sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Morre Neira Vilas, clássico da literatura galega e amigo da Revolução cubana

                                                                         

Galiza - Hoje deixou-nos um dos últimos “clássicos” literários da umha geraçom de patriotas galegos que vivêrom a emigraçom e o exílio, antifascista e amigo da Revoluçom cubana.

Autor do que talvez seja livro mais lido e traduzido da história da literatura galega: Memórias dum neno labrego (1961), em que desmitificou o drama da vida camponesa galega do século XX, frente ao costumismo idealista habitual em certa literatura.

Jornalista de profissom, ativista da defesa da língua e dos direitos nacionais galegos ao longo de toda a vida, amigo da Revoluçom cubana residente na emigraçom cubana durante décadas, Neira Vilas nasceu em 1928 no mesmo concelho onde hoje morreu.

De procedência rural e agrária, foi autor de obras de compromisso com a realidade galega, cultivou o ensaio, a poesia e a narrativa de diversa extensom, tipologia e temática, inclusive a infantil e juvenil, epistolar, etc. 

Dúzias de obras que refletem a história dramática da Galiza do século XX, da emigraçom, a resistência ao fascismo, a memória do Ressurgimento literário e nacional galego... Além de fundar editoras como a Folhas Novas.

As suas traduçons de Nicolás Guillén, de Ho Chi Minh, José Martí e Alejo Carpentier som testemunho das inquietaçons sociais do nosso autor. Também a sua participaçom em eventos populares relacionados com a poesia, como o Festival da Poesia do condado, que recolheu a sua poesia em várias ediçons.

Participou já desde novo no ativismo nacionalista galego na emigraçom, tendo ido para a Argentina com 20 anos. Militou e dirigiu as independentistas Mocidades Galeguistas. O seu percurso no exílio prolongou-se até a sua velhice, vivendo em Cuba e convertendo-se em defensor desse processo revolucionário in situ até o seu regresso à Galiza em 1992.

Como gesto sintomático, saliente-se a sua decisom de legalizar com o nome galego a “Fundaçom Neira Vilas”, para evitar que se interpretasse como espanholizada umha suposta “Fundación”. Se bem praticou a ortografia castelhanizante na sua escrita do galego durante toda a vida, em funçom da tendência habitual no galeguismo histórico, também coincidiu com esse galeguismo no reconhecimento da unidade lingüística galego-luso-brasileira, tal como afirmou na entrevista incluída no volume de Carlos Taibo Galego, português, galego-português?

Admirador toda a vida de Castelao e da sua principal obra, Sempre em Galiza, Neira Vilas recebeu diversos prémios jornalísticos e relacionados com o ativismo lingüístico, além dos estritamente literários, sendo também membro de honra da Associaçom de Escritores em Língua Galega.

O reconhecimento do patriotismo de José Neira Vilas é unánime no mundo defensor da Galiza e dos seus direitos coletivos. É com essa condiçom que hoje fica incorporado de vez à história da nossa naçom. (Com o Diário Liberdade)

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