sábado, 20 de agosto de 2016

Exigimos liberdade para Milagro Sala, presa política de Macri

                                                                           
                                 IVÁN LIRA / CORREO DEL ORINOCO (VENEZUELA)

                                        Declaração Internacional

Milagro Sala é uma dirigente social da província de Jujuy, no noroeste da Argentina. Liderança da organização de bairro Tupac Amaru e representante eleita pelo voto popular ao Parlasur, há sete meses se encontra detida por ordem direta do poder político da Argentina. 

Desde sexta-feira, 12 de agosto, Milagro se encontra em greve de fome, como medida extrema de protesto ante as péssimas condições de detenção e os castigos arbitrários, e, finalmente, uma falta de comunicação imposta por ordem direta do poder político.

Não tinha passado sequer um mês quando o governador da província de Jujuy, Gerardo Morales, com o aval do presidente Mauricio Macri, começou a perseguição. Conforme os novos tempos, primeiro as mídias privadas de comunicação ditaram a condenação. Depois, em 16 de janeiro de 2016, o Poder Judiciário procedeu com o encarceramento.

O único motivo apresentado na ordem judicial: liderar um acampamento totalmente pacífico em frente ao Governo provincial, em protesto pelo corte de programas sociais por parte do novo governo de “Cambiemos”. Poucos dias antes, o poder político tinha assegurado o controle do Superior Tribunal de Jujuy, ampliando o número de 9 para 12 e cobrindo esses postos com três homens do governador Morales.

Depois, foram somando-se acusações que, apesar da propaganda, não puderam ser comprovadas. No entanto, Milagro continua presa, assim como outros 10 integrantes da organização social.

Porém, o presidente Macri disse estar preocupado com a independência dos poderes e com os direitos humanos… em outros países (desde que não sejam fieis aliados dos EUA. No caso do México, Honduras ou Colômbia, segundo ele, “não constam” assassinatos e desaparecimentos de lutadores/as sociais e jornalistas, ainda que existam às centenas e milhares).

Distintas varas de justiça

Sua detenção está inserida em um contexto de brutal redistribuição de rendas a favor do 1% mais rico e de ofensiva geral contra as organizações populares na Argentina, levada adiante pelo bloco formado pelos setores mais conservadores do poder econômico, político, midiático e jurídico.

Enquanto o poder judicial mantem Milagro na prisão e persegue com afinco as Mães da Praça de Mayo, por outro lado, concede prisão domiciliar aos responsáveis por graves crimes da ditadura. Tal como exigem, a partir de seus editoriais e operações de imprensa, meios como La Nación y Clarín, cujo envolvimento com as ditaduras desmente sua preocupação com a democracia, os direitos humanos e a livre expressão.

O governo, começando com o presidente, volta a utilizar a linguagem da ditadura, amplia o poder das Forças Armadas e tece convênios de ingerência do Pentágono na Argentina, enquanto se desarticulam as investigações sobre os responsáveis e beneficiários civis da repressão do Plano Condor, coordenado pela CIA e pelo Pentágono em todo o Cone Sul.

Também, quase em silêncio, o Poder Judiciário absolve o ex-presidente De la Rúa pelos assassinatos que ordenou antes de renunciar, em dezembro de 2001, e ao atual presidente Macri por graves acusações, que incluem a espionagem com fins políticos e econômicos, utilizando os serviços de inteligência como na ditadura. Nenhum deles passou um dia preso, nem sequer se apresentaram para depor.

Nem Macri nem De la Rúa são assediados midiática e judicialmente, porém quando se trata de uma mulher que luta e organiza movimento popular, então sobre ela cai todo o peso desta justiça classista, como disse Martín Fierro: “A lei é teia de aranha e na minha ignorância a explico / não a teme o homem rico / não a teme ele que manda / pois a rompe o bicho grande / e nela só se enroscam as crianças”.

Ante esta situação, o conjunto de articulações e lideranças levanta sua voz para exigir a liberdade imediata de Milagro Sala e o fim da perseguição às organizações populares.

Convocamos as organizações e pessoas que compartilham desta declaração para somarem seu apoio a adhesiones.libertadamilagro@gmail.com, até o dia 17 de agosto, quarta-feira, momento em que se difundirá a declaração final, a ser apresentada formalmente ante a Chancelaria argentina.

Agosto de 2016

Primeiras assinaturas:

Articulación continental de movimientos hacia el ALBA

Vía Campesina Internacional

Piedad Córdoba (Colombia)

Manuel Zelaya (Honduras)

Joao Pedro Stedile (Brasil)

Movimiento Político y Social Marcha Patriótica (Colombia)

Poder Ciudadano (Colombia)

Frente Nacional de Resistencia Popular – FNRP (Honduras)

Sindicato Mexicano de Electricistas – SME (México)

Movimento dos trabalhadores Sem Tierra – MST (Brasil)

Movimiento de Liberación Nacional – MLN (México)

Movimiento Social por la Tierra – MST (México)

Movimiento Popular Patria Grande (Argentina)

Movimiento Nacional Campesino Indígena – MNCI (Argentina)

Barricada TV (Argentina)

Encuentro Antiimperialista (Argentina)

Organización de Mujeres Campesinas e Indígenas Conamuri (Paraguay)

CUC – Comité de Unidad Campesina (Guatemala)

ALBA TV (Venezuela)

Movimento Cultural de Olho na Justiça – MOJUS (Brasil)

Casa de Cultura Carlos Marighella (Brasil)

Pedro César Batista – Jornalista (Brasil)

Sonia Latgé Milward de Azevedo – União Brasileira de Mulheres UBM.RJ (Brasil)

Reverendo Luiz Carlos Gabas – Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – Cascavel – PR (Brasil).

União da Juventude Comunista (Brasil)

Unidade Classista (Brasil)

Centro Regional de Direitos Humanos – Cascavel – PR (Brasil)

Fonte: http://www.albamovimientos.org/2016/08/declaracion-internacional-reclamamos-libertad-para-milagro-sala-presa-politica-de-macri/

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

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