terça-feira, 28 de março de 2017

Chilenos saem às ruas em 'maior marcha da história' contra sistema de previdência

                                                         

Ato pede substituição do atual sistema, privatizado em 1981 por Pinochet, por sistema tripartite; mais de 90% dos aposentados do Chile recebe pensões inferiores a 154 mil pesos mensais (233 dólares)

O movimento No+AFP (Não mais Administradora de Fundos de Pensões) convocou para este domingo (26/03) um novo ato contra o sistema previdência do Chile, privatizado em 1981. Atos em todo o país, apoiados por diversas organizações sociais e trabalhistas, fazem da manifestação “uma das marchas históricas, talvez a maior da história”, afirmou Luis Mesina, porta-voz do movimento, durante entrevista coletiva neste sábado (25/03).

Segundo os organizadores, cerca de 800 mil pessoas participaram do ato em Santiago, totalizando mais de 2 milhões em todo o país. A polícia chilena, por sua vez, cifrou em 50 mil o número de participantes. No ano passado, cerca de 1,3 milhão de pessoas saíram às ruas em todo o país em agosto, e 750 mil manifestantes participaram da marcha anterior, de 24 de julho. 

“Chamamos todas as famílias trabalhadoras do Chile para marchar massivamente este domingo para deixar claro que não queremos mais AFP, nem privada nem estatal, e não toleraremos reformas cosméticas que não dão solução real às baixas pensões nem à farsa permanente das quais os trabalhadores chilenos têm sido vítimas há mais de 36 anos”, declarou Mesina. O dirigente ainda afirmou que espera “que isso gere um impacto e vençamos esta indolência de parte das autoridades políticas que não querem escutar este clamor que pede a restituição de um direito fundamental”.

O movimento No+AFP propõe a substituição das administradoras por um sistema de distribuição com caráter tripartite e solidário, com financiamento por parte do empregador, Estado e trabalhador. Atualmente, mais de 90% dos aposentados do Chile recebe pensões inferiores a 154 mil pesos mensais (233 dólares), quase a metade do salário mínimo legal. O valor da aposentadoria que os trabalhadores recebem é determinado pela flutuação do mercado e o rendimento dos fundos alimentados pelos assalariados que depositam mensalmente nas AFP 10% de seu salário bruto.

(Com Opera Mundi)

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