quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Fidel: lição de luta e inspiração eterna (Editorial do MM5)

                                                                  
Para milhões de militantes e lutadores socialistas do mundo inteiro, a figura histórica e lendária de Fidel Alejandro Castro Ruz dispensa apresentações. Líder de uma das mais importantes revoluções socialistas do século XX, que colocou Cuba e a América Latina no palco das lutas contra o imperialismo, Fidel completou dia 13 de agosto 90 anos de uma vida inteiramente dedicada à luta proletária. 

Após uma longa e dura batalha na Sierra Maestra contra o governo do ditador Fulgêncio Batista, o Movimento 26 de Julho, liderado por Fidel, Raúl Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos, toma o poder e declara vitoriosa a revolução cubana em janeiro de 1959. Fidel, então com 32 anos, torna-se a principal liderança do país, assumindo a função de Primeiro Ministro em 16 de fevereiro de 1959.

Seguiu-se então uma longa batalha contra os Estados Unidos, que sustentavam a ditadura pró-imperialista de Fulgencio Batista. Foram combatidos e neutralizados inúmeros golpes contrarrevolucionários agenciados pelos EUA, além de centenas de tentativas de assassinato de Fidel Castro.

Originalmente de caráter nacionalista e popular – mas não imune ao contexto de guerra fria daquela conjuntura específica –, a revolução cubana foi paulatinamente assumindo um caráter de enfrentamento com os interesses do grande capital, sobretudo estadunidense, cujas empresas, terras e propriedades foram os principais alvos dos cada vez mais intensos processos de expropriação e estatização ocorridos na ilha caribenha. 

Enfrentamento que cada vez mais foi tomando a forma de medidas socializantes e anticapitalistas, a ponto de Fidel declarar-se marxista ao mesmo tempo em que também declarava o caráter socialista da revolução cubana, em abril de 1961, logo após a derrota imposta à frustrada tentativa de invasão do país por corpos de mercenários treinados e equipados pela CIA nos EUA no episódio conhecido como Playa Girón ou Baía dos Porcos. Na ocasião Fidel dirigiu pessoalmente as tropas que derrotaram a invasão mercenária.

Com a derrota, EUA e países europeus iniciaram contra Cuba um dos mais duros bloqueios econômicos impostos a um país, em tempos de guerra ou de paz, proibindo suas empresas de comercializarem quaisquer produtos com a ilha caribenha e proibindo qualquer navio que tivesse passado por um porto cubano de aportar nos EUA, numa intenção clara de sufocamento dos sistemas financeiro, comercial e de abastecimento da Ilha. 

Apesar das imensas dificuldades que trouxe para a vida cotidiana dos cubanos, o bloqueio não atingiu seu objetivo central de derrotar a revolução. Ao contrário, contribuiu para solidificar ainda mais os laços político-ideológicos existentes entre a liderança revolucionária (Fidel à frente) e os trabalhadores cubanos, que em sua maioria compreenderam as dificuldades impostas pelos sucessivos ‘períodos especiais’ de racionamento.

Como todo fato histórico, a Revolução Cubana encontra entraves nas próprias circunstâncias sócio-políticas em que ocorre. A reforma agrária implementada pelo estado foi fortemente limitada pela manutenção da pequena propriedade, o que, em uma análise rigorosa, contraria os fundamentos do marxismo. Porém, como enfrentar essa questão se o nascente socialismo cubano tinha como fundamental o apoio de pequenos agricultores proprietários? 

Em razão do ingresso do país no Mercado Comum Socialista (Comecom) – o que determinou que cada país do bloco socialista se limitasse à produção de bens específicos, cabendo a Cuba a produção de açúcar e tabaco –, a industrialização de Cuba não avançou durante o período da aliança soviética, mesmo tendo sido esse fato duramente criticado por Che Guevara antes de sua saída do país.

Mesmo assim, e sob o duro bloqueio econômico liderado pelos EUA, foi durante os governos de Castro que Cuba alcançou índices elevados de desenvolvimento humano e social, como a menor taxa de mortalidade infantil das Américas, a erradicação do analfabetismo e da desnutrição infantil, além da construção e estruturação de um dos mais eficientes e completos sistemas públicos de saúde do mundo, capaz de assegurar assistência médica (sanitária, preventiva e curativa) gratuita e universal a todo e qualquer cubano nos atendimentos de baixa, média e alta complexidades.

A revolução cubana e as lideranças de Fidel, Camilo, Che, Raul e vários outros revolucionários históricos sempre foram objeto de intensas polêmicas e debates no interior da esquerda em nível internacional, sobretudo pelo fato de a revolução ter acontecido numa formação social de base agrária e não industrializada, a exemplo das revoluções soviética e chinesa. E pelo fato de que mais uma vez comprovou ser a luta armada (e não a via pacífica e gradual, como querem os velhos reformistas e os neorreformistas gramscianos) o caminho decisivo para a instauração de um estado proletário e socialista. Instauração que se dá no interior de uma conjuntura revolucionária de aguda crise capitalista, caracterizando assim a situação definida por Lenin como aquela em que os de baixo já não querem viver como antes e os de cima já não podem governar como antes.

Evidentemente, nenhuma revolução se repete. Cabe aos revolucionários, sempre, estarem atentos às especificidades da formação social em que atuam para, assim, articularem de forma material a teoria geral revolucionária com os aspectos estruturais e conjunturais da referida formação social. E é também por isso que Fidel Castro Ruz tornou-se referência eterna de luta para a esquerda comunista em nível mundial. E é também por seu exemplo de coragem na luta pela libertação do proletariado e da própria humanidade dos grilhões do capitalismo.

Em 2006 Fidel passou definitivamente o cargo de secretário-geral do Partido Comunista Cubano a seu irmão Raul, afastando-se da vida política após uma grave doença intestinal que o impossibilitou de continuar exercendo suas funções. O MM5 saúda o aniversário de Fidel. Sua causa é a nossa causa. A causa da revolução proletária. A causa de todos os comunistas, estejam onde estiverem. A confiança no proletariado e seu exemplo de luta nos servirão como guia rumo à vitória!

Venceremos, camarada Fidel!

(Com o Movimento Marxista 5 de Maio)

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