quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Debates eleitorais nos EUA-2012: a agenda dos jornalistas ‘moderadores’


                                            
O que todos os jornalistas perguntam e
o que nenhum jornalista pergunta 

26/10/2012, FAIR-Fairness and Accuracy in Midia Reporting
http://www.fair.org/index.php?page=4644

Entreouvido na Vila Vudu:

Sinal de avanço considerável nos debates pré-eleitorais no Brasil é que, aqui, os jornalistas empregados das empresas-imprensa
 já estão contidos, exclusivamente, na função de cronometradores. 

Só depois de encerrada a votação, as empresas-imprensa liberam seus empregados para que digam, ao vivo, todas as asneiras que lhes ocorram às cabeças mal informadas, à guisa de ‘análises’, e façam todas as perguntas viciadas e preconceituosas que lhes ocorram às cabeças idem. 

Assim se preserva no Brasil, melhor do que nos EUA, a lisura democratizatória das eleições: resistindo o mais possível à ação DES-democratizatória de jornalistas empregados de empresas-imprensa viciosas, quando não são empresas ativamente fascistizantes.

Mas não se conclua daí que os jornalistas das empresas-imprensa brasileira sejam qualitativamente melhores que outros. Não são. 

Os jornalistas das empresas-imprensa no Brasil são os piores do mundo e impingem aqui, a consumidores PAGANTES, o pior jornalismo do mundo. 

No Brasil, de diferente, é que a democracia que está hoje em reconstrução aqui já é muito melhor 
que a decrépita e já quase completamente inoperante democracia norte-americana. 

Jornalistas e jornais são, em todo o mundo em que reina a empresa-imprensa do capital, agentes de uniformização da opinião das massas, agentes de criação de consumidores para mercados de opinião & consumo, que são mercados como quaisquer outros e exigem comportamento/pensamento/opinião uniforme, de manada – o que o próprio jornalismo existe para construir, e as empresas-imprensa para modelar como produto e vender (Gramcsi dixit). 

Mas é interessante ver que, nos EUA, o negócio é MUITO PIOR do que aqui!! 

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Os jornalistas do establishment das empresas-imprensa que moderaram os debates eleitorais dos candidatos dos dois principais partidos às eleições presidenciais de 2012 nos EUA mantiveram a discussão contida numa pauta absurdamente estreita. Os analistas de FAIR comentam.

Imensa quantidade de temas não foram trazidos à discussão pública coordenada por jornalistas, nas seis horas totais de debates televisionados. Dentre temas econômicos, ninguém perguntou a ninguém sobre miséria, desigualdade de renda, crise de moradia, sindicatos, agricultura ou sobre a ação do Federal Reserve.

As questões sociais também foram truncadas: nenhuma pergunta sobre raça, racismo, direitos dos gays (inclusive o direito ao casamento, para pessoas do mesmo sexo), liberdades civis, justiça criminal ou legalização de drogas. Apesar de haver quatro juízes na Suprema Corte já com idade superior a 70 anos, nenhum jornalista perguntou aos candidatos sobre que nomes têm em mente para futuras indicações à Suprema Corte ou a outros postos do Judiciário cuja indicação é prerrogativa do presidente.

Nem uma única referência à mudança climática, que, para muitos eleitores é a principal ameaça que pesa hoje não só sobre os EUA, mas sobre a humanidade – e foi a primeira vez que essa questão não veio à tona em ciclo de debates presidenciais desde 1984 (Treehugger, 22/10/2012). Nenhum tópico da pauta dos ambientalistas foi discutido – a menos que se inclua como tal a pergunta sobre preços da gasolina, proposta por um dos eleitores no debate em que havia eleitores presentes.

Temas internacionais, só sobre fatia estreitíssima do mundo; nenhuma pergunta sobre América Latina, África Subsaariana ou Europa, Rússia incluída.

O que perguntaram os jornalistas? 

FAIR analisou os temas levantados nas perguntas propostas pelos jornalistas moderadores nos três debates presidenciais e no debate entre os candidatos a vice-presidente, e as perguntas propostas por candidatos indecisos selecionados pela jornalista Candy Crowley para o debate de 16/10 (tema surgido em mais de uma pergunta em cada segmento do debate foi contada como única referência ao tema.)

FAIR contou 28 tópicos mencionados, no total, 53 vezes, em 35 segmentos de debate. 22 menções foram classificadas como “questão econômica”; 20, como “política externa”; e 10, como “políticas sociais”. Outras oito menções foram classificadas como “outros” – sobre caráter, táticas de campanha ou o legado George W. Bush. (Alguns tópicos – como “comércio” – foram classificados em mais de uma categoria.)

Embora a questão n.1 entre os eleitores seja, com larga diferença à frente das demais, “empregos”, e tenha sido tópico citado com frequência nas perguntas, os jornalistas perguntaram duas vezes mais sobre “empregos” no quadro amplo da economia e em relação ao orçamento federal, que tratado como tema autônomo: 11 vezes na modalidade ‘diluída’, versus 5 vezes em pergunta direta. A questão do déficit apareceu três vezes; impostos, quatro vezes; Seguridade Social e Medicare apareceram duas vezes cada tema, sempre no contexto dos gastos federais. O tema “comércio” só foi mencionado uma vez.

As perguntas de política internacional concentraram-se pesadamente no Oriente Médio e nos conflitos nos países de maioria muçulmana. Líbia e Afeganistão foram citados três vezes nos debates; Irã e Síria, três vezes cada; e Israel, Paquistão e Egito, só foram referidos num único segmento. À parte um momento, em que falaram da China, nenhum jornalista perguntou a nenhum candidato sobre qualquer outra região do planeta.

Nem todas as questões de política internacional, consideraram só uma parte do mundo; em seis outros segmentos dos debates houve questões sobre os militares, política de segurança ou política internacional em geral. Uma dessas foi sobre a guerra de drones; mas o jornalista moderador Bob Schieffer (22/10/2012) assumidamente nada perguntou ao presidente responsável pela guerra dos drones: “Pergunto ao senhor, governador, porque já conhecemos a posição do presidente Obama sobre isso: qual sua posição sobre o emprego dos drones?”

Nas relativamente poucas perguntas sobre políticas sociais, atenção à saúde apareceu três vezes – incluídos dois segmentos em que a pergunta foi sobre a contribuição do Medicare para o aumento do déficit. Por duas vezes levantaram-se questões de gênero; controle de armas, só uma vez.

Importante – e absolutamente sem importância 

Não houve tempo para discutir número altíssimo de temas políticos criticamente importantes, mas os jornalistas moderadores encontraram tempo para fazer perguntas absolutamente sem sentido. Por exemplo, Jim Lehrer (3/10/2012) perguntou aos candidatos a presidente: “O governo federal tem alguma responsabilidade na melhoria da educação pública nos EUA?” (Esperava talvez que Romney dissesse que não? Obama?) Ou o que Martha Raddatz perguntou aos candidatos a vice-presidente (11/10/2012): “Se eleito, o que podem os senhores oferecer a esse país, como homem, como ser humano, que ninguém poderia dar, se não cada um de vocês?” 

As perguntas selecionadas pelos moderadores nos debates refletem, presumivelmente, as questões que os jornalistas conhecidos da imprensa-empresa do establishment  veem como importantes – e como desimportantes. Bem claramente, os jornalistas moderadores consideram mais importantes as questões do orçamento federal, do que os eleitores, ao serem convidados a indicar o principal problema que o país enfrenta.

As perguntas podem também refletir pressões partidárias: consideradas as perguntas propostas pelos moderadores, a principal questão de política internacional que os EUA enfrentariam hoje seria o assassinato do embaixador dos EUA na Líbia – importância difícil de explicar, se não se considera que a campanha de Romney definiu esse evento como uma das fontes principais de críticas contra a política externa do governo de Obama.

As influências partidárias e do próprio establishment da imprensa-empresa não devem surpreender ninguém, dado que a Comissão para os Debates Presidenciais é absolutamente controlada pelos dois principais partidos, e as campanhas podem vetar nomes de jornalistas para operarem como moderadores (FAIR Media Advisory, 3/10/2012) – modelo de debate que jamais permitirá que se façam perguntas realmente relevantes, sobre temas realmente importantes e diversificados. 

Skinheads atacam dois homossexuais


                                                    
DENÚNCIAS TÊM QUE SER FEITAS.

Para Leonardo Tolentino, do Núcleo de DH da UFMG, a agressão não pode ser analisada de um ponto de vista individual dos agressores. “Não é só o skinhead que é agressivo ou que não aceita sua homossexualidade reprimida. É um sistema, uma teia que tem como resultado os homossexuais sendo vistos como algo pior, menor que o restante”, explicou.
Segundo a coordenadora de Diversidade Sexual da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, Valquíria Laroche, “já existe na capital o Núcleo de Atendimento e Cidadania LGBT (NAC), que é onde devem ser registrados os casos de homofobia. Fica à Rua Paracatu, 822, Barro Preto. Além disso, as vítimas devem denunciar no Disque Direitos Humanos, 0800 031 11 19”.
              

Suspeitos deram até pedrada na cabeça de um rapaz; houve ameaça de morte

JOSÉ VÍTOR CAMILO - Publicado no Super Notícia em 30/10/2012

A Polícia Civil tenta identificar dois skinheads suspeitos de ter espancado dois homossexuais - um jornalista e professor universitário, de 32 anos, e um amigo dele, de 28 -, na madrugada do último sábado, na Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. A agressão aconteceu depois que os dois deixaram um show, por volta de 00h30, e se despediram com um abraço.

"De repente, começaram os socos, a voadora no peito e depois a pedrada na cabeça do meu amigo. Sem falar nas frases de efeito, como ‘vou te matar’ e ‘vamos exterminar vocês do mundo’", lembrou o jornalista, que preferiu não ser identificado.

A dupla foi identificada pelas vítimas como skinheads justamente pelas frases ditas, pelas cabeças raspadas e pelas tatuagens espalhadas pelo corpo. “O pior, pra mim, é que no horário a Savassi estava lotada, ninguém reagiu, tomou uma atitude", lamentou o jornalista. A poucos metros de onde eles foram atacados, estava uma viatura da Guarda Municipal. "Quando pedimos ajuda, os agressores ainda estavam no ponto de ônibus, fazendo gestos obscenos e rindo de tudo o que tinham feito. O guarda informou que não podia fazer nada e pediu que eu ligasse para a Polícia Militar (PM)".

O jornalista reclamou ainda do atendimento prestado pela PM. "Eles pediram meu telefone e meu nome, disseram que era para eu ir ao hospital e que enviariam uma viatura lá e outra para procurar os agressores. Ainda afirmaram que me ligariam, mas nada disso foi feito". “Precisei de tres policiais e nenhum deles me atendeu. No dia seguinte, domingo, foi que registrei  a agressão na delegacia”, finalizou.
As duas corporações vão apurar as denúncias.

As primas

Henrique Monteiro/Sapo/Xinhua/Divulgação)

Assentados exportam 500 toneladas de feijão para Venezuela

                                                     
Um navio cargueiro vai zarpar nesta quarta-feira (31) com destino a Venezuela, transportando uma carga de 500 toneladas de sementes de feijão preto, produzidas no Projeto de Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, divisa com o Paraguai, no Mato Grosso do Sul. São 12,5 mil sacas de 40 quilos cada que deverão ser entregues em 15 dias ao governo para distribuição aos agricultores familiares venezuelanos ainda em novembro deste ano, para iniciarem o plantio do feijão.

Além de lucro, a exportação foi uma grande experiência para os assentados. Eles aprenderam na prática sobre os mecanismos que regem os negócios com outros países. Seguro, frete, tipos de embalagens, empresas de importação e exportação que entram na transação comercial e o mais importante de todo processo: “os preços lá fora são melhores, em relação ao nosso mercado interno. Um saco com 40 quilos dessa semente aqui custa R$ 200 e lá na Venezuela pagam R$ 280,00”. A observação é de Ronaldo Pucci, presidente da Copaceres, Cooperativa Agroindustrial Ceres, instalada dentro do assentamento no extremo sul do Estado.

Pucci explica que 180 associados da cooperativa participaram da negociação, e obtiveram lucro de 20%. O percentual é referente ao valor líquido, isto é, do preço total do negócio, R$ 3,5 milhões, descontando-se o valor do frete e do seguro. “É um bom preço, bem maior do que se fosse vendido aqui no Brasil. Vale a pena investir nesse mercado”, afirma o presidente da Copaceres.

A propósito das comemorações dos 110 anos de Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade aborda a Batalha de talingrado. O texto na íntegra encontra-se em O Globo, edição de  ontem
                                                
PCB e os intelectuais
 

Fernando Perlatto (*)



Surgido em 1922, logo após o bem-sucedido ciclo de  greves do período de 1917 a
1919, o PCB aparece com uma proposta de superação da práxis anarco-sindicalista e sob a
influência direta da revolução soviética. O partido não nasce, portanto, de um cisma de
intelectuais socialistas, como ocorrera em muitos países europeus, mas, pelo contrário, vem
ao mundo sem a adesão de uma intelligentsia que buscasse ampliar suas interpretações sociais
e o credenciasse à elaboração de uma interpretação  marxista do país. Abandonando para
segundo plano a reflexão teórica, o PCB guia-se nos seus primórdios mais pela prática política
do que propriamente pelo debate de idéias (VIANNA, 1988). Apesar de Astrojildo Pereira, o
principal fundador do PCB, ter sido uma personalidade intelectual, este partido não se
constituirá, a princípio, como um  lócus privilegiado de atração da intelectualidade
progressista.
Embora a emersão da classe operária e da intelectualidade enquanto atores relevantes
no processo da transição para a modernidade fizessem parte de um mesmo processo,
diretamente relacionado à crise do sistema oligárquico, ambas não se tocavam e avançavam
em linhas paralelas (VIANNA, 1983). Durante toda sua história, o espectro do “obreirismo”
rondou o PCB e o processo de “proletarização” acabou por afastar intelectuais de relevância,
como Astrojildo Pereira e Octávio Brandão, da direção partidária, tendo conseqüências diretas
para a definição dos rumos do partido.
A dialética da aproximação / distanciamento será uma marca estruturante da relação
dos intelectuais e de personalidades do mundo da cultura com o PCB. Em alguns momentos, a 3
tônica da aproximação prevalecerá – como no decorrer dos anos 30 –, quando setores
significativos da intelectualidade, como Caio Prado Junior, Oswald de Andrade e Jorge
Amado, chegaram às fileiras do Partidão. Conforme destaca Celso Frederico, períodos como
aqueles entre os anos 1945-1947 – que testemunharão a entrada de Carlos Drummond de
Andrade, Monteiro Lobato, Oscar Niemeyer, entre outros – e entre o final dos anos 50 até o
golpe de 64 – após a Declaração de Março de 58, a participação na frente nacionalista das
reformas de base e a criação dos Centros Populares de Cultura da UNE, que atraíram setores
da jovem intelectualidade, como Luiz Werneck Vianna, Leandro Konder, Carlos Nelson
Coutinho, entre outros – marcarão as melhores fases da relação dos intelectuais com o PCB
(FREDERICO, 1999).
Pelo fato de ter hegemonizado a esquerda até os anos 60, o PCB aparecia como o
legítimo portador do marxismo, trazendo para suas fileiras setores importantes da
intelectualidade progressista. Ao organizar todo um espaço cultural alternativo para os
intelectuais filiados e próximos, o partido cativava figuras do meio intelectual, dentre as quais
havia aquelas que viam no partido a possibilidade da constituição de carreiras intelectuais
(RUBIM, 1988).
Porém, nem tudo foram flores. Durante a maior parte da história do PCB, a
convivência entre intelectuais e o partido foi caracterizada por intensas divergências e
conflitos. Períodos marcados pela repressão – como  após o levante de 1935, o início do
Estado Novo e o golpe de 64 – levaram o PCB à ilegalidade e contribuíram para afastar
setores da intelectualidade simpáticos a ele. Além das causas externas, convém ressaltar que
práticas internas também atuaram com peso decisivo  para complicar esta relação.
Primeiramente, convém destacar que, apesar da influência do PCB sobre a intelectualidade
brasileira, fato é que os intelectuais de prestígio não tiveram espaço no interior da estrutura do
partido, permanecendo afastados de cargos da direção (RODRIGUES, 1977). Em segundo
lugar, a fase de proletarização – do final dos anos 20 e início da década de 30 – somada à
radicalização stalinista dos anos 48-56, contribuíram para aumentar a tensão entre os
intelectuais próximos ao PCB e o partido (FREDERICO, 1999). Por fim, vale lembrar que
após o golpe de 64, alguns setores da intelectualidade distanciaram-se ou foram expulsos do
partido, se opondo à via democrática adotada pelo PCB, preferindo o caminho da luta armada
(GORENDER, 2005 e RIDENTI, 2007).
Podemos encontrar na história do PCB variados exemplos que confirmam a idéia da
difícil convivência entre intelectuais e partidos.  Astrojildo Pereira, fundador do partido,
acabou por ser afastado da organização em 1931, retornando somente mais tarde, mediante 4
um doloroso processo de autocrítica. Octávio Brandão, que exerceu enorme influência sobre
os comunistas brasileiros, sobretudo após a publicação de seu livro  Agrarismo e
Industrialismo, dedicou toda sua vida ao PCB. Carregando as alcunhas de “traidor” e
“pequeno-burguês”, enfrentando sessões de autocrítica por ter se contraposto à lógica da
“revolução soviética imediata” advinda da Internacional Comunista, Brandão nunca
conseguiu recuperar o importante papel de referência que havia desempenhado nos anos 20,
apesar de reiteradas tentativas. Caio Prado Junior também enfrentou embates significativos no
interior da estrutura partidária ao se contrapor à  idéia prevalecente da existência do
feudalismo no país, sustentada por Nelson Werneck Sodré, referendado como uma espécie de
“historiador oficial” do PCB. Carlos Drummond de Andrade e Oswald de Andrade, assim
como tantos outros, também atravessaram difíceis momentos no processo de aproximação e
distanciamento do partido.
Esta difícil relação era agravada pelo fato da estrutura centralizada do PCB ter aberto
possibilidades para interferências diretas da direção partidária sobre as atividades
desempenhadas pelos intelectuais, o que, obviamente, a muitos desagradava profundamente.
A idéia da existência de um marxismo único e verdadeiro, que tinha sua fonte nos manuais
produzidos na URSS, fortalecia a percepção da existência de um pensamento único, fora do
qual o militante corria o risco de ser acusado de “revisionista”. Essa rigidez teórica teve
conseqüências óbvias sobre setores da intelectualidade, que optaram por se afastar do partido.
Após a revelação dos crimes de Stálin, teve início  uma tímida renovação do marxismo no
país, que se não teve oposição direta da direção do PCB, também não obteve seu estímulo.
Essa renovação passou principalmente pelas revistas e jornais publicados por
intelectuais militantes do PCB.
1
 Durante toda sua existência, diversos foram os aparelhos
culturais criados pelo partido ou sob sua influência, que serviram de formação e mobilização
para novos militantes, nos quais membros da intelectualidade tiveram intensa participação.
Seja através da literatura, das artes plásticas ou  de atividades cinematográficas, setores da
intelligentsia  buscavam executar uma arte que fosse revolucionária e atuasse de maneira
significativa na transformação da sociedade. Segundo Rubim, no período de sua
reorganização dos anos 1945-1947, o PCB contava com oito jornais diários e inúmeros
semanários nas principais capitais e cidades brasileiras, uma agência de notícias.
                                               
1
 A Editora Civilização Brasileira, sob a liderança do intelectual comunista Enio Silveira, publicou vários livros
e editou a Revista Civilização Brasileira, desempenhando papel fundamental para o processo de renovação do
marxismo, em particular, e do pensamento da esquerda brasileira, em geral. Diversos textos seminais foram
publicados nestes espaços, trazendo reflexões de autores como Lukács e Gramsci, que até então passavam ao
largo dos cânones do PCB.  5
revistas – como a Literatura, dirigida por Astrojildo Pereira –, duas editoras, um serviço de
cine-jornal e vários outros meios de comunicação (RUBIM, 1988). É surpreendente
contrastarmos o pequeno espaço reservado à cultura nos documentos oficiais do partido com
as diversas manifestações culturais existentes na base partidária.
Convém ressaltar, entretanto, que a relação entre intelectuais e partidos se dá em via
dupla. Da mesma forma que os primeiros buscam as estruturas partidárias por variados
motivos, os partidos também se beneficiam da presença da intelectualidade e estimulam sua
participação, desde que esta se dê sob determinadas condições. O PCB fez um “uso
ornamental” – nas palavras de Carlos Nelson Coutinho e Rubim – dos intelectuais, na medida
em que se valia não tanto das suas capacidades/habilidades, mas, sobretudo, do prestígio por
eles desfrutado, visando dar credibilidade às ações do partido (CAMURÇA, 1998). A direção
do PCB valia-se de nomes como os de Niemeyer, Jorge Amado, Portinari, Graciliano Ramos,
para que estes assinassem manifestos e documentos, bem como participassem de congressos
nacionais e internacionais, de modo a proporcionar maior prestígio ao partido (PERALVA,
1960).
A difícil arte da convivência fez-se presente durante toda a história do PCB e os
intelectuais comunistas viram-se constrangidos a optar por três caminhos, todos eles com
conseqüências marcantes: a) aceitavam acriticamente as propostas do partido, seguindo suas
orientações tal qual soldados altamente disciplinados; b) permaneciam no partido, embora
fizessem críticas aos métodos e posições adotados pelo mesmo, com grande probabilidade de
não serem ouvidos ou, na pior das hipóteses, sob o  risco de sofrerem punições, como a
expulsão da organização; e 3) saírem ou serem expulsos do partido. Independente do caminho
escolhido, fato é que o PCB atuou como um importante espaço de formação política,
fornecendo para a posteridade quadros intelectuais altamente qualificados, muitos dos quais
permaneceram militando em outros espaços no período pós-redemocratização.

(*) Sociólogo. Este artigo encontra-se na internet é é parte de um texto maior em que o autor analisa a relação entre os intelectuais, o PCB e o PT. A parte referente ao PT deixamos de publicar devido ao  seu tamanho.

Carlos Drummond de Andrade faria hoje 110 anos.Dele este poema bem engajado sobre a Batalha de Stalingrado



                                               

Carta a Stalingrado [*]

Carlos Drummond de Andrade

Stalingrado...
Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!
O mundo não acabou, pois que entre as ruínas
outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,
e o hálito selvagem da liberdade
dilata os seus peitos, Stalingrado,
seus peitos que estalam e caem,
enquanto outros, vingadores, se elevam.

A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.
Os telegramas de Moscou repetem Homero.
Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo
que nós, na escuridão, ignorávamos.
Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída,
na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas,
no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,
na tua fria vontade de resistir.

Saber que resistes.
Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.
Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro oculto) estará firme no alto da página.
Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu a pena.
Saber que vigias, Stalingrado,
sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos pensamentos distantes
dá um enorme alento à alma desesperada
e ao coração que duvida.

Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto resplandecente!
As belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e silêncio.
Débeis em face do teu pavoroso poder,
mesquinhas no seu esplendor de mármores salvos e rios não profanados,
as pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues sem luta,
aprendem contigo o gesto de fogo.
Também elas podem esperar.

Stalingrado, quantas esperanças!
Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama!
Que felicidade brota de tuas casas!
De umas apenas resta a escada cheia de corpos;
de outras o cano de gás, a torneira, uma bacia de criança.
Não há mais livros para ler nem teatros funcionando nem trabalho nas fábricas,
todos morreram, estropiaram-se, os últimos defendem pedaços negros de parede,
mas a vida em ti é prodigiosa e pulula como insetos ao sol,
ó minha louca Stalingrado!

A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços sangrentos,
apalpo as formas desmanteladas de teu corpo,
caminho solitariamente em tuas ruas onde há mãos soltas e relógios partidos,
sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?
Uma criatura que não quer morrer e combate,
contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,
contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,
contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate,
e vence.

As cidades podem vencer, Stalingrado!
Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma fumaça subindo do Volga.
Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão contra tudo.
Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres,
a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.

[*] Extraído do livro A Rosa do Povo (poemas escritos entre 1943 e 1945). Rio de Janeiro: Record, 1987

Ministério da Previdência Social começa a pagar segunda parcela do 13º dia 26



                                                           

         O Ministério da Previdência Social confirmou o início do pagamento da segunda parcela do 13° salário dos segurados do INSS. A partir do dia 26 de novembro, os depósitos começam a ser efetuados.

         Mais de 25 milhões de segurados em todo país vão receber o benefício com desconto de Imposto de Renda (IR) de acordo com o valor e com a idade do segurado, sendo que aqueles que recebem o salário mínimo (R$ 622) começam a receber primeiro.

         Em dezembro, a partir do dia 3, começam a receber os segurados que se aposentaram recebendo salário acima do mínimo até o teto (R$ 3.916,20) e o pagamento se estende até o dia 7 de dezembro.
                                      
O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), anunciou nesta terça-feira (30) que a votação do projeto de substituição do fator previdenciário vai ficar para a semana do dia 20 de novembro. Na segunda-feira (29), Maia já havia anunciado que a análise do tema aconteceria até a primeira semana de dezembro. 

O petista apresentou um calendário de votações até o fim do ano que inclui a votação do Marco Civil da Internet e o projeto de lei que trata dos crimes cometidos na rede de computadores na segunda semana de novembro, além da análise do Código Brasileiro de Aeronáutica na terceira do próximo mês. No fim de novembro está prevista a análise da proposta de reforma política.

Em dezembro, segundo o calendário apresentado pelo presidente, a Casa deverá analisar o novo Código de Processo Civil (CPC) e o projeto que trata da obrigatoriedade da transmissão do programa "Voz do Brasil". A última semana de trabalhos legislativos será reservada para a votação do Orçamento do ano que vem.

Ficaram de fora da pauta de votações de Maia as propostas que estabelecem o voto aberto no Congresso e que extingue o 14º e 15º salário de parlamentares. Maia disse que não incluiu a proposta que acaba com os dois salários extras de deputados e senadores na agenda até o fim do ano porque a proposta ainda não passou por todas as comissões, mas, por outro lado, incluiu na sua pauta o CPC, que também não foi votado pela comissão especial que discute o tema.

"O 14º [e 15º salário] está tramitando na Comissão de Finanças e Tributação. Assim que ela passar pelas comissões e estiver pronta para ir para o plenário, ela será discutida no colégio de líderes e nós vamos avaliar se ela vai ou não ao plenário", justificou. (Com a Contraf)

Em estudo a criação de editais para fotografia


Imagem de João Castilho, da RPCFB/Divulgação)
                                                                             
Em encontro hoje (31) com a Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil (RPCFB), a ministra da Cultura, Marta Suplicy, encarregou a rede de produzir editais para fotografia e enviá-los para o Ministério da Cultura (MinC) para que possam ser analisados. Representantes da rede reclamaram da inexistência de editais específicos do governo federal para a área. Segundo o presidente da RPCFB, Iatã Cannabrava, a fotografia ainda não concorre em editais, por exemplo, da Petrobras e da Vale do Rio Doce.

A ministra disse que vai dialogar com a Funarte no intuito de promover projetos de fotografia junto ao órgão. Marta também informou que a nova lei que institui o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (Procultura) está mais abrangente e dinâmica do que a atual lei de incentivo à cultura (Lei Rouanet).

O Procultura ainda tramita na Câmara, mas a ministra espera a aprovação pelos deputados até o final deste ano. Em esforço para agilizar o processo, Marta pediu para os senadores entregarem a relatoria ao senador José Sarney (PMDB-AP), criador da primeira lei em 1991.

Os representantes da rede em cada estado pediram também que seja incluída a realização de festivais de fotografia nos editais do governo federal. A ministra, entretanto, prefere que os eventos sejam estaduais, devido a uma possível demora de realização pelo governo federal.

Milton Guran, coordenador geral do Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro (Foto Rio), relatou o sucesso que obteve com o evento carioca no ano passado, com público de 250 a 300 mil pessoas. Já o fotógrafo Kazuo Okubo, representante da RPCFB em Brasília, elogiou o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da Fundação Nacional de Artes (Funarte). “É o único no país”, disse.

A ministra aprovou as iniciativas. “É importante para o Brasil não ficar atrasado no mundo. A fotografia está aqui desde que Dom Pedro II tirou a primeira foto do Brasil”, disse. Marta aconselhou os fotógrafos a criarem uma entidade de classe de direitos autorais como o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), da música. “Vocês teriam mais força do que uma pessoa jurídica e mais verbas”, disse.

Marta também abriu espaço para a fotografia nas arenas culturais da Copa do Mundo 2014. Segundo a ministra, as bases das arenas vão ser nas cidades-sede, mas elas também irão para outras regiões do Brasil. “Lá vocês podem vender cartões postais, por exemplo”, disse.(Com a ABr)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Uma boa dica para você

                                               

LIMÃO CONGELADO

Muitos profissionais em restaurantes, além de nutricionistas estão usando ou consumindo o limão inteiro, em que nada é desperdiçado. 
Como você pode usar o limão inteiro sem desperdício? 
Simples...Lave bem e coloque o limão na seção do freezer de sua geladeira. 
Uma vez que o limão esteja congelado, use seu ralador e o limão inteiro (sem necessidade de descascá-lo) e polvilhe-o em cima de seus alimentos.

Polvilhe-o em suas bebidas, vinho, saladas, sorvete, sopa, macarrão, molho de macarrão, arroz, sushi... Todos os alimentos inesperadamente terão um gosto maravilhoso, algo que você talvez nunca tenha provado antes. 
Provavelmente, você achava que só o suco de limão teria vitamina C.
Bem, saiba que as cascas do limão contêm vitaminas 5 a 10 vezes mais do que o suco de limão propriamente dito.E, sim, isso é o que você vem desperdiçando. Mas de agora em diante, por seguir esse procedimento simples de congelar o limão inteiro e salpicá-lo em cima de seus pratos, você pode consumir todos os nutrientes e obter ainda mais saúde. 
As cascas do limão são rejuvenescedoras da saúde na erradicação de elementos tóxicos do corpo. ótimo!!! 
Os benefícios surpreendentes do limão! 
Limão (Citrus) é um produto milagroso para matar células cancerosas. É 10.000 vezes mais forte do que a quimioterapia. 
Por que não sabemos nada sobre isso? Porque existem laboratórios interessados em fazer uma versão sintética que lhes trará enormes lucros. 
Seu sabor é agradável e não produz os efeitos horríveis da quimioterapia.Quantas pessoas morrem enquanto esse segredo é mantido, para não pôr em perigo as grandes corporações multimilionárias? Como sabem, aárvore do limão é conhecida por suas variedades de limões e limas. Você pode comer as frutas de diferentes maneiras: a polpa, suco, preparando bebidas, sorvetes, bolos, etc... A ele é creditado muitas virtudes, mas o mais interessante é o efeito que produz sobre cistos e tumores. Essa planta é uma solução comprovada contra cancros de todos os tipos. Alguns dizem que é muito útil para todas as variantes do cancro. Ele é considerado também como um espectro antimicrobiano contra infecções por bactérias e fungos, eficaz contra parasitas internas e vermes, que regula a pressão de sangue, quando muito alto, e um antidepressivo, combatendo o estresse e distúrbios nervosos. 
A fonte desta informação é fascinante: ela vem de uma das maiores fabricantes de drogas no mundo, diz que, após mais de 20 testes desde 1970, os extratos revelaram que: destrói as células malignas em 12 tipos de cancro, incluindo cólon, mama, próstata, pulmão e pâncreas... Os compostos dessa árvore mostraram-se 10.000 vezes melhores do que o produto Adriamycin, uma droga normalmente utilizada como quimioterápico no mundo, retardando o crescimento das células cancerosas. E o que é ainda mais surpreendente: este tipo de terapia com extrato de limão apenas destrói células de câncer maligno e não afeta as células saudáveis. 

Hora do Inverno

Sapo PT/Divulgação

Centro de prensa del XVIII Congreso Nacional del PCCh se abrirá el 1º de noviembre


                                                         
 El 1º de noviembre se pondrá en funcionamiento el centro de prensa del XVIII Congreso Nacional del Partido Comunista de China (PCCh) destinado a los medios de comunicación de dentro y fuera del país.

El centro, ubicado en el Media Center Hotel de Beijing, se encargará de los trámites de acreditación de periodistas extranjeros y corresponsales de las regiones administrativas especiales de Hong Kong y Macao, así como de Taiwan.

El centro también coordinará la cobertura de actividades relacionadas con el evento político y proporcionará la información y los servicios técnicos necesarios.

Durante una reunión celebrada el 28 de septiembre, el Buró Político del Comité Central del PCCh propuso convocar el XVIII Congreso Nacional del PCCh el 8 de noviembre en la capital del país. (Com a Xinhua)

Um mínimo necessário


De segunda a sexta veja a Mesa Redonda Internacional



Documentário resgata uma história de perseguições



                                            
A história da ditadura civil-militar no Brasil ganha lugar na 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. No sábado (27) e na segunda-feira (29), será exibido o documentário “Repare Bem”, de Maria de Medeiros, que  retrata a perseguição da família do militante Eduardo Leite (o Bacuri) pelo regime.

O filme, de noventa e cinco minutos, foi gravado no Brasil, Itália e Holanda, entre janeiro e outubro de 2011, resgatando a trajetória da família de Denise Crispim, sua filha Eduarda Ditta Crispim Leite e seu ex-companheiro Eduardo Leite ( o Bacuri), torturado por 109 dias e assassinado pelos militares. Os relatos e personagens da trama desvelam os aspectos mais cruéis desse período da história brasileira, em um documentário que contribui para os crescentes debates sobre o resgate da memória no Brasil e a reparação das famílias brutalizadas pelo Estado

O documentário foi realizado pelo Instituto Via BR e integra o projeto “Marcas da Memória” da Comissão de Anistia, que incentiva ações culturais ligadas à anistia, como exposições e produção de livros e filmes.

Sinopse:

O jovem guerrilheiro Eduardo Leite “Bacuri” morre em 1970 nas mãos da ditadura militar brasileira depois de 109 dias de tortura. Sua companheira Denise Crispim, perseguida e presa durante sua gravidez, consegue fugir para o Chile depois do nascimento da filha Eduarda. Lá, ela encontra seus pais exilados, que dedicaram toda a sua vida à luta pela liberdade. Mas a violência da repressão volta a atingir a família com o golpe de Estado de Augusto Pinochet, obrigando pais e filhos a se dispersarem pelo mundo. Hoje, depois de 40 anos vividos entre a Itália e a Holanda, Denise e Eduarda receberam anistia e reparação do Brasil. A verdade sobre o passado abre caminho para um futuro mais justo.

Serviço:

Documentário “Repare Bem” de Maria de Medeiros 2012, 95 minutos (Brasil – França – Itália)

7 de outubro às 19h50 na Cinemateca – Sala BNDES (Largo Senador Raul Cardoso, 207-Vila Clementino)

29 de outubro às 14h no CineSesc (Rua Augusta, 2075)

Ingressos:

 Segundas, terças, quartas e quintas: R$ 15,00 (inteira) / R$ 7,50 (meia)

Sextas, Sábados e Domingos: R$ 19,00 (inteira) / R$ 9,50 (meia) (Com o Brasil de Fato)


Banco Central da Rússia irá cunhar moeda de ouro de três quilos

                                           

O Banco da Rússia irá colocar em circulação a 1º de novembro cinco moedas comemorativas de metais preciosos e não preciosos.
Será cunhada, nomeadamente, uma moeda de ouro, com o valor facial de 25.000 rublos, da série histórica 200º Aniversário da Vitória da Rússia na Guerra Napoleônica de 1812. Ela será cunhada em ouro puro 999 (24 quilates) e terá uma massa de 3 kg de metal precioso. A moeda terá 120 mm de diâmetro, devendo ser emitidos 50 exemplares.(Com a Voz da Rússia)

Onda conservadora


                                   


Novas expressões do conservadorismo brasileiro

"Ocorre um fenômeno curioso: há um crescimento da ideologia conservadora na sociedade, mas ela não encontra expressão na política"



Segundo o cientista político André Singer, a quebra da hegemonia da esquerda no plano cultural e a resistência aos programas sociais do lulismo e à resultante ascensão social estão na raiz das ondas conversadoras que prosperam atualmente no Brasil

 Luís Brasilino

DIPLOMATIQUE – Em debate na USP realizado em agosto, o senhor identificou que a esquerda brasileira perdeu a hegemonia no plano cultural que possuía nas décadas de 1960 a 1980. Como se deu esse processo?

ANDRÉ SINGER – Parto de artigo famoso do professor Roberto Schwarz1 em que ele sugere a ideia de que houve um fenômeno inesperado depois do golpe de 1964: em lugar de uma retração da cultura de esquerda, tivemos um período de expansão e até de hegemonia cultural – não política − da esquerda. Fiquei com isso na cabeça e me ocorreu, embora nunca tenha podido escrever a respeito, que talvez essa hegemonia cultural tenha persistido até o final dos anos 1980. Isso porque, passado o período mais duro da repressão, que começou com o AI-5 em dezembro de 1968 e foi até a chamada abertura com o [Ernesto] Geisel em 1974, essa hegemonia cultural da esquerda voltou. 

Lembro bem que, no final dos anos 1970 e começo dos 1980, praticamente não se encontravam pensadores, articulistas e ideólogos que tomassem posições abertamente de direita. Estávamos sob hegemonia política da direita, mas no plano cultural a hegemonia da esquerda continuou e até se acentuou no final dos anos 1970, quando se iniciou o que talvez tenha sido, por sua capilaridade, o maior movimento grevista ocorrido no Brasil. Esse movimento de base gerou o que chamo de “onda democrática”, aproximadamente de 1978 a 1988, com uma profusão de movimentos organizados configurando uma democratização da sociedade por baixo, e isso acentuou ainda mais a hegemonia cultural da esquerda. Paralelamente, no final dos anos 1970, começo dos 1980, tem início no mundo a onda neoliberal.

DIPLOMATIQUE – E o Brasil estava em descompasso com essa tendência.

ANDRÉ SINGER – O neoliberalismo no Brasil foi retardado por essa conjuntura, cujo emblema maior talvez tenha sido a campanha das “Diretas já”. Só que, no plano mundial, começou a crescer o neoliberalismo, um fenômeno ideológico que o [historiador inglês] Perry Anderson classifica como o de maior sucesso de toda a história. Ou seja, não é apenas um conjunto de políticas governamentais, mas uma concepção de mundo que ganhou corações e mentes. Finalmente, entre o fim dos anos 1980 e começo dos 1990, o neoliberalismo entrou no Brasil.

DIPLOMATIQUE – A eleição de 1989 é um marco dessa inflexão?

ANDRÉ SINGER –  É um marco desse processo, que depois foi aprofundado pelas políticas do governo Fernando Henrique Cardoso. Mas não é só isso, porque estamos falando de hegemonia cultural. O que acontece é que os valores de mercado, de ascensão individual, de competição e os valores ligados a uma intensa mercantilização dos espaços públicos começaram a se tornar correntes, sobretudo na chamada classe média tradicional e depois em estratos médios mais amplos.

Então, passamos a assistir ao surgimento de manifestações ideológicas, com articulistas, autores de livros e até artistas, produtores influentes, que defendiam abertamente esses pontos de vista, algo que não se encontrava até meados dos anos 1980. Assim, a presença quase total que a esquerda tinha no plano da cultura foi quebrada e passou a haver uma competição na qual continua existindo uma esquerda, mas a direita é crescente. Com isso, não quero dizer que ela necessariamente vai se tornar hegemônica, mas passou a haver uma competição.

DIPLOMATIQUE – Qual é o papel das Igrejas nesse processo?

ANDRÉ SINGER – Esse é um fator extremamente importante, porque o Brasil é um país onde o catolicismo era e continua sendo muito forte. É visível que a inflexão da Igreja Católica para a esquerda nos anos 1960 e 1970 impactou muito no sentido dessa hegemonia cultural. A influência da Igreja Católica no Brasil era enorme, continua sendo muito grande, e, quando ela virou para a esquerda, arrastou camadas extensas da sociedade. 

Nos anos 1980, a onda neoliberal influenciou a Igreja com uma virada para a direita que começou com o papa João Paulo II e lentamente foi entrando no Brasil. Isso é muito importante para entender a presença da hegemonia cultural da esquerda e depois sua quebra. A esse fator se soma um segundo, que é a avalanche pentecostal e neopentecostal no Brasil. O crescimento das confissões evangélicas parece ser compatível com a proliferação de uma ideologia mais conservadora. É difícil fazer afirmações categóricas, porque esse universo é muito diversificado, mas a impressão que tenho é que as confissões pentecostais e neopentecostais tendem a favorecer uma percepção de que a melhora das condições de vida depende do esforço individual, não de movimentos coletivos.

DIPLOMATIQUE – O senhor também identifica outras ondas conservadoras que extrapolam o plano cultural, especialmente entre a classe média paulistana. Quais são elas?

ANDRÉ SINGER – Em termos de classe propriamente, não há dúvida de que esse segmento tem uma propensão conservadora por razões materiais. Trata-se de uma parcela dentro de uma sociedade muito desigual como a brasileira, que tem privilégios, que tem o que perder, portanto, há motivos para uma inclinação no sentido da manutenção da situação que a beneficia. Porém, o que aconteceu é que uma parte desse segmento, que estou chamando de classe média tradicional, entrou e participou da frente antiditadura durante os anos 1970 e 1980, gerando uma simpatia por posições mais à esquerda. Isso explica também certa entrada que o PT chegou a ter nesses segmentos no começo de sua trajetória. Essa situação mudou radicalmente com o surgimento do lulismo, um processo dos últimos dez anos.

DIPLOMATIQUE – É desse realinhamento que o senhor trata em seu novo livro?2

ANDRÉ SINGER – Tem a ver, mas nesse caso é um fenômeno particular dentro do realinhamento: a classe média tradicional se fechou em bloco contra as políticas sociais promovidas pelo lulismo. Parece ser uma reação ao processo de ascensão social de setores que antes estavam estagnados numa condição de muita pobreza. É um fenômeno muito recente e não está bem pesquisado, mas a gente vê, ouve conversas, lê no jornal essa reação à presença de pessoas de renda mais baixa nos aeroportos. O que isso significa? Esses espaços eram exclusivos; só pessoas com renda mais alta podiam frequentar.

DIPLOMATIQUE – Sintomático disso são as reclamações por parte das classes média e alta sobre uma crescente dificuldade de encontrar empregados domésticos.

ANDRÉ SINGER –  É, isso é o elemento que coloquei no meu livro Sentidos do lulismo. Chama muito minha atenção também porque houve realmente uma mudança no trabalho doméstico, com elevação da renda e melhora das condições de trabalho. Isso tem a ver com o fato de que caiu o desemprego e entraram em cena programas sociais que criaram um piso, dando a essas pessoas a possibilidade de escolher não trabalhar por menos de certa quantia, o que é extremamente importante se considerarmos que existem cerca de 6 milhões de empregados domésticos no Brasil. 

É um elemento desse conjunto de mudanças que está ocorrendo no Brasil e, aparentemente, há uma reação a isso por parte da classe média. Há também uma terceira onda, que é ainda menos conhecida e mais recente: um neoconservadorismo em uma parcela bem pequena do conjunto das 30 milhões de pessoas que ultrapassaram a linha de pobreza nos anos Lula, um segmento que deu um passo além, subindo não um, mas dois ou três degraus. Um fator disso tem a ver com o medo da mudança. Essas pessoas teriam certa consciência de que o processo de ascensão não durará para sempre e, portanto, não seriam simpáticas a políticas para promover a ascensão de novas camadas, pondo em risco aquilo que já ganharam. 

Outro elemento desse neoconservadorismo é que, às vezes, se nota entre aqueles que sofreram um processo de ascensão social uma antipatia com os programas sociais. É curioso. É como se essas pessoas se “dessolidarizassem” daquelas que ainda precisam da transferência de renda, compartilhando uma impressão de que o processo de ascensão social decorre do esforço individual, e não de políticas coletivas. 

Um terceiro fator, mais específico da cidade de São Paulo, é a questão do empreendedorismo. Isto é, há uma quantidade de pessoas envolvidas com pequenos negócios e tentando melhorar de vida por meio deles. Bom, esse pequeno empreendedor tem uma tendência conservadora, justamente porque ele só conta consigo mesmo, diferentemente de um assalariado.

DIPLOMATIQUE – O que organiza esse movimento conservador? Não há um partido que canalize essas ondas. Pode-se dizer que a mídia cumpre esse papel?

ANDRÉ SINGER – Essas ondas conservadoras não estão sendo expressas no plano da política, sobretudo da política partidária. Por quê? Porque nesse ponto entra em jogo outro fator, que é o realinhamento eleitoral. À medida que o lulismo obteve uma maioria no país, a oposição foi obrigada a jogar com as regras do jogo impostas por esse movimento. Essa é a principal consequência do realinhamento. Ele fixa uma agenda, por isso o lulismo é tão importante, porque determinou uma agenda no país, e esta é, fundamentalmente, a redução da pobreza. Sendo essa a agenda, a oposição não pode expressar nitidamente o ponto de vista de sua base social, porque assim ela perderia as eleições. Essa é a razão pela qual o candidato do PSDB em 2010, o ex-governador José Serra, propôs duplicar o número de pessoas atendidas pelo Bolsa Família, em lugar de combatê-lo, como gostaria a classe média tradicional. 

Desse modo, ocorre um fenômeno curioso: há um crescimento da ideologia conservadora na sociedade, mas ela não encontra expressão na política. Quanto aos meios de comunicação, nós precisamos entender o seguinte: o conservadorismo no Brasil é muito antigo e tem um lastro histórico profundo. O diferente nessa história foi o período de hegemonia cultural da esquerda. Agora, estamos voltando para um momento anterior, mas que é de uma certa normalidade, porque o Brasil tem esse lastro conservador. Os meios de comunicação têm um papel nisso? Certamente. Mas é preciso também considerar que a análise dos meios de comunicação não deve ser feita em bloco; eles não são uma coisa só, há certa heterogeneidade. [Porém,] Partes do sistema de mídia certamente compõem essa primeira onda conservadora que está quebrando a hegemonia cultural da esquerda.

DIPLOMATIQUE – Como o lulismo, um fenômeno tão contraditório, opera nessa chave?

ANDRÉ SINGER –  O lulismo é uma nova síntese que junta elementos conservadores e não conservadores. Por isso é tão contraditório e difícil de entender. O lulismo pegou um apreço pela manutenção da ordem que tem ressonância nos setores mais pobres da população. Nesse ponto, retomo a questão de que, na formação social brasileira, se tem um vasto subproletariado que, por estar aquém da condição de proletário, não tem como participar da luta de classes, a não ser em situações muito especiais e definidas. 

Assim, o que o lulismo fez foi juntar esse apreço pela ordem com a ideia de que é preciso mudar. Que tipo de mudança? A redução da pobreza por meio da incorporação do subproletariado ao que chamo de cidadania trabalhista. Desse modo, o lulismo propõe transformações por meio de uma ação do Estado, mas que encontra resistência do outro lado. Basta prestar atenção no noticiário para ver como o embate político está posto o tempo todo nas decisões econômicas, no braço de ferro a cada momento em que se precisa baixar os juros, aumentar o gasto público ou controlar o câmbio. Essas decisões passam por um tremendo embate político que não está nas ruas; é preciso ler o jornal com atenção para perceber. O lulismo propõe mudanças, mas sem radicalização, sem um confronto extremado com o capital e, portanto, com a manutenção da ordem. Nesse sentido, é um fenômeno híbrido, que captura um tanto desse conservadorismo. Por isso uma análise mais simplista e dicotômica não consegue dar conta da complexidade da situação que estamos vivendo.

DIPLOMATIQUE – Em 2010, o senhor deu uma entrevista destacando a importância de o PT se manter na esquerda para politizar esse subproletariado.3 É isso que pode frear essas ondas conservadoras?

ANDRÉ SINGER – O Brasil ainda tem uma herança daquilo que chamei de grande onda democrática dos anos 1980. Que herança é essa? Primeiro a Constituição, com mecanismos de participação direta e, além disso, dispositivos efetivos de organização da sociedade. Grandes movimentos sociais se organizaram e uma parte deles segue atuando na sociedade, enquanto novos surgem, embora também seja possível identificar certos movimentos que declinaram. 

O Brasil ainda tem energia organizativa de baixo para cima. Segundo pesquisas que li, [essa energia] foi incrementada pelo Bolsa Família. Principalmente em comunidades do interior, as mulheres estão adquirindo certa autonomia a partir do momento em que têm um cartão, não dependem de mais ninguém e recebem uma quantia de dinheiro por mês, recurso a que elas nunca tiveram acesso e que é, sobretudo, constante, com o qual elas podem contar. 

Há indicações de que essas mulheres estão se organizando, por exemplo, em cooperativas, empreendimentos igualitários de mudança de sua condição de vida. Tudo que seja organização da sociedade pela base ajuda a frear essas ondas conservadoras. Não há motivo para imaginar que essa onda conservadora venha de maneira avassaladora, que não há nada do outro lado. Sobre a questão do PT, gostaria de observar que, como eu disse em 2010, continuo acreditando que este momento é especial, porque se abriu uma janela de oportunidade para o diálogo da esquerda com os segmentos mais pobres da população. Isso é muito interessante porque, sobretudo no Nordeste, esse era o setor que votava normalmente com o conservadorismo e agora está com o lulismo. 

É uma oportunidade ímpar de politizar esses setores, no sentido da transformação social. No entanto, de 2010 para cá, passados quase dois anos, não vejo o PT muito engajado nesse tipo de trabalho. Eu às vezes temo que essa oportunidade seja perdida, uma oportunidade que está aberta para toda a esquerda. Porém, os setores da esquerda que não estão no PT têm tido dificuldade para compreender os avanços sociais e simultaneamente o impacto conservador que o lulismo representa. Há que se entender essa contradição e, ao não entender, perde-se a plataforma de diálogo com os setores que estão sendo beneficiados por essas políticas.

Luís Brasilino

Jornalista. Editor do Le Monde Diplomatique Brasil.



Ilustração: Daniel Kondo

1  “Cultura e política, 1964-69”. In: Roberto Schwartz, O pai de família e outros estudos, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1978.

2  Singer identifica que, desde a reeleição do presidente Lula em 2006, houve uma aproximação do subproletariado em direção ao lulismo e um distanciamento do PT por parte da classe média tradicional. Ver Os sentidos do lulismo, Companhia das Letras, São Paulo, 2012.

3  “Cabe ao PT politizar o subproletariado”, Brasil de Fato, São Paulo, n.374, 29 abr.-5 maio 2010.

35º Congresso Nacional definirá as lutas prioritárias dos Jornalistas

                                                                     
 O Condomínio Fecomércio, em Rio Branco (AC), abrigará, de 7 a 10 de novembro, as atividades do 35º Congresso Nacional dos Jornalistas, que terá como tema central “Os desafios do Jornalismo e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável”. Além do intensa programação, no evento serão definidos posicionamentos e estratégias das lutas centrais dos jornalistas brasileiros para os próximos dois anos. Entre elas a retomada da exigência do diploma para o exercício da profissão, a federalização de crimes contra jornalistas e a instituição de um piso salarial nacional para a categoria.

Antecedendo a abertura do 35º CNJ, haverá, no dia 7 de novembro, também no Condomínio Fecomércio, o V Encontro Nacional de Jornalistas de Imagem. A atividade começa às 10h, com a abertura da Mostra Nacional de Cartuns e Fotografias sobre Meio Ambiente, organizada pelo Departamento de Imagem da FENAJ com contribuições de profissionais de todos os estados da federação, que depois ficará aberta ao público no Memorial dos Autonomistas, no Centro de Rio Branco. No V ENJI Milton Guran, fotógrafo e antropólogo da Universidade Federal Fluminense (UFF), e Orlando Pedroso, da Associação dos Cartunistas do Brasil, debaterão o tema" Imagem como Fonte de Informação na Era Digital". Posteriormente, os delegados definirão os caminhos para uma maior organização deste segmento da categoria, bem como suas lutas prioritárias.

Espera-se mais de 300 participantes no 35º CNJ, entre delegados, observadores e convidados. A programação http://www.35congressodosjornalistas.org.br/pagina_simples.php?titulo=Programa%E7%E3o&pagina=programa%E7%E3o conta com cinco painéis, seis oficinas e plenárias diárias, além de atividades culturais e rodas de conversas. Nos painéis, que ocorrerão no período das manhãs, o objetivo é aprofundar o debate sobre as políticas públicas na área ambiental. O primeiro deles, às 8h30 do dia 8 de novembro, com as participações da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e do governador do Acre, Tião Viana, abordará "Políticas de Proteção das Florestas para o Equilíbrio Ambiental do Planeta". Já as oficinas visam proporcionar atividades de atualização profissional e as rodas de conversas proporcionarão debates mais descontraídos sobre temas da atualidade.

Discussões mais intensas sobre as lutas centrais dos jornalistas brasileiros serão travadas em três plenárias. Nelas os delegados do 35º CNJ se posicionarão sobre 17 eixos temáticos. Entre eles a conjuntura nacional, democratização da comunicação, jornalismo e meio ambiente, formação acadêmica, regulamentação da profissão e Conselho Federal dos Jornalistas, piso salarial e condições de trabalho, saúde e segurança dos jornalistas, direito autoral e ética profissional. Entre teses e emendas apresentadas pela diretoria da FENAJ e Sindicatos de Jornalistas, serão submetidas à deliberação mais de 50 propostas.

Em comunicado aos Sindicatos dos Jornalistas, a Comissão Organizadora do 35º CNJ encaminhou orientações estruturais e organizativas como a confirmação das delegações, hospedagem, esclarecimento sobre o fuso horário (com o Horário de Verão, Rio Branco está 2 horas a menos em relação ao horário de Brasília) e medidas preventivas como atualização de vacinação.(Com a Fenaj)


Invasão Silenciosa da Amazônia ume-book muito atual


                                             
V I T R I N E
Este é um E-book formatado para ser baixado e lido em dispositivos móveis, tais como: Tablets Android, I-PAD e Smart Phones e tambem em PC.
Requisitos para leitura clique aqui

 
INVASÃO SILENCIOSA DA AMAZÔNIA

Autor: Luiz J. Mendonça

Preço: R$ 12,00


Descrição 

Estamos vivendo tempos tumultuosos! Ideologia marxista na cúpula do governo camuflada de “socialismo”, ganância soberana de poder político e financeiro, tentativas repetidas de cerceamento das liberdades individuais e de dominação da imprensa, tanto de dentro do Brasil quanto por pressão vinda de fora. Pior ainda, está em curso a corrupção acelerada da moralidade pública e individual e, pode-se dizer com certeza absoluta, colocação na prática, de um vasto programa governamental para o “emburrecimento” dos estudantes brasileiros, que dessa forma, dentro de poucos anos, serão dócil massa de manobra. A própria imensidão territorial do nosso país, por força natural, atrai os olhares e atiça a curiosidade de muitos estrangeiros, que querem saber o que há dentro deste mundão ainda mal povoado e pior defendido no seu interior. O paradoxo é que no Brasil, quem detém o poder político, parece não se interessar pelas riquezas naturais da Amazônia e nem pelo seu potencial presente e futuro, a não ser como moeda de troca e favores, de tal sorte que, desde Collor de Mello, passando por FHC e Lula, vem a sanha estrangeira consentidamente apropriando-se de vastas áreas dela, que já ficaram sob a guarda de ONGs e instituições estrangeiras.



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A simplicidade do mestre Cartola


                                          
Cartola, compositor de lindas melodias e rebuscada poesia completaria 104 anos no dia 11 de outubro deste ano. Carioca nascido no bairro do Catete, Angenor de Oliveira, cursou até o primário. Quando da morte de sua mãe, Cartola teve que parar os estudos e trabalhar. Foi tipógrafo e pedreiro.   Nos canteiros de obra cantarolava suas composições ao compasso do seu violão. Também foi na construção que recebeu seu apelido por usar um chapéu com o formato de cartola.

 Ainda menino, por causa da precária situação financeira, foi morar com a família no Morro da Mangueira. No ano de 1928, junto com outros companheiros, fundou a escola de samba Estação Primeira de Mangueira, a famosa verde e rosa, cores escolhidas por esse mestre do cancioneiro.

Com a morte de sua primeira companheira, Deolinda, se afastou por uma década das rodas de samba. Passou a viver do que recebia dos bicos que realizava como lavador de carros e vigia de edifícios. Através da ajuda dos amigos retornou as cantigas de roda de samba. De forma simples e melódica levava a vida como na poesia das suas músicas.

As canções do eterno Cartola, cantadas pelos maiores intérpretes da música popular brasileira, são imprescindíveis em nossas vidas, que necessitam respirar o ardor das melodias e saborear a leveza dos poemas das eternas músicas do nosso sempre e grandioso artista. Nesse 11 de outubro, nossas maiores reverências ao mestre Cartola, que com a simplicidade dos gênios,  cantou a vida de seu povo e emocionou os corações de todos nós.

O Samba do Operário

Se o operário soubesse
Reconhecer o valor que tem seu dia
Por certo que valeria
Duas vezes mais o seu salário
Mas como não quer reconhecer
É ele escravo sem ser
De qualquer usurário
Abafa-se a voz do oprimido
Com a dor e o gemido
Não se pode desabafar
Trabalho feito por minha mão
Só encontrei exploração
Em todo lugar
 (Com o Jornal A Verdade)

Atuais ministros do STF foram monitorados pela ditadura

                                Lewandowsky, Gilmar Mendes e Celso de Mello foram monitorados na ditadura

Pelo menos cinco dos atuais dez ministros do Supremo Tribunal Federal foram monitorados pelos órgãos de inteligência do regime militar. Documentos inéditos dos arquivos do Serviço Nacional de Informação (SNI) e do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops), obtidos pelo jornal O Globo, mostram que pouco importava o engajamento deles com a oposição ao governo militar. Mais importante era registrar seus passos. Até a última sexta-feira (12/10), nem mesmo os ministros sabiam que tinham sido monitorados. 

Os militares registraram o comportamento do então promotor Celso de Mello quando foi chamado no início dos anos 1980 a opinar sobre a legalização da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE/SP). Em seu despacho, ele escreveu que a entidade estava revestida de "inegável legitimidade, a que não pode se opor o resíduo autoritário, hoje agonizante". Anos antes, na inauguração do Fórum de Osasco (SP), as autoridades haviam se recusado a aplaudir seu discurso em defesa do direito do homem à vida e à liberdade, o que também foi digno de registro.

Documento do SNI mostra que em Bonn, na Alemanha, o funcionário do Itamaraty Gilmar Mendes assistiu à palestra do bispo Adriano Hipólito sobre as contradições sociais e econômicas do Brasil, mais um capítulo "da campanha difamatória do país no exterior", segundo o registro. Atos capazes de "perturbar a ordem e o bom andamento do serviço público" que contassem com a colaboração de diretores da companhia de Processamento de Dados de São Bernardo do Campo, entre eles Ricardo Lewandowski, foram informados imediatamente aos órgãos de segurança, no fim dos anos 70.

Pouco mais de uma década depois, o advogado Carlos Ayres Britto teve "participação destacada" em protesto feito em Aracaju contra a presença americana no Golfo Pérsico, registrou telex redigido por um agente de informação. A procuradora do Estado Cármen Lúcia Rocha participou de evento em defesa da sindicalização do servidor público, em 1987, e contou com militares infiltrados na plateia.

"Por causa do discurso em Osasco, tive minha carreira congelada no MP. Hoje, é fácil fazer críticas ao regime de então. Difícil era enfrentar os riscos quando estava vigente o AI-5. Estou em paz com minha consciência. Cumpria meu dever", disse o ministro Celso de Mello.

No texto de 1977, Mello afirma que de "nada adianta juízes inteligentes, íntegros e capazes" se "ao Ministério Público não for atribuída a força necessária para arrastar os poderosos perante os tribunais". Em relatórios enviados ao Dops, delegados reclamam do promotor que aparece de surpresa nas delegacias para verificar as condições dos presos. O secretário de segurança chegou a chamá-lo de "promotor subversivo que indispõe a polícia com a população".

"Nunca tive atuação política. Esses registros mostram o mal que os regimes autoritários fazem", disse Gilmar Mendes, que morou na Alemanha como funcionário do governo, mestrando e doutorando da Universidade de Münster.

Em 1988, o serviço de informação registrou a ida de sua mulher à República Democrática Alemã (RDA), porção oriental do país que vivia sob o regime comunista. Um erro, já que Mendes estudou na porção ocidental e capitalista do país, a República Federal da Alemanha (RFA).

"É uma sensação orwelliana", classificou o ministro Ricardo Lewandowski, em referência ao livro "1984", de George Orwell, e à "sensação de estar permanentemente monitorado e vigiado".

Ele trabalhava em empresa pública e sabia de infiltrados:

"Hoje vivemos um regime de abertura política. Todo mundo pode dizer o que pensa. A imprensa age com desenvoltura."

Os ministros Ayres Britto e Cármen Lúcia não quiseram falar. Perguntado sobre os que acusam o STF de realizar um juízo político e de exceção em relação ao mensalão, Lewandowski deu a entender que caberá à História julgar eventuais erros:

"Para fazer um julgamento do julgamento, é preciso haver uma perspectiva histórica mais ampla."

Celso de Mello e Gilmar Mendes rebateram com veemência a interpretação dos réus condenados:

"Estamos analisando todas as circunstâncias e os elementos de defesa. As pessoas indicadas pelas presidências do PT (Lula e Dilma) têm votado pela condenação. São pessoas importantes do mundo político, que precisam ter uma bandeira", disse Gilmar, referindo-se aos réus que denunciam o Estado de exceção.

"Está garantido um julgamento justo, isento, imparcial e realizado de modo plenamente independente. E sob amplo escrutínio público", completou Celso de Mello.

Revista Consultor Jurídico, 14 de outubro de 2012

http://www.conjur.com.br/2012-out-14/documentos-mostram-regime-militar-monitorou-atuais-ministros-stf?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter (Com o Pravda)