segunda-feira, 24 de julho de 2017

Mídia digital é alvo de violência na América Latina

                                                                         
A SembraMedia, uma organização sem fins lucrativos que apoia jornalistas empreendedores, em parceria com a Omidyar Network, publicou hoje o Ponto de inflexão, o mais completo estudo já realizado sobre o crescimento e o impacto da mídia digital independente na América Latina, bem como as ameaças ao setor.

O relatório da pesquisa, que analisou 100 veículos de mídia digital da Argentina, Brasil, Colômbia e México, mostrou que tais organizações estão ganhando cada vez mais influência na cobertura de temas que promovem uma melhor gestão pública e o combate à corrupção. No entanto, eles sofrem ameaças e uma pressão crescente que podem levá-los a autocensura ou até encerrar suas operações.

Muitas das plataformas – operadas por jornalistas dedicados a busca de mais liberdade para cobrir temas vitais confrontados por países de toda a região – estão alcançando novos públicos e consolidando empresas sustentáveis, lucrativas e impactantes.

Mais de 70% dos empreendimentos neste estudo começaram com menos de US$ 10 mil; e, atualmente, 12% têm faturamento anual igual ou superior a US$ 500 mil. Dentre os veículos, 66% produziram histórias que foram utilizadas pela imprensa internacional e 55% já receberam prêmios humanitários ou de jornalismo de ponta.

Ainda assim, em muitos casos esta independência e este sucesso têm custado caro. Ataques físicos e econômicos estão comprometendo a capacidade operacional dessas plataformas de mídia e induzindo a prática de autocensura. Das organizações pesquisadas, 45% foram alvo de violência ou ameaças decorrentes de suas reportagens e, como resultado, 20% alteraram seu direcionamento jornalístico.

“Depois de passar anos trabalhando com jornalistas empreendedores na América Latina, eu sabia que o trabalho deles vinha ganhando importância, mas eu não tinha me dado conta do impacto que eles estavam causando, nem o quanto se tornaram vulneráveis, antes de concluirmos este estudo”, afirmou Janine Warner, cofundadora da SembraMedia e bolsista do Centro Knight do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ). 

“Empreendedores da mídia digital estão transformando profundamente o modo como o jornalismo é conduzido na América Latina. Eles geram mudança, promovendo leis mais adequadas, defendendo os direitos humanos, expondo a corrupção e combatendo o abuso de poder. Estão determinados a produzir notícias independentes em países extremamente polarizados – e muitos deles estão pagando um alto preço por isso”.

O relatório identifica três requisitos principais para permitir a estas organizações crescer e surtir um impacto maior:

Proteção: Essas organizações devem ser protegidas de ataques físicos e econômicos, para que continuem a crescer e ter liberdade para cobrir integralmente matérias delicadas. Os patrocinadores e os investidores podem oferecer apoio financeiro e legal extra para permitir que tais organizações se protejam dos ataques e consigam rebatê-los.

Profissionalização: A sustentabilidade é vital. Modelos de negócios e empreendimentos mais vigorosos permitirão que essas organizações não apenas consigam expandir seu trabalho, mas também irão garantir sua independência e as protegerão contra eventuais sanções econômicas, como a perda de anunciantes publicitários, uma tática comum entre governos e outros segmentos descontentes com a cobertura de notícias.

Parcerias: Essas organizações podem ampliar seu alcance e seu impacto. Há uma oportunidade para explorar parcerias que permitam ampliar a divulgação e a promoção de conteúdo, ampliar a conscientização internacional sobre os temas de reportagens dessas plataformas e criar novos fluxos adicionais de receita.

“A amplitude, profundidade e escala dos desafios à democracia, à transparência e à prestação de contas encontrados por toda a região são muito preocupantes. Por isso, o papel da mídia independente nunca foi tão imprescindível”, afirma Felipe Estefan, chefe de investimentos da Omidyar Network. 

“Os patrocinadores, os investidores e a sociedade civil devem apoiar essas organizações para assegurar que continuem aptas a provocar um impacto real, desenvolver empreendimentos sustentáveis e atuar como modelos inspiradores para os demais, por toda a América Latina e no mundo”.

O relatório completo pode ser baixado em espanhol, português e inglês em http://data.sembramedia.org

(Com a ABI)

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