terça-feira, 23 de abril de 2013

A heroica resistência cubana à invasão mercenária de Playa Girón


                                                       



As heróicas ações levadas a cabo pela aviação revolucionária cubana contra a invasão mercenária de Playa Girón (Baía dos Porcos), que na hora do ataque contava somente com uma dezena de pilotos com pouca experiência e uns poucos aviões em condições de voar, sendo a proporção de um a seis a favor do inimigo, seus brilhantes resultados naquele 17 de abril de 1961, entre cujas ações esteve a interrupção do desembarque inimigo; o derribo de nove aviões; o afundamento do navio Río Escondido, sensível perda para o adversário pois nele vinha a emissora para as comunicações, a reserva de combustível, armas e munições; assim como a avaria do navio Houston, onde se encontrava a maioria dos integrantes do Quinto Batalhão, que não conseguiu desembarcar, assim como as ações defensivas de nossas antiaéreas, fez com que esta data fosse reconhecida como o Dia da Daafar, (Defesa Antiaérea e Força Aérea Revolucionária). O general-de-divisão Enrique Carreras Rolas, Herói da República de Cuba, foi chefe de um dos grupos dos valentes pilotos de nossa aviação, naquelas épicas horas de combate, onde mostraram valor e coragem em defesa da Revolução.. Do livro Secretos de Generais extraímos estes excertos.

Chegar à Baía dos Porcos antes do amanhecer

Luis Baez

LEMBRA seu primeiro encontro com Fidel?

 “Foi em meados de 1959, em uma visita que ele fez à chefia da Força Aérea do Exército Rebelde, em Ciudad Libertad. Também estava o comandante da Revolução Juan Almeida, quem tinha sido nomeado chefe desse corpo.

 Fidel reuniu os pilotos que tínhamos estado presos. Olhou para mim e me disse: "Carreras, você é o mais velho, o de mais experiência; a tarefa que te vou dar é a de preparar os futuros pilotos que necessitamos, para defender a Revolução do ar. Sabemos que, mais cedo ou mais tarde, nos vão atacar".

 Respondi-lhe que tinha a melhor disposição, mas que era necessário irmo-nos de Ciudad Libertad. Dias depois, Almeida me deu a ordem de recolher todos os aparelhos que estavam em Libertad e leva-los para San Antonio de los Baños. Aí começamos a dar as primeiras aulas. Em meio das dificuldades e com grandes esforços, se forjaram esses primeiros pilotos que passaram a integrar a primeira unidade combativa de nossa Força Aérea. Muitos deles seriam depois chefes de esquadrilhas, de esquadrões e, inclusive, de bases aéreas.

 A preparação de nossos pilotos deve estar ligada sempre à luta sobre o mar, pois sendo Cuba uma ilha, nossa força aérea deve estar pronta para combater, tanto sobre terra como sobre o mar.

 Posso dizer, sem medo a enganar-me, que a aviação de combate revolucionária nasceu e se desenvolveu na base aérea de San Antonio de los Baños.

 Manteve o contato com Fidel?

 Sim. Ele nos visitava muito em San Antonio. Falava com os técnicos e pilotos.

 Nessas conversas nos disse: "Vejam, esses aviões desvencilhados que vocês voam, devem deslocá-los e não tê-los aglomerados, de maneira tal que, caso houver um ataque aéreo, o inimigo só consiga destruir os aparelhos dados de baixa. Ponham-nos distantes uns dos outros com o fim de confundi-los e preservar nossas máquinas. Estou certo de que nos atacarão. Ajam rápido antes que eles venham". Assim aconteceu.

 Com quantos pilotos contavam?

 As Forças Armadas contavam com dez pilotos de combate, mas só três éramos experientes. Os demais tinham poucas horas de voo nos dez aviões que serviam, devido aos esforços dos técnicos e mecânicos, que faziam adaptações para que voassem aqueles vetustos equipamentos, praticamente com um grande risco para os tripulantes.

 Na hora em que se está produzindo o desembarque pela Baía dos Porcos, falou com Fidel?

 Sim. Isso ocorreu na madrugada de 17 de abril. Às 04h45 Fidel ligou para a base e pediu para eu pegar o telefone. Recolheram-me em um jipe.

 Ao chegar à torre de controle tomei o auricular e respondi: "Às ordens, comandante-em-chefe".

 Que lhe disse Fidel?

 —"Carreras, na Baía dos Porcos está tendo lugar um desembarque. Descolem e cheguem ali antes do amanhecer. Afundem os navios que transportam as tropas e não os deixem ir. Entendeu?".

 " Às ordens, chefe", respondi esperando ansioso uns segundos. "Isso é tudo?".

 Ao meu requerimento Fidel acrescentou: "Pátria ou Morte!".

 "Venceremos!", respondi cheio de entusiasmo.

 Que sentiu nesse momento?

 Imagina! Eu era um simples capitão e, de repente, estava recebendo as ordens diretamente do comandante-em-chefe. Para mim, não naquele momento, hoje em dia se ele me chama de novo, me sinto profundamente empolgado.

 Falou-me com uma firmeza, um entusiasmo, que me deixou tremendo por dentro e realmente me injetou mais valor para cumprir a missão que me tinha encomendado porque, de verdade, nossos aviões estavam desarmados.

 Ao começarem as hostilidades, como era a correlação de forças?

 Quatro dias antes do início da agressão, a correlação com o inimigo era aproximadamente de 5 a 1a seu favor, no caso dos aviões, e de 12 a 1, no caso dos pilotos.

 Quantas missões realizaram?

 Em menos de setenta e duas horas, dez pilotos com oito aviões desvencilhados, fizemos setenta missões.

 Quantos aviões derribaram?

 Nove bombardeiros B-26. Afundamos dois navios de transporte de tropas, três barcaças LCT de transporte de tanques e cinco barcaças de desembarque.

 Conhece o número das baixas inimigas?

 “Tão só em seus aviões morreram catorze pilotos. Deles, quatro instrutores norte-americanos.

 Que significa para o senhor ser Herói da República de Cuba?

 É a máxima responsabilidade que pode ter um revolucionário. Jamais pensei chegar a deter esta grande honra que me conferiu a Revolução. Sinto-me com uma grande responsabilidade ante meu povo e oxalá minha vida se alongue um pouquinho para poder ajudar mais. Sinto-me muito orgulhoso de poder levar essa estrela no meu peito.

Pensou alguma vez chegar a general?

Nunca. Minha aspiração, vou dizer a verdade, era chegar à patente de capitão. Para mim, todas as promoções que me deram foram de surpresa. No ato de em que me deram a patente de general-de-divisão — 19 de março de 1994 — convidaram minha família toda, meus companheiros. Quando vi Raúl Castro colocando-me a patente, por um lado, e pelo outro Almeida, veio à minha mente a época em que conheci aqueles jovens que acabavam de descer da Serra Maestra. Senti uma profunda emoção.

 Alguns já me perguntaram se não pesam muito as estrelas. Respondi-lhes que o peso que levo sobre meus ombros é o mesmo peso que levam todos os revolucionários.

 Na sua trajetória como piloto, em que momento sentiu medo?

 Em várias ocasiões. O medo existe. Nos combates de Girón me alvejaram duas vezes. Um projetil deu no cilindro número um do caça Sea Fury. Tive muitas probabilidades de morrer.

 Também em um cerco que me fizeram dois aviões B-26 me perfuraram o tanque da asa esquerda mas, felizmente, já tinha consumido o combustível. Nesse momento senti medo, mas ainda nessa situação, lembrei a ligação de Fidel e disse: Bem... estamos cumprindo. (Com o Granma)

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