Os jornalistas são tratados como integrantes de um bando criminoso, denuncia "The Sun"
O jornal britânico The Sun manifestou hoje indignação pela recente detenção de cinco jornalistas como parte da investigação da pirataria telefônica do extinto tablóide News of the World. Esse rotativo, o de maior tiragem no Reino Unido, qualificou de "caça às bruxas" as detenções de seus repórteres pelo delito de corrupção. "(Os jornalistas) são tratados como integrantes de um bando criminoso, algo que em outra época teria provocado indignação no Parlamento e nos defensores dos Direitos Humanos e das liberdades públicas", escreveu o redator chefe no editorial desta segunda-feira. Também considerou desnecessária a detenção e a invasão às casas de 30 trabalhadores do diário que depois foram postos em liberdade sem imputações. "O The Sun não é um pântano que precisa ser higienizado", asseverou o responsável pelo tablóide, que pertence ao conglomerado de meios noticiosos do magnata Rupert Murdoch, dono do News of the World (Notícias do Mundo, em inglês). A polícia britânica prendeu no sábado anterior cinco jornalistas do The Sun e outras três pessoas pelos subornos supostamente realizados a agentes de segurança em troca de informação confidencial. Todos são também acusados de conspirar para propiciar uma conduta indevida em cargo público. Em 2011, detiveram 20 suspeitos de interceptar caixas de mensagem de voz de celebridades, políticos, jornalistas, familiares das vítimas dos atentados de 2005 em Londres e de soldados britânicos mortos no Iraque e Afeganistão. O caso das escutas telefônicas desatou uma crise política no Reino Unido e críticas ao governo do premiê David Cameron pelas práticas pouco fiáveis do sistema público. Esse método remonta-se a 2000, mas a polícia iniciou em 2006 as indagações e as retomou a princípios do ano passado depois do aparecimento de novas evidências. Executivos e repórteres do News of the World figuram na lista de suspeitos de intervir as comunicações de famosos em busca de exclusivas. O caso obrigou o fechamento do tablóide sensacionalista, 168 anos em circulação, e uma interpelação parlamentar à família Murdoch e a altos diretores próximos a ela. |

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