terça-feira, 30 de abril de 2013

45 anos do 1º de Maio na Praça da Sé


                                                  



Sábado Resistente debate protesto contra ato oficial da ditadura e protagonismo do militante Marcos Antonio Braz de Carvalho, o Marquito, da ALN, no enfrentamento com o regime no dia do trabalhador


O próximo Sábado Resistente, 4 de maio, será dedicado ao debate dos 45 anos do 1º de Maio de 1968 na Praça da Sé, quando sindicalistas combativos e militantes da resistência à ditadura presentes à comemoração oficial comandada pelo governador Roberto de Abreu Sodré, da Arena (Aliança Renovadora Nacional), transformaram o ato de propaganda do regime em protesto contra o arrocho salarial.

Um desses militantes era Marcos Antonio Braz de Carvalho, o Marquito, que se tornaria um dos mais destacados líderes da ALN (Ação Libertadora Nacional). Ele cortou os fios do sistema de som quando Abreu Sodré começou a falar, dando início aos protestos dos manifestantes. A polícia reprimiu a manifestação ao perceber que ela fugira ao controle dos organizadores ligados ao governo.

Fotografado pelo Deops (Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo) naquele 1º de Maio, Marquito entrou para a clandestinidade e mergulhou na luta armada. É ele quem aparece na fotografia aicma, identificado como o número "2". Até a sua morte, participou de numerosas ações de recolhimento de fundos para financiar a ALN.

Primeiro comandante do GTA (Grupo Tático Armado) da ALN, escolhido por Carlos Marighella, ele foi morto em janeiro de 1969 pela equipe policial chefiada pelo investigador Raul Nogueira Lima, o Raul Careca – integrante do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) e denunciado como torturador. A necropsia revelou que Marquito recebeu tiros nas costas. Em 2004, a Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do Ministério da Justiça, julgou que o guerrilheiro foi executado pelos policiais.

Durante o Sábado Resistente será distribuída cartilha sobre o militante da ALN Marcos Antonio Braz de Carvalho, o Marquito, produzida pelo Núcleo de Preservação da Memória Política.

Data

4 de maio

Programação

14h: Boas vindas

Katia Felipini (Coordenadora do Memorial da Resistência de São  Paulo)
Coordenação – Maurice Politi (diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política)

14h15 – 16h: Palestras

José Ibrahim (Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, em 1968, e líder da greve da Cobrasma – a primeira após o golpe civil e militar de 1964)
Itobi Alves Corrêa (Advogado, ex-militante da ALN)
Raphael Martinelli (Líder ferroviário, dirigente do CGT (Comando Geral dos Trabalhadores) e presidente do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo)

16h – 16h30

Debate com o público

16h30 – 17h30

Lançamento do livro “Memórias da Resistência”, organizado por Marco Escrivão, Tito Flávio Bellini e Pedro Russo (Compacta Editora Ltda., 2012)
Local
Memorial da Resistência de São Paulo
(Largo General Osório, 66 – Luz Auditório Vitae – 5º andar)

Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano.

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