Correspondente da PL em Caracas acha que Chávez ganhará as eleições deste domingo
A campanha eleitoral venezuelana foi oficialmente encerrada e os sinais, segundo os últimos estudos de opinião e as multitudinárias concentrações, anunciam que o presidente, Hugo Chávez, assumirá em janeiro próximo um novo mandato.A previsão de quase todas as pesquisas, longe de ser uma novidade, parece reproduzir as mesmas projeções desde julho deste ano, quando começaram as campanhas para a disputa eleitoral do próximo dia 7 de outubro.
Com pequenas diferenças, empresas de reconhecida trajetória, entre elas, Hinterlaces, Consultores 30.11, International Consulting Services e o Grupo de Investigação Social Século XXI, indicam que o mandatário obterá a reeleição por uma ampla diferença.
As causas não só residem em 13 anos de transformações sociais que marcam âmbitos como a educação, a saúde e a alimentação, ou a redução dos níveis de pobreza, levando a niveis mínimos a subnutrição infantil e eliminando o analfabetismo.
Também influenciam transformações menos visíveis, mas igualmente poderosas, que atravessam a consciência social e se expressam hoje, sobretudo, em um amadurecimento democrático, cidadão e político, expressou em reiteradas ocasiões o presidente da Hinterlaces, Oscar Schémel.
O advogado Abraham Ochoa, em conversa com a Prensa Latina, explica o aumento da participação política: "Desde 1998, Chávez veio mostrar à maioria do país que sim está representada por um projeto".
No entanto, segundo especialistas, nem o candidato opositor, Henrique Capriles, nem sua equipe de campanha foram capazes de decodificar completamente esses novos valores, daí que não tenham podido vincular sua proposta às grandes maiorias.
Se isso não bastasse, representantes da mesma oposição sacodem desde agosto deste ano a já frágil candidatura de Capriles com a revelação de um documento titulado Primeiras ideias de ações econômicas a serem tomadas pelo governo da unidade nacional (2013).
O texto, uma versão do programa de governo assinado em janeiro passado pelos então pré-candidatos às primárias da Mesa da Unidade Democrática (Capriles, entre eles), foi catalogado pelo opositor e ex-governador de Anzoátegui, David De Lima, como um verdadeiro pacotão econômico.
Esse episódio tirou a máscara do discurso opositor, que promete em tribunas e meios de imprensa manter e, inclusive, melhorar os programas sociais da administração, e concentrou a discussão com maior clareza sobre dois modelos antagônicos.
SOCIALISMO VS NEOLIBERALISMO
Desde 11 de junho deste ano, quando o Chefe de Estado apresentou ante o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) seu programa de governo, foi divulgado que a defesa da independência nacional, em detrimento dos interesses estrangeiros, encabeçaria os objetivos de sua proposta.
Iniciada já a campanha, Chávez insistiu, em mais de 20 atos multitudinários, na necessidade de preservar esse bem para continuar edificando o sistema socialista e aprofundando as mudanças em todas as áreas do país.
Perante milhares de simpatizantes em cada estado, advertiu também sobre um processo de mimese nas filas opositoras, que se "disfarçam de esquerda" para captar votos entre os menos favorecidos, principais beneficiários das transformações sociais promovidas desde 1999.
Os acontecimentos parecem ter dado razão ao presidente, porque as propostas de Capriles, com supostos tons progressistas e consideradas inicialmente muito etéreas, se revelaram próximas a planos de corte neoliberal.
Ainda que negou a veracidade do documento apresentado por De Lima, a assinatura do aspirante opositor figura no programa de governo da Mesa da Unidade Democrática (MUD), que contempla igualmente a redução do Estado e a paulatina privatização de serviços essenciais.
Pelo menos assim o considera o sociólogo francês Romain Migus, autor do texto O programa da MUD, que desmonta os fundamentos e prevê as consequências de um suposto governo de Capriles para a sociedade venezuelana.
De acordo com Migus, a aplicação do programa desses setores de direita significaria voltar ao abismo social dos anos 90 neste país, marcado por políticas neoliberais e com privilégios para uma minoria.
Esse plano alude em 103 ocasiões à "necessária participação do setor privado na vida socio-econômica", disse a princípios de setembro o pesquisador, quem acrescentou que esses representantes querem desvincular o poder político da estatal Petróleos de Venezuela.
Pretendem converter essa empresa - suporte de numerosas iniciativas sociais em diferentes âmbitos como a saúde, a educação e o combate à pobreza - em uma empresa com fins meramente comerciais, afastando sua função social, advertiu.
À denúncia do ex-governador De Lima se somaram outras vozes da oposição, como o deputado William Ojeda, e representantes de partidos políticos que retiraram seu apoio à candidatura de Capriles, por considerá-la prejudicial ao interesse nacional.
Temos uma dúvida razoável sobre o projeto de país que está apresentado nesse documento, é como estar em um ônibus sem saber para onde vai, manifestou recentemente Leonardo Chirinos, secretário geral do partido Piedra, que retirou seu apoio ao candidato da MUD.
Os modelos parecem definitivos: deputados e intelectuais asseguram que Capriles oferece um caminho para o barranco, a insegurança e a pobreza, enquanto Chávez, sem máscaras nem interesses velados, aposta pela consolidação de um sistema com ênfase no âmbito social.
VIOLÊNCIA À SOMBRA
No meio do fervor da campanha, das paixões exacerbadas no lado chavista e dos terremotos para a candidatura opositora, os alertas sobre uma possível manobra desestabilizadora, promovida por setores de direita, emergiram previsoramente.
Não são poucos os indícios que delineam uma situação de violência no país, sobretudo após a campanha opositora para desacreditar o CNE, um ente cuja transparência e confiabilidade é reconhecida, inclusive, por personalidades estrangeiras.
Para o ex-mandatário estadunidense James Carter, por exemplo, o sistema eleitoral - totalmente automatizado e testado em mais de 15 auditorias - se destaca entre os melhores do mundo.
No entanto, representantes do comando de campanha do candidato da MUD questionam a neutralidade do órgão encarregado de organizar a disputa nas urnas e emitir os resultados, o que aparenta ser a montagem de uma matriz de opinião para desconhecer os resultados.
"Vemos uma direita que, desde antes de inscrever sua candidatura em junho passado, está dizendo que desconhecerá os resultados comiciais porque desconhece o árbitro, o desqualifica e projeta uma ameaça permanente e latente de cantar uma suposta fraude", resumiu a segunda vice-presidenta do Parlamento, Blanca Eekhout.
Em uma entrevista à Prensa Latina, a deputada recordou que o aspirante está vinculado a poderes econômicos multinacionais, e a propostas violentas, como o golpe de Estado contra Chávez em abril de 2002 e o paro petroleiro.
Ante essas possibilidades, confirmadas por relatórios de Inteligência, a Força Armada Nacional Bolivariana estabeleceu um plano de medidas para evitar que grupos violentos subvertam a ordem domingo, segundo explicou o ministro venezuelano de Defesa, Henry Rangel.
Na última terça-feira, o próprio Chávez sintetizou essa realidade perante dezenas de milhares de seguidores reunidos em Yaracuy: "Sabem que estão perdidos, a burguesia está perdida, e a extrema direita adianta planos para desconhecer o triunfo do povo".
Yaracuy foi o quarto destino da "ofensiva final" de sua campanha, que com o nome De Sabaneta a Miraflores, o levou também a Barinas (sua terra natal), Portuguesa e Cojedes na útima segunda-feira; Lara na terça-feira, e Aragua e Carabobo na passada quarta-feira.
Centenas de milhares de seguidores o receberam, e na quinta-feira, em Caracas, a campanha de Chávez concluiu com sete avenidas transbordando, poucos dias depois de Capriles ter conseguido encher, e mal, a Avenida Bolívar... um prelúdio, talvez, do próximo domingo. (Com a Prensa Latina)

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