quarta-feira, 10 de maio de 2017

A inesquecível Olga Benario, por sua filha Anita Leocadia

                                   


Luis Nassif Online

Olga, a ativista vítima do nazismo, é apresentada por sua filha em uma narrativa biográfica, que será lançada em maio, após 75 anos de sua morte

Jornal GGN - Após a Alemanha disponibilizar os arquivos da Gestapo, polícia secreta do Nazismo, a historiadora Anita Leocadia Prestes dedicou-se ao estudo de 2 mil páginas sobre sua mãe, Olga Benario Prestes. Como resultado deste trabalho Anita Leocadia nos brinda com biografia completa com documentos e informações inéditas sobre a resistência e luta política de Olga, vítima do nazismo. O lançamento da obra será ainda este mês, pela Boitempo Editorial.

A narrativa, feita de forma cronológica, vai desde a inserção da ativista na busca de seus ideais políticos até sua morte, na câmara de gás do campo de concentração de Bernburg, na Alemanha, em abril de 1942. Esposa do líder comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes, de quem engravidou, Olga foi afastada de sua filha ainda muito cedo.

Ainda jovem, Olga já era considerada pelo Terceiro Reich uma “comunista perigosa”. Os documentos revelam fatos sobre sua trajetória anos antes de morrer. Na prisão, a alemã de origem judia nutria esperanças de conseguir asilo em outro país e, do lado de fora, sua sogra e cunhada faziam de tudo para conquistar sua liberdade, mas os nazistas nunca consideraram essa hipótese.

Em seus desafios diários, mesmo em condições adversas, Olga nunca entregou seus companheiros e nem revelou suas atividades políticas, mesmo sob a chantagem de poder rever sua filha. O destaque da obra fica por conta da correspondência entre Olga e Luiz Carlos Prestes, além de fotos selecionadas pela autora.

“Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo; é a pungente, dolorosa história de uma revolucionária exemplar.”, pontuou Fernando Morais, em texto para a orelha do livro.

A autora

Anita Leocadia Prestes, nasceu em 1936 na prisão de mulheres de Barnimstrasse, em Berlim, na Alemanha nazista. Aos quatorze meses de idade foi afastada de sua mãe, Olga Benario Prestes, e veio para o Brasil. Em 1964, foi graduada em Química Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, dois anos depois, obteve o título de mestre em Química Orgânica.

Anita, que atuou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi perseguida pelo regime militar instalado no país em 1964. No ano de 1973, foi exilada para a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e condenada à pena de quatro anos e seis meses pelo Conselho Permanente de Justiça do Exército brasileiro. Em dezembro de 1975, Anita recebeu o título de doutora em Economia e Filosofia pelo Instituto de Ciências Sociais de Moscou.

Já em 1979, com base na primeira Lei de Anistia no Brasil, a Justiça brasileira extinguiu a sentença que condenou Anita à prisão e ela voltou ao Brasil. Autora de diversas obras sobre a atuação política de seu pai, Luiz Carlos  Prestes e sobre a história do comunismo no Brasil, Anita é doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense, professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ e presidente do Instituto Luis Carlos Prestes.

Sobre o livro

“Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo” (2017)

Autora: Anita Leocadia Prestes

Orelha: Fernando Morais

144 páginas.

Preço: R$ 37,00

Editora: Boitempo Editorial 

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