terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Relatório do Dieese aponta crescimento de greves

                                                                             

O ano de 2013 foi realmente intenso e, muito provavelmente, um núcleo de movimentação que influencia até os dias de hoje as lutas dos trabalhadores. Em pesquisa divulgada pelo Dieese, com base nos dados do SAG (Sistema de Acompanhamento de Greves), de 2012 para 2013 houve um aumento de 134% das greves no país, com 2050 paralisações no total. Em 2012, foram 877 greves.

Este que foi o maior número de toda a série histórica, tem como um dos destaques as mobilizações nas empresas estatais, com crescimento expressivo de 372%. Foram 29 greve em 2012 e 137 em 2013.

A pesquisa apresentou dados da esfera pública e privada, além das ações conjuntas entre estes dois setores. No setor privado, foram 464 greves ocorridas em 2012 e 1106 no ano de 2013. As campanhas conjuntas tiveram um aumento de 266,7% e o funcionalismo público, com 381 greves em 2012 e 796 em 2013, teve aumento de 109%.

Vale destacar o número de horas paradas, que é o maior desde o ano de 1990. Foram 111.342 horas paradas em 2013, considerando um importante avanço nas estatais, que tiveram aumento de 184% de horas paradas de 2012 para 2013.


Perfil das greves

Duração – Em 2012, ocorreram 646 greves deflagradas por tempo indeterminado, enquanto em 2013 os trabalhadores se colocaram mais combativos e fizeram o número subir para 1322.

As greves de advertência aumentaram de 24% para 35% nestes dois anos e as de um dia foram mais frequentes no setor de serviços.

Além do aumento das greves por categoria, paralisações no âmbito empresa/unidade cresceram de 503 em 2012 para 1289 em 2013.

Motivações das greves e resultados

A pesquisa avaliou as reivindicações dos movimentos, categorizando como greves propositivas – por novas conquistas ou ampliação das conquistas – e defensivas – em defesa de condições mínimas de trabalho, saúde, segurança ou como denúncia de descumprimento de acordos. 

Uma característica importante na avaliação deste período é que as mobilizações de caráter propositivo teve queda de 64% para 57%, enquanto as defensivas tiveram um aumento de 67% para 75%. No setor de serviços privados, em 2013, o pagamento de salário atrasados abrangeu 37% das reivindicações dos trabalhadores.

Em 2013, 80% das paralisações avaliadas (47% do total delas) tiveram algum êxito no atendimento de suas reivindicações. Na indústria privada, a maioria dos movimentos (56%) foi deflagrada por metalúrgicos, seguido por trabalhadores da construção (23%), químicos (7%) e do setor de alimentação (6%).

Esse resultado revela a grave e crescente precarização nas condições de trabalho e nos direitos mais básicos durante o período analisado. O Dieese descreve a avaliação como um “desbordamento” com a ação mais comum de categorias que habitualmente se mobilizam influenciando também segmentos menos organizados.

2013, um ano de mobilizações

Além de uma expressiva Marcha à Brasília e de um Dia Nacional de Luta, a CSP-Conlutas participou ativamente de diversas ações que sacudiram o ano de 2013, incluindo as manifestações populares contra os Crimes da Copa.

Durante 2013, sobretudo em meados do ano em questão, estiveram em luta, em campanhas, paralisações e protestos professores, metalúrgicos, estudantes, metroviários, petroleiros e outras categorias.

A Construção civil foi um importante exemplo de organização de luta com uma campanha salarial unificada. Os petroleiros demonstraram solidariedade aos jovens que reivindicaram a revogação do aumento da tarifa do transporte público. 

A repressão e a criminalização das lutas tiveram destaque nas discussões dos movimentos sociais e sindicais e foram ingredientes importantes para a unidade dos trabalhadores que se mantiveram firmes contra a intransigência do governo e os golpes da patronal.
  
Paulo Barela, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-CONLUTAS, fez uma breve análise dos resultados desse estudo. Confira, na íntegra, a opinião do dirigente:

“O ano de 2012 marcou o ensaio de uma retomada mais ampla das lutas em nosso país. A poderosa greve do funcionalismo federal colocou Dilma-PT na parede e levou à queda de mais de 10 pontos percentuais em sua popularidade, as mobilizações dos operários da construção civil em Belo Monte, Pecem e Suape foram a antessala para jornadas de junho de 2013, além do crescente e expressivo número de lutas contidos neste relatório.

Os resultados desse estudo não nos surpreende e revela o amplo processo de ascenso das lutas em nosso país. Se, por um lado, Dilma-PT e a burguesia atacam os trabalhadores, por outro, a classe reage com mais e mais lutas. 

Não apenas por suas reivindicações corporativas, como bem mostra o estudo do DIEESE, mas também por ações mais globais em unidade de vários setores contra os ajustes fiscais e a retirada de direitos.

São lutas para além do conteúdo econômico e se revestem em verdadeiras ações políticas contra os planos dos patrões e dos governos diante de uma crise econômica de amplas proporções.

Devemos destacar também o importante crescimento das lutas no setor privado, segmento que não tem a mesma proteção ao emprego como no setor público. Embora esse crescimento se apresente, em sua maioria, como ações defensivas, demonstra a coragem da classe em enfrentar os patrões apesar do desemprego crescente, ameaças de lay-off e férias coletivas.

Não é à toa que em 2015, o início do ano foi marcado com resistência às demissões e a palavra de ordem que mais emplacou entre os setores da produção foi: “Demitiu, parou!”.

2013 abriu uma nova situação política no país, com aprofundamento dos conflitos entre capital e trabalho e aumento da disposição da classe trabalhadora em lutar por seus direitos e conquistas. 

Apesar das ações da burocracia governista e de direita (CUT, CTB, Força Sindical etc), que se esforçam para evitar as greves e mobilizações da classe, a tendência é que esses números se ampliem quando os estudos de 2014 e 2015 vierem à tona.

A CSP-CONLUTAS esteve e seguirá sempre à frente dos principais enfrentamentos e apostando na luta direta, unidade e mobilização dos trabalhadores para lutar contra o governo, os patrões e pela construção de uma sociedade justa e igualitária. Não daremos trégua ao capital e seu lacaios da burocracia sindical brasileira e seguiremos tentando construir uma Greve Geral no país para barrar os ajustes fiscais e os planos “anti-trabalhador” de Dilma-PT, seus aliados da burguesia e da direita tradicional de Aécio Neves-PSDB.

Mais do que nunca: Basta de Dilma-PT; Temer, Cunha e Renan-PMDB e Aécio-PSDB!”

Acesse o conteúdo completo do estudo: DIEESE EST PESQ 79 greves 2013 vf-1 (Com a Conlutas)

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