Jornalistas gregos recusam medida governamental sobre canal público

                                                                    

A União de Jornalistas da Grécia (Esiea) recusou hoje a proposta governamental de levar adiante o novo canal de rádio e televisão pública, pois contraria a decisão do Conselho de Estado, máximo tribunal administrativo do país.

Segundo denunciou a Esiea, o governo descumpriu o mandato legal de reabrir imediatamente a Rádio e Televisão da Grécia (ERT), fechada há quatro meses, e em seu lugar criou um novo canal (Nerit) com o qual pretende dar por resolvido o conflito trabalhista aberto com 2.600 trabalhadores.

No dia 11 de junho, o governo decretou o fechamento imediato da ERT, deixando, em poucas horas, todos os seus funcionários na rua, sem que até o momento tenha acatado reverter a ação considerada ilegal pelo Conselho de Estado, nem entrado em acordo com os demitidos sobre sua situação trabalhista.

Os planos do governo passam por renovar os contratos dos poucos trabalhadores com os quais conta a Nerit e, diante da incapacidade técnica desta rede, subcontratar a realização e produção das emissões com canais privados para cobrir as necessidades informativas que serão geradas pela presidência rotativa grega da União Europeia, a partir de 1 de janeiro de 2014.

O Secretário do Estado, Pantelís Kapsís, reconheceu que a Nerit "não está em condições de cumprir com os requisitos desta tarefa" e ameaçou desalojar à força os centros de emissão da ERT, ocupados há quatro meses pelos trabalhadores, de onde emitem ininterruptamente uma programação informativa e cultural de qualidade.

Por sua vez, a Esiea advertiu o governo de que as associações de jornalistas estão preparadas para atuar de forma contundente ante uma eventual intervenção judicial ou policial contra qualquer uma das instalações que por todo o território nacional permanecem nas mãos dos funcionários da ERT, com um caráter social e com autogestão.

Além disso, incentivou o executivo a aceitar a proposta anunciada por esta emissora, que se comprometeu a realizar, a partir dos centros de emissão de Atenas e Tesalônica, e com o apoio das 19 sedes regionais com as quais contam, uma ampla cobertura informativa da presidência grega da UE.(Com a PL)

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