quarta-feira, 17 de agosto de 2016

'Nada nem ninguém' tiram Venezuela da Presidência do Mercosul, diz Nicolás Maduro

                                                                                                                              Efe
Em programa semanal, presidente venezuelano qualificou como 'escândalo' tentativa de Serra, relatada por chanceler uruguaio, de 'comprar' voto de Montevidéu contra seu país
      
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou terça-feira (16/08) que "nada nem ninguém" tirará seu país da presidência do Mercosul, em referência à oposição dos governos de Brasil, Paraguai e Argentina, que não reconhecem a Venezuela à frente do bloco.

“Aqui está a Venezuela, presidente em exercício e membro pleno do Mercosul, e daí não nos tiram nada nem ninguém”, declarou o mandatário em programa semanal “Em contato com Maduro”, exibido pela TV estatal venezuelana.

Maduro também qualificou como “escândalo” a afirmação do chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, que afirmou que o ministro das Relações Exteriores do Brasill, José Serra, tentou  ‘comprar’ o voto uruguaio para evitar que a Venezuela assumisse a presidência temporária do Mercosul. Nesse sentido, ele acusou setores da direita de seu país de influenciarem a suposta atitude de Serra.

“Por que [o governo brasileiro] fez isso? Porque a direita venezuelana foi lá encorajá-los. A direita foi ao governo ilegal e ilegítimo do Brasil, golpista, [pedir] para que se voltassem contra a Venezuela”, afirmou.

Em junho, o governador do Estado de Miranda e um dos líderes da oposição ao governo Maduro, Henrique Capriles, participou de um encontro em Brasília com José Serra em busca de apoio político do governo interino brasileiro.

Maduro agradeceu ao presidente Tabaré Vázquez e ao povo uruguaio “por toda a força moral que demonstraram” em relação à questão da presidência temporária do bloco.

Maduro disse também que a Venezuela lutará para "salvar" o Mercosul da “tríplice aliança golpista de ultradireita”, em alusão aos governos de Brasil, Paraguai e Argentina que, segundo ele, pretendem "destruir o bloco".

Além disso, declarou que seu país tem condições de demonstrar que cumpre mais acordos que outros países do bloco.

“Somos membros plenos do Mercosul. Nós cumprimos com mais acordos que todos os países fundadores”, afirmou. “Posso demostrar acordo por acordo como a Venezuela avançou no Mercosul”, acrescentou.

Na segunda-feira (15/08), o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela divulgou um comunicado em que afirma que os governos de Argentina, Paraguai e do Brasil não respeitam as normas do Mercosul e persistem em "violar os tratados constitutivos" do bloco.

Após o fim do mandato do Uruguai na presidência temporária do Mercosul em 29 de julho, a chancelaria da Venezuela informou aos demais membros que assumiria, de forma automática, a liderança da organização. A cerimônia de posse foi realizada em Caracas em 5 de agosto.

Brasil, Paraguai e Argentina, porém, discordam em relação à passagem automática e alegam que a Venezuela passa por problemas econômicos e políticos que a impediriam de estar à frente do bloco comunitário.

Os três países defendem a criação de um “governo coletivo” para a organização, liderado por um conselho de embaixadores”, sugestão que é rechaçada pela Venezuela.

(Com Opera Mundi)

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