Sindicato dos Jornalistas diz que a FMF fere de morte o direito ao trabalho e à informação e divulga nota de repúdio

                                                             
É a seguinte a nota do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais:

"O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) considera as normas anunciadas pela Federação Mineira de Futebol (FMF) para a cobertura nas arenas esportivas do Estado um abuso de poder e o cerceamento do direito ao trabalho dos profissionais de imprensa que não pertencem à emissora detentora dos direitos de transmissão dos campeonatos Mineiro e Brasileiro.

A suposta organização limita o trabalho dos demais jornalistas à tribuna de imprensa, impede o acesso livre ao gramado, proíbe o contato com os jogadores nos vestiários e dá plenos poderes à assessoria de imprensa da FMF e à emissora detentora dos direitos de transmissão para escolher quem entrevistar, quando e como, o que vai provocar total prejuízo às edições esportivas de jornais e às coberturas das rádios e outras TVs. Tal despropósito vilipendia o direito à informação de leitores, ouvintes e telespectadores dos demais veículos de comunicação.

As regras, que contêm todo o tipo de infâmia, obrigam emissoras de rádio a informar a frequência de seus microfones, para não macular a cobertura ao vivo da plenipotenciária rede televisiva. Tais normas são um desrespeito à pluralidade das transmissões e das reportagens esportivas, pois se destinam a beneficiar apenas um veículo de comunicação em detrimento da qualidade do jornalismo.

Nos anos 1990, quando a Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) tentou impor a filiação a todos os jornalistas que trabalhavam no Mineirão, o SJPMG acionou o governo do Estado e abortou a apropriação do estádio pela entidade. Novamente o Sindicato vai tomar as medidas cabíveis para garantir a todos os profissionais da imprensa o direito de trabalhar livremente nas arenas esportivas de Minas Gerais. O Sindicato vai organizar e mobilizar os profissionais que estão sendo prejudicados com a execração e o confinamento e irá acionar todas instâncias envolvidas na questão.

Não é admissível que apenas uma emissora, embora tenha investido na competição, fique com o monopólio de um espaço público como o são as arenas esportivas de Minas Gerais, reformadas com verbas municipais, estaduais ou federais, e onde historicamente foram respeitados os espaços dos mais afortunados e dos menos aquinhoados veículos de comunicação.

Por tudo isso, a FMF mostrou-se autoritária e ditatorial, ferindo de morte o direito ao trabalho e à informação. Sua decisão beira à censura e ultrapassa o limite do abuso do poder econômico. E, por assim entender, o SJPMG vem a público manifestar o seu repúdio a esse rol de absurdos e declarar todo o seu apoio aos profissionais jornalistas trabalhadores das coberturas esportivas."

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