sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Hoje na História: 2004 - Morre Yasser Arafat, Nobel da Paz e líder da resistência palestina

                                                                                 Efe


Recentes estudos afirmam que ex-presidente da 
Organização pela Libertação Palestina foi envenenado

Max Altman 

      
Mohamed Abdel Rahman Abdel Raouf Arafat al Qudwa al Husseini, mais conhecido como Yasser Arafat, morre em 11 de novembro de 2004 aos 75 anos, depois de estar confinado mais de dois anos em seu complexo de Ramallah, devido a uma hemorragia cerebral. Sua morte ocorreu em hospital militar francês na cidade de Clamart, nos arredores de Paris, onde esteve internado desde 29 de outubro e em coma desde 3 de novembro.

Apesar da falta de informações sobre as causas da norte, Ahmad Jibril, líder da Frente Popular pela Libertação da Palestina, afirmou que o líder palestino teria morrido por envenenamento, urdido pelos serviços secretos de Israel. A suspeita de então foi confirmada pelo laboratório da Universidade de Lausanne, Suíça, em 6 de novembro de 2013, com a existência de polônio radioativo em seu corpo em dose 18 vezes maior do que o mínimo suportável. 

Arafat foi um líder nacionalista palestino, presidente da OLP (Organização pela Libertação Palestina) e, mais tarde, da Autoridade Nacional Palestina, além de dirigente do partido secular Fatah, que fundou em 1959. Passou grande parte de sua vida lutando contra Israel e pela autodeterminação dos palestinos.

Em 1994 recebeu o Prêmio Nobel da Paz junto com Shimon Peres e Itzhak Rabin por seus esforços em favor da paz no Oriente Médio.

No final da década de 1960, o Fatah enfrentou o governo da Jordânia numa breve guerra civil. Forçado a fugir da Jordânia para o Líbano, Arafat e Fatah tornaram-se alvos importantes nas invasões de Israel de 1978 e 1982. Enquanto a maioria dos palestinos o via como um guerrilheiro e mártir, os israelenses o descreviam como terrorista devido aos atentados que levou a cabo contra civis.

Arafat entabulou negociações com Israel que incluíram a Conferência de Paz de Madri, os Acordos de Oslo e a Cúpula da Camp David de 2000. Seus rivais, inclusive esquerdistas da OLP, o criticavam por ser corrupto e damasiado submisso em suas concessões a Israel. À época, o Hamas, na Faixa de Gaza, e Hezbollah, no Líbano, desafiaram a autoridade do Fatah.

Arafat nasceu no Cairo de pais palestinos. Era o segundo mais jovem de sete irmãos. A primeira visita de Arafat a Jerusalém se deu quando o pai, incapaz de criar a prole, o enviou à família de sua mãe no Bairro Marroquino da Cidade Velha.

Em 1944, Arafat se matriculou na Universidade Rei Fuad e se graduou em 1950. Mais tarde declarou ter tido uma melhor compreensão do judaísmo e do sionismo ao debater com judeus e ler Theodor Herzl e outros sionistas proeminntes. Ao mesmo tempo se tornou um nacionalista árabe.

Voltou para a universidade, formando-se em engenharia civil. Exerceu a presidência da União dos Estudantes da Palestina de 1952 a 1956. Assistiu à derrocada do rei Faruk no Egito em 1952 pelo Movimento dos Oficiais Livres de Gamal Abdel Nasser. Nesse mesmo ano, numa conferência em Praga, vestiu uma kufiya estampada de quadros em branco e preto que se converteu em seu emblema.
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Depois da Crise de Suez de 1956, Nasser permitiu que forças das Nações Unidas se estabelecessem na Península do Sinai, o que provocou a expulsão dos ‘fedayin’, Arafat incluso. Viaja ao Kuwait onde se encontra com dois amigos palestinos, Salah Khalaf e Khalil al Wazir. Os três fundam o Fatah, acrônimo inverso do nome árabe Harakat al Tahrir al Watani al Filastini (Movimento de Libertação Nacional Palestino).

Em 1962, Arafat e seus companheiros emigraram para a Síria, que havia recentemente se separado de sua união com o Egito. As forças do Fatah aumentaram bastante depois que Arafat passou a pagar salários maiores aos membros do Exército para a Libertação da Palestina.

Foi preso quando ocorreu o assassinato do líder palestino pró-sirio, Yusuf Orabi. Horas antes do crime, discutia a maneira de unificar forças a fim de assumir o comando total do Fatah. Pouco depois de Arafat deixar a reunião, a polícia de Hafez al Assad jogou Orabi pela janela de um edifício de três andares. Um julgamento sumário considerou Arafat o culpado. Apesar de posteriormente indultado, as relações entre Assad e Arafat se deterioram por completo quando o primeiro assumiu a presidência.

Em 13 de novembro de 1966, Israel lançou um ataque contra o povoado cisjordânio de As Samu em resposta a um atentado a bomba do Fatah que matou três soldados israelenses. Morreram dezenas de membros da força de segurança da Jordânia e 125 casas foram arrasadas. Esta incursão foi um dos fatores que levou à Guerra dos Seis Dias.

A Guerra dos Seis Dias começou quando Israel lançou um ataque aéreo contra a força aérea do Egito em 5 de junho de 1967. A guerra terminou com uma derrota esmagadora dos árabes e a ocupação de territórios inclusive Cisjordânia e Faixa de Gaza. Malgrado Nasser e aliados terem saído derrotados, Arafat e Fatah puderam considerar-se vitoriosos já que a maioria dos palestinos até então simpatizavam com governos árabes. Uma semana depois da derrota, Arafat cruzou o rio Jordão, entrou na Cisjordânia e estabeleceu centros de treinamento em Hebron e Nablus, atraindo lutadores e patrocinadores de sua causa.

Na noite de 21 de março de 1968, exército e força aérea de Israel atacaram Karamé com armamento pesado. O Fatah manteve sua posição para surpresa dos israelenses. Ao final da batalha morreram cerca de 150 militantes do Fatah, 20 soldados jordanianos e 28 soldados israelenses. Apesar das baixas, o Fatah se considerou vitorioso pela rápida retirada do exército israelense. A revista Time publica sua imagem na capa em 13 de dezembro de 1968 levando-a para todo o mundo. Arafat passou a ser considerado o herói nacional que se atrevia a enfrentar Israel.

Em 25 de setembro o exército jordaniano investe contra os habitantes palestinos da Jordânia, provocando 3.500 mortes – a grande maioria de civis –, no que ficou conhecido como o “Setembro Negro”. Arafat fez um chamamento para derrocar Hussein. Em resposta, Hussein, em junho de 1971, ordenou a expulsão de todos os guerrilheiros palestinos. Arafat conseguiu entrar na Siria com cerca de dos mil de seus homens.

Rechaçado por seus vínculos com o terrorismo, teve também momentos de aceitação como a sua famosa alocução nas Nações Unidas. A OLP foi reconhecida como legítima representante do povo palestino em 1974 e, em 1981, foi recebido em Madri pela primeira vez por uma nação europeia, com honras de chefe de Estado.

O ataque israelense ao Líbano entre 1982 e 1985 privou a OLP de suas bases e obrigou Arafat a se refugiar com sua organização em Túnis. A população palestina, porém, criou um clima de rebelião permanente contra as autoridades israelenses – as intifadas. Arafat tentou capitalizar esse movimento proclamando simbolicamente em 15 de novembro de 1988 a criação do Estado da Palestina, obtendo o reconhecimento de mais de 60 países.

No entanto, as derrotas militares, o desaparecimento da União Soviética e a hegemonia dos Estados Unidos, principal aliado de Israel, fez-lhe ver a necessidade de iniciar negociações com seu inimigo.

As negociações de Oslo, com a intermediação dos Estados Unidos, levaram aos acordos firmados em Washington em 1993. Arafat volta à Cisjordânia como chefe da Autoridade Nacional Palestina.

O acordo de Camp David enfrentou dificuldades devido à oposição dos radicais de ambos os lados. Extremistas palestinos cometeram vários atentados e, em 4 de novembro de 1995, o premiê israelense Itzhak Rabin é assassinado por um ultranacionalista israelense. A partir de 2001 viveu em Ramallah sob prisão domiciliar, acossado permanentemente por Tel Aviv.

Arafat teve uma vida pessoal instável. Manteve relacionamento com uma egípcia e outra jordaniana. Teve relacionamento com a jornalista uruguaia Isabel Pisano que publicou uma biografia sua revelando polêmicas informações acerca de sua morte. Casou-se em 1990 com sua secretária Suha Tawil, com quem teve uma filha.

(Com Opera Mundi)

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