Mulheres em luta


Aproxima-se o dia 25 de novembro, Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. A cada duas horas, uma mulher é assassinada no Brasil. A cada três minutos, uma espancada. Minas Gerais tem sido destaque no noticiário nacional por ser o cenário de crimes hediondos contra a vida de mulheres. Em diversos casos, elas buscaram proteção policial, sem sucesso. A história de Maria da Penha continua se repetindo, diariamente, na vida das mulheres brasileiras, especialmente as mais pobres, as negras e as jovens. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, apenas 2% dos agressores de mulheres são condenados em nosso País.
O machismo tem chegado a níveis alarmantes, a violência e a subordinação da mulher são tratadas como algo natural, aceitável ou “desculpável” em todos os âmbitos: familiar, no trabalho, na sociedade como um todo.
A Lei Maria da Penha não é aplicada por falta de investimentos e pelo machismo, arraigado nas instituições estatais que, já é comprovado, não protegem as vítimas que pedem socorro. Em Minas Gerais, há apenas cinco casas abrigo para as mulheres em situação de risco. BH possui apenas uma casa abrigo, com dez vagas.
Minas também não tem o Juizado Especial previsto na Lei Maria da Penha, para agilizar os processos criminais e de proteção às mulheres. Pouquíssimas cidades possuem Delegacias de Mulheres e nelas a vítima que tem a coragem de denunciar enfrenta a falta de preparo e o machismo.
Ou seja, a violência também parte do Estado, que não toma as medidas necessárias para combater as agressões diárias vividas pela mulher, deixando esse assunto para último plano e como propaganda para as datas especiais. Quem sofre com esse descaso é principalmente a mulher pobre e trabalhadora, que mais precisa de amparo e condições para reagir à violência doméstica.
Por tudo isso, convocamos todos os movimentos sociais de Minas Gerais, mulheres, negros, LGBTT, comunidades sem teto, sem terra, quilombolas, estudantes, sindicatos e entidades que queiram se somar a essa luta contra as mais diversas formas de violência contra a mulher, que ocorrem em todos os meios em que vivemos ou convivemos. Vamos construir juntos um ato no dia 25 de novembro que seja um único e forte grito de indignção contra as atrocidades sofridas pelas mulheres e um grito de exigência para que os governos tomem medidas concretas para acabar com essa situação. Afinal, NEGLIGÊNCIA TAMBÉM É VIOLÊNCIA!

REUNIÃO DE PREPARAÇÃO DO ATO
Dia 10/11 (quarta-feira), às 18h30
No Sind-REDE/BH (Av Amazonas, 491 – 10º andar – Edifício Dantes)
(Imagem: mulheres na passeata dos 100 mil, no Rio de Janeiro em 1968)

Comentários