quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Em São Paulo, Mujica pede integração latino-americana contra capitalismo globalizado

                                                                                                         Efe
Mujica defendeu transparência na administração pública e nos balanços das empresas privadas



Na abertura do congresso da CUT, ex-presidente uruguaio comenta atual momento político e econômico brasileiro: "a única luta que se perde é a que se abandona"
      
Destaque da abertura do congresso da CUT, na noite de terça-feira (13/10), em São Paulo, o ex-presidente do Uruguai José Mujica, atual senador, fez referência ao momento difícil vivido pelo Brasil, receitando persistência e unidade.

"Eu sei que vocês, brasileiros, estão passando por um momento difícil. Mas durante a minha vida aprendi uma coisa fundamental: a única luta que se perde é a que se abandona."

Exaltado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chamado de "dom Pepe" pela presidente brasileira, Dilma Rousseff, Mujica disse que é preciso avançar na unidade e na integração sul-americana como forma de fazer frente ao capitalismo globalizado.

O ex-presidente diz reconhecer as dificuldades diante de um mundo no qual impera o poder do capital financeiro, mas ressalta que enfrentar essa realidade pressupõe aumentar o potencial da América Latina. "Não estou olhando para o meu mundo, porque tenho 80 anos, estou olhando para os que estão por vir."

Além disso, o uruguaio defendeu a criação de universidades integradas como forma de potencializar a produção de inteligência no continente. "Já chegamos tarde à era industrial. Não podemos ficar para trás na era do conhecimento e da informação, que vai definir o futuro", alertou. "Isso não significa hipotecar a pátria nem perder nossos sentimentos de nacionalidade, mas construir uma casa maior, que possa proteger a todos".

Segundo ele, é preciso se preocupar com o salário, direitos e democracia, mas também pensar no amanhã. "Temos de lembrar às futuras gerações que somos responsáveis pelo mundo em que vivemos." Da mesma forma, observou, os jovens de hoje precisam saber o que já aconteceu.

"A liberdade é fruto da dor dos lutadores sociais que vieram antes de nós. O que se conquistou não caiu do céu. É fruto do heroísmo de gerações de lutadores sociais que nos precederam." Por isso, é preciso lutar pela democracia, "que está longe de ser perfeita".

O líder uruguaio criticou a chamada cultura de mercado, que obriga as pessoas a correrem "como loucos". E disse ainda que os trabalhadores devem lutar por salários melhores, mas não devem se iludir. "A verdadeira pobreza é gastar a vida preocupado em viver acumulando, acumulando, acumulando. É preciso fazer as coisas que você gosta e ama. Se você não conseguir a felicidade com pouco, nunca a conseguirá."

Mujica defendeu transparência na administração pública e nos balanços das empresas privadas. "O Estado tem de se encarregar de mitigar as desigualdades", diz Mujica, acrescentando: "Desde sempre, quando você põe a mão no bolso de um poderoso para cobrar impostos, acaba por ganhar um inimigo de classe".

Ao fazer menção às diferenças nas jornadas de trabalho ao redor do mundo, o ex-presidente observou que os analistas econômicos apontam a luta sindical por redução como um fator que afeta a competitividade. "Enquanto houver desigualdade nas jornadas e nos direitos, não há como competir, Então se impõe o desafio de lutar para que haja uma única jornada de trabalho em todo o mundo".

(*) Com informações da Rede Brasil Atual (Com Opera Mundi)

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