terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Impeachment: Nem Dilma (PT), nem Temer e Cunha (PMDB), nem Aécio (PSDB) são alternativas. Basta de Dilma, desse Congresso, do PMDB, PSDB e demais alternativas de direita!

                                                                          
Vamos acabar o ano de 2015 em meio a uma das maiores crises políticas já vividas no Brasil. A perspectiva de votação no Conselho de Ética da Câmara da abertura de processo que pode levar à cassação de Eduardo Cunha (PMDB) e o acolhimento do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) não deixam de ser uma expressão do mar de lama em que se encontra o país.

Para o membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Sebastião Carlos, o Cacau, a Central não apoia nenhum bloco. “Defender o mandato da Dilma contra um possível golpe é um erro. Significa se colocar contra a vontade popular, da maioria dos trabalhadores que já rompeu com esse governo.

Se alinhar com Cunha também é um erro. O caminho para promover as mudanças que os trabalhadores precisam em nosso país é através da mobilização, da nossa luta. Por isso temos insistido na unidade da classe e dos setores da esquerda comprometidos com os trabalhadores”, reforça Cacau, que defende que somente o impeachment não basta.

“Que saiam Dilma, Cunha e todo o Congresso corrupto. Devemos exigir novas eleições gerais no país para todos os cargos. Todos os denunciados nos escândalos tem de estar impedidos de concorrer. Que o povo possa trocar todo mundo, se quiser”, ressalta o dirigente.

Já para Joaninha de Oliveira, também membro da SEN, o impeachment não acabará com as mazelas que afligem a vida dos trabalhadores na atual crise. “O Congresso Nacional é um antro de corruptos e não tem nenhuma autoridade moral. Tanto Dilma quanto Temer (PMDB), que poderá assumir no seu lugar, quanto Aécio e Cunha, tem aprovado medidas contra os trabalhadores. Mas é um fato novo importante”, defende.

A CSP-Conlutas já vinha discutindo e defendendo a necessidade de os trabalhadores se organizarem e irem às ruas para criar uma alternativa de classe nessa crise, contra todos esses políticos e partidos que estão aí.

A Central vem debatendo desde o Congresso a sua orientação. E nossa política vem sendo orientada pela construção de um campo político alternativo aos dois blocos burgueses principais, que disputam o poder no país.

Já desde o Congresso nossa Central se definiu por: “Nem o PT representa mais os trabalhadores, nem a oposição de direita é alternativa! Basta de Dilma, desse Congresso, do PMDB, PSDB e demais alternativas de direita!”

Precisamos voltar às ruas e construir as condições para uma mobilização dos trabalhadores no rumo de uma greve geral no país. Os trabalhadores não podem ficar reféns das brigas palacianas entre o governo e a oposição burguesa de direita.

Por que defender uma alternativa dos trabalhadores

Corrupção – A corrupção que envolve a maioria dos partidos desvendada com a operação Lava a Jato e que recentemente culminou com a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), e do banqueiro André Esteves, do banco BTG Pactual, envolveu também boa parte dos políticos, partidos e empresas. Uma mostra de como a corrupção infesta a cúpula do poder.

O inaceitável crime socioambiental cometido pela Samarco/Vale/BHP, que atingiu a cidade de Mariana, em Minas Gerais, estendendo-se depois pelo vale do Rio Doce, até chegar ao Oceano Atlântico, já no Espírito Santo, tem mostrado as consequências de um sistema de beneficiamentos por meio de verbas empresariais que corrompem governos, políticos e órgãos públicos. PMDB, PT e PSDB, todos tem as campanhas partidárias e de seus políticos pagas por mineradoras do grupo Vale. E assim, se passou quase um mês do rompimento da barragem e até agora não aparecem culpados para que sejam devidamente punidos.

Crise econômica – A abertura do processo contra Cunha e o acolhimento do pedido de impeachment de Dilma também ocorrem num momento em que a crise econômica se aprofunda.

O Produto Interno Bruno (PIB), soma de todas as riquezas acumuladas no país, caiu 1,7%. Essa baixa se dá pelo terceiro mês consecutivo e é o pior resultado desde a década de 90. Os trabalhadores sentem isso no bolso e na retirada de direitos. Em outubro, o desemprego chegou a 7,9% nas seis principais capitais do país, segundo Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De janeiro a outubro, o país perdeu cerca de 820 mil postos de trabalho. O mercado projeta que esse acumulado, até o fim do ano, chegue a 1,5 milhão.

Atrelado a isso estão outras despesas básicas que todo trabalhador tem que arcar e que também aumentaram. A conta de luz já subiu esse ano 48%. A inflação, de janeiro a outubro deste ano, já atingiu 8,5%, o maior índice já acumulado no período desde 2003. Quem paga aluguel também sentiu a alta dos preços. Despesas como habitação, educação, saúde e transporte também aumentaram.

Juntos nos ataques – Os números revelam que quem está pagando a conta dessa crise são os trabalhadores, isso enquanto os políticos enchem os bolsos de dinheiro por meio da corrupção e aprovam juntos medidas contra os trabalhadores como o ajuste fiscal, mudanças nas aposentadorias, flexibilização do trabalho, ainda nesta semana foi flexibilizada a meta fiscal, como forma de ajudar o governo, com os votos da grande maioria dos parlamentares, assim como outros incontáveis ataques em acordo entre todos eles.

Reforçar as lutas – Neste cenário, a lutas de trabalhadores não deixam de ocorrer como as recentes greves nacionais de petroleiros e bancários, metalúrgicos que fizeram greve contra redução ou retirada de direitos e demissões, as manifestações de mulheres que vem correndo contra o machismo e o Projeto de Lei 5069/2013 de autoria de Eduardo Cunha que proíbe a distribuição da pílula do dia seguinte e o atendimento à saúde das mulheres vítimas de violência sexual. 

Além dessas, outra luta de grande repercussão é a dos estudantes de São Paulo que ocupam escolas contra a o projeto do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de fechamento de 94 escolas para especulação imobiliária e em preparação à privatização do ensino público.

De um modo geral essas mobilizações são tratadas com violência pela tropa de choque como vem fazendo Alckmin em São Paulo, retaliações e demissões de trabalhadores em suas greves, e a repressão às manifestações que enfrentam a Lei Antiterror aprovada pelo próprio governo Dilma. Neste quadro também estão postos aos assassinatos aos povos indígenas que enfrentam o agronegócio e os assassinatos nas periferias e subúrbios como foi o caso dos cinco jovens negros mortos da comunidade de Costa Barros, no Rio de Janeiro.

É neste contexto, que Cunha, acuado com as denúncias de corrupção, decidiu acolher o pedido de impeachment como forma de chantagear o PT. A crise se agrava. O PT estava negociando, mas contra orientação do governo a bancada do partido na Câmara decidiu votar a favor da admissibilidade do processo por quebra de decoro parlamentar do deputado.

O presidente do ANDES-SN, Paulo Rizzo, também integrante da SEN, acredita que a crise política não será resolvida pelo Congresso Nacional. “A instituição está muito desmoralizada e a saída requer amplas mobilizações populares em defesa das condições de vida e dos direitos sociais, que o conluio capital/instituições do Estado está impondo à classe trabalhadora, e é necessário também desenvolver um esforço de reconstrução de unidade da classe no terreno da independência”, defende.

Construir alternativa – Defendemos a necessidade de os trabalhadores se organizarem e irem às ruas para criar uma alternativa de classe nessa crise.

Em todas as atividades que a CSP-Conlutas estiver presente reforçaremos a nossa política contra Dilma (PT), Cunha e Temer (PMDB) e Aécio Neves (PSDB), por uma alternativa dos trabalhadores e do povo pobre.

Segundo o dirigente do Sintusp Magno de Carvalho, também integrante da SEN,os trabalhadores precisam se organizar. “Diante da crise estrutural econômica, moral e política que se aprofunda cada vez mais no país, os trabalhadores devem se organizar para assumir seu papel histórico e criar uma alternativa revolucionária de poder”.

A CSP-Conlutas seguirá se empenhando na construção de um campo classista e de luta, em contraposição ao governismo e à oposição de direita, nos processos de luta que estão em curso. Neste sentido, será realizada uma reunião do Espaço de Unidade de Ação no dia 9 de dezembro, em São Paulo, que fará um balanço das atividades desse ano e já começará a preparar as nossas ações em 2016. (Com a Conlutas)

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