Greve geral contra cortes salariais na Grécia

Greve geral  de 18/01/2012
                                        A maioria dos trabalhadores gregos aderiram hoje à jornada de greve geral convocada pelos maiores sindicatos contra os cortes salariais, das pensões e da despesa pública exigidos pela troika.

Segundo dados provisórios oferecidos pela Confederação Geral de Trabalhadores (GSEE), quase todos os empregados públicos aderiram à greve e entre os trabalhadores do setor privado se calcula uma adesão de 80 por cento.

A greve teve especial impacto na administração, nos colégios, nos tribunais e nos hospitais, onde só se mantiveram os serviços de urgências.

No transporte, a paralisação foi total no ramo marítimo e na ferrovia, no transporte urbano da capital foram mantidos serviços mínimos para permitir a chegada de manifestantes ao centro da cidade e só os aeroportos funcionaram com normalidade.

No comércio e nos bancos a participação foi desigual, com uma menor incidência na periferia de Atenas.

As maiores manifestações ocorreram em Atenas e Tesalônica, as duas principais cidades do país, mas também foram convocadas marchas e atos de protesto em outros muitos pontos da Grécia.

Apesar da chuva e do frio, cerca de 20 mil pessoas, segundo as cifras policiais, manifestaram-se pelas ruas da capital com gritos e cartazes contra as medidas de austeridade, o governo e a troika (o Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia).

Quando a marcha chegou ao Parlamento, centenas de pessoas tentaram entrar no edifício mas foram bloqueadas por dezenas de policiais que, armados com escudos e cassetes, fizeram os manifestantes recuarem empregando também gases lacrimogêneos.

Nesse momento, um pequeno grupo exibiu uma bandeira alemã junto a outra com a esvástica nazista e atearam fogo para mostrar sua indignação contra as imposições do governo alemão e as exigências de ainda mais drásticos cortes.

A secretária geral do Partido Comunista, Aleka Papariga, declarou que agora a responsabilidade está nas mãos do povo, "ou conseguimos vislumbrar o final ou derramaremos lágrimas e indignação em antigos e novos simulacros de resgate", afirmou.

Por sua vez, o presidente da Coalizão de Esquerda Radical (Syriza), Alexis Tsipras, manifestou que a crise da dívida não é um problema grego, mas europeu, e que a Grécia deveria considerar a opção de se declarar em quebra e exigir uma moratória em seus pagamentos.

Para a Confederação de Funcionários Públicos (Adedy), as novas medidas de austeridade privarão de recursos os serviços públicos, especialmente a previdência e a educação, e não farão nada senão afundar na espiral da recessão.

No mesmo sentido manifestaram-se as associações de pequenos e médios comerciantes, que apoiaram a jornada de greve contra o governo, ao assegurarem que as medidas exigidas por Bruxelas reduzirão o poder adquisitivo, pondo em perigo seus negócios e o nível de vida da população.(Com a Prensa Latina/KKE)

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