terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Brasil ocupa sétimo lugar em mortes de jornalistas

                                                                  

Claudia Sanches (*)


O Brasil continua sendo um dos países mais perigosos do mundo para jornalistas. De acordo com estudo publicado nesta segunda-feira (14) pela ONG Press Emblem Campaign (PEC em inglês), que tem sede na Suiça, sete jornalistas foram assassinados no país. Com esses números, o Brasil aparece na 7ª colocação entre os países onde mais profissionais da imprensa foram mortos no ano, empatando com países como a Índia, Sudão do Sul e Iêmen os dois últimos em guerra.

Este ano foi especialmente violento para a categoria, chegando a preocupar entidades como a Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) na semana passada.  Um relatório do comitê revelou que os números de execuções são iguais a de países em estado de guerra. 

Após as mortes de Gleydson Carvalho , em 6 de agosto, de Djalma Santos da Conceição, em 22 de maio, de Evany José Metzker, decapitado em 18 de maio, foi a vez de Israel Gonçalves Silva, executado a 10 de novembro em Pernambuco e do blogueiro Ítalo Eduardo Diniz Barros, encontrado morto no interior do estado do Maranhão.

Segundo o levantamento, 128 jornalistas foram assassinados neste ano em 31 países. A ONG contabilizou sete assassinatos de profissionais de imprensa no Brasil neste ano. A ONG, que começou o balanço em 2006, já contabilizou 1.177 assassinatos. Apenas nos últimos cinco anos, conta 35 mortes no Brasil – o que dá, em  média, sete por ano.

A lista de 2015 é encabeçada pela Síria, pelo quinto ano consecutivo, com 11 jornalistas assassinados, e por México e Iraque (10 mortes). Com os ataques ao seminário “Charlie Hebdo”, a França acabou por ocupar o terceiro lugar, com oito vítimas, ao lado de Líbia e Filipinas. 

Segundo o secretário-geral da PEC, Blaise Lempen,  “2015 foi outro ano terrível para jornalistas. Começou com a matança no ‘Charlie Hedbo’ em Paris e a execução, pelo Estado Islâmico, do jornalista japonês Kenji Goto na Siria. 

A violência contra jornalistas não diminuiu. É revelador que os últimos 4 anos têm sido os mais mortíferos”, informou em nota. Ainda segundo a entidade, as principais causas de mortes de jornalistas foram os conflitos armados em países do Oriente Médio, a violência em países da América Latina e ataques terroristas.

Também compõem o ranking Paquistão e Somália (seis vítimas cada), Honduras (cinco mortos), Reino Unido e Ucrânia (quatro), Guatemala (três), Afeganistão e Estados Unidos, com duas mortes cada -no caso dos EUA, as duas mortes ocorreram durante uma transmissão de TV ao vivo.

Com 38 assassinatos de jornalistas, o Oriente Médio é o que apresenta o maior risco para os profissionais, seguido por América Latina (31 mortos) e Ásia (26). “O balanço da Europa nunca tinha sido tão pesado nos últimos dez anos, com 13 vítimas”, informa a PEC.

(*)Fonte: Estadão e Comunique-se (Com a ABI)

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