sexta-feira, 29 de julho de 2016

Casa Grande e Senzala - Isso ainda existe...(Atenção Procuradoria da República, partidos de Esquerda, Comissão Estadual da Verdade, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos)

                                                                    

Pedro Paulo Cava

Caros amigos da Imprensa:

A recém empossada Síndica do Condomínio Residencial São Bento, Dona Solange de tal, resolveu da própria cabeça de madame classe média, decretar que todas as empregadas domésticas que prestam serviço, habitam ou trabalham para os mais de 300 apartamentos do residencial, devem usar crachá para entrar e sair das dependências do prédio, alegando motivos de segurança. 

Arrogante e prepotente, a referida senhora não quis ouvir ponderações de nenhum morador sobre esta ação que se investe de preconceito de raça, cor, classe social. Constitui crime de racismo, portanto inafiançável, caso alguma empregada doméstica se recuse a usar o malfadado crachá e fizer um boletim de ocorrência policial se impedida de entrar para cumprir sua jornada de trabalho diária. 

Além disso, pode ser tipificado o crime de injúria, previsto no código penal sem prejuízo de eventuais ações por assédio moral, o que vai custar alguns milhares de reais ao condomínio que ela quer administrar como se fosse a “casa grande de seu engenho”, esquecendo-se que a escravidão já foi abolida. Certamente esta conduta da síndica pode ser tipificada ainda em vários outros crimes, principalmente o crime de ódio.

Além disso, a senhora síndica viola a privacidade dos moradores, pois só eles tem o poder de autorizar quem entra e sai em suas residências.

De qualquer forma algumas empregadas mais conscientes já se negam a usar este abjeto crachá e muitas ameaçam abandonar seus empregos e patrões.

Solicito assim o apoio dos amigos da imprensa para que apurem tal desmando e o denunciem em seus veículos.

Outras providências jurídicas já estão sendo tomadas por mim e vários outros moradores deste condomínio de classe média instalado na zona nobre da cidade.

Pessoalmente acredito que se prevalecer o capricho desta senhora em seu devaneio de dona de escravos, o mesmo deve ser exigido de todos os moradores (mais de mil), visitantes, parentes, prestadores de serviço, etc. Caso contrário pesa sobre a categoria das “empregadas domésticas”, a culpa pela segurança de um condomínio que nem de longe se preocupa com a própria proteção.  

Anexo cópia do aviso da síndica veiculado em todos os elevadores das quatro torres do condomínio para conhecimento da gravidade da situação.

Segue o telefone da administração do condomínio: 3297-8252.

A senzala se revolta e eu com ela.
Mantenho intacta a minha indignação diante dos abusos e das injustiças dos que se julgam superiores.
Obrigado, abraços.

Pedro Paulo Cava

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