A crise egípcia e as Primaveras

                                                         

 José Carlos Alexandre


Céus, derrubaram o Mursi!

Um ano antes da Primavera Árabe estive no Egito.

Numa viagem que se estendeu por Israel, Jordânia e Grécia e constatei descontentamento com a administração Mubarak.

Na verdade, conversando não na Praça Tahir mas com garçons em lanchonetes, a bordo de um barco no Nilo, para almoçar ou jantar, com alguns funcionários de agências de turismo, porteiros do hotel onde fiquei, coladinho nas Pirâmides etc.

O futuro de uma conflagração nacional não se me apresentava a curto prazo...

Também não estava lá para fazer qualquer curso de futurologia, embora o clima de relíquias do passado no Museu do Cairo, na Biblioteca de Alexandria, no forte de Saladino, fosse inspirador...

Minhas atrações, contudo, se voltavam para a pobreza do povo, para a sujeira das ruas do Cairo, ao contrário das da rica Alexandria...

E para as seculares pirâmides, além da quase indecifrável solidão da Esfinge, principalmente à noite quando todos os holofotes lhe fogueassem a  milenar face...

Ao contrário da riqueza dos jantares em passeio de barco pelo Nilo, no Cairo mesmo, com direito aos inevitáveis show ditos folclóricos.

Mas este Mursi que sucedeu a Mubarak até que parece um sujeito simpático, apesar da fisionomia nem tanto faraônica...

Aí vieram os descontentamentos, o Exército entrou em ação, com toda a força que se lhe advinha e o resultado é nova frustração popular...

Daquelas que sói acontecer, principalmente para quem tinha saudades de Nasser...

Agora de nada adianta deliciar-se com as riquezas dos antigos governantes, daqueles séculos e séculos antes de Cleópatra...

Ou as que foram saqueadas por povos inteiros que dominaram o velho Egito.

Talvez  bem antes do Bezerro de Ouro de que fala a Bíblia...

Sempre é com lembrar que  a história de Moisés, contada na Bíblia, no Egito, não passa de conto da Carochinha...

Como os egípcios vão se virar com esta crise?

Com toda criatividade que têm certamente não vão querer interferências estrangeiras, do tipo da que aconteceu na Líbia...

E que está ocorrendo na Síria...

Lembrete sempre oportuno: falta de diálogo, governos corruptos, mensalões e coisas do gênero, falta  de transparência e de vergonha na cara, não más conselheiras...

Em quaisquer Primaveras: Árabe, Brasileira, Turca e outras...

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