecomunicações. A aeronave não tripulada terá a envergadura de um “Boeing 737” e poderá ficar no ar por cerca de três meses, a uma altura de 18 km a 27 km.

De acordo com o portal Link, do Estadão, o drone feito de fibra de carbono foi nomeado como Aquila e será movido a energia solar. Desenhado pela Connectivity Lab, uma divisão do Facebook, ele foi feito para desenvolver a plataforma do internet.org, no Reino Unido. 

O aparelho também fará a transmissão de dados da web por meio de lasers. O vice-presidente de engenharia e estrutura, Jay Parikh, disse que os testes em laboratório foram satisfatórios e que a tecnologia poderá transmitir dados com uma velocidade dez vezes maior em relação ao que é feito hoje pelas indústrias.

O laser terá o diâmetro de uma moeda de dez centavos e terá alcance de até 16 km de distância. Parikh afirma ainda que o objetivo é “criar uma rede estratosférica de comunicação via laser, que pode se estender até as regiões mais remotas do mundo”.  (Com o Portal Imprensa)

Sionistas ateiam fogo na casa de uma família palestina e matam um bebê queimado vivo!

                                                      
            
                   Uma monstruosidade sem limites!

 Maristela R. Santos Pinheiro

Ontem (30/07), colonos judeus assassinaram o bebê palestino Ali Dawabsha, que morreu queimado vivo, após  atearem fogo em casas palestinas, que querem se apropriar. A família do bebê está gravemente ferida, inclusive seu irmão de quatro anos. Sua mãe, Riham Dawabsheh sofreu queimaduras em 90% do corpo e o pai, Sr. Saad Mohammed  está com 80% do corpo queimado. Estão todos correndo risco de vida.

Nas  paredes de fora da casa, os colonos sionistas escreveram  em hebraico "VINGANÇA"  e” VIDA LONGA AO MESSIAS”, e pintaram  a estrela de Davi, símbolo do judaísmo.. Essa monstruosidade aconteceu em Nablus, na localidade de Duma. 

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) declarou que levará o caso à Corte Penal Internacional e exigirá as responsabilidades do Estado de Israel nos acontecimentos.

O Hamas convocou os palestinos a irem para as ruas, nesta sexta feira e protestarem contra mais  essa barbaridade do Estado sionista.

Este não é um caso isolado, houve no último período uma intensificação das atividades fascistas contra o povo palestino por parte do Estado sionista.  A internet está cheia de filmes postados pelos palestinos,  que revoltam pela covardia e requinte de maldade do exército de Israel contra mulheres, jovens, crianças e homens.

Esta semana o líder da FPLP  juntamente com seus companheiros de cela foram atacados e covardemente surrados pelo exército, dentro da prisão israelita  de Nafha.

Na semana passada, um grupo de judeus tentou entrar na Mesquita Al-Aqsa, provocando confrontos, causando prisões, espancamentos e humilhações aos jovens palestinos que resistiram.
  
O processo de colonização e limpeza étnica da palestina  é uma estratégica em que  o Estado  utiliza duas táticas diferentes e complementares: a primeira é quando as instituições do Estado definem que uma área deve ser desapropriada, normalmente elaboram uma "história" fantástica e mentirosa, para provar que o bairro milenar é ilegal e, portanto dever ser demolido, em seu lugar é construída uma colônia sionista.

A segunda tática é a ação dos próprios colonos que visam afastar os moradores palestinos de suas casas históricas.  Nesta tarefa, vale tudo: rapto de crianças na volta da escola, atirar para dentro das casas palestinas, provocar incêndios e uma infinidade de maldades para afugentar as pessoas de suas casas. Neste caso, as casas são ocupadas pelos sionistas que são estimulados pelo Estado de Israel a irem para a Palestina ocupada colonizar o território. 

O caso da família incendiada e o bebe queimado vivo será mais um exemplo desta ocupação militar assassina, como foi o jovem palestino queimado vivo, também por colonos sionistas, a cerca de um ano.

O Estado de Israel já mostrou para o mundo o seu significado, sua natureza e seus objetivos. Um Estado fascista que está levando o terror assassino que pratica contra o povo palestino, desde 1948, ano da ocupação sionista, a todo o mundo árabe. Sua aliança com o ISIS ou DAESH  é a prova disso. O povo árabe da Palestina, do Iraque, da Síria está sentindo na própria pele  o significado da dominação imperialista/sionista  de seu território.

E muito importante, neste momento, a tarefa da solidariedade internacionalistas. Nesse sentido, conclamamos a todos os internacionalistas  e apoiadores da causa árabe a denunciar e se manifestar contra as atrocidades do Estado de Israel. (Com Somos Iodos Palestinos)

Do latifúndio ao agronegócio. A concentração de terras no Brasil

                                                                           
                                                                                                                                                                Portinari


"A Justiça em nosso país não condena quem tem dinheiro e influência política. Com intermináveis recursos e manobras judiciais, os processos nunca vão a julgamento. Porém, a falha não está só no setor judiciário, à medida que os inquéritos são mal elaborados, muitas vezes propositalmente, para já nesta fase facilitar a absolvição do criminoso influente. Sem dúvida, a lentidão da Justiça contribui com a impunidade e, de certa maneira, incentiva o crime."

Apenas no Mato Grosso, um dos principais polos do agronegócio no país, a má distribuição da terra é tem se tornado uma das principais causas de conflitos sociais

Do IHU Online

 A concentração desequilibrada de terras está na raiz da história brasileira. O antigo latifúndio, responsável pelas extensas propriedades rurais, "se renovou e hoje gerencia um moderno sistema chamado agronegócio", constata Inácio Werner, em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail.

Segundo ele, apenas no Mato Grosso, um dos principais polos do agronegócio no país, a má distribuição da terra é evidente e tem se tornado uma das principais causas de conflitos sociais. No total, "3,35% dos estabelecimentos, todos acima de 2.500 hectares, detém 61,57% das terras. Na outra ponta, 68,55% dos estabelecimentos, todos até 100 hectares, somente ficam com 5,53% das terras".


Nos últimos 10 anos, 114 pessoas foram ameaçadas e seis foram assassinadas por combater o monopólio do campo. Na avaliação do sociólogo, o Estado não dispõe de uma política pública eficiente de proteção às vítimas porque é "forçado a tomar posição e enfrentar aliados".


Inácio José Werner é graduado em Ciências Sociais pelas Faculdades Integradas Cândido Rondon – Unirondon e especialista em Movimentos Sociais, Organizações Populares e Democracia Participativa pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Foi Agente de Pastoral da Paróquia do Rosário e São Benedito, e posteriormente da Comissão Pastoral da Terra – CPT.

Atualmente, é coordenador do projeto Rede de intervenção social do Centro Burnier Fé e Justiça, com sede em Cuiabá. Atua na luta pela erradicação do trabalho escravo, coordena o Fórum de Erradicação do Trabalho Escravo e participa da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo – Coetrae e do Conselho Gestor do Fundo de Erradicação do Trabalho Escravo – Cegefete. Integra ainda a coordenação do Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento.

Confira a entrevista.

Qual a atual situação agrária do estado de Mato Grosso?


O latifúndio se renovou e hoje gerencia um moderno sistema chamado agronegócio, que controla as terras e a produção. Dados do último censo agropecuário de 2006 indicam que 3,35% dos estabelecimentos, todos acima de 2.500 hectares, detém 61,57% das terras. Na outra ponta, 68,55% dos estabelecimentos, todos até 100 hectares, somente ficam com 5,53% das terras.


Em que contexto social e econômico ocorrem os conflitos agrários no campo em Mato Grosso?Inácio Werner – A concentração das terras traz um reflexo direto para a agricultura familiar. Enquanto a média nacional de apropriação é de 33,92% dos recursos, em Mato Grosso esta fatia cai para 6,86%. Em outras palavras, 93,14% do bolo fica com a agricultura empresarial.


Dom Pedro Casaldáliga, em Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social, documento que completa 40 anos no dia 9 de outubro, já denunciava o conflito estabelecido pela ganância do latifúndio, que assalta e expropria comunidades e povos que viviam por gerações em sua terras, destacando as populações tradicionais como quilombolas, retireiros e povos indígenas.


Quais são as principais razões de ameaças no campo no estado? Quantas pessoas estão sendo ameaçadas, hoje, no Mato Grosso?


A principal causa de ameaça é a resistência na terra ou a luta pela conquista de um pedaço de chão. Também temos ameaças pela denúncia de venda de lotes destinados à reforma agrária, a denúncia de trabalho escravo, desmatamento ou venda de madeira, além do uso abusivo de agrotóxicos.


Segundo o caderno Conflitos da Comissão Pastoral da Terra, em Mato Grosso, entre 2000 e 2010, 114 pessoas foram ameaçadas, algumas mais de uma vez. Uma mesma pessoa chegou a ser ameaçada seis vezes. Deve-se ressaltar que, destas 114 pessoas, seis foram assassinadas. Nos últimos três meses recebemos mais cinco denúncias de ameaças de morte por lideranças ligadas à luta do campo.


Quem são os grupos econômicos e políticos que exercem hegemonia em Mato Grosso?

O latifúndio, rearticulado através do agronegócio, perpassa e influencia a quase totalidade dos partidos políticos em Mato Grosso. Uns representam o latifúndio e outros, o agronegócio.


Quem é Blairo Maggi? Qual é a sua real força política no estado? Como construiu seu poder econômico e político? E como ele se relaciona com o movimento social?


Blairo é da linha de frente do modelo do agronegócio, alguém que passou a ser porta voz de uma classe, captando muito bem o anseio dos latifundiários que, em vez de escolherem representantes, apostaram em quem era "um" dos seus.

Blairo, através do Grupo Amaggi (André Maggi, pai de Blairo) foi construindo seu "império" através da diversificação. Não investiu somente na modernização de seu latifúndio: além de rei da soja, ele compra, transporta, tem as barcaças, investe em portos, constrói PCHs (pequenas centrais hidroelétricas).


Blairo também se modernizou na relação com o movimento social. No início de seu governo, em 2003, dizia que no Mato Grosso não existia trabalho escravo. Depois, através da pressão dos movimentos sociais, assinou o Plano Estadual de Erradicação de Trabalho Escravo. Recebeu o prêmio "motosserra de ouro", e depois deu sinais buscando evitar a derrubada da mata.


Como o Partido dos Trabalhadores (PT) do estado reagiu ao fato de Maggi ser um dos principais apoiadores de Lula nas últimas eleições e agora de Dilma Rousseff?


A aliança entre PT e PPS e, depois, PR foi costurada em nível nacional e repetida no estado com pouca resistência; houve reações de setores minoritários.


Como repercutem as denúncias de corrupção do Ministério dos Transportes em Mato Grosso que tem em Pagot um dos personagens centrais e é um dos afilhados políticos de Maggi?


No Mato Grosso, a relação Pagot/Maggi é muito conhecida; eles estavam juntos nos dois mandatos do governo Maggi. A reação é pequena, pois a mídia repercute pouco e a relação de ambos é vista como mais um escândalo a se somar a tantos outros.


O Fórum de Direitos Humanos e da Terra – Mato Grosso propõe ao governo do estado a criação do Programa Estadual de Proteção à Testemunha. Como o governo mato-grossense recebeu essa proposta e qual sua expectativa em relação ao Programa?


O Fórum há anos insiste e faz articulação para que o governo estadual possa aderir aos programas federais de proteção. Estas tratativas de aderir esbarram em diversas desculpas, como as alegações de que não há dinheiro para a contrapartida, que isso iria requerer uma grande quantidade de policiais, que teria que haver leis para poder implantar os programas. Agora, pelo menos um primeiro passo parece ter sido dado à medida que se encontram previstos no PPA recursos para esta contrapartida.


O que dificulta, em sua opinião, a constituição de uma política pública eficiente de proteção às testemunhas


O que mais dificulta é o convencimento da importância desta política. O segundo fator é o medo de se comprometer, porque exige uma resposta do Estado. O Estado é chamado a agir sobre as causas das ameaças e, então, é forçado a tomar posição e enfrentar aliados.


Segundo a Comissão Pastoral da Terra – CPT, nos últimos 25 anos, 115 pessoas foram assassinadas em função dos conflitos do campo em Mato Grosso, e apenas três casos foram julgados. Como o senhor analisa a atuação do sistema judiciário brasileiro nesses casos de violência? Por que é difícil julgar os mandantes dos crimes?


A Justiça em nosso país não condena quem tem dinheiro e influência política. Com intermináveis recursos e manobras judiciais, os processos nunca vão a julgamento. Porém, a falha não está só no setor judiciário, à medida que os inquéritos são mal elaborados, muitas vezes propositalmente, para já nesta fase facilitar a absolvição do criminoso influente. Sem dúvida, a lentidão da Justiça contribui com a impunidade e, de certa maneira, incentiva o crime.


O Centro Burnier se constitui, hoje, na principal referência do movimento social do Mato Grosso? Quais são as outras organizações com quem vocês trabalham?


Não saberia dizer se o Centro Burnier é a principal referência. O que sei é que nos esforçamos para uma mudança na forma de agir, sempre atuando em rede, reforçando espaços coletivos.


O desafio é criar uma rede forte em momento de fragilização dos movimentos sociais onde a luta pela sobrevivência de cada organização está ameaçada. Trabalhamos em várias frentes de luta, em parceria com algumas instituições, como a Comissão Pastoral da Terra, o Centro Pastoral para Migrantes, o Conselho Indigenista Missionário, as Comunidades Eclesiais de Base, o Centro de Estudos Bíblicos, a Operação Amazônia Nativa, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional, o Sindicato dos Profissionais da Educação, o Instituto Centro de Vida, além de setores organizados na Universidade Federal de Mato Grosso. (Com o MST)

Hillary Clinton pretende que Congresso coloque um fim no embargo com Cuba

                                                             
Hillary Clinton, pré-candidata presidencial democrata, apelou esta sexta-feira ao Congresso norte-americano para terminar com o longo embargo económico aplicado pelos Estados Unidos a Cuba.

«O embargo cubano precisa acabar de uma vez por todas», afirmou a ex-secretária de Estado, no discurso proferido em Miami, cidade que abriga cerca de 80 por cento dos 1,5 milhões de norte-americanos de origem cubana.

Recorde-se que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, restaurou formalmente os laços diplomáticos com Cuba, que fica a cerca de 144 quilómetros da Florida. No entanto, o Congresso pode suspender o embargo. (Com o Google)

Os Sem Teto estão em ação


                                                                          
    
JORNADA NACIONAL DA RESISTÊNCIA URBANA - 18/3:

O BRASIL PAROU!

Nesta quarta-feira, o MTST e movimentos da Frente de Resistência Urbana realizaram um Dia Nacional de Lutas em 13 estados do país.

Foram bloqueadas dezenas de rodovias e avenidas nas capitais exigindo o lançamento imediato do Programa Minha Casa Minha Vida 3, prometido pelo Governo Federal desde 2014 e o recuo no ajuste fiscal.

O ajuste antipopular do governo já afetou programas como o Minha Casa Melhor, além de ter adiado até aqui o lançamento do MCMV. Exigimos ainda as mudanças propostas pelo Movimento neste programa, revertendo o privilégio às empreiteiras e fortalecendo a gestão direta dos projetos.

Diante do fortalecimento de um discurso de ódio e golpismo, as mobilizações desta quarta também marcaram posição contra a defesa de intervenção militar, o preconceito elitista e a intolerância. Defendemos ainda uma política de reformas populares para saída da crise.

CRIAR PODER POPULAR!

REVOLUCIONÁRIOS DO BRASIL, FOGO NO PAVIO!

A lista dos pelo menos 22 travamentos de hoje:

- São Paulo:

Bloqueio da Rodovia Raposo Tavares, das 8h as 9hs (MTST)

Bloqueio da Marginal Pinheiros, das 8h40 as 9h30 (MTST)

Bloqueio da Avenida Teotônio Vilela, das 9hs as 10h15 (Nós da sul)

Bloqueio da Rodovia Regis Bitencourt, das 9h30 as 10h20 (MTST)

Bloqueio da Avenida Assis Ribeiro, das 9h20 as 10hs (MTST)

Bloqueio da Av. Giovani Gronchi / Estrada de Itapecerica, das 9h30 as 10h30 (MTST)

Bloqueio da Avenida Aricanduva, das 9h30 as 10h30 (MTST)

Bloqueio da Radial Leste, em andamento, das 9h50 as 10h50 (MTST)

Bloqueio da Marginal Tietê, em andamento, das 9h30 as 10h20 (MTST)

Bloqueio da Via Anchieta, das 16h as 17h (MTST)

Bloqueio da Via Dutra, à tarde (MUST)

- Rio de Janeiro:

Bloqueio da BR 101, em Niterói, das 6h30 as 7h30 (MTST)

- Minas Gerais:

Bloqueio da BR 050 em Uberlândia (Fórum das Ocupações - CPT)

Bloqueio da BR 365 em Uberlândia (Fórum das Ocupações - CPT)

Bloqueio da BR 165 em Uberlândia (Fórum das Ocupações - CPT)

Bloqueio da MG 010 em Belo Horizonte (Brigadas Populares)

Bloqueio do Anel Viário em Belo Horizonte (Brigadas Populares)

Bloqueio da BR 040 em Belo Horizonte (Brigadas Populares)

- Ceará:

Bloqueio da BR 116 em Fortaleza (MTST)

- Paraíba:

Bloqueio da Avenida Tacio Pessoa, João Pessoa (Terra Livre)

- Paraná:

Bloqueio do Contorno Sul, Curitiba (MPM)

- Bahia:

Bloqueio da Av. Paralela, Salvador (MSTB)

                                                          (Com o MTST)

Entidade de defesa dos direitos da mulher lança ferramenta digital para jornalistas

                                                             

Cláudia Souza


A ONG Instituto Patrícia Galvão – Mídias e Direitos divulgou  quarta-feira, 29, o “Dossiê Violência contra as Mulheres”, que reúne pesquisas atualizadas, serviços e fontes especializadas em violência de gênero no Brasil. Os dados integram uma plataforma digital direcionada a profissionais de imprensa. 

O objetivo é qualificar e promover a cobertura jornalística do tema. O material, que poderá ser acessado a partir da segunda semana de agosto pelo público em geral, já está sendo disponibilizado para profissionais de comunicação.

— Reunimos um banco de fontes de especialistas que podem contribuir com informações e análises estratégicas, além das pesquisas mais recentes sobre o tema. A ideia é mantermos a atualização permanente da plataforma e, desta forma, auxiliarmos a mídia na contextualização da violência contra a mulher, no repasse de informações e caminhos para a denúncia, assistência jurídica e social às vítimas, explicou Débora Prado, representante do Instituto Patrícia Galvão.

De acordo com Jacqueline Pitanguy, da ONG Cidadania, Estudo, Pesquisa Informação e Ação – Cepia, a cobertura da mídia brasileira sobre a violência de gênero avançou nos últimos anos, mas precisa melhorar.

— O salto de qualidade seria deixar de lado o aspecto do escândalo e do crime para uma abordagem contextual da violência incluindo questões relacionadas ao papel de homens e mulheres na nossa sociedade e as estruturas de poder fundamentais ao trabalho de prevenção.

A jornalista Sueide Kintê, do Coletivo de Mulheres Negras Flores de Dan, acredita que a plataforma digital resultará no aumento da produção de reportagens sobre o tema nas mídias alternativas e em grandes veículos:

— Será um grande desafio oferecer pautas que contribuam para a realidade das mulheres dentro de suas casas e para a elaboração de estudos sob a temática das mulheres negras no Brasil.

A ferramenta digital contribuirá para a visão mais ampla do assunto por parte da mídia, na opinião de Maíra Kubik, professora em Estudos de Gênero e Diversidade, do Departamento de Ciência Política, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

— A plataforma digital vai contribuir para a eliminação de preconceitos quando o tema surge na cobertura dos veículos de comunicação. Podemos situar a violência como a ruptura de qualquer forma de integridade, seja psíquica e sexual. Da forma como a sociedade está constituída, encontramos determinados grupos em posições de superioridade e inferioridade.  Nas relações de gênero as mulheres comumente são vistas como inferiores.

A Secretária de Política para as Mulheres da Presidência da República, Aline Yanamoto, destacou o crescimento de casos de feminicídio no País, morte violenta de mulheres por razão de gênero, e a importância do papel da imprensa para o entendimento da questão:

— O percentual de mulheres assassinadas entre as mortes violentas é 10% no Brasil, onde as mulheres estão mais vulneráveis justamente por serem mulheres. Cerca de 16 países já tipificaram o feminicídio. A América Latina apresenta preocupante taxa de elevação deste crime. O debate qualificado na mídia será relevante para discutirmos estratégias de combate à violência de gênero.

Dossiê foi apresentado esta semana (Imagem: Divulgação/Agência Patrícia Galvão)

(Com a Associação Brasileira de Imprensa)

quinta-feira, 30 de julho de 2015

A 30 anos do assassinato de missionário, violência no campo segue crescendo em Rondônia

                                                          

                                             
                                           Padre Ezequiel Ramin (à frente) em discurso
Josep Iborra Plans

Comissão Pastoral da Terra - CPT

No último fim de semana, 25 e 26 de julho, em Cacoal (Estado de Rondônia) e no vizinho município de Rondolândia (Mato Grosso) romeiros e devotos pediram a beatificação do padre Ezequiel Ramin, missionário comboniano assassinado no dia 24 de julho de 1985. A morte teria sido em virtude da sua mediação num conflito agrário da região. No local onde foi assassinado, foi celebrada uma missa presidida pelo bispo diocesano de Ji Paraná. dom Bruno Pedron, e pelos responsáveis no Brasil pela Congregação dos Missionários Combonianos, congregação à qual pertencia o padre Ezequiel. 

Um grupo de pessoas de sua região natal, Pádua, Itália, estava presente, juntamente com o irmão do mártir, Antônio Ramin, que participaram na bênção de um cruzeiro e uma capela comemorativa. Perto do mesmo lugar onde pouco depois de morrer Ezequiel, dois fazendeiros teriam sido executados também em represália.

Trinta anos depois do martírio do padre Ezequiel, a violência do campo continua acirrada em Rondônia. Na própria Rondolândia, já dentro do estado vizinho de Mato Grosso, os pequenos agricultores são posseiros sem título de terra e a prefeita da cidade, Beth Sabah [Partido dos Trabalhadores – PT] tem recebido ameaças por causa da sua defesa, sem que Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] e o Programa Terra Legal, do Ministério de Desenvolvimento Agrário, consigam regularizar a situação.



Em outros lugares de Rondônia, a situação é ainda pior. Mais de 10 mortes já foram registradas este ano, envolvendo camponeses, lideranças e pessoas envolvidas em conflitos no campo. No Estado, já dobrou o número de assassinatos registrados no ano passado – ao todo cinco – em apenas sete meses.

Foi em Machadinho do Oeste, onde Fábio Carlos da Silva Teixeira, sem terra do Acampamento Fortaleza, foi assassinado a pauladas, no dia 12 de abril de 2015. Em Machadinho, será justamente o local onde será realizada, no próximo dia 23 de agosto, a 10ª Romaria da Terra e das Águas de Rondônia, organizada pela Paróquia Santa Marta, pela Arquidiocese de Porto Velho, pela Diocese de Ji Paraná, Diocese de Guajará Mirim, pelo Sínodo da Amazônia da Igreja Luterana no Brasil (IECLB), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Projeto Padre Ezequiel e pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Em Machadinho, mais de 550 famílias da comunidade ribeirinha de Tabajara podem ser expulsos de suas terras pela construção da Usina de Tabajara, atingindo também seringueiros, indígenas isolados, e os povos tenharim, gavião e arara, no Rio Machado.

A 10ª Romaria da Terra e das Águas têm como tema "Terra, floresta e água, dádivas de Deus para viver e conviver” e como lema "Somos testemunhas (At.3) de um novo céu e uma nova terra (Ap. 21)”, e propõe uma reflexão sobre o uso e a partilha dos dons da Amazônia.

A maioria das mortes do campo, em 2015 (nove), e duas tentativas de homicídio por conflitos agrários aconteceram na Amazônia. Preocupa, especialmente, a espiral crescente de violência enfrentada pelos sem terra por parte de jagunços a mando de latifundiários, com denúncias (reiteradas e não esclarecidas) de envolvimento de policiais em milícias armadas e pistolagem.

"Uma guerra aberta, onde quase sempre apenas os camponeses são presos e criminalizados. Onde a impunidade de mandantes e autores dos homicídios continua sendo a norma predominante. Assim de nada parece ter servido, a pedido do governo de Rondônia, deixar a Força Nacional em Ariquemes. Nem multiplicar a todo custo os despejos de camponeses. Nem as reclamações da Ouvidoria Agrária Nacional junto ao Governo do Estado, pedindo proteção aos ameaçados”, denuncia a CPT.

Com acampamentos à beira da estrada e conflitos por resolver há décadas, sem novos assentamentos sendo criados pelo Incra. Com o desemprego aumentando, a cada dia, mais empobrecidos das periferias das cidades olham para o campo como alternativa de sobrevivência e vida dignas, ocupando terras abandonadas, reivindicando a função social da propriedade e a reforma agrária.

                                                            
Conflitos entre camponeses e fazendeiros já resultaram em 10 mortes em Rondônia apenas em 2015


"Aliás, uma função social reconhecida pela Constituição que, de fato, parecem negar todos os juízes que decidem sobre a questão agrária em Rondônia, sendo que alguns acreditam que para acabar com os conflitos basta despejar todos os sem terra, camponeses, posseiros ou qualquer ocupação de terras, (inclusive de terras públicas e de assentamentos de reforma agrária, como está acontecendo). Decisões que somente radicalizam a demanda de terra dos desempregados e empobrecidos, pois, como já dizia o mártir Ezequiel Ramin, em 1985: ‘Só com justiça na terra haverá vida e paz’”, assinala a CPT.

Assassinatos do campo em Rondônia de janeiro a julho de 2015:

1º - JOSÉ ANTÕNIO DÓRIA DOS SANTOS, 27 DE JANEIRO DE 2015 EM CAMPO NOVO, RO. José Antônio Dória dos Santos, conhecido como Zé Minhenga, de 49 anos, foi morto a tiros durante a noite do dia 27 de janeiro de 2015 no Distrito Rio Branco, situado entre Campo Novo e Buritis. Após ter liderado uma ocupação de terra, fazia mais de ano que tinha desistido do Acampamento 10 de Maio, na Fazenda Formosa em Alto Paraíso. O crime foi visto como uma retaliação pelo Acampamento, após despejo, ter reocupado, novamente, a fazenda e a denúncia de que policiais de Buritis realizavam segurança particular na fazenda.

2ª - ALTAMIRO LOPES FERREIRA, 47 ANOS, COSTA MARQUES, RO. Camponês sem terra tinha sido despejado fazia poucas semanas juntamente com outras famílias do Acampamento Nova Esperança, numa área pública conhecida como Área do Badra, próxima a cidade de Costa Marques. Agentes da CPT contaram que ele sofreu ameaças, desaparecendo no dia 04 de março. Seu corpo foi achado em avançado estado de decomposição, no dia 13 de março de 2015, com os dentes quebrados, quase de joelhos no chão e pendurado com as próprias calças. Apesar disso a morte foi considerada suicídio, fato contestado pela família.

3º - FÁBIO CARLOS DA SILVA TEIXEIRA, 12 ABRIL DE 2015, EM MACHADINHO DO OESTE. Sem terra pertencente ao Acampamento Fortaleza, que ocupava uma área de concentração fundiária do Assentamento Santa Maria II. Em ambiente de grande tensão e ameaças contra os acampados por parte de um grupo de fazendeiros da região, que concentraram terras de reforma agrária, o acampado foi achado morto a pauladas, na estrada, no dia 12 de abril de 2015, na linha SME-15, Vila Brinati.

4º , 5º e 6º - PAULO JUSTINO PEREIRA , 01 DE MAIO DE 2015, E MAIS DOIS COMPANHEIROS ODILON BARBOSA DO NASCIMENTO E JANDER BORGES FARIAS,DA "ASSOCIAÇÃO VLADIMIR LENIN”, NO DISTRITO RIO PARDO, PORTO VELHO. Envolvidos no conflito da Flona Bom Futuro, (local onde morreu um policial da Força Nacional no ano passado) após criar a Associação Vladimir Lenin, Paulo Justino "Caracará” cobrava o reassentamento dos despejados da área ambiental, defendendo seu retorno à reserva. Foi assassinado em frente à Escola Municipal do Distrito de Rio Pardo, um dia depois de ter participado, em Porto Velho, de uma audiência pública da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo. Dias antes do assassinato de PAULO JUSTINO PEREIRA, também foram assassinados ODILON BARBOSA do NASCIMENTO, no dia 10/04/2015, e o topógrafo JANDER BORGES FARIAS, no dia 17/04/2015, sendo este último amigo de Paulo Justino, que também fazia parte da Diretoria da Associação Vladimir Lênin. Paulo Justino considerava que a origem de todo o conflito da Flona Bom Futuro vinha do fato da área abrigar uma grande jazida de cassiterita e nióbio.

7º e 8º - DOIS MORTOS NA FAZENDA FORMOSA, 11 MAIO DE 2015 EM ALTO PARAÍSO/MONTE NEGRO: Ainda não identificados nas informações divulgadas, duas pessoas apareceram assassinadas nas proximidades do Acampamento 10 de Maio, ocupação da Fazenda Formosa. Segundo fontes da LCP, não eram camponeses do acampamento. "Trata-se de um homem moreno, que apresentava vários ferimentos na cabeça e escoriações pelo corpo, além de estar com os pés amarrados com fio elétrico, em uma motocicleta. O segundo corpo aparentava ser de um jovem de pele clara, que também apresentava escoriações pelo corpo, além de ferimentos na cabeça. Pela forma dos ferimentos, aparentemente, os corpos foram arrastados por um veículo, de tal forma que a pele foi desgastada pelo contato ao solo, sugerindo que as vítimas tenham sido torturadas até a morte” (Fonte: Ariquemes 190).

9º - CLOVES DE SOUZA PALMA, 42 ANOS, DIA 1º DE JULHO DE 2015, EM COJUBIM, RO. Sem terra conhecido popularmente como "Neguinho" foi morto com cinco tiros de arma de fogo. O mesmo era camponês de uma ocupação da Linha C 114.

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Homenagem ao padre Ezequiel Ramin, considerado mártir pelos rondonenses.
10º - DELSON MOTA, CAPIXABA, EM BURITIS RO, 15 DE JULHO DE 2015. Foi executado a tiros no início da manhã do dia 15 de julho de 2015. Neste dia, a CPT nacional realizava o seu IV Congresso Nacional, em Porto Velho, RO. O crime aconteceu no Centro da cidade de Buritis, por volta das 6h30. Capixaba era considerado um dos líderes de sem terra na região.

Ainda houve a morte do contador Dagoberto Moreira, assassinado no dia 06 de janeiro de 2015, em Vilhena, que teve a morte relacionada ao conflito de terras. Porém, ele já tinha sido denunciado em um esquema de corrupção sobre financiamentos de tanques de peixe. Dois pedreiros foram mortos, após homens armados invadirem sua casa, no fim de 2014, estando foragido deste então.

A CPT registra ainda duas tentativas de assassinato:

JANEIRO DE 2015: ELIZEU BERGANÇOLA, geógrafo. Atiraram nele em plena luz do dia, na rua, em Machadinho do Oeste. Continua ameaçado por denunciar juntamente com seringueiros a extração clandestina de madeira de áreas extrativistas.

02 DE MAIO DE 2015 - Foi baleado UM sem-terra do Assentamento Nova Esperança, localizado na linha LC 110, de Cojubim, ALEXANDRE BATISTA DE SOUZA, 21 anos.

Josep Iborra Plans, Agente da Articulação da Amazônia da CPT Nacional.

Porto Velho, 26/07/2015. (Com a Adital)

TeleSur: a revolução e o que veio depois

                                                                                               

A TeleSur surgiu como um projeto estratégico orientado a criar uma resposta ao relato jornalístico gerado pela ideologia capitalista sobre a América Latina

TeleSur é um dos projetos mais importantes da última década na América Latina. Apadrinhado pela Revolução Bolivariana e pelo presidente Hugo Chávez, o canal de notícias de tornou a primeira tentativa séria de liberação audiovisual e de descolonização midiática, talvez não só na América Latina. Nesta sua primeira década de vida, esse projeto revolucionário enfrentou muitas dúvidas e debates – que se acentuaram nas últimas semanas, quando as redes sociais discutiram a celebração dos seus dez anos. Vejamos alguns fatos importantes relacionados à história do canal:

– TeleSur surgiu como um projeto estratégico orientado a criar uma resposta ao relato jornalístico hegemônico das empresas de comunicação, que replica a visão de continente gerada do Norte. Para isso, era preciso a criação de um canal multi estatal latino-americano. A ideia era cristalizar aquele sonho acariciado durante anos por jornalistas e trabalhadores ligados à cultura na região, de oferecer a imagem e a voz da América Latina para todo o mundo, e, principalmente, ver o mundo a partir de uma perspectiva própria.

– A partir de então, pela primeira vez, havia um espaço público multi estatal de televisão, para difundir uma realidade latino-americana que era, em grande medida, invisibilizada, ocultada, ignorada ou minimizada pelos grandes meios de comunicação dos países desenvolvidos, e inclusive pelos meios comercias da região.

– Com a existência de uma alternativa ao relato hegemônico, novos apoiadores foram se somando à tela, aqueles que durante muitos anos não haviam tido voz nem imagem começaram a informar e ser informados. 

– Uma das ideias fundadoras do projeto foi a de que a TeleSur pudesse servir de ponte entre os povos do continente. Como dizia um documento do canal: se vemos, nos conhecemos, se nos conhecemos, nos respeitamos, se nos respeitamos, aprendemos a gostarmos uns dos outros, e esse último é o primeiro passo para nos integrarmos. Se a integração é o propósito, a TeleSur é o meio.

– O projeto do canal TeleSur não consistia em fazer uma CNN latino-americana ou de esquerda, mas sim de revolucionar a televisão com um maior rigor jornalístico, veracidade, qualidade e entretenimento, informação e formação de cidadania. E, junto com o projeto da televisão, transitava outro ainda mais importante: a da Indústria Latino-americana de Conteúdos, que garante material novo – partindo do pressuposto de que podemos ver-nos com nossos próprios olhos – para TeleSur e todas as emissoras que foram surgindo. Esse projeto era (e continua sendo) imprescindível! Hoje, os processos de democratização da comunicação em nossos países permitiram o surgimento de novas frequências… que, em geral, repetem os mesmos conteúdos do inimigo.

– Os documentos preparatórios da televisora multi estatal incluíram a investigação diversa e plural da identidade latino-americana, e nessa tarefa encontraram algumas peculiaridades: a informalidade do latino-americano, o uso coloquial da linguagem e seu senso de humor transversal.

– A TeleSur demonstrou que era possível sim fazer um canal de alcance massivo, que mostrasse a nossa idiossincrasia, nossas realidades, nossas lutas e nossas ânsias. Que nos mostrasse tal qual somos, em toda a imensidade da nossa diversidade étnica e cultural, em toda a pluralidade da região. Lamentavelmente, o alcance da TeleSur sempre esteve limitado, por ser um canal satelital, e haver optado por enaltecer o seu caráter de canal informativo: sua criação, que poderia ter sido massiva como se esperava, lamentavelmente foi frustrada por essas problemáticas, e talvez pelo desinteresse ou pela falta de conhecimento para solucioná-las.

– Quem mais teve que se adaptar a essa nova mensagem alternativa foi a CNN En Español, que depois de 10 anos de ocultamento e invisibilização de negros, índios e movimentos sociais, teve que começar a mudar sua agenda, quando percebeu que já não era transmissor exclusivo das mensagens: por exemplo, transmitiu a cerimônia indígena de posse presidencial de Evo Morales, não pode ignorar os golpes de estado em Honduras e no Paraguai, entre outros fatos.

– Um funcionário de TeleSur conta que o canal tinha uma audiência de mais de 460 milhões de pessoas… potencial. É difícil saber (por ser somente retransmitido através de cabo) a quantidade real de gente que vê um canal que, por ser eminentemente noticioso, é vítima fácil do zapping e pouco propenso a lealdades permanentes, apesar da sintonia política com os espectadores ou a preferência de alguns por programas específicos. A TeleSur é difundido na Venezuela por quatro canais UHF. No Equador, por cinco UHF, 13 canais via satélite e uma dúzia de operadoras de cabo – também pode chegar através de operadoras estrangeiras, através de assinatura.

– Contudo, vários jornalistas fundadores de TeleSur testemunharam as seguintes realidades críticas:

a) falta convicção sobre o que significa a democratização, sobre como garantir a democratização da palavra e da imagem, para que todos sejam protagonistas, sem necessidade de intermediários;

b) a agenda informativa é reativa à gerada pelos meios hegemônicos – e, portanto, dependente da agenda do inimigo);

c) se a maior parte das imagens dos noticiários são produzidas por duas cadeias multinacionais de informação, dificilmente haverá imagens dos fatos que envolvam a visão dos mais pobres e dos movimentos sociais;

d) existe uma prioridade em dar cobertura aos presidentes da região, o que acaba tirando protagonismo dos movimentos sociais;

e) deveria servir para resgatar a memória dos nossos povos, e não somente com documentários nostálgicos ou denunciantes, mas também com programas que estimulassem a reflexão sobre essa memória e o debate sobre para onde caminhamos. Um povo que não sabe de onde vem dificilmente saberá para onde vai.

– Muitas vezes se perde de vista aqueles que devem ser os sujeitos, os protagonistas das nossas histórias, e na louca ideia de competir (inseridos numa dinâmica capitalista), o canal acaba seguindo a agenda informativa dos meios hegemônicos. Não basta entrevistar os líderes dos movimentos sociais para promover suas lutas, é preciso explicar as razões delas, como funcionam, o porquê de lutar. Dando voz e imagem aos verdadeiros protagonistas, fazendo uma televisão realmente democrática, onde todos possam se expressar, não somente os representantes. Onde as pessoas se sintam identificada com as histórias narradas. Uma televisão que priorize claramente o protagonismo popular, como diria Chávez.

– Portanto, a TeleSur não aplicou totalmente sua própria fórmula de permitir que nos vejamos com nossos próprios olhos para poder ser um reflexo, espelho da nossa gente, e segue imitando o formato anglo-saxão de se vestir e discurso padronizado internacionalmente. Enquanto isso, CNN En Español, passou a ter apresentadores com mangas arregaçadas, conversação sobre as notícias tirando o peso da formalidade, e até com um toque de humor em algumas passagens, resgatando nossa investigação sobre a informalidade do latino-americano, o uso coloquial da linguagem e seu senso de humor como traço importante da identidade regional.

– Muitos “especialistas” chegaram oferecer assessoria ao canal (talvez atraídos pela possibilidade de acesso aos petrodólares), mas quase sempre com a ideia de que a comunicação alternativa significava comunicação marginal, enquanto TeleSur aposta na massificação da informação, para que essa possa chegar às grandes maiorias. Disputar a hegemonia. Alguns dos que chegaram tinham boa fé, outros tentaram impedir que o projeto fosse uma realidade. Talvez acreditavam que aquilo que eles não puderam, não souberam ou não quiseram fazer na Europa, não devia ser feito nestes países subdesenvolvidos… Foram fortes as pressões contra Chávez para que desistisse do projeto. E agora sobre Maduro, para abandoná-lo.

– Um Comitê de Assessores, com interessantes propostas, foi desmantelado para dar lugar a assessores e capacitadores de empresas comerciais europeias, com enormes custos e perda de sentido real à televisora. 

– Sem dúvidas, o processo de digitalização da televisão em nossos países pode ajudar a TeleSur a ser incluído nas plataformas de televisão digital, o que pode fazer com que o canal ganhe mais audiência, mas seria mais importante que os novos canais disponham dos conteúdos produzidos por TeleSur (e por muitas outras emissoras da região) para difundir esse material, superando os obstáculos capitalistas dos direitos de transmissão. E que a TeleSur aproveite esse acervo audiovisual que se está criando, para se transformar, como era previsto, numa janela importante para a difusão de conteúdos latino-americanos e caribenhos.

– TeleSur não é uma cadeia de televisão, como costumam definir os meios hegemônicos, é somente um canal, que deve responder a uma empresa estatal latino-americana, e que foi se burocratizando, ao insistir em copiar os modelos, em substituir o conselho assessor pelo caro assessoramento de empresas capitalistas europeias, em confundir a linha editorial com consignas.

– Inclusive a equipe que se formou no início, com uma certa “mística telesurenha”, foi desmantelada e substituída por profissionais de meios privados, que trouxeram sua cultura, seus vícios e se desinteresse pelo projeto.

– O “temor” de que se transformasse num meio de propaganda sempre existiu, mesmo antes da estreia do canal, quando o projeto foi apresentado em diferentes foros. Connie Mack, congressista republicano da Flórida, se atreveu a qualificar o TeleSur como “uma ameaça para os Estados Unidos”, porque, segundo ele, “sua existência pode minar o equilíbrio entre os poderes no hemisfério ocidental”, em declaração feita antes que o canal emitisse sua primeira programação. A Câmara de Representantes não duvidou em aprovar, em 20 de julho de 2005, uma emenda que autoriza o governo estadunidense a iniciar transmissões de rádio e televisão que ofereçam aos venezuelanos uma fonte de notícias precisa, objetiva e completa”, demostrando assim uma arrogância colonial descomunal.

– Obviamente, o projeto original não permitia que TeleSur se tornasse um canal propagandístico, ou que servisse à agenda política de algum governo. Porém, sitiados pelos problemas políticos surgidos na região, sua condução terminou não equilibrando a informação de cada país da região. Muitas vezes, pareceu ser mais um canal da Venezuela para o exterior, que uma emissora latino-americana e latino-americanista.

– Todo meio de comunicação tem uma linha editorial, seja ele estatal, público, privado, popular. Nenhum meio é objetivo, nem imparcial, nem neutro, ainda que se disfarce de objetivo – como muitas vezes acontece – para impor seus interesses políticos, econômicos ou religiosos. TeleSur também tinha sua linha editorial bem definida, mas ao não entender bem o que significa a batalha das ideias, muitas vezes acabou por flertar com os refrões, o que lhe valeu o rótulo de propagandístico. Como em todos os meios, os chefes são os que decidem que temas devem se cobertos, qual o enfoque, que fontes consultar. Não há muitas possibilidades de propor temáticas diferentes, já que não existe uma agenda própria, mas basicamente uma postura reativa, de contestar a agenda hegemônica.

– Não existe uma só visão, uma só leitura. Mas sim uma decisão de ver a América Latina com olhos latino-americanos, de visibilizar os processos que nossos povos viviam (e vivem), de contextualizar a informação, de ter uma visão alternativa – contra-hegemônica – à dos meios comerciais, das televisoras e agências europeias e estadunidenses, à mensagem e à imagem uniformizadas, no caminho de construir uma nova hegemonia, como adiantava Antonio Gramsci. Lamentavelmente, o discurso internacional está cheio de consignas, de golpes baixos, e carece de racionalidade, debate de ideias, construção de novas subjetividades e imaginários que ajudem à construção de novas democracias e novas sociedades.

– Durante décadas, os latino-americanos nacionalistas e/ou simpatizantes da esquerda se dedicaram a um denuncismo que parecia perpétuo. Conseguiram verdadeiros doutorados em denunciologia e choramingo. Poucas vezes mostrou alternativas às imposições dos regimes neoliberais: se conformam com denunciar, assumindo o lugar de vítimas. Nos últimos anos isso tem mudado. Agora, em muitos países da América Latina, o cidadão passou a ser sujeito da política (já não objeto), consciente de seus direitos, e vai assumindo a necessidade de passar da etapa de mais de 520 anos de resistência a uma etapa de construção de novas sociedades, baseadas numa democracia participativa, onde o cidadão seja o protagonista.

– E não mostrar essas realidades é o pecado. Existe muito a se informar, sobre o que fazemos, o que propomos, o que construímos o que sonhamos. Existe uma urgente necessidade de impor uma agenda informativa e política própria, sem perder tempo reagindo permanentemente às campanhas do inimigo. Ser reativo e não proativo dá enormes vantagens ao inimigo, que é quem impõe a temática e as regras do jogo. Ser reativo é ser, de alguma forma, cúmplice do inimigo.

Tradução: Victor Farinelli

Aposentados vão à luta contra "o maldito veto"

                                                                 

DILMA TIRA O REAJUSTE, MAS OS APOSENTADOS PERMANECEM VIVOS E PRONTOS PARA DERRUBAR O MALDITO VETO

A PALAVRA DO PRESIDENTE: Warley ataca Governo, denuncia manobra sorrateira de Pimentel e promete intensificar a pressão parra derrubada do veto
  
(*) Warley Martins Gonçalles 

Desprezando o apelo e as orações de milhões de brasileiros, a madrasta Dilma Roussef mais uma vez destilou sua maldade ao vetar a extensão da política de reajuste do salário mínimo para todos os aposentados do INSS, deixando quase 10 milhões de pessoas sem aumento.

Esse maldito veto foi publicado na edição desta quinta-feira do Diário Oficial da União.
Exercendo forte pressão e articulação, a COBAP e as entidades representantes dos aposentados, fizeram o Senado aprovar no início do mês a medida provisória que prorrogava até 2019 o atual modelo de reajuste do salário mínimo e estendia a regra para as aposentadorias. De forma semelhante também obtemos uma vitória anterior na Câmara dos Deputados.

Um dos grandes culpados desse veto é o senador cearense José Pimentel (PT), que de forma sorrateira mudou a redação da Medida Provisória 672 para evitar que todos os aposentados tivessem o mesmo reajuste do salário mínimo. O governo perdeu no voto, mas seu vassalo petista incluiu uma alteração no texto final permitindo que Dilma pudesse vetar somente o reajuste dos velhinhos sem alterar a regra do salário mínimo dos trabalhadores.

Apesar do veto maquiavélico nem tudo está perdido. Ainda existe uma luz no fim do túnel. Esse veto vai agora para o Congresso Nacional e por lei deve ser apreciado conjuntamente pelos 513 deputados e 81 senadores. Historicamente não se derrubam os vetos, portanto temos a chance de quebrar esse tabu e fazer Dilma ficar ridicularizada publicamente.

Basta derrubar esse veto e assim resgatar a honra e a independência do Congresso Nacional, trazendo de volta a esperança para milhões de aposentados injustiçados.

A COBAP começa neste instante a articular a derrubada do veto com os parlamentares. Vamos dialogar, visitar gabinetes, distribuir materiais, usar as redes sociais, bater no governo através da imprensa, promover manifestações, enfim, estaremos pressionando de todas as formas possíveis,.
Parafraseando a canção revolucionária de Geraldo Vandré, repito: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

(*) Artigo redigido pelo Presidente da Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos - COBAP 

A vergonha de Caetano e Gil em Israel

                                                    

Caetano e Gil visitam território palestino e se encontram com Shimon Peres em Israel (Foto: Gideon Markowicz / AFP)


Artistas que realmente acreditam que as políticas de Israel são inaceitáveis apoiariam, certamente, um movimento de boicote global, não violento, como o BDS

Ofer Neiman e Yonatan Shapira, O Globo

Em uma amostra de relações-públicas superficialmente disfarçada, Caetano Veloso declarou nesta segunda em Tel Aviv: “Acho inaceitável a ocupação, mas sou só um brasileiro, visitante, cantor. Esse é um problema dos israelenses”.

Como cidadãos israelenses, temos visto, vez após outra, que a ocupação e apartheid de Israel não são um problema que israelenses estão dispostos ou capazes de resolver sozinhos.

Infelizmente, esse “problema” também chegou à porta brasileira há muitos anos: o Brasil é o quinto maior importador de armas de Israel. Contratos assinados entre os governos brasileiro e israelense chegam quase ao valor de US$ 1 bilhão.

De veículos blindados vindos de Israel para as ocupações policiais das favelas ao treinamento israelense das polícias militares no Rio e em São Paulo, trata-se de dinheiro do imposto de cidadãos brasileiros.

Caetano e Gil disseram que vieram a Israel em apoio a um “diálogo”. Palestinos vivendo sob a ocupação e apartheid israelenses costumam dizer, e estão certos, que não pode haver diálogo entre um cavalo e seu cavaleiro.

Nós sabemos que diálogos significativos só podem começar quando o opressor percebe que suas políticas não são mais aceitáveis. Artistas que realmente acreditam que as políticas de Israel são inaceitáveis apoiariam, certamente, um movimento de boicote global, não violento, como o BDS — baseado no modelo sul-africano de campanha contra o apartheid.

Eles declararam que estavam aqui em Israel para “aprender” sobre a situação. Não é necessário mais do que uma mente aberta e acesso à internet para entender a realidade da ocupação e apartheid de Israel contra o povo palestino — assim como não é necessário ir à Síria para entender a natureza dos crimes que estão sendo cometidos lá. Além disso, nós e outros convidamos ambos a virem ver a realidade aqui sem prover entretenimento às massas privilegiadas de Tel Aviv.

Os slogans de “paz” de Caetano e Gil, 48 anos depois da ocupação israelense da Cisjordânia e Gaza e 67 anos depois da Nakba, a limpeza étnica da Palestina, não são mais do que uma retórica de lavagem política, a qual mantém as pessoas distantes de uma discussão séria sobre a realidade assimétrica sob controle israelense.

Paz só pode vir como um resultado, resultado da igualdade perante os direitos humanos e o fim da opressão. Eles falharam em focar nos crimes e violações de direitos humanos que constituem, diariamente, um sistema de ocupação e apartheid contra milhões de pessoas palestinas.

Em nossa opinião, talvez a pior das ações tomadas por Caetano e Gil em Israel tenha sido sua reunião com Shimon Peres. Este talvez tenha enganado pessoas no passado, com seus longos discursos românticos sobre paz, mas qualquer um olhando para seu currículo percebe que Peres é um inimigo da paz.

Enquanto primeiro-ministro de Israel, ele foi responsável pelo bombardeamento indiscriminado do Líbano na primavera de 1996, matando muitos civis e expulsando a milhares de libaneses refugiados de suas casas.

Na função de ministro da Defesa, em 1986, Peres autorizou o sequestro e tortura do israelense Mordechai Va’anunu, que revelou ao público informações sobre o programa nuclear de Israel. Ele também fundou o Centro Nuclear militar israelense de Dimona, um projeto que instigou uma corrida armamentista perigosa e não convencional no Oriente Médio.

Há também evidência substancial de seu apoio moral e militar ao brutal regime de apartheid da África do Sul e seu projeto nuclear.

Nós já testemunhamos inúmeros artistas vindo se apresentar em Israel pela “paz”. Nenhum deles deixou um legado político aqui. Nenhum deles começou uma onda de dissidência e ativismo pelo fim dos crimes cometidos pelo governo israelense contra milhões de pessoas.

Por outro lado, artistas que escolheram não se apresentar aqui deram uma mensagem moral clara: esses crimes não serão tolerados!

Nesta segunda-feira, Caetano Veloso e Gilberto Gil forneceram serviços de propaganda ao regime de apartheid de Israel e seus esforços anti-BDS. Só se pode esperar que eles farão como Roger Waters, que se apresentou aqui mas depois percebeu que cometeu um erro.

Talvez eles também percebam que o movimento global e não violento de BDS é o caminho para justiça, igualdade e — só quando estas forem alcançadas — paz.
(Com O Globo)

Durmam de botina; a história de um acampamento Sem Terra no Paraná

                                               

Reportagem com ensaio fotográfico conta a história de
um dos maiores acampamentos da atualidade no Brasil

21 de julho de 2015 

Leandro Taques (Fotos e Texto)

Do Jornalistas Livres


‘Durmam de botina’ foi a senha na tarde daquela quinta-feira, no dia 17 de julho, há um ano, no Acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio. Feito na divisa entre o Assentamento Ireno Alves e as terras de uma grande madeireira nos municípios de Rio Bonito do Iguaçu e Quedas do Iguaçu, na região centro-sul do estado do Paraná.


O clima no acampamento se transformou. Uma mistura de ansiedade, medo, tensão e felicidade. Aquelas famílias já estavam por ali há mais de 60 dias. A ocupação era aguardada. A hora se avizinhava. “Vamos para a nossa terra, terra pra produzir comida”, falavam. Homens, mulheres, crianças, jovens e idosos todos com um só objetivo: a conquista.

A movimentação no acampamento, àquela altura com mais de 2mil “cadastros” — cerca de 5mil pessoas — , aumentou. Sacolas, malas, fogões, ferramentas, tudo sendo empacotado e carregado. Carros velhos, caminhões, tratores, kombis, motocicletas… Organizados, em menos de três horas tudo estava pronto. Uma fila de carros se formou, o trânsito no acampamento ficou complicado.


Todos estavam prontos. Todos queriam a terra, a tão sonhada terra.
                                                                   

Afinal, o MST só existe por causa da terra. Lutar pela terra, fazer a reforma agrária e transformar a sociedade, eis os pilares do Movimento.


Eram 18h quando, a qualquer momento, aquele mundão de gente marcharia para a conquista do chão para produzir. Mas não foi às 18h. Nem às 19h, nem às 20h. Somente a meia noite veio a orientação para a coluna avançar. E lá se foram os Sem Terra, ocupar e resistir, para produzir. A ocupação ocorreu de forma rápida, não houve resistência. O único imprevisto foi um temporal que encharcou tudo. Mas apesar do aguaceiro, na manhã seguinte já se via os barracos sendo levantados e as roupas, os colchões e cobertores secando ao sol que brilhava.


O Acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio tem uma característica peculiar: muitos dos acampados são filhos de assentados da região. Região essa que tem um longo histórico no que diz respeito à luta agrária. Foi ali, que na década de 90 o MST realizou a maior ocupação da sua história. Em 1996, mais de 3.340 famílias ocuparam a antiga fazenda Giacomet-Marodin e conquistaram o maior conjunto de assentamentos da América Latina. Em 2014 a ocupação foi na Fazenda Rio das Cobras, em terras da mesma empresa, que hoje atende pelo nome de Araupel. Os Sem Terra denunciam que as atuais terras da empresa tem um histórico de apropriação ilegal e grilagem.



Um ano de resistência


Apesar da intensa campanha difamatória realizada pela empresa Araupel para deslegitimar os Sem Terra, os camponeses resistem. Hoje, o acampamento está organizado com 2500 famílias, cerca de 7 mil pessoas. Já recuperaram variedades de sementes crioulas e utilizam sistemas de controle biológico.


Cultivam, coletivamente, 200 hectares de terra. Produzem de forma agroecológica uma imensidão de frutas e verduras. Hortaliças, mandioca, feijão, arroz, abóbora, milho. Criam galinhas, porcos e algumas cabeças de gado. A maior parte da produção é para consumo próprio, mas já se comercializa uma pequena quantidade em feira livre no município de Rio Bonito do Iguaçu.


Dimas da Silva Lemes, 68 anos e uma energia de criança, responsável por uma horta comunitária que produz “tudo de época”, e “não tem veneno, é orgânico, é tudo limpinho”, afirma que está na luta por um pedaço de terra pois, quando trabalhava na cidade, queria que quando se aposentasse “fosse para um lugar pacato”.


Dimas também é voluntário na cozinha da Escola Itinerante do acampamento. “Em breve vou começar a ensinar a criançada a plantar e cuidar da horta da escola. Hoje a gente vai no mercado e não sabe o que está comprando nem comendo. Aprendendo a plantar e cuidar, a criançada vai saber a importância de produzir sem venenos”.


A educação


A Escola Itinerante do acampamento atende 560 alunos da educação infantil, ensino médio e ainda turmas de EJA fase I, II e III. Segundo Juliana Cristina de Mello, acampada e educadora, a Escola Itinerante tem características próprias.


“A educação no acampamento é diferente, a forma de se abordar a questão do conhecimento é sempre buscando despertar o senso crítico no sujeito. A forma de tomada de decisões da escola, conta com a participação da comunidade e dos educandos”, comenta.

                                                              
Uma das dificuldades apontadas por Juliana é a rotatividade dos professores da rede estadual que trabalham no acampamento. “Temos alguns professores que estão acampados, com esses conseguimos construir essa forma de educar diferenciada.


Mas a maioria são professores que não conhecem a nossa pedagogia e também não sabemos até quando darão aulas por aqui. Não dão conta de assumir compromisso com a proposta pedagógica. Por isso defendemos que o professor possa ter 40 horas fechadas em uma única escola”.


Juliana Ribas, sem-terrinha, 12 anos, lembra que a escola itinerante levou dois meses para ser instalada. “Antes da itinerante funcionar aqui no acampamento era complicado para estudar. Tinha um ônibus que levava a gente lá na escola do assentamento Marcos Freire, mas sempre ficava gente pra trás, não cabia todo mundo”.

“..Atualmente, com a escola funcionando no acampamento, Juliana não perde mais aulas. “Agora não perdemos mais aulas, a nossa escola funciona em ciclos de formação humana, trabalhamos com as porções da realidade e fica melhor para aprender porque é de acordo como o que a gente vive, de acordo com a nossa realidade, é a pedagogia do MST”.


Mesmo assim, a sem-terrinha se preocupa com o futuro da educação. “Eu estou com medo de quando a gente for para o lote mudar toda essa realidade. Aqui a gente está perto de todo mundo. Nosso acampamento está bem estruturado. Tem a rádio poste que a gente usa para informar as pessoas, quando tem alguma urgência. Tem o mercado, a panificadora, a borracharia”, comenta.


Perguntada se sabia o que gostaria de “ser quando crescer”: “Antes eu sabia. Eu queria ser policial. Mas de acordo com a minha realidade agora, essa profissão não serve mais. Veja, nem todos os policiais são assim mas muitos dizem que sem-terra não presta, que está invadindo as terras. Os sem terra estão ocupando. Essas terras aqui são griladas, foram tomadas a força. Isso não é justo”.

                                                         
Sobre a Reforma Agrária, Juliana explica que as terras griladas da Araupel servem só para monocultivo de madeira. “O povo que está aqui quer terra para se manter, plantar arroz, feijão, alimento saudável. O monocultivo gera pouco emprego e a renda é só para um e nem sempre fica no país, manda lá para fora. Quando a gente chegou aqui, não existia nem formiga nestas terras, de tanto veneno que era passado aqui”.


Ainda indagada sobre a dificuldade para se fazer a distribuição de terra, Juliana aponta a corrupção como responsável. “


O burguês lá de cima, sabe que a vida não é fácil para o pobre, que é preciso distribuir a terra. Aí vai lá e paga para a rádio, paga para o político dizer que a terra não é grilada, que não é da União. Ele ganha milhões e acha que pode comprar tudo. Ele quer que seja tudo dele, para fazer monocultura”.


 Um novo momento da luta pela terra


Antônio de Miranda, da direção nacional do MST, aponta um bom momento da luta pela terra. “O MST vem fazendo uma intensificação da luta. Temos vários focos de ocupação. Em Goiás, no Mato Grosso do Sul, e aqui no Paraná temos uma boa perspectiva, uma análise que seja possível, ainda neste ano, sair o processo para constituirmos o assentamento”, comenta.


Miranda também aponta que, de acordo com o planejamento que já vem sendo feito com as famílias, o futuro assentamento terá uma forma de sociabilização diferente. “Planejamos um assentamento menos “quadrado”, com os lotes mais próximos. No que diz respeito a produção, será agroecológica, saudável. “Também temos algumas famílias debatendo a produção de leite, grãos e frutas”.

Indagado sobre o lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2015/16, com R$ 180 bilhões, 20% a mais que o ano passado, Miranda lamentou. “Lamentável o volume de recurso que vai para o agronegócio. Lamentável a prioridade que o governo dá para a agricultura que tem a produção voltada para as commodities de exportação, principalmente soja e milho”.


Para a agricultura familiar, que também teve um acréscimo de 20% nos recursos, totalizando R$ 28,9 bilhões, Miranda comenta que esse volume não corresponde a quantidade de famílias produzindo no campo. “Se todas as famílias acessassem o recurso faltaria dinheiro. Do jeito que está, o Pronaf é excludente, contempla não mais que 80 mil famílias. O volume de recurso não é a questão e sim a forma de se ter acesso ao recurso. Sobre o Plano da Reforma Agrária que vem aí, esperamos que seja para a conquista de áreas. Não dá para o governo ficar no discurso de melhorias dos assentamentos.


No último período, o MST e outros movimentos que lutam pela terra não obtiveram conquistas de áreas, novos assentamentos. O que houve foi regularização fundiária e não desapropriação para assentar novas famílias. E o reflexo disso a gente percebe no preço dos alimentos. A agricultura familiar não está produzindo. Se investe na agricultura para exportar e o alimento precisa ser importado, com isso os preços sobem. Precisamos de mais áreas e de recursos desburocratizados para produzirmos alimentos saudáveis”, finalizou.


Característica peculiar do Acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio foi a construção, desde a massificação, por jovens, em especial filhos de assentados. Wellington Lenon, acampado e do setor de comunicação do MST, explica que um coletivo de jovens, desde a época do acampamento base se mobilizava junto às famílias dos assentamentos da região para o debate e construção da ocupação. Essa foi a primeira tarefa da juventude. “O papel da juventude foi de mobilizar e organizar a própria juventude para ocupar.



Agora, depois de um ano, essa mesma juventude vem discutindo as estratégias para a resistência na área e a inserção destes jovens ocorre em todas as instâncias do acampamento. Desde a coordenação, passando pelos setores. Temos um coletivo pensando a questão da renda, escrevendo projetos, participando de editais. Temos um coletivo que organiza a cultura e a comunicação. Outro grupo já inicia os debates sobre a agroecologia. Tem muito jovem do acampamento fazendo os cursos que o MST oferece de agroecologia, agronomia. A Juventude tem um papel permanente aqui no acampamento”.


Lenon explica ainda que se debate com profundidade a questão da permanência da juventude no campo. “Sempre abordamos o tema do êxodo da juventude que conquista o assentamento e as vezes é induzida pelas indústrias ou pela própria mídia a deixar o campo. Fazemos essa reflexão de que precisamos garantir a nossa permanência e com isso construir as demandas para que essa permanência se efetive. Que assentamento queremos. Queremos esporte, lazer, cultura, comunicação. A juventude do campo precisa de acesso. Garantir, principalmente, o acesso a educação de qualidade. Para permanecermos no campo, mas não só para trabalhar na roça. Para permanecermos no campo com formação. Com saúde, médicos, assistência técnica. Precisamos garantir nossos direitos. Por que não podemos ter um teatro ou um cinema no assentamento? É um direito da juventude”. (Com o MST)