sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

UFRJ revoga título de Médici e avalia concedê-lo a estudante morto na ditadura

                                                   
               Ditador Médici na Ponte Rio-Niterói | Foto: Arquivo Nacional  

A revogação contou com apoio dos estudantes, que fizeram um ato, com roupas e rostos de vermelho e preto, para lembrar assassinatos e desaparecimentos.

Isabela Vieira,

Da Agência Brasil
 
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revogou quinta-feira (10) o título honorário concedido a Emilio Garrastazu Médici, no período em que foi presidente do Brasil (1969-1974), durante a ditadura militar. Sob aplausos, a decisão foi aprovada pelo Conselho Universitário na data em que se comemora o Dia Internacional da Declaração dos Direitos Humanos.

A revogação do título contou com apoio dos estudantes, que fizeram um ato, pintando suas roupas e rostos de vermelho e preto, para lembrar os assassinatos e desaparecimentos de pessoas ligadas à universidade.

Entre eles, está o do estudante de engenharia Mário Prata, que dá nome ao Diretório Central do Estudantes; de Stuart Angel, da faculdade de economia, e do professor Lincoln Bicalho Roque, do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da universidade.

Segundo a relatora do processo na Comissão de Memória e Verdade na UFRJ, a professora Lilia Pougy, pelo menos 26 alunos ou professores morreram ou desapareceram somente sob a gestão de Médici.

"Nesta lista comparecem 20 homens e seis mulheres de variadas unidades acadêmicas e centros universitários de diferentes áreas que perderam a vida em razão do seu engajamento político na transformação da sociedade", afirmou Lilia. "Eles ousaram defender a democracia, a cidadania reagindo contra o árbitro do governo militar", completou.

Médici havia recebido o título honorário da UFRJ em 1972, quando ainda era presidente da República. No mesmo período, um ginásio da faculdade de educação física, sob a gestão da nadadora Maria Lenk, foi batizado com o nome do general. A homenagem também foi retirada esta semana. (Com o Brasil de Fato)


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